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Michel Foucault
vilem
Vilém Flusser

Alinhamento de modelos
- entre outros, os da produção -
ao pensamento de filósofos

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Humberto Maturana


Mais detalhes destes pontos postos em destaque, que ajudam a relacionar conceitualmente: 
o pensamento de filósofos a modelos de operações e de organizações existentes; e a partir daí entender os seus próprios modelos sob o ponto de vista do pensamento filosófico …mais

A ideia geral deste trabalho

Este trabalho é baseado em imagens e videos (animações). Fazemos um exercício de entendimento de imagens tradicionais e imagens técnicas e o percurso reversível, ida e volta, desde ocorrências no espaço-tempo até os textos com os conceitos a elas referidos.

Há muito pouco texto para ler; na maioria dos casos das animações, há um áudio com o texto falado – que sempre você pode desligar se preferir ler diretamente na área de mensagens.

A ideia básica é:

  • reconstituir as imagens a  que correspondem os conceitos, nos textos que usamos, sejam eles de filósofos, pensadores, modelistas experientes autores de modelos de larga utilização nas chamadas áreas técnicas;
  • e relacionar essas imagens àquilo que deu origem a elas, na maioria dos casos as respectivas visões das ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t, como as operações de produção, por exemplo.

Este trabalho procura dar elementos para identificarmos a paleta de ideias ou elementos de imagem em cada uma dessas imagens ou figuras, com as relações necessárias entre essas ideias – ou elementos de imagem -, para que as relações 

texto ↔ imagem ↔ visão 

se estabeleçam. 

Passando seu mouse sobre cada número de item de um tópico na matriz ou em uma linha de itens, abre-se uma página popup de resumo. Clicando no número do item, no lado esquerdo do cabeçalho dessa página de resumo, você irá para o item respectivo onde terá acesso ao argumento, e às animações. O menu vertical no lado direito da tela é uma videoteca. 

O que é este trabalho

funcionamento das operações em função do entendimento

Perfis característicos dos entendimentos (episteme) em cada período

Características do pensamento clássico, o de antes de 1775,
perfil do entendimento (episteme) de operações clássico
Características do pensamento moderno, o de depois de 1825,
perfil do entendimento (episteme) de operações moderno

Funcionamento das operações, as de produção e outras, em função do entendimento (episteme) adotado em cada segmento do espectro de modelos identificados pela posição do par sujeito-objeto nos modelos em cada segmento. Cada segmento é então uma coleção de modelos com as seguintes características principais:

  • segmento AQUÉM do objeto (par sujeito objeto em oposição um ao outro, e fora do modelo);
  • segmento DIANTE do objeto (par sujeito-objeto em posição de concurso e ocupando posições operacionais na estrutura dos modelos);
  • segmento para ALÉM do objeto (par sujeito-objeto presente no modelo, mas modelo constituinte composto como uma combinação ponderada dos três pares constituintes das ciências
    • da Vida (Biologia [função-norma])
    • do Trabalho (Economia [conflito-regra]) e
    • da Linguagem (Filologia [significação-sistema]))

Vamos aqui aplicar a recomendação de Vilém Flusser quanto ao uso de nossas funções humanas, reversíveis, Imaginação e Conceituação (veja detalhes em Imagens tradicionais) implementando a relação

[Ocorrências no espaço-tempo] ⇔ [Imagens] ⇔ [Textos]

onde Ocorrências no espaço-tempo são as operações de produção e outras, Imagens são os modelos que fazemos para elas, e Textos carregam os conceitos com as ideias que temos durante a modelagem, e vamos então queremos mostrar esse funcionamento das operações  utilizando imagens que permitam reconstituir o sentido e a intenção dos conceitos usados na modelagem da maneira como vemos as operações em cada caso. 

Veja as duas tabelas ao lado: o modo de ver o que sejam as operações, de produção, – as de produção, de ensino, ou de pensamento, entre outras, difere substancialmente dependendo do entendimento (episteme) adotado o que faz muita diferença, como poderemos ver.

Veja no item 1.1 Posicionamento as figuras 

construídas sobre dois capítulos do livro Filosofia da caixa preta, de Vilém Flusser, que servem de base para essa explicação do funcionamento de operações usando Imaginação e Conceitualização.

10 pontos para contextualização Prefácio-texto do livro
Relação entre Textos e Imagens, e entre estas e as visões que temos da ocorrência espacio-temporal

Dez (10) pontos selecionados no texto do livro para contextualização entre o Prefácio e o restante do texto do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas”.

Vamos aplicar a esses pontos selecionados a recomendação de Vilém Flusser e estabelecer a relação

Ocorrências no espaço-tempo ⇔ Imagens ⇔ Textos

identificando as imagens que relacionam os conceitos com nossos modelos e com isso, pelo uso da nossa Imaginação e da nossa Conceituação, a dificuldade de melhor compreensão desses conceitos diminui.

 

Imagens tradicionais na visão de Vilém Flusser

Continuamos a usar aqui o pensamento de Vilém Flusser em Imagens tradicionais, um capítulo do livro Filosofia da caixa preta.

Veja a animação a que a figura ao lado dá acesso. É feita sobre um capitulo do livro de Flusser. Veja se ela faz sentido para você.

Em todos os 10 (dez) pontos escolhidos para contextualizar o Prefácio com o texto do livro ‘As palavras e as coisas’, usamos essa percepção de Flusser para como que erguer os conceitos do grau de abstração em que estão, e construí-los usando uma figura com as ideias, ou elementos de imagem que estão neles.

Para entender como e por que essa percepção de flusser ajuda na compreensão, veja ‘Classes de abstrações usadas pelo Pensamento‘ 

A história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’

Uma história do nascimento do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas”, tal como contada pelo próprio Michel Foucault no Prefácio do livro; procuramos relacionar essa história do Prefácio – o mais que nos foi possível – com o próprio escopo do livro, seu objeto, e a razão de ser dessa obra: com a explicitação do caminho percorrido e dos achados do autor sobre os modos como configuramos nosso pensamento em nossa cultura, ao efetuar sua arqueologia das ciências humanas.

Partindo de modelos que expressam o funcionamento de operações: 

  • sob o pensamento clássico, o de antes de 1775;
  • e sob o pensamento moderno, o de depois de 1825,
    • no caminho da Construção de representação nova para empiricidade objeto;
    • no caminho do Instanciamento de representação para empiricidade objeto com representação já existente no Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua. 

associamos ideias expressas por Foucault nessa história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’ a elementos de imagem que fazem parte desses modelos de operações em distintos entendimentos (epistemes), tendo como suporte os dez pontos selecionados no texto do livro para os quais fechamos o circuito

[Ocorrência no espaço-tempo] ⇔ [Imagem] ⇔ [texto] 

usando nossas funções reversíveis Imaginação e Conceituação. Isso torna mais possível entender por exemplo o que sejam:

  • utopias, 
  • heterotopias 
  • a estrutura delineada pela classificação (fantástica, impensável) de uma certa enciclopédia chinesa, 
  • as duas sintaxes a que se refere o autor nesse texto, 
  • os dois conceitos para o que seja um verbo;
  • os dois conceitos para o que seja Classificar;

entre outras coisas.

Convite para diálogo sobre a Questão

Entre os modelos que apresentamos para operações, que podem ser as do próprio pensamento, da produção, de ensino, entre muitas outras, muito possivelmente estará aquela configuração de pensamento com a qual você pensa.

Usualmente pensamos com a configuração de pensamento que adquirimos meio que sem perceber o que está acontecendo, a partir do ambiente em que surgimos e iniciamos a viver.

Mas configurações do pensamento não são coisas que aparecem realmente novas, distintas, todos os anos. Michel Foucault, no ‘As palavras e as coisas’ nos dá conta de apenas duas de raiz, e mais uma que aparece a partir de uma delas. E isso no espaço de séculos.

O que se segue pode ser entendido como 

Reflexões imaginativas no espaço-tempo
dos Fluxos e das Permanências.

Descubra do que se trata e a força que essas distinções têm.

modelagem da operação do produto e a do instrumento
O Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrada no livro Reengenharia, de Michael Hammer

O mago Merlin, aquele que na lenda satisfazia a todos os desejos de Arthur em um átimo, sem consumir absolutamente nada, – nenhum recurso, nem mesmo energia – e de maneira reversível, possuía o instrumento dos instrumentos: a varinha de condão. 

Esse instrumento dos instrumentos – pena que mágico – quebra várias leis da física e isso justifica a impossibilidade de utilizá-lo em operações reais.  A varinha mágica sugere uma organização do mundo – e um rebaixamento de entropia – sem qualquer custo e dispêndio de energia, por exemplo.

A visão SSS das organizações modela o objeto esperado (produto) que interessa ao grupo Clientes, e o instrumento (fábrica) capaz de obtê-lo no ambiente de realidade. 

Fica destacado nesse arranjo de como ver uma organização, o Nexo da produção de onde  surgirá o objeto que interessa aos acionistas: o lucro, ou benefícios de qualquer outra natureza.  

Essa estrutura SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica nada mais é do que a aplicação com critério da modelagem organizada pelo par sujeito-objeto. Como não é muito comum a organização de  modelos de operações organizados pelo objeto, essa estrutura pode parecer algo estranha.

Mas veja no livro Reengenharia o que Hammer diz sobre esse retângulo: 

“O processo de ‘Desenvolvimento da capacidade de fabricação’ toma uma estratégia como entrada e produz uma Fábrica como saída.”

Reengenharia: revolucionando a empresa em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência; cap. 7 – A caça às oportunidades de reengenharia, pg. 98.

Ora como o retante do mapa todo, a partir do título refere-se a produção de semicondutores, e esse último retângulo produz uma fábrica a partir de certas estratégias, então temos dois objetos nesse mesmo mapa. E muito diferentes. Podemos ter mais de um objeto em um mesmo mapa de operações, mas cada qual terá o seu modelo de operações, organizado pelos respectivos pares sujeito-objeto.

Como Hammer ainda fala em processos, e pensa em entradas que produzem saídas, ele não deve ter achado conveniente simetrizar esse mapa. A estrutura SSS é exatamente essa simetrização.

A varinha mágica de condão

Merlin
o mago Merlin, e seu instrumento imune às leis da física

Laboratório e Fábrica: sucedâneos práticos
da varinha mágica de condão

Área de projeto piloto ou Laboratório
Unidade de produção ou Fábrica

Esse instrumento mágico era indiferente quanto ao objeto de desejo do rei. Concretizava instantaneamente qualquer coisa. Pena que era um instrumento mágico.

Para a varinha mágica o objeto de desejo de Arthur era indiferente.

Ninguém hoje imagina que um objeto esperado como resultado de uma operação de produção, por exemplo, possa concretizar-se no sentido de tornar-se disponível em ambiente de realidade, sem um instrumento capaz de fazer isso. E esse instrumento é específico com relação ao objeto esperado das operações, e pode receber o nome de Unidade de produção, Fábrica, e quando ainda em desenvolvimento, Laboratório ou Área de projeto piloto.   

Visão SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica: a organização na realidade do ambiente em que suas operações ocorrem, composta simultaneamente por:

  • a) operações que resultam no objeto esperado (produto) por um grupo de interessados (clientes), e
  • b) nas operações que resultam no instrumento indispensável para obtê-lo, que durante o caminho do Instanciamento permite o surgimento de outro objeto (benefícios, lucro), este esperado por outro grupo de interessados (acionistas);

Por detrás dessa visão SSS da organização está:

  • de um lado a convicção de que varinhas mágicas de condão, como a de Merlin não existem, e que portanto se pretendemos obter um objeto – qualquer coisa, temos de necessariamente indicar o Instrumento prático real com o qual podemos realizá-lo no ambiente em que estamos;
  • e de outro, que em ambientes de operações reais, os instrumentos substitutivos reais da varinha mágica (áreas piloto, unidades de produção, por exemplo) são imprescindíveis e devem necessariamente fazer parte do modelo de operações,

evitando o pensamento mágico – sem instrumento -, das operações, de produção e outras, e também a confusão de objetos diferentes, rebaixando a qualidade da informação no modelo de operações. 

Se modelamos operações sem especificar explicitamente o instrumento, e esse objeto, o instrumento, é imprescindível, acaba acontecendo que o modelo de operações para o objeto esperado fica contaminado pela realidade de que o instrumento precisa ser providenciado.

Porta de entrada e boas vindas

Bem vindo. Pode entrar.

Este trabalho foi feito com muito prazer, e esperamos que você, ao aceitar meu convite, sinta o mesmo ao dele tomar conhecimento.

Vilém Flusser, Michel Foucault e Humberto Maturana: pensadores nossas referências neste trabalho

Algumas boas razões para este estudo de modelos de operações (configurações do pensamento) com o apoio de filósofos como Michel Foucault

Vilém Flusser e Michel Foucault apontam formas de reflexão que se instauram (em adição, ou em substituição a outras existentes anteriormente. 

e observe quais são as ideias, ou elementos de imagem requeridos para formular modelos sob essa forma de reflexão.

Literalmente há uma unanimidade, atualmente,  quanto ao uso (e abuso) do conceito de ‘Processo’; igualmente, o mesmo ocorre com o modo de ver operações: estas são vistas praticamente sempre, como uma transformação de Entradas em Saídas, ou como um processamento de informações. 

Mostramos aqui que adotando as formas de reflexão apontadas por Flusser e Foucault, operações adquirem uma aparência totalmente diferente dessa. Veja e compare:

Nota: as animações a que os links acima dão acesso foram feitas sem áudio de narração.

No Prefácio do livro ‘As palavras e as coisas’, Michel Foucault refere-se a dois tipos de sintaxe envolvidos no funcionamento de operações. Podem ser operações de produção, de pensamento, de ensino, do que quer que seja. Veja quais são esses tipos de sintaxe:

A figura que serve de fundo para essas animações que os links acima acessam é a Figura 2 – Diagrama ontológico que está no capítulo ‘Reflexões epistemológicas’ do livro ‘Cognição e Vida cotidiana’; ou ainda é também a Figura 2 agora com o título ‘O explicar e a experiência’, no capítulo ‘Linguagem emoções e ética nos afazeres políticos’ do livro ‘Emoções e linguagem na educação e na politica’, ambos os livros de Humberto Maturana.

Menciono essa figura e sua origem neste ponto, porque a visão comparativa entre os lados esquerdo e direito, respectivamente o pensamento clássico e o moderno, permitem identificar o que o LD tem a mais em relação ao LE, para a instauração da linguagem via a formulação das operações.

Há dois conceitos, ou pode ser que um conceito e dois tratamentos para o que seja um verbo. 

“A única coisa que o verbo afirma é a coexistência de duas representações; por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.”

“É preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso às mesmas regras, obedecendo como elas às leis de regência e de concordância; e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado mas aquela donde se fala. Ele está na orla do discurso, na juntura entre aquilo que é dito e aquilo que se diz, exatamente lá onde os signos estão em via de se tomar linguagem.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III – A teoria do verbo

Podemos ver claramente, com a ajuda de imagens, figuras, que tornem possível entender conceitos geométricos como esse ‘em recuo em relação a elas todas’ especificando regiões espaciais que podem e devem ser identificadas, o que sugere um desnivelamento de algumas coisas em relação a outras, como e por que um conceito está para o pensamento clássico e seu sistema input-output e o outro para o pensamento moderno, com operações formuladas em coerência com o Princípio dual de trabalho de David Ricardo.

 

O tempo nas configurações do pensamento é função do lugar onde a operação ocorre.

Conceito chave para entender o tempo em função do lugar onde a operação ocorre é o que Foucault chama de ‘modo de ser fundamental das empiricidades’.

  • Modo de ser fundamental das empiricidades‘, segundo Foucault, é aquilo que permite que elas sejam afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.
  • os tipos de propriedades usadas para descrever o que acontece durante as operações:
    • propriedades não-originais e não-constitutivas são usadas para descrever o que acontece nas operações sem preocupação com origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, dentro do pressuposto de que tudo existe, desde sempre e para sempre, criado por Deus e integrando o Universo.
    • propriedades sim-originais e sim-constitutivas são usadas para descrever os resultados da operação em busca de origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites para a empiricidade objeto da operação. O pressuposto agora admite múltiplas realidades, a construção de novas representações, e toda representação construída permanece em um repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua provisoriamente, até que se evidencie a necessidade de uma reformulação.

