Humberto Maturana: pedra fundamental do seu pensamento e vinte anos depois

Duas visƵes, duas leituras do fenƓmeno 'operaƧƵes':
sob o pensamento clƔssico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - abrangĆŖncias muito diferentes

O que Ć© este trabalho

Este trabalho Ć© baseado em imagens e em vĆ­deos (animaƧƵes).Ā HĆ” neleĀ muito pouco texto para ler; e na maioria das animaƧƵes, hĆ” um Ć”udio com o texto falado – que sempre vocĆŖ pode desligar se preferir ler diretamente.Ā Nele, sigo o conselho/orientação de VilĆ©m Flusser de reconstituir as imagensĀ aĀ  queĀ correspondemĀ os conceitos dos textos que usamos; e em seguida,Ā relacionar tais imagens reconstituĆ­das a partir dos textos, Ć quilo que deu origem a elas,Ā na maioria dos casos as particulares visƵes de ocorrĆŖncias no espaƧo-tempo x, y, z e t – obtendo comĀ Conceituação e comĀ Imaginação, relaƧƵes reversĆ­veis entre textos e imagens, e entre imagens (figuras) e as ocorrĆŖncias espacio-temporais. Veja o tópico 1. O conhecimento necessĆ”rio para reconhecer as visƵes que povoaram a mente de pioneiros filósofos ao longo dos ĆŗltimosĀ doisĀ sĆ©culosĀ  – que serviram de estĆ­mulo para conquistas humanas no pensamento, e por outro lado o posicionamento, na história da filosofia em nossa cultura ocidental, dos conceitos embutidos em textos que usamos frequentemente, hoje, em Ć”reas mais prosaicas como a produção, vem de Michel Foucault, este autor, a maior influĆŖncia neste trabalho, e aqui, engenheiro de produção honorĆ”rio, pelo que nos transmite em seu ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’. Utilizando diretamente a sugestĆ£o de Foucault quanto ao espectro de visƵes, (modelos e a possibilidade de fundar as sĆ­nteses do pensamento no espaƧo da representação) tomo entĆ£o alguns poucos modelos antológicos existentes – e de muita utilização, e aplico a esses modelos os critĆ©rios de distinƧƵes obtidos neste estudo, formando esse espectro de modelos composto por trĆŖs segmentos – , e para do objeto – agrupados em duas famĆ­lias e trĆŖs segmentos. Isso darĆ” elementos para identificarmos os elementos que utilizaremos em nossas modelagens, as paletas de ideias ou elementos de imagem em cada uma dessas regiƵes e famĆ­lias, incluindo as relaƧƵes necessĆ”rias entre essas ideias ou elementos de imagem, para que a relação texto – imagem – visĆ£o se estabeleƧa, nos dois sentidos; e com isso melhores condiƧƵes de possibilidade de identificar e entender como sĆ£o os modelos que usamos aqui e agora. E de descobrir um pouco mais de perto o modo como efetivamente pensamos. Ainda no tópico 1. O traƧado da rota a percorrer, veio de Humberto Maturana. Tomei a pedra fundamental de seu pensamento, as objeƧƵes e propostas que ele fez sobre como eram e como deveriam ser, os modelos para fenĆ“menos, inspirados na biologia; estĆ” em De mĆ”quinas e de seres vivos: autopoiese, a organização do vivo; Vinte anos depois; História. De Maturana tomo tambĆ©m a Figura 2 – Diagrama ontológico; ReflexƵes epistemológicas, do livro Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; servem de inicio e de suporte para as animaƧƵes.

O que Ć© este trabalho

funcionamento das operações em função do entendimento

Perfis caracterĆ­sticos dos entendimentos (episteme) em cada perĆ­odo

Caracterƭsticas do pensamento clƔssico, o de antes de 1775,
perfil do entendimento (episteme) de operaƧƵes clƔssico
CaracterĆ­sticas do pensamento moderno, o de depois de 1825,
perfil do entendimento (episteme) de operaƧƵes moderno

Funcionamento das operações, as de produção e outras, em função do entendimento (episteme) adotado em cada segmento do espectro de modelos identificados pela posição do par sujeito-objeto nos modelos em cada segmento. Cada segmento é então uma coleção de modelos com as seguintes características principais:

  • segmento AQUƉM do objeto (par sujeito objeto em oposição um ao outro, e fora do modelo);
  • segmento DIANTE do objeto (par sujeito-objeto em posição de concurso e ocupando posiƧƵes operacionais na estrutura dos modelos);
  • segmento para ALƉM do objeto (par sujeito-objeto presente no modelo, mas modelo constituinte composto como uma combinação ponderada dos trĆŖs pares constituintes das ciĆŖncias
    • da Vida (Biologia [função-norma])
    • do Trabalho (Economia [conflito-regra]) e
    • da Linguagem (Filologia [significação-sistema]))

Vamos aqui aplicar a recomendação de Vilém Flusser quanto ao uso de nossas funções humanas, reversíveis, Imaginação e Conceituação (veja detalhes em Imagens tradicionais) implementando a relação

[OcorrĆŖncias no espaƧo-tempo] ⇔ [Imagens] ⇔ [Textos]

onde Ocorrências no espaço-tempo são as operações de produção e outras, Imagens são os modelos que fazemos para elas, e Textos carregam os conceitos com as ideias que temos durante a modelagem, e vamos então queremos mostrar esse funcionamento das operações  utilizando imagens que permitam reconstituir o sentido e a intenção dos conceitos usados na modelagem da maneira como vemos as operações em cada caso. 

Veja as duas tabelas ao lado: o modo de ver o que sejam as operaƧƵes, de produção, – as de produção, de ensino, ou de pensamento, entre outras, difere substancialmente dependendo do entendimento (episteme) adotado o que faz muita diferenƧa, como poderemos ver.

Veja no item 1.1 Posicionamento as figurasĀ 

construídas sobre dois capítulos do livro Filosofia da caixa preta, de Vilém Flusser, que servem de base para essa explicação do funcionamento de operações usando Imaginação e Conceitualização.

10 pontos para contextualização PrefÔcio-texto do livro
Relação entre Textos e Imagens, e entre estas e as visões que temos da ocorrência espacio-temporal

Dez (10) pontos selecionados no texto do livro para contextualização entre o PrefĆ”cio e o restante do texto do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas”.

Vamos aplicar a esses pontos selecionados a recomendação de Vilém Flusser e estabelecer a relação

OcorrĆŖncias no espaƧo-tempo ⇔ Imagens ⇔ Textos

identificando as imagens que relacionam os conceitos com nossos modelos e com isso, pelo uso da nossa Imaginação e da nossa Conceituação, a dificuldade de melhor compreensão desses conceitos diminui.

Ā 

Imagens tradicionais na visão de Vilém Flusser

Continuamos a usar aqui o pensamento de VilƩm Flusser em Imagens tradicionais, um capƭtulo do livro Filosofia da caixa preta.

Veja a animação a que a figura ao lado dĆ” acesso. Ɖ feita sobre um capitulo do livro de Flusser. Veja se ela faz sentido para vocĆŖ.

Em todos os 10 (dez) pontos escolhidos para contextualizar o PrefĆ”cio com o texto do livro ‘As palavras e as coisas’, usamos essa percepção de Flusser para como que erguer os conceitos do grau de abstração em que estĆ£o, e construĆ­-los usando uma figura com as ideias, ou elementos de imagem que estĆ£o neles.

Para entender como e por que essa percepção de flusser ajuda na compreensĆ£o, veja ‘Classes de abstraƧƵes usadas pelo Pensamento‘Ā 

A história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’

Uma história do nascimento do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas”, tal como contada pelo próprio Michel Foucault no PrefĆ”cio do livro; procuramos relacionar essa história do PrefĆ”cio – o mais que nos foi possĆ­vel – com o próprio escopo do livro, seu objeto, e a razĆ£o de ser dessa obra: com a explicitação do caminho percorrido e dos achados do autor sobre os modos como configuramos nosso pensamento em nossa cultura, ao efetuar sua arqueologia das ciĆŖncias humanas.

Partindo de modelos que expressam o funcionamento de operações: 

  • sob o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775;
  • e sob o pensamento moderno, o de depois de 1825,
    • no caminho da Construção de representação nova para empiricidade objeto;
    • no caminho do Instanciamento de representação para empiricidade objeto com representação jĆ” existente no Repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua.Ā 

associamos ideias expressas por Foucault nessa história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’ a elementos de imagem que fazem parte desses modelos de operaƧƵes em distintos entendimentos (epistemes), tendo como suporte os dez pontos selecionados no texto do livro para os quais fechamos o circuito

[OcorrĆŖncia no espaƧo-tempo] ⇔ [Imagem] ⇔ [texto]Ā 

usando nossas funções reversíveis Imaginação e Conceituação. Isso torna mais possível entender por exemplo o que sejam:

  • utopias,Ā 
  • heterotopiasĀ 
  • a estrutura delineada pela classificação (fantĆ”stica, impensĆ”vel) de uma certa enciclopĆ©dia chinesa,Ā 
  • as duas sintaxes a que se refere o autor nesse texto,Ā 
  • os dois conceitos para o que seja um verbo;
  • os dois conceitos para o que seja Classificar;

entre outras coisas.

Convite para diÔlogo sobre a Questão

Entre os modelos que apresentamos para operações, que podem ser as do próprio pensamento, da produção, de ensino, entre muitas outras, muito possivelmente estarÔ aquela configuração de pensamento com a qual você pensa.

Usualmente pensamos com a configuração de pensamento que adquirimos meio que sem perceber o que estÔ acontecendo, a partir do ambiente em que surgimos e iniciamos a viver.

Mas configuraƧƵes do pensamento nĆ£o sĆ£o coisas que aparecem realmente novas, distintas, todos os anos. Michel Foucault, no ‘As palavras e as coisas’ nos dĆ” conta de apenas duas de raiz, e mais uma que aparece a partir de uma delas. E isso no espaƧo de sĆ©culos.

O que se segue pode ser entendido comoĀ 

ReflexƵes imaginativas no espaƧo-tempo
dos Fluxos e das PermanĆŖncias.

Descubra do que se trata e a força que essas distinções têm.

modelagem da operação do produto e a do instrumento
O Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrada no livro Reengenharia, de Michael Hammer

O mago Merlin, aquele que na lenda satisfazia a todos os desejos de Arthur em um Ć”timo, sem consumir absolutamente nada, – nenhum recurso, nem mesmo energia – e de maneira reversĆ­vel, possuĆ­a o instrumento dos instrumentos: a varinha de condĆ£o.Ā 

Esse instrumento dos instrumentos – pena que mĆ”gico – quebra vĆ”rias leis da fĆ­sica e isso justifica a impossibilidade de utilizĆ”-lo em operaƧƵes reais.Ā  A varinha mĆ”gica sugere uma organização do mundo – e um rebaixamento de entropia – sem qualquer custo e dispĆŖndio de energia, por exemplo.

A visão SSS das organizações modela o objeto esperado (produto) que interessa ao grupo Clientes, e o instrumento (fÔbrica) capaz de obtê-lo no ambiente de realidade. 

Fica destacado nesse arranjo de como ver uma organização, o Nexo da produção de onde  surgirÔ o objeto que interessa aos acionistas: o lucro, ou benefícios de qualquer outra natureza.  

Essa estrutura SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica nada mais Ć© do que a aplicação com critĆ©rio da modelagem organizada pelo par sujeito-objeto. Como nĆ£o Ć© muito comum a organização deĀ  modelos de operaƧƵes organizados pelo objeto, essa estrutura pode parecer algo estranha.

Mas veja no livro Reengenharia o que Hammer diz sobre esse retângulo: 

“O processo de ‘Desenvolvimento da capacidade de fabricação’ toma uma estratĆ©gia como entrada e produz uma FĆ”brica como saĆ­da.”

Reengenharia: revolucionando a empresa em função dos clientes, da concorrĆŖncia e das grandes mudanƧas da gerĆŖncia; cap. 7 – A caƧa Ć s oportunidades de reengenharia, pg. 98.

Ora como o retante do mapa todo, a partir do título refere-se a produção de semicondutores, e esse último retângulo produz uma fÔbrica a partir de certas estratégias, então temos dois objetos nesse mesmo mapa. E muito diferentes. Podemos ter mais de um objeto em um mesmo mapa de operações, mas cada qual terÔ o seu modelo de operações, organizado pelos respectivos pares sujeito-objeto.

Como Hammer ainda fala em processos, e pensa em entradas que produzem saídas, ele não deve ter achado conveniente simetrizar esse mapa. A estrutura SSS é exatamente essa simetrização.

A varinha mÔgica de condão

Merlin
o mago Merlin, e seu instrumento imune Ć s leis da fĆ­sica

Laboratório e FÔbrica: sucedâneos prÔticos
da varinha mÔgica de condão

Área de projeto piloto ou Laboratório
Unidade de produção ou FÔbrica

Esse instrumento mƔgico era indiferente quanto ao objeto de desejo do rei. Concretizava instantaneamente qualquer coisa. Pena que era um instrumento mƔgico.

Para a varinha mƔgica o objeto de desejo de Arthur era indiferente.

Ninguém hoje imagina que um objeto esperado como resultado de uma operação de produção, por exemplo, possa concretizar-se no sentido de tornar-se disponível em ambiente de realidade, sem um instrumento capaz de fazer isso. E esse instrumento é específico com relação ao objeto esperado das operações, e pode receber o nome de Unidade de produção, FÔbrica, e quando ainda em desenvolvimento, Laboratório ou Área de projeto piloto.   

VisĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica:Ā a organização na realidade do ambiente em que suas operaƧƵes ocorrem, composta simultaneamente por:

  • a) operaƧƵes que resultam no objeto esperado (produto) por um grupo de interessados (clientes), e
  • b) nas operaƧƵes que resultam no instrumento indispensĆ”vel para obtĆŖ-lo, que durante o caminho do Instanciamento permite o surgimento de outro objeto (benefĆ­cios, lucro), este esperado por outro grupo de interessados (acionistas);

Por detrÔs dessa visão SSS da organização estÔ:

  • de um lado a convicção de que varinhas mĆ”gicas de condĆ£o, como a de Merlin nĆ£o existem, e que portanto se pretendemos obter um objeto – qualquer coisa, temos de necessariamente indicar o Instrumento prĆ”tico real com o qual podemos realizĆ”-lo no ambiente em que estamos;
  • e de outro, que em ambientes de operaƧƵes reais, os instrumentos substitutivos reais da varinha mĆ”gica (Ć”reas piloto, unidades de produção, por exemplo) sĆ£o imprescindĆ­veis e devem necessariamente fazer parte do modelo de operaƧƵes,

evitando o pensamento mĆ”gico – sem instrumento -, das operaƧƵes, de produção e outras, e tambĆ©m a confusĆ£o de objetos diferentes, rebaixando a qualidade da informação no modelo de operaƧƵes.Ā 

Se modelamos operaƧƵes sem especificar explicitamente o instrumento, e esse objeto, o instrumento, Ʃ imprescindƭvel, acaba acontecendo que o modelo de operaƧƵes para o objeto esperado fica contaminado pela realidade de que o instrumento precisa ser providenciado.

Porta de entrada e boas vindas

Bem vindo. Pode entrar.

Este trabalho foi feito com muito prazer, e esperamos que vocĆŖ, ao aceitar meu convite, sinta o mesmo ao dele tomar conhecimento.

Vilém Flusser, Michel Foucault e Humberto Maturana: pensadores nossas referências neste trabalho

Algumas boas razões para este estudo de modelos de operações (configurações do pensamento) com o apoio de filósofos como Michel Foucault

Vilém Flusser e Michel Foucault apontam formas de reflexão que se instauram (em adição, ou em substituição a outras existentes anteriormente. 

e observe quais são as ideias, ou elementos de imagem requeridos para formular modelos sob essa forma de reflexão.

Literalmente hĆ” uma unanimidade, atualmente,Ā  quanto ao uso (e abuso) do conceito de ‘Processo’; igualmente, o mesmo ocorre com o modo de ver operaƧƵes: estas sĆ£o vistas praticamente sempre, como uma transformação de Entradas em SaĆ­das, ou como um processamento de informaƧƵes.Ā 

Mostramos aqui que adotando as formas de reflexão apontadas por Flusser e Foucault, operações adquirem uma aparência totalmente diferente dessa. Veja e compare:

Nota: as animações a que os links acima dão acesso foram feitas sem Ôudio de narração.

No PrefĆ”cio do livro ‘As palavras e as coisas’, Michel Foucault refere-se a dois tipos de sintaxe envolvidos no funcionamento de operaƧƵes. Podem ser operaƧƵes de produção, de pensamento, de ensino, do que quer que seja. Veja quais sĆ£o esses tipos de sintaxe:

A figura que serve de fundo para essas animaƧƵes que os links acima acessam Ć© a Figura 2 – Diagrama ontológico que estĆ” no capĆ­tulo ‘ReflexƵes epistemológicas’ do livro ‘Cognição e Vida cotidiana’; ou ainda Ć© tambĆ©m a Figura 2 agora com o tĆ­tulo ‘O explicar e a experiĆŖncia’, no capĆ­tulo ‘Linguagem emoƧƵes e Ć©tica nos afazeres polĆ­ticos’ do livro ‘EmoƧƵes e linguagem na educação e na politica’, ambos os livros de Humberto Maturana.

Menciono essa figura e sua origem neste ponto, porque a visão comparativa entre os lados esquerdo e direito, respectivamente o pensamento clÔssico e o moderno, permitem identificar o que o LD tem a mais em relação ao LE, para a instauração da linguagem via a formulação das operações.

HĆ” dois conceitos, ou pode ser que um conceito e dois tratamentos para o que seja um verbo.Ā 

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes; por exemplo, a do verdeĀ e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte; Ć© por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.”

“Ɖ preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, ao mesmo tempoĀ palavra entre as palavras, preso Ć s mesmas regras, obedecendo como elas Ć s leis de regĆŖncia e de concordĆ¢ncia; e depois, em recuo em relação a elas todas, numa regiĆ£o que nĆ£o Ć© aquela do falado mas aquela donde se fala. Ele estĆ” na orla do discurso, na juntura entre aquilo que Ć© dito e aquilo que se diz, exatamente lĆ” onde os signos estĆ£o em via de se tomar linguagem.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IV – Falar; tópico III – A teoria do verbo

Podemos ver claramente, com a ajuda de imagens, figuras, que tornem possĆ­vel entender conceitos geomĆ©tricos como esse ‘em recuo em relação a elas todas’ especificando regiƵes espaciais que podem e devem ser identificadas, o que sugere um desnivelamento de algumas coisas em relação a outras, como e por que um conceito estĆ” para o pensamento clĆ”ssico e seu sistema input-output e o outro para o pensamento moderno, com operaƧƵes formuladas em coerĆŖncia com o PrincĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo.

Ā 

O tempo nas configurações do pensamento é função do lugar onde a operação ocorre.

Conceito chave para entender o tempo em função do lugar onde a operação ocorre Ć© o que Foucault chama de ‘modo de ser fundamental das empiricidades’.

  • Modo de ser fundamental das empiricidades‘, segundo Foucault, Ć© aquilo que permite que elas sejam afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.
  • os tipos de propriedades usadas para descrever o que acontece durante as operaƧƵes:
    • propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas sĆ£o usadas para descrever o que acontece nas operaƧƵes sem preocupação com origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites, dentro do pressuposto de que tudo existe, desde sempre e para sempre, criado por Deus e integrando o Universo.
    • propriedades sim-originais e sim-constitutivas sĆ£o usadas para descreverĀ os resultados da operação em busca de origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites para a empiricidade objeto da operação. O pressuposto agora admite mĆŗltiplas realidades, a construção de novas representaƧƵes, e toda representação construĆ­da permanece em um repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua provisoriamente, atĆ© que se evidencie a necessidade de uma reformulação.

Quanto ao lugar onde ocorrem, uma operação pode ocorrer no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico‘ e no ‘Circuito das trocas‘.

  • Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico‘ obviamente, Ć© o lugar onde as coisas empĆ­ricas nascem, e portanto, Ć© o lugar onde suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas sĆ£o determinadas. Assim, as coisas, as empiricidades objeto das operaƧƵes, sĆ£o tratadas por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas jĆ” que sĆ£o estas que precisam surgir com o sucesso da operação. E como decorrĆŖncia da determinação desse tipo de propriedades, o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação muda, Ć© alterado em decorrĆŖncia do sucesso da operação.
  • Circuito das trocas‘ Ć© o lugar onde ocorrem operaƧƵes em que as propriedades sim-originais e sim-constitutivas nĆ£o se alteram, e por isso mesmo, ficam fora do escopo dessas operaƧƵes, que funcionam com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, ou no modo como Maturana pensou isso, as “aparĆŖncias”. Como decorrĆŖncia dessa estabilidade nas propriedades sim-originais e sim-constitutivas (ou de todo, da nĆ£o consideração delas) nessas operaƧƵes no interior do ‘Circuito das trocas’ o ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja nĆ£o muda em decorrĆŖncia desse tipo de operação: tudo continua sendo afirmado, posto, disposto, etc. etc. da maneira de sempre.

 Dentro do acima, é necessÔrio estudar o tempo nas seguintes situações:

um tempo relativo, tempo calendÔrio, dado por uma operação reversível durante sua formulação, e irreversível na etapa de instanciamento que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente Fluxo.

um tempo absoluto, e portanto nĆ£o-calendĆ”rio,Ā  dado por uma operação irreversĆ­vel jĆ” na sua formulação em virtude da alteração (irreversĆ­vel) do ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação. Ocorre no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’, lugar onde, com o sucesso das operaƧƵes, o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação Ć© alterado nesse domĆ­nio e nesse ambiente em que a operação ocorre. Propriedade emergente PermanĆŖncia.

o tempo volta a ser relativo, tempo novamente calendÔrio, dado por uma operação reversível durante sua formulação, e irreversível na etapa de instanciamento propriamente dita que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente volta a ser Fluxo.

Bem, no que se refere ao que seja ‘Classificar’ Foucault Ć© muito claro.

E pensando em modelar operaƧƵes, construir modelos para elas seguindo o modo como as vemos, ‘Classificar’ Ć© um conceito muito importante.

Veja o que diz Michel Foucault:

“Classificar, portanto,

não serÔ mais referir o visível a si mesmo, encarregando um de seus elementos de representar os outros; 

serĆ”, num movimento que faz revolver a anĆ”lise, reportar o visĆ­vel ao invisĆ­vel, como Ć  sua razĆ£o profunda, depois alƧar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que sĆ£o dados Ć  superfĆ­cie dos corpos.”

Ā As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

ComentÔrios abaixo fazem referência:

  1. Ā ao PrincĆ­pio Dual de Trabalho de David Ricardo
  2. e principalmente Ơs diferenƧas entre esse princƭpio de Ricardo e o de Adam Smith,

estabelecidas por Michel Foucault:

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papĆ©is:Ā 

  • estĆ”, ao mesmo tempo, no fundamento de todas as positividades,Ā 

comentĆ”rio: esse papel do homem corresponde ao seu engajamento em uma atividade de produção e ‘trabalho como atividade de produção Ć© a fonte de todo valor ‘;

  • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada,
    no elemento das coisas empĆ­ricas.

nessa posição o trabalho que o homem oferece e o empresÔrio compra é representÔvel em unidades de trabalho por ser do tipo analisÔvel em jornadas de subsistência, e que por isso pode ser expresso em unidades comuns de valor entre todas as mercadorias. 

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico I. O triedro dos saberes

Esta animação mostra as ideias, ou elementos de imagem, necessÔrios para a formulação de operações em modelos que levem em conta essa duplicidade de papéis. Sem essa paleta de elementos de imagem, a formulação de modelos de operações em que o homem estÔ presente é pouco mais que retórica.

Ā 

Modelos de operaƧƵes – em cada caso concreto de cada dado modelo – ocupam um segmento de um espectro de modelos organizado pela posição do par sujeito-objeto no projeto do dado modelo:

  • segmento AQUƉM,
  • segmento DIANTE,
  • e segmento para ALƉM do objeto.

A anƔlise/projeto de modelos em qualquer um desses segmentos exige do analista/projetista que consiga descobrir em que segmento estƔ trabalhando. E para isso, Ʃ necessƔrio ter em mente os entendimentos possƭveis, ou as caracterƭsticas das epistemes.

Modelos em economia política, em sociologia, em psicologia, em política, de maneira geral, modelos no domínio das ciências humanas, têm modelo constituinte bastante complexo porque é uma combinação, ponderada, dos pares de modelos constituintes das ciências que compõem a região epistemológica fundamental.

Então, claramente, modelos no domínio das ciências humanas são função dos modelos das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, cada um destes com modelo constituinte formado por um par constituinte apenas, diferente para cada uma dessas ciências.

Parece sensato, em vista disso, compreender a fundo como funcionam os pares constituintes das ciências da Vida (Biologia), do Trabalho (Economia) e da Linguagem (Filologia) levando esse conhecimento prévio para a anÔlise de ciências com modelos muito mais exigentes do pensamento.

  • Trabalho tal como visto por David Ricardo em seu princĆ­pio dual, com dois componentes:
    • essa forƧa, esse esforƧo, esse tempo do operĆ”rio que se compram e se vendem, (um trabalho que pode ser reduzido a jornadas de subsistĆŖncia e pode servir de unidade comum de valor entre todas as mercadorias);
    • e essa atividade que estĆ” na origem do valor da coisas: (trabalho agora visto como atividade de produção e origem do valor das coisas).

A Previdência social trata da subsistência após período útil para o trabalho, daquelas pessoas, daqueles homens quem se envolveram em operações de produção oferecendo sua força, seu esforço, seu tempo, que venderam a quem se dispÓs a comprar.

E quem comprou essa força, o esforço, o tempo de quem tinha para vender foram os controladores das operações de produção.

Os empresÔrios, os controladores das operações de produção, estão fora da reforma da Previdência.

Referências sobre fundamentos filosóficos do Liberalismo

  • John Locke, 1632-1704 Ć© considerado por muitos como o inspirador do Liberalismo.
  • NĆ£o Ć© difĆ­cil encontrar tambĆ©m Adam Smith como base filosófica do Liberalismo.
  • hĆ” ainda outras citaƧƵes que mencionam DavidĀ Hume,Ā AdamĀ Smith,Ā DavidĀ Ricardo,Ā JeremyĀ BenthamĀ eĀ WilhelmĀ Humbolt e outros, como sendo os principais autores do liberalismo clĆ”ssico.

Acompanhando a anĆ”lise feita por Foucault do que ele chama de ‘vento fundador da nossa modernidade no pensamento’, a descontinuidade epistemológica de 1775-1825, vĆŖ-se sem dificuldade que ‘o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo, e com o qual queiramos ou nĆ£o, pensamos’ tem, sim a capacidade de fundar as sĆ­nteses [da representação] no domĆ­nio da Representação.

Assim sendo (e entendido) hÔ algo de errado na fundamentação filosófica do Liberalismo tal como é apresentado na maioria das vezes.

Causa um certo desconforto a indicação de referências que listam conjuntamente Adam Smith e David Ricardo. Tal aproximação não convém, jÔ que os entendimentos de um e de outro são substancialmente distintos.

Os modelos de operações e de organizações comumente usados em demonstrativos econÓmico-financeiros  são:

  • para operaƧƵes: DĆ©bito e CrĆ©dito;
  • para organizaƧƵes: Ativo, Passivo e Resultado.

Esses modelos são consistentes com a maneira de entendimento do pensamento filosófico de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, o pensamento clÔssico, portanto.

Não hÔ sinal neles do homem em sua duplicidade de papéis, e do objeto especialmente durante a operação de construção de representação nova.

AnÔlises econÓmico-financeiras tratam de trocas. Não descrevem alterações no modo de ser fundamental do objeto das operações e escopo das organizações, especificamente no modo como esses objetos podem ser afirmados, postos, dispostos e repartidos no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

Não hÔ sinal nessa configuração de pensamento para o Lugar de nascimento do que é empírico.

Seu lugar de transcorrĆŖncia Ć© o Circuito das trocas.

Estes são os pensadores  inspiradores deste trabalho e estes são dois dos seus textos maravilhosos:

Ā 

  • VilĆ©m Flusser, principalmente com seus livros ‘Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia’, mas tambĆ©m com o pequeno ‘Da religiosidade’ onde ele discorre sobre ‘Pensamento e reflexĆ£o;
  • Michel Foucault, com o ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’.

As três figuras abaixo servem para demonstrar que o Filosofia da caixa preta de Flusser tem muitíssimo a ver com as caixas pretas distribuídas generosamente em meio às abstrações que usamos atualmente no dia  a dia, nossos modelos de operações, nossos modelos de sistemas, o modo como interpretamos tais modelos, e os decodificamos para compreender as imagens que geram, se é que chegamos a isso.

E o ‘As palavras e as coisas’ de Foucault descreve em riqueza de detalhes os entendimentos a partir da filosofia, para esses mesmos modelos referidos a pontos de mudanƧa no nosso entendimento (episteme) na história recente do pensamento em nossa cultura.

Se vocĆŖ quiser testar se o que virĆ” vale ou nĆ£o a pena de ser visto, veja a seguir uma História do nascimento do livro ‘As palavras e as coisas’, com imagens essencialmente, aplicando a sugestĆ£o de VilĆ©m Flusser que estĆ” expressa no esquema Ć  direita, e nas trĆŖs figuras abaixo.

Este trabalho encontra razĆ£o de ser na percepção de que esses ciclos entre abstraƧƵes de diferentes dimensƵes e graus de abstração, criados por funƧƵes humanas – que todos temos ou deverĆ­amos ter –Ā  sĆ£o (devem ser) reversĆ­veis tais como descritos por Flusser nas animaƧƵes abaixo, muito mais frequentemente do que supomos, nĆ£o se fecham, quando examinamos mais de perto modelos largamente utilizados em nosso ambiente.

Imagens que não mais nos servem de orientação para o mundo, e mesmo assim continuarem em uso configuram idolatria. E Textos que decodificados não mais nos levam a imagens que nos servem de orientaçção para o mundo, se ainda assim continuarem em uso, configuram textolatria.

Especificamente no caso das imagens tradicionais, nossas funções como humanos Imaginação e Conceituação muito frequentemente não funcionam do modo reversível como seria de se esperar.

No caso das imagens técnicas a questão é mais exigente do pensamento analítico. Veja a animação na figura da direita acima. 

o caminho reversível desde ocorrências no espaço-tempo, passando por imagens, até textos onde estão os conceitos que elaboramos, e vice-versa.
Visão, Imaginação e Conceituação:
imagens tradicionais
classes de abstraƧƵes usadas pelo pensamento, suas dimensƵes e funƧƵes especificas de cada uma
Imagens tƩcnicas: as imagens especiais geradas por aparelhos

Um dos tópicos em nossa pÔgina de entrada tem o título

“10 pontos para contextualização
entre PrefĆ”cio e o restante do texto”

do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas”, de Michel Foucault.

Passando seu mouse sobre as figuras você vera a capa de cada uma das animações que compõem esse tópico, com o respectivo assunto.

DÔ para ver imediatamente conceitos geométricos porque fortemente dependentes de uma visão da disposição espacial  das ideias, ou dos elementos de imagem requeridos. A bem dizer, isso acontece em todos os 10 pontos, mas alguns exemplos:

  • o ponto 1: a forma de reflexĆ£o que se instaura;
  • o ponto 5, o conceito moderno para o que seja um verbo, ou o tratamento dado aos verbos nessa nova maneira de conhecer empiricidades;
  • o ponto 6: as duas sintaxes mencionadas por Foucault intervenientes em uma certa configuração do pensamento, desde o PrefĆ”cio do livro;
  • o ponto 8: o princĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817; por que dual? e em que domĆ­nios se instala?
  • o ponto 9: os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’;
  • o ponto 10: os segmentos no espectro de modelos.

Vamos explorar o que Foucault estÔ pensando em operações do pensamento sob diferentes configurações nesse seu PrefÔcio; tendo em mente todo o conteúdo do livro. No tópico:

“História do nascimento do livro “As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas”

contamos essa história com a intenção de recompor onde necessÔrio, e mostrar a falta onde estÔ ausente, dessas estruturas que reúnem as paletas de ideias ou elementos de imagem.

Veja primeiro, nesse tópico da história do nascimento do livro,

defasagens entre conquistas humanas no pensamento e aplicaƧƵes desse conhecimento nas tƩcnicas
Cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 mostrando Adam Smith e David Ricardo de lados opostos com relação à fase de ruptura desse evento.

Essa linha de tempo mostra alguns descompassos, intervalos de tempo Ơs vezes muito grandes, entre conquistas do campo pensamento e aplicaƧƵes desse conhecimento no domƭnio das tƩcnicas.

Mostra também trabalhos apresentados como inovadores, mudanças radicais no entendimento, quando em vez, a partir de um alinhamento filosófico prévio, seriam considerados aplicações de entendimentos obtidos em conquistas anteriores. Temos dois exemplos que poderiam demonstrar isso, a nosso ver:

  • o conceito de caos na ciĆŖncia moderna, de Ilya Prigogine,Ā 
  • as visƵes de mundo de John Dewey.

que podem ser comparadas com a visão de operações consistentes com o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo mostrando maneiras idênticas de entender o mundo e as coisas.

No início do século XX entre outras conquistas surgiu o management. HÔ quem diga que o management foi uma das maiores invenções do século passado. E surgiu apresentando como fundamentação filosófica Adam Smith, e adotando modelos de operações e de organizações consistentes com Adam Smith. Mas desde 1817 com a publicação do Principles of political economy and taxation de David Ricardo jÔ havia na filosofia como visualizar operações e organizações de um modo muito mais conectado com o fenÓmeno operações em organizações. A defasagem nesse ponto é de aproximadamente um século.

Mas foi necessÔrio um intervalo de mais 25 a 30 anos para que surgisse um sistema de produção cujo entendimento de operações e organizações osse consistente com o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo.

No final do sĆ©culo XX o mundo do management foi abalado por uma revolução denominada ‘Reengenharia’.

Isso ocorreu na década de 90 e não durou muito, reduzindo-se a um modismo hoje esquecido, a julgar pelos modelos hooje em dia recomendados.

Pois visto de perto, o modelo da reengenharia é consistente com o modelo de operações do Kanban, e os dois são consistentes com o entendimento filosófico da configuração de pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Se assim for, a Reengenharia não deveria ter sido esquecida. Veja por você mesmo, no que se segue, se as coisas são assim mesmo ou são de outro modo.

dificuldade de imaginar (construir imagens) alinhadas com o entendimento filosófico das operações
figura encontrada em material de treinamento sobre a linguagem UML de Ivar Jacobson

Veja o exemplo ao lado encontrado no livro The Unified Software Development Process, de Ivar Jacobson e outros, na Fig. 1.1 – o processo de construção de um software em poucas palavras.

A intenção do autor parece ser a de representar de um e de outro lado das operaƧƵes de construção do software o próprio Sistema de software em dois estados sucessivos. Essa intenção exige um sistema absoluto no qual haja mudanƧa no modo de ser fundamental especificamente da empiricidade objeto ‘Sistema de Software’.

Mas a figura escolhida para representar essa ideia Ć© a de

Entradas ⇒ SaĆ­das

construĆ­da sobre um sistema Input-Output, um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.

O exemplo é ilustrativo da falta que faz um alinhamento filosófico para o projeto de modelos em qualquer Ôrea. Esse modo de ver operações acaba condicionando a forma como os usuÔrios usam todo o conhecimento contido no livro.

Para compreender a verdade existente na afirmação que acabo de fazer é necessÔrio ter um critério de comparação de modelos para poder descobrir com que entendimento foram feitos.

Logo na pÔgina de entrada você encontra as paletas de ideias, ou elementos de imagem para a configuração do pensamento clÔssico, o de antes de 1775, e o moderno, segundo Foucault, a configuração de pensamento que se consolidou depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

VerÔ que os modelos de operações como a proposta no The Unified Software Development Process tratam com propriedades sim-originais e sim-constitutivas do sistema de software, e que para que esse tratamento possa ter lugar é necessÔria a noção de objeto.

falta alinhamento filosófico explícito, o que provavelmente contribuiu para que a Reengenharia fosse tratada como um modismo passageiro
a Figura 7.1 Mapa da atividade semicondutores de Michael Hammer, original

Veja a Fig. 7.1 – Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, original do livro Reengenharia de Michael Hammer (a figura abaixo).

Ɖ visĆ­vel que todo o mapa, desde o tĆ­tulo, Ć© organizado em torno do objeto. A modelagem organizada pelo objeto (e pelo sujeito, em realidade pelo par sujeito-objeto) Ć© bastante distinta da modelagem atĆ© entĆ£o utilizada, na qual o objeto no sentido no qual ele Ć© usado nesse mapa de Hammer, era simplesmente inexistente.

Examinando mais de perto esse mapa vĆŖ-se que todos os módulos referem-se ao objeto que Ć© esperado das operaƧƵes modeladas – refiro-me ao objeto semicondutores – exceto um.

Esse bloco relacionado a objeto distinto de semicondutores Ć© o ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação.

Sobre esse bloco,Hammer diz que nele um conjunto de estratégias são transformado em uma FÔbrica.

Do mesmo modo como as operaƧƵes das quais resulta o objeto semicondutores exige o conjunto de blocos mostrado no mapa, o objeto FƔbrica igualmente exige um conjunto semelhante.

E esse conjunto de blocos que modelam operações que resultam em objetos esperados tem muito pouco de específicos em relação a semicondutores, mas ante, é apropriado para objetos esperados, quaisquer que sejam.

o detalhamento do bloco ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação simetriza o mapa da reengenharia e evidencia o Nexo da produção.

Além disso, acrescentamos nesse mapa todas as ideias ou elementos de imagem que tornam possível a formulação das proposições implícitas em cada um dos blocos.

as operaƧƵes modeladas na estrutura SSS – SimĆ©tricas, Simbióticas e SinĆ©rgicas uma simetrização da Fig. 7.1 da Reengenharia

Clique na figura ao lado e verĆ” a organização SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica na qual:

  • as operaƧƵes de obtenção do objeto esperado pelo grupo Clientes (produto) estĆ£o incluĆ­das, em duas etapas importantes:
    • a construção desse objeto;
    • o instanciamento desse objeto no ambiente
  • as operaƧƵes de obtenção do instrumento requerido para a obtenção do objeto esperado pelo grupo Clientes (produto) o Laboratório/Unidade de produção ou FĆ”brica estĆ£o tambĆ©m incluĆ­das, em duas etapas importantes:
    • a construção desse objeto Instrumento;
    • o instanciamento desse objeto InstrumentoĀ  no ambiente;
    • a composição do Nexo da produção.

abrindo espaƧo e lugar para o objeto de interesse do grupo Acionistas, Lucro ou benefƭcios de qualquer natureza.

convite a uma posição receptiva

Para tratar esse tipo de questƵes Ʃ necessƔrio que baixemos os nossos pressupostos.

Este é um alerta e um convite  para que nos coloquemos em uma posição receptiva a possíveis ideias novas que poderão se apresentar a seguir neste trabalho

Ā 

a história que deu origem ao ‘As palavras e as coisas’ como contada no PrefĆ”cio por Michel Foucault

Essa figura ao lado dĆ” acesso a uma versĆ£o nossa da história de nascimento do ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ tal como contada por Foucault no PrefĆ”cio do livro.

Nessa animação propomos uma relação entre um excerto do texto do PrefÔcio, com as visões aplicÔveis em cada ponto da narrativa, e assim destacamos as estruturas que reúnem as ideias (ou os elementos de imagem)  necessÔrios em cada composição da imagem respectiva.

No texto destacado do PrefÔcio, Foucault discorre sobre Utopias e Heterotopias, entendendo estas últimas, as heterotopias, do modo mais próximo de sua etimologia como o lugar onde

“as coisas aĆ­ sĆ£o
“deitadas “, “colocadas “, “dispostas”
em lugares a tal ponto diferentes,
que Ć© impossĆ­vel
encontrar-lhes um espaƧo de acolhimento,
definir por baixo de umas e outras
um lugar comum”.

Neste trabalho associamos o conceito de heterotopia – especialmente levando em conta esse significado acima transcrito, dessa palavra, ao Sistema de categorias ou o Quadro, do pensamento clĆ”ssico e ao uso simultĆ¢neo de diferentes ordens desse tipo, que ocorre em modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes que usamos atualmente.

O modo como contamos aqui a história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’, cujo texto estĆ” no PrefĆ”cio do livro, depende da contextualização entre o PrefĆ”cio e o restante do livro, usando para essa contextualização fragmentos de textos do próprio livro.

Por favor veja antes o tópico 10 pontos de contextualização, o primeiro no slider maior na nossa pÔgina de entrada.

Nossa intenção é mostrar que essa conceituação de heterotopia coincide bastante bem com o sistema de categorias, ou o Quadro no pensamento clÔssico e com o conjunto desses sistemas usados simultaneamente em modelos que usamos hoje. Enfatizamos os problemas criados por esse entendimento do pensamento, como a possibilidade de uso simultâneo de múltiplas ordens com as consequências referidas pelo pequeno trecho PrefÔcio que destacamos.

E procuramos esclarecer o papel das Utopias na articulação do pensamento com o impensado em um modelo de operações para o pensamento moderno, no caminho da Construção de representações.

E mostramos como abrigar as entidades mencionadas por Foucault no PrefĆ”cio como as Utopias, os dois tipos de sintaxe envolvidos, os dois conceitos para ‘Classificar’ e para o que seja um ‘Verbo’, etc. sempre em uma estrutura consistente com o princĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, e tambĆ©m, olhando para o lado da prĆ”tica,Ā  com o modelo descritivo de operaƧƵes do Kanban e da Reengenharia.

a imagem que Foucault tinha na cabeƧa quando escreveu o PrefĆ”cio do ‘As palavras e as coisas”
estes são os elementos de imagem, ou as ideias que compõem a figura, uma operação no caminho da construção da representação, no pensamento moderno.

Temos a clara impressĆ£o de que ao escrever o PrefĆ”cio do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas” Michel Foucault tinha em mente todo o estudo em estilo de arqueologiadas ciĆŖncias humanas que desenvolveu. Por isso provavelmente o texto do PrefĆ”cio foi escrito depois de o livro estar pronto.

Esse texto permite uma imagem composta com as ideias, ou elementos de imagem que o compƵem.

Esta animação faz a proposta dessa imagem, ou de uma imagem que seja ema recodificação desse texto.

A figura abaixo dÔ acesso a uma paleta de ideias ou elementos de imagem para o modelo de operação no caminho da Construção da representação sob o pensamento filosófico moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Na nossa pÔgina de entrada encontram-se também as paletas do pensamento clÔssico, e para o moderno, no caminho do Instanciamento da representação.

Clicando na figura abre-se um popup.

Passando o mouse por sobre os elementos de imagem são apresentados os significados de cada um, o papel de cada um na imagem de conjunto.

10 pontos, excertos de texto de Foucault, que ajudam a contextualizar o texto do PrefƔcio.

Uma lista de 10 pontos, de autoria de Michel Foucault, encontrados no livro

‘As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’,

para ajudar na contextualização do que ele diz no PrefÔcio com o restante do livro, e entender melhor o próprio escopo do trabalho do autor, nesse livro.

Para cada um desses pontos incluĆ­mos uma animação que estabelece a ligação do conceito embutido no texto com a imagem respectiva em função do entendimento utilizado, apresentando a paleta de ideias – ou elementos de imagem, e seus relacionamentos.

Exemplos de modelos muito utilizados atualmente, construƭdos sob modos de entendimento das operaƧƵes (epistemes) diferentes

Exemplos antológicos, muito usados atualmente, construídos com modos de entendimento de operações diferentes:

  • modelos construĆ­dos sob a episteme do pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775:
    • para operaƧƵes

⇒ Modelo descritivo de operaƧƵes de produção devido a Elwood S. Buffa, organizado por uma (ou mais de uma como alerta Foucault) ordem arbitrĆ”riamente escolhida(s)

⇒ Modelo de operaƧƵes no sistema contĆ”bil-financeiro. (DĆ©bito/CrĆ©dito)

ambos organizados a partir de ordem(ns) arbitrariamente selecionadas tendo portanto como referencial a ordem pela ordem, princƭpios organizadores CarƔter e Similitude

    • para organizaƧƵes:

⇒ ModeloĀ  para uma organização tĆ­pica, adaptado de MĆ”rio Zilbovicius conforme referĆŖncia,Ā 

⇒ Modelo para uma organização no sistema contĆ”bil Financeiro: (Ativo, Passivo e PatrimĆ“nio LĆ­quido ou Resultado)Ā 

nos quais podemos ver claramente mĆŗltiplas ordens “ligeiramente diferentes” como sobre isso diz Foucault.

  • modelos construĆ­dos sob a episteme do pensamento moderno, o de depois de 1825:
    • para operaƧƵes

⇒ Modelo descritivo de operaƧƵes de produção do Kanban (formulação das operaƧƵes neste modelo como uma proposição com sujeito das operaƧƵes e predicado do sujeito, este composto por uma Forma de produção claramente indicada na figura, e com o atributo do sujeito, a empiricidade objeto da operação.Ā 

⇒ Modelo de operaƧƵes da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.

    • para organizaƧƵes:

⇒ Modelo descritivo de operaƧƵes de produção do Kanban: tambĆ©m organizado no formato de uma proposição, coisa que nĆ£o Ć© tĆ£o evidente Ć  primeira vista, mas que pode ser vista em animação especĆ­fica neste trabalho.

⇒ Modelo de operaƧƵes da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.

A dificuldade e a obrigação cujos atendimentos contribuiram para alongar o trabalho de Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’

Nesse fragmento de texto do inĆ­cio do Cap. VII – Os limites da representação; tópico I – As novas empiricidades, Foucault descreve quais tinham sido as duas maiores dificuldades em seu trabalho nesseĀ  livro. Diz ele que acaba de identificar, jĆ” entrando no final do seu trabalho, dois óbices:

  • uma dificuldade:

uma dominação do pensamento com o qual queiramos ou não pensamos, do nosso pensamento portanto, pela incapacidade de fundar as sínteses no espaço da representação, esta uma característica do pensamento que nos é contemporâneo em nossa cultura, por uma característica típica do pensamento clÔssico;

  • e uma obrigação:

a obrigação correlata de abrir o campo transcendental da subjetividade e de construir, para além do objeto, os quase-transcendentais da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

Quanto à dificuldade apontada, fundar as sínteses (entenda-se as sínteses da empiricidade objeto obtida pelo princípio organizador AnÔlise) coloca o objeto em posição central; e se atentarmos para a forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, junto com o objeto vem o sujeito,  

Durante todo o trabalho atĆ© aqui Foucault jĆ” havia lidado com modelos situados quanto a sua estrutura, AQUƉM do objeto, – incapazes de lidar com esse conceito a partir de propriedades sim-originais e sim-constitutivas; e tambĆ©m com modelos situados quanto a sua estrutura DIANTE do objeto, porque capazes de lidar com o objeto pelas suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

E estĆ” agora indo adiante e percebendo um novo segmento nesse espectro de modelos: o dos modelos para ALƉM do objeto, cujo modelo constituinte Ć© uma composição ponderada dos trĆŖs modelos constituintes das ciĆŖncias que habitam o eixo epistemológico fundamental mostrado no Triedro dos saberes, a saber, as ciĆŖncias

  • da Vida, (Biologia [função-norma]);
  • do Trabalho (Economia [conflito-regra]) e
  • da Linguagem (Filologia [significação-sistema]) .

Note que os modelos nessas três Ôreas pertencem ao segmento de modelos DIANTE do objeto; como o modelo constituinte das ciências humanas é uma combinação ponderada desses pares constituintes, vê-se que é necessÔrio compreender como são as operações organizadas pelos pares sujeito-objeto.

Veja isso nas animaƧƵes neste trabalho

funcionamento da operação no pensamento clÔssico, o de antes de 1775,
mostrado no LE da figura

Funcionamento da operação sob o entendimento do pensamento clÔssico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Este tipo de operaƧƵes consegue tratar somente propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas das coisas, e isso Ć© o mesmo que dizer que as coisas sĆ£o tratadas por “aparĆŖncias”, qualidades, adjetivos, ou por propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, ou por .

O homem – como Ćŗnico ser capaz de desempenhar dois papĆ©is:

  • estar na raiz e fundamento de toda positividade;
  • estar no elemento do que Ć© empĆ­rico;

não havia surgido ainda no pensamento.

A forma de reflexĆ£o em que estĆ” em questĆ£o o ser do homem nessa dimensĆ£o o pensamento segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula ainda nĆ£o havia surgido. Veja o ponto 11 deste tópico ‘Funcionamento’.Ā 

operação no caminho da Construção da representação,
no LD da figura, e no interior do
Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico

A animação que mostra a Forma de reflexão que se instaura, segundo Michel Foucault depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, com as seguintes palavras:

“Instaura-se uma forma de reflexĆ£o, bastante afastada do cartesianismo e da anĆ”lise kantiana, em que estĆ” em questĆ£o, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensĆ£o segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.”

refletida em um modelo de operação de Construção de representação para empiricidade objeto (uma coisa); veja As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap IX – o homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault

Aplicando a ideia da Forma de reflexão que se instaura em nosso pensamento a essa figura, vê-se que o circuito reversível ensinado por Vilém Flusser

Texto ⇔ Imagem ⇔ OcorrĆŖncia espacio-temporal

se fecha. O que, diga-se de passagem, não acontece quando a imagem corresponde à maioria dos modelos de operações que utilizamos.

A paleta de ideias ou elementos de imagem que compƵem essa figura:

  • o Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, as chaves verticais coloridas que delimitam um espaƧo parte pertencente ao domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua, parte pertencente ao domĆ­nio do Discurso e da Representação;
  • o impensado, a lĆ¢mpada amarela representando o operar atribuĆ­do a uma empiricidade ainda sem representação;
  • a empiricidade objeto ainda sem representação, representada por sua arquitetura, apenas;
  • ligando esses dois elementos de imagem, a relação de analogia;
  • a pequena figura amarela no meio da seta azul, o ser do homem, como veremos, na posição de sujeito de uma proposição enunciativa dessa operação;
  • a seta encurvada azul representando o compromisso do Observador, sujeito e demais interagentes com ele, em construir a representação para a empiricidade objeto, com um operar o mais próximo possĆ­vel do operar atribuĆ­do a ela;
  • a Forma de produção, o meio real encontrado para dar sustentação na experiĆŖncia levando em conta o Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua. A Forma de produção Ć© o elemento central desta formulação para a operação, e Ć© suportada por elementos de suporte na experiĆŖncia;
  • a representação objeto pronta e terminada depois da operação, no lado direito da seta azul encurvada;
  • Ć  esquerda, o conjunto de operaƧƵes de busca por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites, que lanƧando mĆ£o de todos os recursos de conhecimento disponĆ­veis, filosofia, ciĆŖncias, tecnologias, etc. tĆŖm por objetivo encontrar os elementos de suporte na experiĆŖncia da Forma de produção.
  • no LD parte inferior, a SucessĆ£o de analogias, ou o objeto anĆ”logo desenvolvido durante as operaƧƵes, com o conjunto relacionado de objetos anĆ”logos parciais ou componentes da representação em construção.

Nesta operação o modo de ser fundamental da empiricidade objeto muda – propriedades sim-originais e sim-constitutivas inexistentes antes da operação tornam-se disponĆ­veis depois dela. Com isso o modo com essa empiricidade objeto pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆ­veis Ć© alterado.

Tomando esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, ao final com sucesso dessa operação, – no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico e percorrendo o Caminho da Construção da representaçãoĀ  – faz-se história.

operação no pensamento moderno, depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação que transcorre no interior do Circuito das trocas

No LD da figura, pensamento moderno de depois de 1825, caminho do Instanciamento da representação.

Esse caminho só Ć© percorrido quando para o operar atribuĆ­do Ć  empiricidade objeto de uma operação, jĆ” exista, no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua, uma representação que ‘sirva’ a esse operar, ou em outras palavras uma representação cuja Forma de produção seja capaz de obter quando desencadeada no ambiente, operar semelhante a esse atribuĆ­do a essa empiricidade objeto.

Ao contrÔrio do caminho da Construção da representação, no qual o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação muda, no caminho do Instanciamento da representação não hÔ mudança no modo de ser fundamental da empiricidade objeto em instanciamento, que termina a operação no mesmo modo de ser fundamental no qual foi recuperada do repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.

Entenda como modo de ser fundamental da empiricidade com as palavras que Foucault usa para isso:

‘o modo como ele pode ser afirmada, posta, disposta
e repartida no espaƧo do saber
para eventuais conhecimentos, e para ciĆŖncias possĆ­veis.’

tempo na operação sob o pensamento clÔssico, no sistema Ipunt-Output, mostrando a sim-existência de um fator K que permite cÔlculo da inserção calendÔrio de um evento a partir da inserção calendÔrio do outro.

O elemento central das operaƧƵes no LE da figura, sob o pensamento clƔssico, Ʃ Processo.

Processo, como conjunto de aƧƵes, atividades, tasks, Ʃ da categoria dos verbos.

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma Ć© a coexistĆŖncia entre duas representaƧƵes: por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou a morte. Ɖ por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.”

(…) “Assim Ć© que o verbo ser teria essencialmente por função reportar toda linguagem Ć  representação que ele designa. O ser em direção ao qual ele transborda os signos nĆ£o Ć© nem mais nem menos que o ser do pensamento. Comparando a linguagem a um quadro, um gramĆ”tico do fim do sĆ©culo XVIII define os nomes como formas, os adjetivos como cores e o verbo como a própria tela onde elas aparecem.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas.
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo. de Michel Foucault.

A operação no LE da figura funciona sobre um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si – o sistema Input-Output, ou Entradas-SaĆ­das.

Toda a operação funciona com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas (esse sistema nĆ£o indica ‘aquele em que as coisas existiram no absoluto’ por absoluta falta de possibilidade de tratar as condiƧƵes para que as coisas existam no absoluto.

Com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, e deixando fora do escopo da operação a consideração dessas ‘coisas’ que passam a existir no absoluto, tudo Ć© pre-existente, todas as representaƧƵes sĆ£o prĆ©-existentes Ć  operação.

Como pré-existentes, suas propriedades não originais e não-constitutivas estão disponíveis antes da operação, tanto para o início desta, quanto para o seu final.

Logo, ao tempo da deflagração do evento de processo (i), com a disponibilidade das propriedades antes e depois da operação, é possível calcular a inserção no calendÔrio do outro evento, o (f).

E inversamente, para uma inserção calendÔrio arbitrÔria do evento (f), com a disponibilidade de todas as propriedades não-originais e não-constitutivas, é possível calcular a inserção calendÔrio do evento (i).

Então, existe um fator K que permite calcular a correspondente inserção calendÔrio de um evento (i), ou (f), a partir da inserção calendÔrio arbitrÔria do outro evento.

o tempo na operação de construção da representação da empiricidade objeto, LD da figura

A figura ao lado dÔ acesso a uma animação cuja principal característica, em termos de tempo na operação representada, é que ao contrÔrio da operação no LE da figura sob o pensamento clÔssico, aqui não existe um fator K que permita, a partir de propriedades da representação objeto da operação, e com a inserção calendÔrio de um dos eventos (i) ou (f), calcular a inserção do outro evento.

Isso acontece porque a operação de construção da representação transcorre em um tempo em que a representação objeto passa a existir no absoluto, jÔ que seu modo de ser fundamental nesse ambiente e com o repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua, muda. Em outras palavras, e usando o modo como Foucault se refere a isso, modo de ser fundamental é o que permite que a representação possa ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

“O limiar da linguagem estĆ” onde surge o verbo.
Ɖ preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, ao mesmo tempoĀ palavra entre as palavras, preso Ć s mesmas regras, obedecendo como elasĀ Ć s leis de regĆŖncia e de concordĆ¢ncia;Ā 

e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado mas aquela donde se fala. Ele estÔ na orla do discurso, na juntura entre aquilo que é dito e aquilo que se diz, exatamente lÔ onde os signos estão em via de se tomar linguagem.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas.
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo. de Michel Foucault.

