Alguns exemplos do pensamento na filosofia sobre condições de possibilidade do pensamento

“Eis que nos adiantamos bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar – bem para além das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade, a epistémê do mundo ocidental e isola para nós o começo de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.”


É que o pensamento que nos é contemporâneo e com o qual, queiramos ou não, pensamos, se acha ainda muito dominado

(1) pela impossibilidade, trazida à luz por volta do fim do século XVIII,

de fundar as sínteses
no espaço da representação

(2) e pela obrigação

correlativa, simultânea, mas logo dividida contra si mesma, de abrir o campo transcendental da subjetividade e

de constituir inversamente, para além do objeto, esses “quase-transcendentais” que são para nós a Vida, o Trabalho, a Linguagem.

As pedras de tropeço no caminho de Michel Foucault

As palavras e as coisas; Capítulo 8 Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I – As novas empiricidades

As estruturas de operações nos modelos, quando:

(1) com essa impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação;

(2) e sem essa impossibilidade de fundar as sínteses [do objeto das operações] no espaço da representação.

A estrutura requerida para levantar essa impossibilidade

O espaço geral do saber depois de aberto o campo transcendental da subjetividade e constituído, para além do objeto, os quase transcendentais

Vida,

Trabalho

e Linguagem.

O espaço geral do saber depois de cumprida essa obrigação

As palavras e as coisas; Capítulo 10 – As ciências humanas; tópico I – O triedro dos saberes

“Instaura-se
uma forma de reflexão
bastante afastada
do cartesianismo
e da análise kantiana,
em que está em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado,
e com ele se articula.”

A Forma de reflexão que se instaura em nossa cultura

As palavras e as coisas; Capítulo 8 Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I – As novas empiricidades

As estruturas de operações nos modelos, quando:

(1) com essa impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação;

(2) e sem essa impossibilidade de fundar as sínteses [do objeto das operações] no espaço da representação.

A estrutura requerida para modelar usando essa forma de reflexão

O espaço geral do saber depois de aberto o campo transcendental da subjetividade e constituído, para além do objeto, os quase transcendentais

Vida,

Trabalho

e Linguagem.

O espaço geral do saber depois de cumprida essa obrigação

As palavras e as coisas; Capítulo 10 – As ciências humanas; tópico I – O triedro dos saberes

E foi realmente necessário um acontecimento fundamental – um dos mais radicais, sem dúvida, que ocorreram na cultura ocidental, para que se desfizesse a positividade do saber clássico e se constituísse uma positividade de que, por certo, não saímos inteiramente.

O evento fundador da nossa modernidade no pensamento

As palavras e as coisas; Capítulo 7 – Os limites da representação; tópico I. A idade da história

As estruturas de operações nos modelos, quando:

(1) com essa impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação;

(2) e sem essa impossibilidade de fundar as sínteses [do objeto das operações] no espaço da representação.

Autores de antes e de depois desse evento fundamental em nossa cultura

O espaço geral do saber depois de aberto o campo transcendental da subjetividade e constituído, para além do objeto, os quase transcendentais

Vida,

Trabalho

e Linguagem.

O espaço geral do saber depois de cumprida essa obrigação

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O mapa de opções para leitura do fenômeno ‘operações’ (em qualquer área):
duas visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

  • As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 
  • As alterações na linguagem em decorrência da incorporação das origens externas de valor atribuído à proposição em cada etapa das operações.  
Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’:
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes – duas abrangências muito diferentes

As duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ em função da disponibilidade dos objetos intervenientes em uma operação de troca.

Os pontos amarelos 1 e 2 marcam o posicionamento do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ justamente no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca.

  • o elemento central destas operações é ‘Processo’
  • o ponto amarelo 1, no lado esquerdo da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento clássico, que ocorre no interior do domínio do Discurso e da Representação, e no Circuito das trocas;
    • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento clássico tudo existe desde sempre e para sempre compondo o Universo;
    • a operação funciona com propriedades não-originais e não-constitutivas (a construção de representações novas está fora do escopo dessas operações) e por isso não são consideradas propriedades originais e constitutivas, o que coloca a noção de objeto fora desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.
  • o ponto amarelo 2, no lado direito da figura, marca a inserção do ponto de início de leitura no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido, porém, em um pensamento configurado com o perfil de características do pensamento moderno
    • o elemento central desta operação é ‘Forma de produção’;
    • o ponto amarelo 2, no lado direito da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento moderno, que também ocorre no interior do domínio do Discurso e da Representação, e no Circuito das trocas;
      • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento moderno a articulação do pensamento com o impensado característica da forma de reflexão que orienta o pensamento, incorpora no próprio escopo do pensamento, a criação de novas representações;
      • a operação transcorre na etapa de instanciamento de representação anteriormente construída, e pode funcionar tanto com propriedades não-originais e não-constitutivas (a construção de representações novas está fora do escopo dessas operações) como com propriedades sim-originais e sim-constitutivas), o que coloca a noção de objeto opcionalmente dentro ou fora desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.

O ponto vermelho marcado com 1 no lado direito da figura marca o posicionamento do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da disponibilidade do objeto da operação – a de construção de representações novas – tratando portanto da permutabilidade futura desse objeto em uma eventual operação de troca.

  • o ponto vermelho 1, no lado direito da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento moderno, que ocorre agora no interior de dois domínios: no domínio do Pensamento e da Língua e no domínio do Discurso e da Representação, porém fora do Circuito das trocas;
    • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento moderno a articulação do pensamento com o impensado característica da forma de reflexão que orienta o pensamento, incorpora no próprio escopo do pensamento, a criação de novas representações;
    • a operação transcorre na etapa de construção de representação nova, e  tem como escopo a descoberta das propriedades sim-originais e sim-constitutivas do objeto da operação, o que coloca a noção de objeto obrigatoriamente dentro desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.

As duas possibilidades carregamento de valor pela proposição formulada na(s) linguagem(ns) em função desses pontos de inserção do início de leitura de operações.

Quando nos pontos amarelos 1 e 2  no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca.

O pressuposto no LE da figura ‘a existência precede a distinção’ feita na operação vale também para a linguagem.

  • ‘Processo’, o elemento central das operações no LE da figura sob o pensamento clássico é formulado com atividades, tasks encontrados no interior da categoria selecionada no Sistema de categorias, ou Quadro de simultaneidades escolhido, e o valor carregado à proposição formulada na linguagem é proveniente dessa origem interna à linguagem previamente existente nesse ambiente.

Quando no ponto vermelho 1 antes da disponibilidade de um dos objeto que possivelmente será levado a uma futura operação de troca.

  • Esse ponto vermelho 1 marca o início da operação de construção de representação nova. Feita a consulta ao repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da linguagem, a resposta foi negativa quanto à capacidade do repositório no estado em que se encontra de dar suporte ao ‘impensado’;
  • Disso decorre que a linguagem de ação ou de uso não pode fornecer representação que sirva ao objeto vislumbrado.
  • Nesse caso, a origem de valor para as proposições formuladas pela linguagem deve necessariamente provir de fonte externa à linguagem: as designações primitivas.

O que não muda entre essas duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

a proposição
como veículo portador de valor

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel Foucault 

a representação:
como o destino final do valor atribuído

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O que sim muda entre essas duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura 

A origem do valor atribuído ao veículo de carregamento de valor para a representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes até representações com origens de valor distintas.

o que muda é a origem – interna ou externa à linguagem –
do valor atribuído à proposição e por ela carregado para a representação

o destino final do valor atribuído à proposição, a representação,  pode ser 

  • representação já existente, a operação de construção da representação já foi realizada, o objeto já está disponível para uma troca,   
    (e a operação de troca imediata é possível) 
  • ou representação possível, pode ser construída, e o que a operação investiga é a permutabilidade futura do objeto
    (a operação de troca imediata não é possível)

Sobre isso, a explicação de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação do valor, é a seguinte

“Valer, para o pensamento clássico,
é primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenômeno simples
apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois,
que as coisas permutáveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que não tem necessidade
    é igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possível [permutabilidade]),

isto é, 

  1. no interior da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

… e prossegue Michel Foucault, indo diretamente ao ponto:

“Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. leitura já dadas as condições de troca;
  2. leitura investiga a permutabilidade, isto é a criação de condições de possibilidade da troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra

toda a essência da linguagem
no interior da proposição;

no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior à troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das

    • designações primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

[no segundo caso] a outra forma de análise,  

a linguagem está enraizada
fora de si mesma e como que

      • na natureza, ou nas   
      • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor,

      • antes da troca
      • e das medidas recíprocas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O mapa de opções para leitura do fenômeno ‘operações’ (em qualquer área):
duas visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

  • As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 
  • As alterações na linguagem em decorrência da incorporação das origens externas de valor atribuído à proposição em cada etapa das operações.  
Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’:
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes – duas abrangências muito diferentes

As duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ em função da disponibilidade dos objetos intervenientes em uma operação de troca.

Os pontos amarelos 1 e 2 marcam o posicionamento do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ justamente no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca.

  • o elemento central destas operações é ‘Processo’
  • o ponto amarelo 1, no lado esquerdo da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento clássico, que ocorre no interior do domínio do Discurso e da Representação, e no Circuito das trocas;
    • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento clássico tudo existe desde sempre e para sempre compondo o Universo;
    • a operação funciona com propriedades não-originais e não-constitutivas (a construção de representações novas está fora do escopo dessas operações) e por isso não são consideradas propriedades originais e constitutivas, o que coloca a noção de objeto fora desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.
  • o ponto amarelo 2, no lado direito da figura, marca a inserção do ponto de início de leitura no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido, porém, em um pensamento configurado com o perfil de características do pensamento moderno
    • o elemento central desta operação é ‘Forma de produção’;
    • o ponto amarelo 2, no lado direito da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento moderno, que também ocorre no interior do domínio do Discurso e da Representação, e no Circuito das trocas;
      • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento moderno a articulação do pensamento com o impensado característica da forma de reflexão que orienta o pensamento, incorpora no próprio escopo do pensamento, a criação de novas representações;
      • a operação transcorre na etapa de instanciamento de representação anteriormente construída, e pode funcionar tanto com propriedades não-originais e não-constitutivas (a construção de representações novas está fora do escopo dessas operações) como com propriedades sim-originais e sim-constitutivas), o que coloca a noção de objeto opcionalmente dentro ou fora desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.

O ponto vermelho marcado com 1 no lado direito da figura marca o posicionamento do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da disponibilidade do objeto da operação – a de construção de representações novas – tratando portanto da permutabilidade futura desse objeto em uma eventual operação de troca.

  • o ponto vermelho 1, no lado direito da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento moderno, que ocorre agora no interior de dois domínios: no domínio do Pensamento e da Língua e no domínio do Discurso e da Representação, porém fora do Circuito das trocas;
    • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento moderno a articulação do pensamento com o impensado característica da forma de reflexão que orienta o pensamento, incorpora no próprio escopo do pensamento, a criação de novas representações;
    • a operação transcorre na etapa de construção de representação nova, e  tem como escopo a descoberta das propriedades sim-originais e sim-constitutivas do objeto da operação, o que coloca a noção de objeto obrigatoriamente dentro desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.

As duas possibilidades carregamento de valor pela proposição formulada na(s) linguagem(ns) em função desses pontos de inserção do início de leitura de operações.

Quando nos pontos amarelos 1 e 2  no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca.

O pressuposto no LE da figura ‘a existência precede a distinção’ feita na operação vale também para a linguagem.

  • ‘Processo’, o elemento central das operações no LE da figura sob o pensamento clássico é formulado com atividades, tasks encontrados no interior da categoria selecionada no Sistema de categorias, ou Quadro de simultaneidades escolhido, e o valor carregado à proposição formulada na linguagem é proveniente dessa origem interna à linguagem previamente existente nesse ambiente.

Quando no ponto vermelho 1 antes da disponibilidade de um dos objeto que possivelmente será levado a uma futura operação de troca.

  • Esse ponto vermelho 1 marca o início da operação de construção de representação nova. Feita a consulta ao repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da linguagem, a resposta foi negativa quanto à capacidade do repositório no estado em que se encontra de dar suporte ao ‘impensado’;
  • Disso decorre que a linguagem de ação ou de uso não pode fornecer representação que sirva ao objeto vislumbrado.
  • Nesse caso, a origem de valor para as proposições formuladas pela linguagem deve necessariamente provir de fonte externa à linguagem: as designações primitivas.

“A única coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:

por exemplo,

  • a do verde e da árvore,
  • a do homem e da existência
    ou da morte;

é por isso

que o tempo dos verbos
não indica aquele [tempo]em que as coisas existiram no absoluto,
mas um sistema relativo
de anterioridade
ou de simultaneidade
das coisas entre si.”