Quanto ao lugar onde ocorrem, uma operação pode ocorrer no ‘Lugar de nascimento do que é empírico‘ e no ‘Circuito das trocas‘.

  • Lugar de nascimento do que é empírico‘ obviamente, é o lugar onde as coisas empíricas nascem, e portanto, é o lugar onde suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas são determinadas. Assim, as coisas, as empiricidades objeto das operações, são tratadas por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas já que são estas que precisam surgir com o sucesso da operação. E como decorrência da determinação desse tipo de propriedades, o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação muda, é alterado em decorrência do sucesso da operação.
  • Circuito das trocas‘ é o lugar onde ocorrem operações em que as propriedades sim-originais e sim-constitutivas não se alteram, e por isso mesmo, ficam fora do escopo dessas operações, que funcionam com propriedades não-originais e não-constitutivas, ou no modo como Maturana pensou isso, as “aparências”. Como decorrência dessa estabilidade nas propriedades sim-originais e sim-constitutivas (ou de todo, da não consideração delas) nessas operações no interior do ‘Circuito das trocas’ o ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja não muda em decorrência desse tipo de operação: tudo continua sendo afirmado, posto, disposto, etc. etc. da maneira de sempre.

 Dentro do acima, é necessário estudar o tempo nas seguintes situações:

um tempo relativo, tempo calendário, dado por uma operação reversível durante sua formulação, e irreversível na etapa de instanciamento que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente Fluxo.

um tempo absoluto, e portanto não-calendário,  dado por uma operação irreversível já na sua formulação em virtude da alteração (irreversível) do ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação. Ocorre no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’, lugar onde, com o sucesso das operações, o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação é alterado nesse domínio e nesse ambiente em que a operação ocorre. Propriedade emergente Permanência.

o tempo volta a ser relativo, tempo novamente calendário, dado por uma operação reversível durante sua formulação, e irreversível na etapa de instanciamento propriamente dita que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente volta a ser Fluxo.

Bem, no que se refere ao que seja ‘Classificar’ Foucault é muito claro.

E pensando em modelar operações, construir modelos para elas seguindo o modo como as vemos, ‘Classificar’ é um conceito muito importante.

Veja o que diz Michel Foucault:

“Classificar, portanto,

não será mais referir o visível a si mesmo, encarregando um de seus elementos de representar os outros; 

será, num movimento que faz revolver a análise, reportar o visível ao invisível, como à sua razão profunda, depois alçar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que são dados à superfície dos corpos.”

 As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

Comentários abaixo fazem referência:

  1.  ao Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo
  2. e principalmente às diferenças entre esse princípio de Ricardo e o de Adam Smith,

estabelecidas por Michel Foucault:

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis: 

  • está, ao mesmo tempo, no fundamento de todas as positividades

comentário: esse papel do homem corresponde ao seu engajamento em uma atividade de produção e ‘trabalho como atividade de produção é a fonte de todo valor ‘;

  • presente, de uma forma que não se pode sequer dizer privilegiada,
    no elemento das coisas empíricas.

nessa posição o trabalho que o homem oferece e o empresário compra é representável em unidades de trabalho por ser do tipo analisável em jornadas de subsistência, e que por isso pode ser expresso em unidades comuns de valor entre todas as mercadorias. 

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. X – As ciências humanas; tópico I. O triedro dos saberes

Esta animação mostra as ideias, ou elementos de imagem, necessários para a formulação de operações em modelos que levem em conta essa duplicidade de papéis. Sem essa paleta de elementos de imagem, a formulação de modelos de operações em que o homem está presente é pouco mais que retórica.

 

Modelos de operações – em cada caso concreto de cada dado modelo – ocupam um segmento de um espectro de modelos organizado pela posição do par sujeito-objeto no projeto do dado modelo:

  • segmento AQUÉM,
  • segmento DIANTE,
  • e segmento para ALÉM do objeto.

A análise/projeto de modelos em qualquer um desses segmentos exige do analista/projetista que consiga descobrir em que segmento está trabalhando. E para isso, é necessário ter em mente os entendimentos possíveis, ou as características das epistemes.

Modelos em economia política, em sociologia, em psicologia, em política, de maneira geral, modelos no domínio das ciências humanas, têm modelo constituinte bastante complexo porque é uma combinação, ponderada, dos pares de modelos constituintes das ciências que compõem a região epistemológica fundamental.

Então, claramente, modelos no domínio das ciências humanas são função dos modelos das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, cada um destes com modelo constituinte formado por um par constituinte apenas, diferente para cada uma dessas ciências.

Parece sensato, em vista disso, compreender a fundo como funcionam os pares constituintes das ciências da Vida (Biologia), do Trabalho (Economia) e da Linguagem (Filologia) levando esse conhecimento prévio para a análise de ciências com modelos muito mais exigentes do pensamento.

  • Trabalho tal como visto por David Ricardo em seu princípio dual, com dois componentes:
    • essa força, esse esforço, esse tempo do operário que se compram e se vendem, (um trabalho que pode ser reduzido a jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum de valor entre todas as mercadorias);
    • e essa atividade que está na origem do valor da coisas: (trabalho agora visto como atividade de produção e origem do valor das coisas).

A Previdência social trata da subsistência após período útil para o trabalho, daquelas pessoas, daqueles homens quem se envolveram em operações de produção oferecendo sua força, seu esforço, seu tempo, que venderam a quem se dispôs a comprar.

E quem comprou essa força, o esforço, o tempo de quem tinha para vender foram os controladores das operações de produção.

Os empresários, os controladores das operações de produção, estão fora da reforma da Previdência.

Referências sobre fundamentos filosóficos do Liberalismo

  • John Locke, 1632-1704 é considerado por muitos como o inspirador do Liberalismo.
  • Não é difícil encontrar também Adam Smith como base filosófica do Liberalismo.
  • há ainda outras citações que mencionam David Hume, Adam Smith, David Ricardo, Jeremy Bentham e Wilhelm Humbolt e outros, como sendo os principais autores do liberalismo clássico.

Acompanhando a análise feita por Foucault do que ele chama de ‘vento fundador da nossa modernidade no pensamento’, a descontinuidade epistemológica de 1775-1825, vê-se sem dificuldade que ‘o pensamento que nos é contemporâneo, e com o qual queiramos ou não, pensamos’ tem, sim a capacidade de fundar as sínteses [da representação] no domínio da Representação.

Assim sendo (e entendido) há algo de errado na fundamentação filosófica do Liberalismo tal como é apresentado na maioria das vezes.

Causa um certo desconforto a indicação de referências que listam conjuntamente Adam Smith e David Ricardo. Tal aproximação não convém, já que os entendimentos de um e de outro são substancialmente distintos.

Os modelos de operações e de organizações comumente usados em demonstrativos econômico-financeiros  são:

  • para operações: Débito e Crédito;
  • para organizações: Ativo, Passivo e Resultado.

Esses modelos são consistentes com a maneira de entendimento do pensamento filosófico de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, o pensamento clássico, portanto.

Não há sinal neles do homem em sua duplicidade de papéis, e do objeto especialmente durante a operação de construção de representação nova.

Análises econômico-financeiras tratam de trocas. Não descrevem alterações no modo de ser fundamental do objeto das operações e escopo das organizações, especificamente no modo como esses objetos podem ser afirmados, postos, dispostos e repartidos no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

Não há sinal nessa configuração de pensamento para o Lugar de nascimento do que é empírico.

Seu lugar de transcorrência é o Circuito das trocas.

Estes são os pensadores  inspiradores deste trabalho e estes são dois dos seus textos maravilhosos:

 

  • Vilém Flusser, principalmente com seus livros ‘Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia’, mas também com o pequeno ‘Da religiosidade’ onde ele discorre sobre ‘Pensamento e reflexão;
  • Michel Foucault, com o ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’.

As três figuras abaixo servem para demonstrar que o Filosofia da caixa preta de Flusser tem muitíssimo a ver com as caixas pretas distribuídas generosamente em meio às abstrações que usamos atualmente no dia  a dia, nossos modelos de operações, nossos modelos de sistemas, o modo como interpretamos tais modelos, e os decodificamos para compreender as imagens que geram, se é que chegamos a isso.

E o ‘As palavras e as coisas’ de Foucault descreve em riqueza de detalhes os entendimentos a partir da filosofia, para esses mesmos modelos referidos a pontos de mudança no nosso entendimento (episteme) na história recente do pensamento em nossa cultura.

Se você quiser testar se o que virá vale ou não a pena de ser visto, veja a seguir uma História do nascimento do livro ‘As palavras e as coisas’, com imagens essencialmente, aplicando a sugestão de Vilém Flusser que está expressa no esquema à direita, e nas três figuras abaixo.

Este trabalho encontra razão de ser na percepção de que esses ciclos entre abstrações de diferentes dimensões e graus de abstração, criados por funções humanas – que todos temos ou deveríamos ter –  são (devem ser) reversíveis tais como descritos por Flusser nas animações abaixo, muito mais frequentemente do que supomos, não se fecham, quando examinamos mais de perto modelos largamente utilizados em nosso ambiente.

Imagens que não mais nos servem de orientação para o mundo, e mesmo assim continuarem em uso configuram idolatria. E Textos que decodificados não mais nos levam a imagens que nos servem de orientaçção para o mundo, se ainda assim continuarem em uso, configuram textolatria.

Especificamente no caso das imagens tradicionais, nossas funções como humanos Imaginação e Conceituação muito frequentemente não funcionam do modo reversível como seria de se esperar.

No caso das imagens técnicas a questão é mais exigente do pensamento analítico. Veja a animação na figura da direita acima. 

o caminho reversível desde ocorrências no espaço-tempo, passando por imagens, até textos onde estão os conceitos que elaboramos, e vice-versa.
Visão, Imaginação e Conceituação:
imagens tradicionais
classes de abstrações usadas pelo pensamento, suas dimensões e funções especificas de cada uma
Imagens técnicas: as imagens especiais geradas por aparelhos

Um dos tópicos em nossa página de entrada tem o título

“10 pontos para contextualização
entre Prefácio e o restante do texto”

do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas”, de Michel Foucault.

Passando seu mouse sobre as figuras você vera a capa de cada uma das animações que compõem esse tópico, com o respectivo assunto.

Dá para ver imediatamente conceitos geométricos porque fortemente dependentes de uma visão da disposição espacial  das ideias, ou dos elementos de imagem requeridos. A bem dizer, isso acontece em todos os 10 pontos, mas alguns exemplos:

  • o ponto 1: a forma de reflexão que se instaura;
  • o ponto 5, o conceito moderno para o que seja um verbo, ou o tratamento dado aos verbos nessa nova maneira de conhecer empiricidades;
  • o ponto 6: as duas sintaxes mencionadas por Foucault intervenientes em uma certa configuração do pensamento, desde o Prefácio do livro;
  • o ponto 8: o princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817; por que dual? e em que domínios se instala?
  • o ponto 9: os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’;
  • o ponto 10: os segmentos no espectro de modelos.

Vamos explorar o que Foucault está pensando em operações do pensamento sob diferentes configurações nesse seu Prefácio; tendo em mente todo o conteúdo do livro. No tópico:

“História do nascimento do livro “As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas”

contamos essa história com a intenção de recompor onde necessário, e mostrar a falta onde está ausente, dessas estruturas que reúnem as paletas de ideias ou elementos de imagem.

Veja primeiro, nesse tópico da história do nascimento do livro,

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defasagens entre conquistas humanas no pensamento e aplicações desse conhecimento nas técnicas
Cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 mostrando Adam Smith e David Ricardo de lados opostos com relação à fase de ruptura desse evento.

Essa linha de tempo mostra alguns descompassos, intervalos de tempo às vezes muito grandes, entre conquistas do campo pensamento e aplicações desse conhecimento no domínio das técnicas.

Mostra também trabalhos apresentados como inovadores, mudanças radicais no entendimento, quando em vez, a partir de um alinhamento filosófico prévio, seriam considerados aplicações de entendimentos obtidos em conquistas anteriores. Temos dois exemplos que poderiam demonstrar isso, a nosso ver:

  • o conceito de caos na ciência moderna, de Ilya Prigogine, 
  • as visões de mundo de John Dewey.

que podem ser comparadas com a visão de operações consistentes com o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo mostrando maneiras idênticas de entender o mundo e as coisas.

No início do século XX entre outras conquistas surgiu o management. Há quem diga que o management foi uma das maiores invenções do século passado. E surgiu apresentando como fundamentação filosófica Adam Smith, e adotando modelos de operações e de organizações consistentes com Adam Smith. Mas desde 1817 com a publicação do Principles of political economy and taxation de David Ricardo já havia na filosofia como visualizar operações e organizações de um modo muito mais conectado com o fenômeno operações em organizações. A defasagem nesse ponto é de aproximadamente um século.

Mas foi necessário um intervalo de mais 25 a 30 anos para que surgisse um sistema de produção cujo entendimento de operações e organizações osse consistente com o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo.

No final do século XX o mundo do management foi abalado por uma revolução denominada ‘Reengenharia’.

Isso ocorreu na década de 90 e não durou muito, reduzindo-se a um modismo hoje esquecido, a julgar pelos modelos hooje em dia recomendados.

Pois visto de perto, o modelo da reengenharia é consistente com o modelo de operações do Kanban, e os dois são consistentes com o entendimento filosófico da configuração de pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Se assim for, a Reengenharia não deveria ter sido esquecida. Veja por você mesmo, no que se segue, se as coisas são assim mesmo ou são de outro modo.

dificuldade de imaginar (construir imagens) alinhadas com o entendimento filosófico das operações
figura encontrada em material de treinamento sobre a linguagem UML de Ivar Jacobson

Veja o exemplo ao lado encontrado no livro The Unified Software Development Process, de Ivar Jacobson e outros, na Fig. 1.1 – o processo de construção de um software em poucas palavras.

A intenção do autor parece ser a de representar de um e de outro lado das operações de construção do software o próprio Sistema de software em dois estados sucessivos. Essa intenção exige um sistema absoluto no qual haja mudança no modo de ser fundamental especificamente da empiricidade objeto ‘Sistema de Software’.

Mas a figura escolhida para representar essa ideia é a de

Entradas ⇒ Saídas

construída sobre um sistema Input-Output, um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.

O exemplo é ilustrativo da falta que faz um alinhamento filosófico para o projeto de modelos em qualquer área. Esse modo de ver operações acaba condicionando a forma como os usuários usam todo o conhecimento contido no livro.

Para compreender a verdade existente na afirmação que acabo de fazer é necessário ter um critério de comparação de modelos para poder descobrir com que entendimento foram feitos.

Logo na página de entrada você encontra as paletas de ideias, ou elementos de imagem para a configuração do pensamento clássico, o de antes de 1775, e o moderno, segundo Foucault, a configuração de pensamento que se consolidou depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Verá que os modelos de operações como a proposta no The Unified Software Development Process tratam com propriedades sim-originais e sim-constitutivas do sistema de software, e que para que esse tratamento possa ter lugar é necessária a noção de objeto.

falta alinhamento filosófico explícito, o que provavelmente contribuiu para que a Reengenharia fosse tratada como um modismo passageiro
a Figura 7.1 Mapa da atividade semicondutores de Michael Hammer, original

Veja a Fig. 7.1 – Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, original do livro Reengenharia de Michael Hammer (a figura abaixo).

É visível que todo o mapa, desde o título, é organizado em torno do objeto. A modelagem organizada pelo objeto (e pelo sujeito, em realidade pelo par sujeito-objeto) é bastante distinta da modelagem até então utilizada, na qual o objeto no sentido no qual ele é usado nesse mapa de Hammer, era simplesmente inexistente.