Em termos dos tempos na operação de construção da representação:

  • antes da operação e com a inserção calendĆ”rio do evento (i), nĆ£o existem nem antes nem depois da operação, propriedades originais e constitutivas, nem as nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, as “aparĆŖncias”, com as quais calcular a inserção calendĆ”rio do evento (f) apenas porque a representação nĆ£o existe. O que temos em (i) Ć© apenas e tĆ£o somente a arquitetura vazia da representação cuja construção se inicia.
  • e depois da operação, sim, jĆ” existem todas as propriedades porque a representação para a empiricidade objeto acaba de ser criada. Mas o intervalo de tempo entre (i) e (f) nĆ£o depende de nada relacionado com a representação que acaba de ser criada, mas antes depende das buscas por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites, que nada tĆŖm a ver com a representação propriamente dita.

tempo na operação de instanciamento de representação jÔ existente no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua, que ocorre no interior do Circuito das trocas.

A figura dÔ acesso a uma animação para a operação de Instanciamento de uma representação jÔ existente no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.

Esse fato de que a operação de instanciamento instancia uma representação pré-existente no repositório é essencial porque durante o instanciamento não ocorre mudança no modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação. Ocorre uma mudança de estado, e não mudança no modo de ser fundamental dessa empiricidade objeto, isto é, ela continua a poder ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis exatamente do mesmo modo que estava no repositório.

Desse modo, tanto em (i) quanto em (f) pontos iniciais e finais da operação de instanciamento do objeto, existem todas as propriedades originais e constitutivas e também as não-originais e não-constitutivas, o que leva à possibilidade de que dada a inserção arbitrÔria de um evento, (i) ou (f), a inserção calendÔrio do outro evento pode ser calculada por um fator K.

No caminho do Instanciamento da representação da empiricidade objeto não hÔ alteração no modo de ser fundamental nesse ambiente e com esse Repositório.

Entenda modo de ser fundamental como aquilo a partir do que ela pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

o quadro clƔssico: a tela onde os elementos da linguagem aparecem.

Como diz Foucault abaixo, Processo é a própria janela onde as palavras aparecem. Diz ele:

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes: por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte; Ć© por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si. A coexistĆŖncia, com efeito, nĆ£o Ć© um atributo da própria coisa, mas tambĆ©m nĆ£o Ć© nada mais que uma forma de representação: dizer que o verde e a Ć”rvore coexistem Ć© dizer que estĆ£o ligados em todas ou na maioria das impressƵes que recebo.”

(…) “Assim Ć© que o verbo ser teria essencialmente por função reportar toda linguagem Ć  representação que ele designa. O ser em direção ao qual ele transborda os signos nĆ£o Ć© nem mais nem menos que o ser do pensamento. Comparando a linguagem a um quadro, um gramĆ”tico do fim do sĆ©culo XVIII define os nomes como formas, os adjetivos como cores e o verbo como a própria tela onde elas aparecem. Tela invisĆ­vel, inteiramente recoberta pelo brilho e o desenho das palavras, mas que fornece Ć  linguagem o lugar onde fazer valer sua pintura; o que o verbo designa Ć© finalmente o carĆ”ter representativo da linguagem, o fato de que ela tem seu lugar no pensamento e de que a Ćŗnica palavra capaz de transpor o limite dos signos e fundĆ”-Ios na verdade nĆ£o atinge jamais senĆ£o a própria representação.


De sorte que a função do verbo se acha identificada com o modo de existĆŖncia da linguagem, que ela percorre em toda a sua extensĆ£o: falar Ć©, ao mesmo tempo, representar por signos e conferir a signos uma forma sintĆ©tica comandada pelo verbo”

a sintaxe que autoriza a construção das frases e orienta a formação dos elementos componentes da representação na forma de objetos anÔlogoss

Nos modelos de operações sob o entendimento do pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 as frases, segundo os tipos de proposição possíveis, são:

  • proposição enunciativa: o enunciado do operar atribuĆ­do Ć  empiricidade objeto no formato de uma proposição enunciativa;
  • proposição explicativa: a seguir, ao serem obtidos os elementos de suporte na experiĆŖncia Ć  Forma de produção do operar atribuĆ­do Ć  empiricidade objeto, portanto com a explicação do operar atribuĆ­do Ć  empiricidade objeto na forma de uma proposição explicativa;
  • proposição instanciativa: e finalmente sĆ£o a proposição instanciativa, para uma representação da empiricidade objeto jĆ” existente no Repositório.

Nesses tipos de proposições as ideias ou elementos de imagem envolvidos são:

  • o sujeito da proposição Ć© o observador, ou o homem em seu papel de raiz e fundamento das positividades;
  • o predicado do sujeito, composto por:
    • verbo: a Forma de produção;
    • atributo: a representação da empiricidade objeto.

Vale a pena notar que essa formulação estabelece uma sorte de ordem única, que atravessa todo o modelo de operações.

a sintaxe que autoriza a manter juntas as palavras e as coisas: estabelecendo Sucessão entre componentes da representação, isto é, ou um ao mesmo tempo que outro; ou um ao lado do outro, logo depois do outro; os elementos componentes criados por analogia

O resultado de uma operação no caminho da Construção da representação é invariavelmente um objeto anÔlogo composto por elementos componentes, outros objetos anÔlogos. Praticamente não existe operação de construção de representação para empiricidade objeto ainda sem suporte na experiência em determinado ambiente e com um repositório existente, que se resolva com um único objeto anÔlogo, e como é sabido, o impensado, o não articulado, a visão nunca é representada ela própria.

A sintaxe que segundo Foucault autoriza a manter juntas ao lado e em frente umas das outras palavras e coisas é aquela que toma os resultados do princípio organizador Analogia, (os objetos anÔlogos tomados como componentes da representação em construção) e estabelece entre eles, usando o princípio organizador Sucessão, um sequenciamento estrutural lógico.

O resultado da ação desses dois princípios organizadores Analogia e Sucessão, com os métodos AnÔlise e Síntese, resultam sempre em uma estrutura hierÔrquica.

o homem em seus dois papƩis: raiz e fundamento de toda positividade e elemento do que Ʃ empƭrico, em posiƧƵes operacionais em distintas posiƧƵes estruturais no modelo de operaƧƵes

O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ”, ao mesmo tempo,

  • no fundamento de todas as positividades,
  • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada, no elemento das coisas empĆ­ricas.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico I. O triedro dos saberes

Dada a extrema diferença existente entre esses dois papéis, necessariamente ocupam lugares distintos na estrutura do modelo de operações, e a consideração desses dois papéis para o homem implica nessa mudança de estrutura na configuração do pensamento das operações.

visão global da operação no LE da figura,
pensamento clƔssico

Como dito, estamos utilizando como base a Figura 2 – Diagrama ontológico ou ainda Figura 2 – O Explicar e a ExperiĆŖncia, de autoria de Maturana em dois de seus livros (vide animaƧƵes no Ponto 1 adicional neste trabalho.

O pressuposto no LE da figura, (a existência precede a distinção). Todas as representações são pré-existentes, portanto todas as propriedades não-originais e não-constitutivas estão disponíveis e não estÔ no escopo desse tipo de operações o tratamento de coisas ainda não existentes e portanto a preocupação com propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

A operação ocorre em uma região do espaço orientada, chamada Volume de controle.

  • representação (a): considera-se um pacote de coisas agrupado por sua aparĆŖncia, ou por uma propriedade nĆ£o-original e nĆ£o-constitutiva, que se acerca do VC;
  • seleciona-se uma ordem arbitrariamente escolhida;
  • Ć© feita uma consulta a essa ordem arbitrĆ”ria procurando similitude entre o carĆ”ter das “aparĆŖncias” e uma das categorias dessa ordem arbitrĆ”ria;
  • representação (b): Ć© essa categoria que guarda similitude com o carĆ”ter das “aparĆŖncias”;
  • representação (r): Ć© a associação dessas duas representaƧƵes (a) e (b) anteriormente existentes, como ademais todas as outras nessa formulação de operação;
  • configuração de Processo: Processo Ć© configurado levando em conta “aparĆŖncias” e atividades, processos, tasks encontrados nessa categoria da ordem arbitrĆ”ria.
  • Instanciamento de (r): o evento (i) marca o desencadeamento de Processo configurado como acima;
  • propriedade emergente: Fluxo
  • lugar da operação: toda a operação no LE da figura transcorre no interior do Circuito das trocas.

OperaƧƵes formuladas no LE da figura ocorrem totalmente no interior do Circuito das trocas como sendo esse o lugar onde nĆ£o ocorrem mudanƧas no modo de ser fundamental da coisas. A bem dizer, nĆ£o hĆ” mesmo a possibilidade de tratar ‘empiricidades objeto’ por nĆ£o caber isso no escopo desse tipo de operaƧƵes.

São vistas como um processamento de informação, em uma única transformação.
A propriedade emergente Ć© Fluxo

visĆ£o global de uma operação no caminho da Construção da representação, LD da figura e no interior do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’

Uma visão global das operações, inicialmente no caminho da Construção da representação, no interior do Lugar de nascimento do que é empírico é a seguinte:

HƔ duas transformaƧƵes de mesmo sinal:

  • primeira transformação: pensamento nĆ£o articulado ⇒ pensamento sim-articulado;
    • pensamento nĆ£o-articulado Ć© a visĆ£o do operar atribuĆ­do Ć  empiricidade objeto, ainda sem sustentação na experiĆŖncia;
    • pensamento sim-articulado Ć© a representação pronta e acabada depois da operação de construção da representação.
  • segunda transformação: representação nĆ£o-existente ⇒ representação sim-existente;
    • representação nĆ£o-existente Ć© a arquitetura da representação, a forma vazia apenas com os dois domĆ­nios;
    • representação sim-existente Ć© a representação totalmente construĆ­da e adicionada ao Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua.

Vendo de um ponto de vista mais alto, essas duas transformações podem ser reduzidas a uma Conversão, de pensamento não articulado em representação, estabelecendo uma relação entre os domínios do Pensamento e da Língua e o do discurso e da Representação.

A propriedade emergente da operação no caminho da Construção da representação é Permanência, 

Ɖ permanĆŖncia da representação construĆ­da no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua. Trata-se de uma permanĆŖncia provisória, temporĆ”ria, atĆ© que novas razƵes determinem a reforma ou reformulação dessa representação.

Como vimos, Permanência como propriedade emergente estabelece o contrÔrio da propriedade emergente no LE da figura, que encontramos ser Fluxo.

visão global de uma operação de instanciamento de representação no LD da figura, mostrando duas transformações de sinais contrÔrios

Uma visão global das operações, desta feita no caminho do Instanciamento da representação, no interior do Circuito das trocas é a seguinte:

HƔ tambƩm aqui, duas transformaƧƵes, mas desta feita, de sinais contrƔrios:

  • primeira transformação: Indisponibilidade do objeto da operação ⇒ disponibilidade do objeto da operação;
    • Indisponibilidade do objeto da operação Ć© a situação encontrada logo após a recuperação da representação objeto do instanciamento a partir do repositório;
    • disponibilidade do objeto da operação Ć© a representação pronta e acabada depois da operação de Instanciamento da representação.
  • segunda transformação: disponibilidade de recursos ⇒ indisponibilidade de recursos;
    • disponibilidade de recursos, Ć© a situação de nĆ­veis de estoque recursos obtidos do ambiente no inĆ­cio da operação de instanciamento;
    • indisponibilidade de recursos Ć© a situação de nĆ­vel de estoque de recursos após a operação de instanciamento, denunciando que recursos viabilizadores dos elementos de suporte Ć  forma de produção foram consumidos.

Vendo de um ponto de vista mais alto, essas duas transformações podem ser reduzidas a uma Conversão, de Disponibilidade de recursos em Disponibilidade de objeto, estabelecendo tudo transcorrendo no interior do domínio do Discurso e da Representação.

A propriedade emergente da operação no caminho do Instanciamento da representação é novamente Fluxo. 

HĆ” dois fluxos:

  • fluxo de recursos de todos os tipos desde o ambiente para a Ć”rea em que ocorre a operação de Instanciamento, onde sĆ£o consumidos;
  • fluxo desde a Ć”rea onde ocorre a operação de instanciamento para o ambiente, efetivando trocas seguintes posteriores ao instanciamento, de objeto da operação de instanciamento.

Como vimos, Fluxo como propriedade emergente na operação de instanciamento no LD da figura é a mesma propriedade emergente no LE da figura, que encontramos ser Fluxo.

os dois conceitos diferentes para o que seja ‘Classificar’

HĆ” no ‘As palavras e as coisas’ dois conceitos para o que seja ‘Classificar’ que se ajustam perfeitamente bem um deles para o pensamento clĆ”ssico, e o outro para o pensamento moderno, a um tempo para o caminho da Construção da representação, e a segunda parte, para o caminho do Instanciamento da representação.

  • classificar para o pensamento clĆ”ssico:

“Referir o visĆ­vel a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.”;

  • classificar para o pensamento moderno,
    • no caminho da Construção da representação:Ā 

“serĆ”, num movimento que faz revolver a anĆ”lise,
reportar o visĆ­vel
ao invisĆ­vel,
como à sua razão profunda,

    • nos dois caminhos, o da Construção e do Instanciamento da representação:

depois alƧar de novo dessa secreta arquitetura
em direção aos seus sinais manifestos,
que são dados à superfície dos corpos.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas, Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres, de Michel Foucault

caracterƭsticas da estrutura do entendimento de operaƧƵes sob o pensamento clƔssico.

Características do entendimento de operações no pensamento clÔssico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775 a 1825:

  • referencial: a ordem pela ordem;
  • princĆ­pios organizadores:
    • carĆ”terĀ 
    • similitude
  • mĆ©todos:
    • identidade
    • semelhanƧa

características do entendimento de operações depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775-1825
o surgimento dos princípios organizadores Analogia e Sucessão no espaço de empiricidades que se forma.

Características do entendimento de operações no pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775 a 1825:

  • referencial: a Utopia;
  • princĆ­pios organizadores:
    • AnalogiaĀ 
    • SucessĆ£o
  • mĆ©todos:
    • AnĆ”lise
    • SĆ­ntese

“De sorte que se vĆŖem surgir, como princĆ­pios organizadores desse espaƧo de empiricidades, a Analogia e a SucessĆ£o: de uma organização a outra, o liame, com efeito, nĆ£o pode mais ser a identidade de um ou vĆ”rios elementos, mas a identidade da relação entre os elementos (onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel) e da função que asseguram; ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas num espaƧo de classificação, mas sim porque foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra no devir das sucessƵes.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap.Ā  VII – Os limites da representação; tópico: I – A idade da história

o segmento de modelos construƭdos AQUƉM do objeto
As objeƧƵes que Humberto Maturana fazia aos modelos que pesquisadores em AI do MIT faziam.
As propostas que Humberto Maturana fazia para corrigir o que reputava ser um erro dos pesquisadores em IA do MIT

Segmento do espectro de modelos situados AQUƉM do objeto pela colocação fora do escopo dessa formulação clĆ”ssica a ideia de objeto descrito por suas propriedades originais e constitutivas.

Restam propriedades que estĆ£o Ć  superfĆ­cie dos corpos, as nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas somente, as “aparĆŖncias” nome que a elas dĆ” Maturana.

As duas figuras abaixo mostram objeções e propostas que Maturana fazia para melhorar corrigindo, o que considerava um erro na modelagem de fenÓmenos biológicos.

segmento do espectro de modelos DIANTE do objeto

A animação que descreve as operações no LD da figura, no caminho da Construção da representação, destaca a intenção dessa formulação: a construção da nova representação para a empiricidade objeto.

Esse tipo de modelos que abrange a etapa da construção de representações são construídos, por óbvio, diante do objeto.

Modelos nesse segmento do espectro têm modelos constituintes conforme a Ôrea da região epistemológica fundamental:

  • modelos na ciĆŖncia da Vida (Biologia) [função-norma]
  • modelos na ciĆŖncia do Trabalho (Economia) [conflito-regra]
  • modelos na ciĆŖncia da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

segmento do espectro de modelos
para ALƉM do objeto

Modelos nesse segmento para além do objeto habitam o interior do Triedro do saber delineado por Miche Foucault, onde estão as ciências humanas.

Modelos nesse segmento do espectro têm modelos constituintes que são uma combinação ponderada dos modelos das ciências da região epistemológica fundamental:

  • modelos na ciĆŖncia da Vida (biologia) [função-norma]
  • modelos na ciĆŖncia do Trabalho (Economia) [conflito-regra]
  • modelos na ciĆŖncia da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

Note que no interior do Triedro dos saberes o modelo constituinte é uma composição dos três pares constituintes; a predominância de um deles sobre os outros acompanha o projetista de modelos em cada caso.

a forma de reflex]ao que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

A percepção feita por Michel Foucault de uma forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica por ele situada entre 1775 e 1825.

Trata-se de uma forma de reflexĆ£o ‘bastante afastada do cartesianismo e da anĆ”lise kantiana’ e que exatamente por isso configura uma descontinuidade epistemológica, ou seja, uma alteração profunda no entendimento neste caso, das operaƧƵes, mas muito mais amplo que isso.

Ɖ uma forma de reflexĆ£o organizada pelo par sujeito-objeto.

Veja a animação para certificar-se disso

o bloco padrão genérico fundamental para a construção de representações: a proposição

Proposição, é o bloco padrão fundamental genérico oferecido pela linguagem, para a construção de representações.

Diz Foucault sobre a proposição:

“A proposição Ć© para a linguagem
o que a representação é para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,

porquanto, desde que a decomponhamos,
não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.”

‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo
Michel Foucault

caracterƭsticas de caracterƭsticas ou caracterƭsticas de segunda ordem, do entendimento no pensamento clƔssico

Referencial, princípios organizadores e métodos no entendimento vigente no pelsamento de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825:

  • referencial: ordem pela ordem;
  • princĆ­pios organizadores: CarĆ”ter e Similitude;
  • mĆ©todos: identidade e semelhanƧa

caracterĆ­sticas de caracterĆ­sticas ou caracterĆ­sticas de segunda ordem do pensamento moderno

Referencial, princípios organizadores e métodos no entendimento vigente no pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825:

  • referencial: utopia;
  • princĆ­pios organizadores: Analogia e SucessĆ£o;
  • mĆ©todos: AnĆ”lise e SĆ­ntese.

o conceito de verbo no pensamento clÔssico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Veja esta conceituação de verbo feita por Foucault, indicando suas limitações, e apontando claramente para um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, quer dizer, apontando para o sistema Input-Output.

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo, a do verde

e da Ɣrvore,
a do homem
e da existĆŖncia ou da morte;
Ć© por isso que o
tempo dos verbos
não indica aquele
em que as coisas existiram no absoluto,

mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Michel Foucault
Ā 

Esse trecho indica com muita clareza que esse tipo de verbo funciona no sistema Entradas ⇒ SaĆ­das.

E indica que o tempo assinalado por esse tipo de verbo é um tempo calendÔrio, um tempo relativo no qual dado um evento (i) ou (f), é possível calcular correspondentemente o evento (f) ou (i) fazendo isso com propriedades existentes da representação.

E além disso, aponta para um outro tipo de tempo, um tempo absoluto, um tempo que assinala coisas que passaram a existir. Veja sobre isso o próximo tópico.

As operações que tenham esse tipo de verbo como elemento central são sempre reversíveis na etapa de formulação; todas as irreversibilidades aparecem durante o instanciamento que transcorre no interior do Circuito das trocas.

O tempo com esse tipo de verbo é relativo, um tempo calendÔrio. Existe um fator K tal que para uma dada inserção do evento (i), é possível calcular com propriedades da representação a inserção do evento (f) e vice-versa.

A propriedade emergente na operação que em esse tipo de verbo como elemento central é Fluxo; e toda a operação transcorre no interior do Circuito das trocas.

conceito de verbo para o pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Veja nesta citação de Foucault o conceito de verbo completamente distinto do anterior, agora não mais concebido em um sistema relativo com tempo relativo (calendÔrio) como no anterior, mas com um tempo absoluto ligado à mudanças no modo de ser fundamental das empiricidades, isto é, aquilo que permite que elas sejam afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para conhecimentos, e eventuais ciências possíveis.

“O limiar da linguagem
estĆ” onde surge o verbo.
E preciso, portanto,
tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo

palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
às leis de regência e de concordância;
e depois,
em recuo em relação a elas
todas,
numa região que não é aquela do falado
mas aquela donde se fala.
Ele
estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre aquilo que Ć© dito
e aquilo que se
diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tomar linguagem.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Michel Foucault

Veja a animação a que a figura ao lado dÔ acesso.

Ela propƵe um sentido para vƔrias coisas nesse trecho de Foucault:

  • e depois, em desnĆ­vel em relação a elas todas; mostramos o que seja esse desnĆ­vel em termos estruturais do modelo onde esse tipo de verbo estĆ” inserido e com referĆŖncias ao PrincĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo;
  • Ā o que significam ‘regiĆ£o do falado e regiĆ£o daquilo que Ć© dito, relacionado essas coisas aos domĆ­nios do Pensamento e da LĆ­ngua e do Discurso e da Representação;
  • onde fica a orla do discurso em termos do modelo de operaƧƵes;
  • porque, ao fim e ao cabo, esse tipo de verbo estĆ” ‘exatamente lĆ” onde os signos estĆ£o em via de se tornar linguagem’.

a sintaxe que autoriza a construção das frases

A sintaxe que autoriza a construção das frases no formato de proposições formuladas de acordo com as regras da linguagem em uso.

Na modelagem das operações temos três tipos de proposições

  • a proposição enunciativa

Ć© aquela proposição que inicia a operação de busca pela possibilidade de representar um certo operar atribuĆ­do Ć  empiricidade objeto da operação. Ɖ formulada quanto após uma consulta ao Repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua, a resposta a essa consulta Ć© negativa – o Repositório nĆ£o tem condiƧƵes de dar sustentação na experiĆŖncia a esse operar.

  • a proposição explicativa

é toda proposição cuja Forma de produção jÔ tem elementos de suporte na experiência ao operar atribuído à empiricidade objeto. Neste caso, a representação a esse nível, se nova for, é acrescentada ao Repositório.

  • a proposição instanciativa:

é toda proposição que jÔ existe no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua. Se o operar característico da Forma de produção dessa proposição for exigido em uma operação de obtenção de uma empiricidade objeto, serÔ parte da etapa de Instanciamento da empiricidade objeto. Durante essa etapa, o modo de ser fundamental da empiricidade objeto não muda.

a sintaxe que autoriza manter juntas palavras e coisas

Esta é a sintaxe que orienta a organização do objeto anÔlogo composto, uma composição organizada e logicamente ordenada de objetos anÔlogos que funcionam como elementos componentes na representação em construção.

o resultado da operação
de construção de representação nova
para empiricidade objeto
Ʃ sempre um objeto anƔlogo composto;

nunca uma operação de construção de representação tem como resultado
um objeto anƔlogo resultado
de uma única operação de analogia.

A decisĆ£o de desencadear operação como essa implica em enfrentar as impossibilidades de representação de um ‘operar’ qualquer dentre os atribuĆ­dos Ć  empiricidade objeto. Essas impossibilidades sĆ£o encaradas de frente.

A impossibilidade de representação de um qualquer desses atributos é submetida à anÔlise e com auxílio das operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites para cada um dos objetos anÔlogos criados pela anÔlise, são procurados e identificados,ou desenvolvidos os elementos de suporte na experiência respectivos.

O método Síntese relaciona logicamente os objetos anÔlogos compondo com eles a Sucessão de analogias que constituio objeto anÔlogo composto que resulta, via de regra, de toda operação de construção de representação.

o princƭpio monolƭtico de trabalho de Adam Smith, publicado no Riqueza das NaƧƵes, em 1776

O Princípio (monolítico) de trabalho de Adam Smith foi cunhado em 1776 sob a preocupação de medir a equivalência das mercadorias que passam pelo Circuito das trocas.

Toda a operação no pensamento clÔssico transcorre no interior do que Foucault chama de Circuito das trocas uma vez que a construção de representações novas para empiricidades objeto, ainda não representadas ou objeto de reformulação, estÔ fora do escopo do pensamento clÔssico.

Para Adam Smith o trabalho é analisÔvel em jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias necessÔrias à subsistência.

Mas Adam Smith deixa de considerar aquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisas, a construção de novas empiricidades objeto com especĆ­ficos ‘operar’. Isso só acontece em 1817, com David Ricardo e seu princĆ­pio dual de trabalho. (veja o ponto seguinte)

Usando Foucault para entender melhor isso, ele atribui ao homem a possibilidade de desempenhar dois papƩis:

  • ele estĆ” na raiz e fundamento de toda positividade;
  • e no elemento do que Ć© empĆ­rico.

o princípio monolítico de Adam Smith, ainda que não considere o homem nessa noção com que dele fala Foucault, que a seu tempo não havia sido inventado, mas cobre apenas o primeiro desses dois papéis.

o princĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817

O Princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817, cunhado sob a dupla preocupação de:

  • medir a equivalĆŖncia das mercadorias que passam pelo Circuito das trocas; e tambĆ©m,
  • modelar aquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisas;Ā 

As operaƧƵes no pensamento moderno transcorrem:

  • inicialmente no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, durante a a operação no caminho da Construção da representação;
  • e depois, no interior do que Foucault chama de Circuito das trocas uma vez que a construção de representaƧƵes para empiricidades objeto ainda nĆ£o representadas estĆ” dentro, e faz parte integrante do escopo do pensamento moderno.

Para Adam Smith o trabalho é analisÔvel em jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias necessÔrias à subsistência.

Mas Adam Smith deixa de considerar aquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisas, a construção de novas empiricidades objeto com especĆ­ficos ‘operar’.

Isso só acontece com David Ricardo. Veja a figura ao lado.

Usando Foucault para entender melhor isso, ele atribui ao homem a possibilidade de desempenhar dois papƩis:

  • ele estĆ” no elemento do que Ć© empĆ­rico;
  • e na raiz e fundamento de toda positividade

o princípio monolítico de Adam Smith, ainda que não considere o homem nessa noção com que dele fala Foucault, mas cobre apenas aspecto associÔvel ao primeiro desses dois papéis.

legenda aqui por favor

Considere os dois papƩis atribuƭdos ao homem:

  • raiz e fundamento de toda positividade;
  • elemento do que Ć© empĆ­rico.

e agora as duas acepƧƵes para trabalho:

  • medida da equivalĆŖncia entre as mercadorias que passam pelo circuito das trocas, podendo servir de unidade de medida de equivalĆŖncia entre todas as mercadorias;
  • trabalho como atividade de produção Ć© a origem do valor das coisas.Ā 

O princƭpio de trabalho de David Ricardo permite construir um modelo de operaƧƵes de todos os tipos que dƔ conta:

  • dos dois papĆ©is atribuĆ­dos ao homem abrindo espaƧo em sua estrutura para ideias ou elementos de imagem que modelem cada um desses dois papĆ©is;
  • e esse princĆ­pio de trabalho de David Ricardo dĆ” conta perfeitamente das duas acepƧƵes para o que seja trabalho, evidenciando separadamente
    • o Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico onde acontecem as operaƧƵes no caminho da Construção de representaƧƵes novas; trabalho como ‘atividade’ de produção;
    • e o Circuito das trocas, onde acontecem as operaƧƵes no caminho do Instanciamento de representação previamente existente no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua; trabalho como unidade de medida da equivalĆŖncia entre mercadorias que passam pelo Circuito das trocas.

diferenƧas entre Adam Smith e David Ricardo,
segundo Michel Foucault

Estas são as duas acepções para trabalho:

  • medida da equivalĆŖncia entre as mercadorias que passam pelo circuito das trocas, podendo servir de unidade de medida de equivalĆŖncia entre todas as mercadorias;
  • trabalho como atividade de produção Ć© a origem do valor das coisas.Ā 

A diferenƧa entre o Princƭpio Dual de trabalho de David Ricardo e o de Adam Smith Ʃ que

  • em Adam Smith só Ć© contemplada a acepção trabalho como medida da equivalĆŖncia de valor entre mercadorias;
  • em David Ricardo sĆ£o contempladas as duas acepƧƵes de trabalho acima mencionadas.

dois conceitos totalmente diferentes para o que seja ‘Classificar’

Tratando-se de modelagem de operações, nada mais fundamental e decisivo no resultado, o modelo, do que a função classificar utilizada.

Veja as diferenƧas:

  • no primeiro conceito

“Classificar Ć© referir
o visĆ­vel
a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.”

  • no segundo conceito

classificar serĆ”,
num movimento que faz revolver a anƔlise,
reportar o visĆ­vel
[desta feita] ao invisĆ­vel;
[a operação que tem lugar
no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
e ao longo do caminho da Construção da representação]

depois,
alƧar de novo dessa secreta arquitetura
em direção aos seus sinais manifestos,
que são dados à superfície dos corpos.
[o que tem lugar no caminho da Construção da representação interior do Lugar de nascimento do que é empírico e também no interior do caminho do Instanciamento da representação e no interior do Circuito das trocas]

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres; ponto 3

A animação Ć  qual a figura ao lado dĆ” acesso retrata bastante bem essas duas conceituaƧƵes para o que seja ‘Classificar’

legenda aqui por favor

Segmento do espectro de modelos construƭdos AQUƉM do objeto.

São modelos de operações que funcionam com propriedades não-originais e não-constitutivas do que se aproxima, atravessa uma região orientada do espaço onde ocorrem as operações ou permanece fora dessa região, mas sem a noção de objeto definido por propriedades originais constitutivas; ou ainda permanece dentro dessa região orientada, e finalmente sai dela voltando novamente para seu entorno

Na falta da noção de objeto, falta também a da empiricidade objeto de uma possível operação.

OperaƧƵes monitoram o fluxo de pacotes de coisas caracterizados por ‘aparĆŖncias’ ou uma propriedade nĆ£o-original e nĆ£o-constitutiva que regula a formação do pacote.

Nesse segmento a propriedade emergente das operaƧƵes Ʃ Fluxo.

segmento do espectro de modelos DIANTE do objeto

Nesse segmento modelos são construídos de modo a dar tratamento a propriedades sim-originais e sim-constitutivas, o que implica na organização do modelo pela noção de objeto e empiricidade objeto das operações, e do sujeito da operação.

A propriedade emergente é permanência (da representação nova construída) no Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.

Toda a operação transcorre:

  • Ā no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, e integra o caminho da Construção da representação.
    • dentro do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico hĆ” alteraƧƵes no modo de ser fundamental da empiricidade objeto, quer dizer, o modo como ela pode ser afirmada, posta, disposta, e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos, ou ciĆŖncias possĆ­veis. Eventos de objeto nesse lugar e caminho fazem história.
  • e tambĆ©m no interior do Caminho das trocas integrando o caminho do Instanciamento da representação.
    • no interior do Circuito das trocas, durante o caminho do Instanciamento da representação nĆ£o hĆ” alteração no modo de ser fundamental da empiricidade objeto, razĆ£o pela qual eventos de objeto nesse caminho nĆ£o fazem história.

segmento de modelos construƭdos para ALƉM do objeto

Ɖ o segmento de modelos que tĆŖm como modelo constituinte uma combinação dos modelos constituintes da regiĆ£o epistemológica fundamental:

  • Vida (Biologia) – função-norma;
  • Trabalho (Economia) – conflito-regra;
  • Linguagem (Filologia) – significação-sistema.

“Eis que nos adiantamos bem para alĆ©m
do acontecimento histórico que se impunha

situar – bem para alĆ©m das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo de certa maneira moderna de

conhecer as empiricidades.
Ɖ que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo
e com o qual,
queiramos ou não, pensamos,
se acha ainda muito dominado
pela impossibilidade,
trazida
Ơ luz por volta do fim do sƩculo XVIII,
de fundar as sínteses no espaço da representação
e pela obrigação correlativa, simultânea,
mas logo dividida contra si mesma,
de abrir o
campo transcendental da subjetividade
e de constituir inversamente,
para alƩm do objeto,

esses ā€œquase-transcendentaisā€ que sĆ£o para nós
a Vida,
o Trabalho,
a Linguagem

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncis humanas; Cap. VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades,
de Michel Foucault

Estes modelos habitam o interior do Triedro dos saberes, onde estĆ£o as ciĆŖncias humanas  – vide animação a respeito; e exigem a constituição, para ALƉM do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem habitantes da regiĆ£o epistemológica fundamental.

argumento visão SSS
o Argumento para a visão das operações na estrutura
SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica

HƔ vƔrios aspectos relacionados Ơ modelagem de operaƧƵes em organizaƧƵes:
Aqui a modelagem Ć© orientada pelo par sujeito-objeto.

Para esse par corresponde um modelo de operação, especialmente com alteração do objeto. Podemos ter um grande modelo com modelos de operações para objetos diferentes, mas um mesmo modelo tem apenas um objeto.

  • modelagem das operaƧƵes que terĆ£o como resultado um objeto esperado de interesse de determinado grupo;
  • modelagem do instrumento requerido para realizar no ambiente no qual as operaƧƵes acontecem nas organizaƧƵes.
  • detecção e monitoramento do Nexo da produção, isto Ć©, o modo como as operaƧƵes atendem aos grupos de interessados:
    • Clientes, os interessados no objeto esperado como resultado das operaƧƵes propriamente ditas;
    • Acionistas, o grupo que patrocina a obtenção do instrumento exigido para a obtenção desse objeto que interessa aos Clientes, tendo em vista outro objeto que dĆ” nexo Ć  produção, os Lucros, ou benefĆ­cios de qualquer natureza.

Construção da estrutura SSS envolvendo o par sujeito-objeto ‘produto’ cujo interessado sĆ£o os Clientes; e o par sujeito-objeto ‘Lucros” cujo interessado sĆ£o os Acionistas

A construção da estrutura SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica envolvendo objeto esperado das operaƧƵes, o instrumento capaz de obtĆŖ-lo na realidade do ambiente em que as operaƧƵes acontecem, e o Nexo da produção, que permite avaliar o resultado da simbiose e da sinergia delineando o Nexo da produção, com o objeto esperado pelo grupo de Acionistas.

mapa geral das operaƧƵes na estrutura SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica

Mapa geral das operaƧƵes que consideram simultaneamente o objeto esperado pelo grupo Clientes e o objeto esperado pelo grupo Acionistas.

Essa estrutura abre espaƧos especƭficos e bem determinados para Clientes e Acionistas.

Toda essa estrutura é organizada sob uma única ordem, a da Proposição, considerada por Michel Foucault como o elemento padrão elementar bÔsico e geral para a construção de representações.

Pensar na obtenção de qualquer coisa como resultado de operações incluindo o instrumento necessÔrio para a concretização no ambiente desse resultado corresponde a retirar um viés mÔgico de operações de obtenção do que quer que seja, sem pensar o instrumento.

O pensamento de VilƩm Flusser
em conexão com o de Michel Foucault

relação entre ciência, tecnologia e reflexão (filosofia)

Relação entre Ciência, Tecnologia e Reflexão (Filosofia)

No pensamento de Flusser, Ciência e Tecnologia são funções do estado da arte na Reflexão, ou na Filosofia. Havendo mudança no entendimento com relação a algo devida à reflexão (alteração filosófica) que altere a episteme, ou as características de características do modo como o pensamento é configurado, alterando portanto a paleta de ideias ou de elementos de imagem necessÔrias para a configuração, muda a ciência e mudam as tecnologias relacionadas às ciências.

Sendo a Tecnologia texto científico aplicado, e a Ciência, texto filosófico aplicado, em face de uma descontinuidade epistemológica, uma alteração profunda no modo como nos dispomos a entender e tratar as coisas do mundo, ciência e tecnologia precisam acompanhar essas mudanças.

o pensamento no cartesianismo

O pensamento no cartesianismo,
por VilƩm Flusser

Vilém Flusser descreve no cartesianismo sujeito e objeto em situação de oposição um em relação ao outro.

Veja na animação seguinte, no que VilĆ©m Flusser descreve como um ‘Salto para fora do cartesianismo’, a composição do par sujeito-objeto nĆ£o mais em situação de oposição mas em concurso.

um salto para fora do cartesianismo
a forma de reflexão que se instaura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
princĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817

Um salto para fora do cartesianismo:Ā 

no pensamento de VilƩm Flusser e no de Michel Foucault

A animação ao lado apresenta o que VilĆ©m Flusser chama de ‘um salto para fora do cartesianismo’.

Colocando as ideias ou elementos de imagem na figura construĆ­da com os conceitos de Flusser, vĆŖ-se que o que ele chama de ‘salto para fora do cartesianismo combina perfeitamente bem com a forma de reflexĆ£o cujo surgimento Michel Foucault anuncia no ‘As palavras e as coisas’, dizendo:

“Instaura-se uma forma de reflexĆ£o,
bastante afastada do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault

Fazendo a correspondĆŖncia entre o ‘impensado’ de Foucault e o ‘duvidoso’ de Flusser vĆŖ-se que a correspondĆŖncia das ideias nas duas paletas Ć© completa, e destas, com o PrincĆ­pio Dual de trabalho de David Ricardo, de 1817.

Veja em nossa pƔgina inicial a paleta de ideias ou elementos de imagem para o pensamento moderno para conferir cada uma dessas ideias postadas na figura e participando da estrutura de operaƧƵes.

visão global de operações do pensamento moderno no caminho da Construção da representação, LD da figura, e diferenças com a operação no LE, pensamento clÔssico

Visão global de operações sob o pensamento clÔssico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

  • visĆ£o de operaƧƵes sob o pensamento clĆ”ssico, no LE da figura;
    • uma Ćŗnica transformação de Entradas em SaĆ­das;
    • propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas descrevem a operação
    • propriedade emergente: Fluxo;
    • lugar de ocorrĆŖncia: Circuito das trocas,Ā 
    • sem alteração no modo de ser fundamental do que quer que seja.
visão global de operações do pensamento moderno no caminho da Construção da representação, LD da figura, e diferenças com a operação no LE, pensamento clÔssico

Visão global de operações sob o pensamento moderno nos dois caminhos: o da Construção da representação, LD da figura, e o do Instanciamento da representação; e diferenças entre essas operações

  • visĆ£o de operaƧƵes sob o pensamento moderno,Ā 
    no caminho da Construção da representação, LD da figura
    • duas transformaƧƵes a considerar:
      • no pensamento de: nĆ£o articulado ⇒ sim articulado;
      • na representação de: nĆ£o-existente ⇒ sim-existente;
    • resultando no total em uma conversĆ£o;
      • de impensado, ou pensamento nĆ£o-articulado ⇒ em representação para a empiricidade objeto.
  • propriedades sim-originais e sim-constitutivas descrevem a operação;
  • propriedade emergente LD caminho da Construção da representação:
    • permanĆŖncia da representação no repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua.
  • lugar de ocorrĆŖncia da operação: Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
  • o sucesso da operação no caminho da Construção da representação implica na alteração do modo de ser fundamental da empiricidade objeto nesse domĆ­nio e com esse repositório, quer dizer, altera-se o modo como essa empiricidade objeto da operação pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.”
visão global de operações do pensamento moderno no caminho do Instanciamento da representação, LD da figura, e semelhanças com a operação no LE, pensamento clÔssico
  • visĆ£o de operaƧƵes sob o pensamento moderno, caminho do Instanciamento da representação,LD da figura
    • tambĆ©m duas transformaƧƵes a considerar:
      • no objeto da operação: de indisponibilidade ⇒  disponibilidade ;
      • em recursos: de disponibilidade ⇒  indisponibilidade;
    • resultando no total em uma conversĆ£o;
      • de disponibilidade de recursos ⇒ disponibilidade do objeto instanciado.
  • propriedades sim-originais e sim-constitutivas descrevem a operação;
  • propriedade emergente LD caminho do Instanciamento da representação:
    • fluxo de recursos de toda ordem desde o ambiente para a Ć”rea em que acontece a operação.
    • fluxo de objeto disponĆ­vel desde a Ć”rea da operação para o ambiente
  • lugar de ocorrĆŖncia da operação: Circuito onde ocorrem as trocas
  • o sucesso da operação no caminho do Instanciamento da representação nĆ£o implica na alteração do modo de ser fundamental da empiricidade objeto nesse domĆ­nio e com esse repositório, quer dizer, nĆ£o se altera o modo como essa empiricidade objeto da operação pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.”; que serĆ” o mesmo com que a representação foi recuperada do repositório.

a sintaxe que autoriza
a construção das frases
  • a Primeira sintaxe:

a que autoriza a construção das frases;

Essa sintaxe funciona com as ideias ou elementos de imagem envolvidos na formulação da proposição ao longo das operações, sempre sob o pensamento moderno, LD da figura.

No pensamento de Foucault a proposição é o elemento fundamental genérico padrão fundamental para a construção de representações.

Diz Foucault:

“A proposição Ć© para a linguagem o que a representação Ć© para o pensamento: sua forma, ao mesmo tempo mais geral e mais elementar, porquanto, desde que a decomponhamos, nĆ£o reencontraremos mais o discurso, mas seus elementos como tantos materiais dispersos”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

HÔ três momentos diferentes para as proposições:

  • proposição enunciativa;
  • proposição explicativa;
  • proposição instanciativa.

(acesse a animação com a figura da esquerda, para ver as ideias e respectivos elementos de imagem controlados por essa sintaxe, todas no domínio do Pensamento e da Língua.)

a sintaxe que autoriza a manter juntas
as palavras e as coisas
  • a Segunda sintaxe:

a que autoriza a “manter juntos”, ao lado e em frente umas das outras, as palavras e as coisas.

(acesse a animação com a figura da direita para ver as ideias e respectivs elementos de imagem controlados por essa sintaxe, todas no domínio do Discurso e da Representação.)

Nota: esta sintaxe tem como resultado a organização em sua estrutura, do objeto anÔlogo composto no qual se constitui uma representação construída para uma empiricidade objeto nova. A estrutura desse objeto anÔlogo composto, formado por objetos anÔlogos componentes logicamente relacionados, é hierÔrquica.

Se o funcionamento desta segunda sintaxe fizer sentido para você, então, você concluirÔ necessariamente que estruturas hierÔrquicas são inerentes ao modo como operações no caminho da Construção de representações para empiricidades objeto novas funcionam.

o conceito de verbo para o pensamento clƔssico

♦ Os dois conceitos para o que seja um verbo, um para o pensamento de antes de 1775 e outro para o pensamento de depois de 1825

  • verbo no pensamento de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

A Ćŗnica coisa que o verboĀ afirma
é a coexistência de duas representações: por exemplo,
a do verdeĀ 
e da Ɣrvore,
a do homem
e da existĆŖncia ou da morte;
Ć© por isso que oĀ 
tempo dos verbos
não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, 
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade das coisasĀ 
entre si.”

As palavras e a coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Verbo com essa funcionalidade Ć© o elemento central do sistema de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si, em outras palavras, do Sistema Input-Output, o mais usado atualmente.

o conceito de verbo para o pensamento moderno, de depois de 1825
  • verbo no pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

“Ɖ preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso Ć s mesmas regras, obedecendo como elasĀ Ć s leis
de regência e de concordância;
e depois, em recuo em relação a elas todas,
numa região que não é aquela do falado
mas aquela donde se fala.
EleĀ estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que Ć© dito
e aquilo que seĀ diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tomar linguagem.”

As palavras e a coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

Veja também o Principio dual de trabalho de David Ricardo, para comparação das estruturas: a sugerida pela citação acima, e a do princípio de trabalho de Ricardo.

Ɖ muito claro que o uso de um ou de outro desses dois conceitos para o que seja um verbo durante o projeto e construção de um modelo de operaƧƵes de qualquer natureza terĆ” como resultado modelos completamente diferentes.

legenda aqui por favor

Operação sob o pensamento clÔssico,o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Veja a figura no LE (lado esquerdo): a existência precede a distinção.

Pressuposto: todas as coisas existem desde sempre e para sempre compondo o Universo, obra de Deus. A busca por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites estĆ” fora do escopo das operaƧƵes neste segmento que tem o rótulo ‘AQUƉM’ do objeto porque a noção de objeto descrito por esse tipo de propriedades estĆ” fora do escopo destas operaƧƵes.

Restam entĆ£o propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas,as “aparĆŖncias”.

Pelo pressuposto adotado todas as representações existem desde sempre, e assim, existem antes, e depois de toda operação.

Dessa forma, dada a inserção calendÔrio de um dos eventos (i) ou (f), com as propriedades existentes das representações selecionadas para a operação é possível calcular a inserção calendÔrio do outro evento (f) ou (i).

Esse Ʃ um tempo calendƔrio, um tempo dado por um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, cujo elemento central Ʃ Processo.

Operação sob o pensamento moderno, e no caminho da Construção da representação

Operação sob o pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 

Veja o LD (lado direito) da figura: a existência se constitui com a distinção, ou em outras palavras, a existência sucede a distinção.

A existência das coisas decorre de uma busca, empreendida pelo homem, raiz e fundamento de toda positividade, por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, para um pensamento não articulado, para o impensado, etc. etc. tomado como empiricidade objeto da operação.

O pensamento somente percorre o caminho da Construção da representação – veja a animação a que a figura dĆ” acesso – quando um certo ‘operar’ Ć© atribuĆ­do a essa empiricidade objeto da operação, e uma representação capaz de explicar na experiĆŖncia esse ‘operar’, esse modo de ser da empiricidade objeto escolhida, ainda nĆ£o existe em um Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da linguagem em uso no ambiente e domĆ­nio em que a operação ocorre.

Caso a consulta ao Repositório tenha resposta negativa (ainda nĆ£o existe representação para empiricidade objeto com o ‘operar’ atribuĆ­do) entĆ£o o pensamento desencadeia uma operação de Analogia que procura um objeto anĆ”logo Ć  empiricidade objeto com o ‘operar’ atribuĆ­do eĀ  prepara para a possĆ­vel representação uma arquitetura padrĆ£o e inteiramente vazia. NĆ£o existem propriedades originais e constitutivas, ou nĆ£o originais e nĆ£o constitutivas alĆ©m das próprias Ć  arquitetura.

São desencadeadas operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites estabelecidos pelo domínio e ambiente.Essas buscas lançam mão de todo o conhecimento disponível em todas as Ôreas, filosofia, ciências, tecnologias.

Pode acontecer que o objeto anÔlogo construído não seja ainda representÔvel; mas a julgamento do sujeito da operação, esse objeto anÔlogo pode ser considerado um caminho para uma possível representação.

Via de regra isso sempre acontece. Muito raramente uma representação é encontrada logo para o primeiro objeto anÔlogo construído.

EntĆ£o, o pensamento aplica a esse objeto anĆ”logo considerado como ‘caminho’ – resultado da aplicação do princĆ­pio organizador Analogia- o mĆ©todo AnĆ”lise que substitui esse objeto anĆ”logo nĆ£o representĆ”vel por um conjunto logicamente organizado de outros objetos anĆ”logos. Esse conjunto de objetos anĆ”logos formam um objeto anĆ”logo composto substitutivo ao objeto anĆ”logo inicial.

A aplicação do mĆ©todo SĆ­ntese garante o mesmo ‘operar’ entre o objeto anĆ”logo inicial e o objeto anĆ”logo composto.

A construção do objeto anÔlogo composto é orientada pelo princípio organizador Sucessão.

Com o sucesso da operação são encontrados os elementos de suporte na experiência à Forma de produção, o elemento central deste modelo de operações.

Essa determinação (seleção e ou desenvolvimento) de elementos de suporte na experiência da Forma de produção é feita para todos os objetos componentes do objeto anÔlogo composto.

Quando todos os objetos anĆ”logos componentes do objeto anĆ”logo composto forem identificados e selecionados, a representação para a empiricidade objeto com ‘operar’ aceitĆ”vel como sendo o ‘operar’ atribuĆ­do inicialmente, dentro de um critĆ©rio de aceitação, estĆ” pronta e Ć© incluĆ­da no Repositório onde permanece a tĆ­tulo precĆ”rio, atĆ© que uma outra representação para a mesma empiricidade objeto seja desenvolvida.

O tempo na operação com esse funcionamento

Ā 

operação no caminho do Instanciamento da representação

A operação de Instanciamento da representação acontece em duas situações:

  • ao final de uma operação de Construção da representação, por uma decisĆ£o do sujeito da operação de dar continuidade a ela;
  • em resposta a uma consulta ao Repositório, feita no inĆ­cio ou em qualquer ponto de uma operação em que seja atribuido Ć  empiricidade objeto da operação um certo ‘operar’.

Nesses dois casos a consulta ao repositório foi positiva no sentido de que jĆ” existe uma representação com ‘operar’ aceitĆ”vel tendo em vista o operar atribuĆ­do Ć  empiricidade objeto e um critĆ©rio de aceitação.

EntĆ£o, com essa resposta do repositório, o primeiro passo Ć© recuperar dele a representação nele existente cujo ‘operar’ serve ao ser comparado com o ‘operar’ atribuĆ­do.

DĆ”-se a recuperação desde o repositório, da representação completa que ‘serve’ para a operação de Instanciamento em curso.

Na posição estrutural do ponto (i) depois da recuperação da representação que ‘serve’, tempos todas as propriedades dessa representação. E isso vale tambĆ©m para a posição estrutural do evento (f). A representação jĆ” existia no repositório.

A operação se desenvolve desencadeando os elementos de suporte na experiência da(s) Forma(s) de produção necessÔrias à representação recuperada do repositório.

Toda a operação transcorre no interior do Circuito das trocas, uma vez que durante toda a operação de Instanciamento da representação nĆ£o acontecem alteraƧƵes no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto, mas tĆ£o somente alteraƧƵes no estado em que a empiricidade objeto se encontra.

Ā 

legenda aqui por favor

Por favor, veja o resumo das operações sob o pensamento moderno, no caminho da Construção da representação.

Ao tempo do evento (i) de inĆ­cio da operação de Construção da representação, após a consulta ao repositório com resposta negativa para a existĆŖncia de representação para essa empiricidade objeto com ‘operar’ semelhante aceitĆ”vel,Ā 
  • nĆ£o existem propriedades da representação em construção, sejam elas originais e constitutivas, ou nĆ£o.
  • a esse tempo do evento (i), por óbvio tambĆ©m nĆ£o existem as propriedades originais e constitutivas, ou nĆ£o, na posição estrutural da operação em que estĆ” o evento (f); isso ao contrĆ”rio do que ocorria na operação sob o pensamento clĆ”ssico.

Nessa situação nĆ£o existe a possibilidade de cĆ”lculo, com propriedades da representação, da inserção calendĆ”rio do evento (f) a partir da inserção calendĆ”rio do evento (i). NĆ£o existe um fator K que permita esse cĆ”lculo – com propriedades da representação.

Toda a operação de Construção da representação transcorre no interior do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’, o espaƧo compreendido pelos dois retĆ¢ngulos um vermelho e outro amarelo. Ɖ nesse espaƧo do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’ que ocorrem as mudanƧas no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto cuja representação estĆ” em construção.

Ao final da operação de Construção da representação, na posição estrutural do evento (f), e com o sucesso da operação, passaram a existir, como consequĆŖncia da operação, as propriedades originais e constitutivas da representação que acaba de ser construĆ­da, e tambĆ©m as outras propriedades, as nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, ou as “aparĆŖncias”.

Veja que a inserção calendÔrio do evento (f) que assinala o final da operação de Construção da representação não depende dos tempos de desencadeamento dos elementos de suporte na experiência da Forma de produção, porque esses elementos foram identificados, selecionados e quando necessÔrio desenvolvidos, mas somente atribuídos à Forma de produção e não desencadeados.

O intervalo de tempo entre (i) e (f) nessa operação de construção da representação depende das operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites; e essas operações não fazem parte da representação em construção, mas da operação de Construção da representação.

Assim, com propriedades da representação em construção, essas que acabam de ser obtidas com o sucesso da operação, não é possível calcular a inserção calendÔrio do evento (i) a partir da inserção calendÔrio do evento (f) (ao contrÔrio do que ocorria sob o pensamento clÔssico.

Esse tempo dos eventos (i) e (f) Ć© um tempo absoluto, aquele tempo em que as coisas existiram no absoluto como diz Foucault.

Não existe, então, um fator K que permita o cÔlculo da inserção calendÔrio de um evento a partir da inserção calendÔrio do outro, novamente ao contrÔrio do que acontecia sob o pensamento clÔssico.

A propriedade emergente para esta operação de Construção da representação é Permanência da representação construída no repositório de proposições explicativas formuladas em conformidade com as regras da língua. Uma permanência precÔria e temporÔria, mas permanência.

Na operação de Construção da representação não hÔ Fluxos. 

Ā 

legenda aqui por favor

Durante uma operação sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, ‘operar'(es) sĆ£o atribuĆ­dos a empiricidades objeto ou objetos anĆ”logos componentes de representaƧƵes em construção para empiricidades objeto.

Uma consulta é feita ao repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua em uso.

A operação só deriva para o caminho do Instanciamento da representação caso essa consulta tenha resposta afirmativa: sim, jÔ existe no repositório representação (com suporte na experiência, portanto) para o operar em questão em dado ponto da operação.

A representação com suporte na experiência é então recuperada do repositório jÔ completa, com todas as suas propriedades sejam ou não originais e constitutivas.

Nessa situação, na posição estrutural do evento (i) de inicio da operação de Instanciamento, existem todas as propriedades da representação em instanciamento; essas propriedades quando na posição de (i) também existem na posição de (f).

Então, dada a inserção calendÔrio do evento (i), é possível calcular, com propriedades da representação, a inserção calendÔrio do evento (f).

E com o sucesso da operação de instanciamento, na posição calendÔrio do evento (f), e com propriedades da representação em instanciamento, e possível calcular a posição calendÔrio do evento (i).

Logo, existe um fator K tal que dada a inserção calendÔrio de um evento (i) ou (f), é possível calcular a posição calendÔrio do outro evento (f) ou (i).

Toda a operação de instanciamento transcorre no Circuito das trocas no interior do qual nĆ£o hĆ” alteração no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação.

Note que o intervalo de tempo entre (I) e (f) no caminho do Instanciamento da representação é função direta dos tempos dos elementos de suporte na experiência da Forma de produção.

os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’;
um para o pensamento clƔssico, e outro para o pensamento moderno

♦ Os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’, um para o pensamento de antes de 1775 e outro para o pensamento de depois de 1825

“Classificar, portanto,

  • conceito consistente com o pensamento clĆ”ssico

não serÔ mais referir o visível a si mesmo, encarregando
um de seus elementos de representar os outros;

  • conceito consistente com o pensamento moderno

serÔ, num movimento que faz revolver a anÔlise, reportar o visível ao invisível, como à sua razão profunda, depois alçar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que são dados à superfície dos corpos.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

Ɖ muito claro que o uso de um ou de outro desses dois conceitos para Classificar durante o projeto e construção de um modelo de operaƧƵes de qualquer natureza terĆ” como resultado modelos completamente diferentes.

legenda aqui por favor

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papĆ©is: estĆ”, ao mesmo tempo,

  • no fundamento de todas asĀ  positividades,
  • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada, no elemento das coisas empĆ­ricas.

Esse fato – e nĆ£o se trata aĆ­ da essĆŖncia em geral do homem, mas pura e simplesmente desse a priori histórico que, desde o sĆ©culo XIX, serve de solo quase evidente ao nosso pensamento – esse fato Ć©, sem dĆŗvida, decisivo para o estatuto a ser dado Ć s ā€œciĆŖncias humanasā€, a esse corpo de conhecimentos (mas mesmo esta palavra Ć© talvez demasiado forte: digamos, para sermos mais neutros ainda, a esse conjunto de discursos) que toma por objeto o homem no que ele tem de empĆ­rico.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico: I. O Triedro dos saberes

A figura ao lado dÔ acesso a uma animação que mostra a ideia desses dois papéis na estrutura da operação, com os respectivos elementos de imagem.

A relação entre os modelos constituintes das ciências que compõem o eixo epistemológico fundamental e o modelo constituinte composto de qualquer Ciência humana

O EspaƧo Geral do Saber moderno: o Triedro dos saberes

o modelo das ciêncis humanas, uma composição dos pares constituintes das ciências da Vida (Biologia) do Trabalho (Economia) da Linguagem (Filosogia)

A referĆŖncia Ć© “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas;
tópico I – O Triedro dos saberes.”

Nesse capítulo estÔ uma orientação sobre como pensar as coisas a partir dos pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

Ɖ evidente que Ć© muito mais fĆ”cil pensar um modelo do segmento DIANTE do objeto em que esteja em questĆ£o, por exemplo, o trabalho, no domĆ­nio da Economia, pensando a partir do respectivo par constituinte (conflito-regra); ou mesmo um modelo no domĆ­nio da Biologia pelo respectivo par constituinte (função-norma).

E a familiaridade do pensamento com tais pares constituintes abre o caminho para pensar modelos em que o modelo constituinte é uma combinação dos três pares constituintes.