Verbo como processo

As palavras e as coisas:
Capítulo 4 – Falar;
tópico III. A teoria do verbo

“É preciso, portanto,
tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo

palavra entre palavras, preso às mesmas regras, obedecendo como elas
às leis de regência e de concordância,
e depois,
em recuo em relação a elas todas,
numa região que não é aquela do falado,
mas aquela desde onde se fala.

Ele está na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que é dito
e aquilo que se diz,
exatamente lá onde os signos
estão em via de se tornar linguagem.”

Verbo como Forma de produção

As palavras e as coisas:
Capítulo 4 – Falar;
tópico III. A teoria do verbo

“Classificar,
portanto,
não será mais referir
o visível
a si mesmo,
encarregando um dos seus elementos
de representar todos os outros;”

Classificar no pensamento clássico

As palavras e as coisas:
Capítulo 7 – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres

“Será
num movimento
que faz revolver a análise,
reportar
o visível,
ao invisível,
como a sua razão profunda;
depois,
alçar de novo dessa secreta arquitetura
em direção aos sinais manifestos
[as “aparências”]que são dados à superfície dos corpos.”

Classificar no pensamento moderno

As palavras e as coisas:
Capítulo 7 – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres

“Antes do final do século XVIII o homem não existia. Não mais que a potência da vida, a fecundidade do trabalho ou a espessura histórica da linguagem. É uma criatura muito recente que a demiurgia do saber fabricou com suas mãos há menos de 200 anos (…)

Sem dúvida, as ciências naturais trataram o homem como de uma espécie ou de um gênero: a discussão sobre o problema das raças, no século XVIII, o testemunha. A gramática e a economia, por outro lado, utilizavam noções como as de necessidade, de desejo, ou de memória e de imaginação. 

Mas
não havia consciência epistemológica
do homem como tal.

Ausência do homem no pensamento clássico

As palavras e as coisas:
Capítulo 9 – O homem e seus duplos;
tópico II. O lugar do rei

“O modo de ser do homem,
tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis:
está, ao mesmo tempo,

(1) no fundamento de todas as positividades,

(2) presente, de uma forma que não se pode sequer dizer privilegiada,
no elemento das coisas empíricas.”

Os dois papéis do homem no pensamento moderno

As palavras e as coisas:
Capítulo 10 – As ciências humanas;
tópico I. O triedro dos saberes

“Assim o círculo se fecha.

Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

Mas que são esses sinais? 

Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,

que há aqui um caráter

no qual convém se deter,
porque ele indica uma secreta
e essencial semelhança? 

Que forma constitui o signo
no seu singular valor de signo? 

– É a semelhança.
Ele significa na medida
em que tem semelhança com o que indica
(isto é, com uma similitude). 

Contudo, 

  • não é a homologia que ele assinala, 

pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; 

  • trata-se de outra semelhança, 

uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, é patenteada por uma terceira. 

Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediária da mesma semelhança. 

De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

  • o signo da simpatia resida na analogia, 
  • o da analogia na emulação, 
  • o da emulação na conveniência, 

que, por sua vez, para ser reconhecida, requer 

  • a marca da simpatia… 

A assinalação e o que ela designa são exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem é diferente; a repartição é a mesma.”

“A arqueologia, essa, deve percorrer o acontecimento segundo sua disposição manifesta; ela dirá como as configurações próprias a cada positividade se modificaram 

  • (ela analisa por exemplo, para a gramática, o desaparecimento do papel maior atribuído ao nome e a importância nova dos sistemas de flexão; ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do caráter à função); 

ela analisará a alteração dos seres empíricos que povoam as positividades 

  • (a substituição do discurso pelas línguas, das riquezas pela produção); 

estudará o deslocamento das positividades umas em relação às outras 

  • (por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciências da linguagem e a economia); 

enfim e sobretudo, mostrará que o espaço geral do saber não é mais o das identidades e das diferenças, o das ordens não-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma máthêsis do não-mensurável, 

  • mas um espaço feito de organizações, isto é, de relações internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função; 
  • mostrará que essas organizações são descontínuas, que não formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas, mas que algumas são do mesmo nível enquanto outras traçam séries ou sequências lineares. 

 De sorte que se vêem surgir, 

como princípios organizadores
desse espaço de empiricidades, 

a Analogia
e a Sucessão:

de uma organização a outra, o liame, com efeito, 

  • não pode mais ser a identidade de um ou vários elementos,
  • mas a identidade da relação entre os elementos (onde a visibilidade não tem mais papel) 
  • e da função que asseguram; 

ademais, se porventura essas organizações se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias,

  • não é porque ocupem localizações próximas num espaço de classificação,
  • mas sim porque foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra no devir das sucessões. 

Enquanto, no pensamento clássico,

a seqüência das cronologias não fazia mais que percorrer o espaço prévio e mais fundamental de um quadro que de antemão apresentava todas as suas possibilidades,

doravante

as semelhanças contemporâneas e observáveis simultaneamente no espaço não serão mais que as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede de analogia em analogia.  (*)

 

 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas
Cap. – II. A prosa do mundo;
tópico II. As assinalações
de Michel Foucault

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas
Cap. – VII. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault

“As utopias consolam: é que, se elas não têm lugar real, desabrocham, contudo, num espaço maravilhoso e liso; abrem cidades com vastas avenidas, jardins bem plantados, regiões fáceis, ainda que o acesso a elas seja quimérico.”

“As heterotopias inquietam, sem dúvida porque solapam secretamente a linguagem, porque impedem de nomear isto e aquilo, porque fracionam os nomes comuns ou os emaranham, porque arruínam de antemão a “sintaxe” e não somente aquela que constrói as frases

A sintaxe que autoriza a construção das frases

As palavras e as coisas;
Prefácio

“- aquela menos manifesta que autoriza “manter juntos” (ao lado e em frente umas das outras) as palavras e as coisas

Os dois papéis do homem no pensamento moderno

As palavras e as coisas;
Prefácio

“Eis por que as utopias permitem as fábulas e os discursos: situam-se na linha reta da linguagem, na dimensão fundamental da fábula; as heterotopias (encontradas tão frequentemente em Borges) dessecam o propósito, estancam as palavras nelas próprias, contestam, desde a raiz, toda possibilidade de gramática; desfazem os mitos e imprimem esterilidade ao lirismo das frases..”

“As utopias consolam: é que, se elas não têm lugar real, desabrocham, contudo, num espaço maravilhoso e liso; abrem cidades com vastas avenidas, jardins bem plantados, regiões fáceis, ainda que o acesso a elas seja quimérico.”

História entendida como 

“a coleta das sucessões de fatos
tais como se constituíram”

resultando em um tempo calendário.

(a figura acima mostra
esse elemento organizador da história
– a coleta das sucessões de fatos
tais como se constituíram –
na organização da operação
sob o pensamento clássico. 

história como a coleta da sucessão de fatos

As palavras e as coisas;
Capítulo 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

História entendida como alterações no

“alterações no modo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir do que elas podem ser afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis”

a figura acima mostra o mesmo elemento organizador da História – o modo de ser fundamental das empiricidades em suas alterações – atuando como elemento organizador das operações na etapa de Construção de representação nova.

A história como mudanças no modo de ser fundamental das empiricidades

As palavras e as coisas;
Capítulo 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

Mas vê-se bem que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;
ela é o modo de ser fundamental das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber
para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

Assim como a Ordem no pensamento clássico
não era a harmonia visível das coisas,
seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que é empírico,
lugar onde,
aquém de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe é próprio. 

As palavras as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. 7. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

.”

O espaço geral dos saberes no segmento do espectro de modelos AQUÉM do objeto e sob o pensamento filosófico clássico, o de antes de 1775

Espaço definido pelo Quadro de simultaneidades

As palavras e as coisas;
Capítulo 3 – Representar;
tópico VI. Máthesis e Taxinomia

O espaço geral dos saberes no segmento do espectro de modelos DIANTE do objeto, composto pelos eixos e faces do Triedro dos saberes, composto pelos eixos e pelas faces do triedro

 

Espaço definido pelos eixos e faces do Triedro dos saberes

As palavras e as coisas;
Capítulo 10 – As ciências humanas;
tópico I. O triedo dos saberes
II. A forma das ciências humanas
III. Os três modelos

O espaço geral dos saberes no segmento do espectro de modelos para ALÉM do objeto, composto pelos eixos, faces, e todo o espaço interior do Triedro

Espaço interior do Triedro dos saberes

As palavras e as coisas;
Capítulo 10 – As ciências humanas;
tópico I. O triedo dos saberes
II. A forma das ciências humanas
III. Os três modelos

AQUÉM do objeto
sob Chronos
tempo Calendário (relativo)

Tempo calendário, característico dos sistemas relativos de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, criados pelos verbos em seu tratamento clássico.

Tempo em operações de instanciamento de representações no período clássico

As palavras e as coisas;
Capítulo 3 – Representar;
tópico VI. Máthesis e Taxinomia

DIANTE do objeto
sob Kairós
tempo Absoluto

Tempo absoluto criado pelo sistema absoluto que funciona no interior do Lugar de nascimento do que é empírico, regido pelo deus Kairós

Tempo em operação de Construção de representação nova no período moderno

As palavras e as coisas;
Capítulo 10 – As ciências humanas;
tópico I. O triedo dos saberes
II. A forma das ciências humanas
III. Os três modelos

para ALÉM do objeto
Chronos ou Kairós
novamente tempo calendário

Tempo absoluto 9ou relativo) em operações de instanciamento de representações no período moderno.

tempo em operação de instanciamento de representações no período moderno

As palavras e as coisas;
Capítulo 10 – As ciências humanas;
tópico I. O triedo dos saberes
II. A forma das ciências humanas
III. Os três modelos

“As utopias consolam: é que, se elas não têm lugar real, desabrocham, contudo, num espaço maravilhoso e liso; abrem cidades com vastas avenidas, jardins bem plantados, regiões fáceis, ainda que o acesso a elas seja quimérico.”

“O trabalho é a medida real do valor permutável de toda mercadoria.”

Riqueza das Nações,
em citação feita por Michel Foucault

princípio monolítico de trabalho de Adam Smith

As palavras e as coisas;
Capítulo 7 – Os limites da representação;
tópico II. A medida do trabalho

“A quantidade de trabalho necessária para a fabricação de uma coisa (ou para sua colheita, ou para seu transporte) e que determina o seu valor depende das formas de produção: segundo o grau de divisão no trabalho, a quantidade e a natureza dos instrumentos, o volume de capital de que dispõe o empresário e o que ele investiu nas instalações de sua fábrica, a produção será modificada; em certos casos será dispendiosa; em outros, o será menos.”

Obras completas de David Ricardo,
em citação feita por Michel Foucault

A história como mudanças no modo de ser fundamental das empiricidades

As palavras e as coisas;
Capítulo 8 – Trabalho, vida e linguagem;
tópico II. Ricardo

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Origem de valor em operação sob o Princípio de Adam Smith

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Origem de valor da proposição em ooeração sob o princípio de trabalho de David Ricardo

Mas vê-se bem que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;
ela é o modo de ser fundamental das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber
para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

Assim como a Ordem no pensamento clássico
não era a harmonia visível das coisas,
seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que é empírico,
lugar onde,
aquém de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe é próprio. 

As palavras as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. 7. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

.”

“Assim o círculo se fecha.

Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

Mas que são esses sinais? 

Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,

que há aqui um caráter

no qual convém se deter,
porque ele indica uma secreta
e essencial semelhança? 

Que forma constitui o signo
no seu singular valor de signo? 

– É a semelhança.
Ele significa na medida
em que tem semelhança com o que indica
(isto é, com uma similitude). 

Contudo, 

  • não é a homologia que ele assinala, 

pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; 

  • trata-se de outra semelhança, 

uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, é patenteada por uma terceira. 

Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediária da mesma semelhança. 

De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

  • o signo da simpatia resida na analogia, 
  • o da analogia na emulação, 
  • o da emulação na conveniência, 

que, por sua vez, para ser reconhecida, requer 

  • a marca da simpatia… 

A assinalação e o que ela designa são exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem é diferente; a repartição é a mesma.”

“A arqueologia, essa, deve percorrer o acontecimento segundo sua disposição manifesta; ela dirá como as configurações próprias a cada positividade se modificaram 

  • (ela analisa por exemplo, para a gramática, o desaparecimento do papel maior atribuído ao nome e a importância nova dos sistemas de flexão; ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do caráter à função); 

ela analisará a alteração dos seres empíricos que povoam as positividades 

  • (a substituição do discurso pelas línguas, das riquezas pela produção); 

estudará o deslocamento das positividades umas em relação às outras 

  • (por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciências da linguagem e a economia); 

enfim e sobretudo, mostrará que o espaço geral do saber não é mais o das identidades e das diferenças, o das ordens não-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma máthêsis do não-mensurável, 

  • mas um espaço feito de organizações, isto é, de relações internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função; 
  • mostrará que essas organizações são descontínuas, que não formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas, mas que algumas são do mesmo nível enquanto outras traçam séries ou sequências lineares. 