Examinando mais de perto esse mapa vê-se que todos os módulos referem-se ao objeto que é esperado das operações modeladas – refiro-me ao objeto semicondutores – exceto um.

Esse bloco relacionado a objeto distinto de semicondutores é o ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação.

Sobre esse bloco,Hammer diz que nele um conjunto de estratégias são transformado em uma Fábrica.

Do mesmo modo como as operações das quais resulta o objeto semicondutores exige o conjunto de blocos mostrado no mapa, o objeto Fábrica igualmente exige um conjunto semelhante.

E esse conjunto de blocos que modelam operações que resultam em objetos esperados tem muito pouco de específicos em relação a semicondutores, mas ante, é apropriado para objetos esperados, quaisquer que sejam.

o detalhamento do bloco ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação simetriza o mapa da reengenharia e evidencia o Nexo da produção.

Além disso, acrescentamos nesse mapa todas as ideias ou elementos de imagem que tornam possível a formulação das proposições implícitas em cada um dos blocos.

as operações modeladas na estrutura SSS – Simétricas, Simbióticas e Sinérgicas uma simetrização da Fig. 7.1 da Reengenharia

Clique na figura ao lado e verá a organização SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica na qual:

  • as operações de obtenção do objeto esperado pelo grupo Clientes (produto) estão incluídas, em duas etapas importantes:
    • a construção desse objeto;
    • o instanciamento desse objeto no ambiente
  • as operações de obtenção do instrumento requerido para a obtenção do objeto esperado pelo grupo Clientes (produto) o Laboratório/Unidade de produção ou Fábrica estão também incluídas, em duas etapas importantes:
    • a construção desse objeto Instrumento;
    • o instanciamento desse objeto Instrumento  no ambiente;
    • a composição do Nexo da produção.

abrindo espaço e lugar para o objeto de interesse do grupo Acionistas, Lucro ou benefícios de qualquer natureza.

convite a uma posição receptiva

Para tratar esse tipo de questões é necessário que baixemos os nossos pressupostos.

Este é um alerta e um convite  para que nos coloquemos em uma posição receptiva a possíveis ideias novas que poderão se apresentar a seguir neste trabalho

 

a história que deu origem ao ‘As palavras e as coisas’ como contada no Prefácio por Michel Foucault

Essa figura ao lado dá acesso a uma versão nossa da história de nascimento do ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ tal como contada por Foucault no Prefácio do livro.

Nessa animação propomos uma relação entre um excerto do texto do Prefácio, com as visões aplicáveis em cada ponto da narrativa, e assim destacamos as estruturas que reúnem as ideias (ou os elementos de imagem)  necessários em cada composição da imagem respectiva.

No texto destacado do Prefácio, Foucault discorre sobre Utopias e Heterotopias, entendendo estas últimas, as heterotopias, do modo mais próximo de sua etimologia como o lugar onde

“as coisas aí são
“deitadas “, “colocadas “, “dispostas”
em lugares a tal ponto diferentes,
que é impossível
encontrar-lhes um espaço de acolhimento,
definir por baixo de umas e outras
um lugar comum”.

Neste trabalho associamos o conceito de heterotopia – especialmente levando em conta esse significado acima transcrito, dessa palavra, ao Sistema de categorias ou o Quadro, do pensamento clássico e ao uso simultâneo de diferentes ordens desse tipo, que ocorre em modelos de operações e de organizações que usamos atualmente.

O modo como contamos aqui a história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’, cujo texto está no Prefácio do livro, depende da contextualização entre o Prefácio e o restante do livro, usando para essa contextualização fragmentos de textos do próprio livro.

Por favor veja antes o tópico 10 pontos de contextualização, o primeiro no slider maior na nossa página de entrada.

Nossa intenção é mostrar que essa conceituação de heterotopia coincide bastante bem com o sistema de categorias, ou o Quadro no pensamento clássico e com o conjunto desses sistemas usados simultaneamente em modelos que usamos hoje. Enfatizamos os problemas criados por esse entendimento do pensamento, como a possibilidade de uso simultâneo de múltiplas ordens com as consequências referidas pelo pequeno trecho Prefácio que destacamos.

E procuramos esclarecer o papel das Utopias na articulação do pensamento com o impensado em um modelo de operações para o pensamento moderno, no caminho da Construção de representações.

E mostramos como abrigar as entidades mencionadas por Foucault no Prefácio como as Utopias, os dois tipos de sintaxe envolvidos, os dois conceitos para ‘Classificar’ e para o que seja um ‘Verbo’, etc. sempre em uma estrutura consistente com o princípio dual de trabalho de David Ricardo, e também, olhando para o lado da prática,  com o modelo descritivo de operações do Kanban e da Reengenharia.

a imagem que Foucault tinha na cabeça quando escreveu o Prefácio do ‘As palavras e as coisas”
estes são os elementos de imagem, ou as ideias que compõem a figura, uma operação no caminho da construção da representação, no pensamento moderno.

Temos a clara impressão de que ao escrever o Prefácio do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas” Michel Foucault tinha em mente todo o estudo em estilo de arqueologiadas ciências humanas que desenvolveu. Por isso provavelmente o texto do Prefácio foi escrito depois de o livro estar pronto.

Esse texto permite uma imagem composta com as ideias, ou elementos de imagem que o compõem.

Esta animação faz a proposta dessa imagem, ou de uma imagem que seja ema recodificação desse texto.

A figura abaixo dá acesso a uma paleta de ideias ou elementos de imagem para o modelo de operação no caminho da Construção da representação sob o pensamento filosófico moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Na nossa página de entrada encontram-se também as paletas do pensamento clássico, e para o moderno, no caminho do Instanciamento da representação.

Clicando na figura abre-se um popup.

Passando o mouse por sobre os elementos de imagem são apresentados os significados de cada um, o papel de cada um na imagem de conjunto.

10 pontos, excertos de texto de Foucault, que ajudam a contextualizar o texto do Prefácio.

Uma lista de 10 pontos, de autoria de Michel Foucault, encontrados no livro

‘As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas’,

para ajudar na contextualização do que ele diz no Prefácio com o restante do livro, e entender melhor o próprio escopo do trabalho do autor, nesse livro.

Para cada um desses pontos incluímos uma animação que estabelece a ligação do conceito embutido no texto com a imagem respectiva em função do entendimento utilizado, apresentando a paleta de ideias – ou elementos de imagem, e seus relacionamentos.

Exemplos de modelos muito utilizados atualmente, construídos sob modos de entendimento das operações (epistemes) diferentes

Exemplos antológicos, muito usados atualmente, construídos com modos de entendimento de operações diferentes:

  • modelos construídos sob a episteme do pensamento clássico, o de antes de 1775:
    • para operações

Modelo descritivo de operações de produção devido a Elwood S. Buffa, organizado por uma (ou mais de uma como alerta Foucault) ordem arbitráriamente escolhida(s)

Modelo de operações no sistema contábil-financeiro. (Débito/Crédito)

ambos organizados a partir de ordem(ns) arbitrariamente selecionadas tendo portanto como referencial a ordem pela ordem, princípios organizadores Caráter e Similitude

    • para organizações:

⇒ Modelo  para uma organização típica, adaptado de Mário Zilbovicius conforme referência, 

⇒ Modelo para uma organização no sistema contábil Financeiro: (Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido ou Resultado) 

nos quais podemos ver claramente múltiplas ordens “ligeiramente diferentes” como sobre isso diz Foucault.

  • modelos construídos sob a episteme do pensamento moderno, o de depois de 1825:
    • para operações

⇒ Modelo descritivo de operações de produção do Kanban (formulação das operações neste modelo como uma proposição com sujeito das operações e predicado do sujeito, este composto por uma Forma de produção claramente indicada na figura, e com o atributo do sujeito, a empiricidade objeto da operação. 

⇒ Modelo de operações da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.

    • para organizações:

⇒ Modelo descritivo de operações de produção do Kanban: também organizado no formato de uma proposição, coisa que não é tão evidente à primeira vista, mas que pode ser vista em animação específica neste trabalho.

⇒ Modelo de operações da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.

A dificuldade e a obrigação cujos atendimentos contribuiram para alongar o trabalho de Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’

Nesse fragmento de texto do início do Cap. VII – Os limites da representação; tópico I – As novas empiricidades, Foucault descreve quais tinham sido as duas maiores dificuldades em seu trabalho nesse  livro. Diz ele que acaba de identificar, já entrando no final do seu trabalho, dois óbices:

  • uma dificuldade:

uma dominação do pensamento com o qual queiramos ou não pensamos, do nosso pensamento portanto, pela incapacidade de fundar as sínteses no espaço da representação, esta uma característica do pensamento que nos é contemporâneo em nossa cultura, por uma característica típica do pensamento clássico;

  • e uma obrigação:

a obrigação correlata de abrir o campo transcendental da subjetividade e de construir, para além do objeto, os quase-transcendentais da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

Quanto à dificuldade apontada, fundar as sínteses (entenda-se as sínteses da empiricidade objeto obtida pelo princípio organizador Análise) coloca o objeto em posição central; e se atentarmos para a forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, junto com o objeto vem o sujeito,  

Durante todo o trabalho até aqui Foucault já havia lidado com modelos situados quanto a sua estrutura, AQUÉM do objeto, – incapazes de lidar com esse conceito a partir de propriedades sim-originais e sim-constitutivas; e também com modelos situados quanto a sua estrutura DIANTE do objeto, porque capazes de lidar com o objeto pelas suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

E está agora indo adiante e percebendo um novo segmento nesse espectro de modelos: o dos modelos para ALÉM do objeto, cujo modelo constituinte é uma composição ponderada dos três modelos constituintes das ciências que habitam o eixo epistemológico fundamental mostrado no Triedro dos saberes, a saber, as ciências

  • da Vida, (Biologia [função-norma]);
  • do Trabalho (Economia [conflito-regra]) e
  • da Linguagem (Filologia [significação-sistema]) .

Note que os modelos nessas três áreas pertencem ao segmento de modelos DIANTE do objeto; como o modelo constituinte das ciências humanas é uma combinação ponderada desses pares constituintes, vê-se que é necessário compreender como são as operações organizadas pelos pares sujeito-objeto.

Veja isso nas animações neste trabalho

funcionamento da operação no pensamento clássico, o de antes de 1775,
mostrado no LE da figura

Funcionamento da operação sob o entendimento do pensamento clássico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Este tipo de operações consegue tratar somente propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, e isso é o mesmo que dizer que as coisas são tratadas por “aparências”, qualidades, adjetivos, ou por propriedades não-originais e não-constitutivas, ou por .

O homem – como único ser capaz de desempenhar dois papéis:

  • estar na raiz e fundamento de toda positividade;
  • estar no elemento do que é empírico;

não havia surgido ainda no pensamento.

A forma de reflexão em que está em questão o ser do homem nessa dimensão o pensamento segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula ainda não havia surgido. Veja o ponto 11 deste tópico ‘Funcionamento’. 

operação no caminho da Construção da representação,
no LD da figura, e no interior do
Lugar de nascimento do que é empírico

A animação que mostra a Forma de reflexão que se instaura, segundo Michel Foucault depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, com as seguintes palavras:

“Instaura-se uma forma de reflexão, bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.”

refletida em um modelo de operação de Construção de representação para empiricidade objeto (uma coisa); veja As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap IX – o homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault

Aplicando a ideia da Forma de reflexão que se instaura em nosso pensamento a essa figura, vê-se que o circuito reversível ensinado por Vilém Flusser

Texto ⇔ Imagem ⇔ Ocorrência espacio-temporal

se fecha. O que, diga-se de passagem, não acontece quando a imagem corresponde à maioria dos modelos de operações que utilizamos.

A paleta de ideias ou elementos de imagem que compõem essa figura:

  • o Lugar de nascimento do que é empírico, as chaves verticais coloridas que delimitam um espaço parte pertencente ao domínio do Pensamento e da Língua, parte pertencente ao domínio do Discurso e da Representação;
  • o impensado, a lâmpada amarela representando o operar atribuído a uma empiricidade ainda sem representação;
  • a empiricidade objeto ainda sem representação, representada por sua arquitetura, apenas;
  • ligando esses dois elementos de imagem, a relação de analogia;
  • a pequena figura amarela no meio da seta azul, o ser do homem, como veremos, na posição de sujeito de uma proposição enunciativa dessa operação;
  • a seta encurvada azul representando o compromisso do Observador, sujeito e demais interagentes com ele, em construir a representação para a empiricidade objeto, com um operar o mais próximo possível do operar atribuído a ela;
  • a Forma de produção, o meio real encontrado para dar sustentação na experiência levando em conta o Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua. A Forma de produção é o elemento central desta formulação para a operação, e é suportada por elementos de suporte na experiência;
  • a representação objeto pronta e terminada depois da operação, no lado direito da seta azul encurvada;
  • à esquerda, o conjunto de operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, que lançando mão de todos os recursos de conhecimento disponíveis, filosofia, ciências, tecnologias, etc. têm por objetivo encontrar os elementos de suporte na experiência da Forma de produção.
  • no LD parte inferior, a Sucessão de analogias, ou o objeto análogo desenvolvido durante as operações, com o conjunto relacionado de objetos análogos parciais ou componentes da representação em construção.

Nesta operação o modo de ser fundamental da empiricidade objeto muda – propriedades sim-originais e sim-constitutivas inexistentes antes da operação tornam-se disponíveis depois dela. Com isso o modo com essa empiricidade objeto pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis é alterado.

Tomando esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, ao final com sucesso dessa operação, – no interior do Lugar de nascimento do que é empírico e percorrendo o Caminho da Construção da representação  – faz-se história.

operação no pensamento moderno, depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação que transcorre no interior do Circuito das trocas

No LD da figura, pensamento moderno de depois de 1825, caminho do Instanciamento da representação.

Esse caminho só é percorrido quando para o operar atribuído à empiricidade objeto de uma operação, já exista, no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua, uma representação que ‘sirva’ a esse operar, ou em outras palavras uma representação cuja Forma de produção seja capaz de obter quando desencadeada no ambiente, operar semelhante a esse atribuído a essa empiricidade objeto.

Ao contrário do caminho da Construção da representação, no qual o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação muda, no caminho do Instanciamento da representação não há mudança no modo de ser fundamental da empiricidade objeto em instanciamento, que termina a operação no mesmo modo de ser fundamental no qual foi recuperada do repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.

Entenda como modo de ser fundamental da empiricidade com as palavras que Foucault usa para isso:

‘o modo como ele pode ser afirmada, posta, disposta
e repartida no espaço do saber
para eventuais conhecimentos, e para ciências possíveis.’

tempo na operação sob o pensamento clássico, no sistema Ipunt-Output, mostrando a sim-existência de um fator K que permite cálculo da inserção calendário de um evento a partir da inserção calendário do outro.

O elemento central das operações no LE da figura, sob o pensamento clássico, é Processo.

Processo, como conjunto de ações, atividades, tasks, é da categoria dos verbos.

“A única coisa que o verbo afirma é a coexistência entre duas representações: por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou a morte. É por isso que o tempo dos verbos não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.”

(…) “Assim é que o verbo ser teria essencialmente por função reportar toda linguagem à representação que ele designa. O ser em direção ao qual ele transborda os signos não é nem mais nem menos que o ser do pensamento. Comparando a linguagem a um quadro, um gramático do fim do século XVIII define os nomes como formas, os adjetivos como cores e o verbo como a própria tela onde elas aparecem.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas.
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo. de Michel Foucault.

A operação no LE da figura funciona sobre um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si – o sistema Input-Output, ou Entradas-Saídas.

Toda a operação funciona com propriedades não-originais e não-constitutivas (esse sistema não indica ‘aquele em que as coisas existiram no absoluto’ por absoluta falta de possibilidade de tratar as condições para que as coisas existam no absoluto.

Com propriedades não-originais e não-constitutivas, e deixando fora do escopo da operação a consideração dessas ‘coisas’ que passam a existir no absoluto, tudo é pre-existente, todas as representações são pré-existentes à operação.

Como pré-existentes, suas propriedades não originais e não-constitutivas estão disponíveis antes da operação, tanto para o início desta, quanto para o seu final.