Para Michel Foucault os modelos constituintes de modelos que integram esses pares constituintes sĆ£o como que “categorias” para as ciĆŖncias humanas

O modelo constituinte composto padrão para as Ciências humanas:
uma composição dos pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem

o modelo das ciêncis humanas, uma composição dos pares constituintes das ciências da Vida (Biologia) do Trabalho (Economia) da Linguagem (Filosogia)
modelos de CH com maior destaque ao par constituinte da Linguagem.

A referĆŖncia Ć© “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico III – os trĆŖs modelos.”

Nesse capítulo estÔ uma orientação sobre como pensar as coisas a partir dos pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

Ɖ evidente que Ć© muito mais fĆ”cil pensar um modelo do segmento DIANTE do objeto em que esteja em questĆ£o, por exemplo, o trabalho, no domĆ­nio da Economia, pensando a partir do respectivo par constituinte (conflito-regra); ou mesmo um modelo no domĆ­nio da Biologia pelo respectivo par constituinte (função-norma).

E a familiaridade do pensamento com tais pares constituintes abre o caminho para pensar modelos em que o modelo constituinte é uma combinação dos três pares constituintes.

Para Michel Foucault os modelos constituintes de modelos que integram esses pares constituintes sĆ£o como que “categorias” para as ciĆŖncias humanas

O espectro de modelos segundo sua relação com o par sujeito-objeto

O espectro de modelos com os segmentos
AQUƉM, DIANTE e para ALƉM do objeto
em função da relação modelo X objeto
– espectro esse depreendido do pensamento de Michel Foucault,

relação modelos constituintes 
das CH X modelos constituinte das ciências da região epistemológica fundamental

modelos sem espaço para o par sujeito-objeto, 

modelos com espaƧo para o par sujeito-objeto

O arranjo dos modelos em um espectro segundo sua relação com o objeto (e com o sujeito)

segmento de modelos construƭdos AQUƉM do objeto
segmento de modelos construĆ­dos DIANTE do objeto
segmento de modelos construƭdos para ALƈM do objeto
relação Eixo epistemológico fundamental x modelos constituintes Ciência Humana

Indo da esquerda para a direita nas quatro figuras acima,

  • nos modelos sem espaƧo para o objeto (e para o sujeito), na figura mais Ć  esquerda podemos ter modelos com inĆŗmeros sistemas de categorias e com um nĆŗmero qualquer de categorias no total entre todos os sistemas de categorias usados.
  • nos modelos com espaƧo para o par sujeito-objeto na modelagem de operaƧƵes, hĆ” uma ordem Ćŗnica dada pela gramĆ”tica da lĆ­ngua utilizada, e as categorias principais sĆ£o as do bloco padrĆ£o fundamental genĆ©rico para construção de representaƧƵes, a proposição. Modelo organizado pelo par sujeito-objeto.
  • e nos modelos que habitam o interior do Triedro dos saberes, concebidos como diz Foucault ‘para alĆ©m do objeto’, os modelos das CiĆŖncias humanas, voltamos a ter “categorias“, os modelos constituintes que integram os pares constituintes da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

o funcionamento das operaƧƵes em cada um desses espectros de modelos

modelos sem espaƧo para o objeto, e tambƩm para o sujeito

modelos com espaƧo para o objeto, e para o sujeito

operação no pensamento clÔssico
o de antes de 1775, que transcorre
no interior do Circuito das trocas
operação no pensamento moderno, depois de 1825, no caminho da Construção da representação que transcorre no interior do Lugar de nascimento do que é empírico
operação no pensamento moderno, depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação que transcorre no interior do Circuito das trocas

lugar das operaƧƵes em cada segmento e caminho percorrido pelas operaƧƵes.

operaƧƵes ocorrem no interior do

Circuito das trocas,

lugar onde o modo de ser fundamental do que quer que seja objeto da operação, não muda.

operaƧƵes ocorrem no interior do

Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico,

lugar onde o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação muda.

operaƧƵes ocorrem no interior do

Circuito das trocas,

uma vez que o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação não se altera.

Note que a organização de todo o espectro de modelos de operaƧƵes Ć© tambĆ©m função do conceito ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto’, ou história, se entendido com o sentido de elemento organizador da história que Michel Foucault dĆ” a ele.

Isso porque Ć© a possibilidade ou nĆ£o de mudanƧa no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto o que define o lugar onde a operação ocorre:

modo de ser fundamental Ć© aquilo a partir de que
a empiricidade objeto pode ser afirmada, posta, disposta
e repartida no espaƧo do saber
para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.Ā Ā 

Veja o que Foucault diz sobre esse conceito:

“Mas vĆŖ-se bem que a História nĆ£o deve ser aqui entendidaĀ como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆ­ram; ela Ć© o
modo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elasĀ sĆ£o afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber paraĀ eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis. Assim como a Ordem noĀ pensamento clĆ”ssico nĆ£o era a harmonia visĆ­vel das coisas, seu ajustamento,Ā sua regularidade ou sua simetria constatados, mas o espaƧo próprio deĀ seu ser e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabeleciaĀ no saber, assim tambĆ©m a História, a partir do sĆ©culo XIX, define o lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, lugar onde, aquĆ©m de toda cronologiaĀ estabelecida, ele assume o ser que lhe Ć© próprio.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VII – Os limites da representação; tópico I. A idade da história;Ā 

relação Eixo epistemológico fundamental x modelos constituintes Ciência Humana
o funcionamento dos modelos sob o entendimento clĆ”ssico, antes de 1775, segmento AQUƉM do objeto
a forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
o funcionamento dos modelos sob o entendimento moderno, depois de 1825, segmentos DIANTE e para ALƉM do objeto

Modelos altamente complexos como são os habitantes do espaço interior do Triedro dos saberes como os da Sociologia, da Psicologia, da Política, ou da AnÔlise da produção têm sido analisados sem antes ter a familiaridade com modelos no segmento DIANTE do objeto pertencentes aos domínios das ciências da região epistemológica fundamental, levando em conta os pares de modelos constituintes das ciências:

  • da Vida (Biologia)
    par constituinte [função-norma]
  • do Trabalho (Economia)
    par constituinte [conflito-regra]
  • e da Linguagem (Filologia)
    par constituinte [significação-sistema];

E podemos mostrar que, em muitos casos, essa anĆ”lise tem sido feita tendo como paradigma para o que sejam operaƧƵes o paradigma de modelos do segmento AQUƉM do objeto. Ɖ que quando o alinhamento filosófico Ć© deixado de lado, o nosso pensamento funciona com o entendimento com o qual estĆ” configurado desde sempre e de modo pouco consciente.

Isso quando acontece, corresponde a um evidente desalinhamento epistemológico e certamente não produz bons resultados.

A forma de reflexão adotada na anÔlise desses modelos das ciências humanas precisa ser:

“Instaura-se uma forma de reflexĆ£o,
bastante afastada do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault

Note que essa forma de reflexão só se sustenta pelo par sujeito-objeto; note ainda que uma grande parte dos modelos de operações atualmente em uso não têm espaço em suas estruturas para essas duas ideias, ou elementos de imagem. Isso tem como resultado que o projetista de modelos usando a forma de reflexão do pensamento clÔssico, acaba por introduzir outras ordens além da ordem arbitrÔria selecionada, o que diminui a qualidade de informação que o modelo sendo projetado pode oferecer.

o PrincĆ­pio monolĆ­tico de trabalho
de Adam Smith, de 1776
a importância de David Ricardo
segundo Michel Foucault
exemplos ilustrativos mostrando modelos muito utilizados atualmente
o PrincĆ­pio dual de trabalho
de David Ricardo, de 1817
as diferenƧas entre Smith e Ricardo,
segundo Michel Foucault

Em resumo, o conceito do que seja ‘trabalho’:

  • como visto por David Ricardo, com dois componentes:
    • essa forƧa, esse esforƧo, esse tempo do operĆ”rio que se compram e se vendem, (um trabalho que pode ser reduzido a jornadas de subsistĆŖncia e pode servir de unidade comum de valor entre todas as mercadorias);
    • e essa atividade que estĆ” na origem do valor da coisas: (trabalho agora visto como atividade de produção e origem do valor das coisas).
  • como visto por Adam Smith, com apenas um componente (o conceito Ć© monolĆ­tico)
    • essa forƧa, esse esforƧo, esse tempo do operĆ”rio que se compram e se vendem, (um trabalho que pode ser reduzido a jornadas de subsistĆŖncia e pode servir de unidade comum de valor entre todas as mercadorias);
      (colocado por Adam Smith  pela capacidade que ele via de o trabalho ser analisÔvel em jornadas de subsistência podendo portanto servir de unidade comum a todas as outras mercadorias.) 

isto Ć©, o conceito somente contempla o primeiro dos componentes incluĆ­dos no conceito de Ricardo.

A reforma de previdĆŖncia trata:

  • quem vende e vendeu durante sua vida Ćŗtil de trabalho, sua forƧa, seu esforƧo, seu tempo, a quem o quis comprar, sem ligação permanente com as atividades de produção das quais participou, e que estiveram na origem do valor das coisas, e com os empresĆ”rios que as controlam.
  • mas deixa de fora exatamente os empresĆ”rios, aqueles que quiseram comprar o trabalho que os que se aposentamĀ  venderam durante toda a vida; os controladores das unidades de produção, ou melhor, das atividades de produção que estĆ£o na origem do valor das coisas, estes, parece que estĆ£o de fora dos ajustes a serem feitos pela reforma da previdĆŖncia.

A figura ao lado mostra alguns modelos para operaƧƵes, e para organizaƧƵes, inclusive:

  • o modelo de operaƧƵes de Elwood S. Buffa;
  • o modelo de organizaƧƵes adaptado de M. Zilbovicius;
  • o modelo de operaƧƵes do Kanban;
  • o modelo de organização da Reengenharia;
  • o modelo de operaƧƵes DĆ©bito/CrĆ©dito;
  • o modelo para organizaƧƵes Ativo/Passivo e Resultado.

mostrando que nos modelos consistentes com o pensamento moderno os dois componentes do Princípio dual de trabalho de David Ricardo estão imbricados.

200px-JohnLocke
John Locke, 1632-1704, empirismo
AdamSmith
Adam Smith, 1723-1790
_David Ricardo
David Ricardo,
1772-1823
_CronologiaDescEpistemologica
Cronologia bÔsica da descontinuidade epistemológica
de 1775-1825

Referências sobre fundamentos filosóficos do Liberalismo

  • John Locke, 1632-1704 Ć© considerado por muitos como o inspirador do Liberalismo.
  • NĆ£o Ć© difĆ­cil encontrar tambĆ©m Adam Smith como base filosófica do Liberalismo.
  • hĆ” ainda outras citaƧƵes que mencionam DavidĀ Hume,Ā AdamĀ Smith,Ā DavidĀ Ricardo,Ā JeremyĀ BenthamĀ eĀ WilhelmĀ Humbolt e outros, como sendo os principais autores do liberalismo clĆ”ssico.

As obras de Locke como filósofo são da segunda metade do século XVII, e entre elas e o Riqueza das Nações de Adam Smith hÔ algo como um século.

O aviso da alteração no entendimento (episteme) em nossa cultura

Falando sobre a descontinuidade epistemológica em nossa cultura, situada por ele entre 1775 e 1825, Michel Foucault diz o seguinte:

“Os Ćŗltimos anos do sĆ©culo XVIII sĆ£o rompidos por uma descontinuidade simĆ©trica Ć quela que, no comeƧo do sĆ©culo XVII, cindira o pensamento do Renascimento; entĆ£o, as grandes figuras circulares em que se encerrava a similitude tinham-se deslocado e aberto para que o quadro das identidades pudesse desdobrar-se; e esse quadro agora vai por sua vez desfazer-se, alojando-se o saber num espaƧo novo.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; cap. VII – Os limites da representação; tópico I. AĀ  idade da história

O relato das dificuldades e dos problemas encontrados

Discorrendo sobre os achados e as dificuldades que enfrentou ao longo do trabalho nesse livro, Foucault diz o seguinte:

“Eis que nos adiantamosĀ bem para alĆ©m do acontecimento histórico que se impunha situar – bem para alĆ©m das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade, a epistĆ©mĆŖ do mundo ocidentalĀ e isola para nós o comeƧo de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.Ā 

Ɖ que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo e com o qual, queiramos ou nĆ£o, pensamos, se acha ainda muito dominado

  • pela impossibilidade, trazida Ć  luz por volta do fim do sĆ©culo XVIII, de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representaçãoĀ 
  • e pela obrigação correlativa, simultĆ¢nea, mas logo dividida contra si mesma, de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir inversamente, para alĆ©m do objeto, esses ā€œquase-transcendentaisā€ que sĆ£o para nós a Vida, o Trabalho, a Linguagem.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. VII – As novas empiricidades; tópico I – A idade da história

As diferenƧas entre Adam Smith e David Ricardo e respectivas inserƧƵes no pensamento

Examinando a cronologia bÔsica da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, vê-se que Adam Smith e David Ricardo estão de lados opostos da fase de ruptura dessa descontinuidade no entendimento do mundo e das coisas. 

HÔ, entre esses dois autores, diferenças profundas no entendimento, por exemplo, do que seja trabalho. 

Vendo agora o período de vida de Locke, todo ele durante o século XVII com publicações concentradas na segunda metade, vê-se a distância em tempo existente entre o pensamento dele e o de Ricardo. 

A principal diferenƧa especificamente entre Adam Smith e David Ricardo – no pensamento de Michel Foucault – Ć© a capacidade de Ricardo em seu princĆ­pio dual de trabalho, de dar conta daquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisas. VocĆŖ pode ver a importĆ¢ncia de David Ricardo e pode ver tambĆ©m as diferenƧas entre os pensamentos dele e de Adam Smith, nas palavras de Michel Foucault.

Mas no que respeita aos entendimentos de antes e de depois desse evento, Foucault descreve vƔrias outras diferenƧas entre as quais destaco:

Usando o pensamento de Foucault, e entendendo essas caracterĆ­sticas dos dois pensamentos, quem cita Adam Smith e David Ricardo como referĆŖncias do Liberalismo certamente nĆ£o fez um alinhamento filosófico do modo como pensa. E uma doutrinaĀ  econĆ“mica que tome como base um e outro desses autores, com certeza resultarĆ” em ‘ismos’ essencialmente diferentes.

loperação no pensamento clÔssico,
o de antes de 1775
operação no pensamento moderno, o de depois de 1825,
no caminho da construção da representação
operação no pensamento moderno, o de depois de 1825,
no caminho do Instanciamento da representação

Discursos de economistas – anĆ”lises conjunturais, tendĆŖncias, tĆŖm como objeto operaƧƵes no campo da economia.

Ɖ possƭvel dizer coisa semelhante para o que dizem cientistas polƭticos.

Mas com que modelo de operações esses discursos são proferidos. E nesses modelos, em que espaço exatamente estão as operações objeto desses discursos.

modelo relacional de banco de dados do sistema dedicado a gestão de projetos Microsoft Project 4.0
modelo relacional do Open Plan Professional, mostrando entendimento semelhante ao do MS Project 4.0

Modelo relacional de banco de dados dos SDGP’s – Sistemas Dedicados a GestĆ£o de Projetos

Esse modelo relacional tem como elemento central Projeto, (atividade, tasks), o mesmo modelo central dos sistemas baseados na estrutura Input-Output.

Processo, nessa posição estrutural, é um verbo do tipo clÔssico. Veja a funcionalidade desse tipo de verbo aqui.

legenda aqui por favor

Usando a função de ler e escrever de e para um banco de dados, criamos em um banco de dados:

  • ADM – uma lista de sujeitos – autonomias gerenciais – sobre operaƧƵes;
  • VRB – uma coleção de Formas de produção cada uma com um conjunto logicamente organizado de processos;
  • EAN – uma coleção de SucessƵes de analogias, ou objetos anĆ”logos componentes de objetos cuja operação de obtenção se pretende gerenciar.

O aplicativo permite construir a operação de instanciamento de um objeto anteriormente projetado. O operador seleciona o elemento componente da estrutura analítica, e associa a ele a Forma de produção capaz de executÔ-lo naquele ambiente, e a autonomia gerencial que terÔ isso a seu cargo.

A geração do modelo de operações é automÔtico e rigorosamente construído levando em conta as regras gramaticais que têm a Forma de produção como elemento central. Veja a funcionalidade desse tipo de verbo aqui.

Proposição

QUEM

exemplo de estrutura administrativa ou coleção de autonomias gerenciais

Exemplo de uma estrutura administrativa, ou coleção de autonomias gerenciais, sujeitos das operações que se pretende gerenciar.

COMO

exemplo de Forma de produção em banco de dados

Exemplo de Forma de produção presente no repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua. HĆ” uma Forma de produção semelhante para cada uma das linhas da EAN – Estrutura AnalĆ­tica cujo modelo de operação se deseja gerar.

O QUE

exemplo de coleção de componentes, ou estrutura analítica

Exemplo de uma Sucessão de analogias, uma coleção logicamente estruturada de elementos anÔlogos componentes do objeto cuja operação de instanciamento se pretende gerenciar.

exemplo do modelo de instanciamento do objeto estruturado pelo aplicativo

O modelo da operação de instanciamento do objeto cuja EAN – Estrutura AnalĆ­tica escolhemos no lado esquerdo da tela central do aplicativo.

o objeto de demonstração:
um Cogumelo de jardim e componentes

Representação A
(prƩ-existente)

Representação B
(prƩ-existente)

Quadro ordenado
(ordem arbitrƔria selecionada)

Categoria selecionada na ordem arbitrƔria
que guarda similitude com aparĆŖncias

Representação R 
(composição de (a) e (b), pré-existentes)  

Circuito das trocasĀ 

Domínio do Discurso e da Representação 

Domínio do Discurso e da Representação

Circuito das trocas

Pacote de coisas
selecionadas por "aparĆŖncias"Ā 
Entradas

Evento (i) de inĆ­cio
do instanciamento de (r)Ā Ā 

VC - Volume de controle
espaço orientado onde ocorre a operação

Evento (f) de final
do instanciamento de (r)

Propriedades "aparĆŖncias"Ā 
não-originais e não-constitutivas das coisas
existentes antes da operação

Propriedades "aparĆŖncias"Ā 
não-originais e não-constitutivas das coisas
existentes depois da operação

Pacote de coisas
selecionadas por "aparĆŖncias"Ā 
SaĆ­dasĀ 

]
Caos como um tipo de ordem instƔvel
em que as sequências temporais são muito complexas e revelam estruturas
que nos permitem melhor entender o mundo que nos cerca

DesignaƧƵes primitivas
(inoperantes no Instanciamento)Ā 

Representação objeto do Instanciamento
recuperada do Repositório

Ambiente de onde são importados 
os recursos e insumos de todos os tipos,
consumidos durante o Instanciamento

Circuito das trocasĀ 
operação inteiramente no interior do
Domínio do Discurso e da Representação

Circuito das trocasĀ 
operação inteiramente no interior do
Domínio do Discurso e da Representação

Representação da empiricidade 
objeto da operação de Instanciamento
recuperada do Repositório, antes da operação

Representação da empiricidade   
objeto da operação de Instanciamento
recuperada do Repositório, depois da operação

Propriedades da empiricidadeĀ 
objeto da operação de Instanciamento
idênticas às da representação recuperada do Repositório,
antes da operação

Propriedades da empiricidadeĀ Ā 
objeto da operação de Instanciamento
idênticas às da representação recuperada do Repositório,
depois da operação

Operação de instanciamento de representação
de empiricidade objeto pré-existente no Repositório
(sem alteração no modo de ser fundamental da empiricidade)

Processos, atividades, tasks
suporte da Forma de produção
desencadeados durante a operação de instanciamento

Evento (i) de inĆ­cio
da operação de instanciamento
da representação da empiricidade objeto

Evento (f) de fimĀ Ā 
da operação de instanciamento
da representação da empiricidade objeto

Operação de instanciamento ocorre
sem alteração  no modo de ser fundamental
da empiricidade objeto

Operação de instanciamento ocorre
sem alteração  no modo de ser fundamental
da empiricidade objeto

Domínio do Discurso e da Representação
(perfil amarelo)

DomĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua
(perfil vermelho)

Visão, utopia,
limite da estratƩgia, etc

Homem
na posição de sujeito

Compromisso de obtenção 
da representação para esta empiricidade objeto

Operação transcorre
com alteração do modo de ser fundamental
da empiricidade objeto

Empiricidade objeto
(antes da operação)

Propriedades da empiricidade objeto
sim e não originais constitutivas
(inexistentes antes da operação)

Propriedades da empiricidade objeto
sim e não originais constitutivas
(existentes depois da operação) 

DesignaƧƵes primitivas
(ativas e parte da origem da linguagem)

Repositório
linguagem de uso

Evento de início da operação
de construção da representação
para a empiricidade objeto

Evento de fim da operação
de construção da representação
para a empiricidade objeto

Empiricidade objetoĀ 
(depois da operação) 

Forma de produção
(elemento central do modelo de operação)

Processos, atividades, tasks
como elementos de suporte
à Forma de produção

Sucessão de analogias
coleção relacionada de objetos anÔlogos
que compõem representação em construção

Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico

Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico

Domínio do Discurso e da Representação
(perĆ­metro amarelo)

DomĆ­nio do Pensamento e da LĆ­nguaĀ 
(perĆ­metro vermelho)

Representação A
(prƩ-existente)

Representação B
(prƩ-existente)

Quadro ordenado
(ordem arbitrƔria selecionada)

Categoria selecionada na ordem arbitrƔria
que guarda similitude com aparĆŖncias

Representação R 
(composição de (a) e (b), pré-existentes)  

Circuito das trocasĀ 

Domínio do Discurso e da Representação 

Domínio do Discurso e da Representação

Circuito das trocas

Pacote de coisas
selecionadas por "aparĆŖncias"Ā 
Entradas

Evento (i) de inĆ­cio
do instanciamento de (r)Ā Ā 

VC - Volume de controle
espaço orientado onde ocorre a operação

Evento (f) de final
do instanciamento de (r)

Propriedades "aparĆŖncias"Ā 
não-originais e não-constitutivas das coisas
existentes antes da operação

Propriedades "aparĆŖncias"Ā 
não-originais e não-constitutivas das coisas
existentes depois da operação

Pacote de coisas
selecionadas por "aparĆŖncias"Ā 
SaĆ­dasĀ 

Paleta de ideias ou elementos de imagem
presentes na configuração de pensamento clÔssico

Las meninas, Diego VelÔzquez, 1656; óleo sobre tela; Museu do Prado, Madrid, Espanha

O ontologia do sistema SIPOC/FEPSC

Proposição instanciativa: pensamento moderno, caminho da Construção da representação
designações primitivas inativas; elementos de suporte da Forma de produção existentes e ativados; linguagem de ação ou raiz sim contém a representação para essa empiricidade objeto
recuperada desde o Repositório para objeto desta operação
Proposição explicativa: pensamento moderno, caminho da Construção da representação
designações primitivas ativas; elementos de suporte da Forma de produção existentes; linguagem de ação ou raiz sim contém a representação para essa empiricidade objeto
Proposição enunciativa: pensamento moderno, caminho da Construção da representação
designações primitivas ativas; elementos de suporte da Forma de produção inexistentes; linguagem de ação ou raiz não contém a representação para essa empiricidade objeto
a proposição no pensamento clÔssico
ponto de aplicação da leitura de operações no momento da troca
a proposição no pensamento moderno: ponto de aplicação da leitura de operações antes da troca
ECA-moderno
CaracterĆ­sticas do pensamento moderno
o de depois de 1825
ECA-ClƔssico
Caracterƭsticas do pensamento clƔssico
o de antes de 1775
homem no modelo de operaƧƵes do pensamento clƔssico, o de antes de 1775,
considerado como uma das categorias do sistema de categorias,
como um gênero, ou uma espécie
os dois obstƔculos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho
no livro 'As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
caminho do Instanciamento da representação, com valor jÔ atribuído;
que tem inĆ­cio novamente no interior do Circuito das trocas
fontes de valor para a representação em construção: a) designações primitivas; b) linguagem de ação ou taiz.

Exemplos de modelos de operações e de organizações sem a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da anÔlise de operações no cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

Funcionamento
do pensamento
funcionamento das operaƧƵes no pensamento clƔssico
Modelo de
Operação de produção
relação do modelo de operações de produção de E. S. Buffa
e o sistema Input-Output
do LE da figura.
Modelo daĀ 
Organização de produção
Um modelo de organização sob o pensamento clÔssico, destacando a utilização de múltiplas ordens, ou
mĆŗltiplos sistemas de categorias
Modelo de operaƧƵes
e de organização
Modelo FEPSC(SIPOC), Six Sigma
Modelo de  Operação
contƔbil-financeira
O modelo de operação
no sistema contƔbil-financeiro
Modelo da  Organização
ponto de vista financeiro
a organização no sistema contÔbil-financeiro

Exemplos de modelos de operações e de organizações no pensamento moderno, e assim  com a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da anÔlise de operações antes do cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

Funcionamento
de operação do pensamento
O funcionamento das operaƧƵes no pensamento moderno
Modelo de
Operação de produção
relação entre o modelo descritivo da produção do Kanban e 'essa maneira moderna de conhecer empiricidades'
Modelo daĀ 
Organização de produção
o modelo de organização 'Mapa da atividade semicondutores', da Reengenharia, o modelo de operações do Kanban e o modelo moderno de operações
O modelo descritivo da produção do Kanban operação de
instanciamento de representação
O mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments: modelo de organização
do movimento Reengenharia

O espaƧo interior do Triedro dos saberes – habitat das ciĆŖncias humanas, com modelos situados no espectro de modelos no segmento para alĆ©m do objeto

Assim, estes trĆŖs pares,

  • função e norma,
  • conflito e regra,
  • significação e sistema,

cobrem, por completo, o domĆ­nio inteiro do conhecimento do homem.Ā 

Mas, qualquer que seja a natureza da anƔlise e o domƭnio a que ela se aplica, tem-se um critƩrio formal para saber o que Ʃ

  • do nĆ­vel da psicologia,
  • da sociologia
  • ou da anĆ”lise das linguagens:Ā 

é a escolha do modelo fundamental e a posição dos modelos secundÔrios que permitem saber em que momento

  • se ā€œpsicologizaā€ ou se ā€œsociologizaā€ no estudo das literaturas e dos mitos, em que momento se faz, em psicologia, decifração de textos ou anĆ”lise sociológica.Ā 

Mas essa superposição de modelos não é um defeito de método. 

Só hÔ defeito se os modelos não forem ordenados e explicitamente articulados uns com os outros.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo XĀ  – As ciĆŖncias humanas;
Ā III. Os trĆŖs modelos
Michel FoucaultĀ 

O Triedro dos saberes: eixos e faces
espaço das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem
O interior ao Triedro dos saberes
o espaço das Ciências humanas

AquƩm do objeto

Não hÔ modelos constituintes nesta faixa do espectro, jÔ que nada é constituído na existência durante as operações;

  • o ponto de inserção na anĆ”lise do fenĆ“meno ‘operaƧƵes estĆ” no cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido na operação de troca.

Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
existem desde sempre e para sempre,
e integram o Universo em uma visão única.

Existem mĆŗltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inĆŗmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possĆ­veis de serem selecionadas.

Nada é constituído na existência como resultado das distinções feitas durante as operações nesta faixa do espectro.

Diante do objeto

No eixo epistemológico fundamental – ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem, a modelagem em cada Ć”rea do saber pode ser feita com um modelo constituinte especĆ­fico e próprio de cada uma delas:

  • em todas, o ponto de inserção na anĆ”lise do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ estĆ” antes do cruzamento entre o dado e o recebido, e portanto antes da existĆŖncia destes.

No que Foucault chama de ‘RegiĆ£o epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes sĆ£o compostos por pares constituintes, próprios a cada regiĆ£o do saber ou Ć”rea do conhecimento em que o modelo Ć© feito:

  • CiĆŖncias da vidaĀ (Biologia):


    função-norma
    ;

  • CiĆŖncias do trabalho (Economia):


    conflito-regra;

  • CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):

    significação-sistema.

AlƩm do objeto

No campo das ciĆŖncias humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica.Ā 

Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências

  • da Vida-(Biologia),
  • do Trabalho-(Economia)
  • e da Linguagem-(Filologia).

O Modelo constituinteĀ  de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© uma combinação – ponderada pelo projetista de modelos.

O modelo composto é uma combinação dos três pares de modelos constituintes: 

  • CiĆŖncias da vidaĀ Ā (Biologia):
    função-norma;

    +
    CiĆŖncias do trabalho (Economia):

    conflito-regra;
    +
    CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
    significação-sistema.

Sob ciĆŖncias humanas como:

  • economia polĆ­tica;
  • sociologia,
  • psicologia e psicanĆ”lise

estão modelos compostos, que são combinações ponderadas dos três pares de modelos constituintes das ciências integrantes do eixo epistemológico fundamental.

- Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico:
pensamento moderno - caminho da Construção da representação
- Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clÔssico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.

Encontra-seĀ 

  • sob o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775,
  • e tambĆ©m ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação.

Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação

O 'Circuito das trocas', ou 'Mercado'
lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clÔssico
O Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
lugar onde transcorre a operação de construção de representação nova
e onde se dÔ a articulação do pensamento do homem, com o impensado
O Circuito das trocas
as chaves horizontais amarelas
onde ocorrem operaƧƵes durante as quais o 'modo de ser fundamental'
não se altera

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆ­vel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,

1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituƭram;

ela Ć©
o modo de ser fundamental
das empiricidades,

aquilo a partir de que elas são

  • afirmadas,
  • postas,
  • dispostas
  • e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.

[veja citação 2 à esquerda]

A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.

Qual serÔ a explicação para isso?

Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’?

Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

3assim também a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o
lugar de nascimento
do que Ć© empĆ­rico,
lugar onde,
aquƩm
de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ 

- Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico:
pensamento moderno - caminho da Construção da representação
- Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clÔssico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.

Encontra-seĀ 

  • sob o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775,
  • e tambĆ©m ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação.

Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆ­vel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,

1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituƭram;

ela Ć©
o modo de ser fundamental
das empiricidades,

aquilo a partir de que elas são

  • afirmadas,
  • postas,
  • dispostas
  • e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.

[veja citação 2 à esquerda]

assim também a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o
lugar de nascimento
do que Ć© empĆ­rico,
lugar onde,
aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.

A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.

Qual serÔ a explicação para isso?

Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’?

Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ 

QuestƵes/Perguntas

_thumb história do livro

A intenção com este estudo é buscar no pensamento de Michel Foucault,
Ā – com foco no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ – subsĆ­dios para responder ao seguinte tipo de questƵes:

- Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico:
pensamento moderno - caminho da Construção da representação
- Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clÔssico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.

Encontra-seĀ 

  • sob o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775,
  • e tambĆ©m ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação.

Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação

O 'Circuito das trocas', ou 'Mercado'
lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clÔssico
O Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
lugar onde transcorre a operação de construção de representação nova
e onde se dÔ a articulação do pensamento do homem, com o impensado
O Circuito das trocas
as chaves horizontais amarelas
onde ocorrem operaƧƵes durante as quais o 'modo de ser fundamental'
não se altera

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆ­vel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,

1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituƭram;

ela Ć©
o modo de ser fundamental
das empiricidades,

aquilo a partir de que elas são

  • afirmadas,
  • postas,
  • dispostas
  • e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.

[veja citação 2 à esquerda]

A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.

Qual serÔ a explicação para isso?

Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’?

Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

3assim também a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o
lugar de nascimento
do que Ć© empĆ­rico,
lugar onde,
aquƩm
de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ 

QuestƵes/Perguntas

_thumb história do livro

A intenção com este estudo Ć© buscar no pensamento de Michel Foucault, Ā – com foco no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ – subsĆ­dios para responder ao seguinte tipo de questƵes:

Os dois obstƔculos, as duas pedras de tropeƧo no caminho,
encontradas por Foucault durante seu trabalho no livro
‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’

exemplos de modelos de operações e de organizações muito usados ainda hoje, mostrando esses dois obstÔculos presentes entre nós atualmente.

os dois obstƔculos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho
no livro 'As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Michel Foucault
1926-1984

“Eis que nos adiantamos
bem para além do acontecimento histórico
que se impunhaĀ situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas dessa ruptura
que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo de certa
maneira moderna deĀ conhecer as empiricidades.

Ɖ que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo
e com o qual, queiramos ou não, pensamos,
se acha ainda muito dominado

1 pelaĀ impossibilidade,Ā 
trazida Ć  luz por voltaĀ 
do fim do século XVIII, 
deĀ fundar as sĆ­nteses
no espaço da representação:

2 e pela obrigação 
correlativa, simultânea, 

mas logo dividida contra si mesma,Ā 
deĀ abrir o campo transcendental da subjetividadeĀ e de constituir inversamente,Ā 
para além do objeto, 

esses ā€œquase-transcendentaisā€Ā 
que são para nós 
aĀ Vida, oĀ Trabalho, aĀ Linguagem.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;

CapĆ­tulo VIII – Trabalho, vida e linguagem;
tópico I – As novas empiricidades

no pensamento clƔssico
aquƩm do objeto
antes de 1775

no pensamento moderno
diante do objeto
depois de 1825

espaƧo interior
Triedro dos saberes
para alƩm do objeto
reservado Ć s
CiĆŖncias humanas

comparaƧƵes de diferentes configuraƧƵes de pensamento feitas por Michel Foucault
A impossibilidade
[no pensamento clƔssico,
LE da figura]
contra a sim-possibilidade
[no pensamento moderno,
LD da figura]
de fundar as sĆ­nteses
[da empiricidade objeto]
no espaço da representação.
o espaƧo interno do
Triedro dos saberes
- o habitat das ciĆŖncias humanas -
mostrando o modelo constituinte composto e comum a todas as CiĆŖncias Humanas

Os obstÔculos no caminho de Foucault 

aquƩm do objeto

diante do objeto

para alƩm do objeto

0 Foucault havia anteriormente identificado o perfil do pensamento no perĆ­odo clĆ”ssico, com uma configuração tal que a capacidade (ou a possibilidade – e mesmo a intenção) de fundar as sĆ­nteses – dos objetos de operaƧƵes cujas representaƧƵes resultassem dessas operaƧƵes – no espaƧo da representação nĆ£o era sequer cogitada:

  • em razĆ£o dos pressupostos adotados,

e principalmente, em razão 

  • do tipo de leitura feita do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ das trocas,Ā 
    • na leitura entĆ£o feita, o ponto de inĆ­cio do fenĆ“menoĀ  ‘operaƧƵes’, estava inserido no exato momento em que a troca tem todas as condiƧƵes para acontecer; (os dois objetos da troca – o dado e o obtido –Ā  tinham representaƧƵes disponĆ­veis e jĆ” carregadas de valor).

1 Michel Foucault relata a seguinte situação:

  • ele havia delineado um tipo de pensamento ‘com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos’, um pensamento que segundo ele ‘tem a nossa idade e a nossa geografia’,
    • com a possibilidade de fundar as sĆ­nteses (da empiricidade objeto da operação) no espaƧo da representação;

para conseguir fundar as sínteses no espaço da representação,

  • foi necessĆ”rio alterar profundamente todos os pressupostos

e a leitura feita do que seja uma operação e a anÔlise de valor, exigiram:

  • o deslocamento do ponto de inserção da anĆ”lise desde o ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
  • para um ponto antes da possibilidade da troca, quando os elementos que dĆ£o as condiƧƵes de efetivação dessa troca, ainda nĆ£o existissem,

incorporando à anÔlise, a operação de construção da representação nova. 

E ele havia percebido que esse pensamento com o qual queiramos ou não pensamos

  • estava muitoĀ contaminadodominado, mesmo –
    • justamente pela impossibilidade de fazer isso (essa fundação das sĆ­nteses do objeto da operação no espaƧo da representação), sendo esta impossibilidadeĀ  uma caracterĆ­stica do pensamento clĆ”ssico.

2 Ele percebia ainda uma obrigação a cumprir:

  • a de abrir o campo transcendental da subjetividade
    • e constituir, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.

Ele descobre que operações nos domínios das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem podem ser expressos completamente em cada domínio, por pares de modelos constituintes:

  • Vida(Biologia)
    • função-norma;
  • Trabalho(Economia)
    • conflito-regra;
  • Linguagem(Filologia)
    • significação sistema;

e que os modelos constituintes das Ciências humanas são sempre compostos por uma combinação desses três pares de modelos constituintes.

O Modelo constituinteĀ  de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© sempre uma combinação dos modelos constituintes das:

  • CiĆŖncias da vidaĀ Ā (Biologia):
    [função-norma];

    +
    CiĆŖncias do trabalho (Economia):
    [conflito-regra];
    +
    CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
    [significação-sistema].

Podemos ver a atualidade dessa percepção de Foucault
com Exemplos de modelos para operaƧƵes e organizaƧƵes
construĆ­dos sobre estruturas de conceitos
uns que nĆ£o permitem, e outros que ao contrĆ”rio sim permitem
a fundação das sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação.

Veja isso aqui.

Os tratamentos dados ao homem em nossa cultura, no pensamento clÔssico e no moderno, segundo Michel Foucault; 

e as ideias – ou elementos de imagem – requeridos para compor estruturalmente modelos de operaƧƵes e modelos de organizaƧƵes
com os respectivos tratamentos dados ao homem

homem no modelo de operaƧƵes do pensamento clƔssico, o de antes de 1775, considerado como uma das categorias do sistema de categorias,
como um gênero, ou uma espécie
homem no sistema de operaƧƵes do pensamento moderno, o de depois de 1825 considerado em sua duplicidade de papƩis:
1. raiz e fundamento de toda positividade
2. elemento do que Ć© empĆ­rico.

“Instaura-se
uma forma de reflexão
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão
segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado,
e com ele se articula.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IXĀ  – O homem e seus duplos;
V. O cogito e o impensado
Michel FoucaultĀ 

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

“No pensamento clĆ”ssico,
aquele para quem
a representação existe,
e que nela se representa a si mesmo,
aĆ­ se reconhecendo
por imagem ou reflexo,
aquele que trama
todos os fios entrecruzados
da ā€œrepresentação em quadroā€ -,
esse [o ser do homem]
jamais se encontra lĆ” presente.

Antes do fim do século XVIII,
o homem não existia.

Sem dĆŗvida,
as ciĆŖncias naturais
trataram do homem comoĀ 

  • de uma espĆ©cie
  • ou de um gĆŖnero:Ā 

a discussão
sobre o problema das raƧas,
no sƩculo XVIII, o testemunha.
A gramƔtica e a economia,
por outro lado, utilizavam noƧƵes como as de necessidade,
de desejo,
ou de memória
e de imaginação.”

Mas não havia
consciência epistemológica

do homem como tal.

“Antes do fim do sĆ©culo XVIII,
o homem nĆ£o existia.”

“O modo de ser do homem,
tal como se constituiu
no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ”, ao mesmo tempo,

  • no fundamento
    de todas as positividades,
  • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada,
    no elemento
    das coisas empĆ­ricas.

Esse fato
– e nĆ£o se trata aĆ­
da essĆŖncia em geral do homem,
mas pura e simplesmente
desse a priori histórico que,
desde o sƩculo XIX,
serve de solo quase evidente
ao nosso pensamento –
esse fato Ć©, sem dĆŗvida, decisivo
para o estatuto a ser dado
Ć s ā€œciĆŖncias humanasā€,
a esse corpo de conhecimentos
(mas mesmo esta palavra
Ć© talvez demasiado forte:
digamos,
para sermos mais neutros ainda,
a esse conjunto de discursos)
que toma por objeto o homem
no que ele tem de empĆ­rico.”

Ɖ possĆ­vel pensar as condiƧƵes em que se dĆ” a subjetividade de um ‘homem’ tratado como espĆ©cie, ou gĆŖnero?

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IX – O homem e seus duplos;
II. O lugar do rei
Michel FoucaultĀ 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo XĀ  – As ciĆŖncias humanas;
Ā I. O triedro dos saberes
Michel FoucaultĀ 

Veja o ponto “2. as possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes de troca’ e respectivas possibilidades de anĆ”lise de valor que elas nos permitem fazer”

Parece ser a opção de leitura da ‘operação de troca’ deslocada para um ponto antes das existĆŖncia dos objetos da troca o que arrasta o ser do homem e cada objeto da troca para a Forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura.

O fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ (em qualquer Ć”rea): visƵes com duas abrangĆŖncias muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função da inserção do ponto de inĆ­cio de leitura de ‘operaƧƵes’;Ā 

Duas visƵes, duas leituras do fenƓmeno 'operaƧƵes':
sob o pensamento clƔssico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - duas abrangĆŖncias muito diferentes

Note-se que as condiƧƵes para a ocorrĆŖncia da troca – a existĆŖncia simultĆ¢nea dos dois objetos de troca, o que Ć© dado e o que Ć© recebido – sĆ£o satisfeitas em duas situaƧƵes:

  • 1. no pensamento clĆ”ssico pelo posicionamento do ponto de inĆ­cio de leitura sob essa condição, quer dizer, a existĆŖncia prĆ©via do que Ć© dado e do que Ć© recebido;
  • 2. no pensamento moderno, pela satisfação dessa prĆ©-condição no inĆ­cio do Instanciamento da representação, porĆ©m com a condição da execução anterior da Construção da representação, tambĆ©m incluĆ­da no escopo da operação.Ā 

Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as prĆ©-condiƧƵes para a ocorrĆŖncia da troca sĆ£o dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clĆ”ssico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.

O que não muda entre essas duas possibilidades

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IVĀ  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel FoucaultĀ 

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam
jĆ” carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ 

O que simĀ muda entre essas duas possibilidades

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações com origens de valor distintas.

“Valer, para o pensamento clĆ”ssico,
Ć© primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca Ʃ um fenƓmeno simples
apenas na aparĆŖncia.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, Ć© preciso, pois,
que as coisas permutƔveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que nĆ£o tem necessidade
    Ć© igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam
jĆ” carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possĆ­vel [permutabilidade]),

isto Ć©, no interior

  1. da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ 

O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operação’: no ato mesmo da troca; ou anterior Ć  troca, na criação das condiƧƵes de troca

“DaĆ­ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:

  1. leitura jƔ dadas as condiƧƵes de troca;
  2. leitura na permutabilidade, isto é na criação de condições de troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anĆ”lise que coloca e encerra
    • toda a essĆŖncia da linguagem no interior da proposição;

3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto Ć©, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas Ć s outras; o verbo, tornando possĆ­veis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde Ć  troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preƧo pelo qual sĆ£o cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior Ć  troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma anĆ”lise que descobre essa mesma essĆŖncia da linguagem do lado das
    • designaƧƵes primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

4 a outra forma de anÔlise, a linguagem estÔ enraizada 

fora de si mesma e como que

    • na natureza, ou nasĀ  Ā 
    • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento Ć s palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde Ć  formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recĆ­procas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ 

Esta segunda leitura para ‘operaƧƵes’
– que orienta a anĆ”lise de valor
desde antes do momento da troca -,
não é possível sem a presença do homem
na estrutura dos modelos.

Isso fica bastante claro com a descrição da forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
mostrados nos modelos de operaƧƵes

Colocando o ponto de inserção de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ antes da existĆŖncia dos objetos envolvidos na troca, ocorre uma portentosa ampliação no escopo da operação – de qualquer natureza -, incorporando toda a etapa de construção de representação nova.Ā Veja isso aqui.

As caracterƭsticas das duas configuraƧƵes do pensamento:

  • a do pensamento clĆ”ssico, de antes de 1775;
  • e a do pensamento moderno, de depois de 1825

caracterĆ­sticas de caracterĆ­sticas, ou caracterĆ­sticas de segunda ordem,
das configuraƧƵes do pensamento em cada caso.

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

_Estrutura IO-transformação
Os princĆ­pios organizadores
sob o pensamento clƔssico:
o de antes de 1775
'CarƔter' e 'Similitude'
Caracterƭsticas do pensamento clƔssico, o de antes de 1775
Os princƭpios organizadores desse espaƧo de empiricidades sob o pensamento moderno,
o de depois de 1825
'Analogia' e 'Sucessão'
CaracterĆ­sticas do pensamento moderno, o de depois de 1825

“Instaura-se
uma forma de reflexão
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão
segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado,
e com ele se articula.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IXĀ  – O homem e seus duplos;
V. O cogito e o impensado
Michel FoucaultĀ 

“Assim o cĆ­rculo se fecha.

Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

Mas que são esses sinais? 

Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,Ā 

  • que hĆ” aqui um carĆ”terĀ 

no qual convém se deter, porque ele indica uma secreta e essencial semelhança? 

Que forma constitui o signo no seu singular valor de signo?Ā 

  • – Ɖ a semelhanƧa.Ā 

Ele significa na medida em que tem semelhanƧa com o que indica (isto Ʃ, com uma similitude).

Contudo, não é a homologia que ele assinala, pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; trata-se de outra semelhança, uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, é patenteada por uma terceira. 

Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediÔria da mesma semelhança. De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

  • o signo da simpatia resida na analogia,Ā 
  • o da analogia na emulação,Ā 
  • o da emulação na conveniĆŖncia,Ā 

que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ 

  • a marca da simpatia…Ā 

A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”

De sorte que se vĆŖem surgir,
como princĆ­pios organizadores
desse espaço de empiricidades, 

  • a AnalogiaĀ 
  • e a SucessĆ£o:Ā 

de uma organização a outra,
o liame, com efeito,
não pode mais ser
a identidade de um
ou vƔrios elementos,
mas a identidade
da relação entre os elementos
(onde a visibilidade
não tem mais papel)
e da função que asseguram;
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham
por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, não é porque ocupem
localizações próximas
num espaço de classificação,
mas sim porque
foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra
no devir das sucessƵes.
Enquanto, no pensamento clƔssico,
a seqüência das cronologias
não fazia mais que percorrer
o espaƧo prƩvio e mais fundamental
de um quadro
que de antemão apresentava
todas as suas possibilidades,
doravante
as semelhanças contemporâneas
e observƔveis simultaneamente
no espaço não serão mais que
as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede
de analogia em analogia.
A ordem clƔssica
distribuƭa num espaƧo permanente
as identidades
e as diferenças não-quantitativas
que separavam e uniam as coisas:
era essa a ordem
que reinava soberanamente,
mas a cada vez
segundo formas e leis
ligeiramente diferentes,
sobre o discurso dos homens,
o quadro dos seres naturais
e a troca das riquezas.

A partir do sƩculo XIX,
a História
vai desenrolar
numa sƩrie temporal
as analogias
que aproximam umas das outras
as organizaƧƵes distintas.

Ɖ essa História que,
progressivamente,
imporĆ” suas leis

  • Ć  anĆ”lise da produção,
  • Ć  dos seres organizados, enfim,
  • Ć  dos grupos linguĆ­sticos.

A História dÔ lugar
às organizações analógicas,
assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades
e das diferenƧas sucessivas.

Essa forma de reflexão surgida serÔ decorrência da segunda leitura do que seja uma operação de troca e portanto não pode prescindir do homem e do objeto?

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo II – A prosa do mundo;
II. As assinalaƧƵes
Michel FoucaultĀ 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ 

os lugares onde ocorrem as operações: 

  • Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
    – operaƧƵes de Construção de representaƧƵes;
    • lugar onde o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades sim muda
  • Circuito onde ocorrem as trocas‘ ou Mercado
    – operaƧƵes de Instanciamento de representaƧƵes jĆ” existentes;
    • lugar onde o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.
Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico:
pensamento moderno – caminho da Construção da representação
Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clÔssico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.

Encontra-seĀ 

  • sob o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775,
  • e tambĆ©m ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, apenas no caminho do Instanciamento da representação.

Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, e apenas no caminho da Construção da representação

O 'Circuito das trocas',
ou 'Mercado'
as chaves amarelas no LE da figura, lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clÔssico
O Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico - fora e antes do Mercado -
lugar onde transcorre a operação de construção de representação nova
e onde se dÔ a articulação
do pensamento do homem,
com o impensado
O Circuito das trocas
as chaves horizontais amarelas
no LD da figura, onde ocorrem operaƧƵes durante as quais
o 'modo de ser fundamental'
não se altera; é novamente o Mercado, agora no pensamento moderno

‘modo de ser fundamental das empiricidades’ Ć© o conceito chave aqui.

No pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775, pelos pressupostos adotados, Ć© impossĆ­vel definir o que seja ‘modo de ser fundamental’ de empiricidades cuja definição escapa ao escopo destas operaƧƵes.

Estas operações transcorrem no interior do Circuito das trocas, a chave amarela horizontal, lugar onde não hÔ alteração no modo como as coisas se apresentam à operação.

No pensamento moderno, o de depois de 1825, pelos pressupostos adotados Ć© sim possĆ­vel definir o que seja ‘modo de ser fundamental’ de empiricidades objeto da operação de Construção da representação que, se nova nesse domĆ­nio e ambiente, Ć© o próprio escopo destas operaƧƵes.

OperaƧƵes no caminho da Construção da representação transcorrem no interior do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’, as chaves coloridas verticais, em um espaƧo que engloba os lugaresĀ  desde onde se fala e do falado. O sucesso dessas operaƧƵes altera ‘o modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto, e com isso, faz-se História.

No pensamento moderno, o de depois de 1825, em uma operação de Instanciamento de representação objeto cuja construção da representação foi anteriormente feita e incorporada ao Repositório, a representação objeto de Instanciamento é recuperada do Repositório.

Assim, a operação de Instanciamento nĆ£o altera o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto de instanciamento.

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆ­vel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,

1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituƭram;

ela Ć©

o modo de ser fundamental
das empiricidades,

aquilo a partir de que elas são

  • afirmadas,
  • postas,
  • dispostas
  • e repartidas no espaƧo do saber

para eventuais conhecimentos
e para ciĆŖncias possĆ­veis.

3 assim tambƩm
a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o

lugar de nascimento
do que Ć© empĆ­rico,

lugar onde,
aquƩm
de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.

A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.

Qual serÔ a explicação para isso?

Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’?

Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ 

os princƭpios organizadores dos modelos de operaƧƵes que fazemos

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

_Estrutura IO-transformação
Os princĆ­pios organizadores
sob o pensamento clƔssico:
o de antes de 1775
‘CarĆ”ter’ e ‘Similitude’
Caracterƭsticas do pensamento clƔssico
o de antes de 1775

“Assim o cĆ­rculo se fecha.

Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

Mas que são esses sinais? 

Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,Ā 

  • que hĆ” aqui um carĆ”terĀ 

no qual convém se deter, porque ele indica uma secreta e essencial semelhança? 

Que forma constitui o signo no seu singular valor de signo?Ā 

  • – Ɖ a semelhanƧa.Ā 

Ele significa na medida em que tem semelhanƧa com o que indica (isto Ʃ, com uma similitude).

Contudo, não é a homologia que ele assinala, pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; trata-se de outra semelhança, uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, é patenteada por uma terceira. 

Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediÔria da mesma semelhança. De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

  • o signo da simpatia resida na analogia,Ā 
  • o da analogia na emulação,Ā 
  • o da emulação na conveniĆŖncia,Ā 

que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ 

  • a marca da simpatia…Ā 

A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”

Os princƭpios organizadores desse espaƧo de empiricidades sob o pensamento moderno,
o de depois de 1825
'Analogia' e 'Sucessão'
CaracterĆ­sticas do pensamento moderno
o de depois de 1825

De sorte que se vĆŖem surgir,
como princĆ­pios organizadores
desse espaço de empiricidades, 

  • a AnalogiaĀ 
  • e a SucessĆ£o:Ā 

de uma organização a outra,
o liame, com efeito,
não pode mais ser
a identidade de um
ou vƔrios elementos,
mas a identidade
da relação entre os elementos
(onde a visibilidade
não tem mais papel)
e da função que asseguram;
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham
por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, não é porque ocupem
localizações próximas
num espaço de classificação,
mas sim porque
foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra
no devir das sucessƵes.
Enquanto, no pensamento clƔssico,
a seqüência das cronologias
não fazia mais que percorrer
o espaƧo prƩvio e mais fundamental
de um quadro
que de antemão apresentava
todas as suas possibilidades,
doravante
as semelhanças contemporâneas
e observƔveis simultaneamente
no espaço não serão mais que
as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede
de analogia em analogia.
A ordem clƔssica
distribuƭa num espaƧo permanente
as identidades
e as diferenças não-quantitativas
que separavam e uniam as coisas:
era essa a ordem
que reinava soberanamente,
mas a cada vez
segundo formas e leis
ligeiramente diferentes,
sobre o discurso dos homens,
o quadro dos seres naturais
e a troca das riquezas.

A partir do sƩculo XIX,
a História
vai desenrolar
numa sƩrie temporal
as analogias
que aproximam umas das outras
as organizaƧƵes distintas.

Ɖ essa História que,
progressivamente,
imporĆ” suas leis

  • Ć  anĆ”lise da produção,
  • Ć  dos seres organizados, enfim,
  • Ć  dos grupos linguĆ­sticos.

A História dÔ lugar
às organizações analógicas,
assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades
e das diferenƧas sucessivas.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo II – A prosa do mundo;
II. As assinalaƧƵes
Michel FoucaultĀ 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ 

os lugares contidos dentro do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’:

  • o lugar ‘desde onde se fala
  • e o lugar ‘do falado‘;

consistentes com os blocos do ‘operar‘ e do ‘suporte ao operar‘ de Humberto Maturana

Esses dois lugares – o ‘desde onde se fala’ e o ‘do falado’ –
juntos delimitam o espaço onde se dÔ a articulação
do pensamento do homem com o impensado feita
no domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua
e sua ligação com o domínio do Discurso e da Representação

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

O 'Circuito das trocas', ou 'Mercado'
lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clÔssico

Lugar desde onde se fala

Lugar do falado

são sub-espaços do Lugar de nascimento do que é empírico o que implica que o pensamento estÔ funcionando com o entendimento do pensamento moderno, o de depois de 1825, a coluna ao lado, portanto.

  • Lugar desde onde se fala nĆ£o pode ser delineado sob o pensamento clĆ”ssico pela falta da ideia e do elemento de imagem ‘homem’, aquele que fala, raiz e fundamento de toda positividade, e tambĆ©m da ideia do objeto resultado da articulação do pensamento com o impensado, feita pelo homem,;
  • e o Lugar do falado, analogamente, nĆ£o pode ser delineado no LE da figura.Ā 

todo o espaço  corresponde, no LE da figura, ao domínio todo em que ocorrem as operações sob o pensamento clÔssico, a saber, o domínio do Discurso e da Representação.

A leitura do que sejam Operações sob o entendimento no pensamento clÔssico pressupõe o ponto de inserção para anÔlise no exato cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca, cuja condição de possibilidade estÔ, desse modo, dada.

Lugar deste onde se fala:
ideias que formulam a proposição /
(sujeito e predicado do sujeito);
Lugar do falado:
ideias que dão suporte na experiência ao instanciamento da representação
no domĆ­nio e ambiente

Lugar do nascimento do que Ʃ empƭrico: espaƧo ocupado por:

  • Lugar desde onde se fala;
  • Lugar do falado

O Lugar de nascimento do que é empírico, como o nome sugere, estÔ situado antes do circuito das trocas, e em seu interior ocorre a construção de representação nova.

Essa visão do que sejam operações corresponde à leitura de operações, ou visão desse fenÓmeno como desde um ponto de inserção anterior à troca

Lugar desde onde se fala

As ideias ou elementos de imagem que estão envolvidas na formulação da proposição estão contidas no espaço chamado de Lugar desde onde se fala:

  • sujeito: o homem na posição de raiz de toda positividade
  • predicado do sujeito
    • verbo: Forma de produção, o elemento central da operação de construção da representação;
    • atributo: a representação em construção, nas posiƧƵes extremas da operação de construção.

Esse espaƧo coincide com o espaƧo chamado por Humberto Maturana de ‘operar’, o retĆ¢ngulo vermelho na figura ao lado, parte do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, mas no interior do domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua.

Lugar do falado

As ideias ou elementos de imagem que estão envolvidos na sustentação da Forma de produção na experiência estão no lugar do falado:

  • elementos de suporte na experiĆŖncia Ć  Forma de produção, onde se encontram
    • processos, atividades, tasks

A operação de construção da representação escolhe os elementos de suporte na experiĆŖncia Ć  Forma de produção, que deve ser capaz de produzir quando implementada, uma instĆ¢ncia da representação com o operar vislumbrado – ou o mais próximo disso possĆ­vel. Humberto Maturana chama esse espaƧo de ‘suporte ao operar’, o retĆ¢ngulo amarelo na figura ao lado.Ā 

O Lugar do falado Ć© parte do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, mas suas ideias – ou elementos de imagem – fazem parte do domĆ­nio do Discurso e da Representação.