 De sorte que se vêem surgir, 

como princípios organizadores
desse espaço de empiricidades, 

a Analogia
e a Sucessão:

de uma organização a outra, o liame, com efeito, 

  • não pode mais ser a identidade de um ou vários elementos,
  • mas a identidade da relação entre os elementos (onde a visibilidade não tem mais papel) 
  • e da função que asseguram; 

ademais, se porventura essas organizações se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias,

  • não é porque ocupem localizações próximas num espaço de classificação,
  • mas sim porque foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra no devir das sucessões. 

Enquanto, no pensamento clássico,

a seqüência das cronologias não fazia mais que percorrer o espaço prévio e mais fundamental de um quadro que de antemão apresentava todas as suas possibilidades,

doravante

as semelhanças contemporâneas e observáveis simultaneamente no espaço não serão mais que as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede de analogia em analogia.  (*)

 

 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas
Cap. – II. A prosa do mundo;
tópico II. As assinalações
de Michel Foucault

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas
Cap. – VII. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault

Tópico V. Psicanálise e etnologia, do Cap. 10 – As ciências humanas,
do livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

Espaços gerais dos saberes por segmento do espectro de modelos

pensamento clássico,
antes de 1775

pensamento moderno,
depois de 1825

Aquém do objeto

o espaço geral do saber
sob o pensamento filosófico clássico,
o de antes de 1775
O Quadro de simultaneidades

Diante do objeto

o espaço geral dos saberes
sob o pensamento filosófico moderno,
o de depois de 1825
o Triedro dos saberes
exceto as ciências humanas

 Além do objeto

o espaço interior do Triedro dos saberes
– o habitat das ciências humanas –
mostrando o modelo constituinte composto e comum a
todas as Ciências Humanas

Este último tópico do ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ vale como Um exercício de uso do modelo composto característico das ciências humanas,
uma combinação dos pares constituintes das ciências: 

  • da Vida (Biologia) [função-norma]; 
  • do Trabalho (Economia) [função-norma]; 
  • da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

além do conhecimento do papel dessas duas ciências em nossa cultura.

“A psicanálise e a etnologia ocupam, no nosso saber, um lugar privilegiado. 

Não certamente 

  • porque teriam, melhor que qualquer outra ciência humana, embasado sua positividade e realizado enfim o velho projeto de serem verdadeiramente científicas; 

antes porque, 

  • nos confins de todos os conhecimentos sobre o homem, elas formam seguramente um tesouro inesgotável de experiências e de conceitos, mas, sobretudo, um perpétuo princípio de inquietude, de questionamento, de crítica e de contestação daquilo que, por outro lado, pôde parecer adquirido. 

Ora, há para isto uma razão que tem a ver com o objeto que respectivamente cada uma se atribui, mas tem mais ainda a ver com a posição que ocupam e com a função que exercem no espaço geral da epistémê. 

A psicanálise, com efeito, mantém-se o mais próximo possível desta função crítica acerca da qual se viu que era interior a todas as ciências humanas.

Dando-se por tarefa fazer falar através da consciência o discurso do inconsciente, 

a psicanálise avança na direção desta região fundamental onde se travam as relações entre a representação e a finitude. 

Enquanto todas as ciências humanas

  •  só se dirigem ao inconsciente virando-lhe as costas, esperando que ele se desvele à medida que se faz, como que por recuos, a análise da consciência, 

já a psicanálise 

  • aponta diretamente para ele, de propósito deliberado – 
    • não em direção ao que deve explicitar-se pouco a pouco na iluminação progressiva do implícito, 
    • mas em direção ao que está aí e se furta, que existe com a solidez muda de uma coisa, de um texto fechado sobre si mesmo, ou de uma lacuna branca num texto visível e que assim se defende. 

Não há que supor que o empenho freudiano seja o componente de uma interpretação do sentido e de uma dinâmica da resistência ou da barreira; 

  • seguindo o mesmo caminho que as ciências humanas, 

mas com o olhar voltado em sentido contrário, 

  • a psicanálise se encaminha 

em direção ao momento –inacessível, por definição, a todo conhecimento teórico do homem, a toda apreensão contínua em termos 

        • de significação
        • de conflito 
        • ou de função

– em que os conteúdos da consciência se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem. 

Isto quer dizer que, 

  • ao contrário das ciências humanas que, 
    • retrocedendo embora em direção ao inconsciente, 
      • permanecem sempre no espaço do representável, 
  • a psicanálise 
    • avança para transpor a representação, extravasá-la do lado da finitude
    • e fazer assim surgir, lá onde se esperavam 
      • as funções portadoras de suas normas
      • os conflitos carregados de regras 
      • e as significações formando sistema
    • o fato nu de que pode haver 
      • sistema (portanto, significação), 
      • regra (portanto, oposição), 
      • norma (portanto, função). 

E, nessa região onde a representação fica em suspenso, à margem dela mesma, aberta, de certo modo ao fechamento da finitude, desenham-se as três figuras pelas quais 

  • a vida, com suas funções e suas normas, vem fundar-se na repetição muda da Morte, 
  • os conflitos e as regras, na abertura desnudada do Desejo, 
  • as significações e os sistemas, numa linguagem que é ao mesmo tempo Lei. “

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. X – As ciências humanas;
tópico V – Psicanálise, etnologia 

E foi realmente necessário um acontecimento fundamental – um dos mais radicais, sem dúvida, que ocorreram na cultura ocidental, para que se desfizesse a positividade do saber clássico e se constituísse uma positividade de que, por certo, não saímos inteiramente.

O evento fundador da nossa modernidade no pensamento

As palavras e as coisas; Capítulo 7 – Os limites da representação; tópico I. A idade da história

As estruturas de operações nos modelos, quando:

(1) com essa impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação;

(2) e sem essa impossibilidade de fundar as sínteses [do objeto das operações] no espaço da representação.

Autores de antes e de depois desse evento fundamental em nossa cultura

O espaço geral do saber depois de aberto o campo transcendental da subjetividade e constituído, para além do objeto, os quase transcendentais

Vida,

Trabalho

e Linguagem.

O espaço geral do saber depois de cumprida essa obrigação

Store Manager, Walmart Inc

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - abrangências muito diferentes

- A pedra de tropeço no caminho de Michel Foucault e
- Os caminhos (e alterações de rota) de Maturana

Michel Foucault
1926-1984

“É que o pensamento que nos é contemporâneo e com o qual, queiramos ou não, pensamos, se acha ainda muito dominado 

  • pela impossibilidade, trazida à luz por volta do fim do século XVIII, de fundar as sínteses [da empiricidade objeto do pensamento] no espaço da representação;
  • e pela obrigação correlativa, simultânea, mas logo dividida contra si mesma,
    de abrir o 
    campo transcendental da subjetividade e de constituir inversamente, para além do objeto, esses “quase-transcendentais” que são para nós a Vida, o Trabalho, e a Linguagem.”  (*)
Humberto Maturana
1928-

“Substituir 

  • a noção de input-output 
  • pela de acoplamento estrutural 

foi um passo importante na boa direção por evitar a armadilha da linguagem clássica de fazer do organismo um sistema de processamento de informação.
(…) Contudo é uma formulação fraca por não propor uma alternativa construtiva e deixar a interação na bruma de uma simples perturbação. (…) Frequentemente se tem feito a crítica de que a autopoiese leva a uma posição solipsista. (**)

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico: I. As novas empiricidades
(**) De máquinas e de seres vivos: autopoiese – a organização do vivo; Prefácio à segunda edição; tópico Além da autopoiese; sub-tópico: Enacção e cognição, de Francisco José Garcia Varela

O espectro de modelos, segundo essa possibilidade de sim-fundar, ou não-fundar, as sínteses no espaço da representação: Aquém, Diante e para Além do objeto - os segmentos do espectro de modelos de visões de ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t

O modo como Foucault descreve o problema que encontrou em seu trabalho pode ser mapeado em um espectro de modelos agrupados segundo os dois fatores por ele percebidos:  fator 1, com duas regiões quanto à fundação das sínteses na representação e com três regiões quanto à posição relativa ao objeto e ao sujeito: 
Aquém, Diante e para Além do objeto. 

Fundação das sínteses no espaço da representação

Impossibilidade

Possibilidade

Aquém

do objeto
(e do sujeito)

Diante

do objeto
(e do sujeito)

para Além

do objeto
(e do sujeito)

Fator 1 – o domínio/contaminação do pensamento com o uso simultâneo de configurações de pensamento 

  • com a  impossibilidade 
  • e também com a possibilidade,

de fundar as sínteses da representação da empiricidade objeto, no espaço da representação’; com duas regiões em um espectro de modelos:

Fator 2 – dar conta da obrigação correlativa (…) de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, os “quase-transcendentais”

com as seguintes regiões no espectro de modelos:

 1. região do espectro: ‘Aquém do objeto’ (na impossibilidade);

 2. região do espectro: ‘Diante do objeto’ (na possibilidade)

    • da Vida, (Biologia) par constituinte função-norma
    • do Trabalho, (Economia) par conflito-regra
    • e da Linguagem. (Filologia) par significação-sistema

 3. região do espectro: ‘para Além do objeto’, (na possibilidade) e no campo das ciências humanas, no espaço interior do triedro dos saberes.

outra região no espectro de modelos, com modelo constituinte único composto dos três pares constituintes das três regiões epistemológicas fundamentais

Modelos constituintes de modelos
em cada uma das faixas desse espectro

Posição relativa modelo de operações - sujeito-objeto

Aquém

não há modelos constituintes nesse segmento do espectro, já que, pelos pressupostos adotados (Universo, realidade única) nada é constituído na existência em decorrência das operações feitas

Diante

modelo constituinte composto pelo par constituinte correspondente ao campo em que o modelo é formulado, tomados isoladamente em cada área: 

  • Vida (Biologia) –
    [função-norma]; 
  • Trabalho (Economia) –
    [conflito-regra]; 
  • Linguagem (Filologia)- [significação-sistema]

para Além

campo das Ciências Humanas com modelos constituintes formados por uma combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, tomados todos em conjunto em cada modelo, dada ênfase a uma das áreas das ciências da região epistemológica fundamental

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos

 

Imaginação e Conceituação - funções humanas reversíveis:
Imagens tradicionais e Técnicas

Imagens tradicionais

Imagens técnicas

Classes de abstrações

As imagens tradicionais
Imagens técnicas, as imagens produzidas por aparelhos (computadores)
Classes de abstrações
  • Imaginação e Conceituação, funções humanas reversíveis que todos temos para codificar e decodificar imagens tradicionais e textos;
    • idolatria é o uso continuado de imagens que, quando decodificadas, não mais nos levam à visão da ocorrência no espaço-tempo x, y, z e t, isto é, imagens que não mais nos servem de guias para o mundo, mas de biombos;
    • textolatria é o uso continuado de textos que, quando decodificados, não mais nos levam às imagens que fizemos para as ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t
  • e as Imagens técnicas, especiais, aquelas imagens produzidas por aparelhos (computadores em destaque); as Imagens técnicas exigem, para seu entendimento, uma Conceituação especial.(*)

(*) Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia;
Capítulos I – A imagem; e II – A imagem técnica,
de Vilém Flusser 

Estruturas de conceitos em cada ambiente de formulação identificado pela possibilidade ou pela impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação

Posição em relação ao par sujeito-objeto

Estrutura conceitual
para o pensamento clássico
Estrutura conceitual
para o pensamento moderno

Referencial:

  • Ordem pela ordem;

Princípios organizadores: 

  • Caráter e similitude;

Métodos:

  • Identidade e semelhança

Referencial:

  • Utopia;

Princípios organizadores: 

  • Analogia e Sucessão;

Métodos:

  • Análise e Síntese

‘Assim, estes três pares,
função-norma,
conflito-regra,
significação-sistema,

cobrem, por completo,
o domínio inteiro
do conhecimento do homem.'(*)

São essas as ferramentas de que se arma o pensamento – em cada segmento do espectro de modelos, para produzir as imagens que servem de mapas, para orientação na construção das representações.