Logo, ao tempo da deflagração do evento de processo (i), com a disponibilidade das propriedades antes e depois da operação, é possível calcular a inserção no calendário do outro evento, o (f).

E inversamente, para uma inserção calendário arbitrária do evento (f), com a disponibilidade de todas as propriedades não-originais e não-constitutivas, é possível calcular a inserção calendário do evento (i).

Então, existe um fator K que permite calcular a correspondente inserção calendário de um evento (i), ou (f), a partir da inserção calendário arbitrária do outro evento.

o tempo na operação de construção da representação da empiricidade objeto, LD da figura

A figura ao lado dá acesso a uma animação cuja principal característica, em termos de tempo na operação representada, é que ao contrário da operação no LE da figura sob o pensamento clássico, aqui não existe um fator K que permita, a partir de propriedades da representação objeto da operação, e com a inserção calendário de um dos eventos (i) ou (f), calcular a inserção do outro evento.

Isso acontece porque a operação de construção da representação transcorre em um tempo em que a representação objeto passa a existir no absoluto, já que seu modo de ser fundamental nesse ambiente e com o repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua, muda. Em outras palavras, e usando o modo como Foucault se refere a isso, modo de ser fundamental é o que permite que a representação possa ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

“O limiar da linguagem está onde surge o verbo.
É preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso às mesmas regras, obedecendo como elas às leis de regência e de concordância; 

e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado mas aquela donde se fala. Ele está na orla do discurso, na juntura entre aquilo que é dito e aquilo que se diz, exatamente lá onde os signos estão em via de se tomar linguagem.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas.
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo. de Michel Foucault.

Em termos dos tempos na operação de construção da representação:

  • antes da operação e com a inserção calendário do evento (i), não existem nem antes nem depois da operação, propriedades originais e constitutivas, nem as não-originais e não-constitutivas, as “aparências”, com as quais calcular a inserção calendário do evento (f) apenas porque a representação não existe. O que temos em (i) é apenas e tão somente a arquitetura vazia da representação cuja construção se inicia.
  • e depois da operação, sim, já existem todas as propriedades porque a representação para a empiricidade objeto acaba de ser criada. Mas o intervalo de tempo entre (i) e (f) não depende de nada relacionado com a representação que acaba de ser criada, mas antes depende das buscas por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, que nada têm a ver com a representação propriamente dita.

tempo na operação de instanciamento de representação já existente no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua, que ocorre no interior do Circuito das trocas.

A figura dá acesso a uma animação para a operação de Instanciamento de uma representação já existente no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.

Esse fato de que a operação de instanciamento instancia uma representação pré-existente no repositório é essencial porque durante o instanciamento não ocorre mudança no modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação. Ocorre uma mudança de estado, e não mudança no modo de ser fundamental dessa empiricidade objeto, isto é, ela continua a poder ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis exatamente do mesmo modo que estava no repositório.

Desse modo, tanto em (i) quanto em (f) pontos iniciais e finais da operação de instanciamento do objeto, existem todas as propriedades originais e constitutivas e também as não-originais e não-constitutivas, o que leva à possibilidade de que dada a inserção arbitrária de um evento, (i) ou (f), a inserção calendário do outro evento pode ser calculada por um fator K.

No caminho do Instanciamento da representação da empiricidade objeto não há alteração no modo de ser fundamental nesse ambiente e com esse Repositório.

Entenda modo de ser fundamental como aquilo a partir do que ela pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

o quadro clássico: a tela onde os elementos da linguagem aparecem.

Como diz Foucault abaixo, Processo é a própria janela onde as palavras aparecem. Diz ele:

“A única coisa que o verbo afirma é a coexistência de duas representações: por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si. A coexistência, com efeito, não é um atributo da própria coisa, mas também não é nada mais que uma forma de representação: dizer que o verde e a árvore coexistem é dizer que estão ligados em todas ou na maioria das impressões que recebo.”

(…) “Assim é que o verbo ser teria essencialmente por função reportar toda linguagem à representação que ele designa. O ser em direção ao qual ele transborda os signos não é nem mais nem menos que o ser do pensamento. Comparando a linguagem a um quadro, um gramático do fim do século XVIII define os nomes como formas, os adjetivos como cores e o verbo como a própria tela onde elas aparecem. Tela invisível, inteiramente recoberta pelo brilho e o desenho das palavras, mas que fornece à linguagem o lugar onde fazer valer sua pintura; o que o verbo designa é finalmente o caráter representativo da linguagem, o fato de que ela tem seu lugar no pensamento e de que a única palavra capaz de transpor o limite dos signos e fundá-Ios na verdade não atinge jamais senão a própria representação.


De sorte que a função do verbo se acha identificada com o modo de existência da linguagem, que ela percorre em toda a sua extensão: falar é, ao mesmo tempo, representar por signos e conferir a signos uma forma sintética comandada pelo verbo”

a sintaxe que autoriza a construção das frases e orienta a formação dos elementos componentes da representação na forma de objetos análogoss

Nos modelos de operações sob o entendimento do pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 as frases, segundo os tipos de proposição possíveis, são:

  • proposição enunciativa: o enunciado do operar atribuído à empiricidade objeto no formato de uma proposição enunciativa;
  • proposição explicativa: a seguir, ao serem obtidos os elementos de suporte na experiência à Forma de produção do operar atribuído à empiricidade objeto, portanto com a explicação do operar atribuído à empiricidade objeto na forma de uma proposição explicativa;
  • proposição instanciativa: e finalmente são a proposição instanciativa, para uma representação da empiricidade objeto já existente no Repositório.

Nesses tipos de proposições as ideias ou elementos de imagem envolvidos são:

  • o sujeito da proposição é o observador, ou o homem em seu papel de raiz e fundamento das positividades;
  • o predicado do sujeito, composto por:
    • verbo: a Forma de produção;
    • atributo: a representação da empiricidade objeto.

Vale a pena notar que essa formulação estabelece uma sorte de ordem única, que atravessa todo o modelo de operações.

a sintaxe que autoriza a manter juntas as palavras e as coisas: estabelecendo Sucessão entre componentes da representação, isto é, ou um ao mesmo tempo que outro; ou um ao lado do outro, logo depois do outro; os elementos componentes criados por analogia

O resultado de uma operação no caminho da Construção da representação é invariavelmente um objeto análogo composto por elementos componentes, outros objetos análogos. Praticamente não existe operação de construção de representação para empiricidade objeto ainda sem suporte na experiência em determinado ambiente e com um repositório existente, que se resolva com um único objeto análogo, e como é sabido, o impensado, o não articulado, a visão nunca é representada ela própria.

A sintaxe que segundo Foucault autoriza a manter juntas ao lado e em frente umas das outras palavras e coisas é aquela que toma os resultados do princípio organizador Analogia, (os objetos análogos tomados como componentes da representação em construção) e estabelece entre eles, usando o princípio organizador Sucessão, um sequenciamento estrutural lógico.

O resultado da ação desses dois princípios organizadores Analogia e Sucessão, com os métodos Análise e Síntese, resultam sempre em uma estrutura hierárquica.

o homem em seus dois papéis: raiz e fundamento de toda positividade e elemento do que é empírico, em posições operacionais em distintas posições estruturais no modelo de operações

O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis:
está, ao mesmo tempo,

  • no fundamento de todas as positividades,
  • presente, de uma forma que não se pode sequer dizer privilegiada, no elemento das coisas empíricas.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas Cap. X – As ciências humanas; tópico I. O triedro dos saberes

Dada a extrema diferença existente entre esses dois papéis, necessariamente ocupam lugares distintos na estrutura do modelo de operações, e a consideração desses dois papéis para o homem implica nessa mudança de estrutura na configuração do pensamento das operações.

visão global da operação no LE da figura,
pensamento clássico

Como dito, estamos utilizando como base a Figura 2 – Diagrama ontológico ou ainda Figura 2 – O Explicar e a Experiência, de autoria de Maturana em dois de seus livros (vide animações no Ponto 1 adicional neste trabalho.

O pressuposto no LE da figura, (a existência precede a distinção). Todas as representações são pré-existentes, portanto todas as propriedades não-originais e não-constitutivas estão disponíveis e não está no escopo desse tipo de operações o tratamento de coisas ainda não existentes e portanto a preocupação com propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

A operação ocorre em uma região do espaço orientada, chamada Volume de controle.

  • representação (a): considera-se um pacote de coisas agrupado por sua aparência, ou por uma propriedade não-original e não-constitutiva, que se acerca do VC;
  • seleciona-se uma ordem arbitrariamente escolhida;
  • é feita uma consulta a essa ordem arbitrária procurando similitude entre o caráter das “aparências” e uma das categorias dessa ordem arbitrária;
  • representação (b): é essa categoria que guarda similitude com o caráter das “aparências”;
  • representação (r): é a associação dessas duas representações (a) e (b) anteriormente existentes, como ademais todas as outras nessa formulação de operação;
  • configuração de Processo: Processo é configurado levando em conta “aparências” e atividades, processos, tasks encontrados nessa categoria da ordem arbitrária.
  • Instanciamento de (r): o evento (i) marca o desencadeamento de Processo configurado como acima;
  • propriedade emergente: Fluxo
  • lugar da operação: toda a operação no LE da figura transcorre no interior do Circuito das trocas.

Operações formuladas no LE da figura ocorrem totalmente no interior do Circuito das trocas como sendo esse o lugar onde não ocorrem mudanças no modo de ser fundamental da coisas. A bem dizer, não há mesmo a possibilidade de tratar ‘empiricidades objeto’ por não caber isso no escopo desse tipo de operações.

São vistas como um processamento de informação, em uma única transformação.
A propriedade emergente é Fluxo

visão global de uma operação no caminho da Construção da representação, LD da figura e no interior do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’

Uma visão global das operações, inicialmente no caminho da Construção da representação, no interior do Lugar de nascimento do que é empírico é a seguinte:

Há duas transformações de mesmo sinal:

  • primeira transformação: pensamento não articulado ⇒ pensamento sim-articulado;
    • pensamento não-articulado é a visão do operar atribuído à empiricidade objeto, ainda sem sustentação na experiência;
    • pensamento sim-articulado é a representação pronta e acabada depois da operação de construção da representação.
  • segunda transformação: representação não-existente ⇒ representação sim-existente;
    • representação não-existente é a arquitetura da representação, a forma vazia apenas com os dois domínios;
    • representação sim-existente é a representação totalmente construída e adicionada ao Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.

Vendo de um ponto de vista mais alto, essas duas transformações podem ser reduzidas a uma Conversão, de pensamento não articulado em representação, estabelecendo uma relação entre os domínios do Pensamento e da Língua e o do discurso e da Representação.

A propriedade emergente da operação no caminho da Construção da representação é Permanência, 

É permanência da representação construída no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua. Trata-se de uma permanência provisória, temporária, até que novas razões determinem a reforma ou reformulação dessa representação.

Como vimos, Permanência como propriedade emergente estabelece o contrário da propriedade emergente no LE da figura, que encontramos ser Fluxo.

visão global de uma operação de instanciamento de representação no LD da figura, mostrando duas transformações de sinais contrários

Uma visão global das operações, desta feita no caminho do Instanciamento da representação, no interior do Circuito das trocas é a seguinte:

Há também aqui, duas transformações, mas desta feita, de sinais contrários:

  • primeira transformação: Indisponibilidade do objeto da operação ⇒ disponibilidade do objeto da operação;
    • Indisponibilidade do objeto da operação é a situação encontrada logo após a recuperação da representação objeto do instanciamento a partir do repositório;
    • disponibilidade do objeto da operação é a representação pronta e acabada depois da operação de Instanciamento da representação.
  • segunda transformação: disponibilidade de recursos ⇒ indisponibilidade de recursos;
    • disponibilidade de recursos, é a situação de níveis de estoque recursos obtidos do ambiente no início da operação de instanciamento;
    • indisponibilidade de recursos é a situação de nível de estoque de recursos após a operação de instanciamento, denunciando que recursos viabilizadores dos elementos de suporte à forma de produção foram consumidos.

Vendo de um ponto de vista mais alto, essas duas transformações podem ser reduzidas a uma Conversão, de Disponibilidade de recursos em Disponibilidade de objeto, estabelecendo tudo transcorrendo no interior do domínio do Discurso e da Representação.

A propriedade emergente da operação no caminho do Instanciamento da representação é novamente Fluxo. 

Há dois fluxos:

  • fluxo de recursos de todos os tipos desde o ambiente para a área em que ocorre a operação de Instanciamento, onde são consumidos;
  • fluxo desde a área onde ocorre a operação de instanciamento para o ambiente, efetivando trocas seguintes posteriores ao instanciamento, de objeto da operação de instanciamento.

Como vimos, Fluxo como propriedade emergente na operação de instanciamento no LD da figura é a mesma propriedade emergente no LE da figura, que encontramos ser Fluxo.

os dois conceitos diferentes para o que seja ‘Classificar’

Há no ‘As palavras e as coisas’ dois conceitos para o que seja ‘Classificar’ que se ajustam perfeitamente bem um deles para o pensamento clássico, e o outro para o pensamento moderno, a um tempo para o caminho da Construção da representação, e a segunda parte, para o caminho do Instanciamento da representação.

  • classificar para o pensamento clássico:

“Referir o visível a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.”;

  • classificar para o pensamento moderno,
    • no caminho da Construção da representação

“será, num movimento que faz revolver a análise,
reportar o visível
ao invisível,
como à sua razão profunda,

    • nos dois caminhos, o da Construção e do Instanciamento da representação:

depois alçar de novo dessa secreta arquitetura
em direção aos seus sinais manifestos,
que são dados à superfície dos corpos.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas, Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres, de Michel Foucault

características da estrutura do entendimento de operações sob o pensamento clássico.

Características do entendimento de operações no pensamento clássico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775 a 1825:

  • referencial: a ordem pela ordem;
  • princípios organizadores:
    • caráter 
    • similitude
  • métodos:
    • identidade
    • semelhança

características do entendimento de operações depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775-1825
o surgimento dos princípios organizadores Analogia e Sucessão no espaço de empiricidades que se forma.

Características do entendimento de operações no pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775 a 1825:

  • referencial: a Utopia;
  • princípios organizadores:
    • Analogia 
    • Sucessão
  • métodos:
    • Análise
    • Síntese

“De sorte que se vêem surgir, como princípios organizadores desse espaço de empiricidades, a Analogia e a Sucessão: de uma organização a outra, o liame, com efeito, não pode mais ser a identidade de um ou vários elementos, mas a identidade da relação entre os elementos (onde a visibilidade não tem mais papel) e da função que asseguram; ademais, se porventura essas organizações se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, não é porque ocupem localizações próximas num espaço de classificação, mas sim porque foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra no devir das sucessões.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap.  VII – Os limites da representação; tópico: I – A idade da história

o segmento de modelos construídos AQUÉM do objeto
As objeções que Humberto Maturana fazia aos modelos que pesquisadores em AI do MIT faziam.
As propostas que Humberto Maturana fazia para corrigir o que reputava ser um erro dos pesquisadores em IA do MIT

Segmento do espectro de modelos situados AQUÉM do objeto pela colocação fora do escopo dessa formulação clássica a ideia de objeto descrito por suas propriedades originais e constitutivas.

Restam propriedades que estão à superfície dos corpos, as não-originais e não-constitutivas somente, as “aparências” nome que a elas dá Maturana.

As duas figuras abaixo mostram objeções e propostas que Maturana fazia para melhorar corrigindo, o que considerava um erro na modelagem de fenômenos biológicos.

segmento do espectro de modelos DIANTE do objeto

A animação que descreve as operações no LD da figura, no caminho da Construção da representação, destaca a intenção dessa formulação: a construção da nova representação para a empiricidade objeto.

Esse tipo de modelos que abrange a etapa da construção de representações são construídos, por óbvio, diante do objeto.