“Ɖ preciso, portanto,
tratar esse verbo
como um ser misto,

ao mesmo tempo
palavra entre as palavras,

preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
Ć s leis de regĆŖncia
e de concordância;


e depois,


em recuo em relação a elas todas,

numa região que

  • nĆ£o Ć©
    aquela do falado

  • mas aquelaĀ 
    donde se fala.

Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre

  • aquilo que Ć© dito

  • e aquilo que se diz,

exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault

HĆ” correspondĆŖncias que precisam ser anotadas, entre elas:

  • no princĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo
    • aquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisasĀ 
    • tem suas ideias – ou seus elementos de imagem no lugar desde onde se fala
  • no LD – lado direito da figura 2 de Humberto Maturana
    • os dois blocos do ‘Explicar com Reformular’ em que Maturana divide suas explicaƧƵes
      • sobre o que acontecia com o ser vivo,
      • e o modo como ele o via no seu espaƧo de distinƧƵes
    • correspondem apropriadamente com o que Foucault chama respectivamente deĀ 
      • Lugar desde onde se fala eĀ 
      • Lugar do falado.

Processo e Mercado são os conceitos largamente utilizados;
e ao mesmo tempo não se ouve falar 

  • em Forma de produção
  • ou em Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico,
  • e menos ainda em Nexo da produção

como ideias – ou elementos de imagem – em modelos de operaƧƵes e organizaƧƵes

no pensamento clƔssico
aquƩm do objeto
antes de 1775

no pensamento moderno
diante do objeto
depois de 1825

espaƧo interior Triedro dos saberes
para alƩm do objeto
reservado Ć s CiĆŖncias humanas

AquƩm do objeto:
Processo

DianteĀ do objeto:
Forma de produção

AlƩm do objeto
Nexo da operação

o elemento central em operaƧƵes
no pensamento clƔssico
Processo
o elemento central em operaƧƵes
no pensamento moderno
Forma de produção
o Nexo da produção,
o elemento central do modelo de organização no formato SSS
  • Elemento central:
    • Processo

entendido sob o primeiro conceito de verbo explicado por Michel Foucault, como elemento gerador de um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, que o mais que faz é indicar a coexistência de duas representações.

  • caracterĆ­stica emergente:Ā 
    • fluxo
  • metĆ”foraĀ 
    • transformação Ćŗnica
  • Elemento central:
    • Forma de produção

entendida sob o segundo conceito de verbo explicado por Michel Foucault, tratado como um ser misto, inicialmente palavra entre palavras, preso às mesmas regras às mesmas regras, obedecendo como elas às mesmas leis de regência e concordância, e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado, mas aquela donde se fala.

  • caracterĆ­stica emergente:
    • permanĆŖncia
  • metĆ”fora
    • conversĆ£o ou duas transformaƧƵes
  • Elemento central:
    • Nexo da produção

a formulação para além do objeto associa o sistema cujo resultado é o produto, aquilo que se quer obter, com o instrumento imprescindível para obtê-lo.

  • propriedades emergentes:
    • simetria, simbiose e sinergia

Em um pensamento mĆ”gico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mĆ”gica de condĆ£o’ –Ā Ā Ć© possĆ­vel desejar algo e, sem mais nada, vĆŖ-lo surgir Ć  nossa frente depois do Plin!!!Ā 

Num ambiente de produção real, porĆ©m, nada Ć© produzido sem um instrumento com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS Ć© isso: a modelagem das operaƧƵes de produção do objeto desejado juntamente com as operaƧƵes de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fĆ”brica, subindo um nĆ­vel estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção

o significado/tratamento atribuĆ­do ao que seja um ‘Verbo’;
para o antes e para o depois da descontinuidade epistemológica

Ideias – ou elementos de imagem – centrais no LE e no LD da figura
Processo o elemento central no pensamento clƔssico
Forma de produção o elemento central no pensamento moderno, com as
designações primitivas e a linguagem de ação ou raiz

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

AquƩm do objeto

Conceito de Verbo 'Processo'
na configuração de pensamento
do perƭodo clƔssico, antes de 1775

Verbo como
Processo

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā 

  • a do verde
    e da Ɣrvore,

  • a do homem
    e da existĆŖncia

    ou da morte;Ā 

Ć© por isso que
o tempo dos verbos

não indica
aquele [tempo]

em que as coisas existiram
no absoluto,

mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.”

Diante e AlƩm do objeto

Conceito de Verbo 'Forma de produção'
na configuração de pensamento
do perĆ­odo moderno, depois de 1825

Verbo como
Forma de produção

“Ɖ preciso, portanto,
tratar esse verbo
como um ser misto,

ao mesmo tempo
palavra entre as palavras,

preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
Ć s leis de regĆŖncia
e de concordância;


e depois,


em recuo em relação a elas todas,

  • numa regiĆ£o que nĆ£o Ć©
    aquela do falado

  • mas aquela
    donde se fala.

Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre

  • aquilo que Ć© dito

  • e aquilo que se diz,

exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.”

Dadas as grandes diferenƧas entre esses dois conceitos e tratamentos consequentes, para o que seja um ‘Verbo’, e a total consistĆŖncia entre o segundo conceito/tratamento e ‘Forma de produção’

  • por que serĆ” que ‘Processo’ seja uma unanimidade nos textos sobre o assunto?

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault

o significado/tratamento atribuĆ­do ao que seja um ‘Classificar’;
para o antes e para o depois da descontinuidade epistemológica

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

AquƩm
do objeto

O conceito de 'Classificar'
no pensamento clƔssico
o de antes de 1775

‘Classificar’
no pensamento clƔssico

AquƩm do objeto,
isto Ć©,
no pensamento filosófico Classico
o de antes de 1775

nessa faixa do espectro de modelos
que o pensamento de Michel Foucault permite desenhar

Classificar
Ć© referir

  • o visĆ­vel
  • a si mesmo,

encarregando um dos elementos
de representar os outros.”

Diante e AlƩm
do objeto

O conceito de 'Classificar'
no pensamento moderno
o de depois de 1825

‘Classificar’
no pensamento moderno

Diante, e Além do objeto, 
isto Ć©,Ā 
no pesamento filosófico moderno,
o de depois de 1825

nessa faixa do espectro de modelosĀ 
que o pensamento de Michel Foucault permite desenhar

“Em um movimento
que faz revolver a anƔlise

Classificar
Ć© referir

  • o visĆ­velĀ 
  • ao invisĆ­velĀ 

– como a sua razĆ£o profunda -,Ā 

e depois,
alƧar de novo
dessa secreta arquitetura,
em direção aos seus
sinais manifestos,
que são dados
Ć  superfĆ­cie dos corpos.”

Dadas as grandes diferenƧas entre esses dois conceitos e tratamentos consequentes, por que serĆ” que ‘Processo’ seja uma unanimidade nos textos sobre o assunto?

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

pares de modelos constituintes das ciências do eixo epistemológico fundamental

  • da Vida(Biologia) [função-norma],
  • do Trabalho(Economia) [conflito-regra]
  • e da Linguagem(Filologia) [significação-sistema]

e o modelo constituinte padrão, comum a todas das ciências humanas; um modelo composto por uma combinação entre esses três pares de modelos constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem

no pensamento clƔssico
antes de 1775
aquƩm do objeto

no pensamento moderno
depois de 1825
diante do objeto

no pensamento moderno
tambƩm depois de 1825
para alƩm do objeto

não hÔ modelos constituintes sob o pensamento clÔssico

O Triedro dos saberes: eixos e faces
espaço das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem
O interior ao Triedro dos saberes
o espaço das Ciências humanas

AquƩm do objeto

Não hÔ modelos constituintes nesta faixa do espectro, jÔ que nada é constituído na existência durante as operações;

Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
existem desde sempre e para sempre,
e integram o Universo em uma visão única.

Existem mĆŗltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inĆŗmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possĆ­veis de serem selecionadas.

Nada é constituído na existência como resultado das distinções feitas durante as operações nesta faixa do espectro.

Diante do objeto

A modelagem em cada Ôrea do saber é feita com um modelo constituinte específico e próprio de cada uma delas:

No que Foucault chama de ‘RegiĆ£o epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes sĆ£o compostos por pares constituintes, próprios a cada regiĆ£o do saber ou Ć”rea do conhecimento em que o modelo Ć© feito:

  • CiĆŖncias da vidaĀ (Biologia):


    [função-norma]
    ;

  • CiĆŖncias do trabalho (Economia):


    [conflito-regra];

  • CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):

    [significação-sistema].

AlƩm do objeto

No campo das ciências humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica. Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências
da Vida
-(Biologia), do Trabalho-(Economia) e da Linguagem-(Filologia).

O Modelo constituinte  de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© sempre uma combinação dos modelos constituintes das:

  • CiĆŖncias da vida  (Biologia):
    [função-norma];

    +
    CiĆŖncias do trabalho (Economia):
    [conflito-regra];

    +
    CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
    [significação-sistema].

Proposição: o bloco construtivo

  • padrĆ£o,
  • genĆ©rico
  • e fundamental

oferecido pela gramÔtica da língua para construção de representações.

Esse bloco construtivo ‘proposição’ carrega valor para as representaƧƵes, mas faz isso de ao menos dois modos diferentes e com duas visƵes distintas para o que sejam ‘operaƧƵes’.

“Valer, para o pensamento clĆ”ssico, Ć© primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preƧos só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenÓmeno simples apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutÔveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que

  • a dupla cessĆ£o
  • e a dupla aquisição

finalmente se produzam.

Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra,

  • Ć© preciso que elas existam jĆ” carregadas de valor;
    • e, contudo, o valor só existe no interior da representação
      (atual ou possĆ­vel), isto Ć©,
    • no interior da troca ou da permutabilidade.

“A proposição Ć©
para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento
sua forma,
ao mesmo tempo
mais geral
e mais elementar
porquanto,
desde que a decomponhamos,
não encontremos mais o discurso
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IV – Falar;
tópico: III – A teoria do verbo
Michel Foucault

no pensamento clƔssico
antes de 1775

no pensamento moderno
depois de 1825

questão/pergunta

a proposição no pensamento clÔssico
ponto de aplicação da leitura de operações no momento da troca

a toda a essĆŖncia da linguagem  encerrada – diretamente – na própria proposição;

junto com esse ‘encerramento’ vĆ£o as ideias – ou elementos de imagem – necessĆ”rios para a formulação da proposição, que assim, nĆ£o participam do modelo de operaƧƵes.

a proposição no pensamento moderno ponto de aplicação da leitura de operações antes da troca

a descoberta da essência da linguagem  fora dela mesma, linguagem; a proposição formulada no modelo por suas ideias ou elementos de imagem presentes; inicialmente vazia, apenas um enunciado, é preenchida de valor a partir de duas fontes:

  • as designaƧƵes primitivas;
  • a linguagem de ação ou raiz

ambas assinaladas na figura.

“DaĆ­ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:

1 uma analisa o valor

  • no ato mesmo da troca,

no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anĆ”lise que coloca e encerra toda a essĆŖncia da linguagem no interior da
    • proposição;

3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto Ć©, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas Ć s outras; o verbo, tornando possĆ­veis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde Ć  troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preƧo pelo qual sĆ£o cedidas;

2 outra analisa-o

  • como anterior Ć  trocaĀ 

e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma anĆ”lise que descobre essa mesma essĆŖncia da linguagem
    do lado das
    • designaƧƵes primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

4 a outra forma de anÔlise, a linguagem estÔ enraizada 

  • fora de si mesma e como que
    • na natureza, ou nasĀ  Ā 
    • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor,

  • antes da troca
  • e das medidas recĆ­procas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ 

Ideias – ou elementos de imagem – requeridos para a
Formulação da proposição, e valor carregado 

Ideias – ou elementos de imagem requeridos para formulação da proposição ausentes da estrutura do modelo de operação.

Valor carregado diretamente na proposição.

impossibilidade de formulação da proposição com ideias – ou elementos de imagem – requeridos, pela ausĆŖncia do homem em sua duplicidade de papĆ©is, e pela noção de objeto descrito por suas propriedades originais e constitutivas.

Proposição formulada com ideias ou elementos de imagem pertencentes à estrutura interna do modelo de operações;

Valor carregado pela proposição com origem fora da linguagem

  • designaƧƵes primitivas

a busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, para a representação da empiricidade objeto no domínio e ambiente em que a operação acontece. 

  • linguagem de ação ou raiz

todo o conteúdo do Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua, à disposição da construção de novas representações.

Os tipos de sistemas que dão suporte a operações,
em função da configuração do pensamento:

  • no pensamento clĆ”ssico: o sistema Input-Output, ou um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si;
  • no pensamento moderno: um sistema construĆ­do no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, lugar onde as empiricidades objeto das operaƧƵes adquirem ‘o ser que lhes Ć© próprio’.

no pensamento clƔssico
antes de 1775
verbo ‘Processo

no pensamento moderno
depois de 1825
verbo ‘Forma de produção

questão/pergunta

Operação clÔssica sob o conceito de Verbo 'Processo'
na configuração de pensamento
do perƭodo clƔssico, antes de 1775

“A Ćŗnica coisa
que o verbo afirma

é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā 

  • a do verde
    e da Ɣrvore,

  • a do homem
    e da existĆŖncia

    ou da morte;Ā 

Ć© por isso
que o tempo dos verbos

não indica
aquele [tempo]

em que as coisas existiram
no absoluto,

mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.”

Operação moderna sob o conceito de
Verbo 'Forma de produção'
na configuração de pensamento
do perĆ­odo moderno, depois de 1825

“Ɖ preciso, portanto,
tratar esse verbo
como um ser misto,

ao mesmo tempo
palavra entre as palavras,

preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
Ć s leis de regĆŖncia
e de concordância;


e depois,


em recuo em relação a elas todas,

  • numa regiĆ£o que nĆ£o Ć©
    aquela do falado

  • mas aquela
    donde se fala.

Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre

  • aquilo que Ć© dito

  • e aquilo que se diz,

exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault

O tipo de sistema

O conceito acima é explícito em fornecer uma descrição do tipo de sistema para operações sob o pensamento clÔssico.

Trata-se deĀ 

  • um sistema relativo
    de anterioridade ou de simultaneidade
    das coisas entre si;Ā 

uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

asdf

Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

O tipo de leitura

asdf

Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

asdf

Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

o tempo nas operações, em função dos sistemas
em cada segmento do espectro de modelos

no pensamento clƔssico
antes de 1775
aquƩm do objeto

no pensamento moderno
depois de 1825
diante e para alƩm do objeto

no pensamento moderno
tambƩm depois de 1825
diante e para alƩm do objeto

formulação reversível
e somenteĀ 
instanciamento
da representação;
deus Chronos

formulação irreversível
e operação de construção
da representação 
deus Kairós

formulação reversível
 e operação instanciamento
da representação
deus Chronos

pensamento clƔssico, o de antes de 1775
tempo calendƔrio no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada
pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação
pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

AquƩm do objeto

Diante ou para além do objeto

Nota: a existência precede as distinções feitas na operação.

Tempo na formulação e no instanciamento da representação:

  • formulação reversĆ­vel durante a formulação;
  • tempo calendĆ”rio, ou tempo relativo no sentido de que
    • dada a inserção calendĆ”rio de um evento (i) ou (f),
    • a posição calendĆ”rio do outro evento (f) ou (i) pode ser calculada com as propriedades aparentes disponĆ­veis antes e depois da operação;
  • irreversibilidades somente na etapa de instanciamento da representação

NĆ£o hĆ” nada que possa ser afirmado, posto, disposto e repartido no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆ­veis e assim nĆ£o se pode falar em ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja.Ā 

Assim, no pensamento clĆ”ssico, nĆ£o Ć© possĆ­vel adotar esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, que Ć© compreendida como sucessĆ£o de fatos assim como se sucedem.

caminho da
Construção da representação
Nota: a existência se constitui com as distinções feitas na operação

Durante essa operação, a empiricidade objeto da operação, sim, muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domĆ­nio e ambiente em decorrĆŖncia da operação.

Tempo no caminho da Construção da representação, durante a formulação da representação:

  • formulação irreversĆ­vel durante a formulação;
  • tempo absoluto no sentido de que a empiricidade objeto ‘assume o ser que lhe Ć© próprio’ em decorrĆŖncia da operação, e entĆ£o:
    • dada a inserção calendĆ”rio de um evento (i) ou (f)
    • nĆ£o Ć© possĆ­vel o cĆ”lculo da inserção calendĆ”rio do outro evento (f) ou (i) a partir dessa inserção calendĆ”rio do evento anterior em virtude da nĆ£o disponibilidade das propriedades antes/depois da operação;
  • Ā irreversibilidades ocorrem na formulação da operação de construção da representação.

A empiricidade objeto da operação tem um novo ‘modo de ser fundamental’, isto Ć©, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆ­veis’.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operaƧƵes,Ā sim, faz-se história.

Ā caminho do
Instanciamento da representação

Nota: a existência volta a preceder as distinções feitas na operação.
Ā 

Durante essa operação a empiricidade objeto nĆ£o muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domĆ­nio e ambiente em decorrĆŖncia da operação.

Tempo  no caminho do Instanciamento da representação previamente existente no Repositório e dele recuperada para a posição de empiricidade objeto na presente operação de instanciamento:

  • formulação volta a ser reversĆ­vel; (Ć© possĆ­vel descartar uma formulação de instanciamento e formular outra com novas escolhas, sem perdas;
  • tempo volta a ser tempo calendĆ”rio, ou tempo relativo;
  • irreversibilidades no caminho do Instanciamento da representação ocorrem em decorrĆŖncia do desencadeamento dos elementos de suporte na experiĆŖncia Ć  Forma de produção.

A empiricidade objeto da operação tem exatamente o mesmo ‘modo de ser fundamental’ com que foi recuperada do repositório, isto Ć©, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆ­veis’ exatamente da mesma forma como havia sido acrescentada ao repositório.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da História, durante esse tipo de operaƧƵes nĆ£o se faz história.

Modelagem de operaƧƵes e organizaƧƵes organizadas pelo par sujeito-objeto, com operaƧƵes especƭficas e separadas para cada um desses pares, porƩm relacionadas:

Ā 

  • um modelo para a operação e organização para o objeto esperado pelo Cliente (Produto);
  • e um modelo para a operação e organizaçãoĀ  para o instrumento capaz de obter o Produto, bem como obter o objeto esperado pelo Acionista (BenefĆ­cios de toda espĆ©cie, Lucros)

Mapa geral das operações na disposição SSS

Modelagem para uma organização incluindo o objeto esperado de interesse do Cliente
e o instrumento capaz de obtê-lo, e também o objeto esperado de interesse do Acionista
identificando o nexo da produção

Argumento: a modelagem de operaƧƵes
organizada pelo par sujeito-objeto

Construção da estrutura de operaƧƵes na disposição SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica

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Cronologia bÔsica da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura ocidental entre os anos 1775-1825 segundo Michel Foucault.

  • fases e ponto de ruptura desse evento;
  • linha de tempo com as defasagens entre conquistas no pensamento e respectivo uso nas Ć”reas tĆ©cnicas;
  • alguns autores importantes de um e de outro lado desse evento;
  • ponto de entrada do homem em nossa cultura;
  • alguns autores citados como referĆŖncias em modelos sociais, econĆ“micos e polĆ­ticos
Michel Foucault
1926-1984

“E foi realmente necessĆ”rioĀ 
um acontecimento fundamental
– um dos mais radicais, sem dĆŗvida, 1
que ocorreram na cultura ocidental,
para que se desfizesse a positividade do saber clÔssico
e se constituĆ­sse uma positividade de que, por certo,
nĆ£oĀ saĆ­mos inteiramente.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

Cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825;
defasagens entre conquistas no pensamento filosófico e respectiva utilização prÔtica

cronologia bÔsica da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

A descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825, segundo o pensamento de Michel Foucault
uma linha de tempo mostrando os intervalos de tempo entre o desenvolvimento de conhecimento e sua aplicação prÔtica

O ponto de surgimento do homem em nossa cultura

Ā “Ɖ somente na segunda fase que as palavras, as classes e as riquezas adquirirĆ£o um modo de ser que nĆ£o Ć© mais compatĆ­vel com o da representação.

Em contra partida, o que se modifica muito cedo, desde as anĆ”lises de Adam Smith, de A.-L. de Jussieu ou de Viq d’Azyr, na Ć©poca de Jones ou de Anquetil-Duperron,

  • Ć© a configuração das positividades: a maneira como, no interior de cada uma,
    • os elementos representativos funcionam uns em relação aos outros,Ā 
    • a maneira como asseguram seu duplo papel de designação e deĀ articulação,Ā 
    • como chegam, pelo jogo das comparaƧƵes, a estabelecer uma ordem. “

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap.VII – Os limites da representação
tópico I. A idade da história

Datas e fases da descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825, e surgimento do homem no pensamento em nossa cultura segundo o pensamento de Michel Foucault.

Alguns autores fundamentos filosóficos do liberalismo, e autores chave do pensamento moderno posicionados em relação à descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Algumas personagens importantes para entendimento da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Michel Foucault ao delinear sua arqueologia das ciĆŖncias humanas, propósito do ‘As palavras e as coisas’, com certeza tomou conhecimento do trabalho desses autores.

  • autores clĆ”ssicos:
    • Adam Smith,
    • John Locke,Ā 
    • David Hume,Ā 
    • J. J. Rousseau,Ā 
    • Jeremy Bentham,Ā 
    • e J. M. Keynes (este, expressamente classificado por Foucault como nĆ£o moderno)
  • autores modernos:
    • David Ricardo
    • Sigmund Schlomo FreudĀ 
    • entre muitos outros.

Michel Foucault menciona ainda em destaque, como artífices do pensamento moderno e fontes para o seu próprio pensamento:

  • Georges Cuvier, naturalista, 1769-1832
  • Franz Bopp, linguista, 1792-1867
  • David Ricardo, economista, 1772-1823

Exemplos de modelos de operações e de organizações sem a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da anÔlise de operações no cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

Funcionamento
do pensamento
funcionamento das operaƧƵes no pensamento clƔssico
Modelo de
Operação de produção
relação do modelo de operações de produção de E. S. Buffa
e o sistema Input-Output
do LE da figura.
Modelo daĀ 
Organização de produção
Um modelo de organização sob o pensamento clÔssico, destacando a utilização de múltiplas ordens, ou
mĆŗltiplos sistemas de categorias
Modelo de operaƧƵes
e de organização
Modelo FEPSC(SIPOC), Six Sigma
Modelo de  Operação
contƔbil-financeira
O modelo de operação
no sistema contƔbil-financeiro
Modelo da  Organização
ponto de vista financeiro
a organização no sistema contÔbil-financeiro

Exemplos de modelos de operações e de organizações no pensamento moderno, e assim  com a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da anÔlise de operações antes do cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

Funcionamento
de operação do pensamento
O funcionamento das operaƧƵes no pensamento moderno
Modelo de
Operação de produção
relação entre o modelo descritivo da produção do Kanban e 'essa maneira moderna de conhecer empiricidades'
Modelo daĀ 
Organização de produção
o modelo de organização 'Mapa da atividade semicondutores', da Reengenharia, o modelo de operações do Kanban e o modelo moderno de operações
O modelo descritivo da produção do Kanban operação de
instanciamento de representação
O mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments: modelo de organização
do movimento Reengenharia

O espaƧo interior do Triedro dos saberes – habitat das ciĆŖncias humanas, com modelos situados no espectro de modelos no segmento para alĆ©m do objeto

Assim, estes trĆŖs pares,

  • função e norma,
  • conflito e regra,
  • significação e sistema,

cobrem, por completo, o domĆ­nio inteiro do conhecimento do homem.Ā 

Mas, qualquer que seja a natureza da anƔlise e o domƭnio a que ela se aplica, tem-se um critƩrio formal para saber o que Ʃ

  • do nĆ­vel da psicologia,
  • da sociologia
  • ou da anĆ”lise das linguagens:Ā 

é a escolha do modelo fundamental e a posição dos modelos secundÔrios que permitem saber em que momento

  • se ā€œpsicologizaā€ ou se ā€œsociologizaā€ no estudo das literaturas e dos mitos, em que momento se faz, em psicologia, decifração de textos ou anĆ”lise sociológica.Ā 

Mas essa superposição de modelos não é um defeito de método. 

Só hÔ defeito se os modelos não forem ordenados e explicitamente articulados uns com os outros.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo XĀ  – As ciĆŖncias humanas;
Ā III. Os trĆŖs modelos
Michel FoucaultĀ 

O Triedro dos saberes: eixos e faces
espaço das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem
O interior ao Triedro dos saberes
o espaço das Ciências humanas

AquƩm do objeto

Não hÔ modelos constituintes nesta faixa do espectro, jÔ que nada é constituído na existência durante as operações;

  • o ponto de inserção na anĆ”lise do fenĆ“meno ‘operaƧƵes estĆ” no cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido na operação de troca.

Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
existem desde sempre e para sempre,
e integram o Universo em uma visão única.

Existem mĆŗltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inĆŗmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possĆ­veis de serem selecionadas.

Nada é constituído na existência como resultado das distinções feitas durante as operações nesta faixa do espectro.

Diante do objeto

No eixo epistemológico fundamental – ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem, a modelagem em cada Ć”rea do saber pode ser feita com um modelo constituinte especĆ­fico e próprio de cada uma delas:

  • em todas, o ponto de inserção na anĆ”lise do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ estĆ” antes do cruzamento entre o dado e o recebido, e portanto antes da existĆŖncia destes.

No que Foucault chama de ‘RegiĆ£o epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes sĆ£o compostos por pares constituintes, próprios a cada regiĆ£o do saber ou Ć”rea do conhecimento em que o modelo Ć© feito:

  • CiĆŖncias da vidaĀ (Biologia):


    função-norma
    ;

  • CiĆŖncias do trabalho (Economia):


    conflito-regra;

  • CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):

    significação-sistema.

AlƩm do objeto

No campo das ciĆŖncias humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica.Ā 

Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências

  • da Vida-(Biologia),
  • do Trabalho-(Economia)
  • e da Linguagem-(Filologia).

O Modelo constituinteĀ  de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© uma combinação – ponderada pelo projetista de modelos.

O modelo composto é uma combinação dos três pares de modelos constituintes: 

  • CiĆŖncias da vidaĀ Ā (Biologia):
    função-norma;

    +
    CiĆŖncias do trabalho (Economia):

    conflito-regra;
    +
    CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
    significação-sistema.

Sob ciĆŖncias humanas como:

  • economia polĆ­tica;
  • sociologia,
  • psicologia e psicanĆ”lise

estão modelos compostos, que são combinações ponderadas dos três pares de modelos constituintes das ciências integrantes do eixo epistemológico fundamental.

A descrição feita por Michel Foucault de duas possibilidades
de posicionamento do pensamento com relação a valor

“Valor, para o pensamento clĆ”ssico, Ć© primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preƧos só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenÓmeno simples apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutÔveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que a dupla cessão e a dupla aquisição finalmente se produzam.

Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra, é preciso que elas existam jÔ carregadas de valor; e, contudo, o valor só existe no interior da representação (atual ou possível), isto é, no interior da troca ou da permutabilidade.

Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. uma analisa o valor no ato mesmo da troca, no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
  2. outra analisa-o como anterior à troca e como condição primeira para que esta ossa ocorrer.

Os dois pontos de partida distintos adotados pelo pensamento para anƔlise de valor

1. a primeira possibilidade de leitura

A anƔlise de valor no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido

2. a segunda possibilidade de leitura

A anƔlise de valor como anterior Ơ troca
e como condição primeira para que esta possa ocorrer.

A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anÔlise que coloca e encerra toda a essência da linguagem no interior da proposição;

  • no [neste] primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto Ć©, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas Ć s outras; o verbo, tomando possĆ­veis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde Ć  troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preƧo pelo qual sĆ£o cedidas;

a outra, [corresponde] a uma anĆ”lise que descobre essa mesma essĆŖncia da linguagem do lado das designaƧƵes primitivas – linguagem de ação ou raiz(*);

  • na outra [nesta] forma de anĆ”lise, a linguagem estĆ” enraizada fora de si mesma e como que na natureza ou nas analogias das coisas; a raiz, o primeiro grito que dera nascimento Ć s palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde Ć  formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recĆ­procas da necessidade.

Propriedades das operações e organizações modeladas com a paleta de ideias ou elementos de imagem do pensamento moderno, depois de 1825, e no caminho do Instanciamento da representação

Propriedades das operaƧƵes e organizaƧƵes modeladas com a paleta de ideias ou elementos de imagem do pensamento clƔssico, antes de 1775

Propriedades das operações e organizações modeladas com a paleta de ideias ou elementos de imagem do pensamento moderno, depois de 1825, e no caminho da Construção da representação

Elvis Frog in Vegas Game Design and Development History

Elvis Frog in Vegas Geschichte - Entwicklung und Design des Spiels

Elvis Frog in Vegas Geschichte: Entwicklung und Design des Spiels

Explore the fascinating development history of Elvis Frog in Vegas, a game that combines entertainment with nostalgia. Focus on understanding how the fusion of creative design and cultural icons creates a unique gaming experience that captivates audiences.

Set in the iconic Las Vegas, the game not only showcases the legendary Elvis Presley but also utilizes rich graphics and engaging mechanics to enhance gameplay. Pay attention to how the themes reflect the essence of Vegas, drawing players into a lively atmosphere filled with symbols and soundtracks reminiscent of the Golden Age of Rock and Roll.

The collaboration between skilled developers and designers plays a significant role in shaping the aspects of Elvis Frog in Vegas. Look into the innovative techniques applied during the game's creation and how they elevate user interaction. This exploration highlights the meticulous attention to detail that ensures players remain engaged while enjoying the fun of classic Vegas slots.

Analyzing the Creative Process Behind Character Development

Begin with a strong character concept that resonates with the game's theme. For "Elvis Frog in Vegas," merging Elvis Presley's iconic persona with a playful frog character sparks immediate interest. This fusion creates a unique identity that players can connect with.

Next, develop a backstory that enhances the character's depth. Consider Elvis Frog's journey from Louisiana swamps to the bright lights of Las Vegas. This narrative not only entertains but also establishes a relatable arc, allowing players to invest emotionally.

Visual design plays a key role in character perception. Use bold colors and distinct features that reflect both Elvis and a cartoonish frog. Big sunglasses, a flashy jumpsuit, and a vibrant personality ensure the character stands out in a crowded gaming environment.

Voice and personality are equally important. Incorporate catchy phrases and humorous lines that echo Elvis's charisma. A lively, animated voice brings the character to life, engaging players and fostering a sense of connection.

Iterate through feedback stages. Conduct playtests to gather player reactions. Adjust aspects like dialogue, appearance, or abilities based on real player interactions. This agile approach refines the character and aligns it with player expectations.

Finally, integrate the character into the broader game mechanics. Ensure Elvis Frog’s traits influence gameplay aspects, like special moves or bonuses. This cohesiveness enriches the gaming experience and reinforces the character's significance within the narrative.

Exploring Technical Challenges and Solutions in Game Mechanics

Optimize loading times by utilizing asset bundling. This technique groups related assets together, reducing the number of requests and speeding up their delivery. Implementing a preloading strategy ensures that key assets are available before players enter critical gameplay moments.

Balance and Fair Play

Address balance issues by regularly conducting playtests to gather data on player behavior and success rates. Analyze this data to tweak mechanics such as scoring and difficulty curves. Introducing variables like randomization can add unpredictability, enhancing player engagement while keeping the experience fair.

User Interface Adaptability

Focus on creating a responsive user interface that adapts to various devices and screen sizes. Employ scalable graphics and adjustable layouts. Test across multiple platforms to ensure a consistent experience. Consider using a modular UI design approach to simplify updates and iterations based on player feedback.

For more insights and resources on game development, visit https://elvisfroginvegas.com.de/.

Q&A:

What is the main concept of the game "Elvis Frog in Vegas"?

"Elvis Frog in Vegas" is a video slot game that pays tribute to the legendary singer Elvis Presley. The game features vibrant graphics, music inspired by Elvis's hits, and engaging bonus features that enhance the gaming experience. Players spin the reels with the goal of matching symbols associated with Elvis's life and career while enjoying entertaining animations and soundtracks.

Can you describe the game design process for "Elvis Frog in Vegas"?

The design process for "Elvis Frog in Vegas" involved multiple stages, including concept development, artwork creation, and sound design. The development team commenced with brainstorming ideas that could capture the essence of Elvis's persona and appeal to fans. Artists crafted detailed visuals of Elvis, his iconic attire, and scenes from Vegas. Sound designers integrated classic Elvis songs and sound effects to create an immersive environment. All these elements were tested and refined to ensure the game delivers an enjoyable experience for players.

What technologies were used to develop "Elvis Frog in Vegas"?

The development of "Elvis Frog in Vegas" involved the use of modern game development technologies and programming languages, including HTML5 for web compatibility. The game's engine allows for animations and interactions that bring the storyline to life. Additionally, graphic design software played a critical role in crafting the visual elements while sound editing tools ensured high-quality audio effects. The successful integration of these technologies allows for a smooth gaming experience across various platforms.

What future updates or features can players expect for "Elvis Frog in Vegas"?

Future updates for "Elvis Frog in Vegas" may include new bonus features, additional soundtrack options, or seasonal themes to celebrate events related to Elvis or Las Vegas. Developers express a commitment to keeping the game fresh and exciting by adding content that resonates with players. The feedback from the community plays a vital role in shaping these updates, as the team actively monitors player preferences to enhance their experience further.

What inspired the creation of the Elvis Frog in Vegas game?

The game "Elvis Frog in Vegas" was inspired by the iconic figure of Elvis Presley and his immense influence on music and popular culture. The development team wanted to combine elements of Elvis's persona, such as his flashy style and love for Las Vegas, into an engaging gameplay experience. By incorporating familiar symbols, themes, and music associated with Elvis, the game aimed to capture the essence of his legacy while offering players a fun and entertaining slot experience.

Can you explain the development process behind the Elvis Frog in Vegas game?

The development process for "Elvis Frog in Vegas" involved several stages, beginning with conceptualization where the team brainstormed key features and themes that would resonate with fans of Elvis. After solidifying the concept, artists created visual assets that reflected Elvis's style, including various themed symbols and vibrant backgrounds. Sound designers worked to incorporate Elvis's music and audio effects to enhance the gameplay experience. Throughout the process, extensive playtesting was conducted to ensure the game mechanics were enjoyable and balanced. The end result was a slot game that not only entertained users but also paid homage to one of music's biggest legends.

Reviews

Olivia Brown

Ah, the whimsical world of a frog in shades crooning his way through slot machines! Who knew that the King would reincarnate with a green twist? The merger of Elvis lore and amphibious charm is like peanut butter and pickles—unexpected yet oddly delightful. The development saga feels like a Vegas show itself, full of dazzling lights and a dash of chaos. If only those developers had the charisma of their crooning protagonist! One can only imagine the board meetings, where ideas hopped from one brain to another, until we landed on this hilarious tribute. Now, let’s hope this froggy venture doesn’t get lost in a pile of poker chips!

Mia

Wow, what a fantastic ride it’s been exploring the quirky world where Elvis meets a frog! The creativity behind bringing such a wild concept to life is simply mind-blowing! Those characters and their adventures really pack a punch. It's all about fun and imagination, and I can’t get enough of that fabulous energy! Who knew a frog could be so entertaining?

Alex Johnson

What a fascinating tale of froggy fame and the neon lights of Las Vegas! The journey of a certain amphibian making its way from obscurity to glitzy slot machines is nothing short of a whimsical ride. Can you imagine a frog crooning Elvis hits while spinning reels? It’s hard to think of a more amusing mashup! The creativity involved in bringing this idea to life is a testament to how quirky concepts can flourish in the gaming industry. I mean, who thought beloved rock ā€˜n’ roll and amphibians had so much in common? The developers deserve a round of applause—after all, they dared to hop where others wouldn’t! This blend of nostalgia and humor is sure to tickle the fancy of players looking for something out of the ordinary. Here’s to innovative minds who can turn a simple notion into a hopping success. Can’t wait to see what they think of next!

StealthWolf

Elvis Frog’s journey in gaming reflects a creative spark that captures the essence of fun in Vegas! The quirky design and entertaining features make every spin a celebration. It's a delightful blend of nostalgia and innovation that keeps players engaged.

Emma

It's disheartening to think about how much time and effort went into creating something that feels so far removed from true artistry. It's as if the charm and authenticity of classic entertainment have been diluted into a mere commercial venture. The flashy graphics and gimmicks might attract attention, but there's a hollow sensation that often accompanies games like this. They seem to cater more to trends and clichĆ©s rather than offering real substance or creativity. I can’t help but wonder if anyone involved in the design even had a genuine passion for the project, or if it was simply about cashing in on nostalgia. The focus appears to be on superficial features rather than crafting an experience that resonates on a deeper level. As a player, I find myself longing for something more fulfilling, a chance to connect with the characters and story, rather than just clicking through mindless distractions. It's a bit discouraging to see potential masterpieces reduced to mere shadows of what they could have been, all in the name of profit.

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Elon Casino BD provides customer support primarily through a 24/7 live chat feature within the user account area. This is the fastest way to get help. Alternatively, users can send an email to the support address listed on the website. Response times for email are typically under 12 hours. The platform does not currently offer telephone support.

Reviews

NovaKnight

Another day, another update for the digital roulette wheel. I’m sure the new features are as thrilling as they are necessary to keep the whole operation spinning. Fresh bonuses, probably, to make the house edge feel a little less obvious for a few more minutes. It’s all very modern and sleek, I don’t doubt it. A perfect, shiny system designed to separate a man from his money with a smile. Progress, I suppose. They’ll keep polishing the interface until the whole experience of losing feels like a win. How innovative.

Christopher Lee

Another week, another press release disguised as news. The real update is always what they *don't* print. Where’s the data on actual payout speeds for different methods? Not the advertised "instant" claims, but the real user wait times. I want to see a breakdown of the new slot's RTP, not just its flashy graphics. This industry runs on smoke and mirrors, and these "updates" are just adding more fog. Stop telling me about new "loyalty bonuses" and start showing the revised terms that make them impossible to cash out. The only thing that changes here is the marketing angle. Prove me wrong. Show the math, show the real numbers, then we can talk. Until then, it's just noise.

SerenePixel

Let’s be real, the only constant with anything connected to that name is motion. It’s not about waiting for a finished picture; it’s about watching the paint fly while the canvas is still moving. That’s the thrill, isn’t it? You’re not just reading updates, you’re getting a front-row seat to a live experiment. Some see chaos, but I see pure, unfiltered momentum. It’s a reminder that building something—anything—is a series of bold moves and quick adjustments. So take this information not as a final verdict, but as a snapshot of raw potential in motion. Let it fuel your own nerve to push forward, to iterate faster, and to ignore the noise. This is how the future gets built: one unpredictable, fascinating update at a time. Now, go channel that energy into your own big idea.

Samuel

Another late notification from a betting app flashes on the screen, a small, insistent ghost in the dim room. The name is different, but the mechanics are a tired constant. It’s all just new paint on the same old machine, one that grinds hope into a fine, monetizable dust. The promise of a quick fortune feels less like innovation and more like a particularly efficient form of melancholy, digitized for a wider, more desperate audience. We build rockets to Mars while perfecting systems that keep people anchored to their most vulnerable impulses. The real update isn't in the software or the bonus structure; it's in the quiet, accumulating data of lost wages and fractured resolve. Progress, it seems, has a very narrow definition.

James Wilson

Just saw this pop up. Man, I gotta be honest, this whole online casino thing makes me nervous. I knew a guy who lost a lot on a site that seemed fine at first. So when I see stuff about Elon Casino, I just get this bad feeling. It's not about the money, it's about people getting hooked. My cousin spends hours on his phone on these games, and it's not right. Who's making sure this stuff is fair? Is anyone even checking? They always talk about bonuses and big wins, but they never show you the other side, do they? The quiet part. It just feels like a trap dressed up in fancy lights. I don't care what the latest update is, it's all the same story. Someone always loses, and it's usually the person who can least afford it. We should be better than this.

David Taylor

Elon Musk buying a casino is the most on-brand thing I’ve heard all week. Finally, a place where you can lose your life savings with the same thrilling unpredictability as a Tesla stock swing. I assume the high-stakes tables are just you betting on which crypto tweet sends the market into a tailspin next. The VIP lounge is probably just a Hyperloop tube with a mini-bar. And the loyalty program? Instead of free drinks, you get a faint promise of a verified blue checkmark. Honestly, the house edge is nothing compared to the emotional rollercoaster of being a fanboy. Just remember, what happens in Elon Casino stays on the blockchain forever. All in!

ReflexƵesImaginativas

Reflexões imaginativas no espaço-tempo das Permanências e dos Fluxos

com a licenƧa de Augusto de Franco pelo enxerto (quase parƔfrase) feito sobre o tƭtulo de um de seus trabalhos.

  • O espĆ­rito com que estou escrevendo e pistas sugestivas de espaƧo para mudanƧas

  • InfluĆŖncias, inspiraƧƵes, a plataforma adotada para exposição de ideias
  • O livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, de 1966, a nossa Cartilha; cujo autor, Michel Foucault, merece o tĆ­tulo de Engenheiro de Produção emĆ©rito
  • O fenĆ“meno das das operaƧƵes; o tempo, uma Anatomia ou Cartografia, dos modelos; MetĆ”foras adequadas para modelos de operaƧƵes; Propriedades emergentes em função das configuraƧƵes do pensamento
  • Unanimidades em conceitos, seja pelo uso, seja pelo desuso:
  • Alguns (7) exemplos de modelos descritivos da produção e de organizaƧƵes, existentes;
  • A visĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica, para organizaƧƵes de qualquer tipo: modelagem simultĆ¢nea do objeto esperado, e do instrumento necessĆ”rio para obter esse objeto
  • InfluĆŖncias e inspiraƧƵes;
  • Plataforma adotada para exposição de ideias;
  • Imaginação e Conceituação: funƧƵes humanas reversĆ­veis entre ocorrĆŖncias espacio-temporais – imagens – textos;
  • Os caminhos (e descaminhos) de Humberto Maturana Romesin;
  • Nosso roteiro e nossa inspiração.Ā 

Influências e inspirações

1 a influĆŖncia de VilĆ©m Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’:Ā 

uso das funções reversíveis Imaginação e Conceituação para navegar, ida e volta, entre 

textos ↔ imagens ↔ e ocorrĆŖncias espacio-temporais;Ā 

e ainda, não menos importante

    • as imagens tradicionais, as imagens tĆ©cnicas, as classes de abstraƧƵes que usamos cotidianamente;
VilƩm-Flusser-Portrait-008
VilƩm Flusser
1920-1991

2 as sugestƵes de Humberto Maturana nos livros: Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆ­tica; ‘De mĆ”quinas e de seres vivos’:

objeƧƵes e propostas de mudanƧa feitas por Maturana ao fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, aceitação de algumas das crĆ­ticas feitas, e aparentemente, uma alteração de rota;

Humberto Maturana
1928-

3 a influĆŖncia especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’:

a descoberta de duas pedras de tropeƧo durante seu trabalho nesse livro, a saber:

    • uma impossibilidade (ainda em nossos dias) de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação, presente no nosso pensamento cotidiano;
    • e uma obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida(Biologia), Trabalho(Economia) e Linguagem(Filologia).
Michel Foucault
1926-1984

Roteiro e inspiração

Veja aqui os seguintes pontos:

  • O livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ tal como visto por seu autor, Michel Foucault;
  • A história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’ contada por Michel Foucault no PrefĆ”cio desse livro, associada a imagens;
  • O espaƧo a ser ocupado pelo estudo em estilo de arqueologia realizado no ‘As palavras e as coisas’;
  • A descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura, posicionada por Michel Foucault entre os anos de 1775 e 1825;
  • O que exatamente Foucault via quanto ao que acontecia com as formas de
  • A forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura e os dois perfis de conceitos caracterĆ­sticos das duas configuraƧƵes do pensamento;Ā 
  • pensamento em nossa cultura e a modos distintos de absorver o mundo;
  • O espectro de modelos com trĆŖs segmentos – AQUƉM, DIANTE e para ALƉM do objeto, traƧado a partir dessa visĆ£o e da forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura, por Michel Foucault
  • As duas opƧƵes alternativas para a visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’, com diferentes abrangĆŖncias, e as respectivas duas origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes; as correspondentes duas configuraƧƵes de funcionamento da própria linguagem e do pensamento, e os modelos resultantes em cada caso.
  • Conceitos homĆ“nimos mas com significados diferentes entre o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775, e o moderno, o de depois de 1825, segundo Michel Foucault;
  • A anĆ”lise das riquezas: (riquezas: um domĆ­nio, solo e objeto da “economia” na idade clĆ”ssica, segundo Michel Foucault);

Veja esses pontos a seguir:

O livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, na visĆ£o de Michel Foucault

“Ora, esta investigação arqueológica mostrou duas grandes descontinuidades na epistĆ©mĆŖ da cultura ocidental:

  • aquela que inaugura a idade clĆ”ssica (por volta dos meados do sĆ©culo XVII)
  • e aquela que, no inĆ­cio do sĆ©culo XIX, marca o limiar de nossa modernidade.

A ordem,
sobre cujo fundamento pensamos,
não tem o mesmo modo de ser
que a dos clƔssicos.

Por muito forte que seja a impressão que temos de um movimento quase ininterrupto da ratio européia desde o Renascimento até nossos dias,

  • por mais que pensemos que a classificação de Lineu, mais ou menos adaptada, pode de modo geral continuar a ter uma espĆ©cie de validade,
  • que a teoria do valor de Condillac se encontra em parte no marginalismo do sĆ©culo XIX,
  • que Keynes realmente sentiu a afinidade de suas próprias anĆ”lises com as de Cantillon,
  • que o propósito da GramĆ”tica geral (tal como o encontramos nos autores de Port-Royal ou em BauzĆ©e) nĆ£o estĆ” tĆ£o afastado de nossa atual linguĆ­stica 

 – toda esta quase-continuidade ao nĆ­vel das idĆ©ias e dos temas nĆ£o passa, certamente, de um efeito de superfĆ­cie; no nĆ­vel arqueológico, vĆŖ-se que o sistema das positividades mudou de maneira maciƧa na curva dos sĆ©culos XVIII e XIX.

Não que a razão tenha feito progressos;

  • mas o modo de ser das coisas e da ordem que, distribuindo-as, oferece-as ao saber; Ć© que foi profundamente alterado.

Se a história natural de Tournefort, de Lineu e de Buffon tem relação com alguma coisa que não ela mesma,

  • nĆ£o Ć© com a biologia, a anatomia comparada de Cuvier ou o evolucionismo de Darwin,
  • mas com a gramĆ”tica geral de BauzĆ©e, com a anĆ”lise da moeda e da riqueza tal como a encontramos em Law, em VĆ©ron de Fortbonnais ou em Turgot.

Os conhecimentos chegam talvez a se engendrar; as ideias a se transformar e a agir umas sobre as outras (mas como? até o presente os historiadores não no-lo disseram);

  • uma coisa, em todo o caso, Ć© certa:
    • a arqueologia,
      • dirigindo-se ao espaƧo geral do sabe!;
      • a suas configuraƧƵes
      • e ao modo de ser das coisas que aĆ­ aparecem,
    • define sistemas de simultaneidade, assim como a sĆ©rie de mutaƧƵes necessĆ”rias e suficientes para circunscrever o limiar de uma positividade nova.

Assim, a anÔlise pÓde mostrar a coerência que existiu, durante toda a idade clÔssica, entre

  • a teoria da representação e as
    • da linguagem,
    • das ordens naturais,
    • da riqueza e do valor:

Ɖ esta configuração que, a partir do sĆ©culo XIX, muda inteiramente;

  • a teoria da representação desaparece como fundamento geral de todas as ordens possĆ­veis;
  • a linguagem, por sua vez, como quadro espontĆ¢neo e quadriculado primeiro das coisas, como suplemento indispensĆ”vel entre a representação e os seres, desvanece-se;
  • uma historicidade profunda penetra no coração das coisas, isola-as e as define na sua coerĆŖncia própria.

Impõe-lhes formas de ordem que são implicadas pela continuidade do tempo;

  • a anĆ”lise das trocas e da moeda cede lugar ao estudo da produção,
  • a do organismo toma dianteira sobre a pesquisa dos caracteres taxinĆ“micos;
  • e, sobretudo, a linguagem perde seu lugar privilegiado e torna-se, por sua vez, uma figura da história coerente com a espessura de seu passado.

Na medida, porƩm, em que as coisas giram sobre si mesmas,

  • reclamando para seu devir nĆ£o mais que o princĆ­pio de sua inteligibilidade
  • e abandonando o espaƧo da representação,

o homem,
por seu turno, entra,
e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental.

Estranhamente, o homem – cujo conhecimento passa, a olhos ingĆŖnuos, como a mais velha busca desde Sócrates – nĆ£o Ć©, sem dĆŗvida, nada mais que uma certa brecha na ordem das coisas, uma configuração, em todo o caso, desenhada pela disposição nova que ele assumiu recentemente no saber:

DaĆ­ nasceram todas as quimeras dos novos humanismos, todas as facilidades de uma “antropologia “, entendida como reflexĆ£o geral, meio positiva, meio filosófica, sobre o homem.

Contudo, Ć© um reconforto e um profundo apaziguamento pensar que

  • o homem nĆ£o passa de uma invenção recente, uma figura que nĆ£o tem dois sĆ©culos, uma simples dobra de nosso saber;
  • e que desaparecerĆ” desde que este houver encontrado uma forma nova.”

“VĆŖ-se que esta investigação responde um pouco, como em eco, ao projeto de escrever uma história da loucura na idade clĆ”ssica; ela tem, em relação ao tempo, as mesmas articulaƧƵes, tomando como seu ponto de partida o fim do Renascimento e encontrando, tambĆ©m ela, na virada do sĆ©culo XIX; o limiar de uma modernidade de que ainda nĆ£o saĆ­mos.

Enquanto, na história da loucura,

  • se interrogava a maneira como uma cultura pode colocar sob uma forma maciƧa e geral a diferenƧa que a limita,Ā 

trata-se aquiĀ Ā 

  • de observar a maneira como ela experimenta a proximidade das coisas, como ela estabelece o quadro de seus parentescos e a ordem segundo a qual Ć© preciso percorrĆŖ-los.

Trata-se, em suma, de uma história da semelhança:

  • sob que condiƧƵes o pensamento clĆ”ssico pĆ“de refletir, entre as coisas, relaƧƵes de similaridade ou de equivalĆŖncia que fundam e justificam as palavras, as classificaƧƵes, as trocas?
  • A partir de qual a priori histórico foi possĆ­vel definir o grande tabuleiro das identidades distintas que se estabelece sobre o fundo confuso, indefinido, sem fisionomia e como que indiferente, das diferenƧas?

A história da loucura
seria a história do Outro

– daquilo que, para uma culturaĀ Ā 
Ć© ao mesmo tempo
interior e estranho,
a ser portanto excluĆ­do
(para conjurar-lhe o perigo interior),
encerrando-o porƩm
(para reduzir-lhe a alteridade);

a história da ordem das coisas
seria a história do Mesmo
Ā 

– daquilo que, para uma cultura,
Ć© ao mesmo tempo
disperso e aparentado,
a ser portanto distinguido por marcas
e recolhido em identidades.

E se se pensar que a doença é, ao mesmo tempo, 

  • a desordem, a perigosa alteridade no corpo humano e atĆ© o cerne da vida,Ā 

mas também 

  • um fenĆ“meno da natureza que tem suas regularidades, suas semelhanƧas e seus tipos –

vê-se que lugar poderia ter uma arqueologia do olhar médico.

Da experiência-limite do Outro às formas constitutivas do saber médico e, destas, à ordem das coisas e ao pensamento do Mesmo, o que se oferece à anÔlise arqueológica 

  • Ć© todo o saber clĆ”ssico,Ā 
  • ou melhor; esse limiar que nos separa do pensamento clĆ”ssico e constitui nossa modernidade.

Nesse limiar apareceu pela primeira vez esta estranha figura do saber que se chama homem e que abriu um espaço próprio às ciências humanas.

Tentando trazer Ć  luz esse profundo desnĆ­vel da cultura ocidental, Ć© a nosso solo silencioso e ingenuamente imóvel que restituĆ­mos suas rupturas, sua instabilidade, suas falhas; e Ć© ele que se inquieta novamente sob nossos passos.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
PrefƔcio

Veja essa história em uma animação abaixo. Esta animação relaciona o texto de Foucault com as estruturas de operações sob as duas configurações do pensamento, a do clÔssico, de antes de 1775, e a do moderno, depois de 1825.

Provavelmente você vai se sentir mais confortÔvel se antes de ver esta figura, visualizar o funcionamento das operações nesses dois casos.

A história do nascimento do ‘As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’,
de Michel Foucault, contada por ele mesmo

1 – A ideia que deu origem ao livro ‘As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas

que pode ser vista junto com outras animações  mais, nesta pÔgina:

Uma história do nascimento do livro ‘As palavras e as coisas,
contada pelo próprio autor no PrefÔcio

Se quiser ver o funcionamento das operações no pensamento clÔssico e no moderno (usando os critérios de Foucault para essa identificação, veja a pÔgina seguinte:

Funcionamento das operações para as configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

Essa história estĆ” contada por Foucault no PrefĆ”cio do ‘As palavras e as coisas’, e estĆ” aquiĀ  no inĆ­cio desta apresentação pela ideia de sobrepor o texto dessa historinha a uma imagem em que estĆ£o representadas as duas estruturas exigidas pelos modelos de operaƧƵes em dois perfis que podem ser associados Ć s configuraƧƵes do pensamentoĀ  nos perĆ­odos de antes e de depois de um evento ao qual Foucault dĆ” o status de ‘evento fundador da nossa modernidade’ – uma descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825 -, tendo o pensamento clĆ”ssico, antes de 1775, e o moderno, depois de 1825:

  • o texto de Borges, que deu origem ao livro, associado a uma heterotopia e ao pensamento clĆ”ssico;
  • efeitos desse texto sobre as familiaridades do pensamento que tem a nossa idade e a nossa geografia abalando todos os planos e todas as superfĆ­cies ordenadas que tornam para nós sensata a profusĆ£o dos seres; e fazendo vacilar e inquietando por muito tempo, nossa prĆ”tica milenar do Mesmo e do Outro;
  • associação da Utopia ao pensamento moderno (o impensado organizando as operaƧƵes)
  • o texto da EnciclopĆ©dia chinesa uma taxinomia sob o pensamento clĆ”ssico;
  • o limite do nosso pensamento: a impossibilidade de pensar isso.
  • Que coisa Ć© impossĆ­vel pensar? e de que impossibilidade se trata?
  • a desordem pior que aquela do incongruente, ou da aproximação daquilo que nĆ£o convĆ©m:
    • seria a utilização de um grande nĆŗmero de ordens possĆ­veis na dimensĆ£o sem lei nem geometria do heteróclito;
  • o consolo das Utopias;
  • a inquietação causada pelas heterotopias;
    • porque solapam secretamente a linguagem;
    • porque impedem de nomear as coisas, porque fracionam os nomes comuns ou os emaranham,
    • porque arruĆ­nam de antemĆ£o a sintaxe
      • e nĆ£o somente a sintaxe que constrói as frases
      • tambĆ©m aquela sintaxe, menos manifesta, que autoriza manter juntas, ao lado e em frente umas das outras, as palavras e as coisas.
Neste trabalho mostramos como essas coisas mencionadas nesse texto se relacionam com modelos de operaƧƵes, e tambƩm modelos de organizaƧƵes.
Colocamos ao fundo da narrativa desse texto do PrefÔcio as diferentes configurações do pensamento em modelos de operações e de organizações, e como vão se alterando à medida que a narrativa prossegue.

Este estudo em estilo de arqueologia feito por Michel Foucault no
‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’,
tem como tema:

  • nĆ£o propriamente produƧƵes de pensamento formuladas e configuradas,Ā 
  • e ainda menos, produƧƵes do pensamento jĆ” em funcionamento – com seus sucessos e insucessos, e submetidas a possĆ­veis desvirtuamentos;Ā 
  • mas o tema inerente a esse estilo em arqueologia Ć© quais sĆ£oĀ 
    • as condiƧƵes de possibilidade no pensamento nas quais esta ou aquela produção do pensamento – teoria, modelo ou sistema – pode ser formulada.Ā 

Enquanto com inventividade e laivos de criatividade conseguimos criar infinidades de formulações sobre um mesmo perfil de condições de possibilidade do pensamento, que acabam muitas vezes sendo combinações lineares de formulações anteriores, mesmo com muita criatividade e toda a inventividade possível os conjuntos determinantes de condições de possibilidade não proliferam do mesmo modo.