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos

Funcionamento do pensamento
em cada um dos segmentos desse espectro

Antes do objeto

Diante do objeto

Além do objeto

Operação no sistema Input-Output
sobre representações pré-existentes
Operação de construção de representação não existente no repositório
Operação de instanciamento de representação pré-existente no repositório

Paletas com o conjunto completo de ideias ou elementos de imagem necessários para a formulação das respectivas imagens das ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t ; incluindo relacionamentos entre esses elementos de imagem.(*)

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades, de Michel Foucault

Desenvolvimento das operações
por segmento do espectro de modelos

Aquém do objeto

Diante do objeto

Além do objeto

  • no sistema Input-Output; usando uma ordem arbitrariamente escolhida;
  • e com propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, as chamadas ‘aparências’;
  • No sistema correspondente ao que Foucault chama de ‘essa maneira moderna de conhecer empiricidades’, que tem como elemento construtivo padrão fundamental a proposição, da qual herda as categorias de ideias ou elementos de imagem de primeiro nível;
  • e com propriedades sim-originais e sim-constitutivas daquilo que se constitui na existência em decorrência das operações.
  • No sistema formulado no campo das ciências humanas, com modelos constituintes compostos por uma combinação dos modelos constituintes das ciências que integram a região epistemológica fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
  • Nexo da operação.

Veja mais detalhes nas animações que podem ser encontradas nas páginas de detalhe deste tópico.

O espaço dado ao homem - 'naquilo que ele tem de empírico' -
na estrutura dos modelos

Aquém do objeto

Diante e Além do objeto

Sistema clássico de pensamento:
sem espaço em sua estrutura
para os dois papéis do homem.
Os dois papéis do homem
presentes e operativos na estrutura
d'essa maneira moderna de conhecer empiricidades'

Antes do fim do século XVIII,
o homem não existia. (…)
Sem dúvida,
as ciências naturais trataram do homem
como de uma espécie ou de um gênero.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico II. O lugar do rei

‘Na medida, porém, em que as coisas giram sobre si mesmas, reclamando para seu devir não mais que o princípio de sua inteligibilidade e abandonando o espaço da representação, o homem, por seu turno, entra e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental’ (*)

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis: está, ao mesmo tempo, 

  • no fundamento de todas as positividades,
  • presente, de uma forma
    que não se pode sequer dizer privilegiada,
    no elemento das coisas empíricas.” (**)

 (*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas; 
Prefácio

(**) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;  
Capítulo X – As ciências humanas;
I. O triedro dos saberes

O tempo em cada uma das faixas do espectro;
e para as diferentes etapas das operações indicadas

Aquém
do objeto
qualquer operação

Diante 
do objeto
caminho da Construção 

Diante 
do objeto
caminho da Instanciamento

Tempo no LE, em qualquer operação no sistema Input-Output, sob o deus Chronos
Tempo LD, operação no caminho da Construção da representação,
sob o deus Kairós
Tempo LD, operação no caminho do Instanciamento da representação,
novamente sob o deus Chronos

Tempo, em cada um dos segmentos do espectro, muda:

  • aquém do objeto, na estrutura input-output sob o pensamento clássico, temos um tempo relativo, ou um tempo calendário, cujo deus é Chronos;
  • diante do objeto mas no caminho da Construção da representação, sob o pensamento filosófico moderno, temos um tempo absoluto, um tempo não-calendário, cujo deus é Kairós;
  • e ainda diante, e também além do objeto, tempos um tempo que volta a ser relativo, calendário, e a soberania volta a ser a de Chronos.

Espaços Gerais do Saber
em cada segmento do espectro

Aquém do objeto

Diante do objeto

Além do objeto

Espaço Geral do Saber Clássico
Espaço Geral do Saber no pensamento Moderno
Espaço interior do Triedro do Saber

As mudanças nas configurações do pensamento promoveram reposicionamentos das positividades umas em relação às outras, resultando em três espaços gerais do saber.(*)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo III – Representar; tópico VI. Mathésis e Taxinomia;
Capítulo X – As ciências humanas; tópico I – O triedro dos saberes; 
de Michel Foucault

Elementos centrais em cada formulação por segmento do espectro

Aquém do objeto
PROCESSO

Diante do objeto
Forma de produção

Além do objeto
NEXO DA PRODUÇÃO

Processo: elemento central
no modelo de operação clássico
Forma de produção: elemento central
no modelo de operações moderno
Nexo da produção: resultante da visão
SSS da organização

Em um pensamento mágico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mágica de condão’ –  é possível desejar algo e, sem mais qualquer providência, vê-lo surgir à nossa frente depois do Plin!!! 

Num ambiente de produção real, porém, nada é produzido sem um instrumento (laboratório piloto, fábrica) com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS é isso: a modelagem das operações de produção do objeto desejado juntamente com as operações de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fábrica, subindo um nível estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV – Falar; tópico II. Gramática geral
Capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; I. As novas empiricidades

Os dois princípios filosóficos para o que seja de trabalho

Aquém do objeto
Adam Smith, de 1776(*)

Princípio monolítico de trabalho
de Adam Smith, de 1776

Diante e Além do objeto
David Ricardo, de 1817(**)

Princípio dual de trabalho
de David Ricardo, de 1817


As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas; 
(*) Capítulo VII – Os limites da representação;
tópico II. A medida do trabalho;


As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
(**) Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico II. Ricardo

Os dois conceitos para o que seja 'Classificar'

Aquém do objeto

Classificar como uma referência
do visível a si mesmo

Diante e Além do objeto

Classificar como uma referência
do visível ao invisível

Classificar é referir
o visível a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.(*)

Classificar é referir
o visível ao invisível
– como a sua razão profunda –
e depois, alçar de novo dessa secreta arquitetura, em direção aos seus sinais manifestos, que são dados
à superfície dos corpos.
(*)


(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
cap. VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres; sub-item 3

Os dois conceitos para o que seja um verbo:
verbo Processo, e verbo Forma de produção

Aquém do objeto
verbo ‘Processo

Verbo tratado como Processo

Diante e Além do objeto
verbo ‘Forma de produção’

Verbo tratado como Forma de produção

“A única coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações; 
por exemplo
a do verde e da árvore,
a do homem e da existência ou da morte. 

É por isso que o tempo dos verbos
não indica aquele em que
as coisas aconteceram no absoluto, 
mas um sistema relativo  
de anterioridade
ou simultaneidade 
das coisas entre si.”
(*)

“O limiar da linguagem
está onde surge o verbo.
É preciso portanto 
tratar esse verbo como um ser misto, 
ao mesmo tempo palavra entre palavras,
preso às mesmas regras 
de regência
e de concordância;
e depois, em recuo em relação a elas todas, 
numa região que não é aquela do falado 
mas aquela donde se fala.
Ele está na orla do discurso, na juntura entre 
aquilo que é dito e aquilo que se diz; 
exatamente lá onde os signos 
estão em via de se tornar linguagem.
(*)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

A proposição como o bloco construtivo padrão  (Lego)
fundamental para a construção de representações

Aquém do objeto

Proposição ausente
do sistema Input-Output

Diante do objeto

A proposição no caminho
da Construção da representação

Além do objeto

A proposição no caminho
do Instanciamento da Representação

‘A proposição é, para a linguagem,
o que a representação é para o pensamento:
sua forma ao mesmo tempo mais geral e mais elementar porquanto, desde que a decomponhamos, não encontraremos mais o discurso, mas seus elementos como tantos materiais dispersos.’(*)

“A língua é
a mais complexa,
a mais milagrosa,
a mais estranha,
a mais gigantesca e variada
invenção humana.” (**)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

 


(**) Frases de Millor Fernandes

Exemplos de modelos existentes, e muito usados,
nas diferentes estruturas conceituais

Aquém do objeto

Diante do objeto

Modelos de: operação de produção; e organização típica
Modelos de: operação contábil/financeira e modelo de organização
Modelos de: operação de produção do Kanban; e modelo de organização da Reengenharia

Exemplos de modelos muito conhecidos para operações e para as organizações

  • operação: Operações de produção, de Elwood S. Buffa;
  • organização: adaptação de Organização típica.
  • operação: operação contábil financeira débito e crédito;
  • organização: Ativo, Passivo e Resultados.
  • operação: modelo do Kanban;
  • organização: mapa da reengenharia.

O mapa de operações de produção do Kanban;
e o mapa da organização segundo a Reengenharia

Diante do objeto

Modelo de operações
do Kanban

Modelo de operações do Kanban

Mapa da organização
segundo a Reengenharia

Mapa da Reengenharia (modificado) e comentado

Temos à esquerda, o modelo do Kanban com a referência (*) abaixo. e á direita, a Figura 7.1 do livro Reengenharia, referência (**) abaixo. São organizados sobre a proposição, e pertencem à configuração do pensamento moderno.  Você pode certificar-se  da veracidade dessas duas afirmativas neste ponto (17).

(*) Artigo ‘A comparison of Kanban and MRP concepts for the control of Repetitive Manufacturing Systems’ de:
James W. Rice da Western Kentucky University e Takeo Yoshikawa da Yolohama National University
(**) Reengenharia – revolucionando a empresa: em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência 
de Michael Hammer e James Champy

Destaque para dois modelos existentes:
1) LE, o SIPOC (FEPSC) do SixSigma; 2) LD e o Visão da PHD, da PHD Brasil
e no centro, as diferenças entre eles

Aquém do objeto

O diagrama FEPSC (SIPOC) mostrando a estrutura

diferenças

Comparação

Diante do objeto

A Visão da PHD

Comparação do modelo SIPOC ou FEPSC – SixSigma(*) com o modelo Visão da PHD(**) do ponto de vista das estruturas respectivas.
A animação central mostra o que falta – estruturalmente – ao SixSigma para ter a estrutura do modelo da direita.

(*) Gestão integrada de processos e da tecnologia da informação; capítulo Identificação, análise e melhoria de processos críticos Figura 3.1 Representação da FEPSC, de Roberto Gilioli Rotondaro
Coordenadores: Fernando José Barbin Laurindo e Roberto Gilioli Rotondaro, Editora Atlas, jan/2006
(**) A Visão da PHD, da empresa PHD Brasil

Sistema Formulador

Aquém do objeto

Modelo relacional de dados do Microsoft Project 4.0

Diante do objeto

Módulo central do Sistema Formulador

O Sistema Formulador:

É um ante-projeto de um sistema para gestão de projetos com estrutura conceitual consistente com o pensamento moderno. 
O módulo principal do sistema é uma unidade lógica que relaciona entidades envolvidas na proposição enunciadora de operações, mantidas em banco de dados, e gera sistematicamente o modelo de operações. O Microsoft Project, então, importa o modelo gerado como se fosse próprio, e a gestão continua, agora com um modelo gramaticalmente correto e criteriosamente estruturado.

Este é um ante-projeto de um sistema de gestão COM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação; esse sistema pode evoluir para um sistema visual de gestão e outros aplicativos.

O pensamento de outros grandes pensadores:
John Dewey e seus dois modos de ver o mundo;
Ilya Prigogine e o conceito de caos para a ciência moderna

Diante do objeto

Ver [homem e experiência] e [natureza] vistos juntos
Os conceitos de caos, na ciência moderna;
e de Arte como a formulação com leis e eventos

As duas animações acima – a nosso ver – apenas mostram que tanto John Dewey na sua visão [homem] [experiência] e [natureza] juntos; quanto Ilya Prigogine  na sua visão do que seja caos na ciência moderna, estão pensando com uma configuração de pensamento COM a possibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação, o que não era comum para a ciência clássica, toda reversível.

O modelo 5W2H, de um lado, e de outro, o modelo de operações do Kanban
e o modelo proposto no LD da Figura 2: usos diferentes para as mesmas ideias
ou elementos de imagem envolvidos na formulação da proposição

Aquém do objeto

Diante e Além do objeto

Modelo Provision Workbench, da Proforma
Modelo de operações de produção do Kanban
Modelo proposto para 'uma certa maneira de conhecer empiricidades'

O exame dessas três figuras mostra que ideias, elementos de imagem, homônimos, podem ser usados de modo diferente em modelos feitos sob estruturas conceituais diferentes.

No modelo 5W e 2H no lado esquerdo acima, o destaque dado pelo losango em vermelho é nosso. Não estava na figura original. A figura é organizada por um sistema de categorias composto pelas 7 perguntas 5W2H. 