Modelos nesse segmento do espectro têm modelos constituintes conforme a área da região epistemológica fundamental:

  • modelos na ciência da Vida (Biologia) [função-norma]
  • modelos na ciência do Trabalho (Economia) [conflito-regra]
  • modelos na ciência da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

segmento do espectro de modelos
para ALÉM do objeto

Modelos nesse segmento para além do objeto habitam o interior do Triedro do saber delineado por Miche Foucault, onde estão as ciências humanas.

Modelos nesse segmento do espectro têm modelos constituintes que são uma combinação ponderada dos modelos das ciências da região epistemológica fundamental:

  • modelos na ciência da Vida (biologia) [função-norma]
  • modelos na ciência do Trabalho (Economia) [conflito-regra]
  • modelos na ciência da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

Note que no interior do Triedro dos saberes o modelo constituinte é uma composição dos três pares constituintes; a predominância de um deles sobre os outros acompanha o projetista de modelos em cada caso.

a forma de reflex]ao que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

A percepção feita por Michel Foucault de uma forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica por ele situada entre 1775 e 1825.

Trata-se de uma forma de reflexão ‘bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana’ e que exatamente por isso configura uma descontinuidade epistemológica, ou seja, uma alteração profunda no entendimento neste caso, das operações, mas muito mais amplo que isso.

É uma forma de reflexão organizada pelo par sujeito-objeto.

Veja a animação para certificar-se disso

o bloco padrão genérico fundamental para a construção de representações: a proposição

Proposição, é o bloco padrão fundamental genérico oferecido pela linguagem, para a construção de representações.

Diz Foucault sobre a proposição:

“A proposição é para a linguagem
o que a representação é para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,

porquanto, desde que a decomponhamos,
não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.”

‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo
Michel Foucault

características de características ou características de segunda ordem, do entendimento no pensamento clássico

Referencial, princípios organizadores e métodos no entendimento vigente no pelsamento de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825:

  • referencial: ordem pela ordem;
  • princípios organizadores: Caráter e Similitude;
  • métodos: identidade e semelhança

características de características ou características de segunda ordem do pensamento moderno

Referencial, princípios organizadores e métodos no entendimento vigente no pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825:

  • referencial: utopia;
  • princípios organizadores: Analogia e Sucessão;
  • métodos: Análise e Síntese.

o conceito de verbo no pensamento clássico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Veja esta conceituação de verbo feita por Foucault, indicando suas limitações, e apontando claramente para um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, quer dizer, apontando para o sistema Input-Output.

“A única coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo, a do verde

e da árvore,
a do homem
e da existência ou da morte;
é por isso que o
tempo dos verbos
não indica aquele
em que as coisas existiram no absoluto,

mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Michel Foucault
 

Esse trecho indica com muita clareza que esse tipo de verbo funciona no sistema Entradas ⇒ Saídas.

E indica que o tempo assinalado por esse tipo de verbo é um tempo calendário, um tempo relativo no qual dado um evento (i) ou (f), é possível calcular correspondentemente o evento (f) ou (i) fazendo isso com propriedades existentes da representação.

E além disso, aponta para um outro tipo de tempo, um tempo absoluto, um tempo que assinala coisas que passaram a existir. Veja sobre isso o próximo tópico.

As operações que tenham esse tipo de verbo como elemento central são sempre reversíveis na etapa de formulação; todas as irreversibilidades aparecem durante o instanciamento que transcorre no interior do Circuito das trocas.

O tempo com esse tipo de verbo é relativo, um tempo calendário. Existe um fator K tal que para uma dada inserção do evento (i), é possível calcular com propriedades da representação a inserção do evento (f) e vice-versa.

A propriedade emergente na operação que em esse tipo de verbo como elemento central é Fluxo; e toda a operação transcorre no interior do Circuito das trocas.

conceito de verbo para o pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Veja nesta citação de Foucault o conceito de verbo completamente distinto do anterior, agora não mais concebido em um sistema relativo com tempo relativo (calendário) como no anterior, mas com um tempo absoluto ligado à mudanças no modo de ser fundamental das empiricidades, isto é, aquilo que permite que elas sejam afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para conhecimentos, e eventuais ciências possíveis.

“O limiar da linguagem
está onde surge o verbo.
E preciso, portanto,
tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo

palavra entre as palavras,
preso às mesmas regras,
obedecendo como elas
às leis de regência e de concordância;
e depois,
em recuo em relação a elas
todas,
numa região que não é aquela do falado
mas aquela donde se fala.
Ele
está na orla do discurso,
na juntura entre aquilo que é dito
e aquilo que se
diz,
exatamente lá onde os signos
estão em via de se tomar linguagem.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Michel Foucault

Veja a animação a que a figura ao lado dá acesso.

Ela propõe um sentido para várias coisas nesse trecho de Foucault:

  • e depois, em desnível em relação a elas todas; mostramos o que seja esse desnível em termos estruturais do modelo onde esse tipo de verbo está inserido e com referências ao Princípio dual de trabalho de David Ricardo;
  •  o que significam ‘região do falado e região daquilo que é dito, relacionado essas coisas aos domínios do Pensamento e da Língua e do Discurso e da Representação;
  • onde fica a orla do discurso em termos do modelo de operações;
  • porque, ao fim e ao cabo, esse tipo de verbo está ‘exatamente lá onde os signos estão em via de se tornar linguagem’.

a sintaxe que autoriza a construção das frases

A sintaxe que autoriza a construção das frases no formato de proposições formuladas de acordo com as regras da linguagem em uso.

Na modelagem das operações temos três tipos de proposições

  • a proposição enunciativa

é aquela proposição que inicia a operação de busca pela possibilidade de representar um certo operar atribuído à empiricidade objeto da operação. É formulada quanto após uma consulta ao Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua, a resposta a essa consulta é negativa – o Repositório não tem condições de dar sustentação na experiência a esse operar.

  • a proposição explicativa

é toda proposição cuja Forma de produção já tem elementos de suporte na experiência ao operar atribuído à empiricidade objeto. Neste caso, a representação a esse nível, se nova for, é acrescentada ao Repositório.

  • a proposição instanciativa:

é toda proposição que já existe no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua. Se o operar característico da Forma de produção dessa proposição for exigido em uma operação de obtenção de uma empiricidade objeto, será parte da etapa de Instanciamento da empiricidade objeto. Durante essa etapa, o modo de ser fundamental da empiricidade objeto não muda.

a sintaxe que autoriza manter juntas palavras e coisas

Esta é a sintaxe que orienta a organização do objeto análogo composto, uma composição organizada e logicamente ordenada de objetos análogos que funcionam como elementos componentes na representação em construção.

o resultado da operação
de construção de representação nova
para empiricidade objeto
é sempre um objeto análogo composto;

nunca uma operação de construção de representação tem como resultado
um objeto análogo resultado
de uma única operação de analogia.

A decisão de desencadear operação como essa implica em enfrentar as impossibilidades de representação de um ‘operar’ qualquer dentre os atribuídos à empiricidade objeto. Essas impossibilidades são encaradas de frente.

A impossibilidade de representação de um qualquer desses atributos é submetida à análise e com auxílio das operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites para cada um dos objetos análogos criados pela análise, são procurados e identificados,ou desenvolvidos os elementos de suporte na experiência respectivos.

O método Síntese relaciona logicamente os objetos análogos compondo com eles a Sucessão de analogias que constituio objeto análogo composto que resulta, via de regra, de toda operação de construção de representação.

o princípio monolítico de trabalho de Adam Smith, publicado no Riqueza das Nações, em 1776

O Princípio (monolítico) de trabalho de Adam Smith foi cunhado em 1776 sob a preocupação de medir a equivalência das mercadorias que passam pelo Circuito das trocas.

Toda a operação no pensamento clássico transcorre no interior do que Foucault chama de Circuito das trocas uma vez que a construção de representações novas para empiricidades objeto, ainda não representadas ou objeto de reformulação, está fora do escopo do pensamento clássico.

Para Adam Smith o trabalho é analisável em jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias necessárias à subsistência.

Mas Adam Smith deixa de considerar aquela atividade que está na origem do valor das coisas, a construção de novas empiricidades objeto com específicos ‘operar’. Isso só acontece em 1817, com David Ricardo e seu princípio dual de trabalho. (veja o ponto seguinte)

Usando Foucault para entender melhor isso, ele atribui ao homem a possibilidade de desempenhar dois papéis:

  • ele está na raiz e fundamento de toda positividade;
  • e no elemento do que é empírico.

o princípio monolítico de Adam Smith, ainda que não considere o homem nessa noção com que dele fala Foucault, que a seu tempo não havia sido inventado, mas cobre apenas o primeiro desses dois papéis.

o princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817

O Princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817, cunhado sob a dupla preocupação de:

  • medir a equivalência das mercadorias que passam pelo Circuito das trocas; e também,
  • modelar aquela atividade que está na origem do valor das coisas; 

As operações no pensamento moderno transcorrem:

  • inicialmente no interior do Lugar de nascimento do que é empírico, durante a a operação no caminho da Construção da representação;
  • e depois, no interior do que Foucault chama de Circuito das trocas uma vez que a construção de representações para empiricidades objeto ainda não representadas está dentro, e faz parte integrante do escopo do pensamento moderno.

Para Adam Smith o trabalho é analisável em jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias necessárias à subsistência.

Mas Adam Smith deixa de considerar aquela atividade que está na origem do valor das coisas, a construção de novas empiricidades objeto com específicos ‘operar’.

Isso só acontece com David Ricardo. Veja a figura ao lado.

Usando Foucault para entender melhor isso, ele atribui ao homem a possibilidade de desempenhar dois papéis:

  • ele está no elemento do que é empírico;
  • e na raiz e fundamento de toda positividade

o princípio monolítico de Adam Smith, ainda que não considere o homem nessa noção com que dele fala Foucault, mas cobre apenas aspecto associável ao primeiro desses dois papéis.

legenda aqui por favor

Considere os dois papéis atribuídos ao homem:

  • raiz e fundamento de toda positividade;
  • elemento do que é empírico.

e agora as duas acepções para trabalho:

  • medida da equivalência entre as mercadorias que passam pelo circuito das trocas, podendo servir de unidade de medida de equivalência entre todas as mercadorias;
  • trabalho como atividade de produção é a origem do valor das coisas. 

O princípio de trabalho de David Ricardo permite construir um modelo de operações de todos os tipos que dá conta:

  • dos dois papéis atribuídos ao homem abrindo espaço em sua estrutura para ideias ou elementos de imagem que modelem cada um desses dois papéis;
  • e esse princípio de trabalho de David Ricardo dá conta perfeitamente das duas acepções para o que seja trabalho, evidenciando separadamente
    • o Lugar de nascimento do que é empírico onde acontecem as operações no caminho da Construção de representações novas; trabalho como ‘atividade’ de produção;
    • e o Circuito das trocas, onde acontecem as operações no caminho do Instanciamento de representação previamente existente no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua; trabalho como unidade de medida da equivalência entre mercadorias que passam pelo Circuito das trocas.

diferenças entre Adam Smith e David Ricardo,
segundo Michel Foucault

Estas são as duas acepções para trabalho:

  • medida da equivalência entre as mercadorias que passam pelo circuito das trocas, podendo servir de unidade de medida de equivalência entre todas as mercadorias;
  • trabalho como atividade de produção é a origem do valor das coisas. 

A diferença entre o Princípio Dual de trabalho de David Ricardo e o de Adam Smith é que

  • em Adam Smith só é contemplada a acepção trabalho como medida da equivalência de valor entre mercadorias;
  • em David Ricardo são contempladas as duas acepções de trabalho acima mencionadas.

dois conceitos totalmente diferentes para o que seja ‘Classificar’

Tratando-se de modelagem de operações, nada mais fundamental e decisivo no resultado, o modelo, do que a função classificar utilizada.

Veja as diferenças:

  • no primeiro conceito

“Classificar é referir
o visível
a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.”

  • no segundo conceito

classificar será,
num movimento que faz revolver a análise,
reportar o visível
[desta feita] ao invisível;
[a operação que tem lugar
no ‘Lugar de nascimento do que é empírico
e ao longo do caminho da Construção da representação]

depois,
alçar de novo dessa secreta arquitetura
em direção aos seus sinais manifestos,
que são dados à superfície dos corpos.
[o que tem lugar no caminho da Construção da representação interior do Lugar de nascimento do que é empírico e também no interior do caminho do Instanciamento da representação e no interior do Circuito das trocas]

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas
Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres; ponto 3

A animação à qual a figura ao lado dá acesso retrata bastante bem essas duas conceituações para o que seja ‘Classificar’

legenda aqui por favor

Segmento do espectro de modelos construídos AQUÉM do objeto.

São modelos de operações que funcionam com propriedades não-originais e não-constitutivas do que se aproxima, atravessa uma região orientada do espaço onde ocorrem as operações ou permanece fora dessa região, mas sem a noção de objeto definido por propriedades originais constitutivas; ou ainda permanece dentro dessa região orientada, e finalmente sai dela voltando novamente para seu entorno

Na falta da noção de objeto, falta também a da empiricidade objeto de uma possível operação.

Operações monitoram o fluxo de pacotes de coisas caracterizados por ‘aparências’ ou uma propriedade não-original e não-constitutiva que regula a formação do pacote.

Nesse segmento a propriedade emergente das operações é Fluxo.

segmento do espectro de modelos DIANTE do objeto

Nesse segmento modelos são construídos de modo a dar tratamento a propriedades sim-originais e sim-constitutivas, o que implica na organização do modelo pela noção de objeto e empiricidade objeto das operações, e do sujeito da operação.

A propriedade emergente é permanência (da representação nova construída) no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.

Toda a operação transcorre:

  •  no interior do Lugar de nascimento do que é empírico, e integra o caminho da Construção da representação.
    • dentro do Lugar de nascimento do que é empírico há alterações no modo de ser fundamental da empiricidade objeto, quer dizer, o modo como ela pode ser afirmada, posta, disposta, e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos, ou ciências possíveis. Eventos de objeto nesse lugar e caminho fazem história.
  • e também no interior do Caminho das trocas integrando o caminho do Instanciamento da representação.
    • no interior do Circuito das trocas, durante o caminho do Instanciamento da representação não há alteração no modo de ser fundamental da empiricidade objeto, razão pela qual eventos de objeto nesse caminho não fazem história.

segmento de modelos construídos para ALÉM do objeto

É o segmento de modelos que têm como modelo constituinte uma combinação dos modelos constituintes da região epistemológica fundamental:

  • Vida (Biologia) – função-norma;
  • Trabalho (Economia) – conflito-regra;
  • Linguagem (Filologia) – significação-sistema.

“Eis que nos adiantamos bem para além
do acontecimento histórico que se impunha

situar – bem para além das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo de certa maneira moderna de

conhecer as empiricidades.
É que o pensamento que nos é contemporâneo
e com o qual,
queiramos ou não, pensamos,
se acha ainda muito dominado
pela impossibilidade,
trazida
à luz por volta do fim do século XVIII,
de fundar as sínteses no espaço da representação
e pela obrigação correlativa, simultânea,
mas logo dividida contra si mesma,
de abrir o
campo transcendental da subjetividade
e de constituir inversamente,
para além do objeto,

esses “quase-transcendentais” que são para nós
a Vida,
o Trabalho,
a Linguagem

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciêncis humanas; Cap. VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades,
de Michel Foucault

Estes modelos habitam o interior do Triedro dos saberes, onde estão as ciências humanas  – vide animação a respeito; e exigem a constituição, para ALÉM do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem habitantes da região epistemológica fundamental.

argumento visão SSS
o Argumento para a visão das operações na estrutura
SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica

Há vários aspectos relacionados à modelagem de operações em organizações:
Aqui a modelagem é orientada pelo par sujeito-objeto.

Para esse par corresponde um modelo de operação, especialmente com alteração do objeto. Podemos ter um grande modelo com modelos de operações para objetos diferentes, mas um mesmo modelo tem apenas um objeto.

