A operação de magia é – entre operações de todos os tipos e de quaisquer naturezas – a única na qual a relação de especificidade entre:
não é específica.
A varinha mágica de condão é o instrumento universal com o qual, um único Plin!!! faz aparecer ou desaparecer instantaneamente e sem custos, qualquer coisa.
Alguns dos modelos mais usados entre nós para modelagem de operações e de organizações – pode ser que a maioria deles – são não-discriminativos em relação aos objetos esperados das operações e seus elementos componentes.
Não há como encobrir o fato inelutável de que objeto esperado de operações e o instrumento necessário para obtê-lo são objetos diferentes.
Ser ou não discriminativo em relação ao objeto e seus componentes depende do tipo de informação que o modelo requer para poder funcionar:
É muito importante entender isso de modelos não, e sim, discriminativos com relação ao objeto e componentes ainda mais quando os modelos que usamos em sua maioria são do tipo não-discriminativo. Essa questão é relacionada com o modo como entendemos as coisas, isto é, qual a episteme com que configuramos o nosso pensamento. Esse entendimento coloca os modelos de dois lados diferentes em relação a uma ruptura no entendimento do mundo em nossa cultura. Veja abaixo:
Vemos acima Merlin e seu instrumento absolutamente versátil, indiferente quanto a qual seja o objeto de desejo do rei Arthur, capaz de instanciar qualquer coisa em qualquer ambiente instantaneamente sem gastar nada, e de modo sempre reversível, agente organizador do mundo pela redução de entropia
sem gastar energia e por isso, mágico.
Toda essa descontinuidade no modo como entendemos as coisas, ou descontinuidade no modo de ver o mundo, ou como diz Foucault, nessa descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825, é função do surgimento de uma nova forma de reflexão. Começamos a consolidar uma nova maneira de configurar o pensamento.
Estamos rodeados por modelos sem espaço em suas estruturas para o objeto e seus componentes, e estamos acostumados a projetar novos modelos com o modo de ver as coisas embutido nessa maneira de ver o mundo. Este trabalho tem uma porção de exemplos de modelos que são assim, e eles podem ser encontrados em todas as áreas: na produção, nos sistemas de ensino, na previdência social, nos modelos economico-financeiros, entre outras.