O modelo da produção do Kanban é sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto da operação de produção, e é formulado como uma proposição instanciativa de um objeto previamente projetado, e portanto cuja representação foi anteriormente construída

O modelo de operações de construção de representação para empiricidade objeto (LD da figura) é feito calcado no Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo; está evidenciada a formulação no formato de uma proposição. A origem de valor adotada está nas designações primitivas ( conjunto de operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites) e da linguagem de uso (o Repositório)

Estruturas dos modelos, resultantes da utilização do referencial,dos princípios organizadores e dos métodos usados pelo pensamento, por segmento de modelos 

Aquém do objeto

Modelo de operações de Buffa e modelo de uma organização adaptado de Mauro Zilbovicius

Diante do objeto

Modelo de operações do Kanban e modelo de organização da Reengenharia

Além do objeto

Modelo de uma ciência humana Análise da produção como exemplo de qualquer outro modelo de ciência humana
Estrutura matricial – Quadro de categorias clássico. Utilização de várias ordens ligeiramente diferentes em um mesmo modelo de operações.
Estrutura hierárquica característica do objeto análogo composto substitutivo ao vislumbrado. Utilização de uma única ordem ao longo do modelo.
Mesmas características dos modelos para o segmento Diante do objeto, mas aqui, com um modelo constituinte combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

Playground para projetistas de modelos: uma coleção de modelos de diversos tipos, para aplicação dos conceitos apresentados

Uma coleção com mais de duas dúzias de modelos, (*) para descobrir com que tipo de pensamento foram feitos:

  • se COM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação; ou
  • ou se SEM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação

(*) Proposta de metodologia para o planejamento e implantação de manufatura integrada por computador
de Bremer, C. F. USP SC fev 1995; entre outras fontes

Acoplamentos estruturais do sistema descrito no LD - o Explicar com Reformular: os internos e aqueles com o ambiente externo

Diante e para Além do objeto

Acoplamento estrutural interno:
condições de possibilidade
Acoplamento estrutural interno:
pontos de acoplamento
Acoplamento estrutural externo:
parcial quando há diferenças nas estruturas
  • os domínios do Operar – retângulo vermelho; e do Suporte ao operar – domínio amarelo, que compõem o ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ parte do ‘Explicar com ‘Reformular’ a empiricidade objeto, durante o caminho da Construção da representação, são exemplo do primeiro acoplamento interno. Acoplamento semelhante ocorre durante o caminho do Instanciamento da representação.(*)

     

  • há ainda acoplamentos externos ‘por cima’, lateralmente, e por baixo da estrutura no LD da figura nos dois caminhos o da Construção e o do Instanciamento. O acoplamento externo ‘por cima’ depende da estrutura com a qual se dará acopamento, e pode ser parcial.

Cronologia do evento fundador da nossa modernidade no pensamento;
linha de tempo com os períodos de contaminação do pensamento
por configurações diferentes.

uma cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
o evento fundador da nossa modernidade no pensamento
Linha de tempo das conquistas humanas no pensamento e respectiva utilização prática

Panorama visto desde meu posto de observação

É real hoje, aqui, agora, e entre nós, a percepção – feita por Foucault – do domínio/contaminação do pensamento – ‘com o qual queiramos ou não pensamos‘ – pela impossibilidade de fundar as sínteses (do pensamento sobre a empiricidade objeto da operação) no espaço da representação(*).

Esse tipo de pensamento dominante, aquele com a impossibilidade de fundar as sínteses, é ao mesmo tempo o tipo de pensamento que não inclui a operação de construção de novas representações. E a estrutura das operações sem essa etapa reforça essa impossibilidade. Nesse contexto modelos com e modelos sem essa impossibilidade são tratados como se variações sobre o mesmo tema fossem, e não produções do pensamento completamente diferentes.

Estamos projetando e usando hoje, modelos para operações e organizações, de produção e outras, com o pensamento de exatos dois séculos atrás.

Para que isso possa ser percebido pelo projetista de modelos em diversas áreas é necessário o rompimento das condições em que se dá essa contaminação e esse domínio de uma das configurações de pensamento sobre a outra, obliterando justamente aquela que corresponde a uma conquista humana no pensamento. Para que isso aconteça é necessário que seja atendido um requisito: a construção de um critério para identificação e comparação de modelos, e sua aplicação no caso presente.

Daqui de onde vejo as coisas, é unânime a visão das coisas em termos de processo. Ninguém fala de nada além de processos: mapeia-se processos, otimiza-se processos, etc. etc. o que quer que seja, mas sempre processos. Sem que nos demos conta de como sejam as diferentes estruturas das operações em que tais ‘processos’ ocupam posição operacional. 

Michel Foucault pode fornecer os elementos necessários para a construção desse critério. Nossa intenção aqui é destacar em Foucault o que pode ser usado para o estabelecimento de uma relação pensamento – e sua aplicação na modelagem de operações em organizações. 

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

Pensamento conservador e progressista

Acompanhando o trabalho arqueológico de Michel Foucault em direção a essa classe especial de saberes, a esse conjunto de discursos chamado de ciências humanas, vê-se que em certo período consolidou-se um tipo de pensamento em cuja configuração a etapa de construção de novas representações foi incorporada. Antes disso, essa etapa de construção da representação nova ficava fora do escopo do pensamento, e depois disso essa etapa permaneceu definitivamente incorporada.

Para a configuração de pensamento que deixa fora do seu escopo a etapa de construção de novas representações a alternativa é conviver com tudo o que existe desde sempre e para sempre, tomando as coisas como pré-existentes e pertencentes ao Universo. Esse modo de pensar tem características de conservadorismo, enquanto aquela outra configuração do pensamento que inclui em seu escopo a geração de novas representações, as características de progressismo.

Neste trabalho algumas – bastantes – características de uma e de outra dessas duas características de configurações do pensamento foram apresentadas o que de certa forma pode ser usado para qualificar com algo mais do que a qualidade ‘conservador’ um pensamento de direita; e com a qualidade ‘progressista’ um pensamento de esquerda, delineando com mais precisão uma e outra dessas configurações.

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

Ciência e Tecnologia dependem da Filosofia e são funções das ferramentas de pensamento de que dispõe a configuração do pensamento utilizada em sua geração.

Os três movimentos do pensamento segundo Vilém Flusser

Usando o pensamento de Vilém Flusser:

  • Pensamento é um transformador do duvidoso em língua;
  • Filosofia, ou Reflexão, é texto produzido pelo pensamento ao voltar-se contra si mesmo para corrigir-se e renovar-se.
  • ciência, como o resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo, para compreendê-lo, é texto filosófico aplicado. 
  • e tecnologia, como resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo para modificá-lo, é texto científico aplicado; 

Descontinuidades epistemológicas refletem conquistas humanas no pensamento e são aprimoramentos na maneira que usamos para conhecer.  Há portanto uma relação entre, de um lado, o modo como colocamos em marcha nosso desejo de transformar o duvidoso em língua a cada nível, e de outro lado, a filosofia que temos, e a Ciência que temos, ou a tecnologia de que dispomos. Filosofia, Ciência e Tecnologia são funções do como como vemos o mundo e as coisas.

Michel Foucault (*) descreve uma descontinuidade epistemológica (uma alteração no modo como nos voltamos para o mundo para conhecer o que dizemos que conhecemos), e aponta com toda clareza diferentes jogos de ferramentas de pensamento ou estruturas conceituais, características de uma e de outra dessas epistemologias, de um e de outro lado desse evento. E aponta um período em nossa cultura ocidental, em que o pensamento esteve dominado por uma característica do período anterior.

A solução de questões trazidas à luz por essa nova maneira de conhecer (a nova epistemologia) não poderão ser resolvidas se correspondentes ciência e tecnologia não forem desenvolvidas também.

Duas possibilidades de leitura de operações;
duas origens de valor (interna e externa na linguagem) para representações

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - duas abrangências muito diferentes

- História, modo de ser fundamental das empiricidades,
. o Circuito das trocas e o Lugar de nascimento do que é empírico
. Pensamento conservador e pensamento progressista

Posição relativa do par sujeito-objeto e o modelo de operações

Aquém 

história como sucessão de fatos
tais como se sucederam

História como sucessão de fatos tais como se sucederam

Diante e Além

história como alterações no ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades

História como mudança no 'modo de ser fundamental'
]

Mapeamento da disposição SSS das operações em uma organização

O que é este trabalho

funcionamento das operações em função do entendimento

Perfis característicos dos entendimentos (episteme) em cada período

Características do pensamento clássico, o de antes de 1775,
perfil do entendimento (episteme) de operações clássico
Características do pensamento moderno, o de depois de 1825,
perfil do entendimento (episteme) de operações moderno

Funcionamento das operações, as de produção e outras, em função do entendimento (episteme) adotado em cada segmento do espectro de modelos identificados pela posição do par sujeito-objeto nos modelos em cada segmento. Cada segmento é então uma coleção de modelos com as seguintes características principais:

  • segmento AQUÉM do objeto (par sujeito objeto em oposição um ao outro, e fora do modelo);
  • segmento DIANTE do objeto (par sujeito-objeto em posição de concurso e ocupando posições operacionais na estrutura dos modelos);
  • segmento para ALÉM do objeto (par sujeito-objeto presente no modelo, mas modelo constituinte composto como uma combinação ponderada dos três pares constituintes das ciências
    • da Vida (Biologia [função-norma])
    • do Trabalho (Economia [conflito-regra]) e
    • da Linguagem (Filologia [significação-sistema]))

Vamos aqui aplicar a recomendação de Vilém Flusser quanto ao uso de nossas funções humanas, reversíveis, Imaginação e Conceituação (veja detalhes em Imagens tradicionais) implementando a relação

[Ocorrências no espaço-tempo] ⇔ [Imagens] ⇔ [Textos]

onde Ocorrências no espaço-tempo são as operações de produção e outras, Imagens são os modelos que fazemos para elas, e Textos carregam os conceitos com as ideias que temos durante a modelagem, e vamos então queremos mostrar esse funcionamento das operações  utilizando imagens que permitam reconstituir o sentido e a intenção dos conceitos usados na modelagem da maneira como vemos as operações em cada caso. 

Veja as duas tabelas ao lado: o modo de ver o que sejam as operações, de produção, – as de produção, de ensino, ou de pensamento, entre outras, difere substancialmente dependendo do entendimento (episteme) adotado o que faz muita diferença, como poderemos ver.

Veja no item 1.1 Posicionamento as figuras 

construídas sobre dois capítulos do livro Filosofia da caixa preta, de Vilém Flusser, que servem de base para essa explicação do funcionamento de operações usando Imaginação e Conceitualização.

10 pontos para contextualização Prefácio-texto do livro
Relação entre Textos e Imagens, e entre estas e as visões que temos da ocorrência espacio-temporal

Dez (10) pontos selecionados no texto do livro para contextualização entre o Prefácio e o restante do texto do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas”.

Vamos aplicar a esses pontos selecionados a recomendação de Vilém Flusser e estabelecer a relação

Ocorrências no espaço-tempo ⇔ Imagens ⇔ Textos

identificando as imagens que relacionam os conceitos com nossos modelos e com isso, pelo uso da nossa Imaginação e da nossa Conceituação, a dificuldade de melhor compreensão desses conceitos diminui.

 

Imagens tradicionais na visão de Vilém Flusser

Continuamos a usar aqui o pensamento de Vilém Flusser em Imagens tradicionais, um capítulo do livro Filosofia da caixa preta.

Veja a animação a que a figura ao lado dá acesso. É feita sobre um capitulo do livro de Flusser. Veja se ela faz sentido para você.

Em todos os 10 (dez) pontos escolhidos para contextualizar o Prefácio com o texto do livro ‘As palavras e as coisas’, usamos essa percepção de Flusser para como que erguer os conceitos do grau de abstração em que estão, e construí-los usando uma figura com as ideias, ou elementos de imagem que estão neles.

Para entender como e por que essa percepção de flusser ajuda na compreensão, veja ‘Classes de abstrações usadas pelo Pensamento‘ 

A história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’

Uma história do nascimento do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas”, tal como contada pelo próprio Michel Foucault no Prefácio do livro; procuramos relacionar essa história do Prefácio – o mais que nos foi possível – com o próprio escopo do livro, seu objeto, e a razão de ser dessa obra: com a explicitação do caminho percorrido e dos achados do autor sobre os modos como configuramos nosso pensamento em nossa cultura, ao efetuar sua arqueologia das ciências humanas.

Partindo de modelos que expressam o funcionamento de operações: 

  • sob o pensamento clássico, o de antes de 1775;
  • e sob o pensamento moderno, o de depois de 1825,
    • no caminho da Construção de representação nova para empiricidade objeto;
    • no caminho do Instanciamento de representação para empiricidade objeto com representação já existente no Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua. 

associamos ideias expressas por Foucault nessa história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’ a elementos de imagem que fazem parte desses modelos de operações em distintos entendimentos (epistemes), tendo como suporte os dez pontos selecionados no texto do livro para os quais fechamos o circuito

[Ocorrência no espaço-tempo] ⇔ [Imagem] ⇔ [texto] 

usando nossas funções reversíveis Imaginação e Conceituação. Isso torna mais possível entender por exemplo o que sejam:

  • utopias, 
  • heterotopias 
  • a estrutura delineada pela classificação (fantástica, impensável) de uma certa enciclopédia chinesa, 
  • as duas sintaxes a que se refere o autor nesse texto, 
  • os dois conceitos para o que seja um verbo;
  • os dois conceitos para o que seja Classificar;

entre outras coisas.

Convite para diálogo sobre a Questão

Entre os modelos que apresentamos para operações, que podem ser as do próprio pensamento, da produção, de ensino, entre muitas outras, muito possivelmente estará aquela configuração de pensamento com a qual você pensa.