  • modelagem das operações que terão como resultado um objeto esperado de interesse de determinado grupo;
  • modelagem do instrumento requerido para realizar no ambiente no qual as operações acontecem nas organizações.
  • detecção e monitoramento do Nexo da produção, isto é, o modo como as operações atendem aos grupos de interessados:
    • Clientes, os interessados no objeto esperado como resultado das operações propriamente ditas;
    • Acionistas, o grupo que patrocina a obtenção do instrumento exigido para a obtenção desse objeto que interessa aos Clientes, tendo em vista outro objeto que dá nexo à produção, os Lucros, ou benefícios de qualquer natureza.

Construção da estrutura SSS envolvendo o par sujeito-objeto ‘produto’ cujo interessado são os Clientes; e o par sujeito-objeto ‘Lucros” cujo interessado são os Acionistas

A construção da estrutura SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica envolvendo objeto esperado das operações, o instrumento capaz de obtê-lo na realidade do ambiente em que as operações acontecem, e o Nexo da produção, que permite avaliar o resultado da simbiose e da sinergia delineando o Nexo da produção, com o objeto esperado pelo grupo de Acionistas.

mapa geral das operações na estrutura SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica

Mapa geral das operações que consideram simultaneamente o objeto esperado pelo grupo Clientes e o objeto esperado pelo grupo Acionistas.

Essa estrutura abre espaços específicos e bem determinados para Clientes e Acionistas.

Toda essa estrutura é organizada sob uma única ordem, a da Proposição, considerada por Michel Foucault como o elemento padrão elementar básico e geral para a construção de representações.

Pensar na obtenção de qualquer coisa como resultado de operações incluindo o instrumento necessário para a concretização no ambiente desse resultado corresponde a retirar um viés mágico de operações de obtenção do que quer que seja, sem pensar o instrumento.

O pensamento de Vilém Flusser
em conexão com o de Michel Foucault

relação entre ciência, tecnologia e reflexão (filosofia)

Relação entre Ciência, Tecnologia e Reflexão (Filosofia)

No pensamento de Flusser, Ciência e Tecnologia são funções do estado da arte na Reflexão, ou na Filosofia. Havendo mudança no entendimento com relação a algo devida à reflexão (alteração filosófica) que altere a episteme, ou as características de características do modo como o pensamento é configurado, alterando portanto a paleta de ideias ou de elementos de imagem necessárias para a configuração, muda a ciência e mudam as tecnologias relacionadas às ciências.

Sendo a Tecnologia texto científico aplicado, e a Ciência, texto filosófico aplicado, em face de uma descontinuidade epistemológica, uma alteração profunda no modo como nos dispomos a entender e tratar as coisas do mundo, ciência e tecnologia precisam acompanhar essas mudanças.

o pensamento no cartesianismo

O pensamento no cartesianismo,
por Vilém Flusser

Vilém Flusser descreve no cartesianismo sujeito e objeto em situação de oposição um em relação ao outro.

Veja na animação seguinte, no que Vilém Flusser descreve como um ‘Salto para fora do cartesianismo’, a composição do par sujeito-objeto não mais em situação de oposição mas em concurso.

um salto para fora do cartesianismo
a forma de reflexão que se instaura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817

Um salto para fora do cartesianismo: 

no pensamento de Vilém Flusser e no de Michel Foucault

A animação ao lado apresenta o que Vilém Flusser chama de ‘um salto para fora do cartesianismo’.

Colocando as ideias ou elementos de imagem na figura construída com os conceitos de Flusser, vê-se que o que ele chama de ‘salto para fora do cartesianismo combina perfeitamente bem com a forma de reflexão cujo surgimento Michel Foucault anuncia no ‘As palavras e as coisas’, dizendo:

“Instaura-se uma forma de reflexão,
bastante afastada do cartesianismo
e da análise kantiana,
em que está em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault

Fazendo a correspondência entre o ‘impensado’ de Foucault e o ‘duvidoso’ de Flusser vê-se que a correspondência das ideias nas duas paletas é completa, e destas, com o Princípio Dual de trabalho de David Ricardo, de 1817.

Veja em nossa página inicial a paleta de ideias ou elementos de imagem para o pensamento moderno para conferir cada uma dessas ideias postadas na figura e participando da estrutura de operações.

visão global de operações do pensamento moderno no caminho da Construção da representação, LD da figura, e diferenças com a operação no LE, pensamento clássico

Visão global de operações sob o pensamento clássico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

  • visão de operações sob o pensamento clássico, no LE da figura;
    • uma única transformação de Entradas em Saídas;
    • propriedades não-originais e não-constitutivas descrevem a operação
    • propriedade emergente: Fluxo;
    • lugar de ocorrência: Circuito das trocas, 
    • sem alteração no modo de ser fundamental do que quer que seja.
visão global de operações do pensamento moderno no caminho da Construção da representação, LD da figura, e diferenças com a operação no LE, pensamento clássico

Visão global de operações sob o pensamento moderno nos dois caminhos: o da Construção da representação, LD da figura, e o do Instanciamento da representação; e diferenças entre essas operações

  • visão de operações sob o pensamento moderno, 
    no caminho da Construção da representação, LD da figura
    • duas transformações a considerar:
      • no pensamento de: não articulado ⇒ sim articulado;
      • na representação de: não-existente sim-existente;
    • resultando no total em uma conversão;
      • de impensado, ou pensamento não-articulado ⇒ em representação para a empiricidade objeto.
  • propriedades sim-originais e sim-constitutivas descrevem a operação;
  • propriedade emergente LD caminho da Construção da representação:
    • permanência da representação no repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua.
  • lugar de ocorrência da operação: Lugar de nascimento do que é empírico
  • o sucesso da operação no caminho da Construção da representação implica na alteração do modo de ser fundamental da empiricidade objeto nesse domínio e com esse repositório, quer dizer, altera-se o modo como essa empiricidade objeto da operação pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.”
visão global de operações do pensamento moderno no caminho do Instanciamento da representação, LD da figura, e semelhanças com a operação no LE, pensamento clássico
  • visão de operações sob o pensamento moderno, caminho do Instanciamento da representação,LD da figura
    • também duas transformações a considerar:
      • no objeto da operação: de indisponibilidade ⇒  disponibilidade ;
      • em recursos: de disponibilidade ⇒  indisponibilidade;
    • resultando no total em uma conversão;
      • de disponibilidade de recursos ⇒ disponibilidade do objeto instanciado.
  • propriedades sim-originais e sim-constitutivas descrevem a operação;
  • propriedade emergente LD caminho do Instanciamento da representação:
    • fluxo de recursos de toda ordem desde o ambiente para a área em que acontece a operação.
    • fluxo de objeto disponível desde a área da operação para o ambiente
  • lugar de ocorrência da operação: Circuito onde ocorrem as trocas
  • o sucesso da operação no caminho do Instanciamento da representação não implica na alteração do modo de ser fundamental da empiricidade objeto nesse domínio e com esse repositório, quer dizer, não se altera o modo como essa empiricidade objeto da operação pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.”; que será o mesmo com que a representação foi recuperada do repositório.

a sintaxe que autoriza
a construção das frases
  • a Primeira sintaxe:

a que autoriza a construção das frases;

Essa sintaxe funciona com as ideias ou elementos de imagem envolvidos na formulação da proposição ao longo das operações, sempre sob o pensamento moderno, LD da figura.

No pensamento de Foucault a proposição é o elemento fundamental genérico padrão fundamental para a construção de representações.

Diz Foucault:

“A proposição é para a linguagem o que a representação é para o pensamento: sua forma, ao mesmo tempo mais geral e mais elementar, porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso, mas seus elementos como tantos materiais dispersos”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Há três momentos diferentes para as proposições:

  • proposição enunciativa;
  • proposição explicativa;
  • proposição instanciativa.

(acesse a animação com a figura da esquerda, para ver as ideias e respectivos elementos de imagem controlados por essa sintaxe, todas no domínio do Pensamento e da Língua.)

a sintaxe que autoriza a manter juntas
as palavras e as coisas
  • a Segunda sintaxe:

a que autoriza a “manter juntos”, ao lado e em frente umas das outras, as palavras e as coisas.

(acesse a animação com a figura da direita para ver as ideias e respectivs elementos de imagem controlados por essa sintaxe, todas no domínio do Discurso e da Representação.)

Nota: esta sintaxe tem como resultado a organização em sua estrutura, do objeto análogo composto no qual se constitui uma representação construída para uma empiricidade objeto nova. A estrutura desse objeto análogo composto, formado por objetos análogos componentes logicamente relacionados, é hierárquica.

Se o funcionamento desta segunda sintaxe fizer sentido para você, então, você concluirá necessariamente que estruturas hierárquicas são inerentes ao modo como operações no caminho da Construção de representações para empiricidades objeto novas funcionam.

o conceito de verbo para o pensamento clássico

Os dois conceitos para o que seja um verbo, um para o pensamento de antes de 1775 e outro para o pensamento de depois de 1825

  • verbo no pensamento de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

A única coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações: por exemplo,
a do verde 
e da árvore,
a do homem
e da existência ou da morte;
é por isso que o 
tempo dos verbos
não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, 
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade das coisas 
entre si.”

As palavras e a coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Verbo com essa funcionalidade é o elemento central do sistema de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si, em outras palavras, do Sistema Input-Output, o mais usado atualmente.

o conceito de verbo para o pensamento moderno, de depois de 1825
  • verbo no pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

“É preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso às mesmas regras, obedecendo como elas às leis
de regência e de concordância;
e depois, em recuo em relação a elas todas,
numa região que não é aquela do falado
mas aquela donde se fala.
Ele está na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que é dito
e aquilo que se diz,
exatamente lá onde os signos
estão em via de se tomar linguagem.”

As palavras e a coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Veja também o Principio dual de trabalho de David Ricardo, para comparação das estruturas: a sugerida pela citação acima, e a do princípio de trabalho de Ricardo.

É muito claro que o uso de um ou de outro desses dois conceitos para o que seja um verbo durante o projeto e construção de um modelo de operações de qualquer natureza terá como resultado modelos completamente diferentes.

legenda aqui por favor

Operação sob o pensamento clássico,o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Veja a figura no LE (lado esquerdo): a existência precede a distinção.

Pressuposto: todas as coisas existem desde sempre e para sempre compondo o Universo, obra de Deus. A busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites está fora do escopo das operações neste segmento que tem o rótulo ‘AQUÉM’ do objeto porque a noção de objeto descrito por esse tipo de propriedades está fora do escopo destas operações.

Restam então propriedades não-originais e não-constitutivas,as “aparências”.

Pelo pressuposto adotado todas as representações existem desde sempre, e assim, existem antes, e depois de toda operação.

Dessa forma, dada a inserção calendário de um dos eventos (i) ou (f), com as propriedades existentes das representações selecionadas para a operação é possível calcular a inserção calendário do outro evento (f) ou (i).

Esse é um tempo calendário, um tempo dado por um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, cujo elemento central é Processo.

Operação sob o pensamento moderno, e no caminho da Construção da representação

Operação sob o pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 

Veja o LD (lado direito) da figura: a existência se constitui com a distinção, ou em outras palavras, a existência sucede a distinção.

A existência das coisas decorre de uma busca, empreendida pelo homem, raiz e fundamento de toda positividade, por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, para um pensamento não articulado, para o impensado, etc. etc. tomado como empiricidade objeto da operação.

O pensamento somente percorre o caminho da Construção da representação – veja a animação a que a figura dá acesso – quando um certo ‘operar’ é atribuído a essa empiricidade objeto da operação, e uma representação capaz de explicar na experiência esse ‘operar’, esse modo de ser da empiricidade objeto escolhida, ainda não existe em um Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da linguagem em uso no ambiente e domínio em que a operação ocorre.

Caso a consulta ao Repositório tenha resposta negativa (ainda não existe representação para empiricidade objeto com o ‘operar’ atribuído) então o pensamento desencadeia uma operação de Analogia que procura um objeto análogo à empiricidade objeto com o ‘operar’ atribuído e  prepara para a possível representação uma arquitetura padrão e inteiramente vazia. Não existem propriedades originais e constitutivas, ou não originais e não constitutivas além das próprias à arquitetura.

São desencadeadas operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites estabelecidos pelo domínio e ambiente.Essas buscas lançam mão de todo o conhecimento disponível em todas as áreas, filosofia, ciências, tecnologias.

Pode acontecer que o objeto análogo construído não seja ainda representável; mas a julgamento do sujeito da operação, esse objeto análogo pode ser considerado um caminho para uma possível representação.

Via de regra isso sempre acontece. Muito raramente uma representação é encontrada logo para o primeiro objeto análogo construído.

Então, o pensamento aplica a esse objeto análogo considerado como ‘caminho’ – resultado da aplicação do princípio organizador Analogia- o método Análise que substitui esse objeto análogo não representável por um conjunto logicamente organizado de outros objetos análogos. Esse conjunto de objetos análogos formam um objeto análogo composto substitutivo ao objeto análogo inicial.

A aplicação do método Síntese garante o mesmo ‘operar’ entre o objeto análogo inicial e o objeto análogo composto.

A construção do objeto análogo composto é orientada pelo princípio organizador Sucessão.

Com o sucesso da operação são encontrados os elementos de suporte na experiência à Forma de produção, o elemento central deste modelo de operações.

Essa determinação (seleção e ou desenvolvimento) de elementos de suporte na experiência da Forma de produção é feita para todos os objetos componentes do objeto análogo composto.

Quando todos os objetos análogos componentes do objeto análogo composto forem identificados e selecionados, a representação para a empiricidade objeto com ‘operar’ aceitável como sendo o ‘operar’ atribuído inicialmente, dentro de um critério de aceitação, está pronta e é incluída no Repositório onde permanece a título precário, até que uma outra representação para a mesma empiricidade objeto seja desenvolvida.

O tempo na operação com esse funcionamento

 

operação no caminho do Instanciamento da representação

A operação de Instanciamento da representação acontece em duas situações:

  • ao final de uma operação de Construção da representação, por uma decisão do sujeito da operação de dar continuidade a ela;
  • em resposta a uma consulta ao Repositório, feita no início ou em qualquer ponto de uma operação em que seja atribuido à empiricidade objeto da operação um certo ‘operar’.

Nesses dois casos a consulta ao repositório foi positiva no sentido de que já existe uma representação com ‘operar’ aceitável tendo em vista o operar atribuído à empiricidade objeto e um critério de aceitação.

Então, com essa resposta do repositório, o primeiro passo é recuperar dele a representação nele existente cujo ‘operar’ serve ao ser comparado com o ‘operar’ atribuído.

Dá-se a recuperação desde o repositório, da representação completa que ‘serve’ para a operação de Instanciamento em curso.

Na posição estrutural do ponto (i) depois da recuperação da representação que ‘serve’, tempos todas as propriedades dessa representação. E isso vale também para a posição estrutural do evento (f). A representação já existia no repositório.

A operação se desenvolve desencadeando os elementos de suporte na experiência da(s) Forma(s) de produção necessárias à representação recuperada do repositório.

Toda a operação transcorre no interior do Circuito das trocas, uma vez que durante toda a operação de Instanciamento da representação não acontecem alterações no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto, mas tão somente alterações no estado em que a empiricidade objeto se encontra.

 

legenda aqui por favor

Por favor, veja o resumo das operações sob o pensamento moderno, no caminho da Construção da representação.

Ao tempo do evento (i) de início da operação de Construção da representação, após a consulta ao repositório com resposta negativa para a existência de representação para essa empiricidade objeto com ‘operar’ semelhante aceitável, 
  • não existem propriedades da representação em construção, sejam elas originais e constitutivas, ou não.
  • a esse tempo do evento (i), por óbvio também não existem as propriedades originais e constitutivas, ou não, na posição estrutural da operação em que está o evento (f); isso ao contrário do que ocorria na operação sob o pensamento clássico.

Nessa situação não existe a possibilidade de cálculo, com propriedades da representação, da inserção calendário do evento (f) a partir da inserção calendário do evento (i). Não existe um fator K que permita esse cálculo – com propriedades da representação.