A anÔlise, compreensão e utilização
de produƧƵes do pensamento
– teorias, modelos e sistemas –
tomadas quando jĆ” formuladas e configuradas,
Ć© extremamente (mais) difĆ­cil;
e ainda tanto mais o serĆ”,
se o conhecimento consciente
das respectivas condiƧƵes de possibilidade
no pensamento não se verificar.
Essas dificuldades se agravarão
se a produção do pensamento objeto de anÔlise
estiver em pleno uso em um ambiente,
influindo sobre ele – e dele recebendo influĆŖncias
– que certamente incidirĆ£o sobre a anĆ”lise.

O excertoĀ da Cartilha, o ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, –Ā abaixo selecionadoĀ descreve o que Ć© esse estudo em estilo de arqueologia realizado por Foucault, e como sĆ£o as operaƧƵes no antes e no depois desse evento fundador da nossa modernidade no pensamento, a descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825, descrita por ele.

Você pode ver agora a nossa interpretação do que conseguimos apreender desse texto, ou primeiro ler o texto original e depois ver esta animação:

A idade da história em três tempos:
uma descrição de Foucault, do que seja sua arqueologia das ciências humanas

o que tambƩm pode ser visto na pƔgina seguinte:

A idade da história em três tempos: uma descrição de Foucault do que seja a sua arqueologia das ciências humanas.

PoderÔ ser útil ver também o funcionamento das operações

Funcionamento das operações em função das configurações do pensamento de antes de 1775 e de depois de 1825, datas limites da ocorrência desse evento fundador da nossa modernidade no pensamento. 

AVISO: tudo o que se segue neste trabalho depende da distinção estabelecida entre os dois modos de ver ‘operaƧƵes’ correspondentes Ć s duas configuraƧƵes do pensamento, expressas nas animaƧƵes acima
a partir do texto de Foucault abaixo.

Diz Foucault:Ā 

“A arqueologia, essa,
deve percorrer o acontecimento
segundo sua disposição manifesta;

ela dirÔ como as configurações próprias a cada positividade se modificaram
(ela analisa por exemplo,Ā 

                      • para a gramĆ”tica, o desaparecimento do papel maior atribuĆ­do ao nome
                        e a importância nova dos sistemas de flexão; 

                      • ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do carĆ”ter Ć  função);Ā 

ela analisarÔ a alteração dos seres empíricos que povoam as positividades 

                      • (a substituição do discurso pelas lĆ­nguas,Ā 

                      • das riquezas pela produção);Ā 

estudarÔ o deslocamento das positividades umas em relação às outras

                    • (por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciĆŖncias da linguagem e a economia);Ā 

enfim e sobretudo, mostrarƔ que o espaƧo geral do saber

                      • nĆ£o Ć© mais o das identidades e das diferenƧas, o das ordens nĆ£o-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mĆ”thĆŖsis do nĆ£o-mensurĆ”vel,Ā 

                      • mas um espaƧo feito de organizaƧƵes, isto Ć©,
                        de relações internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função;

mostrarÔ que essas organizações são descontínuas,
que não formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas,
mas que algumas são do mesmo nível
enquanto outras traçam séries ou sequências lineares. 

De sorte que se vĆŖem surgir,
como princƭpios organizadores desse espaƧo de empiricidades,

a Analogia e a Sucessão:


de uma organização a outra,

o liame, com efeito,
•  nĆ£o pode mais ser
a identidade de um ou vƔrios elementos,
•  mas a identidade da relação entre os elementos
(onde a visibilidade não tem mais papel)
e da função que asseguram;

ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham

por efeito de uma densidade
singularmente grande
de analogias,
↓ nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas

num espaço de classificação,
↑ mas sim porque foram formadas
uma ao mesmo tempo que a outra
e uma logo após a outra

no devir das sucessões. 

Enquanto, no pensamento clÔssico, 

                • a sequĆŖncia das cronologias nĆ£o fazia mais que percorrer o espaƧo prĆ©vio e mais fundamental de um quadro que de antemĆ£o apresentava todas as suas possibilidades,Ā 

doravanteĀ 

                • as semelhanƧas contemporĆ¢neas
                  e observƔveis simultaneamente no espaƧo
                  não serão mais que as formas depositadas e fixadas

                  de uma sucessão que procede
                  de analogia em analogia.Ā 

A ordem clÔssica distribuía num espaço permanente as identidades e as diferenças não-quantitativas que separavam e uniam as coisas: era essa a ordem que reinava soberanamente, mas a cada vez segundo formas e leis ligeiramente diferentes, sobre o discurso dos homens, o quadro dos seres naturais e a troca das riquezas. 

A partir do sƩculo XIX,
a História vai desenrolar numa série temporal
as analogias que aproximam umas das outras as organizações distintas. 

Ɖ essa História que, progressivamente, imporĆ” suas leis

                      • Ā Ć  anĆ”lise da produção,Ā 

                      • Ć  dos seres organizados, enfim,Ā 

                      • Ć  dos grupos linguĆ­sticos.Ā 

A História
dÔ lugar às organizações analógicas,

assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades

e das diferenƧas sucessivas.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault

Veja isto emĀ 

A descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825,
segundo o pensamento de Michel Foucault

ou ainda na seguinte pƔgina

Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825

segundo Michel Foucault

De um lado e de outro dessa descontinuidade epistemológica temos:

  • antes de 1775 – pensamento clĆ”ssico ou idade clĆ”ssica do pensamento, com modelos com a (im)possibilidade de fundar as sĆ­nteses da empiricidade objeto da operação, no espaƧo da representação;
  • depois de 1825 – pensamento moderno ou a nossa modernidade no pensamento, com modelos com a possibilidade de fundar as sĆ­nteses da empiricidade objeto da operação, no espaƧo da representação.

Note que Adam Smith e David Ricardo estão posicionados em lados opostos com relação à fase de ruptura desse evento ao qual Foucault dÔ o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento.

Note ainda que todos os autores que formam a base do liberalismo clÔssico também estão posicionados por Foucault antes desse evento, em plena idade clÔssica.

Michel Foucault vĆŖ o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo – e com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos – muito dominado por:

  • uma impossibilidade – a de fundar as sĆ­nteses do objeto das operaƧƵes de pensamento, no espaƧo da representação;
  • e uma obrigação ainda nĆ£o cumprida – a de abrir o campo transcendental da subjetividade e constituir, para alĆ©m do objeto, esses quase-transcendentais que sĆ£o para nós a Vida, o Trabalho e a Linguagem.

e aparentemente ele imputa a esse domĆ­nio do nosso pensamento por essas questƵes, o tempo e dificuldades em acrĆ©scimo que precisou enfrentar em seu trabalho no ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’.

Impossibilidade X Possibilidade
de fundar as sĆ­nteses (da empiricidade objeto)
no espaço da representação

A impossibilidade [no pensamento clƔssico, antes de 1775]
contra a sim-possibilidade [no pensamento moderno, depois de 1825]
de fundar as sínteses [da empiricidade objeto] no espaço da representação.

A obrigação cumprida:
os quase-transcendentais
Vida, Trabalho e Linguagem constituĆ­dos

A classe de modelos das ciĆŖncias humanas: um modelo composto pelos trĆŖs pares constituintes
da Vida(Biologia) [função-norma]
do Trabalho (Economia) [conflito-regra]
da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

Veja o que ele diz, o mesmo texto colocado em duas animações e no excerto abaixo em seu original, que têm a finalidade de reunir as ideias em elementos de imagem que compõem duas estruturas diferentes, nos dois lados de uma mesma imagem:

ā€œEis que nos adiantamos
bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas
dessa ruptura
que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo
de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.Ā 

Ɖ que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neoĀ 
e com o qual, queiramos ou não, pensamos, 
se acha ainda muito dominadoĀ 

  • pelaĀ impossibilidade,
    trazida Ơ luz por volta do fim do sƩculo XVIII,
    de fundar as sĆ­nteses
    no espaço da representação.

  • e pelaĀ obrigaçãoĀ 
    correlativa, simultânea,
    mas logo dividida contra si mesma,
    de abrir oĀ campoĀ transcendental
    da subjetividadeĀ 
    e de constituir, inversamente, para além do objeto, 
    esses quase-transcendentais que são para nós a Vida, o Trabalho, a Linguagem.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas (Cartilha);
CapĆ­tulo 7 – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades
de Michel Foucault

as animaƧƵes acima tambƩm podem ser vistas nesta pƔgina

Os dois obstƔculos, as duas pedras de tropeƧo, encontrados por Michel Foucault em seu caminho,

com especial destaque para o segundo obstÔculo, a saber, o cumprimento da obrigação de abertura do campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, o espaço em que habitam os modelos das ciências humanas.

E o funcionamento das operaƧƵes tanto no pensamento clƔssico, o de antes de 1775, como no moderno, depois de 1825, usando o critƩrio de Foucault, pode ser visto na seguinte pƔgina:

Ā 

Em nenhum momento Foucault solicita ao seu leitor que faƧa um ato de fƩ no que ele diz.
Foucault argumenta sempre, a partir de dados levantados quanto ao modo de ser do pensamento em uma vasta plêiade de autores contemporâneos às mudanças. 

Foucault via no conjunto de teorias, modelos e sistemas em nossa cultura, um espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que decorre dessa visĆ£o, e que aponta para o futuro; e que lhe sugeria a necessidade de distinƧƵes entre esses diferentes modos de ser do pensamento, e todo o trabalho com a arqueologia feita no ‘As palavras e as coisas’:Ā 

Como se vĆŖ pelo ponto em que se insere na ‘Cartilha’ essa citação, o capĆ­tulo 7 de um trabalho em dez capĆ­tulos, quando escreveu esse trecho Foucault jĆ” tinha bem adiantado seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’; nesse momento ele aponta dois obstĆ”culos, duas pedras de tropeƧo que precisou enfrentar e que tiveram o poder de dilatar em muito o tempo necessĆ”rio para fazer esse livro; ele via:Ā Ā 

    1. uma impossibilidade, a de fundar as sínteses [da representação para a empiricidade objeto de cada operação] no espaço da representação; 
    2. e uma obrigação a ser cumprida:
      a deĀ abrir o campo transcendental da subjetividade
      e de constituir, inversamente, para além do objeto, 
      os quase-transcendentais Vida, Trabalho e LinguagemĀ 

O espectro de modelos com trĆŖs segmentos: AQUƉM, DIANTE e ALƉM do objeto

 O espectro de modelos com três segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o século XVII até o século XXI, usando essa anÔlise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.   

Efeito do levantamento da impossibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação;
e da constituição, para além do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem

Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes

    • AQUƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • sem espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com aĀ impossibilidadeĀ 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e portanto sem a constituição, para alĆ©m do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • DIANTEĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • sem essa impossibilidade, ou melhor, com a possibilidade,Ā 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações, no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e constituĆ­dos, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • paraĀ ALƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com a possibilidade de fundar as sĆ­nteses dos objetos das operaƧƵes no espaƧo da representação.
      • nos quais foi aberto o campo transcendental da subjetividadeĀ e foramĀ constituĆ­dos para alĆ©m do objeto, os ā€œquase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem:Ā 
        estes, os modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas.Ā 

ā€œInstaura-se uma forma de reflexĆ£o,Ā 
bastante afastada do cartesianismo e da anÔlise kantiana, 
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,Ā 
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual 
o pensamento se dirige ao impensadoĀ 
e com ele se articula.ā€
Ā 

Cartilha; Cap. 9. O homem e seus duplos; V – O ā€œcogitoā€ e o impensado

Veja isso associado a uma figura na qual os elementos de imagem escolhidos compõem uma estrutura que pode ser comparada com por exemplo, o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo, de 1817 

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura

A forma de reflexão que se instaura
com esse perfil de conceitos do pensamento moderno, o de depois de 1825

Veja também o funcionamento das operações, especificamente no segmento DIANTE do objeto e na etapa da Construção da representação.

Nesse excerto da Cartilha, Foucault modela dinamicamente uma proposição que se ajusta a cada etapa da operação, coloca em cada proposição:

  • o ser do homem (o sujeito)
  • dirigindo-se ao objeto, o impensado,Ā  (atributo do predicado do sujeito).Ā 

Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura, ‘o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆ­vel, mas ao impensado! (que pode ser tambĆ©m intangĆ­vel, sem problemas)Ā  Muitas vezes o intangĆ­vel continua exatamente assim, intangĆ­vel, mesmo depois que o pensamento tenha dado um jeito no seu aspecto impensado.Ā  Ā 

Intangível é uma qualidade de algo e não faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.

Essa forma de reflexão sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e não adjetivas, aparências, como é o intangível.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)

Ao contrÔrio do impensado, que mediante articulação no pensamento patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaço da representação, o intangível na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangível.  

Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexão em   

Os  perfis das duas configurações do pensamento, segundo o pensamento de Michel Foucault:
e Os dois tipos de reflexão assumidos pelo pensamento

Essa forma de reflexão é consistente e estÔ na base do Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo.

Veja em imagensĀ 

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho, o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, de 1817; veja também as diferenças entre esses dois conceitos, nas palavras de Michel Foucault

que ilustram essa forma de reflexão no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexão no período anterior.

O espectro de modelos com trĆŖs segmentos: AQUƉM, DIANTE e ALƉM do objeto

 O espectro de modelos com três segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o século XVII até o século XXI, usando essa anÔlise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.   

Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes

    • AQUƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • sem espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com aĀ impossibilidadeĀ 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e portanto sem a constituição, para alĆ©m do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • DIANTEĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • sem essa impossibilidade, ou melhor, com a possibilidade,Ā 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações, no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e constituĆ­dos, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • paraĀ ALƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com a possibilidade de fundar as sĆ­nteses dos objetos das operaƧƵes no espaƧo da representação.
      • nos quais foi aberto o campo transcendental da subjetividadeĀ e foramĀ constituĆ­dos para alĆ©m do objeto, os ā€œquase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem:Ā 
        estes, os modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas.Ā 

Efeito do levantamento da impossibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação;
e da constituição, para além do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem

Resumidamente, podemos ler operaƧƵes, as que ocorrem no circuito das trocas (Mercado) ou outras, de qualquer tipo –Ā  posicionando o ponto deĀ  inĆ­cio da leitura desse fenĆ“meno de duas maneiras diferentes:
  1. ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ colocado noĀ  cruzamento da disponibilidade entre dois objetos intervenientes na operação de troca: o que Ć© dado e o que Ć© recebido, testando as condiƧƵes de troca;
  2. ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ antes do cruzamento da disponibilidade entre os dois objetos – o que Ć© dado e o que Ć© recebido – e portantoĀ antes da disponibilidade de um dos objetos, testando desta vez a permutabilidade futura desse objeto e nĆ£o imediatamente as condiƧƵes de troca.

O carregamento de valor na proposição em cada caso:

  1. valor é carregado diretamente na proposição desde dentro do espaço da representação;
  2. valor é carregado na proposição desde fora do espaço da representação, com origens de valor externas ao espaço da representação, provenientes de:
    1. designaƧƵes primitivas;
    2. linguagem de ação ou raiz.

Operações inspiradas no Princípio Monolítico de Trabalho de Adam Smith, de 1776, têm valor carregado na proposição diretamente de dentro do espaço da representação;

Operações calcadas no Princípio Dual de trabalho de David Ricardo têm valor carregado na proposição e por elas para as representações como no segundo caso acima.

As diferenƧas nas visƵes de ‘operaƧƵes’ decorrentes de diferenƧas no posicionamento do ponto de inĆ­cio de leitura do fenĆ“meno, podem ser vistas nas animaƧƵes que descrevem o funcionamento das operaƧƵes em cada caso:

Ā 
essas diferenƧas tambƩm podem ser vistas na pƔgina seguinte:
  • a animação correspondente ao pensamento clĆ”ssico posiciona o inĆ­cio da leitura de ‘operaƧƵes’ no cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido, pressupondo portanto, a disponibilidade desses dois objetos;
  • a animação correspondente ao pensamento moderno posiciona o inĆ­cio de leitura de ‘operaƧƵes’ antes desse ponto, quando ainda um dos objetos envolvidos em uma futura troca estĆ” indisponĆ­vel.
O texto de Foucault sobre essas duas alternativas de inserção do ponto de inĆ­cio da visĆ£o de ‘operaƧƵes’ estĆ” na pĆ”gina seguinte:
E essas mudanças estão refletidas no tópico 
‘Uma anatomia ou uma Cartografia de modelos de operaƧƵes em função da configuração do pensamento’
Ā 
Para entender melhor os elementos de imagem que representam a origem de valor para as proposições desde fora da linguagem e fora do espaço da representação: 
  • ‘designaƧƵes primitivas’
  • eĀ ‘linguagem de ação ou raiz’,Ā 
veja a figura seguinte.

Operação de Construção de representação nova, no caminho da Construção da representação
sob o pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825 segundo Michel Foucault;
mostrando a origem de valor nas proposiƧƵes externa Ơ linguagem:
a) designações primitivas e b) linguagem de ação e a função que desempenham na operação.
Ā 
Ā 
Se essa figura lhe parecer ‘poluĆ­da’, pense o seguinte:
  • ela mostra uma fotografia de um instante na operação de construção da representação nova;
    • a representação para o objeto dessa operação foi concluĆ­da;
    • os elementos de suporte na experiĆŖncia Ć  Forma de produção foram nada mais do que selecionados – encontrados e/ou desenvolvidos;
    • foi construĆ­do um objeto anĆ”logo ao vislumbrado para essa empiricidade objeto, representado na figura pela SucessĆ£o de analogias.
  • acaba de ser formulada uma proposição explicativa porque foi obtida sustentação na experiĆŖncia para todos os quesitos atribuĆ­dos ao objeto cuja representação aca acaba de ser construĆ­da.
  • as designaƧƵes primitivas, ao lado da linguagem de ação ou de uso sĆ£o as origens do valor atribuĆ­do a essa proposição.

Se a figura ainda lhe parecer confusa, e achar que vale a pena esclarece-la, veja novamente o Funcionamento das operaƧƵes.

Veja uma coleção de conceitos chamados pelos mesmos nomes, mas consignificados muito distintos, sob o pensamento clÔssico e sob o moderno. 

Uma lista de alguns conceitos distintos no significado mas chamados pelos mesmos nomes:

  • 0. os dois princĆ­pios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo;
    • diferenƧas na paleta de ideias ou elementos de imagem e suas estruturas;
    • comparaƧƵes entre os dois princĆ­pios feitas por Michel Foucault;
    • as duas diferentes origens de valor atribuĆ­do Ć  proposição pela distinta opção de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’.
  • 1. dois conceitos para o que seja um verbo;
  • 2. dois conceitos para o que seja ‘Classificar’;
  • 3. dois papĆ©is atribuĆ­dos ao homem;
  • 4. dois tipos de reflexĆ£o assumidos pelo pensamento;
  • 5. duas sintaxes envolvidas na construção de representação nova;
  • 6. dois conceitos para História;
  • 7. dois espaƧos gerais do saber;
  • 8. dois conceitos para tempo: calendĆ”rio e absoluto;
  • 9. a proposição como bloco construtivo padrĆ£o fundamental e genĆ©rico para construção de representaƧƵes.
  • 10. Tabela de propriedades das duas configuraƧƵes do pensamento.

Veja abaixo as diferenƧas entre os dois princƭpios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo, usando as palavras de Michel Foucault

AquƩm do objeto
Adam Smith, 1776

PrincĆ­pio monolĆ­tico de trabalho de Adam Smith,
publicado no Riqueza das NaƧƵes, de 1776

Diante e  Além do objeto
David Ricardo, 1817

PrincĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, publicado no Principle of Political Economy and Taxation, em 1817

ComparaƧƵes entre os dois princƭpios de trabalho,
e a importância do princípio de trabalho de David Ricardo segundo Michel Foucault

Comparação, feita por Michel Foucault,
entre os princĆ­pios de trabalho
o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, 1817

comparaƧƵes entre Adam Smith
e David Ricardo,
por Michel Foucault
A importância de David Ricardo,
segundo Michel Foucault

As duas diferentes origens de valor para a proposição, em função da configuração de pensamento adotada

Os elementos de imagem, as ideias, que permitem formular o modelo de operações baseado diretamente na linguagem e na representação
Os elementos de imagem, as ideias,
que permitem formular o modelo de operaƧƵes
desde fora da linguagem
a partir das designaƧƵes primitivas
– e da linguagem de ação ou de raiz(*)

Conceito de Verbo ‘Processo’ na configuração de pensamento
do perƭodo clƔssico, antes de 1775
Conceito de Verbo ‘Forma de produção’ na configuração
de pensamento do perĆ­odo moderno, depois de 1825

Processo
como verbo

Ā 

ā€œA Ćŗnica coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā 

          • a do verde
            e da Ɣrvore,

          • a do homem
            e da existĆŖncia

            ou da morte;Ā 

Ć© por isso que o tempo dos verbos
não indica aquele [tempo]
em que as coisas existiram no absoluto,
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.ā€

‘Forma de produção’
como verbo

ā€œĆ‰ preciso, portanto,
tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
às leis de regência e de concordância;

e depois,


em recuo em relação a elas todas,

numa regiĆ£o que

          • nĆ£o Ć© aquela do falado

          • mas aquela donde se fala.

Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre

          • aquilo que Ć© dito

          • e aquilo que se diz,

exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.ā€

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault

Os dois conceitos para o que seja ‘Classificar

Classificar, portanto,
não serÔ mais
referir o visĆ­vel
a si mesmo,
encarregando um de seus elementos
de representar todos os outros;

SerĆ”
num movimento que faz revolver a anƔlise,
reportar o visĆ­vel,
ao invisĆ­vel,
como a sua razão profunda;
depois,
alƧar de novo dessa secreta arquitetura,
em direção aos seus sinais manifestos
[as “aparĆŖncias”]que sĆ£o dados Ć  superfĆ­cie dos corpos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres
por Michel Foucault

pensamento clƔssico, antes de 1775
segmento AQUƉM do objeto

o homem estĆ” fora da paleta de ideias
no pensamento clƔssico, o de antes de 1775
era tratado como um gênero, ou uma espécie
do Sistema de Categorias

pensamento moderno, depois de 1825
segmento DIANTEĀ  do objeto

os dois papƩis do homem no pensamento moderno,
o de depois de 1825:
a) raiz e fundamento de toda positividade;
b) elemento do que Ć© empĆ­rico

O modo de ser do homem,
tal como se constituiu no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ”, ao mesmo tempo,

  • no fundamento de todas as positividades,

  • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada, no elemento das coisas empĆ­ricas.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cao. 10. As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes

“Assim o cĆ­rculo se fecha.

Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

Mas que são esses sinais? 

Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,

que hĆ” aqui um
carƔter

no qual convƩm se deter,
porque ele indica uma secreta
e essencial semelhança? 

Que forma constitui o signo
no seu singular valor de signo?Ā 

– Ɖ a semelhanƧa.
Ele significa na medida
em que tem semelhança com o que indica (isto é, com uma similitude). 

Contudo,Ā 

  • nĆ£o Ć© a homologia que ele assinala,Ā 

pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; 

  • trata-se de outra semelhanƧa,Ā 

uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, Ć© patenteada por uma terceira.Ā 

Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediÔria da mesma semelhança. 

De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

  • o signo da simpatia resida na analogia,Ā 
  • o da analogia na emulação,Ā 
  • o da emulação na conveniĆŖncia,Ā 

que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ 

  • a marca da simpatia…Ā 

A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”

“A arqueologia, essa, deve percorrer o acontecimento segundo sua disposição manifesta; ela dirĆ” como as configuraƧƵes próprias a cada positividade se modificaramĀ 

  • (ela analisa por exemplo, para a gramĆ”tica, o desaparecimento do papel maior atribuĆ­do ao nome e a importĆ¢ncia nova dos sistemas de flexĆ£o; ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do carĆ”ter Ć  função);Ā 

ela analisarÔ a alteração dos seres empíricos que povoam as positividades 

  • (a substituição do discurso pelas lĆ­nguas, das riquezas pela produção);Ā 

estudarÔ o deslocamento das positividades umas em relação às outras 

  • (por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciĆŖncias da linguagem e a economia);Ā 

enfim e sobretudo, mostrarÔ que o espaço geral do saber não é mais o das identidades e das diferenças, o das ordens não-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mÔthêsis do não-mensurÔvel, 

  • mas um espaƧo feito de organizaƧƵes, isto Ć©, de relaƧƵes internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função;Ā 
  • mostrarĆ” que essas organizaƧƵes sĆ£o descontĆ­nuas, que nĆ£o formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas, mas que algumas sĆ£o do mesmo nĆ­vel enquanto outras traƧam sĆ©ries ou sequĆŖncias lineares.Ā 

Ā De sorte que se vĆŖem surgir,Ā 

como princĆ­pios organizadores
desse espaço de empiricidades, 

a Analogia
e a Sucessão:

de uma organização a outra, o liame, com efeito, 

  • nĆ£o pode mais ser a identidade de um ou vĆ”rios elementos,
  • mas a identidade da relação entre os elementos (onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel)Ā 
  • e da função que asseguram;Ā 

ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias,

  • nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas num espaƧo de classificação,
  • mas sim porque foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra no devir das sucessƵes.Ā 

Enquanto, no pensamento clƔssico,

a seqüência das cronologias não fazia mais que percorrer o espaço prévio e mais fundamental de um quadro que de antemão apresentava todas as suas possibilidades,

doravante

as semelhanças contemporâneas e observÔveis simultaneamente no espaço não serão mais que as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede de analogia em analogia.  (*)

Ā 

Ā 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – II. A prosa do mundo;
tópico II. As assinalações
de Michel Foucault

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – VII. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault

A sintaxe que autoriza
a construção das frases
A sintaxe que autoriza a manter juntas,
ao lado ou em frente umas das outras,
as palavras e as coisas

pensamento clƔssico,
de antes de 1775

pensamento moderno,
de depois de 1825

História entendida como

  • a coleta das sucessƵes de fatos
    tais como se constituĆ­ram.

História entendida como 

  • o modo de ser fundamental das empiricidades,

    Ā 

    aquilo a partir de que elas são

    • afirmadas,Ā 

    • postas,Ā 

    • dispostasĀ 

    • e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis

Mas vê-se bem que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituƭram;
ela Ć© o modo de ser fundamental das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber
para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.

Assim como a Ordem no pensamento clƔssico
não era a harmonia visível das coisas,
seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico,
lugar onde,
aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe Ć© próprio. 

As palavras as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

AquƩm do objeto

espaço geral do saber sob o pensamento filosófico clÔssico

Diante do objeto

o Triedro dos saberes
exceto as ciĆŖncias humanas

 Além do objeto

o espaƧo interno do Triedro dos saberes
– o habitat das ciĆŖncias humanas –
mostrando o modelo constituinte composto e comum a todas as CiĆŖncias Humanas

Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação em curso

AquƩm do objeto

formulação sim reversível
e
instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento clƔssico, o de antes de 1775
tempo calendƔrio no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada

Diante do objeto

formulação não reversível
e construção da representação nova
deus Kairós 

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação

também Diante do objeto

formulação sim reversível
 e instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

A anÔlise das riquezas, junto com a gramÔtica geral e a história natural, no pensamento clÔssico- o de antes de 1775, são contrapostas à anÔlise da produção, filologia e biologia no pensamento de depois de 1825.

“Nem vida,
nem ciĆŖncia da vida
na Ʃpoca clƔssica;
tampouco filologia.

Mas sim
uma história natural,
uma gramƔtica geral.

Do mesmo modo,
não hÔ economia política

porque, na ordem do saber,
a produção não existe.


Em contrapartida,
existe, nos sƩculos XVII e XVIII,

uma noção que nos permaneceu familiar,
embora tenha perdido para nós sua precisão essencial.
Nem Ć© de ā€œnoçãoā€ que se deveria falar a seu respeito,
pois não tem lugar no interior
de um jogo de conceitos econƓmicos

que ela deslocaria levemente,
confiscando um pouco de seu sentido
ou corroendo sua extensão.

Trata-se antes de um domĆ­nio geral:
de uma camada bastante coerente
e muito bem estratificada,

que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,
as noções de valor, de preço, de comércio, de circulação,
de renda, de interesse.


Esse domĆ­nio,

solo e objeto da ā€œeconomiaā€ na idade clĆ”ssica,
Ć© o da riqueza.

 InĆŗtil colocar-lhe questƵes
vindas de uma economia de tipo diferente,

organizada, por exemplo,
em torno da produção ou do trabalho;

 inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitos
(mesmo e sobretudo se seus nomes
em seguida se perpetuaram,

com alguma analogia de sentido),
sem levar em conta
o sistema em que assumem sua positividade.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas

Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noções, para respectivamente cada período histórico em nossa cultura, o padrão é ficar com a anÔlise de riquezas do pensamento filosófico clÔssico. (o que nem é difícil de perceber que é feito, em nosso meio)

O mĆ­nimo que somos chamados a fazer Ć© esclarecer as razƵes pelas quais o conceito ‘riquezas’ Ć© tĆ£o largamente utilizado; e as razƵes pelas quais Michel Foucault escreve “economia” assim, entre aspas, quando se refere ao perĆ­odo clĆ”ssico.

Veja a seguir os pontos:

  • Modos de ser e MĆ©todos do pensamento: Cartesianismo, fora dele, CiĆŖncia, Tecnologia, ReflexĆ£o
  • O funcionamento de operaƧƵes – do pensamento, as de produção, as de troca, antes e depois desse evento fundamental em nossa cultura, antes e depois dele;
  • As paletas de ideias, e respectivos elementos de imagem, necessĆ”rias para cada operacionalidade;
  • Os domĆ­nios nos quais as operaƧƵes acontecem, em função da configuração do pensamento;
  • O tempo nas operaƧƵes em função da configuração do pensamento e da etapa da operação;
  • O lugar dado ao homem em cada configuração do pensamento;
  • Uma Anatomia ou uma Cartografia de modelos de operaƧƵes em função da configuração do pensamento;
  • Um verdadeiro manual para construção de modelos para qualquer ciĆŖncia humana, modelos nos quais o campo transcendental da subjetividade foi aberto e foram constituĆ­dos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, escrito pelo próprio Michel Foucault
  • MetĆ”foras adequadas para modelos de operaƧƵes respectivamente para cada configuração do pensamento;
  • Propriedades emergentes dos modelos de operaƧƵes e organizaƧƵes em função da configuração do pensamento utilizada.

Veja a relação entre cada formulação de operações e o respectivo perfil de características da configuração do pensamento adotada em cada formulação, na pÔgina: 

modelos de operações formuladas para cada configuração do pensamento

clƔssico, antes de 1775

moderno, depois de 1825

instanciamento

construção

instanciamento

condiƧƵes de possibilidade no pensamento

clƔssico, antes de 1775

moderno, depois de 1825

instanciamento

construção

instanciamento

veja também tópico seguinte, o tempo respectivamente para cada operação levando em conta, no pensamento moderno, as operações de Construção de representação nova, e as de Instanciamento de representação previamente existente.

Note que a amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© muito maior no pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Neste caso a visĆ£o do fenĆ“meno abrange a construção da representação para a empiricidade objeto, e tambĆ©m o instanciamento de representação previamente existente em um repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua; enquanto que sob o pensamento clĆ”ssico o fenĆ“meno Ć© visto apenas a partir da fase de instanciamento.

Veja que hÔ uma correspondência entre as visões de operações no pensamento clÔssico e no princípio monolítico de trabalho de Adam Smith, de 1776, e pensamento moderno e o princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817.

Certifique-se dessa correspondĆŖncia visualizando as figuras feitas para os dois princĆ­pios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo.

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho: o de Adam Smith, de 1776, e o de David Ricardo, de 1817

a pÔgina que o link acima dÔ acesso mostra também as diferenças entre esses dois princípios de trabalho nas palavras de Michel Foucault. Mas por favor certifique-se de que essas diferenças apontadas por Foucault entre os dois princípios de trabalho correspondem também, e são consistentes, com

as duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ com as duas origens da essĆŖncia da linguagem (interna e externa), e correspondentes duas possibilidades de anĆ”lise de valor;

Os dois conceitos filosóficos para o que seja ‘Trabalho’:
o de Adam Smith, de 1776, e o de David Ricardo, de 1817

AquƩm do objeto
Adam Smith, 1776

PrincĆ­pio monolĆ­tico de trabalho de Adam Smith,
publicado no Riqueza das NaƧƵes, de 1776

Diante e  Além do objeto
David Ricardo, 1817

PrincĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, publicado no Principle of Political Economy and Taxation, em 1817

ComparaƧƵes entre os dois princƭpios de trabalho,
e a importância do princípio de trabalho de David Ricardo segundo Michel Foucault

Comparação, feita por Michel Foucault,
entre os princĆ­pios de trabalho
o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, 1817

comparaƧƵes entre Adam Smith
e David Ricardo,
por Michel Foucault
A importância de David Ricardo,
segundo Michel Foucault

Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação em curso

AquƩm do objeto

formulação sim reversível
e
instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento clƔssico, o de antes de 1775
tempo calendƔrio no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada

Diante do objeto

formulação não reversível
e construção da representação nova
deus Kairós 

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação

Diante do objeto

formulação sim reversível
e instanciamento de representação existente
deus Chronos

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

ā€œO modo de ser do homem,
tal como se constituiu
no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ” ao mesmo tempo,

                      • noĀ fundamento de todas as positividades,
                      • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada,
                        no elemento das coisas empĆ­ricas.ā€

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo X – As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes
Michel FoucaultĀ 

ā€œNa medida, porĆ©m,Ā 
em que as coisas
giramĀ 
sobre si mesmas,
reclamando para seu devir
não mais que
o princĆ­pio deĀ 
sua inteligibilidade
e abandonando o espaço da representação,
o homem,

por seu turno,
entra,
e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental.ā€

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
PrefƔcio
Michel FoucaultĀ 

Uma Anatomia ou uma Cartografia para modelos de operações segundo a configuração do pensamento:

pensamento clƔssico, o de antes de 1775;

  • a leitura do fenĆ“meno ‘operação’Ā  Ć© feita a partir do ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido em uma operação de troca (todas as representaƧƵes sĆ£o prĆ©-existentes Ć  operação;
  • a formulação da representação Ć© reversĆ­vel; nĆ£o hĆ” construção de novas representaƧƵes, e a operação transcorreĀ  no caminho do Instanciamento da representação combinada entre duas representaƧƵes anteriores prĆ©-existentes;
    • nĆ£o hĆ” construção de representaƧƵes;Ā 
  • domĆ­nio: do Discurso e da Representação;
  • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si (estrutura Input-Output)
  • elemento central: Processo
  • tempo: relativo ou tempo calendĆ”rio sob o deus Cronos
  • ordem: Quadro de simultaneidades com um Sistema de categorias. (pode ser mĆŗltipla, e de uso simultĆ¢neo).

pensamento moderno, o de depois de 1825;

  • a leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© feita em um ponto situado antes do cruzamentoĀ  do que Ć© dado e o que Ć© recebido em uma operação de troca; o pensamento Ć© capaz de construir representaƧƵes novas;
  • caminho da Construção da representação; formulação da representação irreversĆ­vel; operação ocorre no
    • Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico; com os subespaƧos:
      • Lugar desde onde se fala: domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua;
      • Lugar do falado: domĆ­nio do Discurso e da Representação.
    • elemento central: Forma de produção;
    • tempo: absoluto (nĆ£o relativo e nĆ£o calendĆ”rio) sob o deus Kairós;
    • ordem: Ćŗnica, dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆ­ngua utilizada.
    • origens de valor
      • designaƧƵes primitivas;
      • linguagem de ação ou de uso: Repositório
    • caminho do Instanciamento da representação;
      • domĆ­nio do Discurso e da Representação;
        • Mercado, ou Circuito onde ocorrem as trocas;
      • linguagem de ação ou de uso: Repositório.

Veja isso tambƩm na seguinte pƔgina:

Anatomia ou cartografia dos modelos: os diferentes lugares onde o pensamento acontece, em função do perfil de pensamento e do caminho no qual seguem as operações.

Os domínios no interior dos quais transcorrem as operações, antes e depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

operação sob o pensamento clÔssico, antes de 1775

    • operação de construção da representação:
      • inexistente na leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ feita no pensamento clĆ”ssico
    • Operação de instanciamento ocorre no circuito das trocas (Mercado),
      • no interior do domĆ­nio do Discurso e da representação.

operação sob o pensamento moderno, depois de 1825

    • operação de Construção da representação transcorre no interiorĀ 
      do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico;

um lugar composto por dois blocos em dois domĆ­nios diferentes:

      • o domĆ­nio do Pensamento e da lĆ­ngua;
        • o Lugar desde onde se fala;
      • o domĆ­nio do Discurso e da representação.
        • o Lugar do falado.

Ā 

    • operação de Instanciamento de representação anteriormente construĆ­da
      • a operação de troca ocorre no Circuito das trocas (Mercado).
        • no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação

Um ‘manual’ para construção de modelos para ciĆŖncias humanas, por Michel Foucault

O espaƧo interior
do triedro dos saberes: o habitat das ciĆŖncias humanas
A classe de modelos das ciĆŖncias humanas: um modelo composto pelos trĆŖs pares constituintes
Uso dos pares de modelos constituintes fora do domínio próprio em que foram criados

Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes

  • pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775
    • propriedade emergente: Fluxo
    • metĆ”fora adequada: transformação Ćŗnica Entradas ⇒ SaĆ­das
    • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si (Input-Output)
  • pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825;
    • caminho da Construção da representação;
      • propriedade emergente: PermanĆŖncia
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de mesmo sinal;
      • sistema: absoluto no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
    • caminho do Instanciamento da representação
      • propriedade emergente: Fluxo
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de sinais trocados;
      • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si ou absoluto, dependendo do projeto da operação.

Visão da operação clÔssica
Transformação única de Entradas em Saídas,
ou Processamento de informaƧƵes

A. Pensamento filosófico clÔssico, o de antes de 1775

1.Ā  Ā Transformação Ćŗnica, de Entradas ⇒ SaĆ­das, sobre a estrutura Input-Output, ou um processamento de informaƧƵes

A metĆ”fora da transformação de Entradas  ⇒ SaĆ­das, sobre a estrutura Input-Output, que dĆ” lugar a um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si Ć© vĆ”lida aqui, e Ć© a famosa caixa preta.Ā 

Seu elemento central é Processo, um verbo, que a única coisa que afirma é a coexistência de duas representações indicando a coexistência

Com a opção pela leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ desde um ponto de vista posicionado no cruzamento do que Ć© dado com o que Ć© recebido na troca, essa metĆ”fora representa apelas a operação de instanciamento de representação anteriormente feita e jĆ” carregada de valor diretamente atribuĆ­do Ć  proposição.

Toda a etapa da construção de representação nova estÔ fora desse escopo e por isso, a transformação pode ser única.

Veja aqui em Conceitos homƓnimos mas com significados diferentes, os conceitos para o que seja um verbo.

Visão da operação do pensamento moderno
no caminho da Construção da representação
A metƔfora adequada Ơs operaƧƵes no caminho
da Construção de representação
para a empiricidade objeto

B. Pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825

1.  MetÔforas no caminho da Construção da representação:
uma Conversão, ou um par de transformações de mesmos sinais

Veja novamente pÔgina MetÔforas adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operações em cada segmento do espectro de modelos sob o título Conversão ou um par de transformações de mesmos sinais no caminho da Construção da representação.

Toda a operação pode ser reduzida a uma

  • ConversĆ£o, de pensamento nĆ£o articulado em representação.

Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:

  • Primeira transformação:
    • [nĆ£o – sim] pensamento nĆ£o-articulado em pensamento sim-articulado;
  • Segunda transformação:
    • [sim – nĆ£o] representação nĆ£o-existente para representação sim-existente.

Ā 

Visão da operação do pensamento moderno
no caminho do Instanciamento da representação
MetÔfora adequada para operação do pensamento moderno
no caminho do Instanciamento da representação:
uma Conversão ou um par de transformações com sinais trocados

2.  MetĆ”foras no caminho do Instanciamento da representação: outra ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes mas agora de sinais opostos

Veja novamente pÔgina MetÔforas adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operações em cada segmento do espectro de modelos agora sob o título Conversão ou um par de transformações de sinais trocados no caminho do Instanciamento da representação.

Toda a operação pode ser reduzida a uma

  • ConversĆ£o,
    • de uma disponibilidade de recursos 
    • para disponibilidade de objeto da produção.

Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:

    • Primeira transformação: [nĆ£o – sim] Consumo, ou disponibilidade de recursos para indisponibilidade de recursos;
    • Segunda transformação: [nĆ£o – sim] Produção: indisponibilidade de objeto para disponibilidade de objeto.

Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes

  • pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775
    • propriedade emergente: Fluxo
    • metĆ”fora adequada: transformação Ćŗnica Entradas ⇒ SaĆ­das
    • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si (Input-Output)
  • pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825;
    • caminho da Construção da representação;
      • propriedade emergente: PermanĆŖncia
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de mesmo sinal;
      • sistema: absoluto no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
    • caminho do Instanciamento da representação
      • propriedade emergente: Fluxo
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de sinais trocados;
      • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si ou absoluto, dependendo do projeto da operação.

A.  Modelos de operações sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1775

1.  Fluxo na etapa de instanciamento de representação anteriormente formulada reversivelmente

Veja em Funcionamento das operaƧƵes… a animação sob o tĆ­tulo AquĆ©m do objeto. Essa Ć© uma operação de instanciamento de representação formulada anteriormente como uma composição de representaƧƵes existentes. O apontador de inĆ­cio da operação estĆ” no cruzamento entre o dado e o recebido, ou na disponibilidade dos dois objetos envolvidos em uma eventual operação de troca.

Sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1725 e anterior à descontinuidade epistemológica temos:

  • O tipo de pensamento usado tem a impossibilidade de fundar as sĆ­nteses [do objeto das operaƧƵes] no espaƧo da representação – o primeiro obstĆ”culo vislumbrado por Foucault em seu trabalho;
  • Essa impossibilidade arrasta o ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ para o cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido na operação de troca, ou o ponto em que os dois objetos envolvidos na operação de troca estĆ£o disponĆ­veis;
    • valor Ć© atribuĆ­do diretamente sobre a proposição;
  • A operação pode acontecer no Circuito das trocas jĆ” que os objetos envolvidos nesse tipo de operação estĆ£o disponĆ­veis; essa operação transcorre inteiramente em um domĆ­nio Ćŗnico, o domĆ­nio do Discurso e da representação.
  • História, nesse tipo de operaƧƵes, Ć© entendida como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆ­ram.
  • O tipo de propriedades possĆ­veis de serem consideradas na modelagem das operaƧƵes Ć© propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas das coisas, que sĆ£o selecionadas para participar das operaƧƵes por suas propriedades consistentes com esse tipo, ou por ā€œaparĆŖnciasā€.
  • O elemento central desse modelo de operaƧƵes Ć© ā€˜Processo’, sobre um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si;
  • Resta nesse modelo de operaƧƵes a contabilidade do que se aproxima de uma regiĆ£o do espaƧo em que ocorrem operaƧƵes, do que entra nessa regiĆ£o, do que fica nessa regiĆ£o ou que Sai dela. A anĆ”lise se restringe a esse Fluxo, pela total ausĆŖncia da noção de objeto definido pelas suas propriedades originais e constitutivas, e pela pressuposição de que tudo existe, desde sempre e para sempre prescindindo assim da noção de sujeito.

Transformação única de Entradas em Saídas,
ou Processamento de informaƧƵes
propriedade emergente FLUXO

1.  Permanência: no caminho da Construção da representação, em uma formulação irreversível.

Veja agora emĀ Funcionamento das operaƧƵes…Ā a animação sob o tĆ­tulo Diante do objeto. A operação modelada Ć© de formulação da representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Ao final dessa operação passa a existir a representação, ou o projeto, do objeto antes indisponĆ­vel para eventual operação de troca. E esse objeto, com o fim dessa operação com sucesso, estĆ” resolvido (seu projeto foi executado) mas ainda estĆ” indisponĆ­vel. Para que ele esteja disponĆ­vel serĆ” necessĆ”rio o desencadeamento da etapa de instanciamento dessa representação recĆ©m criada. EntĆ£o, a aposta Ć© que essa representação permaneƧa em um repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua, de onde serĆ” selecionado para essa ulterior operação de instanciamento.

  • O tipo de pensamento utilizado tem desta vez a possibilidade de fundar as sĆ­nteses [do objeto das operaƧƵes] no espaƧo da representação.
  • Essa possibilidade arrasta o ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ paraĀ antes do ponto de cruzamentoĀ entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido em uma operação de troca, ou para o ponto em que pelo menos um dos objetos envolvidos na operação de troca nĆ£o estĆ” disponĆ­vel;
    • valor carregado pela proposição para a representação tem origem fora da representação e da linguagem:
      • nasĀ designaƧƵes primitivas;
      • naĀ linguagem de açãoĀ ou de uso.
  • A operação transcorre no, ā€˜ interior do ā€˜Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico: ā€œAssim como a Ordem no pensamento clĆ”ssico nĆ£o era a harmonia visĆ­vel das coisas, seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados, mas o espaƧo próprio de seu ser e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabelecia no saber, assim tambĆ©m a História, a partir do sĆ©culo XIX, define o lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, lugar onde, aquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele assume o ser que lhe Ć© próprio.ā€
  • História, nesse tipo de operação Ć© o ā€œmodo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elas sĆ£o afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.ā€
  • O tipo de propriedades consideradas na modelagem de operaƧƵes Ć© propriedades sim-originais e sim-constitutivas do objeto da operação, exatamente aquele objeto que falta para compor uma operação de troca.
  • O elemento central deste modelo de operaƧƵes agora Ć© a Forma de produção, em um sistema absoluto no qual ā€œaquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele [o objeto da operação, aquele que falta para compor a operação de troca] assume o ser que lhe Ć© próprio.
  • Nesse modelo de operaƧƵes a representação (projeto) daquele objeto que faltava para eventual operação de troca Ć© construĆ­da e dessa construção de nova representação surgem as propriedades sim-originais e sim-constitutivas que descrevem essa representação construĆ­da.

Propriedade emergente PERMANÊNCiA
no caminho da Construção da representação
metÔfora adequada Conversão

B.    Modelos de operações sob o pensamento moderno, depois de 1825

 2.  Fluxo: no caminho do Instanciamento da representação:

A propriedade emergente volta a ser Fluxo, no caminho do Instanciamento da representação.

A representação objeto da operação de instanciamento é recuperada do Repositório no estado em que ela se encontrava quando foi adicionada a ele.

A empiricidade objeto serĆ” instanciada nesse estado em que foi recuperada; assim, o ‘modo de ser fundamental’ dessa empiricidade objeto da operação de instanciamento nĆ£o muda.

Processos, atividades, etc. que compõem os elementos de suporte na experiência da Forma de produção são desencadeados, e hÔ fluxos vÔrios, que são mostrados na pÔgina indicada.

A metƔfora adequada Ơs operaƧƵes
no caminho do Instanciamento da representação
propriedade emergente novmente FLUXO

Ā 

Veja a seguir os pontos:

  • Temos um samba de uma nota só (com trĆŖs ritmos):
    • unanimidades pelo uso dos conceitos:

Mercado‘, ‘Processo‘, ‘Riquezas;

  • quando poderĆ­amos ter uma sinfonia
    • eliminando a unanimidade pelo nĆ£o uso dos conceitos:

Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico‘, ‘Forma de produção‘ e ‘AnĆ”lise da produção‘;

As unanimidades nos conceitos, pelo seu uso, e pelo não uso:

  • ā€˜Mercado’, ā€˜Processo’, ā€˜Riquezas’ conceitos de antes da descontinuidade epistemológica e portanto na idade clĆ”ssica, sĆ£o campeƵes de unanimidade pelo uso;
  • e os correspondentes conceitos do após a descontinuidade epistemológica e portanto da nossa modernidade no pensamento, campeƵes absolutos pelo nĆ£o-uso: ā€˜Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’, ā€˜Forma de produção’, ā€˜AnĆ”lise da produção unĆ¢nimes pelo nĆ£o uso.

“Assim como a Ordem no pensamento clĆ”ssico
não era a harmonia visível das coisas, seu ajustamento,
sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico,
lugar onde, aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe Ć© próprio.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

Mercado é o lugar onde ocorrem as trocas; Foucault chama isso de Circuito das trocas, e nós chamamos de Mercado.

Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico Ć© o lugar onde, “aquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele [as coisas empĆ­ricas] assume o ser que lhe Ć© próprio”.

Veja o modelo de operaƧƵes – de produção e outras – sob o pensamento moderno, e note que ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico‘ Ć© um lugar, mesmo, e nĆ£o o uso de ‘lugar’ como um cacoete retórico.

Ɖ um lugar onde as empiricidades objeto de operaƧƵes tĆŖm alterado o seu ‘modo de ser fundamental‘, definido por Michel Foucault como o elemento ordenador da história sob o pensamento filosófico moderno.

modo de ser fundamental de uma empiricidade Ć© aquilo a partir do que ela pode ser “afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.” Cartilha; Cap. 7 – Os limites da representação; tópico I. A idade da história.

Os detalhes estão a seguir:

ā€œCertamente, para Ricardo como para Smith,Ā 
o trabalho pode realmenteĀ 
medir a equivalĆŖncia das mercadorias que passam pelo circuito das trocas:ā€

ā€œNa infĆ¢ncia das sociedades,Ā 
o valor permutÔvel das coisas 
ou a regra que fixa a quantidade que se deve darĀ 
de um objeto por outroĀ 
só depende da quantidade comparativa de trabalho 
que foi empregada na produção de cada um deles.ā€Ā 

A diferenƧa, porƩm, entre Smith e Ricardo estƔ no seguinte:

  • para o primeiro, o trabalho, porque analisĆ”vel em jornadas de subsistĆŖncia, pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias (de que fazem parte os próprios bens necessĆ”rios Ć  subsistĆŖncia);
  • para o segundo, a quantidade de trabalho permite fixar o valor de uma coisa,
    • Ā nĆ£o apenas porque este seja representĆ”velĀ  em unidades de trabalho,
    • mas primeiro e fundamentalmente porque
      o trabalho como atividade de produção
      Ć© a fonte de todo valor”.

JÔ não pode este ser definido, como na idade clÔssica, partir do sistema total de equivalências e da capacidade que podem ter as mercadorias de se representarem umas às outras. 

O valor deixou de ser signo, tomou-se um produto.Ā 
Se as coisas valem tanto quanto o trabalho que a elas se consagrou,Ā 
ou se, pelo menos, seu valor estÔ em proporção a esse trabalho, 
não é porque o trabalho seja um valor fixo, constante 
e permutÔvel sob todos os céus e em todos os tempos, 
mas sim porque todo valor, qualquer que seja, extrai sua origem do trabalho.Ā 
E a melhor prova disso estĆ” em que o valor das coisasĀ 
aumenta com a quantidade de trabalho que lhes temos de consagrar se as quisermos produzir; porém não muda com o aumento ou baixa dos salÔrios 
pelos quais o trabalho se troca como qualquer outra mercadoria.ā€

Circulando nos mercados, trocando-se uns por outros,Ā 
os valores realmente têm ainda um poder de representação. 
Extraem esse poder, porĆ©m, de outra parte –Ā 
desse trabalho mais primitivo e radical do que toda representação 
e que, portanto, não pode definir-se pela troca.

Enquanto no pensamento clÔssico 
o comércio e a troca 
servem de base insuperÔvel para a anÔlise das riquezas 
(e isso mesmo ainda em Adam Smith,Ā 
para quem a divisão do trabalho é comandada pelos critérios da permuta),

desde Ricardo,Ā 
a possibilidade da troca estĆ” assentada no trabalho;Ā 
e a teoria da produção, doravante, 
deverÔ sempre preceder a da circulação.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā 
Cap. 8 Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo

Processo é o elemento central daquele tipo de operações que o mais que fazem é assinalar a coexistência de duas representações aceitando sua existência prévia, e tomando como bons os valores a elas carregados pelas proposições em uma linguagem que lê operações como fenÓmeno, a partir da disponibilidade dos dois objetos envolvidos na troca.

Para modelar esse tipo de operação a estrutura Input-Output é mais do que suficiente; e a natureza das operações é uma contabilidade focalizada na região do espaço onde a operação transcorre, tomando conta do que entra, do que sai, do que permanece dentro ou nem entra nem sai. Nada a ver com o homem, ou com qualquer objeto definido por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

Qualquer coisa para a qual for possĆ­vel estabelecer uma relação de anterioridade ou simultaneidade com relação Ć  regiĆ£o onde ocorre a operação serve como Entrada, ou como SaĆ­da. E essa relação pode ser estabelecida por meio de uma propriedade nĆ£o-original e nĆ£o-constitutiva, ou uma ā€œaparĆŖnciaā€. Propriedades sim-originais e sim-constitutivas nĆ£o sĆ£o utilizadas.

Veja aqui duas coisas:

ā€œA Ćŗnica coisa que o verbo afirmaĀ 
é a coexistência de duas representações: 
por exemplo, a do verde e da Ôrvore, 
a do homem e da existĆŖncia ou da morte;Ā 
Ć© por isso que o tempo dos verbosĀ 
não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, 
mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.ā€Ā As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā  A teoria do verbo

para certificar-se de que esse conceito acima corresponde realmente ao pensamento na idade clĆ”ssica, veja na pĆ”gina sobre o funcionamento das operaƧƵes, as animaƧƵes sobre o tempo nos dois perĆ­odos, e associe o tempo ‘calendĆ”rio’ Ć  parte do excerto acima sobre o tempo dos verbos.Ā 

“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;Ā 
tampouco filologia.Ā 
Mas sim uma história natural, uma gramÔtica geral. 
Do mesmo modo, não hÔ economia política 
porque, na ordem do saber,Ā 
a produção não existe. 
Em contrapartida, existe, nos séculos XVII e XVIII, 
uma noção que nos permaneceu familiar, 
embora tenha perdido para nós sua precisão essencial. 
Nem Ć© de ā€œnoçãoā€ que se deveria falar a seu respeito,Ā 
pois não tem lugar no interior de um jogo de conceitos econÓmicos 
que ela deslocaria levemente, confiscando um pouco de seu sentido ou corroendo sua extensão. Trata-se antes de um domínio geral: 
de uma camada bastante coerente e muito bem estratificada,Ā 
que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,Ā 
as noções de valor, de preço, de comércio, de circulação, de renda, de interesse.

Esse domĆ­nio,Ā 
solo e objeto da ā€œeconomiaā€ na idade clĆ”ssica,Ā 
Ć© o daĀ riqueza.

Inútil colocar-lhe questões vindas de uma economia de tipo diferente, 
organizada, por exemplo, em torno da produção ou do trabalho;
inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitosĀ 
(mesmo e sobretudo se seus nomes em seguida se perpetuaram,Ā 
com alguma analogia de sentido),Ā 
sem levar em conta o sistema em que assumem sua positividade.”Ā 

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā 
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas

Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noções, para respectivamente cada período histórico em nossa cultura, o padrão é ficar com a anÔlise de valor do pensamento filosófico anterior, o clÔssico, de antes de 1775.

Ā 

Veja novamente a animação central sob o tĆ­tulo ā€˜Diante do objeto’ na pĆ”gina

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775-1825

Toda essa operação acontece no Lugar do nascimento do que é empírico, no caminho da Construção de representação nova. A operação vê o fenÓmeno a partir de um ponto de inserção do início de leitura da operação antes da disponibilidade do objeto cuja representação estÔ em desenvolvimento e que, futuramente, poderÔ ser levada ao circuito das trocas.

O Lugar de nascimento do que Ʃ empƭrico compreende dois sub-espaƧos:

  • o Lugar desde onde se fala, no interior do domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua;
  • e o Lugar do falado, no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação.

Ɖ parte da preparação para receber os resultados da articulação do pensamento com o impensado, encaminhando o resultado para o espaƧo das representaƧƵes, no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação.

Ɖ assim que funciona o Princƭpio Dual de trabalho de David Ricardo.