Usualmente pensamos com a configuração de pensamento que adquirimos meio que sem perceber o que está acontecendo, a partir do ambiente em que surgimos e iniciamos a viver.

Mas configurações do pensamento não são coisas que aparecem realmente novas, distintas, todos os anos. Michel Foucault, no ‘As palavras e as coisas’ nos dá conta de apenas duas de raiz, e mais uma que aparece a partir de uma delas. E isso no espaço de séculos.

O que se segue pode ser entendido como 

Reflexões imaginativas no espaço-tempo
dos Fluxos e das Permanências.

Descubra do que se trata e a força que essas distinções têm.

modelagem da operação do produto e a do instrumento
O Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrada no livro Reengenharia, de Michael Hammer

O mago Merlin, aquele que na lenda satisfazia a todos os desejos de Arthur em um átimo, sem consumir absolutamente nada, – nenhum recurso, nem mesmo energia – e de maneira reversível, possuía o instrumento dos instrumentos: a varinha de condão. 

Esse instrumento dos instrumentos – pena que mágico – quebra várias leis da física e isso justifica a impossibilidade de utilizá-lo em operações reais.  A varinha mágica sugere uma organização do mundo – e um rebaixamento de entropia – sem qualquer custo e dispêndio de energia, por exemplo.

A visão SSS das organizações modela o objeto esperado (produto) que interessa ao grupo Clientes, e o instrumento (fábrica) capaz de obtê-lo no ambiente de realidade. 

Fica destacado nesse arranjo de como ver uma organização, o Nexo da produção de onde  surgirá o objeto que interessa aos acionistas: o lucro, ou benefícios de qualquer outra natureza.  

Essa estrutura SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica nada mais é do que a aplicação com critério da modelagem organizada pelo par sujeito-objeto. Como não é muito comum a organização de  modelos de operações organizados pelo objeto, essa estrutura pode parecer algo estranha.

Mas veja no livro Reengenharia o que Hammer diz sobre esse retângulo: 

“O processo de ‘Desenvolvimento da capacidade de fabricação’ toma uma estratégia como entrada e produz uma Fábrica como saída.”

Reengenharia: revolucionando a empresa em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência; cap. 7 – A caça às oportunidades de reengenharia, pg. 98.

Ora como o retante do mapa todo, a partir do título refere-se a produção de semicondutores, e esse último retângulo produz uma fábrica a partir de certas estratégias, então temos dois objetos nesse mesmo mapa. E muito diferentes. Podemos ter mais de um objeto em um mesmo mapa de operações, mas cada qual terá o seu modelo de operações, organizado pelos respectivos pares sujeito-objeto.

Como Hammer ainda fala em processos, e pensa em entradas que produzem saídas, ele não deve ter achado conveniente simetrizar esse mapa. A estrutura SSS é exatamente essa simetrização.

A varinha mágica de condão

Merlin
o mago Merlin, e seu instrumento imune às leis da física

Laboratório e Fábrica: sucedâneos práticos
da varinha mágica de condão

Área de projeto piloto ou Laboratório
Unidade de produção ou Fábrica

Esse instrumento mágico era indiferente quanto ao objeto de desejo do rei. Concretizava instantaneamente qualquer coisa. Pena que era um instrumento mágico.

Para a varinha mágica o objeto de desejo de Arthur era indiferente.

Ninguém hoje imagina que um objeto esperado como resultado de uma operação de produção, por exemplo, possa concretizar-se no sentido de tornar-se disponível em ambiente de realidade, sem um instrumento capaz de fazer isso. E esse instrumento é específico com relação ao objeto esperado das operações, e pode receber o nome de Unidade de produção, Fábrica, e quando ainda em desenvolvimento, Laboratório ou Área de projeto piloto.   

Visão SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica: a organização na realidade do ambiente em que suas operações ocorrem, composta simultaneamente por:

  • a) operações que resultam no objeto esperado (produto) por um grupo de interessados (clientes), e
  • b) nas operações que resultam no instrumento indispensável para obtê-lo, que durante o caminho do Instanciamento permite o surgimento de outro objeto (benefícios, lucro), este esperado por outro grupo de interessados (acionistas);

Por detrás dessa visão SSS da organização está:

  • de um lado a convicção de que varinhas mágicas de condão, como a de Merlin não existem, e que portanto se pretendemos obter um objeto – qualquer coisa, temos de necessariamente indicar o Instrumento prático real com o qual podemos realizá-lo no ambiente em que estamos;
  • e de outro, que em ambientes de operações reais, os instrumentos substitutivos reais da varinha mágica (áreas piloto, unidades de produção, por exemplo) são imprescindíveis e devem necessariamente fazer parte do modelo de operações,

evitando o pensamento mágico – sem instrumento -, das operações, de produção e outras, e também a confusão de objetos diferentes, rebaixando a qualidade da informação no modelo de operações. 

Se modelamos operações sem especificar explicitamente o instrumento, e esse objeto, o instrumento, é imprescindível, acaba acontecendo que o modelo de operações para o objeto esperado fica contaminado pela realidade de que o instrumento precisa ser providenciado.

Porta de entrada e boas vindas

Bem vindo. Pode entrar.

Este trabalho foi feito com muito prazer, e esperamos que você, ao aceitar meu convite, sinta o mesmo ao dele tomar conhecimento.

Vilém Flusser, Michel Foucault e Humberto Maturana: pensadores nossas referências neste trabalho

Algumas boas razões para este estudo de modelos de operações (configurações do pensamento) com o apoio de filósofos como Michel Foucault

Vilém Flusser e Michel Foucault apontam formas de reflexão que se instauram (em adição, ou em substituição a outras existentes anteriormente. 

e observe quais são as ideias, ou elementos de imagem requeridos para formular modelos sob essa forma de reflexão.

Literalmente há uma unanimidade, atualmente,  quanto ao uso (e abuso) do conceito de ‘Processo’; igualmente, o mesmo ocorre com o modo de ver operações: estas são vistas praticamente sempre, como uma transformação de Entradas em Saídas, ou como um processamento de informações. 

Mostramos aqui que adotando as formas de reflexão apontadas por Flusser e Foucault, operações adquirem uma aparência totalmente diferente dessa. Veja e compare:

Nota: as animações a que os links acima dão acesso foram feitas sem áudio de narração.

No Prefácio do livro ‘As palavras e as coisas’, Michel Foucault refere-se a dois tipos de sintaxe envolvidos no funcionamento de operações. Podem ser operações de produção, de pensamento, de ensino, do que quer que seja. Veja quais são esses tipos de sintaxe:

A figura que serve de fundo para essas animações que os links acima acessam é a Figura 2 – Diagrama ontológico que está no capítulo ‘Reflexões epistemológicas’ do livro ‘Cognição e Vida cotidiana’; ou ainda é também a Figura 2 agora com o título ‘O explicar e a experiência’, no capítulo ‘Linguagem emoções e ética nos afazeres políticos’ do livro ‘Emoções e linguagem na educação e na politica’, ambos os livros de Humberto Maturana.

Menciono essa figura e sua origem neste ponto, porque a visão comparativa entre os lados esquerdo e direito, respectivamente o pensamento clássico e o moderno, permitem identificar o que o LD tem a mais em relação ao LE, para a instauração da linguagem via a formulação das operações.

Há dois conceitos, ou pode ser que um conceito e dois tratamentos para o que seja um verbo. 

“A única coisa que o verbo afirma é a coexistência de duas representações; por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.”

“É preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso às mesmas regras, obedecendo como elas às leis de regência e de concordância; e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado mas aquela donde se fala. Ele está na orla do discurso, na juntura entre aquilo que é dito e aquilo que se diz, exatamente lá onde os signos estão em via de se tomar linguagem.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III – A teoria do verbo

Podemos ver claramente, com a ajuda de imagens, figuras, que tornem possível entender conceitos geométricos como esse ‘em recuo em relação a elas todas’ especificando regiões espaciais que podem e devem ser identificadas, o que sugere um desnivelamento de algumas coisas em relação a outras, como e por que um conceito está para o pensamento clássico e seu sistema input-output e o outro para o pensamento moderno, com operações formuladas em coerência com o Princípio dual de trabalho de David Ricardo.

 

O tempo nas configurações do pensamento é função do lugar onde a operação ocorre.

Conceito chave para entender o tempo em função do lugar onde a operação ocorre é o que Foucault chama de ‘modo de ser fundamental das empiricidades’.

  • Modo de ser fundamental das empiricidades‘, segundo Foucault, é aquilo que permite que elas sejam afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.
  • os tipos de propriedades usadas para descrever o que acontece durante as operações:
    • propriedades não-originais e não-constitutivas são usadas para descrever o que acontece nas operações sem preocupação com origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, dentro do pressuposto de que tudo existe, desde sempre e para sempre, criado por Deus e integrando o Universo.
    • propriedades sim-originais e sim-constitutivas são usadas para descrever os resultados da operação em busca de origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites para a empiricidade objeto da operação. O pressuposto agora admite múltiplas realidades, a construção de novas representações, e toda representação construída permanece em um repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua provisoriamente, até que se evidencie a necessidade de uma reformulação.

Quanto ao lugar onde ocorrem, uma operação pode ocorrer no ‘Lugar de nascimento do que é empírico‘ e no ‘Circuito das trocas‘.

  • Lugar de nascimento do que é empírico‘ obviamente, é o lugar onde as coisas empíricas nascem, e portanto, é o lugar onde suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas são determinadas. Assim, as coisas, as empiricidades objeto das operações, são tratadas por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas já que são estas que precisam surgir com o sucesso da operação. E como decorrência da determinação desse tipo de propriedades, o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação muda, é alterado em decorrência do sucesso da operação.
  • Circuito das trocas‘ é o lugar onde ocorrem operações em que as propriedades sim-originais e sim-constitutivas não se alteram, e por isso mesmo, ficam fora do escopo dessas operações, que funcionam com propriedades não-originais e não-constitutivas, ou no modo como Maturana pensou isso, as “aparências”. Como decorrência dessa estabilidade nas propriedades sim-originais e sim-constitutivas (ou de todo, da não consideração delas) nessas operações no interior do ‘Circuito das trocas’ o ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja não muda em decorrência desse tipo de operação: tudo continua sendo afirmado, posto, disposto, etc. etc. da maneira de sempre.

 Dentro do acima, é necessário estudar o tempo nas seguintes situações:

um tempo relativo, tempo calendário, dado por uma operação reversível durante sua formulação, e irreversível na etapa de instanciamento que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente Fluxo.

um tempo absoluto, e portanto não-calendário,  dado por uma operação irreversível já na sua formulação em virtude da alteração (irreversível) do ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação. Ocorre no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’, lugar onde, com o sucesso das operações, o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação é alterado nesse domínio e nesse ambiente em que a operação ocorre. Propriedade emergente Permanência.

o tempo volta a ser relativo, tempo novamente calendário, dado por uma operação reversível durante sua formulação, e irreversível na etapa de instanciamento propriamente dita que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente volta a ser Fluxo.

Bem, no que se refere ao que seja ‘Classificar’ Foucault é muito claro.

E pensando em modelar operações, construir modelos para elas seguindo o modo como as vemos, ‘Classificar’ é um conceito muito importante.

Veja o que diz Michel Foucault:

“Classificar, portanto,

não será mais referir o visível a si mesmo, encarregando um de seus elementos de representar os outros; 

será, num movimento que faz revolver a análise, reportar o visível ao invisível, como à sua razão profunda, depois alçar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que são dados à superfície dos corpos.”

 As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

Comentários abaixo fazem referência:

  1.  ao Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo
  2. e principalmente às diferenças entre esse princípio de Ricardo e o de Adam Smith,

estabelecidas por Michel Foucault:

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis: 

  • está, ao mesmo tempo, no fundamento de todas as positividades

comentário: esse papel do homem corresponde ao seu engajamento em uma atividade de produção e ‘trabalho como atividade de produção é a fonte de todo valor ‘;

  • presente, de uma forma que não se pode sequer dizer privilegiada,
    no elemento das coisas empíricas.

nessa posição o trabalho que o homem oferece e o empresário compra é representável em unidades de trabalho por ser do tipo analisável em jornadas de subsistência, e que por isso pode ser expresso em unidades comuns de valor entre todas as mercadorias. 

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. X – As ciências humanas; tópico I. O triedro dos saberes

Esta animação mostra as ideias, ou elementos de imagem, necessários para a formulação de operações em modelos que levem em conta essa duplicidade de papéis. Sem essa paleta de elementos de imagem, a formulação de modelos de operações em que o homem está presente é pouco mais que retórica.

 

Modelos de operações – em cada caso concreto de cada dado modelo – ocupam um segmento de um espectro de modelos organizado pela posição do par sujeito-objeto no projeto do dado modelo:

  • segmento AQUÉM,
  • segmento DIANTE,
  • e segmento para ALÉM do objeto.