Toda a operação de Construção da representação transcorre no interior do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’, o espaço compreendido pelos dois retângulos um vermelho e outro amarelo. É nesse espaço do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ que ocorrem as mudanças no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto cuja representação está em construção.

Ao final da operação de Construção da representação, na posição estrutural do evento (f), e com o sucesso da operação, passaram a existir, como consequência da operação, as propriedades originais e constitutivas da representação que acaba de ser construída, e também as outras propriedades, as não-originais e não-constitutivas, ou as “aparências”.

Veja que a inserção calendário do evento (f) que assinala o final da operação de Construção da representação não depende dos tempos de desencadeamento dos elementos de suporte na experiência da Forma de produção, porque esses elementos foram identificados, selecionados e quando necessário desenvolvidos, mas somente atribuídos à Forma de produção e não desencadeados.

O intervalo de tempo entre (i) e (f) nessa operação de construção da representação depende das operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites; e essas operações não fazem parte da representação em construção, mas da operação de Construção da representação.

Assim, com propriedades da representação em construção, essas que acabam de ser obtidas com o sucesso da operação, não é possível calcular a inserção calendário do evento (i) a partir da inserção calendário do evento (f) (ao contrário do que ocorria sob o pensamento clássico.

Esse tempo dos eventos (i) e (f) é um tempo absoluto, aquele tempo em que as coisas existiram no absoluto como diz Foucault.

Não existe, então, um fator K que permita o cálculo da inserção calendário de um evento a partir da inserção calendário do outro, novamente ao contrário do que acontecia sob o pensamento clássico.

A propriedade emergente para esta operação de Construção da representação é Permanência da representação construída no repositório de proposições explicativas formuladas em conformidade com as regras da língua. Uma permanência precária e temporária, mas permanência.

Na operação de Construção da representação não há Fluxos. 

 

legenda aqui por favor

Durante uma operação sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, ‘operar'(es) são atribuídos a empiricidades objeto ou objetos análogos componentes de representações em construção para empiricidades objeto.

Uma consulta é feita ao repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua em uso.

A operação só deriva para o caminho do Instanciamento da representação caso essa consulta tenha resposta afirmativa: sim, já existe no repositório representação (com suporte na experiência, portanto) para o operar em questão em dado ponto da operação.

A representação com suporte na experiência é então recuperada do repositório já completa, com todas as suas propriedades sejam ou não originais e constitutivas.

Nessa situação, na posição estrutural do evento (i) de inicio da operação de Instanciamento, existem todas as propriedades da representação em instanciamento; essas propriedades quando na posição de (i) também existem na posição de (f).

Então, dada a inserção calendário do evento (i), é possível calcular, com propriedades da representação, a inserção calendário do evento (f).

E com o sucesso da operação de instanciamento, na posição calendário do evento (f), e com propriedades da representação em instanciamento, e possível calcular a posição calendário do evento (i).

Logo, existe um fator K tal que dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f), é possível calcular a posição calendário do outro evento (f) ou (i).

Toda a operação de instanciamento transcorre no Circuito das trocas no interior do qual não há alteração no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação.

Note que o intervalo de tempo entre (I) e (f) no caminho do Instanciamento da representação é função direta dos tempos dos elementos de suporte na experiência da Forma de produção.

os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’;
um para o pensamento clássico, e outro para o pensamento moderno

♦ Os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’, um para o pensamento de antes de 1775 e outro para o pensamento de depois de 1825

“Classificar, portanto,

  • conceito consistente com o pensamento clássico

não será mais referir o visível a si mesmo, encarregando
um de seus elementos de representar os outros;

  • conceito consistente com o pensamento moderno

será, num movimento que faz revolver a análise, reportar o visível ao invisível, como à sua razão profunda, depois alçar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que são dados à superfície dos corpos.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

É muito claro que o uso de um ou de outro desses dois conceitos para Classificar durante o projeto e construção de um modelo de operações de qualquer natureza terá como resultado modelos completamente diferentes.

legenda aqui por favor

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis: está, ao mesmo tempo,

  • no fundamento de todas as  positividades,
  • presente, de uma forma que não se pode sequer dizer privilegiada, no elemento das coisas empíricas.

Esse fato – e não se trata aí da essência em geral do homem, mas pura e simplesmente desse a priori histórico que, desde o século XIX, serve de solo quase evidente ao nosso pensamento – esse fato é, sem dúvida, decisivo para o estatuto a ser dado às “ciências humanas”, a esse corpo de conhecimentos (mas mesmo esta palavra é talvez demasiado forte: digamos, para sermos mais neutros ainda, a esse conjunto de discursos) que toma por objeto o homem no que ele tem de empírico.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. X – As ciências humanas; tópico: I. O Triedro dos saberes

A figura ao lado dá acesso a uma animação que mostra a ideia desses dois papéis na estrutura da operação, com os respectivos elementos de imagem.

A relação entre os modelos constituintes das ciências que compõem o eixo epistemológico fundamental e o modelo constituinte composto de qualquer Ciência humana

O Espaço Geral do Saber moderno: o Triedro dos saberes

o modelo das ciêncis humanas, uma composição dos pares constituintes das ciências da Vida (Biologia) do Trabalho (Economia) da Linguagem (Filosogia)

A referência é “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. X – As ciências humanas;
tópico I – O Triedro dos saberes.”

Nesse capítulo está uma orientação sobre como pensar as coisas a partir dos pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

É evidente que é muito mais fácil pensar um modelo do segmento DIANTE do objeto em que esteja em questão, por exemplo, o trabalho, no domínio da Economia, pensando a partir do respectivo par constituinte (conflito-regra); ou mesmo um modelo no domínio da Biologia pelo respectivo par constituinte (função-norma).

E a familiaridade do pensamento com tais pares constituintes abre o caminho para pensar modelos em que o modelo constituinte é uma combinação dos três pares constituintes.

Para Michel Foucault os modelos constituintes de modelos que integram esses pares constituintes são como que “categorias” para as ciências humanas

O modelo constituinte composto padrão para as Ciências humanas:
uma composição dos pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem

o modelo das ciêncis humanas, uma composição dos pares constituintes das ciências da Vida (Biologia) do Trabalho (Economia) da Linguagem (Filosogia)
modelos de CH com maior destaque ao par constituinte da Linguagem.

A referência é “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. X – As ciências humanas; tópico III – os três modelos.”

Nesse capítulo está uma orientação sobre como pensar as coisas a partir dos pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

É evidente que é muito mais fácil pensar um modelo do segmento DIANTE do objeto em que esteja em questão, por exemplo, o trabalho, no domínio da Economia, pensando a partir do respectivo par constituinte (conflito-regra); ou mesmo um modelo no domínio da Biologia pelo respectivo par constituinte (função-norma).

E a familiaridade do pensamento com tais pares constituintes abre o caminho para pensar modelos em que o modelo constituinte é uma combinação dos três pares constituintes.

Para Michel Foucault os modelos constituintes de modelos que integram esses pares constituintes são como que “categorias” para as ciências humanas

O espectro de modelos segundo sua relação com o par sujeito-objeto

O espectro de modelos com os segmentos
AQUÉM, DIANTE e para ALÉM do objeto
em função da relação modelo X objeto
– espectro esse depreendido do pensamento de Michel Foucault,

relação modelos constituintes 
das CH X modelos constituinte das ciências da região epistemológica fundamental

modelos sem espaço para o par sujeito-objeto, 

modelos com espaço para o par sujeito-objeto

O arranjo dos modelos em um espectro segundo sua relação com o objeto (e com o sujeito)

segmento de modelos construídos AQUÉM do objeto
segmento de modelos construídos DIANTE do objeto
segmento de modelos construídos para ALÈM do objeto
relação Eixo epistemológico fundamental x modelos constituintes Ciência Humana

Indo da esquerda para a direita nas quatro figuras acima,

  • nos modelos sem espaço para o objeto (e para o sujeito), na figura mais à esquerda podemos ter modelos com inúmeros sistemas de categorias e com um número qualquer de categorias no total entre todos os sistemas de categorias usados.
  • nos modelos com espaço para o par sujeito-objeto na modelagem de operações, há uma ordem única dada pela gramática da língua utilizada, e as categorias principais são as do bloco padrão fundamental genérico para construção de representações, a proposição. Modelo organizado pelo par sujeito-objeto.
  • e nos modelos que habitam o interior do Triedro dos saberes, concebidos como diz Foucault ‘para além do objeto’, os modelos das Ciências humanas, voltamos a ter “categorias“, os modelos constituintes que integram os pares constituintes da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

o funcionamento das operações em cada um desses espectros de modelos

modelos sem espaço para o objeto, e também para o sujeito

modelos com espaço para o objeto, e para o sujeito

operação no pensamento clássico
o de antes de 1775, que transcorre
no interior do Circuito das trocas
operação no pensamento moderno, depois de 1825, no caminho da Construção da representação que transcorre no interior do Lugar de nascimento do que é empírico
operação no pensamento moderno, depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação que transcorre no interior do Circuito das trocas

lugar das operações em cada segmento e caminho percorrido pelas operações.

operações ocorrem no interior do

Circuito das trocas,

lugar onde o modo de ser fundamental do que quer que seja objeto da operação, não muda.

operações ocorrem no interior do

Lugar de nascimento do que é empírico,

lugar onde o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação muda.

operações ocorrem no interior do

Circuito das trocas,

uma vez que o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação não se altera.

Note que a organização de todo o espectro de modelos de operações é também função do conceito ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto’, ou história, se entendido com o sentido de elemento organizador da história que Michel Foucault dá a ele.

Isso porque é a possibilidade ou não de mudança no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto o que define o lugar onde a operação ocorre:

modo de ser fundamental é aquilo a partir de que
a empiricidade objeto pode ser afirmada, posta, disposta
e repartida no espaço do saber
para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.  

Veja o que Foucault diz sobre esse conceito:

“Mas vê-se bem que a História não deve ser aqui entendida como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram; ela é o
modo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elas são afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis. Assim como a Ordem no pensamento clássico não era a harmonia visível das coisas, seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados, mas o espaço próprio de seu ser e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabelecia no saber, assim também a História, a partir do século XIX, define o lugar de nascimento do que é empírico, lugar onde, aquém de toda cronologia estabelecida, ele assume o ser que lhe é próprio.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. VII – Os limites da representação; tópico I. A idade da história; 

relação Eixo epistemológico fundamental x modelos constituintes Ciência Humana
o funcionamento dos modelos sob o entendimento clássico, antes de 1775, segmento AQUÉM do objeto
a forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
o funcionamento dos modelos sob o entendimento moderno, depois de 1825, segmentos DIANTE e para ALÉM do objeto

Modelos altamente complexos como são os habitantes do espaço interior do Triedro dos saberes como os da Sociologia, da Psicologia, da Política, ou da Análise da produção têm sido analisados sem antes ter a familiaridade com modelos no segmento DIANTE do objeto pertencentes aos domínios das ciências da região epistemológica fundamental, levando em conta os pares de modelos constituintes das ciências:

  • da Vida (Biologia)
    par constituinte [função-norma]
  • do Trabalho (Economia)
    par constituinte [conflito-regra]
  • e da Linguagem (Filologia)
    par constituinte [significação-sistema];

E podemos mostrar que, em muitos casos, essa análise tem sido feita tendo como paradigma para o que sejam operações o paradigma de modelos do segmento AQUÉM do objeto. É que quando o alinhamento filosófico é deixado de lado, o nosso pensamento funciona com o entendimento com o qual está configurado desde sempre e de modo pouco consciente.

Isso quando acontece, corresponde a um evidente desalinhamento epistemológico e certamente não produz bons resultados.

A forma de reflexão adotada na análise desses modelos das ciências humanas precisa ser:

“Instaura-se uma forma de reflexão,
bastante afastada do cartesianismo
e da análise kantiana,
em que está em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault

Note que essa forma de reflexão só se sustenta pelo par sujeito-objeto; note ainda que uma grande parte dos modelos de operações atualmente em uso não têm espaço em suas estruturas para essas duas ideias, ou elementos de imagem. Isso tem como resultado que o projetista de modelos usando a forma de reflexão do pensamento clássico, acaba por introduzir outras ordens além da ordem arbitrária selecionada, o que diminui a qualidade de informação que o modelo sendo projetado pode oferecer.

o Princípio monolítico de trabalho
de Adam Smith, de 1776
a importância de David Ricardo
segundo Michel Foucault
exemplos ilustrativos mostrando modelos muito utilizados atualmente
o Princípio dual de trabalho
de David Ricardo, de 1817
as diferenças entre Smith e Ricardo,
segundo Michel Foucault

Em resumo, o conceito do que seja ‘trabalho’:

  • como visto por David Ricardo, com dois componentes:
    • essa força, esse esforço, esse tempo do operário que se compram e se vendem, (um trabalho que pode ser reduzido a jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum de valor entre todas as mercadorias);
    • e essa atividade que está na origem do valor da coisas: (trabalho agora visto como atividade de produção e origem do valor das coisas).
  • como visto por Adam Smith, com apenas um componente (o conceito é monolítico)
    • essa força, esse esforço, esse tempo do operário que se compram e se vendem, (um trabalho que pode ser reduzido a jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum de valor entre todas as mercadorias);
      (colocado por Adam Smith  pela capacidade que ele via de o trabalho ser analisável em jornadas de subsistência podendo portanto servir de unidade comum a todas as outras mercadorias.) 

isto é, o conceito somente contempla o primeiro dos componentes incluídos no conceito de Ricardo.

A reforma de previdência trata:

  • quem vende e vendeu durante sua vida útil de trabalho, sua força, seu esforço, seu tempo, a quem o quis comprar, sem ligação permanente com as atividades de produção das quais participou, e que estiveram na origem do valor das coisas, e com os empresários que as controlam.
  • mas deixa de fora exatamente os empresários, aqueles que quiseram comprar o trabalho que os que se aposentam  venderam durante toda a vida; os controladores das unidades de produção, ou melhor, das atividades de produção que estão na origem do valor das coisas, estes, parece que estão de fora dos ajustes a serem feitos pela reforma da previdência.

A figura ao lado mostra alguns modelos para operações, e para organizações, inclusive:

  • o modelo de operações de Elwood S. Buffa;
  • o modelo de organizações adaptado de M. Zilbovicius;
  • o modelo de operações do Kanban;
  • o modelo de organização da Reengenharia;
  • o modelo de operações Débito/Crédito;
  • o modelo para organizações Ativo/Passivo e Resultado.

mostrando que nos modelos consistentes com o pensamento moderno os dois componentes do Princípio dual de trabalho de David Ricardo estão imbricados.

200px-JohnLocke
John Locke, 1632-1704, empirismo
AdamSmith
Adam Smith, 1723-1790
_David Ricardo
David Ricardo,
1772-1823
_CronologiaDescEpistemologica
Cronologia básica da descontinuidade epistemológica
de 1775-1825

Referências sobre fundamentos filosóficos do Liberalismo

  • John Locke, 1632-1704 é considerado por muitos como o inspirador do Liberalismo.
  • Não é difícil encontrar também Adam Smith como base filosófica do Liberalismo.
  • há ainda outras citações que mencionam David Hume, Adam Smith, David Ricardo, Jeremy Bentham e Wilhelm Humbolt e outros, como sendo os principais autores do liberalismo clássico.

As obras de Locke como filósofo são da segunda metade do século XVII, e entre elas e o Riqueza das Nações de Adam Smith há algo como um século.

O aviso da alteração no entendimento (episteme) em nossa cultura

Falando sobre a descontinuidade epistemológica em nossa cultura, situada por ele entre 1775 e 1825, Michel Foucault diz o seguinte:

“Os últimos anos do século XVIII são rompidos por uma descontinuidade simétrica àquela que, no começo do século XVII, cindira o pensamento do Renascimento; então, as grandes figuras circulares em que se encerrava a similitude tinham-se deslocado e aberto para que o quadro das identidades pudesse desdobrar-se; e esse quadro agora vai por sua vez desfazer-se, alojando-se o saber num espaço novo.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; cap. VII – Os limites da representação; tópico I. A  idade da história

O relato das dificuldades e dos problemas encontrados

Discorrendo sobre os achados e as dificuldades que enfrentou ao longo do trabalho nesse livro, Foucault diz o seguinte:

“Eis que nos adiantamos bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar – bem para além das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade, a epistémê do mundo ocidental e isola para nós o começo de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades. 