A Forma de produção é o elemento central das operações sob o pensamento moderno. Nessa posição, a forma de produção tem também a natureza de um verbo, mas em um conceito totalmente diferente, que transcrevo abaixo:

ā€œĆ‰ preciso, portanto,Ā 
tratar esse verbo como um ser misto,Ā 
ao mesmo tempoĀ 
palavra entre as palavras,Ā 
preso Ć s mesmas regras,Ā 
obedecendo como elas às leis de regência e de concordância; 
eĀ depois,Ā 
em recuo em relação a elas todas, 
numa região que não é aquela do falado 
mas aquela donde se fala.Ā 
Ele estĆ” na orla do discurso,Ā 
na juntura entre aquilo que Ć© ditoĀ 
e aquilo que se diz,Ā 
exatamente lĆ” onde os signosĀ 
estĆ£o em via de se tomar linguagem.ā€Ā 
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā  A teoria do verbo

Veja agora que esse verbo estĆ” postado na regiĆ£o ‘desde onde se fala’, um sub-espaƧo do ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico’, e no interior do domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua, onde a articulação com o impensado pode ter inĆ­cio para uma representação ainda nĆ£o existente, – e nĆ£o na regiĆ£o do falado, esta no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação. Foucault Ć© preciso a esse respeito: ‘Ele estĆ” na orla do discurso, na juntura…’

Veja a pƔgina

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho: o de Adam Smith e o de David Ricardo, de 1817

Nessa mesma pÔgina, mais embaixo, veja Comparações entre os dois princípios de trabalho, e a importância do princípio de trabalho de David Ricardo, segundo Michel Foucault.

A animação central da pĆ”gina Funcionamento… com o tĆ­tulo ā€˜Diante do objeto’ descreve a operação de construção de uma representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Trata-se daquele objeto ainda indisponĆ­vel em uma operação de troca jĆ” descrito nas duas possibilidades de leitura… etc.

Veja logo acima o item II.8.a.i especialmente o trecho:

  • para o segundo, a quantidade de trabalho permite fixar o valor de uma coisa,
    não apenas porque este seja representÔvel em unidades de trabalho,
    mas primeiro e fundamentalmente
    porque o trabalho como atividade de produção
    Ć© ā€œa fonte de todo valorā€.

Tudo o que estĆ” representado na pĆ”gina Funcionamento… na animação central ā€˜Diante do objeto’ estĆ” completamente fora do pensamento que pensa operaƧƵes no cruzamento do que Ć© dado e o que Ć© recebido.

Toda a operação que acontece no caminho da Construção da representação estÔ fora do modo como operações são vistas como fenÓmeno.

Mesmo quando diante de um modelo descritivo da produção que considere a Construção de representação, o analista supõe que se trata de um modelo que reza pela cartilha anterior, e segue pensando do modo como sempre pensou.

O pensamento clÔssico, aquele que dispunha da História natural, da AnÔlise das riquezas e da GramÔtica geral, fazia a AnÔlise das riquezas.

O pensamento moderno efetua em seu lugar, a AnÔlise da produção, o que implica na inclusão do que acontece no caminho da Construção da representação nova para a empiricidade objeto. Como esse pensamento não é considerado em suas diferenças com relação ao clÔssico, a AnÔlise da produção acaba sendo feita meio que sem consistência no pensamento.

  • modelos com estruturaĀ clĆ”ssica
    • o modelo descritivo de operaƧƵes de produção de Elwood S. Buffa;
    • o Diagrama FEPSC(SIPOC)/Six Sigma;
    • os modelos na visĆ£o contĆ”bil-financeira:
      • de operaƧƵes (DĆ©bito/CrĆ©dito)
      • e de organização (Ativo – Passivo – Resultados) ;

  • modelos com estruturaĀ moderna
    • o modelo descritivo de operaƧƵes de produção do Kanban;
    • o modelo expresso na Figura 7.1 – mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, do livro Reengenharia, de Michael Hammer;

  • modelos com estrutura moderna
    • o triedro dos saberes;
    • o espaƧo interior do triedro;
    • o uso dos pares de modelos constituintes, inclusive fora do domĆ­nio próprio.

Tópico V. PsicanĆ”lise e etnologia, do Cap. 10 – As ciĆŖncias humanas,
do livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas

Um exercĆ­cio de uso do modelo composto caracterĆ­stico das ciĆŖncias humanas,
uma combinação dos pares constituintes das ciências 

  • da Vida (Biologia) [função-norma];Ā 
  • do Trabalho (Economia) [função-norma];Ā 
  • da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

além do conhecimento do papel dessas duas ciências em nossa cultura.

“A psicanĆ”lise e a etnologia ocupam, no nosso saber, um lugar privilegiado.Ā 

NĆ£o certamenteĀ 

  • porque teriam, melhor que qualquer outra ciĆŖncia humana, embasado sua positividade e realizado enfim o velho projeto de serem verdadeiramente cientĆ­ficas;Ā 

antes porque,Ā 

  • nos confins de todos os conhecimentos sobre o homem, elas formam seguramente um tesouro inesgotĆ”vel de experiĆŖncias e de conceitos, mas, sobretudo, um perpĆ©tuo princĆ­pio de inquietude, de questionamento, de crĆ­tica e de contestação daquilo que, por outro lado, pĆ“de parecer adquirido.Ā 

Ora, hÔ para isto uma razão que tem a ver com o objeto que respectivamente cada uma se atribui, mas tem mais ainda a ver com a posição que ocupam e com a função que exercem no espaço geral da epistémê. 

A psicanÔlise, com efeito, mantém-se o mais próximo possível desta função crítica acerca da qual se viu que era interior a todas as ciências humanas.

Dando-se por tarefa fazer falar através da consciência o discurso do inconsciente, 

a psicanÔlise avança na direção desta região fundamental onde se travam as relações entre a representação e a finitude. 

EnquantoĀ todas as ciĆŖncias humanas

  • Ā só se dirigem ao inconsciente virando-lhe as costas, esperando que ele se desvele Ć  medida que se faz, como que por recuos, a anĆ”lise da consciĆŖncia,Ā 

jÔ a psicanÔlise 

  • aponta diretamente para ele, de propósito deliberado –Ā 
    • nĆ£o em direção ao que deve explicitar-se pouco a pouco na iluminação progressiva do implĆ­cito,Ā 
    • mas em direção ao que estĆ” aĆ­ e se furta, que existe com a solidez muda de uma coisa, de um texto fechado sobre si mesmo, ou de uma lacuna branca num texto visĆ­vel e que assim se defende.Ā 

Não hÔ que supor que o empenho freudiano seja o componente de uma interpretação do sentido e de uma dinâmica da resistência ou da barreira; 

  • seguindo o mesmo caminho que as ciĆŖncias humanas,Ā 

mas com o olhar voltado em sentido contrÔrio, 

  • a psicanĆ”lise se encaminhaĀ 

em direção ao momento –inacessĆ­vel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem, a toda apreensĆ£o contĆ­nua em termosĀ 

        • de significação,Ā 
        • de conflitoĀ 
        • ou de função

– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.Ā 

Isto quer dizer que,Ā 

  • ao contrĆ”rio das ciĆŖncias humanas que,Ā 
    • retrocedendo embora em direção ao inconsciente,Ā 
      • permanecem sempre no espaƧo do representĆ”vel,Ā 
  • a psicanĆ”liseĀ 
    • avanƧa para transpor a representação,Ā extravasĆ”-la do lado da finitude
    • e fazer assim surgir, lĆ” onde se esperavamĀ 
      • as funƧƵes portadoras de suas normas,Ā 
      • os conflitos carregados de regrasĀ 
      • e as significaƧƵes formando sistema,Ā 
    • o fato nu de que pode haverĀ 
      • sistema (portanto, significação),Ā 
      • regra (portanto, oposição),Ā 
      • norma (portanto, função).Ā 

E, nessa região onde a representação fica em suspenso, à margem dela mesma, aberta, de certo modo ao fechamento da finitude, desenham-se as três figuras pelas quais 

  • a vida, com suas funƧƵes e suas normas, vem fundar-se na repetição muda da Morte,Ā 
  • os conflitos e as regras, na abertura desnudada do Desejo,Ā 
  • as significaƧƵes e os sistemas, numa linguagem que Ć© ao mesmo tempo Lei. “

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. X – As ciĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise, etnologia 

A figura da VisĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica parte de duas ideias:

  • a ideia de que cada objeto demanda operação especĆ­fica para ele;
  • a ideia de que nĆ£o Ć© possĆ­vel a obtenção de um objeto (produto) sem dispor de um instrumento (laboratório, Ć”rea de desenvolvimento, fĆ”brica). Claramente nĆ£o temos acesso Ć  Varinha MĆ”gica de condĆ£o de Merlin, o Mago, instrumento habil para instanciar qualquer objeto.
    • pensar na obtenção do objeto sem o respectivo instrumento Ć© semelhante a pensar magicamente;
    • o pensamento conjunto dos dois objetos, o produto e a fĆ”brica, reduz a qualidade dos modelos de operaƧƵes;
    • a VisĆ£o SSS permite a modelagem do Nexo da produção.

Essa ideia estƔ embutida na Figura 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, basta analisar tendo em mente as condiƧƵes de possibilidade no pensamento daquela figura.

Veja tambƩm



  • Sistema Formulador – uma alteração no modelo de dados clĆ”ssico de um SDGP – Sistema Dedicado Ć  GestĆ£o de Projetos  – como o MS Project 4.0 por exemplo, fazendo com que ele passe a funcionar a partir de banco de dados 9com a linguagem de uso) e com um modelo sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto que se pretende concretizar.

Partindo dos dois obstĆ”culos, ou as duas pedras de tropeƧo que Foucault declara ter encontrado em seu trabalho, traƧamos – usando apenas interpretação de texto – um espectro de produƧƵes do pensamento, teorias, modelos e sistemas, com trĆŖs segmentos: AQUƉM, DIANTE e para ALƉM do objeto.

Da forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura no depois da descontinuidade epistemológica, vemos que o pensamento funciona organizado em torno do par sujeito-objeto. Mudando o objeto, muda a operação que pode ou não ser conduzida por um sujeito diferente, mas com um sujeito a conduzi-la.

Aplicando esse elemento organizador par sujeito-objeto às operações em organizações, vê-se que jÔ existem operações e organizações organizadas com esse critério: o modelo descritivo da produção do Kanban, e a Fig. 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, do livro Reengenharia, são exemplos.

Se examinamos mais de perto este Ćŗltimo exemplo, veremos que hĆ” dois pares sujeito-objeto incluĆ­dos nesse mapa – segundo Hammer, de ‘processos’ (ele nĆ£o conseguiu se livrar dessa unanimidade mesmo mapeando claramente Formas de produção e nĆ£o processos.

A VisĆ£o SSS resume-se a respeitar a relação um objeto – um modelo de operaƧƵes. E isso leva a uma organização SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica que torna evidente o nexo da produção.

  • a) Canal Inconsciente Coletivo, vĆ­deo Jorge Forbes: estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos, de 28/07/2020;

  • b) Canal Falando Nisso, vĆ­deo 150 – Signo, significação e significado de 08/10/2017;

  • c) Canal Falando, Nisso vĆ­deo 254 – Neoliberalismo e sofrimento, de 31/08/2019;

  • d) Canal Quem Somos Nós? – vĆ­deo Desigualdade: Concentração de renda com Eduardo Moreira;

  • e) Canal Monica de Bolle, vĆ­deo 31 – Imaginando o “Novo Normal”;

  • f) Canal Monica de Bolle, vĆ­deo 32 – O “Novo Normal”: Bens PĆŗblicos”;

  • g) Canal Inconsciente Coletivo – vĆ­deo Ivaldo Bertazzo, que testou positivo para o Covid-19: “o grande problema do corpo Ć© o medo”, de 12/08/2020.

Os pontos comentados são os seguintes:

  • Introdução do vĆ­deo: ‘O mundo de hoje Ć© parecido com o de ontem, apenas na fotografia!’
  • Direcionamento do pensamento: ao intangĆ­vel, ou ao impensado?Ā 
  • Relação com o intangĆ­vel
  • Jorge Forbes: Entrevista ao canal Inconsciente coletivo em 28/07/2020: “estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos”
  • O incĆ“modo de Jorge Forbes com a noção de ‘norma’ e o modelo composto padrĆ£o e genĆ©rico, constituinte das ciĆŖncias humanas em geral, todas elas, proposto por Michel Foucault.Ā 
  • Sobre as qualidades de terra1 e terra2 (rótulos dispensĆ”veis se significar pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775, e pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825, segundo Michel Foucault.Ā 
  • Freud explica ⇒ Freud implica: uma frase de efeito que depende de qual seja a configuração do pensamento sob a qual Ć© proferida;Ā 

Meus comentƔrios usando o pensamento de Michel Foucault:

Veja também 

ReflexƵes imaginativas >

O fenÓmeno das operações; o tempo, uma Anatomia ou Cartografia dos modelos; MetÔforas adequadas para modelos de operações; Propriedades emergentes em função das configurações do pensamento >

As paletas de ideias, e respectivos elementos de imagem, necessƔrias para cada operacionalidade

Claramente a determinação ou não dessa parecença depende do modo como você olha para a fotografia, ou seja, com que recursos de pensamento faz isso. E o que procura na fotografia, com o seu olhar.

Ivaldo Bertazzo ensina que a gente olha e ouve o que nos chega do mundo sempre de acordo com o mesmo padrão.

E hÔ mais do que um padrão que pode ser usado para absorver o que nos chega do mundo.

Michel Foucault, olhando para o estado em que ele percebia encontrar-se a nossa cultura, e adotando a estratégia de questionar não diretamente as teorias, modelos e sistemas mas as condições de possibilidade destes no pensamento, viu modelos com e modelos sem a possibilidade de fundar as sínteses (da empiricidade objeto do pensamento) no espaço da representação. Ele estava questionando as condições de possibilidade do pensamento, evidentemente.

E ele foi alĆ©m disso: viu o imperativo de que todo o campo das ciĆŖncias humanas fosse configurado tendo como pressuposto a constituição do que ele chama de os ‘quase-transcendentais’ Vida, Trabalho e Linguagem, podendo entĆ£o identificar um modelo composto padrĆ£o e genĆ©rico para todas as ciĆŖncias humanas nesse espaƧo, a partir de modelos constituintes das trĆŖs ciĆŖncias do eixo epistemológico fundamental, as ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma], do Trabalho (Economia polĆ­tica) [conflito-regra] e da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].Ā 

Vê-se que dessa percepção de Foucault é possível vislumbrar um espectro de modelos em nossa cultura. Esse espectro tem três segmentos:

AQUƉM, DIANTE e para ALƉM do objeto (e do sujeito)

Pouca gente vĆŖ isso, mas vocĆŖ pode ver adiante neste trabalho.

Mas, olhando para a fotografia de hoje com os padrões que usamos ontem e desde sempre, fica estabelecida uma semelhança pela intermediação do padrão utilizado. Se é o padrão de sempre, as diferenças porventura existentes, causadoras de diferenciações, mas aparentes somente sob outro padrão, não aparecem.

Sempre é necessÔrio percebermos quais são os critérios dos quais se compõe o modo como olhamos para o mundo. Dependendo do que surge dessa procura daquilo que integra nossos padrões, pode ser que percebamos que ocorreram, sim, mudanças que nos passaram despercebidas; e mudanças de tal monta que sim, foram revoluções, mas localizadas no passado, e hoje jÔ distante.

Mas que a gente possa manter um savoir faire – um saber fazer, numa relação da harmonia do homem agora nĆ£o mais com a natureza, nĆ£o mais com os deuses, nĆ£o mais com a razĆ£o, mas com o intangĆ­vel. EntĆ£o, nesse intangĆ­vel, isso me leva a pensar numa Ć©tica – em dois tempos para cada um – de inventar uma surresposta singular da sua intangibilidade, e de colocĆ”-la no mundo (que Ć© o que faz o artista); nĆ£o Ć©? um Van Gogh vĆŖ um girassol que só ele viu – ele inventou um girassol – e inscreveu esse girassol no mundo.

Esse ‘savoir faire’ parece-me que seja a boa e antiga de dois sĆ©culos ‘Forma de produção’ de David Ricardo

Desde logo esse ‘savoir faire‘ Ć© interessante porque me dĆ” a oportunidade de, ao invĆ©s da tradução óbvia ‘saber fazer‘, optar por traduzir essa ideia como ‘forma de produção‘ como a maneira encontrada para fazer aquilo que sei fazer; e se fizer isso guiado pela ideia por trĆ”s do nome, estarei usando justamente o nome dado por David Ricardo, em 1817, para o elemento central do seu modelo de operaƧƵes que, segundo Foucault, ele publicou com o nome de PrincĆ­pio Dual de Trabalho (e Ć© interessante descobrir por que esse ‘dual’ no nome do principio.

O pensamento bem frequentemente consegue dar conta do ‘impensado’, mas ao contrĆ”rio, o ‘intangĆ­vel’ permanece tal e qual na maioria das vezes.

Desde logo, estabelecer um saber fazer voltado ao intangĆ­vel – o que quer que essa palavra signifique neste contexto – Ć© organizar “a relação da harmonia do homem nĆ£o mais com a natureza, os deuses, a razĆ£o”, mas levando em conta, agora, o objeto, um objeto definido como ‘intangĆ­vel’, aquela coisa que nĆ£o se pode tocar, parece que seja um grande passo adiante. 

Veja que toda a mecĆ¢nica celeste funciona perfeitamente e artefatos sĆ£o colocados em órbita e chegam sem acidentes a outros planetas, e em sua grande maioria todos permanecem intangĆ­veis – no sentido original da palavra ‘intocĆ”veis’ – depois de estudados. Mas todos deixam de ser impensados. E graƧas a um pensamento organizado pelo par sujeito-objeto.

Pensando em um buraco negro, e nas teorias da relatividade que ajudam a compreendĆŖ-los, nĆ£o se pode dizer que eles, buracos negros – e outros entes cósmicos – de alguma forma possam tornar-se tangĆ­veis. Mas a ciĆŖncia os converte de ‘impensados’ cada vez mais em ‘pensados’. E essa conversĆ£o faz mais sentido do que a proposta por Forbes de intangĆ­veis para tangĆ­veis. AtĆ© mesmo no caso do Sars Cov-2.

Seja com ‘intangĆ­vel’ seja com ‘impensado’, mas o pensamento proposto Ć© voltado para o objeto, o que jĆ” Ć© um grande passo”

Mas, porĆ©m, todavia, contudo, o direcionamento do pensamento para o que seja ‘intangĆ­vel’ jĆ” requer uma alteração radical na configuração do próprio pensamento: para um pensamento definido com relação a um determinado objeto, – embora um objeto genĆ©rico; isso porque exige um pensamento sim-discriminativo com relação ao objeto escolhido e seus elementos componentes, em contraposição a um pensamento indefinido porque nĆ£o-discriminativo com relação a qualquer objeto como Ć© (sim, Ć©, porque ainda agora, muito usado entre nós) o pensamento terra1 – como diz Forbes, voltado aos transcendentais natureza, deuses, razĆ£o.

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura desde o início do século XIX

Na filosofia de Michel Foucault, pensando em David Ricardo na economia polĆ­tica, Franz Bopp na Filologia, Georges Cuvier na Biologia, o pensamento volta-se para o impensado em vez de para o intangĆ­vel.

Instaura-se
uma forma de reflexĆ£o, 

bastante afastada 
do cartesianismo 
e da anĆ”lise kantiana, 
em que estĆ” em questĆ£o, 
pela primeira vez, 
o ser do homem, 
nessa dimensĆ£o segundo a qual 
o pensamento 
se dirige ao impensado 
e com ele se articula. 

Isso tem duas conseqüências.”

 (…) 

“A outra consequĆŖncia Ć© positiva. 
Concerne Ć  relação 
do homem 
com o impensado, 
ou mais exatamente, 
ao seu aparecimento gĆŖmeo 
na cultura ocidental.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 9 – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado

Veja a forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura quando mudança como essa foi realizada:

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault

Essa mudanƧa no modo de organização do pensamento aconteceu, segundo Foucault, entre 1775 e 1825, nos cinquenta anos centrados na virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX (vinte e cinto anos para cada lado). Grosso modo hĆ” dois sĆ©culos; mudanƧa bem mais recente do que os 28 sĆ©culos atrĆ”s em que  Forbes posiciona o evento marcador antecedente da revolução que aponta tambĆ©m nos laƧos sociais.

A mudança em decorrência dessa forma de reflexão

Trata-se de uma mudanƧa com a seguinte natureza:

  • de operaƧƵes organizadas por uma (ou pode ser mais de uma) Ordem(ns) arbitrariamente escolhida(s) nas quais o homem era tratado como um gĆŖnero, ou uma espĆ©cie integrando uma das categorias do sistema de categorias clĆ”ssico; 
  • para operaƧƵes organizadas pelo par sujeito-objeto em uma ordem Ćŗnica dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆ­ngua, usando o bloco padrĆ£o construtivo genĆ©rico para construção de representaƧƵes proposição. 

A primeira consequĆŖncia evidente Ć© que nĆ£o Ć© mais possĆ­vel modelar operaƧƵes, empresariais ou outras, usando a metĆ”fora da transformação Ćŗnica de Entradas ā‡’ SaĆ­das ou do processamento de informaƧƵes sobre a estrutura Input-Output cujo sistema Ć© relativo, de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si. Veja que o elemento central desse modelo, Processo, tem a natureza de um verbo, e note que hĆ” dois conceitos para o que seja um verbo, e esse de um sistema relativo, etc. etc. Ć© o primeiro que transcrevo a seguir.

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma, Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes; por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte. Ɖ por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias  humanas; Cap. 4 – Falar; tópico III. A teoria do verbo 

A segunda consequência é que partindo do conhecimento de que usualmente operações são modeladas sobre a estrutura Input-Output, e isso não é mais adequado, é preciso encontrar um outro padrão, um outro modelo. Isso é necessÔrio para que operações em organizações reais sejam modeladas convenientemente.

E esse outro modelo Ć© consistente nĆ£o mais com o pensamento de Adam Smith (Processo, estrutura Input-Output) mas sobre o pensamento de David Ricardo e seu Principio Dual de Trabalho, cujo elemento central Ć© o ‘savoir faire’ ou a forma de fazer, com o nome de Forma de produção.

Veja as seguintes pƔginas, comparando:

Modelos construĆ­dos dentro desse padrĆ£o: 

Veja, o que gera uma vacina para o Sars-Cov-2 é uma operação na qual o pensamento do cientista que, tendo em vista os aspectos ainda impensados, porque não pensados, desse vírus, desencadeia uma operação no seguinte formato:

  • coloca-se como sujeito de uma operação cientĆ­fica na qual
  • o vĆ­rus Ć© o atributo do predicado do cientista sujeito dessa operação, e assim Ć© o objeto da operação da ciĆŖncia,
    • que funciona Ć  luz do que se sabe sobre vacinas
    • e sobre sistema imunológico humano, entre outros saberes.

Essa operação cientĆ­fica considera entre outras coisas o que a ciĆŖncia sabe sobre vĆ­rus em geral e o Sars-Cov-2 em particular. 

Tangibilidade ou intangibilidade são qualidades, aparências, ou propriedades não-originais e não-constitutivas desse vírus. O impensado, ao contrÔrio, toma o objeto dessa operação de conhecimento por inteiro, mesmo que de início, não haja qualquer propriedade sejam as não-originais e não-constitutivas sejam as sim-originais e sim-constitutivas.

O interesse da ciĆŖncia Ć© pelas propriedades sim-originais e sim-constitutivas desse vĆ­rus, que sĆ£o essas que podem levar a conquistas como por exemplo, uma vacina. E encontrar esse conjunto de propriedades Ć© o que converte o impensado em representação. 

Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura no pensamento filosófico de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825,’ o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆ­vel!  

Intangível é uma qualidade de algo e não faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.

Essa forma de reflexão sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e não adjetivas, aparências, como é o intangível.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)

Ao contrÔrio do impensado, que mediante articulação feita pelo pensamento e patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaço da representação (e a vacina!), o intangível na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangível.

HĆ” uma confusĆ£o entre os vocĆ”bulos intangĆ­vel e impensado. 

Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexĆ£o em   

Os  perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo o pensamento de Michel Foucault:
e Os dois tipos de reflexão assumidos pelo pensamento

Essa forma de reflexão é consistente e estÔ na base do Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo.

Veja em imagens 

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho, o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, de 1817; veja também as diferenças entre esses dois conceitos, nas palavras de Michel Foucault

que ilustram essa forma de reflexão no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexão no período anterior.

Esse tĆ­tulo faz alusĆ£o a uma revolução nos laƧos sociais Ćŗnica – pelo seu tamanho, porque a maior – nos Ćŗltimos 2800 anos. E nos laƧos sociais.

Volto ao redirecionamento da ‘harmonia do homem’ desde os transcendentais natureza, deuses, razĆ£o, para o intangĆ­vel como diz Forbes. Se o argumento que fiz acima, a substituição do ‘intangĆ­vel‘ pelo ‘impensado‘ for aceito – ao menos para efeito deste texto, essa revolução a que o tĆ­tulo alude jĆ” ocorreu, e hĆ” exatos 203 anos. E teve exatamente a mesma intenção, atingiu ‘os laƧos sociais’ e todas as Ć”reas do conhecimento humano. E mais, marcou a entrada de nada mais nada menos do que o homem em nossa cultura.

NĆ£o foi pouca coisa.

Esse título, com a afirmativa nele expressa, parece conter em seu significado, um descarte histórico desse evento que tem, na avaliação de Michel Foucault, o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento; e um desconhecimento do modo como se alterou ao longo do tempo o modo de ser fundamental do pensamento e suas condições de possibilidade, em nossa cultura em tempo muito mais próximo de nós que os 28 séculos. 

Gostaria que Jorge Forbes relesse sobre isso na minha Cartilha – o livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, desse autor.Ā 

Forbes alude a um movimento do pensamento que parte dos transcendentais natureza, deuses, razão e chega ao intangível.

Foucault fala de um outro movimento que identifica modelos feitos por um pensamento postado AQUƉM do objeto – referido Ć  Ordem arbitrariamente escolhida em que vige um sistema de categorias, para por um pensamento DIANTE do objeto no qual a ordem Ć© dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆ­ngua usada, e chega a um pensamento para ALƉM do objeto em que encontramos constituĆ­dos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, e nĆ£o mĆŗltiplas categorias mas trĆŖs somente: função-norma; conflito-regra, significação-sistema.Ā 

Tendo em mente especificamente a mudanƧa proposta por Forbes para um pensamento voltado a um objeto ‘intangĆ­vel’, e tendo consciĆŖncia de que isso resulta em um certo esforƧo do pensamento e alĆ©m disso, um pensamento organizado por esse objeto ‘intangĆ­vel’ escolhido, exatamente essa alteração – modelos organizados pelo objeto – aconteceu em nossa cultura em um espaƧo de tempo muito menor, pouco mais de dois sĆ©culos atrĆ”s em vez dos 28 sĆ©culos mencionados por Forbes.

Nesse meio tempo, e por falar não em revoluções mas em descontinuidades epistemológicas em nossa cultura, podemos ver esse evento em nossa cultura na pÔgina seguinte.

Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825, 

Essa mudança no pensamento exigiu uma forma de reflexão também nova. Segundo Michel Foucault, essa mudança ocorreu em um movimento do pensamento muito mais recente e importante que surgiu em momento muito mais próximo do nosso tempo. Veja essa forma de reflexão associada a uma imagem para o conceito, que torna aparentes os elementos de imagem utilizados, a estrutura que ocupam e os relacionamentos que estabelecem.

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault

E os efeitos de tal movimentação das positividades umas em relação às outras pode ser constatado nas produções do pensamento efetivamente feitas e utilizadas em teorias, modelos e sistemas existentes e muito utilizados. Essa mudança não ficou apenas no pensamento teórico mas atingiu a prÔtica, embora não tenha sido avaliada de maneira alinhada com o pensamento filosófico.

A pƔgina a seguir mostra:

  • os dois perfis do pensamento antes e depois desse evento segundo Foucault fundador da nossa modernidade no pensamentoĀ  expressos por suas caracterĆ­sticas de caracterĆ­sticas, ou pelos respectivos referenciais, princĆ­pios organizadores e mĆ©todos;
  • esses elementos nas palavras de Foucault;
  • os modelos de operaƧƵes possĆ­veis com um e outro desses perfis;
  • as grandes Ć”reas do pensamento possĆ­veis antes e depois desse evento;
  • e a Forma de reflexĆ£o que se instaura depois desse evento

Os perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo Michel Foucault; (…) Os dois tipos de reflexĆ£o assumidos pelo pensamento (…) a Forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura

Esse tĆ­tulo do vĆ­deo da entrevista de Jorge Forbes imediatamente me lembra do movimento Reengenharia, e da capa do livro de mesmo nome de Michael Hammer ā€œā€“ EsqueƧa o que vocĆŖ sabe sobre como as empresas devem funcionar: quase tudo estĆ” erradoā€ trombeteava ele. Seja em Hammer, ou em Forbes, nos dois casos havia e hĆ”, a denĆŗncia, como se atual fosse, de uma revolução jĆ” ocorrida em passado nem tĆ£o remoto. Em termos históricos, foi ontem.

A Cartilha mostra como e por que isso Ć© verdade.

Se estou entendendo o que ele chama de ā€˜Ć©poca anterior’, ou terra1 isso jĆ” tem um nome: idade clĆ”ssica ou pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo a Cartilha. E chamado por esse nome, suficiente, podemos prescindir do nome fantasia terra1.Ā 

Usando ā€˜pensamento filosófico clĆ”ssico’ podemos fazer o relacionamento com o modo de ser do pensamento de autores importantes desse perĆ­odo – a virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX, como Adam Smith, John Locke, Jeremy Bentham, etc. Ā E usando a contraparte ā€˜pensamento moderno’ – que possivelmente Forbes chamarĆ” de terra2 igualmente sem necessidade e com desvantagens – podemos estabelecer relaƧƵes com pensadores como David Ricardo, Franz Bopp, Georges Cuvier, Sigmund Freud, John Maynard Keynes, entre muitos outros.

ā€œMe incomoda a noção de norma no sentido de que vocĆŖ sai de um laƧo socialĀ 

estandardizado, padronizado, rígido, hierÔrquico, linear, focado, 

que são algumas das características que eu entendo da época anterior que eu chamo de terra1. 

Eu chamo de terra1 toda organização, todo laƧo social vertical – independente do que esteja, na verticalidade, no ponto da transcendĆŖncia, esteja (como esteve durante muitos sĆ©culos) primeiro a natureza, depoisĀ  os deuses, depois a razĆ£o. As transcendĆŖncias mudam mas a estrutura arquitetĆ“nica arquitetural vertical se manteve. EntĆ£o eu entendo que hĆ” uma revolução monumental neste momento, sobre 2800 anos de história, em que nós saĆ­mos de uma forma de nos comportarmos verticalmente e temos a chance de nos comportarmos horizontalmente; o que implica em que nós temos a chance de viver num laƧo social flexĆ­vel, criativo, mĆŗltiplo, responsĆ”vel, – responsĆ”vel antepƵe responsabilidade e disciplina – (…) EntĆ£o vocĆŖ tem um laƧo social de caracterĆ­sticas, como eu disse,Ā 

colaborativo, múltiplo, reticular, flexível, criativo, [responsÔvel]; 

e eu acho que o interessante quando nós sairmos dessa pandemia, é nós guardarmos um aspecto dela, que é a relação do homem com o intangível.

ā€Ā Ref. Jorge Forbes, em Estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos do canal Inconsciente coletivo.

Neste comentÔrio, faço uso, claro, do meu particular e pessoal entendimento do pensamento de Michel Foucault, e afirmo: 

1. que no que Forbes chama terra2 – (entendido como a configuração moderna do pensamento, o de depois de 1825, como aquilo que sucede e substitui, se opondo, ao pensamento ‘anterior’),Ā ‘hierarquia’ Ć© uma estrutura intrĆ­nseca e inseparĆ”vel do resultado de uma operação de construção de representação nova, porque Ć© uma estrutura ligada ao resultado (uma representação) dessa operação sempre organizada pelo par sujeito-objeto, com princĆ­pios organizadores Analogia e SucessĆ£o e com os mĆ©todos AnĆ”lise e SĆ­ntese;

e no entanto a qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆ­da ao pensamento emĀ terra1 (entendido agora como o pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775, o que Forbes chama de ‘anterior’).Ā 

Dado que no pensamento clÔssico não existem as noções de objeto (noção à qual a ideia de hierarquia estÔ ligada em um modelo de operações) e de sujeito (homem), essa qualidade atribuída a terra1 deve estar referida a outra coisa que mereça esse atributo, mas que não estÔ clara no texto, e valeria a pena esclarecer o que seja que tem essa qualidade. 

2. que o incĆ“modo de Forbes com a ‘norma’ – se aplicada a terra2 com o entendimento acima, e usando aquilo que consigo apreender do pensamento de Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’, – sugere uma simplificação em dose dupla.
Ā 
  • A primeira simplificação:Ā 

norma Ć© um dos modelo constituintes das ciĆŖncias humanas que juntamente com função, compƵe o par constituinte da ciĆŖncia da Vida, a Biologia no perĆ­odo moderno do pensamento e no segmento do espectro de modelos para ALƉM do objeto.

  • A segunda simplificação:Ā 

hÔ outros dois pares de modelos constituintes no modelo constituinte padrão, genérico para todas as ciências humanas, a saber

        • conflitoregra, o par constituinte da ciĆŖncia do Trabalho (Economia polĆ­tica); e
        • significaçãosistema, o par constituinte da ciĆŖncia da Linguagem, (Filologia).Ā 

A descrição feita por Michel Foucault desse  modelo constituinte padrão e genérico, composto dos pares constituintes das ciências que habitam a região epistemológica fundamental, e o eixo vertical do Triedro dos saberes:

        • ciĆŖncia da Vida (Biologia), par constituinte [funçãonorma];
        • ciĆŖncia do Trabalho (Economia polĆ­tica), par constituinte [conflitoregra];
        • e ciĆŖncia da Linguagem (Filologia), par constituinte [significaçãosistema],

acaba sendo quase que um manual para formulação de teorias, modelos e sistemas nesse campo, e por isso faço este comentÔrio.

Portanto este comentƔrio vai a seguir em dois pontos:

  • 1. Quanto Ć s qualidades atribuĆ­das a terra1 e terra2;Ā 

  • e 2. Quanto ao incĆ“modo com a ‘norma’

  • e ao final, o que eu chamo de um Manual (em uma animação ilustrada) para o projeto e uso de modelos no campo das ciĆŖncias humanas, usando diretamente as palavras de Michel Foucault

1. Quanto Ć s qualidades atribuĆ­das a terra1 e terra2

Note que as características tanto em terra1 quanto em terra2 são dadas no excerto acima, e nos dois casos, por qualidades dos laços sociais.

Tomando terra1 como sendo a configuração do pensamento filosófico no período clÔssico, nesse período o pensamento funciona com propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, as aparências, estas, qualidades. Para o pensamento assim configurado não existem a noção de homem como ser capaz de desempenhar uma duplicidade de papéis, e a noção de objeto.

O elenco de qualidades atribuĆ­das ao laƧo social – estandardizado, padronizado, rĆ­gido, hierĆ”rquico, linear, focado – pode ser objeto de reflexĆ£o interessante.Ā 

A qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆ­da ao pensamento terra1 que eu, aqui, presumo que se refira ao pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo Foucault.Ā 

Tomando posição em terra2, que eu presumo referir-se ao pensamento moderno, o de depois de 1825 segundo Foucault, essa qualidade ‘hierĆ”rquico’ seria dada por uma estrutura de conformação definida no objeto, uma hierarquia.

Enfatizando, no pensamento moderno os princípios organizadores de uma operação no caminho da Construção de representação nova são Analogia e Sucessão com os métodos AnÔlise e Síntese. 

Ā “De sorte que se vĆŖem surgir,Ā 
como princípios organizadores desse espaço de empiricidades, 
a Analogia e a Sucessão: 
de uma organização a outra, 
o liame, com efeito, não pode ser mais a identidade de um ou vÔrios elementos, 
mas a identidade da relação entre os elementos 
(onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel) e da função que asseguram; (…)Ā 

Cartilha; Cap. 7. Os limites da representação; tópico I. A idade da história

TomemosĀ (ainda posicionados emĀ terra2!)Ā um ‘impensado’ em Foucault ou um ‘intangĆ­vel’ em Forbes; nĆ£o existe representação para isso – ou nĆ£o seria um impensado ou um intangĆ­vel no domĆ­nio de trabalho. Por isso, se for feita a decisĆ£o de resolver essa situação de intangibilidade ou nĆ£o representatividade, esse ‘impensado’ serĆ” objeto em uma operação de construção de uma representação.Ā 

O pensamento converte o impensado em representação.

Aquilo que antes dessa operação era o ‘impensado‘ de Foucault,Ā depois dessa operação de construção de representação nova – conduzida em cada etapa pelo sujeito – nada mais serĆ” do que um pacote logicamente organizado de objetos anĆ”logos ao impensado e seus aspectos, objetos esses adotados em seu conjunto como substitutivos – dentro de certos critĆ©rios de aceitação – daquele ‘impensado’ para o qual nĆ£o havia representação no espaƧo no qual a operação acontece.Ā 

O princĆ­pio organizador do pensamento Analogia estabelece relaƧƵes de analogia das quais surgem objetos anĆ”logos ao impensado mais representĆ”veis. Usando como diz Foucault ‘a sintaxe que autoriza a construção das frases’, esse objeto anĆ”logo Ć© arrastado para o modelo de operaƧƵes construĆ­do segundo as regras da linguagem por meio de uma proposição na qual o homem Ć© sujeito, e o predicado do sujeito Ć© composto por um verbo – a forma de produção, e um atributo, o objeto anĆ”logo que acaba de ser criado na relação de analogia. Agora cada um desses objetos anĆ”logos sĆ£o testados quanto Ć s respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo em que a operação acontece. Caso necessĆ”rio, o mĆ©todo AnĆ”lise entra em cena e quebra cada objeto anĆ”logo eventualmente ainda nĆ£o representĆ”vel em outros objetos anĆ”logos mais próximos de suas respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo; e o mĆ©todo SĆ­ntese garante que o objeto anĆ”logo inicial ainda pode ser composto pelo conjunto de objetos anĆ”logos resultantes da AnĆ”lise.

AĆ­ entra o princĆ­pio organizador SucessĆ£o. Usando como diz Foucault ‘aquela sintaxe, menos manifesta, que autoriza manter juntas ao lado e em frente umas das outra, as palavras e as coisas‘, a SucessĆ£o posiciona ao lado, ou em frente uns dos outros, os objetos anĆ”logos criados em substituição ao objeto anĆ”logo nĆ£o representĆ”vel, estabelecendo entre eles relaƧƵes lógicas – de sucessĆ£o.Ā 

Você pode ver isso em uma animação nesta pÔgina, sob DIANTE do objeto. Se necessÔrio, posso dar mais detalhes sobre como isso funciona.

Nota: essa descrição do funcionamento de uma operação de construção de representação para algo antes impensado nĆ£o explica suficientemente o ‘laƧo social’, mas podemos chegar lĆ”.

Continuando. Assim, supondo que terra2 seja de fato o que eu estou pensando que Ć©, o pensamento filosófico moderno – o de depois de 1825, como diz Foucault ‘aquele [pensamento] com o qual queiramos ou nĆ£o, pensamos‘, entĆ£o, hierĆ”rquico Ć© uma qualidade intrĆ­nseca a esse tipo de pensamento, terra2, desde que entendido como referente ao objeto. Como humanos nĆ£o nos Ć© possĆ­vel construir representação para qualquer ‘impensado’ sem que o resultado seja um objeto expresso por uma representação com uma estrutura em hierarquia.

Fechando o longo parĆŖnteses, e voltando ao ponto, supondo que terra1 seja de fato o que penso que Ć©, – o pensamento filosófico clĆ”ssico.

Em assim sendo, a noção de impensado cuja representação Ć© construĆ­da pelo pensamento, nesse tipo de pensamento, nĆ£o existe. Porque nĆ£o existe a noção de objeto e tambĆ©m nĆ£o existe a noção de sujeito da operação, como o homem, que seria capaz de construir representação nova. O homem estĆ” fora da paleta de ideias no pensamento clĆ”ssico. ‘Antes do final do sĆ©culo XVIII o homem nĆ£o existe em nossa cultura. NĆ£o mais do que um gĆŖnero, ou uma espĆ©cie’ Ć© o que nos alerta Foucault.

Logo, nesse tipo de pensamento, sem a noção de objeto prima irmĆ£ da noção de hierarquia, a qualidade ‘hierĆ”rquico’ deve referir-se a outra coisa que nĆ£o o objeto. EntĆ£o o que Ć© danoso, prejudicial, e justifica mudanƧas Ć© essa outra coisa que estĆ” associada a essa qualidade ‘hierĆ”rquico’, e que vista mais de perto, nĆ£o pertence a esse pensamento.Ā 

E essa coisa não é declarada por Forbes, o que poderia gerar confusão.

Mas a palavra hierarquia é muito usada, e mesmo em terra1; as organizações foram bem ou mal se organizando e apresentando problemas. Sem atentar para que tipo de pensamento estavam usando. E aí, por diferentes razões, alguns autores passaram a demonizar a organização hierÔrquica sem dizer especificamente o que estavam demonizando. Isso sem noção de que a estrutura hierÔrquica é inerente, indissociÔvel, ao pensamento moderno, e às operações que transcorrem organizadas sob essa configuração do pensamento.

EntĆ£o, se estou sendo entendido, hierĆ”rquico em terra1, nada tem, nem pode ter, a ver com o objeto de operaƧƵes sob o pensamento moderno que terminam construindo representaƧƵes novas. E o pensamento voltado para o ‘intangĆ­vel’ de Forbes ou ‘impensado’ de Foucault nĆ£o pĆ”ra de pĆ© sem o objeto e sem o sujeito; e portanto necessariamente com a qualidade ‘hierĆ”rquico’ que em Forbes estĆ” posta em terra1.

Pode haver confusão aí, demonizando a hierarquia, o que, em se tratando de pensamento moderno (terra2) em qualquer caso, é na verdade é uma missão impossível. 

Obviamente não sei como essa qualidade afeta o laço social descrito por Forbes, mas posso ver com alguma clareza como essa qualidade afeta a estrutura do pensamento nas operações sob o pensamento filosófico moderno, no depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825. E a hierarquia é característica integrante e indissociÔvel do resultado nessa configuração do pensamento, arrastada para a representação (projeto) decorrente do referencial, dos princípios organizadores e dos métodos utilizados em um pensamento orientado pelo par sujeito-objeto.

Veja isso na seguinte pƔgina

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

Não se ganha nada ao retirar a qualidade hierÔrquica da estrutura inerente à construção de representação nova (projeto); ao contrÔrio perde-se muito, essa tentativa empobrece a visão da operação, oblitera o funcionamento das duas sintaxes da língua usada para modelar operações; por essas razões, mas acima de tudo, essa parece ser uma missão impossível. A estrutura hierÔrquica da operação da qual resulta uma representação nova é resultado do perfil de configuração do pensamento.

2. Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a ‘norma’

Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a noção de ‘norma’, isso me remete imediatamente de novo Ć  Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’, que me permite uma visĆ£o de conjunto muito mais completa e Ćŗtil para quem pensa em formular e configurar, e depois operar com sucesso, modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas.

A ‘norma‘ que incomoda Forbes, Ć© a expressĆ£o de uma convenção, um acordo feito para atender Ć s condiƧƵes requeridas por uma ‘função‘; esse acordo, essa convenção, visa a estabilidade temporal, em mais de um aspecto, e o compartilhamento dessa ‘norma‘ isto Ć©, da solução conseguida e convencionada para a obtenção prĆ”tica dessa ‘função’.

Vale a pena examinar, usando o pensamento de Michel Foucault, o que se configura quase comoĀ 

Um ‘manual’ para projeto e construção de modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas

em trĆŖs tempos:

  • o espaƧo geral dos saberes sob o pensamento moderno chamado por Foucault de Triedro dos saberes; com as faces e eixos do Triedro dos saberes;
  • a classe de modelos das ciĆŖncias humanas;
  • o uso dos pares de modelos constituintes fora do domĆ­nio próprio em que foram formados.

examinando o modelo constituinte padrão das ciências humanas composto de uma combinação ponderada dos pares constituintes das ciências do eixo epistemológico fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem:

ā€œAssim, estes trĆŖs pares, função e norma, conflito e regra, significação e sistema, cobrem, por completo, o domĆ­nio inteiro do conhecimento do homem.ā€Ā Cartilha; Cap. 10 – As ciĆŖncias humanas; tópico I – O triedro dos saberes

Esse excerto da Cartilha dĆ”-nos conta de que esses trĆŖs pares de modelos constituintes, das ciĆŖnciasĀ 

  • daĀ VidaĀ (Biologia) par constituinteĀ Ā [função-norma]Ā 
  • doĀ TrabalhoĀ (Economia)Ā Ā par constituinteĀ [conflito-regra]Ā eĀ 
  • daĀ LinguagemĀ (Filologia)Ā par constituinteĀ Ā [significação-sistema]Ā 

estão na base de toda e qualquer ciência humana, incluindo a economia política, e a biopolítica, e também a anÔlise da produção. Essas três ciências compõem, segundo Foucault, a região epistemológica fundamental.

Forbes supostamente estÔ analisando o que acontece nas, e com as organizações empresariais e, portanto, estÔ elaborando bem no campo de uma ciência humana. Essa ciência humana que segundo Foucault, tem esse modelo constituinte padrão no qual 

  • o par constituinte dominante Ć© escolhido, em cada caso especĆ­fico, por quem formula o modelo,Ā 
  • e os coeficientes que determinam o mix da composição no modelo especĆ­fico, que estabelecem a proporção em que entram no modelo os trĆŖs pares constituintes – e a predominĆ¢ncia de um deles sobre os outros – sĆ£o tambĆ©m escolhidos pelo analista formulador.Ā 

Isso evidencia que esse incĆ“modo de Forbes com a ‘norma‘ precisa ser bastante ampliado quando se fala de laƧos sociais porque estes estĆ£o afetos,Ā 

  • desde logo Ć s ‘funƧƵes’ normatizadas pela ‘norma’ (o par constituinte do quase-transcendental Vida),Ā 

mas também estão regidos pelos pares constituintes dos outros dois quase-transcendentais: 

  • [conflito-regra] da Economia,Ā 
  • e [significação-sistema] da Filologia.

Ɖ claro que podemos desconsiderar esse mapeamento admirĆ”vel do espaƧo dos saberes moderno feito por Foucault e pensar de modo compartimentado e muito mais incompleto.Ā 

Mas por que exatamente farĆ­amos isso?

Um

Manual para uso e projeto de modelos no campo das ciĆŖncias humanas, jĆ” constituĆ­dos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem

A frase citada por Forbes:

“Freud explica ⇒ Freud implica:

  • no ‘explica’ vocĆŖ tem um saber anterior ao ato; 

  • no ‘implica’ vocĆŖ tem um ato anterior ao saber.”

Significado da palavra ‘Implica’ no DicionĆ”rio Online de portuguĆŖs

Implica vem do verbo implicar. O mesmo que: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde.

Significado de implicar

Expressar desdém, deboche, zombaria; hostilizar: ele implica com seu irmão constantemente; implicava-se com o vizinho.

Obter como resultado, efeito ou consequência; originar: a devolução do imóvel implica multa.

Fazer com que algo se torne necessÔrio; requerer: o trabalho não implica sua participação.

SinƓnimos de Implica

Implica Ʃ sinƓnimo de: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde

AntƓnimos de Implica

Implica Ć© antĆ“nimo de: desimplica

Significado da palavra ‘Explica’ no DicionĆ”rio Online de portuguĆŖs

verbo transitivo diretoFazer com que fique claro e compreensĆ­vel; descomplicar uma ambiguidade: explicar um mistĆ©rio.Ser a causa de: a desgraƧa explica sua amargura.Conseguir interpretar o significado de: explicar um texto irĆ“nico.verbo transitivo direto e bitransitivoFazer com que alguma coisa seja entendida; explanar: explicar uma teoria; explicar a matĆ©ria aos alunos.verbo transitivo direto e pronominalProvidenciar uma justificativa ou desculpa; desculpar-se: preciso explicar meu comportamento; o presidente explicou-se ao povo.Manifestar-se atravĆ©s das palavras; exprimir-se: explicar uma paixĆ£o; explicou-se numa linguagem bem popular.Etimologia (origem da palavra explicar). Do latim explicare.

SinƓnimos de Explicar

Explicar Ć© sinĆ“nimo de: lecionarpontificaradestraramestrardoutrinareducarensinarformarinstruir

AntƓnimos de Explicar

Explicar Ć© o contrĆ”rio de: obscurecercomplicar

Ɖ bem implicante o leque de significados das palavras ‘explica’ e ‘implica’. Implica pode significar atĆ© confunde! mas Ć© tambĆ©m ‘origina’.

Implica Ć© origina, requer. Explicar Ć© formar, instruir. Complicar, Ć© antĆ“nimo de explicar. 

Etimologicamente complicar é dobrar junto; implicar é entrelaçar, juntar, reunir. Muito próximos os significados, não?

Pensando o ‘Explicar’, em uma operação, como a procura de elementos que deem sustentação na experiĆŖncia para o que se  afirma com respeito ao objeto da operação – inclusive indicando sua origem no pensamento, Explica‘ e ‘Implica‘ sĆ£o palavras com dois conjuntos de significados diferentes mas cuja intersecção Ć© nĆ£o vazia; hĆ” significados em comum; veja a etimologia das duas palavras. 

Essa relação de sucessĆ£o ou de precedĆŖncia entre ato e conhecimento tem bastante mais a ver com:

  • o modo como o pensamento Ć© configurado
  • com a natureza – construção de representação nova ou instanciamento de representação existente – da operação envolvida em cada especĆ­fico movimento do pensamento, 

do que propriamente com o significado escolhido para essas duas palavras. 

Se assim for, Ć© melhor declarar explicitamente quais sĆ£o as condiƧƵes de possibilidade do pensamento selecionadas, e qual a natureza da operação em que estamos pensando, se de construção de representação nova, se de instanciamento de representação anteriormente existente.  

AlĆ©m disso, dependendo dessa natureza da operação, a operação pode acomodar-se, desde logo, a uma configuração do pensamento clĆ”ssico, anterior a 1775, ou a uma configuração do pensamento moderno, o de depois de 1825. 

Os perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo o pensamento de Foucault:
os pensamentos clƔssico (de antes de 1775); e moderno( de depois de 1825)

pensamento clƔssico,
antes de 1775

perfil do pensamento clƔssico,
o de antes de 1775

pensamento moderno,
depois de 1775

perfil do pensamento moderno,
o de depois de 1825

Operações possíveis sob as condições de pensamento dadas pelos respectivos perfís do pensamento filosófico clÔssico, o de antes de 1775 e pelo moderno, de depois de 1825.

AquƩm do objeto

Operação de pensamento no período clÔssico, antes de 1775
operação de instanciamento de representação formulada
modo de ser fundamental não muda
Ordem arbitrƔria ou Quadro de simultaneidades

Diante do objeto

Operação de pensamento no período moderno, depois de 1825,
no caminho da Construção da representação:
‘modo de ser fundamental’ sim, muda.
Ordem dada pela gramƔtica da lƭngua

 Além do objeto

Operação de pensamento no período moderno, depois de 1825, no caminho
do Instanciamento da representação:
‘modo de ser fundamental’ nĆ£o muda.

saber anterior ao ato

ato anterior ao saberĀ 

saber anterior ao ato

Muito diferentes, uma da outra, se atentarmos ao pensamento de Foucault. Você pode ver essas diferenças aqui. Isso, se o modo de ser do pensamento não for explicitado onde e quando devido.

Esta argumentação tem como pano de fundo o pensamento de Foucault. E a frase acima Ć© a expressĆ£o de um pensamento atual tal como ele aflora. Vale, portanto, rever como Foucault avaliava o pensamento em geral, tal como aflorava durante o seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’, em 1966, o que, pelo que vejo, nĆ£o mudou.

Veja Os dois obstĆ”culos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho.

usando essa citação de modo mais restrito, Foucault via um pensamento contaminado, nas palavras dele, ‘dominado’ por um pensamento de idade anterior. Ele via um pensamento ‘dominado pela impossibilidade de fundar as sĆ­nteses (da empiricidade objeto) no espaƧo da representação’. 

Nessa frase acima, eu vejo esse mesmo tipo de contaminação, que gera uma dubiedade, que queremos levantar com a ajuda do mestre, Michel Foucault.

Para a situação sugerida no caso do ‘implica’ no lado direito da frase – um ato anterior ao saber -, a configuração do pensamento deve, necessariamente, permitir a geração de saber novo (ser capaz de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação); deve portanto permitir a construção de representação nova para o objeto do ato, ou da operação. 

Essa possibilidade – inerente ao proposto no lado direito da frase -, Ć© privativa do pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Mas só ocorre quando o ‘Freud’ da frase estiver com um pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno, e na etapa da Construção da representação. O mesmo ‘Freud’, no pensamento moderno, mas na etapa de Instanciamento de representação relativa a saber anteriormente obtido, estarĆ” diante de um saber anterior ao ato.

O pensamento clĆ”ssico, em suas teorias, modelos e sistemas, nĆ£o permite construção de representação nova (porque era marcado pela impossibilidade de fundar as sĆ­nteses …, esse o obstĆ”culo vislumbrado por Foucault); no pensamento clĆ”ssico tudo o que existe estĆ” lĆ” desde sempre e para sempre, e por obra de Deus compondo o Universo.

Para a situação sugerida no ‘Explica”, o lado direito da frase – saber anterior ao ato – nessa perspectiva do pensamento de Foucault, gera uma dubiedade que só pode ser resolvida tendo presentes, em detalhe, como sĆ£o as operaƧƵes as que sim, podem, e as que nĆ£o podem ‘fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação’. Sem discernimento, o pensamento fica ‘dominado’ porque pode estar imerso no perfil do pensamento clĆ”ssico, ou no perfil do pensamento moderno, mas no caminho do Instanciamento da representação.

Pensando nessas relações de precedência ou sucessão entre ato e saber, e nas operações em suas possíveis etapas, suas configurações e perfis ou estruturas de conceitos sobre os quais são concebidas, não hÔ razão para que essa frase se restrinja a Freud. Poderia ser qualquer outro sujeito. Mas se levarmos em conta a menção especificamente a Freud, ela arrasta para a frase o modo de ser do pensamento desse grande autor, classificado por Michel Foucault como um pensador moderno, com estrutura de pensamento daquela configuração de pensamento de depois de 1825.

Dado esse conjunto de significados em comum, esses dois conceitos ‘Explica‘ e ‘Implica‘ e essas relaƧƵes de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre ato e saber me fazem lembrar do pensamento de Humberto Maturana, que pode ser visto em uma animação de menos de 4 minutos, na seguinte pĆ”gina; 

Figura 2 – Diagrama ontológico; capĆ­tulo ReflexƵes epistemológicas, do livro Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; ou ainda a Figura 2 – O explicar e a ExperiĆŖncia; capĆ­tulo Linguagem, EmoƧƵes e Ɖtica nos Afazeres PolĆ­ticos, do livro EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆ­tica, de Humberto Maturana Romesin

Essa Figura 2 Ć© original de Maturana (apenas a arte foi editada – os elementos grĆ”ficos que representam as ideias foram modificados) mas em vez de usar dois rótulos como explica e implica, Maturana usa um pensamento no qual emprega duas formas para o mesmo rótulo ‘Explicar’, com diferentes significados correspondentes Ć” mudanƧa que estĆ” discutindo: 

  • lado esquerdo da figura: ‘Explicar sem reformular’ no que ele chama de Objetividade sem parĆŖnteses: 

(saber anterior ao ato, ou o ‘Explica’ no lado esquerdo da frase)

  • lado direito da figura: ‘Explicar com Reformular’, no que ele chama de Objetividade entre parĆŖnteses.