A análise/projeto de modelos em qualquer um desses segmentos exige do analista/projetista que consiga descobrir em que segmento está trabalhando. E para isso, é necessário ter em mente os entendimentos possíveis, ou as características das epistemes.

Modelos em economia política, em sociologia, em psicologia, em política, de maneira geral, modelos no domínio das ciências humanas, têm modelo constituinte bastante complexo porque é uma combinação, ponderada, dos pares de modelos constituintes das ciências que compõem a região epistemológica fundamental.

Então, claramente, modelos no domínio das ciências humanas são função dos modelos das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, cada um destes com modelo constituinte formado por um par constituinte apenas, diferente para cada uma dessas ciências.

Parece sensato, em vista disso, compreender a fundo como funcionam os pares constituintes das ciências da Vida (Biologia), do Trabalho (Economia) e da Linguagem (Filologia) levando esse conhecimento prévio para a análise de ciências com modelos muito mais exigentes do pensamento.

  • Trabalho tal como visto por David Ricardo em seu princípio dual, com dois componentes:
    • essa força, esse esforço, esse tempo do operário que se compram e se vendem, (um trabalho que pode ser reduzido a jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum de valor entre todas as mercadorias);
    • e essa atividade que está na origem do valor da coisas: (trabalho agora visto como atividade de produção e origem do valor das coisas).

A Previdência social trata da subsistência após período útil para o trabalho, daquelas pessoas, daqueles homens quem se envolveram em operações de produção oferecendo sua força, seu esforço, seu tempo, que venderam a quem se dispôs a comprar.

E quem comprou essa força, o esforço, o tempo de quem tinha para vender foram os controladores das operações de produção.

Os empresários, os controladores das operações de produção, estão fora da reforma da Previdência.

Referências sobre fundamentos filosóficos do Liberalismo

  • John Locke, 1632-1704 é considerado por muitos como o inspirador do Liberalismo.
  • Não é difícil encontrar também Adam Smith como base filosófica do Liberalismo.
  • há ainda outras citações que mencionam David Hume, Adam Smith, David Ricardo, Jeremy Bentham e Wilhelm Humbolt e outros, como sendo os principais autores do liberalismo clássico.

Acompanhando a análise feita por Foucault do que ele chama de ‘vento fundador da nossa modernidade no pensamento’, a descontinuidade epistemológica de 1775-1825, vê-se sem dificuldade que ‘o pensamento que nos é contemporâneo, e com o qual queiramos ou não, pensamos’ tem, sim a capacidade de fundar as sínteses [da representação] no domínio da Representação.

Assim sendo (e entendido) há algo de errado na fundamentação filosófica do Liberalismo tal como é apresentado na maioria das vezes.

Causa um certo desconforto a indicação de referências que listam conjuntamente Adam Smith e David Ricardo. Tal aproximação não convém, já que os entendimentos de um e de outro são substancialmente distintos.

Os modelos de operações e de organizações comumente usados em demonstrativos econômico-financeiros  são:

  • para operações: Débito e Crédito;
  • para organizações: Ativo, Passivo e Resultado.

Esses modelos são consistentes com a maneira de entendimento do pensamento filosófico de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, o pensamento clássico, portanto.

Não há sinal neles do homem em sua duplicidade de papéis, e do objeto especialmente durante a operação de construção de representação nova.

Análises econômico-financeiras tratam de trocas. Não descrevem alterações no modo de ser fundamental do objeto das operações e escopo das organizações, especificamente no modo como esses objetos podem ser afirmados, postos, dispostos e repartidos no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

Não há sinal nessa configuração de pensamento para o Lugar de nascimento do que é empírico.

Seu lugar de transcorrência é o Circuito das trocas.

Estes são os pensadores  inspiradores deste trabalho e estes são dois dos seus textos maravilhosos:

 

  • Vilém Flusser, principalmente com seus livros ‘Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia’, mas também com o pequeno ‘Da religiosidade’ onde ele discorre sobre ‘Pensamento e reflexão;
  • Michel Foucault, com o ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’.

As três figuras abaixo servem para demonstrar que o Filosofia da caixa preta de Flusser tem muitíssimo a ver com as caixas pretas distribuídas generosamente em meio às abstrações que usamos atualmente no dia  a dia, nossos modelos de operações, nossos modelos de sistemas, o modo como interpretamos tais modelos, e os decodificamos para compreender as imagens que geram, se é que chegamos a isso.

E o ‘As palavras e as coisas’ de Foucault descreve em riqueza de detalhes os entendimentos a partir da filosofia, para esses mesmos modelos referidos a pontos de mudança no nosso entendimento (episteme) na história recente do pensamento em nossa cultura.

Se você quiser testar se o que virá vale ou não a pena de ser visto, veja a seguir uma História do nascimento do livro ‘As palavras e as coisas’, com imagens essencialmente, aplicando a sugestão de Vilém Flusser que está expressa no esquema à direita, e nas três figuras abaixo.

Este trabalho encontra razão de ser na percepção de que esses ciclos entre abstrações de diferentes dimensões e graus de abstração, criados por funções humanas – que todos temos ou deveríamos ter –  são (devem ser) reversíveis tais como descritos por Flusser nas animações abaixo, muito mais frequentemente do que supomos, não se fecham, quando examinamos mais de perto modelos largamente utilizados em nosso ambiente.

Imagens que não mais nos servem de orientação para o mundo, e mesmo assim continuarem em uso configuram idolatria. E Textos que decodificados não mais nos levam a imagens que nos servem de orientaçção para o mundo, se ainda assim continuarem em uso, configuram textolatria.

Especificamente no caso das imagens tradicionais, nossas funções como humanos Imaginação e Conceituação muito frequentemente não funcionam do modo reversível como seria de se esperar.

No caso das imagens técnicas a questão é mais exigente do pensamento analítico. Veja a animação na figura da direita acima. 

o caminho reversível desde ocorrências no espaço-tempo, passando por imagens, até textos onde estão os conceitos que elaboramos, e vice-versa.
Visão, Imaginação e Conceituação:
imagens tradicionais
classes de abstrações usadas pelo pensamento, suas dimensões e funções especificas de cada uma
Imagens técnicas: as imagens especiais geradas por aparelhos

Um dos tópicos em nossa página de entrada tem o título

“10 pontos para contextualização
entre Prefácio e o restante do texto”

do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas”, de Michel Foucault.

Passando seu mouse sobre as figuras você vera a capa de cada uma das animações que compõem esse tópico, com o respectivo assunto.

Dá para ver imediatamente conceitos geométricos porque fortemente dependentes de uma visão da disposição espacial  das ideias, ou dos elementos de imagem requeridos. A bem dizer, isso acontece em todos os 10 pontos, mas alguns exemplos:

  • o ponto 1: a forma de reflexão que se instaura;
  • o ponto 5, o conceito moderno para o que seja um verbo, ou o tratamento dado aos verbos nessa nova maneira de conhecer empiricidades;
  • o ponto 6: as duas sintaxes mencionadas por Foucault intervenientes em uma certa configuração do pensamento, desde o Prefácio do livro;
  • o ponto 8: o princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817; por que dual? e em que domínios se instala?
  • o ponto 9: os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’;
  • o ponto 10: os segmentos no espectro de modelos.

Vamos explorar o que Foucault está pensando em operações do pensamento sob diferentes configurações nesse seu Prefácio; tendo em mente todo o conteúdo do livro. No tópico:

“História do nascimento do livro “As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas”

contamos essa história com a intenção de recompor onde necessário, e mostrar a falta onde está ausente, dessas estruturas que reúnem as paletas de ideias ou elementos de imagem.

Veja primeiro, nesse tópico da história do nascimento do livro,

defasagens entre conquistas humanas no pensamento e aplicações desse conhecimento nas técnicas
Cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 mostrando Adam Smith e David Ricardo de lados opostos com relação à fase de ruptura desse evento.

Essa linha de tempo mostra alguns descompassos, intervalos de tempo às vezes muito grandes, entre conquistas do campo pensamento e aplicações desse conhecimento no domínio das técnicas.

Mostra também trabalhos apresentados como inovadores, mudanças radicais no entendimento, quando em vez, a partir de um alinhamento filosófico prévio, seriam considerados aplicações de entendimentos obtidos em conquistas anteriores. Temos dois exemplos que poderiam demonstrar isso, a nosso ver:

  • o conceito de caos na ciência moderna, de Ilya Prigogine, 
  • as visões de mundo de John Dewey.

que podem ser comparadas com a visão de operações consistentes com o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo mostrando maneiras idênticas de entender o mundo e as coisas.

No início do século XX entre outras conquistas surgiu o management. Há quem diga que o management foi uma das maiores invenções do século passado. E surgiu apresentando como fundamentação filosófica Adam Smith, e adotando modelos de operações e de organizações consistentes com Adam Smith. Mas desde 1817 com a publicação do Principles of political economy and taxation de David Ricardo já havia na filosofia como visualizar operações e organizações de um modo muito mais conectado com o fenômeno operações em organizações. A defasagem nesse ponto é de aproximadamente um século.

Mas foi necessário um intervalo de mais 25 a 30 anos para que surgisse um sistema de produção cujo entendimento de operações e organizações osse consistente com o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo.

No final do século XX o mundo do management foi abalado por uma revolução denominada ‘Reengenharia’.

Isso ocorreu na década de 90 e não durou muito, reduzindo-se a um modismo hoje esquecido, a julgar pelos modelos hooje em dia recomendados.

Pois visto de perto, o modelo da reengenharia é consistente com o modelo de operações do Kanban, e os dois são consistentes com o entendimento filosófico da configuração de pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Se assim for, a Reengenharia não deveria ter sido esquecida. Veja por você mesmo, no que se segue, se as coisas são assim mesmo ou são de outro modo.

dificuldade de imaginar (construir imagens) alinhadas com o entendimento filosófico das operações
figura encontrada em material de treinamento sobre a linguagem UML de Ivar Jacobson

Veja o exemplo ao lado encontrado no livro The Unified Software Development Process, de Ivar Jacobson e outros, na Fig. 1.1 – o processo de construção de um software em poucas palavras.

A intenção do autor parece ser a de representar de um e de outro lado das operações de construção do software o próprio Sistema de software em dois estados sucessivos. Essa intenção exige um sistema absoluto no qual haja mudança no modo de ser fundamental especificamente da empiricidade objeto ‘Sistema de Software’.

Mas a figura escolhida para representar essa ideia é a de

Entradas ⇒ Saídas

construída sobre um sistema Input-Output, um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.

O exemplo é ilustrativo da falta que faz um alinhamento filosófico para o projeto de modelos em qualquer área. Esse modo de ver operações acaba condicionando a forma como os usuários usam todo o conhecimento contido no livro.

Para compreender a verdade existente na afirmação que acabo de fazer é necessário ter um critério de comparação de modelos para poder descobrir com que entendimento foram feitos.

Logo na página de entrada você encontra as paletas de ideias, ou elementos de imagem para a configuração do pensamento clássico, o de antes de 1775, e o moderno, segundo Foucault, a configuração de pensamento que se consolidou depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Verá que os modelos de operações como a proposta no The Unified Software Development Process tratam com propriedades sim-originais e sim-constitutivas do sistema de software, e que para que esse tratamento possa ter lugar é necessária a noção de objeto.

falta alinhamento filosófico explícito, o que provavelmente contribuiu para que a Reengenharia fosse tratada como um modismo passageiro
a Figura 7.1 Mapa da atividade semicondutores de Michael Hammer, original

Veja a Fig. 7.1 – Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, original do livro Reengenharia de Michael Hammer (a figura abaixo).

É visível que todo o mapa, desde o título, é organizado em torno do objeto. A modelagem organizada pelo objeto (e pelo sujeito, em realidade pelo par sujeito-objeto) é bastante distinta da modelagem até então utilizada, na qual o objeto no sentido no qual ele é usado nesse mapa de Hammer, era simplesmente inexistente.

Examinando mais de perto esse mapa vê-se que todos os módulos referem-se ao objeto que é esperado das operações modeladas – refiro-me ao objeto semicondutores – exceto um.

Esse bloco relacionado a objeto distinto de semicondutores é o ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação.

Sobre esse bloco,Hammer diz que nele um conjunto de estratégias são transformado em uma Fábrica.

Do mesmo modo como as operações das quais resulta o objeto semicondutores exige o conjunto de blocos mostrado no mapa, o objeto Fábrica igualmente exige um conjunto semelhante.

E esse conjunto de blocos que modelam operações que resultam em objetos esperados tem muito pouco de específicos em relação a semicondutores, mas ante, é apropriado para objetos esperados, quaisquer que sejam.

o detalhamento do bloco ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação simetriza o mapa da reengenharia e evidencia o Nexo da produção.