É que o pensamento que nos é contemporâneo e com o qual, queiramos ou não, pensamos, se acha ainda muito dominado

  • pela impossibilidade, trazida à luz por volta do fim do século XVIII, de fundar as sínteses no espaço da representação 
  • e pela obrigação correlativa, simultânea, mas logo dividida contra si mesma, de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir inversamente, para além do objeto, esses “quase-transcendentais” que são para nós a Vida, o Trabalho, a Linguagem.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. VII – As novas empiricidades; tópico I – A idade da história

As diferenças entre Adam Smith e David Ricardo e respectivas inserções no pensamento

Examinando a cronologia básica da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, vê-se que Adam Smith e David Ricardo estão de lados opostos da fase de ruptura dessa descontinuidade no entendimento do mundo e das coisas. 

Há, entre esses dois autores, diferenças profundas no entendimento, por exemplo, do que seja trabalho. 

Vendo agora o período de vida de Locke, todo ele durante o século XVII com publicações concentradas na segunda metade, vê-se a distância em tempo existente entre o pensamento dele e o de Ricardo. 

A principal diferença especificamente entre Adam Smith e David Ricardo – no pensamento de Michel Foucault – é a capacidade de Ricardo em seu princípio dual de trabalho, de dar conta daquela atividade que está na origem do valor das coisas. Você pode ver a importância de David Ricardo e pode ver também as diferenças entre os pensamentos dele e de Adam Smith, nas palavras de Michel Foucault.

Mas no que respeita aos entendimentos de antes e de depois desse evento, Foucault descreve várias outras diferenças entre as quais destaco:

Usando o pensamento de Foucault, e entendendo essas características dos dois pensamentos, quem cita Adam Smith e David Ricardo como referências do Liberalismo certamente não fez um alinhamento filosófico do modo como pensa. E uma doutrina  econômica que tome como base um e outro desses autores, com certeza resultará em ‘ismos’ essencialmente diferentes.

loperação no pensamento clássico,
o de antes de 1775
operação no pensamento moderno, o de depois de 1825,
no caminho da construção da representação
operação no pensamento moderno, o de depois de 1825,
no caminho do Instanciamento da representação

Discursos de economistas – análises conjunturais, tendências, têm como objeto operações no campo da economia.

É possível dizer coisa semelhante para o que dizem cientistas políticos.

Mas com que modelo de operações esses discursos são proferidos. E nesses modelos, em que espaço exatamente estão as operações objeto desses discursos.

modelo relacional de banco de dados do sistema dedicado a gestão de projetos Microsoft Project 4.0
modelo relacional do Open Plan Professional, mostrando entendimento semelhante ao do MS Project 4.0

Modelo relacional de banco de dados dos SDGP’s – Sistemas Dedicados a Gestão de Projetos

Esse modelo relacional tem como elemento central Projeto, (atividade, tasks), o mesmo modelo central dos sistemas baseados na estrutura Input-Output.

Processo, nessa posição estrutural, é um verbo do tipo clássico. Veja a funcionalidade desse tipo de verbo aqui.

legenda aqui por favor

Usando a função de ler e escrever de e para um banco de dados, criamos em um banco de dados:

  • ADM – uma lista de sujeitos – autonomias gerenciais – sobre operações;
  • VRB – uma coleção de Formas de produção cada uma com um conjunto logicamente organizado de processos;
  • EAN – uma coleção de Sucessões de analogias, ou objetos análogos componentes de objetos cuja operação de obtenção se pretende gerenciar.

O aplicativo permite construir a operação de instanciamento de um objeto anteriormente projetado. O operador seleciona o elemento componente da estrutura analítica, e associa a ele a Forma de produção capaz de executá-lo naquele ambiente, e a autonomia gerencial que terá isso a seu cargo.

A geração do modelo de operações é automático e rigorosamente construído levando em conta as regras gramaticais que têm a Forma de produção como elemento central. Veja a funcionalidade desse tipo de verbo aqui.

Proposição

QUEM

exemplo de estrutura administrativa ou coleção de autonomias gerenciais

Exemplo de uma estrutura administrativa, ou coleção de autonomias gerenciais, sujeitos das operações que se pretende gerenciar.

COMO

exemplo de Forma de produção em banco de dados

Exemplo de Forma de produção presente no repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua. Há uma Forma de produção semelhante para cada uma das linhas da EAN – Estrutura Analítica cujo modelo de operação se deseja gerar.

O QUE

exemplo de coleção de componentes, ou estrutura analítica

Exemplo de uma Sucessão de analogias, uma coleção logicamente estruturada de elementos análogos componentes do objeto cuja operação de instanciamento se pretende gerenciar.

exemplo do modelo de instanciamento do objeto estruturado pelo aplicativo

O modelo da operação de instanciamento do objeto cuja EAN – Estrutura Analítica escolhemos no lado esquerdo da tela central do aplicativo.

o objeto de demonstração:
um Cogumelo de jardim e componentes

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Michel Foucault
1926-1984

Capa do As palavras e as coisas

A contaminação do pensamento com o qual pensamos

a percepção  da contaminação, dominação mesmo,
do pensamento com o qual ‘queiramos ou não‘ pensamos,
– hoje em dia, e aqui e agora –
por configurações de pensamento
com a possibilidade, e também sem possibilidade
de fundar as sínteses – da empiricidade objeto – no espaço da representação.

Michel Foucault 1926-1984
A pedra de tropeço no caminho de Michel Foucault
comparações feitas por Foucault de diferentes configurações depensamento

Há diferentes modelos
que formulamos para 
visões de ocorrências 
no espaço-tempo x, y, z e t.

Esses modelos,
diferentes em seus fundamentos,
são usados juntos
e/ou simultaneamente
no mesmo domínio e ambiente 
em um pensamento
contaminado
por duas epistemologias,
ou por duas maneiras
de conhecer
aquilo que dizemos
que conhecemos.

Existem modelos,
todos em uso atualmente,
que podem ser agrupados
em duas famílias:

  • aqueles com a possibilidade

  • e aqueles com a impossibilidade 

 de fundar as sínteses
da empiricidade objeto –
no espaço da representação.

Essa a distinção
que Michel Foucault nos ajuda a fazer nos modelos que usamos hoje, oferecendo os necessários elementos para identificação.

Na animação acima,
procuramos comunicar
as diferenças entre
as configurações de pensamento,
– usando para fazer essa distinção –
as palavras magistrais de Michel Foucault
e lançando mão
do relacionamento do que é dito,
com as visões que temos de cada 
ocorrência no espaço-tempo x, y, z e t
a que cada configuração do pensamento nos remete quando estão em uso as respectivas paletas de ideias
ou elementos de imagem. 

Paleta de ideias ou elementos de imagem
presentes na configuração de pensamento clássico

Hotspots Background

Ordem arbitrária
selecionada
sistema de categorias

propriedades não-originais
e não-constitutivas "aparências
pré-existentes à operação

pacote de coisas
agrupadas
por "aparências"

categoria selecionada
por caráter e similitude
com "aparências"

representação composta "r"
combinação de a e b
pré-existente à operação

representação (a)
pré-existente
à operação

VC - Volume de controle
espaço orientado
no interior do qual
ocorre a operação

versor de orientação
do VC - Volume de controle
espaço da operação

Processo
- elemento central
do modelo de operações

propriedades não-originais
e não-constitutivas "aparências"
pré-existentes à operação

representação (b)
pré existente às operações:
categoria da ordem arbitrária

sistema relativo
de anterioridade ou de
simultaneidade das coisas entre si


Circuito das trocas


Circuito das trocas


domínio do
Discurso e da Representação

Paleta de ideias ou elementos de imagem presentes na
configuração de pensamento moderno caminho Construção

Hotspots Background

operações de busca por origem,
condições de possibilidade
e de generalidade dentro de limites

Sujeito
Observador
da operação

Interagentes
em rede
com o Sujeito

Compromisso
pela construção da representação com o
Operar atribuído à empiricidade objeto

Operar vislumbrado
e atribuído à empiricidade
objeto da operação

representação
recém construída
e adicionada ao Repositório

propriedades sim-originais
e sim-constitutivas
da representação da empiricidade objeto

propriedades sim-originais
e sim-constitutivas
da representação da empiricidade objeto

relação de analogia entre
o Operar e um objeto análogo
mais possível de representação

Objeto análogo composto,
ou Sucessão de analogias

Repositório de proposições
explicativas da experiência formuladas
de acordo com as regras da língua

modo de ser fundamental da empiricidade objeto:
o modo como ela pode ser afirmada, posta, disposta
e repartida no espaço do saber, depois da operação

modo de ser fundamental da empiricidade objeto:
o modo como ela pode ser afirmada, posta, disposta
e repartida no espaço do saber, antes da operação

Lugar de nascimento do que é empírico,
onde transcorre a operação

Forma de produção,
o elemento central
nesta configuração do pensamento

elementos de suporte na experiência
ao operar requerido
para a Forma de produção

domínio do Pensamento e da Língua

domínio do Discurso e da representação

evento de empiricidade objeto
indicador de alteração no modo de ser
fundamental da empiricidade objeto

evento de empiricidade objeto
indicador de alteração no modo de ser
fundamental da empiricidade objeto

Ambiente

evento de processo indicador do andamento
de um elemento de suporte na experiência
da Forma de produção

Paleta de ideias ou elementos de imagem presentes na
configuração de pensamento moderno caminho Instanciamento

Hotspots Background

Circuito das trocas

operações de busca por origem,
condições de possibilidade
e de generalidade dentro de limites

representação existente no Repositório
sendo recuperada para Instanciamento

modo de ser fundamental
da empiricidade objeto idêntico àquele
que apresentava a representação
que foi recuperada do Repositório

modo de ser fundamental
da empiricidade objeto idêntico àquele
que apresentava a representação
que foi recuperada do Repositório

representação da empiricidade objeto
tal como recuperada do Repositório,
ainda não instanciada

representação da empiricidade objeto
tal como recuperada do Repositório,
já instanciada

elementos de suporte na experiência
ao operar requerido pela
Forma de produção,
agora acionados

sistema  absoluto
de alteração no modo de ser
fundamental da empiricidade objeto
inativo durante Instanciamento

Nosso roteiro (Michel Foucault) e nossa inspiração (Humberto Maturana)

A contaminação do pensamento com o qual pensamos

a percepção  da contaminação, dominação mesmo,
do pensamento com o qual ‘queiramos ou não‘ pensamos,
– hoje em dia, e aqui e agora –
por configurações de pensamento
com a possibilidade, e também sem possibilidade
de fundar as sínteses – da empiricidade objeto – no espaço da representação.

Michel Foucault 1926-1984
A pedra de tropeço no caminho de Michel Foucault
comparações feitas por Foucault de diferentes configurações depensamento

Há diferentes modelos
que formulamos para 
visões de ocorrências 
no espaço-tempo x, y, z e t.

Esses modelos,
diferentes em seus fundamentos,
são usados juntos
e/ou simultaneamente
no mesmo domínio e ambiente 
em um pensamento
contaminado
por duas epistemologias,
ou por duas maneiras
de conhecer
aquilo que dizemos
que conhecemos.

Existem modelos,
todos em uso atualmente,
que podem ser agrupados
em duas famílias:

  • aqueles com a possibilidade

  • e aqueles com a impossibilidade 

 de fundar as sínteses
da empiricidade objeto –
no espaço da representação.

Essa a distinção
que Michel Foucault nos ajuda a fazer nos modelos que usamos hoje, oferecendo os necessários elementos para identificação.

Na animação acima,
procuramos comunicar
as diferenças entre
as configurações de pensamento,
– usando para fazer essa distinção –
as palavras magistrais de Michel Foucault
e lançando mão
do relacionamento do que é dito,
com as visões que temos de cada 
ocorrência no espaço-tempo x, y, z e t
a que cada configuração do pensamento nos remete quando estão em uso as respectivas paletas de ideias
ou elementos de imagem. 

A pedra fundamental do pensamento de Maturana:

No final dos anos 1950, bem no início do seu trabalho, Maturana fazia:

  • objeções ao ‘fazer’ dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos 1950;
  • propostas de alterações na modelagem dos fenômenos biológicos.

Vinte anos depois,  Francisco Varela considerava procedentes algumas das críticas recebidas ao seu trabalho conjunto com Maturana, a autopoiese.

A figura 2, 
de Maturana

A Figura 2 Diagrama ontológico ou O explicar e a experiência, de Maurana

A Figura 2 – Diagrama ontológico no capítulo Reflexões epistemológicas do livro Cognição, Ciência e Vida cotidiana; e ainda

Figura 2 – O Explicar e a experiência, no capítulo Linguagem, Emoções e Ética nos afazeres políticos do livro Emoções e Linguagem na Educação e na Política; (conforme original de Maturana).

Vamos usar essa figura para mostrar as paletas de ideias ou elementos de imagem requeridos para modelagem das operações de um e de outro lado da figura de acordo com o entendimento adotado, ou a episteme utilizada pelo pensamento

objeções
de Maturana

Objeções de Maturana ao ‘fazer’ dos pesquisadores em AI do MIT de sua época

Operação na Figura 2 – LE: sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si

As objeções
 feitas por Maturana,
bem no início do seu trabalho,
ao modo como os pesquisadores em IA do MIT faziam seus modelos
– inspirados nos modelos biológicos –
pelo que eles mesmos diziam, segundo Maturana, são fundamentadas
no modo como funciona o pensamento filosófico clássico, o de antes da descontinuidade epistemológica
ocorrida entre 1775 e 1825
no relato de Michel Foucault.

Por favor veja isso na animação:

propostas,
de Maturana

Propostas de Maturana para correção do que ele via como um erro de modelagem

Operação na Figura 2 – LD: sistema absoluto de articulação do impensado com um objeto análogo passível de representação.

Ao mesmo tempo,
as propostas
que ele fez nesse início do seu trabalho,
para resolver esse problema
são totalmente consistentes com o pensamento de David Ricardo, um pensador marcadamente de depois desse evento fundamental em nossa cultura.

Os dois blocos do ‘dizer’ de Maturana
na operação de Explicar com Reformular, no lado direito da figura, um para o Operar e outro para o Suporte ao operar, correspondem à mesma separação que Ricardo fez e incorporou ao seu

  Princípio Dual de Trabalho.

Note que a formulação feita para Trabalho por Ricardo é claramente construtiva e também faz a separação entre dinâmica e suporte à dinâmica –
os dois blocos imaginados por Maturana.

análise de críticas
feitas por Francisco Varela

críticas à autopoiese aceitas por Varela

Entretanto há algo surpreendente no livro

‘De máquinas e de seres vivos:
Autopoiese – a Organização do vivo;

Prefácio à segunda edição;
tópico: Além da autopoiese;

sub-tópico: Enacção e cognição,
de autoria de Francisco Varela.

A surpresa está em que
entre as críticas à autopoiese que Francisco Varela aceita como procedentes
está a que afirma que a autopoiese
tem formulação fraca,
explicando ele, que a formulação dada
é fraca porque é não-construtiva, problema que seria resolvido futuramente pelo desenvolvimento então em curso denominado Enacção.

 

comentários

O que terá acontecido com
 
– o bloco do Operar e o bloco do Suporte ao operar 
 no interior da operação de Explicar com Reformular ;

 e,  agora na própria representação
da empiricidade objeto da modelação

o Ser vivo no caso de Maturana,

 com os dois domínios,
 
– o domínio do Operar, na representação,
correspondente ao bloco do Operar
na operação de Explicar com Reformular

– e o domínio do Suporte ao operar, na representação,
correspondente ao Bloco do Suporte ao operar
na operação de Explicar com Reformular
imaginados por Maturana?

Este é um dos modos de ver a pergunta
que este estudo pretende responder
com a ajuda de Michel Foucault.

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