(saber posterior ao ato, ou o ‘Implica’ do lado direito da frase)

Nesse pensamento, no original de Maturana, ele atribui pressupostos para o tipo de pensamento desenvolvido em cada lado da figura:

  • do lado esquerdo dessa Figura 2, o pressuposto Ć© ‘a existĆŖncia precede a distinção‘ (aquela distinção feita na operação);
    • o que leva a uma Ćŗnica realidade, Universo, transcendĆŖncia.

e reflete o saber anterior ao ato (operação)

  • e no lado direito dessa Figura 2, ‘a existĆŖncia se constitui na distinção‘ ou ‘a existĆŖncia sucede Ć  distinção’
    • o que conduz a mĆŗltiplas realidades.

e reflete o saber posterior ao ato (operação)

Usando agora o pensamento de Michel Foucault. Veja, por favor, e novamente, as pĆ”ginas seguintes com animaƧƵes que  colocam palavras de Foucault sobre paletas de elementos de imagem e respectivas estruturas:

primeiro, a operação de construção de representação nova (projeto) sob o pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno:

Funcionamento das operaƧƵes (…) operação Diante do objeto

e depois, veja a pƔgina

Formas de reflexão que se instauram em nossa cultura, segundo o pensamento de Michel Foucault, e correspondentes perfis de conceitos que permitem identificar cada um deles.

Resumidamente – e para facilitar – os dois perfis ou estruturas de conceitos, sĆ£o:

  • para o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775
    • referencial: Ordem pela ordem;
    • princĆ­pios organizadores: carĆ”ter e similitude;
    • mĆ©todos: identidade e semelhanƧa; 
  • pensamento moderno, o de depois de 1825
    • referencial: Utopia;
    • princĆ­pios organizadores: Analogia e SucessĆ£o;
    • mĆ©todos: AnĆ”lise e SĆ­ntese 

 Examinando os dois perfis caracterĆ­sticos das duas configuraƧƵes do pensamento, vĆŖ-se que: 

(Aviso: Ʃ melhor examinar primeiro o perfil do pensamento moderno, com suas capacidades de tratar propriedades originais e constitutivas e depois o perfil do pensamento clƔssico)

  • com o perfil de caracterĆ­sticas do pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775, realmente a suposição Ć© que tudo o que existe compƵe o Universo que estĆ” lĆ” desde sempre e para sempre como obra de Deus, e que a existĆŖncia precede a distinção;
    • a todo ato, precede todo o saber existente: (sim, sempre temos um saber anterior ao ato) o perfil do pensamento clĆ”ssico nĆ£o comporta a construção de representaƧƵes novas e assim todo saber Ć© anterior a qualquer ato (operação) do qual resulta uma explicação que Ć© uma composição de saberes (representaƧƵes) anteriormente existentes;
  • e com o perfil do pensamento moderno, o de depois de 1825, a suposição Ć© que hĆ” mĆŗltiplas realidades, que o pensamento pode construir representaƧƵes novas como resultado das distinƧƵes que faz, e que a existĆŖncia, portanto, sucede a distinção,
    • a todo ato, sucede saber novo – ato desencadeado pelo sujeito (operação) com um objeto -, desde que o ato seja bem sucedido, e que a natureza da operação seja a construção de saber novo. 

Nota: não se trata de afirmar que na idade clÔssica não se produzia representações novas; mas dizer que as teorias, modelos e sistemas sob essa configuração do pensamento não abrangiam a etapa de construção de representações novas.

Acabamos de ver o funcionamento da operação de construção de uma representação nova (projeto) para uma empiricidade objeto, com um pensamento configurado de acordo com o pensamento moderno, o de depois de 1825 – uma vez que a configuração do pensamento anterior, o clĆ”ssico, nĆ£o pode construir novas representaƧƵes.

Fica claro – entendida essa sistemĆ”tica de funcionamento – que no pensamento moderno, e na etapa de construção de saber novo, (caminho da Construção da representação)

  • a operação tem inĆ­cio sem qualquer conhecimento sobre o que Ć© objeto da operação ou da explicação, ou ainda daquele algo a ser implicado. Salvo a arquitetura do que seja uma representação, como classe de produƧƵes do pensamento; 
  • e termina com esse conhecimento.

Como reza a frase no lado direito, sim, tem-se um ato anterior ao saber, mas… somente no caso do pensamento moderno, e no caminho da Construção da representação. PorĆ©m, estando no mesmo lado direito, e tambĆ©m no pensamento moderno, se estivermos no caminho do Instanciamento de representação previamente existente – o que mais acontece em situaƧƵes de realidade – a situação se inverte, e teremos um saber anterior ao ato, como no caso anterior do pensamento clĆ”ssico.

Dado que a possibilidade de saber novo só acontece com um pensamento configurado com o perfil característico do pensamento moderno, essa frase (de efeito) depende de quais sejam as visões de operações adotadas (o ato) em qual etapa da operação e de qual configuração do pensamento.

A relação de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre o ato e o saber Ć© essencial nessa frase e podemos deixar de lado, e em segundo plano, os nomes ‘explica‘ e ‘implica‘. 

Essa relação de sucessão corresponde ao que ocorre nas operações sob as configurações do pensamento clÔssico e moderno da seguinte forma:

  • pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775:
    • o saber (o conhecimento representado pelas representaƧƵes previamente existentes) 
    • Ć©, sempre, anterior ao ato (a operação); e o resultado, nesse modelo de operaƧƵes, Ć© uma combinação de representaƧƵes anteriormente existentes.
  • no pensamento moderno, o de depois de 1825:
    • no caminho da Construção de representação nova, nĆ£o existente no ambiente em que a operação ocorre,
      • o saber (o conhecimento da representação objeto da operação) 
      • Ć© posterior ao ato (a operação de construção da representação).
    • no caminho do Instanciamento de representação jĆ” existente no domĆ­nio em que a operação ocorre,
      • o saber (o conhecimento da representação objeto da operação)
      • Ć© anterior (volta a ser) ao ato (a operação de Instanciamento da representação objeto da operação) – tal como no lado esquerdo e pensamento clĆ”ssico.

EntĆ£o, para que a frase faƧa algum sentido, Ć© necessĆ”rio atentar qual seja o perfil de configuração do pensamento diferente, e em qualquer caso, uma visĆ£o clara do que sejam operaƧƵes, em cada lado da seta que estĆ” no meio dessa frase: 

  • no lado esquerdo da frase, temos
    • caso a configuração do pensamento seja a do clĆ”ssico, o de antes de 1775
      • sim, o saber precede o ato (tanto em uma explicação quanto em uma implicação)
    • caso a configuração do pensamento seja a do moderno, o de depois de 1825,
      • nĆ£o, o saber nĆ£o precede o ato se a operação estiver no caminho da Construção da representação (seja no explica ou no implica)
      • sim, o saber precede ao ato se o caminho for o do Instanciamento de representação existente
  • no lado direito da frase, temos
    • caso a configuração do pensamento seja a do clĆ”ssico, o de antes de 1775,
      • sempre temos o saber anterior ao ato (a operação)
    • caso a configuração do pensamento seja a do moderno, o de depois de 1825;
      • só teremos ato (operação) anterior ao saber no caso da operação estar no caminho da Construção da representação; 
      • caso a operação esteja no caminho do Instanciamento da representação, o saber Ć© anterior ao ato (a operação).
  • e a seta do meio da frase passarĆ” a indicar entre um lado e outro, dependendo do caso, uma descontinuidade epistemológica.

AtƩ agora Freud entrou nessa frase como Pilatos no credo.

E essa referência a Freud nessa frase também cria mais problemas, desde que usemos o pensamento de Michel Foucault.

Segundo Foucault, Freud Ć© um pensador moderno

Logo, ele teria noção dos modelos de operações no pensamento moderno; e também os do pensamento clÔssico, se não, não teria escolhido pensar com o missal do pensamento moderno.

E assim, todas as opƧƵes condicionadas ao pensamento clƔssico acima deixam de valer no caso de Freud.

Então, o pensador moderno Freud

  • no lado esquerdo da frase
    • se no caminho da Construção de saber novo relacionado a dado objeto;
      • nĆ£o dispƵe de saber antes do ato;
    • se no caminho do uso de saber jĆ” existente relacionado a dado objeto; (instanciamento de representação existente);
      • sim dispƵe de saber antes do ato.
  • no lado direito da frase
    • se no caminho da Construção de saber novo relacionado a dado objeto;
      • nĆ£o dispƵe de saber antes do ato;
    • se no caminho do uso de saber jĆ” existente relacionado a dado objeto; (instanciamento de representação existente);
      • sim dispƵe de saber antes do ato.

O comportamento do pensador moderno Freud nĆ£o Ć© função do nome dado Ć  operação, se ‘explica’ ou se ‘implica’, mas o que a operação pretende com respeito ao seu objeto e o estado em que se encontra esse objeto no ambiente em que a operação acontece – jĆ” existe ou ainda nĆ£o existe representação para ele nesse ambiente.

EntĆ£o um ato de ‘explicar’ de Freud pode nĆ£o ter um saber anterior; o que contradiz a frase no lado esquerdo. E tambĆ©m o estabelecimento de uma implicação dele pode ter um saber anterior, o que contraditaria o lado direito da frase. 

Mostramos isso no Funcionamento de operações, e um ato (operação) desse tipo preenche a etapa de Instanciamento de representações anteriormente construídas.

Os pontos comentados são os seguintes:

  • Aparentemente hĆ” uma inconsistĆŖncia entre o pensamento no vĆ­deo 150 e o pensamento de Michel Foucault: o movimento do pensamento entre a psicanĆ”lise de Freud e a de Lacan: o movimento feito desde uma psicanĆ”lise (pelo menos alegadamente) baseada na representação, em Freud, para uma outra baseada fora da representação, em Lacan
  • as duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ segundo o posicionamento do ponto de inĆ­cio de leitura 
    • no cruzamento das disponibilidades do que Ć© dado e o que Ć© recebido na troca; 
    • ou antes da possibilidade da troca, quando um dos objetos envolvidos nĆ£o estĆ” disponĆ­vel, investigando a permutabilidade;

e as duas correspondentes origens da essência da linguagem e do valor carregado pela proposição para a representação.

  • Uma possĆ­vel contradição:
    • a aparente descontinuidade epistemológica na apresentação das teorias modelos e sistemas relacionados Ć  psicanĆ”lise no vĆ­deo 150, consistente na mudanƧa de bases da psicanĆ”lise na representação para fora dela entre Freud e Lacan;
    • e ao contrĆ”rio, uma continuidade epistemológica na apresentação de teorias, modelos e sistemas do liberalismo e variantes, no vĆ­deo 254: usando o pensamento de Michel Foucault sobre isso, essa alteração certamente aconteceu;

ComentƔrios

1. Tendo como referência o pensamento de Michel Foucault, não hÔ dúvida de que Freud foi um pensador moderno; assim, o movimento que teria sido feito por Lacan desde uma psicanÔlise de Freud, com base na representação para uma outra, de Lacan, fora da representação pode não ter sido possível uma vez que a psicanÔlise de Freud jÔ tinha sua base fora da representação.

2. Teorias, modelos e sistemas, como produƧƵes do pensamento, transcorrem sempre com a presenƧa de uma linguagem; o veĆ­culo de carregamento de valor Ć© sempre a proposição e o destino do valor carregado Ć© sempre a representação. A questĆ£o parece ser, entĆ£o, a origem – se interna ou externa Ć  linguagem – do valor atribuĆ­do Ć  proposição.Ā 

3. A alteração de uma origem de valor interna à linguagem para uma externa à linguagem implica em uma mudança no modo de conhecer o que dizemos que conhecemos, uma mudança epistemológica. 

Seguem comentÔrios em tópicos:

A descrição feita por Michel Foucault da psicanÔlise de Freud dÔ-nos conta ser Freud um pensador moderno.

Em nossa Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’) Foucault nĆ£o hesita em classificar Freud como um autor moderno, e caracteriza o pensamento clĆ”ssico como ā€˜aquele para o qual a representação existe’.

No livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. 10 – As CiĆŖncias humanas; tópico V – PsicanĆ”lise e etnologia, de Michel Foucault, encontramos subsĆ­dios para afirmar que o autor discorda frontalmente dessa afirmativa de que a psicanĆ”lise de Freud tivesse suas bases na representação; nesse texto Foucault mostra que, ao contrĆ”rio, o pensamento de Freud jĆ” tem suas bases fora da representação; e expƵe como e por que ele faz esse juĆ­zo mostrando o funcionamento da psicanĆ”lise – tendo como elemento organizador dessa argumentação o modelo constituinte padrĆ£o, comum a todas ciĆŖncias humanas por ele desenvolvido nesse livro, um modelo composto pelos pares de modelos constituintes das ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma]; do Trabalho (Economia) [conflito-regra]; da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].

“NĆ£o hĆ” que supor que o empenho freudiano
seja o componente de uma interpretação do sentido
e de uma dinâmica da resistência ou da barreira;

seguindo o mesmo caminho que as ciĆŖncias humanas,
mas com o olhar voltado em sentido contrƔrio,
a psicanÔlise se encaminha em direção ao momento
– inacessĆ­vel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem,

a toda apreensão contínua em termos de significação, de conflito ou de função
– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.
Isto quer dizer que,
ao contrÔrio das ciências humanas que, retrocedendo embora em direção ao inconsciente,
permanecem sempre no espaƧo do representƔvel,
a psicanÔlise avança para transpor a representação,
extravasĆ”-la do lado da finitude e fazer assim surgir, lĆ” onde se esperavam 

  • as funƧƵes portadoras de suas normas
  • os conflitos carregados de regras 
  • e as significaƧƵes formando sistema

o fato nu de que 

  • pode haver sistema (portanto, significação), 
  • regra (portanto, oposição), 
  • norma (portanto, função). 

E, nessa região onde a representação fica em suspenso,
Ć  margem dela mesma,
aberta, de certo modo ao fechamento da finitude,
desenham-se as trĆŖs figuras pelas quais 

  • a vida, com suas funƧƵes e suas normas,

vem fundar-se na repetição muda da Morte, 

  • os conflitos e as regras,

na abertura desnudada do Desejo, 

  • as significaƧƵes e os sistemas,

numa linguagem que Ć© ao mesmo tempo Lei.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;

Cap. 10 – As CiĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise e etnologia

e especial destaque para o modo como Foucault vĆŖ que isso Ć© interpretado:

Sabe-se como psicólogos e filósofos
denominaram tudo isso:

mitologia freudiana. 

Era realmente necessƔrio
que este empenho de Freud
assim lhes parecesse;

para um saber que se aloja no representƔvel,
aquilo que margeia e define, em direção ao exterior,
a possibilidade mesma da representação
nĆ£o pode ser senĆ£o mitologia.ā€ 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;

Cap. 10 – As CiĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise e etnologia

Isso permite pensar que a razão de ser da psicanÔlise de Lacan, encontre seu fundamento em outro movimento de pensamento feito por ele, porque a psicanÔlise de Freud jÔ estava formulada desde fora da representação.

Em que consiste, então, a contribuição feita por Lacan?

Lembrando os obstÔculos percebidos por Foucault em seu trabalho, uma impossibilidade de fundar as sínteses [da empiricidade objeto no espaço da representação] e a obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir, para além do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, arriscaria dizer que a contribuição de Lacan foi formular uma psicanÔlise para além do objeto.  

Ā 

Essas duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ situam-se de lados opostos em relação Ć  descontinuidade epistemológica posicionada por Michel Foucault como tendo ocorrido entre 1775 e 1825. Isso colocaria uma produção do pensamento baseada na representação do lado oposto a uma outra, baseada desde fora da representação. (O movimento de pensamento que o vĆ­deo informa ter sido feito por Lacan com relação a Freud.

Podemos ver isso sob o ponto de vista das alteraƧƵes na própria linguagem em decorrĆŖncia da visĆ£o que temos do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ de pensamento ou outra, e de acordo com as explicaƧƵes de Michel Foucault:

i)Ā Ā Ā Ā Ā  As diferenƧas de funcionamento da linguagem para modelos baseados na representação e modelos fora da representação, – como o que vai descrito no vĆ­deo 254 teria ocorrido entre as psicanĆ”lises de Freud e de Lacan, – e em geral, no funcionamento da linguagem em qualquer construção do pensamento, tendo em vista quais sejam as bases em que se sustentam essas construƧƵes do pensamento, seĀ na representação ou seĀ fora da representação.

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio de leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função da inserção do ponto de inĆ­cio de leitura de ā€˜operaƧƵes’.

Esse link mostra uma figura com a visĆ£o ampla do que entendemos como o fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ com representaƧƵes, incluindo as operaƧƵes de troca, mostrando os dois pontos nos quais podemos inserir o inĆ­cio da leitura que fazemos desse fenĆ“meno:

  • No ponto de cruzamento entre as disponibilidades do que Ć© dado e o que Ć© recebido na troca: o momento em que os dois objetos envolvidos na operação de troca estĆ£o jĆ” disponĆ­veis; discutindo aĀ 
  • Em um ponto anterior a esse, quando pelo menos um dos objetos ainda nĆ£o estĆ” disponĆ­vel.

A pƔgina mostra:

(1)Ā Ā Ā  O que nĆ£o muda entre as duas possibilidades de inserção do ponto de leitura de ā€˜operaƧƵes’

A proposição é o bloco construtivo padrão fundamental para construção de representações.

ā€œA proposição Ć© para a linguagem
o que a representação é para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo mais geral e mais elementar
porquanto, desde que a decomponhamos,
não encontraremos mais o discurso,
mas seus elementos como tantos materiais dispersos.ā€
As palavras e as coisas; Cap. 4 – Falar; tópico III – Teoria do verbo

A representação carregada de valor como condição para que uma coisa possa representar outra em uma operação de troca.

(…) ā€œEm outras palavras, para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam jĆ” carregadas de valor;
e, contudo, o valor só existe no interior da representação.ā€
As palavras e as coisas; Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação de valor

(2)    O que sim, muda entre essas duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura

Antes de mais nada, muda a abrangência da visão que temos do que seja uma operação, em decorrência do ponto de inserção do início de leitura que fazemos desse fenÓmeno. HÔ duas possibilidades de inserção desse ponto de início de leitura de operações:

  • No ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido, jĆ” disponĆ­veis os dois objetos intervenientes em uma operação de troca;
  • Antes desse ponto, quando ainda um dos objetos nĆ£o estĆ” disponĆ­vel

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação é nos dois casos, a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações  com origens de valor distintas.

No primeiro caso o valor é carregado na proposição diretamente. AliÔs, a proposição jÔ chega carregada de valor.

No segundo caso, o valor chega à proposição no bojo de uma operação de construção da representação para o objeto ainda não disponível. Isso em outras palavras quer dizer durante o projeto desse objeto. E as fontes de valor neste caso são

  • as designaƧƵes primitivas;
  • e a linguagem de ação ou de uso.

ii)Ā Ā Ā  O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ā€˜operação’.

A citação acima prossegue da seguinte forma:

(…) ā€œo valor só existe no interior da representação

  • atual [representação do objeto envolvido na troca jĆ” existente]

  • ou possĆ­vel [objeto cuja representação foi construĆ­da quando no teste de permutabilidade]

Ā isto Ć©, no interior

  1. da troca [objetos envolvidos na operação de troca jÔ existentes]

  2. ou da permutabilidade [a prospecção da possibilidade da troca com a construção da representação do objeto a ser levado ao circuito das trocas, se possĆ­vel]ā€

As palavras e as coisas; Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação de valor

ā€œDaĆ­ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:

  • uma analisa o valor no ato mesmo da troca,
    no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
  • outra analisa-o como anterior Ć  troca
    e como condição primeira para que esta possa ocorrerā€

A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anƔlise que coloca e encerra
toda a essência da linguagem no interior da proposição;
e a outra, a uma anÔlise que descobre essa mesma essência da linguagem

  • do lado das designaƧƵes primitivas
  • e da linguagem de ação ou raizā€
  1. ā€œno primeiro caso, com efeito,
    a linguagem encontra seu lugar de possibilidade
    numa atribuição assegurada pelo verbo
    – isto Ć©, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras
    mas que as reporta umas Ć s outras;
    o verbo, tornando possĆ­veis todas as palavras da linguagem
    a partir de seu liame proposicional,
    corresponde Ć  troca que funda,
    como um ato mais primitivo que os outros,
    o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;
  2. a outra forma de anƔlise,
    a linguagem estĆ” enraizada fora de si mesma
    e como que na natureza, ou nas analogias das coisas;
    a raiz, o primeiro grito que dera nascimento Ć s palavras
    antes mesmo que a linguagem tivesse nascido,
    corresponde à formação imediata do valor,
    antes da troca e das medidas recĆ­procas da necessidade.”

    As palavras e as coisas: Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação de valor

Veja, por favor, o funcionamento das operações sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1775 e o moderno, depois de 1825 em 

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775-1825

Podemos ver, do entendimento de como se desenvolvem as operações em um caso e em outro, a correspondência bastante estreita entre as explicações dadas por Foucault na citação acima.

Veja também os dois conceitos para o que seja um verbo, e identifique o verbo envolvido no primeiro caso em que a atribuição de valor é assegurada diretamente por ele; e o verbo no segundo caso, em outra configuração da linguagem na qual o valor atribuído à representação via a proposição, tem origem fora da linguagem nas designações primitivas e na linguagem de ação ou de uso. 

Conceitos homÓnimos mas com significados diferentes entre a configuração do pensamento na idade clÔssica e no pensamento moderno

HÔ, aparentemente, uma contradição entre os dois vídeos do Canal Falando nisso, os de números 150 e 254.

No vĆ­deo 150 hĆ” a percepção de que efetivamente existem produƧƵes do pensamento – teorias, modelos e sistemas, baseados na representação, e outras, baseadas fora da representação; e esse Ć© um movimento de pensamento importante – nada mais nada menos do que uma descontinuidade epistemológica segundo o pensamento de Foucault,

Embora segundo o pensamento de Michel Foucault a psicanÔlise de Freud jÔ tivesse suas bases fora da representação, mas uma mudança de bases como essa sem dúvida significaria uma alteração epistemológica.

Evento dessa mesma natureza, uma descontinuidade epistemológica, tambĆ©m aconteceu para as produƧƵes do pensamento associadas ao liberalismo e neoliberalismo, no perĆ­odo histórico abrangido pelo vĆ­deo 254 . Isso estĆ” relatado em bastantes detalhes por Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’, e Ć© inerente ao estilo de arqueologia adotado nesse livro.

 Mas esse movimento do pensamento deixa de ser considerado para as teorias, modelos e sistemas ligados ao Liberalismo e Neoliberalismo nos questionamentos feitos no vĆ­deo 254 – ‘Neoliberalismo e sofrimento’. Isso leva a crer que a natureza dessa mudanƧa de embasamento desde na representação para fora dela foi tratada, no vĆ­deo 150, nĆ£o como uma questĆ£o constituinte, mas como uma 

Enquanto no vídeo 150 os modelos estão predominantemente no domínio da Linguagem, no liberalismo e variações, estão no domínio das ciências do Trabalho (Economia).qualidade apenas.

Veja nesta pƔgina

Os dois conceitos filosóficos para o que seja ā€˜Trabalho’: o de Adam Smith, de 1776, e o de David Ricardo, de 1817, e as diferenƧas entre esses dois conceitos segundo Michel Foucault.

exatamente essa mudanƧa de bases.

Entre esses dois pensadores hĆ” uma diferenƧa na visĆ£o do que sejam operaƧƵes avaliĆ”vel pela amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno ā€˜operação’ entre esses dois princĆ­pios para trabalho. Na parte inferior da pĆ”gina que o link acima dĆ” acesso, a explicação dada por Foucault deixa  bem clara essa diferenƧa de amplitude na visĆ£o de ‘operaƧƵes’. 

David Ricardo inclui, em seu Princípio Dual de Trabalho, de 1817, também a etapa da construção de representação nova enquanto que Adam Smith não faz isso.

Essa alteração na inserção do ponto de inĆ­cio do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ altera o modo como uma operação Ć© vista e implica em uma reconfiguração da linguagem no que ela tem de essencial: o modo como a proposição Ć© formada, e como o valor carregado na proposição Ć© levado por esta para a representação.

Isso pode ser visto em 

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ 

e também na argumentação abaixo.

Havia uma confusão em Adam Smith, que consistia em estabelecer uma assimilação entre:

  • o trabalho como atividade de produção;
  • e o trabalho como mercadoria que se pode comprar e vender.

Essa assimilação, feita em Adam Smith, passa a ser em Ricardo uma distinção entre:

  • essa forƧa, esse esforƧo, esse tempo do operĆ”rio que se compram e se vendem, tomados como mercadoria que se pode comprar e vender,
  • e essa atividade que estĆ” na origem do valor das coisas, tomada como atividade de produção.

distinção essa que, segundo Foucault, foi feita, pela primeira vez, e de forma radical, pelo pensamento de David Ricardo, em nossa cultura; e isso implica em uma expansĆ£o da visĆ£o do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’.

Vista desse modo,

  • como uma assimilação, entre ā€˜atividade de produção’ e ā€˜mercadoria que se pode comprar ou vender’ ou ā€˜forƧa, esforƧo, tempo do operĆ”rio, que se compram e se vendem’, em Adam Smith, 
  • ou como uma distinção, entre essas duas coisas, no pensamento de David Ricardo,

pode ficar difícil perceber que essa mesma alteração feita em Ricardo na economia, é a mesma que Lacan teria feito na sua psicanÔlise;

Seria necessĆ”rio perceber que com o termo ā€˜atividade de produção’ compreende-se a produção de algo ainda inexistente o que alarga a visĆ£o de operaƧƵes para o caminho da Construção de representação nova; mas encaixando essas duas coisas em uma visĆ£o ampla do que sejam operaƧƵes, de todos os tipos, obtida entre outros lugares na descrição de Foucault sobre as duas configuraƧƵes da linguagem,

  • e vendo o que acontece nas operaƧƵes, em decorrĆŖncia das duas origens do valor carregado pela proposição para a representação como consequĆŖncia das duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do que seja essa operação – se antes ou se no ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido – e os efeitos em cada opção, (veja o link acima)

vĆŖ-se que os dois movimentos – o de Ricardo em relação a Smith e o de Lacan em relação supostamente a Freud, sĆ£o idĆŖnticos quanto a suas bases no pensamento, porque:

  • O pensamento de Adam Smith leva a um modelo de operaƧƵes com ponto de leitura posicionado no ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido, ou o ponto em que os objetos envolvidos em uma operação de troca estĆ£o disponĆ­veis; a operação de processamento de informaƧƵes sob Adam Smith abrange o instanciamento, pelo desencadeamento de Processo anteriormente formulado, de representação anteriormente formulada e configurada dentre alternativas jĆ” existentes. Nesse tipo de operaƧƵes sob o pensamento clĆ”ssico, nĆ£o hĆ” construção de representaƧƵes novas;
  • No pensamento de David Ricardo o modelo de operaƧƵes tem ponto de leitura posicionado antes da disponibilidade dos objetos envolvidos em uma possĆ­vel futura operação de troca. E abrange toda a operação no caminho da Construção de representação nova.

E dessa forma

  • colocar o ponto de inĆ­cio da leitura exatamente no cruzamento entre disponibilidades do que Ć© dado e o que Ć© recebido (com a disponibilidade simultĆ¢nea dos dois objetos envolvidos na operação de troca), coloca o fenĆ“meno ā€˜operação’ na etapa de instanciamento de objeto cuja representação foi anteriormente feita;
    • e o valor carregado pela proposição para a representação Ć© atribuĆ­do diretamente na proposição, determinando a configuração correspondente da linguagem;
  • e colocar o inĆ­cio de leitura antes desse ponto de disponibilidade, (com a indisponibilidade de pelo menos um dos objetos envolvidos na operação de troca) implica em investigar a permutabilidade e obriga a ā€˜operação’ a incluir a etapa de construção da representação do objeto ainda nĆ£o representado, que serĆ” levado ao circuito das trocas depois de instanciado; e tambĆ©m a posterior operação de instanciamento, e o valor carregado pela proposição terĆ” sua origem
    • nas designaƧƵes primitivas
    • e na linguagem de ação.

Os pontos comentados são os seguintes:

  • A lista de referĆŖncias bibliogrĆ”ficas do vĆ­deo 254
  • As possibilidades, segundo Michel Foucault, de sustentação da noção de sujeito na modernidade, atravĆ©s de uma matriz constituĆ­da por autores associados ao liberalismo, todos eles inseridos no pensamento clĆ”ssico.
  • A indicação de Adam Smith e de David Ricardo juntos, como pertencentes ao mesmo bloco de sustentação de uma noção de sujeito na modernidade; Ć” luz do pensamento de Michel Foucault
  • Sobre as possibilidades, segundo Michel Foucault, de sustentação da noção de sujeito na modernidade atravĆ©s de uma matriz constituĆ­da por autores associados ao liberalismo
  • Sobre as possibilidades – usando o pensamento de Michel Foucault – de que as teorias, modelos e sistemas ligados ao liberalismo clĆ”ssico, possam dar sustentação a uma psicologia, mesmo dando ao homem o tratamento como uma espĆ©cie, ou um gĆŖnero.

Ā 

Clips do vĆ­deo Falando nisso 254 – Neoliberalismo e sofrimento, para comentĆ”rio

ComentÔrios 

O livro ā€˜Nascimento da biopolĆ­tica’, de 1978-1979, sim, figura na lista de referĆŖncias do vĆ­deo 254;

  • mas o ā€˜As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, do mesmo autor, publicado em 1966 pela primeira vez, estĆ” fora dessa lista; e Ć© nessa obra que o surgimento da classe especial de saberes que chamamos ā€˜ciĆŖncias humanas’ como a biopolĆ­tica, Ć© descrita, dando conta dos seus modelos constituintes.

A importĆ¢ncia disso – se atentarmos para o pensamento de Michel FoucaultĀ  no ‘As palavras e as coisas’ pode ser avaliada sob dois aspectos:

  • Foucault questiona as produƧƵes do pensamento – teorias, modelos e sistemas –Ā  sob suas condiƧƵes de possibilidade no pensamento;
  • Foucault nĆ£o analisa teorias, modelos e sistemas quando jĆ” formulados e configurados, prontos e em utilização, mas antes, analisa-os sob suas condiƧƵes de possibilidade no pensamento, que ele identifica criteriosamente em cada perĆ­odo.

Ɖ que nesse livro o autor identifica as condiƧƵes de possibilidade no pensamento de produƧƵes do pensamento ao longo do tempo e distingue dois perĆ­odos separados justamente por uma mudanƧa epistemológica, ou uma alteração nessas condiƧƵes de possibilidade do pensamento usado.

E teorias, modelos e sistemas, como construções do pensamento, foram construídas por autores imersos nos dois períodos históricos, no antes,  e no depois desse evento; e as mudanças enquanto estavam sendo feitas, no durante.

Por favor vejaĀ 

Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

e depois, vejaĀ 

A forma dos modelos em cada configuração do pensamento

Ā 

e por favor veja ainda

Funcionamento das operações, para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775 e 1825

Na descrição desse evento, ao qual Foucault atribui o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento, temos

  • amplitude das alteraƧƵes no modo de ser do pensamento: entre os anos de 1775 e 1825;
  • primeira fase: entre 1775 e 1795;
  • fase de ruptura: os Ćŗltimos 5 anos do sĆ©culo XVIII;
  • Segunda fase: entre 1800 e 1825.
  • idade clĆ”ssica, ou pensamento clĆ”ssico, para o qual ele estabelece o limite superior de tempo como o final do sĆ©culo XVIII com fase de ruptura nos Ćŗltimos 5 anos desse sĆ©culo;
  • idade moderna, ou nossa modernidade no pensamento: depois de 1825.

Como última atenção ao que Foucault tem a dizer nesse grande livro, veja

Condições de possibilidade das ciências humanas: consciência epistemológica do homem

“Antes do fim do sĆ©culo XVIII,
o homem nĆ£o existia. 
NĆ£o mais que a potĆŖncia da vida,
a fecundidade do trabalho 
ou a espessura histórica da linguagem. (…) 

Certamente poder-se-ia dizer que 
a gramĆ”tica geral, a história natural, a anĆ”lise das riquezas 
eram, num certo sentido, maneiras de reconhecer o homem, 
mas Ć© preciso discernir. 

Sem dĆŗvida, as ciĆŖncias naturais – 
trataram do homem 
como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero
a discussão sobre o problema das raças, no século XVIII, a testemunha.
A gramÔtica e a economia, por outro lado, utilizavam noções como as de necessidade, de desejo, ou de memória e de imaginação.

Mas nĆ£o havia consciĆŖncia epistemológica do homem como tal. 

A episteme clƔssica se articula segundo linhas que
de modo algum 
isolam
o domĆ­nio próprio e especĆ­fico do homem.” 

Cartilha; Cap. 9 – O homem e seus duplos; II. O lugar do rei

“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;
tampouco filologia. 
Mas sim
uma história natural,
uma gramĆ”tica geral. 
Do mesmo modo, 
não hÔ economia política
porque, 
na ordem do saber,
a produção nĆ£o existe. ā€œ 
Cartilha; Cap. 6 – Trocar; tópico I – A anĆ”lise das riquezas

Isso Ć© o que nos ensina a Cartilha. 

Como seria uma noção denominada ‘sujeito’ cunhada por pensadores clĆ”ssicos e que, portanto trataram do homem como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero

Como seria um sujeito na modernidade, visto como uma espécie ou um gênero

E como seria uma psicologia sustentada por um pensamento que leve o homem nessa conta?

No pensamento de Foucault, vê-se claramente duas rupturas duas descontinuidades epistemológicas em nossa cultura:

  • aquela que inaugura a idade clĆ”ssica (por volta de meados do sĆ©culo XVII) ,
  • e aquela que no inĆ­cio do sĆ©culo XIX, marca o limiar de nossa modernidade.

Essa última ruptura é situada por Foucault na virada dos séculos XVIII para o XIX, e pode ser vista por este link:

A cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

em uma animação que coloca em uma imagem, o texto de Michel Foucault em ā€˜As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’.

Mas Adam Smith e David Ricardo pensavam de maneira bastante distinta. Podemos ver isso em

Os dois conceitos filosóficos para o que seja trabalho,
as operaƧƵes de troca, e comparaƧƵes entre os dois princƭpios de trabalho, feitas por Foucault

E as diferenƧas, explicitadas com palavras de Foucault, sĆ£o muito grandes. O modo de ver o que sejam ‘operaƧƵes’ Ć© muito mais amplo em Ricardo do que em Smith, com as consequĆŖncias que isso acarreta.

E existem atualmente, e entre nós, teorias, modelos e sistemas utilizados, que modelam operações dos dois modos, sem consciência epistemológica do que estÔ envolvido nisso.

Veja isso nos links abaixo:

Essa cronologia posiciona Adam Smith e David Ricardo em lados opostos desse evento, ao qual Foucault atribui o papel de ā€˜evento fundador da nossa modernidade’ no pensamento.

ā€œA partir de Ricardo, o trabalho,
desnivelado em relação à representação,
e instalando-se em uma região
onde ela não tem mais domínio,
organiza-se segundo uma causalidade que lhe Ć© própria.ā€
Cartilha; Ā Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico II. Ricardo

Esse movimento do pensamento que Foucault percebe em Ricardo é o mesmo movimento feito por um autor que construa sua teoria, modelo ou sistema baseado na representação.

ā€œA diferenƧa, porĆ©m, entre Smith e Ricardo estĆ” no seguinte:Ā 

  • para o primeiro, o trabalho, porque analisĆ”vel em jornadas de subsistĆŖncia, pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias (de que fazem parte os próprios bens necessĆ”rios Ć  subsistĆŖncia);
  • para o segundo, a quantidade de trabalho permite fixar o valor de uma coisa,Ā 
    • nĆ£o apenas porque este seja representĆ”vel em unidades de trabalho,
    • mas primeiro e fundamentalmenteĀ 
      porque o trabalho
      como atividade de produção 
      Ć© ā€œa fonte de todo valorā€.

ā€œEnquanto no pensamento clĆ”ssico
o comƩrcio e a troca servem
de base insuperƔvel para a anƔlise das riquezas
(e isso mesmo ainda em Adam Smith, para quem
a divisão do trabalho é comandada pelos critérios da permuta), 

desde Ricardo,
a possibilidade da troca
estĆ” assentada no trabalho;Ā 
e a teoria da produção, doravante,
deverĆ” sempre preceder a da circulação.ā€
Ā 

Cartilha, Cap. 8. Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo

VĆŖ-se que a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, em David Ricardo, Ć© muito maior se comparada Ć  amplitude da visĆ£o de Adam Smith. Para Ricardo toda ā€˜aquela atividade que estĆ” na raiz do valor das coisas’, a produção, estĆ” incluĆ­da, juntamente e ao lado de trabalho como mercadoria, o que nĆ£o acontece em Adam Smith.

Veja novamenteĀ 

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775-1825

Note que as diferenƧas nas operaƧƵes, inclusive as de troca, sĆ£o muito grandes no pensamento de Adam Smith e no pensamento de David Ricardo. Se consideramos os dois modelos de operaƧƵes, essas diferenƧas sĆ£o fĆ­sicas. O pensamento de David Ricardo amplia sobremaneira a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, incluindo a fase de ‘projeto’ ou de construção de representação nova.

Além disso, decorrentes das diferenças nas operações, altera-se a configuração da linguagem no antes e no depois desse evento. Muda, nas palavras de Foucault, a origem da essência da linguagem. Veja isso na pÔgina

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função dessa inserção do ponto de inĆ­cio de leitura de ‘operaƧƵes’;

Mesmo assim, no vĆ­deo Falando nisso 254, e no contexto da anĆ”lise da incidĆŖncia do trabalho na formação da subjetividade, Adam Smith e Ricardo sĆ£o tomados juntos e indiferenciados, como pertencentes ao mesmo bloco ā€˜matriz’ que permitiria a construção da noção de sujeito na modernidade!

Ā Complexity:Ā 

Ā the emerging science at the edge
of order and chaos,Ā 

de M. Mitchell Waldrop
1992

Os vƭdeos e animaƧƵes (parciais) a seguir mostram duas maneiras de ver o que seja Complexidade:

  • MĆ“nica de Bolle, vĆŖ o conteĆŗdo do livro ‘Complexidade’ como sendo um pouco coisa de nerd, muito embora ela ache o assunto fascinante.
    • no vĆ­deo 32 seguinte,Ā  MĆ“nica tambĆ©m se posiciona fora daquele grupo de economistas que vĆŖ a economia como uma maquininha da qual as pessoas estĆ£o fora; um pensamento mecanicista, ela diz. Mas nĆ£o diz qual seja o seu modo próprio de ver a economia dos nossos dias.
  • Ilya Prigogine, prĆŖmio Nobel de QuĆ­mica de 1977 e pioneiro da ciĆŖncia do nĆ£o equilĆ­brio, diz que a nova ciĆŖncia do caos e da complexidade lida com a própria ciĆŖncia moderna, e com o novo tipo de ordem que lhe Ć© próprio, o caos.

A coleção de animações que se segue a esta mostra os modelos de operações:

  • no pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775;
  • e no pensamento moderno, o de depois de 1825.

Esses modelos de operaƧƵes tĆŖm entre eles uma descontinuidade epistemológica que segundo Foucault, ocorreu em nossa cultura entre os anos de 1775 e 1825 – os 50 anos centrados na virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX.

Se depois da compreensão dos modelos de operações mostrados for possível concluir que

  • o tipo de ordem a que alude PrigogineĀ 
  • o tipo de ordem adotado no pensamento moderno

são ao fim e ao cabo a mesma ordem, teremos ajudado. E se isso acontecer, teremos um modelo de pensamento que pode substituir o modelo mecanicista ao qual MÓnica se refere.

Clips desse vĆ­deo para comentar

ComentÔrios 

para comparar o que dizem os filósofos de diferentes Ć”reas, – e tambĆ©m os economistas – uns mais e outros menos voltados aos fenĆ“menos que acontecem ao seu redor, veja os seguintes modelos de operaƧƵes:

  • pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775,Ā 
  • pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825:
    • caminho da Construção da representação;
    • caminho do Instanciamento da representação.
  • origem de valor carregado pela proposição para a representação no pensamento moderno, caminho da Construção da representação.

NOTA: clicando na figura da origem do valor, vocĆŖ tem acesso ao pensamento de Michel Foucault sobre isso.

Sobre origem do valor carregado pela proposição para a representação, nas palavras de Michel Foucault, veja a seguinte pÔgina:  

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função da inserção do ponto de inĆ­cio de leitura de ā€˜operaƧƵes’

com as seguintes origens de valor atribuído à proposição:

  • designaƧƵes primitivas;
  • linguagem de ação ou raiz.

Veja ainda sobre as duas opções de atribuição de valor à proposição:

  • a operação sob o pensamento clĆ”ssico tem o ponto de inĆ­cio na visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ colocado sobre o cruzamento entre os objetos dado e recebido, ainda que nesse tipo de pensamento a noção de objeto seja distinta da que vige no pensamento moderno;
    • o valor Ć© atribuĆ­do diretamente Ć  proposição.
  • a operação sob o pensamento moderno – quando no caminho da Construção da representação, tem o ponto de inĆ­cio na visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ bem antes desse cruzamento, quando ainda o objeto da operação modelada ainda nĆ£o existe;
    • a origem do valor estĆ” em dois elementos externos Ć  linguagem:
      • designaƧƵes primitivas;
      • linguagem de ação ou de uso.
    • a visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© muito ampliada englobando toda a etapa da construção de representação nova (projeto).

Monica de Bolle identifica entre os economistas, não ela, mas economistas como categoria, quem pense em um modelo mecanicista.

ComentƔrios

ReflexƵes-Imaginativas

Reflexões imaginativas no espaço-tempo das Permanências e dos Fluxos

com a licenƧa de Augusto de Franco pelo enxerto (quase parƔfrase) feito sobre o tƭtulo de um de seus trabalhos.

  • O espĆ­rito com que estou escrevendo e pistas sugestivas de espaƧo para mudanƧas

  • InfluĆŖncias, inspiraƧƵes, a plataforma adotada para exposição de ideias
  • O livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, de 1966, a nossa Cartilha; cujo autor, Michel Foucault, merece o tĆ­tulo de Engenheiro de Produção emĆ©rito
  • O fenĆ“meno das das operaƧƵes; o tempo, uma Anatomia ou Cartografia, dos modelos; MetĆ”foras adequadas para modelos de operaƧƵes; Propriedades emergentes em função das configuraƧƵes do pensamento
  • Unanimidades em conceitos, seja pelo uso, seja pelo desuso:
  • Alguns (7) exemplos de modelos descritivos da produção e de organizaƧƵes, existentes;
  • A visĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica, para organizaƧƵes de qualquer tipo: modelagem simultĆ¢nea do objeto esperado, e do instrumento necessĆ”rio para obter esse objeto
  • InfluĆŖncias e inspiraƧƵes;
  • Plataforma adotada para exposição de ideias;
  • Imaginação e Conceituação: funƧƵes humanas reversĆ­veis entre ocorrĆŖncias espacio-temporais – imagens – textos;
  • Os caminhos (e descaminhos) de Humberto Maturana Romesin;
  • Nosso roteiro e nossa inspiração.Ā 

Influências e inspirações

1 a influĆŖncia de VilĆ©m Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’:Ā 

uso das funções reversíveis Imaginação e Conceituação para navegar, ida e volta, entre 

textos ↔ imagens ↔ e ocorrĆŖncias espacio-temporais;Ā 

e ainda, não menos importante

    • as imagens tradicionais, as imagens tĆ©cnicas, as classes de abstraƧƵes que usamos cotidianamente;
VilƩm-Flusser-Portrait-008
VilƩm Flusser
1920-1991

2 as sugestƵes de Humberto Maturana nos livros: Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆ­tica; ‘De mĆ”quinas e de seres vivos’:

objeƧƵes e propostas de mudanƧa feitas por Maturana ao fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, aceitação de algumas das crĆ­ticas feitas, e aparentemente, uma alteração de rota;

Humberto Maturana
1928-

3 a influĆŖncia especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’:

a descoberta de duas pedras de tropeƧo durante seu trabalho nesse livro, a saber:

    • uma impossibilidade (ainda em nossos dias) de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação, presente no nosso pensamento cotidiano;
    • e uma obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida(Biologia), Trabalho(Economia) e Linguagem(Filologia).
Michel Foucault
1926-1984

Roteiro e inspiração

Veja aqui os seguintes pontos:

  • O livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ tal como visto por seu autor, Michel Foucault;
  • A história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’ contada por Michel Foucault no PrefĆ”cio desse livro, associada a imagens;
  • O espaƧo a ser ocupado pelo estudo em estilo de arqueologia realizado no ‘As palavras e as coisas’;
  • A descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura, posicionada por Michel Foucault entre os anos de 1775 e 1825;
  • O que exatamente Foucault via quanto ao que acontecia com as formas de
  • A forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura e os dois perfis de conceitos caracterĆ­sticos das duas configuraƧƵes do pensamento;Ā 
  • pensamento em nossa cultura e a modos distintos de absorver o mundo;
  • O espectro de modelos com trĆŖs segmentos – AQUƉM, DIANTE e para ALƉM do objeto, traƧado a partir dessa visĆ£o e da forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura, por Michel Foucault
  • As duas opƧƵes alternativas para a visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’, com diferentes abrangĆŖncias, e as respectivas duas origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes; as correspondentes duas configuraƧƵes de funcionamento da própria linguagem e do pensamento, e os modelos resultantes em cada caso.
  • Conceitos homĆ“nimos mas com significados diferentes entre o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775, e o moderno, o de depois de 1825, segundo Michel Foucault;
  • A anĆ”lise das riquezas: (riquezas: um domĆ­nio, solo e objeto da “economia” na idade clĆ”ssica, segundo Michel Foucault);

Veja esses pontos a seguir:

O livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, na visĆ£o de Michel Foucault

“Ora, esta investigação arqueológica mostrou duas grandes descontinuidades na epistĆ©mĆŖ da cultura ocidental:

  • aquela que inaugura a idade clĆ”ssica (por volta dos meados do sĆ©culo XVII)
  • e aquela que, no inĆ­cio do sĆ©culo XIX, marca o limiar de nossa modernidade.

A ordem,
sobre cujo fundamento pensamos,
não tem o mesmo modo de ser
que a dos clƔssicos.

Por muito forte que seja a impressão que temos de um movimento quase ininterrupto da ratio européia desde o Renascimento até nossos dias,

  • por mais que pensemos que a classificação de Lineu, mais ou menos adaptada, pode de modo geral continuar a ter uma espĆ©cie de validade,
  • que a teoria do valor de Condillac se encontra em parte no marginalismo do sĆ©culo XIX,
  • que Keynes realmente sentiu a afinidade de suas próprias anĆ”lises com as de Cantillon,
  • que o propósito da GramĆ”tica geral (tal como o encontramos nos autores de Port-Royal ou em BauzĆ©e) nĆ£o estĆ” tĆ£o afastado de nossa atual linguĆ­stica 

 – toda esta quase-continuidade ao nĆ­vel das idĆ©ias e dos temas nĆ£o passa, certamente, de um efeito de superfĆ­cie; no nĆ­vel arqueológico, vĆŖ-se que o sistema das positividades mudou de maneira maciƧa na curva dos sĆ©culos XVIII e XIX.

Não que a razão tenha feito progressos;

  • mas o modo de ser das coisas e da ordem que, distribuindo-as, oferece-as ao saber; Ć© que foi profundamente alterado.

Se a história natural de Tournefort, de Lineu e de Buffon tem relação com alguma coisa que não ela mesma,

  • nĆ£o Ć© com a biologia, a anatomia comparada de Cuvier ou o evolucionismo de Darwin,
  • mas com a gramĆ”tica geral de BauzĆ©e, com a anĆ”lise da moeda e da riqueza tal como a encontramos em Law, em VĆ©ron de Fortbonnais ou em Turgot.

Os conhecimentos chegam talvez a se engendrar; as ideias a se transformar e a agir umas sobre as outras (mas como? até o presente os historiadores não no-lo disseram);

  • uma coisa, em todo o caso, Ć© certa:
    • a arqueologia,
      • dirigindo-se ao espaƧo geral do sabe!;
      • a suas configuraƧƵes
      • e ao modo de ser das coisas que aĆ­ aparecem,
    • define sistemas de simultaneidade, assim como a sĆ©rie de mutaƧƵes necessĆ”rias e suficientes para circunscrever o limiar de uma positividade nova.

Assim, a anÔlise pÓde mostrar a coerência que existiu, durante toda a idade clÔssica, entre

  • a teoria da representação e as
    • da linguagem,
    • das ordens naturais,
    • da riqueza e do valor:

Ɖ esta configuração que, a partir do sĆ©culo XIX, muda inteiramente;

  • a teoria da representação desaparece como fundamento geral de todas as ordens possĆ­veis;
  • a linguagem, por sua vez, como quadro espontĆ¢neo e quadriculado primeiro das coisas, como suplemento indispensĆ”vel entre a representação e os seres, desvanece-se;
  • uma historicidade profunda penetra no coração das coisas, isola-as e as define na sua coerĆŖncia própria.

Impõe-lhes formas de ordem que são implicadas pela continuidade do tempo;

  • a anĆ”lise das trocas e da moeda cede lugar ao estudo da produção,
  • a do organismo toma dianteira sobre a pesquisa dos caracteres taxinĆ“micos;
  • e, sobretudo, a linguagem perde seu lugar privilegiado e torna-se, por sua vez, uma figura da história coerente com a espessura de seu passado.

Na medida, porƩm, em que as coisas giram sobre si mesmas,

  • reclamando para seu devir nĆ£o mais que o princĆ­pio de sua inteligibilidade
  • e abandonando o espaƧo da representação,

o homem,
por seu turno, entra,
e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental.

Estranhamente, o homem – cujo conhecimento passa, a olhos ingĆŖnuos, como a mais velha busca desde Sócrates – nĆ£o Ć©, sem dĆŗvida, nada mais que uma certa brecha na ordem das coisas, uma configuração, em todo o caso, desenhada pela disposição nova que ele assumiu recentemente no saber:

DaĆ­ nasceram todas as quimeras dos novos humanismos, todas as facilidades de uma “antropologia “, entendida como reflexĆ£o geral, meio positiva, meio filosófica, sobre o homem.

Contudo, Ć© um reconforto e um profundo apaziguamento pensar que

  • o homem nĆ£o passa de uma invenção recente, uma figura que nĆ£o tem dois sĆ©culos, uma simples dobra de nosso saber;
  • e que desaparecerĆ” desde que este houver encontrado uma forma nova.”

“VĆŖ-se que esta investigação responde um pouco, como em eco, ao projeto de escrever uma história da loucura na idade clĆ”ssica; ela tem, em relação ao tempo, as mesmas articulaƧƵes, tomando como seu ponto de partida o fim do Renascimento e encontrando, tambĆ©m ela, na virada do sĆ©culo XIX; o limiar de uma modernidade de que ainda nĆ£o saĆ­mos.

Enquanto, na história da loucura,

  • se interrogava a maneira como uma cultura pode colocar sob uma forma maciƧa e geral a diferenƧa que a limita,Ā 

trata-se aquiĀ Ā 

  • de observar a maneira como ela experimenta a proximidade das coisas, como ela estabelece o quadro de seus parentescos e a ordem segundo a qual Ć© preciso percorrĆŖ-los.

Trata-se, em suma, de uma história da semelhança:

  • sob que condiƧƵes o pensamento clĆ”ssico pĆ“de refletir, entre as coisas, relaƧƵes de similaridade ou de equivalĆŖncia que fundam e justificam as palavras, as classificaƧƵes, as trocas?
  • A partir de qual a priori histórico foi possĆ­vel definir o grande tabuleiro das identidades distintas que se estabelece sobre o fundo confuso, indefinido, sem fisionomia e como que indiferente, das diferenƧas?

A história da loucura
seria a história do Outro

– daquilo que, para uma culturaĀ Ā 
Ć© ao mesmo tempo
interior e estranho,
a ser portanto excluĆ­do
(para conjurar-lhe o perigo interior),
encerrando-o porƩm
(para reduzir-lhe a alteridade);

a história da ordem das coisas
seria a história do Mesmo
Ā 

– daquilo que, para uma cultura,
Ć© ao mesmo tempo
disperso e aparentado,
a ser portanto distinguido por marcas
e recolhido em identidades.

E se se pensar que a doença é, ao mesmo tempo, 

  • a desordem, a perigosa alteridade no corpo humano e atĆ© o cerne da vida,Ā 

mas também 

  • um fenĆ“meno da natureza que tem suas regularidades, suas semelhanƧas e seus tipos –

vê-se que lugar poderia ter uma arqueologia do olhar médico.

Da experiência-limite do Outro às formas constitutivas do saber médico e, destas, à ordem das coisas e ao pensamento do Mesmo, o que se oferece à anÔlise arqueológica 

  • Ć© todo o saber clĆ”ssico,Ā 
  • ou melhor; esse limiar que nos separa do pensamento clĆ”ssico e constitui nossa modernidade.

Nesse limiar apareceu pela primeira vez esta estranha figura do saber que se chama homem e que abriu um espaço próprio às ciências humanas.

Tentando trazer Ć  luz esse profundo desnĆ­vel da cultura ocidental, Ć© a nosso solo silencioso e ingenuamente imóvel que restituĆ­mos suas rupturas, sua instabilidade, suas falhas; e Ć© ele que se inquieta novamente sob nossos passos.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
PrefƔcio

Veja essa história em uma animação abaixo. Esta animação relaciona o texto de Foucault com as estruturas de operações sob as duas configurações do pensamento, a do clÔssico, de antes de 1775, e a do moderno, depois de 1825.

Provavelmente você vai se sentir mais confortÔvel se antes de ver esta figura, visualizar o funcionamento das operações nesses dois casos.

A história do nascimento do ‘As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’,
de Michel Foucault, contada por ele mesmo

1 – A ideia que deu origem ao livro ‘As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas

que pode ser vista junto com outras animações  mais, nesta pÔgina:

Uma história do nascimento do livro ‘As palavras e as coisas,
contada pelo próprio autor no PrefÔcio

Se quiser ver o funcionamento das operações no pensamento clÔssico e no moderno (usando os critérios de Foucault para essa identificação, veja a pÔgina seguinte:

Funcionamento das operações para as configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

Essa história estĆ” contada por Foucault no PrefĆ”cio do ‘As palavras e as coisas’, e estĆ” aquiĀ  no inĆ­cio desta apresentação pela ideia de sobrepor o texto dessa historinha a uma imagem em que estĆ£o representadas as duas estruturas exigidas pelos modelos de operaƧƵes em dois perfis que podem ser associados Ć s configuraƧƵes do pensamentoĀ  nos perĆ­odos de antes e de depois de um evento ao qual Foucault dĆ” o status de ‘evento fundador da nossa modernidade’ – uma descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825 -, tendo o pensamento clĆ”ssico, antes de 1775, e o moderno, depois de 1825:

  • o texto de Borges, que deu origem ao livro, associado a uma heterotopia e ao pensamento clĆ”ssico;
  • efeitos desse texto sobre as familiaridades do pensamento que tem a nossa idade e a nossa geografia abalando todos os planos e todas as superfĆ­cies ordenadas que tornam para nós sensata a profusĆ£o dos seres; e fazendo vacilar e inquietando por muito tempo, nossa prĆ”tica milenar do Mesmo e do Outro;
  • associação da Utopia ao pensamento moderno (o impensado organizando as operaƧƵes)
  • o texto da EnciclopĆ©dia chinesa uma taxinomia sob o pensamento clĆ”ssico;
  • o limite do nosso pensamento: a impossibilidade de pensar isso.
  • Que coisa Ć© impossĆ­vel pensar? e de que impossibilidade se trata?
  • a desordem pior que aquela do incongruente, ou da aproximação daquilo que nĆ£o convĆ©m:
    • seria a utilização de um grande nĆŗmero de ordens possĆ­veis na dimensĆ£o sem lei nem geometria do heteróclito;
  • o consolo das Utopias;
  • a inquietação causada pelas heterotopias;
    • porque solapam secretamente a linguagem;
    • porque impedem de nomear as coisas, porque fracionam os nomes comuns ou os emaranham,
    • porque arruĆ­nam de antemĆ£o a sintaxe
      • e nĆ£o somente a sintaxe que constrói as frases
      • tambĆ©m aquela sintaxe, menos manifesta, que autoriza manter juntas, ao lado e em frente umas das outras, as palavras e as coisas.
Neste trabalho mostramos como essas coisas mencionadas nesse texto se relacionam com modelos de operaƧƵes, e tambƩm modelos de organizaƧƵes.
Colocamos ao fundo da narrativa desse texto do PrefÔcio as diferentes configurações do pensamento em modelos de operações e de organizações, e como vão se alterando à medida que a narrativa prossegue.