Além disso, acrescentamos nesse mapa todas as ideias ou elementos de imagem que tornam possível a formulação das proposições implícitas em cada um dos blocos.

as operações modeladas na estrutura SSS – Simétricas, Simbióticas e Sinérgicas uma simetrização da Fig. 7.1 da Reengenharia

Clique na figura ao lado e verá a organização SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica na qual:

  • as operações de obtenção do objeto esperado pelo grupo Clientes (produto) estão incluídas, em duas etapas importantes:
    • a construção desse objeto;
    • o instanciamento desse objeto no ambiente
  • as operações de obtenção do instrumento requerido para a obtenção do objeto esperado pelo grupo Clientes (produto) o Laboratório/Unidade de produção ou Fábrica estão também incluídas, em duas etapas importantes:
    • a construção desse objeto Instrumento;
    • o instanciamento desse objeto Instrumento  no ambiente;
    • a composição do Nexo da produção.

abrindo espaço e lugar para o objeto de interesse do grupo Acionistas, Lucro ou benefícios de qualquer natureza.

convite a uma posição receptiva

Para tratar esse tipo de questões é necessário que baixemos os nossos pressupostos.

Este é um alerta e um convite  para que nos coloquemos em uma posição receptiva a possíveis ideias novas que poderão se apresentar a seguir neste trabalho

 

a história que deu origem ao ‘As palavras e as coisas’ como contada no Prefácio por Michel Foucault

Essa figura ao lado dá acesso a uma versão nossa da história de nascimento do ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ tal como contada por Foucault no Prefácio do livro.

Nessa animação propomos uma relação entre um excerto do texto do Prefácio, com as visões aplicáveis em cada ponto da narrativa, e assim destacamos as estruturas que reúnem as ideias (ou os elementos de imagem)  necessários em cada composição da imagem respectiva.

No texto destacado do Prefácio, Foucault discorre sobre Utopias e Heterotopias, entendendo estas últimas, as heterotopias, do modo mais próximo de sua etimologia como o lugar onde

“as coisas aí são
“deitadas “, “colocadas “, “dispostas”
em lugares a tal ponto diferentes,
que é impossível
encontrar-lhes um espaço de acolhimento,
definir por baixo de umas e outras
um lugar comum”.

Neste trabalho associamos o conceito de heterotopia – especialmente levando em conta esse significado acima transcrito, dessa palavra, ao Sistema de categorias ou o Quadro, do pensamento clássico e ao uso simultâneo de diferentes ordens desse tipo, que ocorre em modelos de operações e de organizações que usamos atualmente.

O modo como contamos aqui a história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’, cujo texto está no Prefácio do livro, depende da contextualização entre o Prefácio e o restante do livro, usando para essa contextualização fragmentos de textos do próprio livro.

Por favor veja antes o tópico 10 pontos de contextualização, o primeiro no slider maior na nossa página de entrada.

Nossa intenção é mostrar que essa conceituação de heterotopia coincide bastante bem com o sistema de categorias, ou o Quadro no pensamento clássico e com o conjunto desses sistemas usados simultaneamente em modelos que usamos hoje. Enfatizamos os problemas criados por esse entendimento do pensamento, como a possibilidade de uso simultâneo de múltiplas ordens com as consequências referidas pelo pequeno trecho Prefácio que destacamos.

E procuramos esclarecer o papel das Utopias na articulação do pensamento com o impensado em um modelo de operações para o pensamento moderno, no caminho da Construção de representações.

E mostramos como abrigar as entidades mencionadas por Foucault no Prefácio como as Utopias, os dois tipos de sintaxe envolvidos, os dois conceitos para ‘Classificar’ e para o que seja um ‘Verbo’, etc. sempre em uma estrutura consistente com o princípio dual de trabalho de David Ricardo, e também, olhando para o lado da prática,  com o modelo descritivo de operações do Kanban e da Reengenharia.

a imagem que Foucault tinha na cabeça quando escreveu o Prefácio do ‘As palavras e as coisas”
estes são os elementos de imagem, ou as ideias que compõem a figura, uma operação no caminho da construção da representação, no pensamento moderno.

Temos a clara impressão de que ao escrever o Prefácio do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas” Michel Foucault tinha em mente todo o estudo em estilo de arqueologiadas ciências humanas que desenvolveu. Por isso provavelmente o texto do Prefácio foi escrito depois de o livro estar pronto.

Esse texto permite uma imagem composta com as ideias, ou elementos de imagem que o compõem.

Esta animação faz a proposta dessa imagem, ou de uma imagem que seja ema recodificação desse texto.

A figura abaixo dá acesso a uma paleta de ideias ou elementos de imagem para o modelo de operação no caminho da Construção da representação sob o pensamento filosófico moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Na nossa página de entrada encontram-se também as paletas do pensamento clássico, e para o moderno, no caminho do Instanciamento da representação.

Clicando na figura abre-se um popup.

Passando o mouse por sobre os elementos de imagem são apresentados os significados de cada um, o papel de cada um na imagem de conjunto.

10 pontos, excertos de texto de Foucault, que ajudam a contextualizar o texto do Prefácio.

Uma lista de 10 pontos, de autoria de Michel Foucault, encontrados no livro

‘As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas’,

para ajudar na contextualização do que ele diz no Prefácio com o restante do livro, e entender melhor o próprio escopo do trabalho do autor, nesse livro.

Para cada um desses pontos incluímos uma animação que estabelece a ligação do conceito embutido no texto com a imagem respectiva em função do entendimento utilizado, apresentando a paleta de ideias – ou elementos de imagem, e seus relacionamentos.

Exemplos de modelos muito utilizados atualmente, construídos sob modos de entendimento das operações (epistemes) diferentes

Exemplos antológicos, muito usados atualmente, construídos com modos de entendimento de operações diferentes:

  • modelos construídos sob a episteme do pensamento clássico, o de antes de 1775:
    • para operações

Modelo descritivo de operações de produção devido a Elwood S. Buffa, organizado por uma (ou mais de uma como alerta Foucault) ordem arbitráriamente escolhida(s)

Modelo de operações no sistema contábil-financeiro. (Débito/Crédito)

ambos organizados a partir de ordem(ns) arbitrariamente selecionadas tendo portanto como referencial a ordem pela ordem, princípios organizadores Caráter e Similitude

    • para organizações:

⇒ Modelo  para uma organização típica, adaptado de Mário Zilbovicius conforme referência, 

⇒ Modelo para uma organização no sistema contábil Financeiro: (Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido ou Resultado) 

nos quais podemos ver claramente múltiplas ordens “ligeiramente diferentes” como sobre isso diz Foucault.

  • modelos construídos sob a episteme do pensamento moderno, o de depois de 1825:
    • para operações

⇒ Modelo descritivo de operações de produção do Kanban (formulação das operações neste modelo como uma proposição com sujeito das operações e predicado do sujeito, este composto por uma Forma de produção claramente indicada na figura, e com o atributo do sujeito, a empiricidade objeto da operação. 

⇒ Modelo de operações da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.

    • para organizações:

⇒ Modelo descritivo de operações de produção do Kanban: também organizado no formato de uma proposição, coisa que não é tão evidente à primeira vista, mas que pode ser vista em animação específica neste trabalho.

⇒ Modelo de operações da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.

A dificuldade e a obrigação cujos atendimentos contribuiram para alongar o trabalho de Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’

Nesse fragmento de texto do início do Cap. VII – Os limites da representação; tópico I – As novas empiricidades, Foucault descreve quais tinham sido as duas maiores dificuldades em seu trabalho nesse  livro. Diz ele que acaba de identificar, já entrando no final do seu trabalho, dois óbices:

  • uma dificuldade:

uma dominação do pensamento com o qual queiramos ou não pensamos, do nosso pensamento portanto, pela incapacidade de fundar as sínteses no espaço da representação, esta uma característica do pensamento que nos é contemporâneo em nossa cultura, por uma característica típica do pensamento clássico;

  • e uma obrigação:

a obrigação correlata de abrir o campo transcendental da subjetividade e de construir, para além do objeto, os quase-transcendentais da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

Quanto à dificuldade apontada, fundar as sínteses (entenda-se as sínteses da empiricidade objeto obtida pelo princípio organizador Análise) coloca o objeto em posição central; e se atentarmos para a forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, junto com o objeto vem o sujeito,  

Durante todo o trabalho até aqui Foucault já havia lidado com modelos situados quanto a sua estrutura, AQUÉM do objeto, – incapazes de lidar com esse conceito a partir de propriedades sim-originais e sim-constitutivas; e também com modelos situados quanto a sua estrutura DIANTE do objeto, porque capazes de lidar com o objeto pelas suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

E está agora indo adiante e percebendo um novo segmento nesse espectro de modelos: o dos modelos para ALÉM do objeto, cujo modelo constituinte é uma composição ponderada dos três modelos constituintes das ciências que habitam o eixo epistemológico fundamental mostrado no Triedro dos saberes, a saber, as ciências

  • da Vida, (Biologia [função-norma]);
  • do Trabalho (Economia [conflito-regra]) e
  • da Linguagem (Filologia [significação-sistema]) .

Note que os modelos nessas três áreas pertencem ao segmento de modelos DIANTE do objeto; como o modelo constituinte das ciências humanas é uma combinação ponderada desses pares constituintes, vê-se que é necessário compreender como são as operações organizadas pelos pares sujeito-objeto.

Veja isso nas animações neste trabalho

funcionamento da operação no pensamento clássico, o de antes de 1775,
mostrado no LE da figura

Funcionamento da operação sob o entendimento do pensamento clássico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Este tipo de operações consegue tratar somente propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, e isso é o mesmo que dizer que as coisas são tratadas por “aparências”, qualidades, adjetivos, ou por propriedades não-originais e não-constitutivas, ou por .

O homem – como único ser capaz de desempenhar dois papéis:

  • estar na raiz e fundamento de toda positividade;
  • estar no elemento do que é empírico;

não havia surgido ainda no pensamento.

A forma de reflexão em que está em questão o ser do homem nessa dimensão o pensamento segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula ainda não havia surgido. Veja o ponto 11 deste tópico ‘Funcionamento’. 

operação no caminho da Construção da representação,
no LD da figura, e no interior do
Lugar de nascimento do que é empírico

A animação que mostra a Forma de reflexão que se instaura, segundo Michel Foucault depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, com as seguintes palavras:

“Instaura-se uma forma de reflexão, bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.”

refletida em um modelo de operação de Construção de representação para empiricidade objeto (uma coisa); veja As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap IX – o homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault

Aplicando a ideia da Forma de reflexão que se instaura em nosso pensamento a essa figura, vê-se que o circuito reversível ensinado por Vilém Flusser

Texto ⇔ Imagem ⇔ Ocorrência espacio-temporal

se fecha. O que, diga-se de passagem, não acontece quando a imagem corresponde à maioria dos modelos de operações que utilizamos.

A paleta de ideias ou elementos de imagem que compõem essa figura:

  • o Lugar de nascimento do que é empírico, as chaves verticais coloridas que delimitam um espaço parte pertencente ao domínio do Pensamento e da Língua, parte pertencente ao domínio do Discurso e da Representação;
  • o impensado, a lâmpada amarela representando o operar atribuído a uma empiricidade ainda sem representação;
  • a empiricidade objeto ainda sem representação, representada por sua arquitetura, apenas;
  • ligando esses dois elementos de imagem, a relação de analogia;
  • a pequena figura amarela no meio da seta azul, o ser do homem, como veremos, na posição de sujeito de uma proposição enunciativa dessa operação;
  • a seta encurvada azul representando o compromisso do Observador, sujeito e demais interagentes com ele, em construir a representação para a empiricidade objeto, com um operar o mais próximo possível do operar atribuído a ela;
  • a Forma de produção, o meio real encontrado para dar sustentação na experiência levando em conta o Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua. A Forma de produção é o elemento central desta formulação para a operação, e é suportada por elementos de suporte na experiência;
  • a representação objeto pronta e terminada depois da operação, no lado direito da seta azul encurvada;
  • à esquerda, o conjunto de operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, que lançando mão de todos os recursos de conhecimento disponíveis, filosofia, ciências, tecnologias, etc. têm por objetivo encontrar os elementos de suporte na experiência da Forma de produção.
  • no LD parte inferior, a Sucessão de analogias, ou o objeto análogo desenvolvido durante as operações, com o conjunto relacionado de objetos análogos parciais ou componentes da representação em construção.

Nesta operação o modo de ser fundamental da empiricidade objeto muda – propriedades sim-originais e sim-constitutivas inexistentes antes da operação tornam-se disponíveis depois dela. Com isso o modo com essa empiricidade objeto pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis é alterado.

Tomando esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, ao final com sucesso dessa operação, – no interior do Lugar de nascimento do que é empírico e percorrendo o Caminho da Construção da representação  – faz-se história.