Este estudo em estilo de arqueologia feito por Michel Foucault no
‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’,
tem como tema:

  • nĆ£o propriamente produƧƵes de pensamento formuladas e configuradas,Ā 
  • e ainda menos, produƧƵes do pensamento jĆ” em funcionamento – com seus sucessos e insucessos, e submetidas a possĆ­veis desvirtuamentos;Ā 
  • mas o tema inerente a esse estilo em arqueologia Ć© quais sĆ£oĀ 
    • as condiƧƵes de possibilidade no pensamento nas quais esta ou aquela produção do pensamento – teoria, modelo ou sistema – pode ser formulada.Ā 

Enquanto com inventividade e laivos de criatividade conseguimos criar infinidades de formulações sobre um mesmo perfil de condições de possibilidade do pensamento, que acabam muitas vezes sendo combinações lineares de formulações anteriores, mesmo com muita criatividade e toda a inventividade possível os conjuntos determinantes de condições de possibilidade não proliferam do mesmo modo.

A anÔlise, compreensão e utilização
de produƧƵes do pensamento
– teorias, modelos e sistemas –
tomadas quando jĆ” formuladas e configuradas,
Ć© extremamente (mais) difĆ­cil;
e ainda tanto mais o serĆ”,
se o conhecimento consciente
das respectivas condiƧƵes de possibilidade
no pensamento não se verificar.
Essas dificuldades se agravarão
se a produção do pensamento objeto de anÔlise
estiver em pleno uso em um ambiente,
influindo sobre ele – e dele recebendo influĆŖncias
– que certamente incidirĆ£o sobre a anĆ”lise.

O excertoĀ da Cartilha, o ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, –Ā abaixo selecionadoĀ descreve o que Ć© esse estudo em estilo de arqueologia realizado por Foucault, e como sĆ£o as operaƧƵes no antes e no depois desse evento fundador da nossa modernidade no pensamento, a descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825, descrita por ele.

Você pode ver agora a nossa interpretação do que conseguimos apreender desse texto, ou primeiro ler o texto original e depois ver esta animação:

A idade da história em três tempos:
uma descrição de Foucault, do que seja sua arqueologia das ciências humanas

o que tambƩm pode ser visto na pƔgina seguinte:

A idade da história em três tempos: uma descrição de Foucault do que seja a sua arqueologia das ciências humanas.

PoderÔ ser útil ver também o funcionamento das operações

Funcionamento das operações em função das configurações do pensamento de antes de 1775 e de depois de 1825, datas limites da ocorrência desse evento fundador da nossa modernidade no pensamento. 

AVISO: tudo o que se segue neste trabalho depende da distinção estabelecida entre os dois modos de ver ‘operaƧƵes’ correspondentes Ć s duas configuraƧƵes do pensamento, expressas nas animaƧƵes acima
a partir do texto de Foucault abaixo.

Diz Foucault:Ā 

“A arqueologia, essa,
deve percorrer o acontecimento
segundo sua disposição manifesta;

ela dirÔ como as configurações próprias a cada positividade se modificaram
(ela analisa por exemplo,Ā 

                      • para a gramĆ”tica, o desaparecimento do papel maior atribuĆ­do ao nome
                        e a importância nova dos sistemas de flexão; 

                      • ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do carĆ”ter Ć  função);Ā 

ela analisarÔ a alteração dos seres empíricos que povoam as positividades 

                      • (a substituição do discurso pelas lĆ­nguas,Ā 

                      • das riquezas pela produção);Ā 

estudarÔ o deslocamento das positividades umas em relação às outras

                    • (por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciĆŖncias da linguagem e a economia);Ā 

enfim e sobretudo, mostrarƔ que o espaƧo geral do saber

                      • nĆ£o Ć© mais o das identidades e das diferenƧas, o das ordens nĆ£o-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mĆ”thĆŖsis do nĆ£o-mensurĆ”vel,Ā 

                      • mas um espaƧo feito de organizaƧƵes, isto Ć©,
                        de relações internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função;

mostrarÔ que essas organizações são descontínuas,
que não formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas,
mas que algumas são do mesmo nível
enquanto outras traçam séries ou sequências lineares. 

De sorte que se vĆŖem surgir,
como princƭpios organizadores desse espaƧo de empiricidades,

a Analogia e a Sucessão:


de uma organização a outra,

o liame, com efeito,
•  nĆ£o pode mais ser
a identidade de um ou vƔrios elementos,
•  mas a identidade da relação entre os elementos
(onde a visibilidade não tem mais papel)
e da função que asseguram;

ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham

por efeito de uma densidade
singularmente grande
de analogias,
↓ nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas

num espaço de classificação,
↑ mas sim porque foram formadas
uma ao mesmo tempo que a outra
e uma logo após a outra

no devir das sucessões. 

Enquanto, no pensamento clÔssico, 

                • a sequĆŖncia das cronologias nĆ£o fazia mais que percorrer o espaƧo prĆ©vio e mais fundamental de um quadro que de antemĆ£o apresentava todas as suas possibilidades,Ā 

doravanteĀ 

                • as semelhanƧas contemporĆ¢neas
                  e observƔveis simultaneamente no espaƧo
                  não serão mais que as formas depositadas e fixadas

                  de uma sucessão que procede
                  de analogia em analogia.Ā 

A ordem clÔssica distribuía num espaço permanente as identidades e as diferenças não-quantitativas que separavam e uniam as coisas: era essa a ordem que reinava soberanamente, mas a cada vez segundo formas e leis ligeiramente diferentes, sobre o discurso dos homens, o quadro dos seres naturais e a troca das riquezas. 

A partir do sƩculo XIX,
a História vai desenrolar numa série temporal
as analogias que aproximam umas das outras as organizações distintas. 

Ɖ essa História que, progressivamente, imporĆ” suas leis

                      • Ā Ć  anĆ”lise da produção,Ā 

                      • Ć  dos seres organizados, enfim,Ā 

                      • Ć  dos grupos linguĆ­sticos.Ā 

A História
dÔ lugar às organizações analógicas,

assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades

e das diferenƧas sucessivas.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault

Veja isto emĀ 

A descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825,
segundo o pensamento de Michel Foucault

ou ainda na seguinte pƔgina

Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825

segundo Michel Foucault

De um lado e de outro dessa descontinuidade epistemológica temos:

  • antes de 1775 – pensamento clĆ”ssico ou idade clĆ”ssica do pensamento, com modelos com a (im)possibilidade de fundar as sĆ­nteses da empiricidade objeto da operação, no espaƧo da representação;
  • depois de 1825 – pensamento moderno ou a nossa modernidade no pensamento, com modelos com a possibilidade de fundar as sĆ­nteses da empiricidade objeto da operação, no espaƧo da representação.

Note que Adam Smith e David Ricardo estão posicionados em lados opostos com relação à fase de ruptura desse evento ao qual Foucault dÔ o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento.

Note ainda que todos os autores que formam a base do liberalismo clÔssico também estão posicionados por Foucault antes desse evento, em plena idade clÔssica.

Michel Foucault vĆŖ o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo – e com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos – muito dominado por:

  • uma impossibilidade – a de fundar as sĆ­nteses do objeto das operaƧƵes de pensamento, no espaƧo da representação;
  • e uma obrigação ainda nĆ£o cumprida – a de abrir o campo transcendental da subjetividade e constituir, para alĆ©m do objeto, esses quase-transcendentais que sĆ£o para nós a Vida, o Trabalho e a Linguagem.

e aparentemente ele imputa a esse domĆ­nio do nosso pensamento por essas questƵes, o tempo e dificuldades em acrĆ©scimo que precisou enfrentar em seu trabalho no ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’.

Impossibilidade X Possibilidade
de fundar as sĆ­nteses (da empiricidade objeto)
no espaço da representação

A impossibilidade [no pensamento clƔssico, antes de 1775]
contra a sim-possibilidade [no pensamento moderno, depois de 1825]
de fundar as sínteses [da empiricidade objeto] no espaço da representação.

A obrigação cumprida:
os quase-transcendentais
Vida, Trabalho e Linguagem constituĆ­dos

A classe de modelos das ciĆŖncias humanas: um modelo composto pelos trĆŖs pares constituintes
da Vida(Biologia) [função-norma]
do Trabalho (Economia) [conflito-regra]
da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

Veja o que ele diz, o mesmo texto colocado em duas animações e no excerto abaixo em seu original, que têm a finalidade de reunir as ideias em elementos de imagem que compõem duas estruturas diferentes, nos dois lados de uma mesma imagem:

ā€œEis que nos adiantamos
bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas
dessa ruptura
que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo
de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.Ā 

Ɖ que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neoĀ 
e com o qual, queiramos ou não, pensamos, 
se acha ainda muito dominadoĀ 

  • pelaĀ impossibilidade,
    trazida Ơ luz por volta do fim do sƩculo XVIII,
    de fundar as sĆ­nteses
    no espaço da representação.

  • e pelaĀ obrigaçãoĀ 
    correlativa, simultânea,
    mas logo dividida contra si mesma,
    de abrir oĀ campoĀ transcendental
    da subjetividadeĀ 
    e de constituir, inversamente, para além do objeto, 
    esses quase-transcendentais que são para nós a Vida, o Trabalho, a Linguagem.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas (Cartilha);
CapĆ­tulo 7 – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades
de Michel Foucault

as animaƧƵes acima tambƩm podem ser vistas nesta pƔgina

Os dois obstƔculos, as duas pedras de tropeƧo, encontrados por Michel Foucault em seu caminho,

com especial destaque para o segundo obstÔculo, a saber, o cumprimento da obrigação de abertura do campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, o espaço em que habitam os modelos das ciências humanas.

E o funcionamento das operaƧƵes tanto no pensamento clƔssico, o de antes de 1775, como no moderno, depois de 1825, usando o critƩrio de Foucault, pode ser visto na seguinte pƔgina:

Ā 

Em nenhum momento Foucault solicita ao seu leitor que faƧa um ato de fƩ no que ele diz.
Foucault argumenta sempre, a partir de dados levantados quanto ao modo de ser do pensamento em uma vasta plêiade de autores contemporâneos às mudanças. 

Foucault via no conjunto de teorias, modelos e sistemas em nossa cultura, um espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que decorre dessa visĆ£o, e que aponta para o futuro; e que lhe sugeria a necessidade de distinƧƵes entre esses diferentes modos de ser do pensamento, e todo o trabalho com a arqueologia feita no ‘As palavras e as coisas’:Ā 

Como se vĆŖ pelo ponto em que se insere na ‘Cartilha’ essa citação, o capĆ­tulo 7 de um trabalho em dez capĆ­tulos, quando escreveu esse trecho Foucault jĆ” tinha bem adiantado seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’; nesse momento ele aponta dois obstĆ”culos, duas pedras de tropeƧo que precisou enfrentar e que tiveram o poder de dilatar em muito o tempo necessĆ”rio para fazer esse livro; ele via:Ā Ā 

    1. uma impossibilidade, a de fundar as sínteses [da representação para a empiricidade objeto de cada operação] no espaço da representação; 
    2. e uma obrigação a ser cumprida:
      a deĀ abrir o campo transcendental da subjetividade
      e de constituir, inversamente, para além do objeto, 
      os quase-transcendentais Vida, Trabalho e LinguagemĀ 

O espectro de modelos com trĆŖs segmentos: AQUƉM, DIANTE e ALƉM do objeto

 O espectro de modelos com três segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o século XVII até o século XXI, usando essa anÔlise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.   

Efeito do levantamento da impossibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação;
e da constituição, para além do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem

Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes

    • AQUƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • sem espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com aĀ impossibilidadeĀ 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e portanto sem a constituição, para alĆ©m do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • DIANTEĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • sem essa impossibilidade, ou melhor, com a possibilidade,Ā 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações, no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e constituĆ­dos, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • paraĀ ALƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com a possibilidade de fundar as sĆ­nteses dos objetos das operaƧƵes no espaƧo da representação.
      • nos quais foi aberto o campo transcendental da subjetividadeĀ e foramĀ constituĆ­dos para alĆ©m do objeto, os ā€œquase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem:Ā 
        estes, os modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas.Ā 

ā€œInstaura-se uma forma de reflexĆ£o,Ā 
bastante afastada do cartesianismo e da anÔlise kantiana, 
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,Ā 
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual 
o pensamento se dirige ao impensadoĀ 
e com ele se articula.ā€
Ā 

Cartilha; Cap. 9. O homem e seus duplos; V – O ā€œcogitoā€ e o impensado

Veja isso associado a uma figura na qual os elementos de imagem escolhidos compõem uma estrutura que pode ser comparada com por exemplo, o Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo, de 1817 

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura

A forma de reflexão que se instaura
com esse perfil de conceitos do pensamento moderno, o de depois de 1825

Veja também o funcionamento das operações, especificamente no segmento DIANTE do objeto e na etapa da Construção da representação.

Nesse excerto da Cartilha, Foucault modela dinamicamente uma proposição que se ajusta a cada etapa da operação, coloca em cada proposição:

  • o ser do homem (o sujeito)
  • dirigindo-se ao objeto, o impensado,Ā  (atributo do predicado do sujeito).Ā 

Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura, ‘o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆ­vel, mas ao impensado! (que pode ser tambĆ©m intangĆ­vel, sem problemas)Ā  Muitas vezes o intangĆ­vel continua exatamente assim, intangĆ­vel, mesmo depois que o pensamento tenha dado um jeito no seu aspecto impensado.Ā  Ā 

Intangível é uma qualidade de algo e não faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.

Essa forma de reflexão sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e não adjetivas, aparências, como é o intangível.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)

Ao contrÔrio do impensado, que mediante articulação no pensamento patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaço da representação, o intangível na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangível.  

Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexão em   

Os  perfis das duas configurações do pensamento, segundo o pensamento de Michel Foucault:
e Os dois tipos de reflexão assumidos pelo pensamento

Essa forma de reflexão é consistente e estÔ na base do Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo.

Veja em imagensĀ 

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho, o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, de 1817; veja também as diferenças entre esses dois conceitos, nas palavras de Michel Foucault

que ilustram essa forma de reflexão no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexão no período anterior.

O espectro de modelos com trĆŖs segmentos: AQUƉM, DIANTE e ALƉM do objeto

 O espectro de modelos com três segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o século XVII até o século XXI, usando essa anÔlise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.   

Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes

    • AQUƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • sem espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com aĀ impossibilidadeĀ 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e portanto sem a constituição, para alĆ©m do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • DIANTEĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • sem essa impossibilidade, ou melhor, com a possibilidade,Ā 
        de fundar as sínteses dos objetos das operações, no espaço da representação;
      • sem a abertura do campo transcendental da subjetividade e constituĆ­dos, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.
    • paraĀ ALƉMĀ do objeto – teorias, modelos e sistemas:
      • com espaƧo em suas estruturas para o par sujeito-objeto;
      • com a possibilidade de fundar as sĆ­nteses dos objetos das operaƧƵes no espaƧo da representação.
      • nos quais foi aberto o campo transcendental da subjetividadeĀ e foramĀ constituĆ­dos para alĆ©m do objeto, os ā€œquase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem:Ā 
        estes, os modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas.Ā 

Efeito do levantamento da impossibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação;
e da constituição, para além do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem

Resumidamente, podemos ler operaƧƵes, as que ocorrem no circuito das trocas (Mercado) ou outras, de qualquer tipo –Ā  posicionando o ponto deĀ  inĆ­cio da leitura desse fenĆ“meno de duas maneiras diferentes:
  1. ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ colocado noĀ  cruzamento da disponibilidade entre dois objetos intervenientes na operação de troca: o que Ć© dado e o que Ć© recebido, testando as condiƧƵes de troca;
  2. ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ antes do cruzamento da disponibilidade entre os dois objetos – o que Ć© dado e o que Ć© recebido – e portantoĀ antes da disponibilidade de um dos objetos, testando desta vez a permutabilidade futura desse objeto e nĆ£o imediatamente as condiƧƵes de troca.

O carregamento de valor na proposição em cada caso:

  1. valor é carregado diretamente na proposição desde dentro do espaço da representação;
  2. valor é carregado na proposição desde fora do espaço da representação, com origens de valor externas ao espaço da representação, provenientes de:
    1. designaƧƵes primitivas;
    2. linguagem de ação ou raiz.

Operações inspiradas no Princípio Monolítico de Trabalho de Adam Smith, de 1776, têm valor carregado na proposição diretamente de dentro do espaço da representação;

Operações calcadas no Princípio Dual de trabalho de David Ricardo têm valor carregado na proposição e por elas para as representações como no segundo caso acima.

As diferenƧas nas visƵes de ‘operaƧƵes’ decorrentes de diferenƧas no posicionamento do ponto de inĆ­cio de leitura do fenĆ“meno, podem ser vistas nas animaƧƵes que descrevem o funcionamento das operaƧƵes em cada caso:

Ā 
essas diferenƧas tambƩm podem ser vistas na pƔgina seguinte:
  • a animação correspondente ao pensamento clĆ”ssico posiciona o inĆ­cio da leitura de ‘operaƧƵes’ no cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido, pressupondo portanto, a disponibilidade desses dois objetos;
  • a animação correspondente ao pensamento moderno posiciona o inĆ­cio de leitura de ‘operaƧƵes’ antes desse ponto, quando ainda um dos objetos envolvidos em uma futura troca estĆ” indisponĆ­vel.
O texto de Foucault sobre essas duas alternativas de inserção do ponto de inĆ­cio da visĆ£o de ‘operaƧƵes’ estĆ” na pĆ”gina seguinte:
E essas mudanças estão refletidas no tópico 
‘Uma anatomia ou uma Cartografia de modelos de operaƧƵes em função da configuração do pensamento’
Ā 
Para entender melhor os elementos de imagem que representam a origem de valor para as proposições desde fora da linguagem e fora do espaço da representação: 
  • ‘designaƧƵes primitivas’
  • eĀ ‘linguagem de ação ou raiz’,Ā 
veja a figura seguinte.

Operação de Construção de representação nova, no caminho da Construção da representação
sob o pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825 segundo Michel Foucault;
mostrando a origem de valor nas proposiƧƵes externa Ơ linguagem:
a) designações primitivas e b) linguagem de ação e a função que desempenham na operação.
Ā 
Ā 
Se essa figura lhe parecer ‘poluĆ­da’, pense o seguinte:
  • ela mostra uma fotografia de um instante na operação de construção da representação nova;
    • a representação para o objeto dessa operação foi concluĆ­da;
    • os elementos de suporte na experiĆŖncia Ć  Forma de produção foram nada mais do que selecionados – encontrados e/ou desenvolvidos;
    • foi construĆ­do um objeto anĆ”logo ao vislumbrado para essa empiricidade objeto, representado na figura pela SucessĆ£o de analogias.
  • acaba de ser formulada uma proposição explicativa porque foi obtida sustentação na experiĆŖncia para todos os quesitos atribuĆ­dos ao objeto cuja representação aca acaba de ser construĆ­da.
  • as designaƧƵes primitivas, ao lado da linguagem de ação ou de uso sĆ£o as origens do valor atribuĆ­do a essa proposição.

Se a figura ainda lhe parecer confusa, e achar que vale a pena esclarece-la, veja novamente o Funcionamento das operaƧƵes.

Veja uma coleção de conceitos chamados pelos mesmos nomes, mas consignificados muito distintos, sob o pensamento clÔssico e sob o moderno. 

Uma lista de alguns conceitos distintos no significado mas chamados pelos mesmos nomes:

  • 0. os dois princĆ­pios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo;
    • diferenƧas na paleta de ideias ou elementos de imagem e suas estruturas;
    • comparaƧƵes entre os dois princĆ­pios feitas por Michel Foucault;
    • as duas diferentes origens de valor atribuĆ­do Ć  proposição pela distinta opção de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’.
  • 1. dois conceitos para o que seja um verbo;
  • 2. dois conceitos para o que seja ‘Classificar’;
  • 3. dois papĆ©is atribuĆ­dos ao homem;
  • 4. dois tipos de reflexĆ£o assumidos pelo pensamento;
  • 5. duas sintaxes envolvidas na construção de representação nova;
  • 6. dois conceitos para História;
  • 7. dois espaƧos gerais do saber;
  • 8. dois conceitos para tempo: calendĆ”rio e absoluto;
  • 9. a proposição como bloco construtivo padrĆ£o fundamental e genĆ©rico para construção de representaƧƵes.
  • 10. Tabela de propriedades das duas configuraƧƵes do pensamento.

Veja abaixo as diferenƧas entre os dois princƭpios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo, usando as palavras de Michel Foucault

AquƩm do objeto
Adam Smith, 1776

PrincĆ­pio monolĆ­tico de trabalho de Adam Smith,
publicado no Riqueza das NaƧƵes, de 1776

Diante e  Além do objeto
David Ricardo, 1817

PrincĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, publicado no Principle of Political Economy and Taxation, em 1817

ComparaƧƵes entre os dois princƭpios de trabalho,
e a importância do princípio de trabalho de David Ricardo segundo Michel Foucault

Comparação, feita por Michel Foucault,
entre os princĆ­pios de trabalho
o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, 1817

comparaƧƵes entre Adam Smith
e David Ricardo,
por Michel Foucault
A importância de David Ricardo,
segundo Michel Foucault

As duas diferentes origens de valor para a proposição, em função da configuração de pensamento adotada

Os elementos de imagem, as ideias, que permitem formular o modelo de operações baseado diretamente na linguagem e na representação
Os elementos de imagem, as ideias,
que permitem formular o modelo de operaƧƵes
desde fora da linguagem
a partir das designaƧƵes primitivas
– e da linguagem de ação ou de raiz(*)

Conceito de Verbo ‘Processo’ na configuração de pensamento
do perƭodo clƔssico, antes de 1775
Conceito de Verbo ‘Forma de produção’ na configuração
de pensamento do perĆ­odo moderno, depois de 1825

Processo
como verbo

Ā 

ā€œA Ćŗnica coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā 

          • a do verde
            e da Ɣrvore,

          • a do homem
            e da existĆŖncia

            ou da morte;Ā 

Ć© por isso que o tempo dos verbos
não indica aquele [tempo]
em que as coisas existiram no absoluto,
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.ā€

‘Forma de produção’
como verbo

ā€œĆ‰ preciso, portanto,
tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
às leis de regência e de concordância;

e depois,


em recuo em relação a elas todas,

numa regiĆ£o que

          • nĆ£o Ć© aquela do falado

          • mas aquela donde se fala.

Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre

          • aquilo que Ć© dito

          • e aquilo que se diz,

exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.ā€

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault

Os dois conceitos para o que seja ‘Classificar

Classificar, portanto,
não serÔ mais
referir o visĆ­vel
a si mesmo,
encarregando um de seus elementos
de representar todos os outros;

SerĆ”
num movimento que faz revolver a anƔlise,
reportar o visĆ­vel,
ao invisĆ­vel,
como a sua razão profunda;
depois,
alƧar de novo dessa secreta arquitetura,
em direção aos seus sinais manifestos
[as “aparĆŖncias”]que sĆ£o dados Ć  superfĆ­cie dos corpos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’;
CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres
por Michel Foucault

pensamento clƔssico, antes de 1775
segmento AQUƉM do objeto

o homem estĆ” fora da paleta de ideias
no pensamento clƔssico, o de antes de 1775
era tratado como um gênero, ou uma espécie
do Sistema de Categorias

pensamento moderno, depois de 1825
segmento DIANTEĀ  do objeto

os dois papƩis do homem no pensamento moderno,
o de depois de 1825:
a) raiz e fundamento de toda positividade;
b) elemento do que Ć© empĆ­rico

O modo de ser do homem,
tal como se constituiu no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ”, ao mesmo tempo,

  • no fundamento de todas as positividades,

  • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada, no elemento das coisas empĆ­ricas.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cao. 10. As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes

“Assim o cĆ­rculo se fecha.

Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

Mas que são esses sinais? 

Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,

que hĆ” aqui um
carƔter

no qual convƩm se deter,
porque ele indica uma secreta
e essencial semelhança? 

Que forma constitui o signo
no seu singular valor de signo?Ā 

– Ɖ a semelhanƧa.
Ele significa na medida
em que tem semelhança com o que indica (isto é, com uma similitude). 

Contudo,Ā 

  • nĆ£o Ć© a homologia que ele assinala,Ā 

pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; 

  • trata-se de outra semelhanƧa,Ā 

uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, Ć© patenteada por uma terceira.Ā 

Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediÔria da mesma semelhança. 

De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

  • o signo da simpatia resida na analogia,Ā 
  • o da analogia na emulação,Ā 
  • o da emulação na conveniĆŖncia,Ā 

que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ 

  • a marca da simpatia…Ā 

A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”

“A arqueologia, essa, deve percorrer o acontecimento segundo sua disposição manifesta; ela dirĆ” como as configuraƧƵes próprias a cada positividade se modificaramĀ 

  • (ela analisa por exemplo, para a gramĆ”tica, o desaparecimento do papel maior atribuĆ­do ao nome e a importĆ¢ncia nova dos sistemas de flexĆ£o; ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do carĆ”ter Ć  função);Ā 

ela analisarÔ a alteração dos seres empíricos que povoam as positividades 

  • (a substituição do discurso pelas lĆ­nguas, das riquezas pela produção);Ā 

estudarÔ o deslocamento das positividades umas em relação às outras 

  • (por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciĆŖncias da linguagem e a economia);Ā 

enfim e sobretudo, mostrarÔ que o espaço geral do saber não é mais o das identidades e das diferenças, o das ordens não-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mÔthêsis do não-mensurÔvel, 

  • mas um espaƧo feito de organizaƧƵes, isto Ć©, de relaƧƵes internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função;Ā 
  • mostrarĆ” que essas organizaƧƵes sĆ£o descontĆ­nuas, que nĆ£o formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas, mas que algumas sĆ£o do mesmo nĆ­vel enquanto outras traƧam sĆ©ries ou sequĆŖncias lineares.Ā 

Ā De sorte que se vĆŖem surgir,Ā 

como princĆ­pios organizadores
desse espaço de empiricidades, 

a Analogia
e a Sucessão:

de uma organização a outra, o liame, com efeito, 

  • nĆ£o pode mais ser a identidade de um ou vĆ”rios elementos,
  • mas a identidade da relação entre os elementos (onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel)Ā 
  • e da função que asseguram;Ā 

ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias,

  • nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas num espaƧo de classificação,
  • mas sim porque foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra no devir das sucessƵes.Ā 

Enquanto, no pensamento clƔssico,

a seqüência das cronologias não fazia mais que percorrer o espaço prévio e mais fundamental de um quadro que de antemão apresentava todas as suas possibilidades,

doravante

as semelhanças contemporâneas e observÔveis simultaneamente no espaço não serão mais que as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede de analogia em analogia.  (*)

Ā 

Ā 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – II. A prosa do mundo;
tópico II. As assinalações
de Michel Foucault

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – VII. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault

A sintaxe que autoriza
a construção das frases
A sintaxe que autoriza a manter juntas,
ao lado ou em frente umas das outras,
as palavras e as coisas

pensamento clƔssico,
de antes de 1775

pensamento moderno,
de depois de 1825

História entendida como

  • a coleta das sucessƵes de fatos
    tais como se constituĆ­ram.

História entendida como 

  • o modo de ser fundamental das empiricidades,

    Ā 

    aquilo a partir de que elas são

    • afirmadas,Ā 

    • postas,Ā 

    • dispostasĀ 

    • e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis

Mas vê-se bem que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituƭram;
ela Ć© o modo de ser fundamental das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber
para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.

Assim como a Ordem no pensamento clƔssico
não era a harmonia visível das coisas,
seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico,
lugar onde,
aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe Ć© próprio. 

As palavras as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

AquƩm do objeto

espaço geral do saber sob o pensamento filosófico clÔssico

Diante do objeto

o Triedro dos saberes
exceto as ciĆŖncias humanas

 Além do objeto

o espaƧo interno do Triedro dos saberes
– o habitat das ciĆŖncias humanas –
mostrando o modelo constituinte composto e comum a todas as CiĆŖncias Humanas

Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação em curso

AquƩm do objeto

formulação sim reversível
e
instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento clƔssico, o de antes de 1775
tempo calendƔrio no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada

Diante do objeto

formulação não reversível
e construção da representação nova
deus Kairós 

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação

também Diante do objeto

formulação sim reversível
 e instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

A anÔlise das riquezas, junto com a gramÔtica geral e a história natural, no pensamento clÔssico- o de antes de 1775, são contrapostas à anÔlise da produção, filologia e biologia no pensamento de depois de 1825.

“Nem vida,
nem ciĆŖncia da vida
na Ʃpoca clƔssica;
tampouco filologia.

Mas sim
uma história natural,
uma gramƔtica geral.

Do mesmo modo,
não hÔ economia política

porque, na ordem do saber,
a produção não existe.


Em contrapartida,
existe, nos sƩculos XVII e XVIII,

uma noção que nos permaneceu familiar,
embora tenha perdido para nós sua precisão essencial.
Nem Ć© de ā€œnoçãoā€ que se deveria falar a seu respeito,
pois não tem lugar no interior
de um jogo de conceitos econƓmicos

que ela deslocaria levemente,
confiscando um pouco de seu sentido
ou corroendo sua extensão.

Trata-se antes de um domĆ­nio geral:
de uma camada bastante coerente
e muito bem estratificada,

que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,
as noções de valor, de preço, de comércio, de circulação,
de renda, de interesse.


Esse domĆ­nio,

solo e objeto da ā€œeconomiaā€ na idade clĆ”ssica,
Ć© o da riqueza.

 InĆŗtil colocar-lhe questƵes
vindas de uma economia de tipo diferente,

organizada, por exemplo,
em torno da produção ou do trabalho;

 inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitos
(mesmo e sobretudo se seus nomes
em seguida se perpetuaram,

com alguma analogia de sentido),
sem levar em conta
o sistema em que assumem sua positividade.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas

Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noções, para respectivamente cada período histórico em nossa cultura, o padrão é ficar com a anÔlise de riquezas do pensamento filosófico clÔssico. (o que nem é difícil de perceber que é feito, em nosso meio)

O mĆ­nimo que somos chamados a fazer Ć© esclarecer as razƵes pelas quais o conceito ‘riquezas’ Ć© tĆ£o largamente utilizado; e as razƵes pelas quais Michel Foucault escreve “economia” assim, entre aspas, quando se refere ao perĆ­odo clĆ”ssico.

Veja a seguir os pontos:

  • Modos de ser e MĆ©todos do pensamento: Cartesianismo, fora dele, CiĆŖncia, Tecnologia, ReflexĆ£o
  • O funcionamento de operaƧƵes – do pensamento, as de produção, as de troca, antes e depois desse evento fundamental em nossa cultura, antes e depois dele;
  • As paletas de ideias, e respectivos elementos de imagem, necessĆ”rias para cada operacionalidade;
  • Os domĆ­nios nos quais as operaƧƵes acontecem, em função da configuração do pensamento;
  • O tempo nas operaƧƵes em função da configuração do pensamento e da etapa da operação;
  • O lugar dado ao homem em cada configuração do pensamento;
  • Uma Anatomia ou uma Cartografia de modelos de operaƧƵes em função da configuração do pensamento;
  • Um verdadeiro manual para construção de modelos para qualquer ciĆŖncia humana, modelos nos quais o campo transcendental da subjetividade foi aberto e foram constituĆ­dos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, escrito pelo próprio Michel Foucault
  • MetĆ”foras adequadas para modelos de operaƧƵes respectivamente para cada configuração do pensamento;
  • Propriedades emergentes dos modelos de operaƧƵes e organizaƧƵes em função da configuração do pensamento utilizada.

Veja a relação entre cada formulação de operações e o respectivo perfil de características da configuração do pensamento adotada em cada formulação, na pÔgina: 

modelos de operações formuladas para cada configuração do pensamento

clƔssico, antes de 1775

moderno, depois de 1825

instanciamento

construção

instanciamento

condiƧƵes de possibilidade no pensamento

clƔssico, antes de 1775

moderno, depois de 1825

instanciamento

construção

instanciamento

veja também tópico seguinte, o tempo respectivamente para cada operação levando em conta, no pensamento moderno, as operações de Construção de representação nova, e as de Instanciamento de representação previamente existente.

Note que a amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© muito maior no pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Neste caso a visĆ£o do fenĆ“meno abrange a construção da representação para a empiricidade objeto, e tambĆ©m o instanciamento de representação previamente existente em um repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua; enquanto que sob o pensamento clĆ”ssico o fenĆ“meno Ć© visto apenas a partir da fase de instanciamento.

Veja que hÔ uma correspondência entre as visões de operações no pensamento clÔssico e no princípio monolítico de trabalho de Adam Smith, de 1776, e pensamento moderno e o princípio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817.

Certifique-se dessa correspondĆŖncia visualizando as figuras feitas para os dois princĆ­pios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo.

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho: o de Adam Smith, de 1776, e o de David Ricardo, de 1817

a pÔgina que o link acima dÔ acesso mostra também as diferenças entre esses dois princípios de trabalho nas palavras de Michel Foucault. Mas por favor certifique-se de que essas diferenças apontadas por Foucault entre os dois princípios de trabalho correspondem também, e são consistentes, com

as duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ com as duas origens da essĆŖncia da linguagem (interna e externa), e correspondentes duas possibilidades de anĆ”lise de valor;

Os dois conceitos filosóficos para o que seja ‘Trabalho’:
o de Adam Smith, de 1776, e o de David Ricardo, de 1817

AquƩm do objeto
Adam Smith, 1776

PrincĆ­pio monolĆ­tico de trabalho de Adam Smith,
publicado no Riqueza das NaƧƵes, de 1776

Diante e  Além do objeto
David Ricardo, 1817

PrincĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo, publicado no Principle of Political Economy and Taxation, em 1817

ComparaƧƵes entre os dois princƭpios de trabalho,
e a importância do princípio de trabalho de David Ricardo segundo Michel Foucault

Comparação, feita por Michel Foucault,
entre os princĆ­pios de trabalho
o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, 1817

comparaƧƵes entre Adam Smith
e David Ricardo,
por Michel Foucault
A importância de David Ricardo,
segundo Michel Foucault

Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação em curso

AquƩm do objeto

formulação sim reversível
e
instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento clƔssico, o de antes de 1775
tempo calendƔrio no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada

Diante do objeto

formulação não reversível
e construção da representação nova
deus Kairós 

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação

Diante do objeto

formulação sim reversível
e instanciamento de representação existente
deus Chronos

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

ā€œO modo de ser do homem,
tal como se constituiu
no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ” ao mesmo tempo,

                      • noĀ fundamento de todas as positividades,
                      • presente, de uma forma que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada,
                        no elemento das coisas empĆ­ricas.ā€

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo X – As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes
Michel FoucaultĀ 

ā€œNa medida, porĆ©m,Ā 
em que as coisas
giramĀ 
sobre si mesmas,
reclamando para seu devir
não mais que
o princĆ­pio deĀ 
sua inteligibilidade
e abandonando o espaço da representação,
o homem,

por seu turno,
entra,
e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental.ā€

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
PrefƔcio
Michel FoucaultĀ 

Uma Anatomia ou uma Cartografia para modelos de operações segundo a configuração do pensamento:

pensamento clƔssico, o de antes de 1775;

  • a leitura do fenĆ“meno ‘operação’Ā  Ć© feita a partir do ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido em uma operação de troca (todas as representaƧƵes sĆ£o prĆ©-existentes Ć  operação;
  • a formulação da representação Ć© reversĆ­vel; nĆ£o hĆ” construção de novas representaƧƵes, e a operação transcorreĀ  no caminho do Instanciamento da representação combinada entre duas representaƧƵes anteriores prĆ©-existentes;
    • nĆ£o hĆ” construção de representaƧƵes;Ā 
  • domĆ­nio: do Discurso e da Representação;
  • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si (estrutura Input-Output)
  • elemento central: Processo
  • tempo: relativo ou tempo calendĆ”rio sob o deus Cronos
  • ordem: Quadro de simultaneidades com um Sistema de categorias. (pode ser mĆŗltipla, e de uso simultĆ¢neo).

pensamento moderno, o de depois de 1825;

  • a leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© feita em um ponto situado antes do cruzamentoĀ  do que Ć© dado e o que Ć© recebido em uma operação de troca; o pensamento Ć© capaz de construir representaƧƵes novas;
  • caminho da Construção da representação; formulação da representação irreversĆ­vel; operação ocorre no
    • Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico; com os subespaƧos:
      • Lugar desde onde se fala: domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua;
      • Lugar do falado: domĆ­nio do Discurso e da Representação.
    • elemento central: Forma de produção;
    • tempo: absoluto (nĆ£o relativo e nĆ£o calendĆ”rio) sob o deus Kairós;
    • ordem: Ćŗnica, dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆ­ngua utilizada.
    • origens de valor
      • designaƧƵes primitivas;
      • linguagem de ação ou de uso: Repositório
    • caminho do Instanciamento da representação;
      • domĆ­nio do Discurso e da Representação;
        • Mercado, ou Circuito onde ocorrem as trocas;
      • linguagem de ação ou de uso: Repositório.

Veja isso tambƩm na seguinte pƔgina:

Anatomia ou cartografia dos modelos: os diferentes lugares onde o pensamento acontece, em função do perfil de pensamento e do caminho no qual seguem as operações.

Os domínios no interior dos quais transcorrem as operações, antes e depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

operação sob o pensamento clÔssico, antes de 1775

    • operação de construção da representação:
      • inexistente na leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ feita no pensamento clĆ”ssico
    • Operação de instanciamento ocorre no circuito das trocas (Mercado),
      • no interior do domĆ­nio do Discurso e da representação.

operação sob o pensamento moderno, depois de 1825

    • operação de Construção da representação transcorre no interiorĀ 
      do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico;

um lugar composto por dois blocos em dois domĆ­nios diferentes:

      • o domĆ­nio do Pensamento e da lĆ­ngua;
        • o Lugar desde onde se fala;
      • o domĆ­nio do Discurso e da representação.
        • o Lugar do falado.

Ā 

    • operação de Instanciamento de representação anteriormente construĆ­da
      • a operação de troca ocorre no Circuito das trocas (Mercado).
        • no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação

Um ‘manual’ para construção de modelos para ciĆŖncias humanas, por Michel Foucault

O espaƧo interior
do triedro dos saberes: o habitat das ciĆŖncias humanas
A classe de modelos das ciĆŖncias humanas: um modelo composto pelos trĆŖs pares constituintes
Uso dos pares de modelos constituintes fora do domínio próprio em que foram criados

Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes

  • pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775
    • propriedade emergente: Fluxo
    • metĆ”fora adequada: transformação Ćŗnica Entradas ⇒ SaĆ­das
    • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si (Input-Output)
  • pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825;
    • caminho da Construção da representação;
      • propriedade emergente: PermanĆŖncia
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de mesmo sinal;
      • sistema: absoluto no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
    • caminho do Instanciamento da representação
      • propriedade emergente: Fluxo
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de sinais trocados;
      • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si ou absoluto, dependendo do projeto da operação.

Visão da operação clÔssica
Transformação única de Entradas em Saídas,
ou Processamento de informaƧƵes

A. Pensamento filosófico clÔssico, o de antes de 1775

1.Ā  Ā Transformação Ćŗnica, de Entradas ⇒ SaĆ­das, sobre a estrutura Input-Output, ou um processamento de informaƧƵes

A metĆ”fora da transformação de Entradas  ⇒ SaĆ­das, sobre a estrutura Input-Output, que dĆ” lugar a um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si Ć© vĆ”lida aqui, e Ć© a famosa caixa preta.Ā 

Seu elemento central é Processo, um verbo, que a única coisa que afirma é a coexistência de duas representações indicando a coexistência

Com a opção pela leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ desde um ponto de vista posicionado no cruzamento do que Ć© dado com o que Ć© recebido na troca, essa metĆ”fora representa apelas a operação de instanciamento de representação anteriormente feita e jĆ” carregada de valor diretamente atribuĆ­do Ć  proposição.

Toda a etapa da construção de representação nova estÔ fora desse escopo e por isso, a transformação pode ser única.

Veja aqui em Conceitos homƓnimos mas com significados diferentes, os conceitos para o que seja um verbo.

Visão da operação do pensamento moderno
no caminho da Construção da representação
A metƔfora adequada Ơs operaƧƵes no caminho
da Construção de representação
para a empiricidade objeto

B. Pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825

1.  MetÔforas no caminho da Construção da representação:
uma Conversão, ou um par de transformações de mesmos sinais

Veja novamente pÔgina MetÔforas adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operações em cada segmento do espectro de modelos sob o título Conversão ou um par de transformações de mesmos sinais no caminho da Construção da representação.

Toda a operação pode ser reduzida a uma

  • ConversĆ£o, de pensamento nĆ£o articulado em representação.

Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:

  • Primeira transformação:
    • [nĆ£o – sim] pensamento nĆ£o-articulado em pensamento sim-articulado;
  • Segunda transformação:
    • [sim – nĆ£o] representação nĆ£o-existente para representação sim-existente.

Ā 

Visão da operação do pensamento moderno
no caminho do Instanciamento da representação
MetÔfora adequada para operação do pensamento moderno
no caminho do Instanciamento da representação:
uma Conversão ou um par de transformações com sinais trocados

2.  MetĆ”foras no caminho do Instanciamento da representação: outra ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes mas agora de sinais opostos

Veja novamente pÔgina MetÔforas adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operações em cada segmento do espectro de modelos agora sob o título Conversão ou um par de transformações de sinais trocados no caminho do Instanciamento da representação.

Toda a operação pode ser reduzida a uma

  • ConversĆ£o,
    • de uma disponibilidade de recursos 
    • para disponibilidade de objeto da produção.

Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:

    • Primeira transformação: [nĆ£o – sim] Consumo, ou disponibilidade de recursos para indisponibilidade de recursos;
    • Segunda transformação: [nĆ£o – sim] Produção: indisponibilidade de objeto para disponibilidade de objeto.

Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes

  • pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775
    • propriedade emergente: Fluxo
    • metĆ”fora adequada: transformação Ćŗnica Entradas ⇒ SaĆ­das
    • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si (Input-Output)
  • pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825;
    • caminho da Construção da representação;
      • propriedade emergente: PermanĆŖncia
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de mesmo sinal;
      • sistema: absoluto no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
    • caminho do Instanciamento da representação
      • propriedade emergente: Fluxo
      • metĆ”fora adequada: ConversĆ£o, ou um par de transformaƧƵes de sinais trocados;
      • sistema: relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si ou absoluto, dependendo do projeto da operação.

A.  Modelos de operações sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1775

1.  Fluxo na etapa de instanciamento de representação anteriormente formulada reversivelmente

Veja em Funcionamento das operaƧƵes… a animação sob o tĆ­tulo AquĆ©m do objeto. Essa Ć© uma operação de instanciamento de representação formulada anteriormente como uma composição de representaƧƵes existentes. O apontador de inĆ­cio da operação estĆ” no cruzamento entre o dado e o recebido, ou na disponibilidade dos dois objetos envolvidos em uma eventual operação de troca.

Sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1725 e anterior à descontinuidade epistemológica temos:

  • O tipo de pensamento usado tem a impossibilidade de fundar as sĆ­nteses [do objeto das operaƧƵes] no espaƧo da representação – o primeiro obstĆ”culo vislumbrado por Foucault em seu trabalho;
  • Essa impossibilidade arrasta o ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ para o cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido na operação de troca, ou o ponto em que os dois objetos envolvidos na operação de troca estĆ£o disponĆ­veis;
    • valor Ć© atribuĆ­do diretamente sobre a proposição;
  • A operação pode acontecer no Circuito das trocas jĆ” que os objetos envolvidos nesse tipo de operação estĆ£o disponĆ­veis; essa operação transcorre inteiramente em um domĆ­nio Ćŗnico, o domĆ­nio do Discurso e da representação.
  • História, nesse tipo de operaƧƵes, Ć© entendida como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆ­ram.
  • O tipo de propriedades possĆ­veis de serem consideradas na modelagem das operaƧƵes Ć© propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas das coisas, que sĆ£o selecionadas para participar das operaƧƵes por suas propriedades consistentes com esse tipo, ou por ā€œaparĆŖnciasā€.
  • O elemento central desse modelo de operaƧƵes Ć© ā€˜Processo’, sobre um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si;
  • Resta nesse modelo de operaƧƵes a contabilidade do que se aproxima de uma regiĆ£o do espaƧo em que ocorrem operaƧƵes, do que entra nessa regiĆ£o, do que fica nessa regiĆ£o ou que Sai dela. A anĆ”lise se restringe a esse Fluxo, pela total ausĆŖncia da noção de objeto definido pelas suas propriedades originais e constitutivas, e pela pressuposição de que tudo existe, desde sempre e para sempre prescindindo assim da noção de sujeito.

Transformação única de Entradas em Saídas,
ou Processamento de informaƧƵes
propriedade emergente FLUXO

1.  Permanência: no caminho da Construção da representação, em uma formulação irreversível.

Veja agora emĀ Funcionamento das operaƧƵes…Ā a animação sob o tĆ­tulo Diante do objeto. A operação modelada Ć© de formulação da representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Ao final dessa operação passa a existir a representação, ou o projeto, do objeto antes indisponĆ­vel para eventual operação de troca. E esse objeto, com o fim dessa operação com sucesso, estĆ” resolvido (seu projeto foi executado) mas ainda estĆ” indisponĆ­vel. Para que ele esteja disponĆ­vel serĆ” necessĆ”rio o desencadeamento da etapa de instanciamento dessa representação recĆ©m criada. EntĆ£o, a aposta Ć© que essa representação permaneƧa em um repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆ­ngua, de onde serĆ” selecionado para essa ulterior operação de instanciamento.

  • O tipo de pensamento utilizado tem desta vez a possibilidade de fundar as sĆ­nteses [do objeto das operaƧƵes] no espaƧo da representação.
  • Essa possibilidade arrasta o ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ paraĀ antes do ponto de cruzamentoĀ entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido em uma operação de troca, ou para o ponto em que pelo menos um dos objetos envolvidos na operação de troca nĆ£o estĆ” disponĆ­vel;
    • valor carregado pela proposição para a representação tem origem fora da representação e da linguagem:
      • nasĀ designaƧƵes primitivas;
      • naĀ linguagem de açãoĀ ou de uso.
  • A operação transcorre no, ā€˜ interior do ā€˜Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico: ā€œAssim como a Ordem no pensamento clĆ”ssico nĆ£o era a harmonia visĆ­vel das coisas, seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados, mas o espaƧo próprio de seu ser e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabelecia no saber, assim tambĆ©m a História, a partir do sĆ©culo XIX, define o lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico, lugar onde, aquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele assume o ser que lhe Ć© próprio.ā€
  • História, nesse tipo de operação Ć© o ā€œmodo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elas sĆ£o afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.ā€
  • O tipo de propriedades consideradas na modelagem de operaƧƵes Ć© propriedades sim-originais e sim-constitutivas do objeto da operação, exatamente aquele objeto que falta para compor uma operação de troca.
  • O elemento central deste modelo de operaƧƵes agora Ć© a Forma de produção, em um sistema absoluto no qual ā€œaquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele [o objeto da operação, aquele que falta para compor a operação de troca] assume o ser que lhe Ć© próprio.
  • Nesse modelo de operaƧƵes a representação (projeto) daquele objeto que faltava para eventual operação de troca Ć© construĆ­da e dessa construção de nova representação surgem as propriedades sim-originais e sim-constitutivas que descrevem essa representação construĆ­da.

Propriedade emergente PERMANÊNCiA
no caminho da Construção da representação
metÔfora adequada Conversão

B.    Modelos de operações sob o pensamento moderno, depois de 1825

 2.  Fluxo: no caminho do Instanciamento da representação:

A propriedade emergente volta a ser Fluxo, no caminho do Instanciamento da representação.

A representação objeto da operação de instanciamento é recuperada do Repositório no estado em que ela se encontrava quando foi adicionada a ele.

A empiricidade objeto serĆ” instanciada nesse estado em que foi recuperada; assim, o ‘modo de ser fundamental’ dessa empiricidade objeto da operação de instanciamento nĆ£o muda.

Processos, atividades, etc. que compõem os elementos de suporte na experiência da Forma de produção são desencadeados, e hÔ fluxos vÔrios, que são mostrados na pÔgina indicada.

A metƔfora adequada Ơs operaƧƵes
no caminho do Instanciamento da representação
propriedade emergente novmente FLUXO

Ā 

Veja a seguir os pontos:

  • Temos um samba de uma nota só (com trĆŖs ritmos):
    • unanimidades pelo uso dos conceitos:

Mercado‘, ‘Processo‘, ‘Riquezas;

  • quando poderĆ­amos ter uma sinfonia
    • eliminando a unanimidade pelo nĆ£o uso dos conceitos:

Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico‘, ‘Forma de produção‘ e ‘AnĆ”lise da produção‘;

As unanimidades nos conceitos, pelo seu uso, e pelo não uso:

  • ā€˜Mercado’, ā€˜Processo’, ā€˜Riquezas’ conceitos de antes da descontinuidade epistemológica e portanto na idade clĆ”ssica, sĆ£o campeƵes de unanimidade pelo uso;
  • e os correspondentes conceitos do após a descontinuidade epistemológica e portanto da nossa modernidade no pensamento, campeƵes absolutos pelo nĆ£o-uso: ā€˜Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’, ā€˜Forma de produção’, ā€˜AnĆ”lise da produção unĆ¢nimes pelo nĆ£o uso.

“Assim como a Ordem no pensamento clĆ”ssico
não era a harmonia visível das coisas, seu ajustamento,
sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico,
lugar onde, aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe Ć© próprio.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história

Mercado é o lugar onde ocorrem as trocas; Foucault chama isso de Circuito das trocas, e nós chamamos de Mercado.

Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico Ć© o lugar onde, “aquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele [as coisas empĆ­ricas] assume o ser que lhe Ć© próprio”.

Veja o modelo de operaƧƵes – de produção e outras – sob o pensamento moderno, e note que ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico‘ Ć© um lugar, mesmo, e nĆ£o o uso de ‘lugar’ como um cacoete retórico.

Ɖ um lugar onde as empiricidades objeto de operaƧƵes tĆŖm alterado o seu ‘modo de ser fundamental‘, definido por Michel Foucault como o elemento ordenador da história sob o pensamento filosófico moderno.

modo de ser fundamental de uma empiricidade Ć© aquilo a partir do que ela pode ser “afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆ­veis.” Cartilha; Cap. 7 – Os limites da representação; tópico I. A idade da história.

Os detalhes estão a seguir:

ā€œCertamente, para Ricardo como para Smith,Ā 
o trabalho pode realmenteĀ 
medir a equivalĆŖncia das mercadorias que passam pelo circuito das trocas:ā€

ā€œNa infĆ¢ncia das sociedades,Ā 
o valor permutÔvel das coisas 
ou a regra que fixa a quantidade que se deve darĀ 
de um objeto por outroĀ 
só depende da quantidade comparativa de trabalho 
que foi empregada na produção de cada um deles.ā€Ā 

A diferenƧa, porƩm, entre Smith e Ricardo estƔ no seguinte:

  • para o primeiro, o trabalho, porque analisĆ”vel em jornadas de subsistĆŖncia, pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias (de que fazem parte os próprios bens necessĆ”rios Ć  subsistĆŖncia);
  • para o segundo, a quantidade de trabalho permite fixar o valor de uma coisa,
    • Ā nĆ£o apenas porque este seja representĆ”velĀ  em unidades de trabalho,
    • mas primeiro e fundamentalmente porque
      o trabalho como atividade de produção
      Ć© a fonte de todo valor”.

JÔ não pode este ser definido, como na idade clÔssica, partir do sistema total de equivalências e da capacidade que podem ter as mercadorias de se representarem umas às outras. 

O valor deixou de ser signo, tomou-se um produto.Ā 
Se as coisas valem tanto quanto o trabalho que a elas se consagrou,Ā 
ou se, pelo menos, seu valor estÔ em proporção a esse trabalho, 
não é porque o trabalho seja um valor fixo, constante 
e permutÔvel sob todos os céus e em todos os tempos, 
mas sim porque todo valor, qualquer que seja, extrai sua origem do trabalho.Ā 
E a melhor prova disso estĆ” em que o valor das coisasĀ 
aumenta com a quantidade de trabalho que lhes temos de consagrar se as quisermos produzir; porém não muda com o aumento ou baixa dos salÔrios 
pelos quais o trabalho se troca como qualquer outra mercadoria.ā€

Circulando nos mercados, trocando-se uns por outros,Ā 
os valores realmente têm ainda um poder de representação. 
Extraem esse poder, porĆ©m, de outra parte –Ā 
desse trabalho mais primitivo e radical do que toda representação 
e que, portanto, não pode definir-se pela troca.

Enquanto no pensamento clÔssico 
o comércio e a troca 
servem de base insuperÔvel para a anÔlise das riquezas 
(e isso mesmo ainda em Adam Smith,Ā 
para quem a divisão do trabalho é comandada pelos critérios da permuta),

desde Ricardo,Ā 
a possibilidade da troca estĆ” assentada no trabalho;Ā 
e a teoria da produção, doravante, 
deverÔ sempre preceder a da circulação.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā 
Cap. 8 Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo

Processo é o elemento central daquele tipo de operações que o mais que fazem é assinalar a coexistência de duas representações aceitando sua existência prévia, e tomando como bons os valores a elas carregados pelas proposições em uma linguagem que lê operações como fenÓmeno, a partir da disponibilidade dos dois objetos envolvidos na troca.

Para modelar esse tipo de operação a estrutura Input-Output é mais do que suficiente; e a natureza das operações é uma contabilidade focalizada na região do espaço onde a operação transcorre, tomando conta do que entra, do que sai, do que permanece dentro ou nem entra nem sai. Nada a ver com o homem, ou com qualquer objeto definido por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

Qualquer coisa para a qual for possĆ­vel estabelecer uma relação de anterioridade ou simultaneidade com relação Ć  regiĆ£o onde ocorre a operação serve como Entrada, ou como SaĆ­da. E essa relação pode ser estabelecida por meio de uma propriedade nĆ£o-original e nĆ£o-constitutiva, ou uma ā€œaparĆŖnciaā€. Propriedades sim-originais e sim-constitutivas nĆ£o sĆ£o utilizadas.

Veja aqui duas coisas:

ā€œA Ćŗnica coisa que o verbo afirmaĀ 
é a coexistência de duas representações: 
por exemplo, a do verde e da Ôrvore, 
a do homem e da existĆŖncia ou da morte;Ā 
Ć© por isso que o tempo dos verbosĀ 
não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, 
mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.ā€Ā As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā  A teoria do verbo

para certificar-se de que esse conceito acima corresponde realmente ao pensamento na idade clĆ”ssica, veja na pĆ”gina sobre o funcionamento das operaƧƵes, as animaƧƵes sobre o tempo nos dois perĆ­odos, e associe o tempo ‘calendĆ”rio’ Ć  parte do excerto acima sobre o tempo dos verbos.Ā 

“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;Ā 
tampouco filologia.Ā 
Mas sim uma história natural, uma gramÔtica geral. 
Do mesmo modo, não hÔ economia política 
porque, na ordem do saber,Ā 
a produção não existe. 
Em contrapartida, existe, nos séculos XVII e XVIII, 
uma noção que nos permaneceu familiar, 
embora tenha perdido para nós sua precisão essencial. 
Nem Ć© de ā€œnoçãoā€ que se deveria falar a seu respeito,Ā 
pois não tem lugar no interior de um jogo de conceitos econÓmicos 
que ela deslocaria levemente, confiscando um pouco de seu sentido ou corroendo sua extensão. Trata-se antes de um domínio geral: 
de uma camada bastante coerente e muito bem estratificada,Ā 
que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,Ā 
as noções de valor, de preço, de comércio, de circulação, de renda, de interesse.

Esse domĆ­nio,Ā 
solo e objeto da ā€œeconomiaā€ na idade clĆ”ssica,Ā 
Ć© o daĀ riqueza.

Inútil colocar-lhe questões vindas de uma economia de tipo diferente, 
organizada, por exemplo, em torno da produção ou do trabalho;
inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitosĀ 
(mesmo e sobretudo se seus nomes em seguida se perpetuaram,Ā 
com alguma analogia de sentido),Ā 
sem levar em conta o sistema em que assumem sua positividade.”Ā 

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā 
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas

Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noções, para respectivamente cada período histórico em nossa cultura, o padrão é ficar com a anÔlise de valor do pensamento filosófico anterior, o clÔssico, de antes de 1775.

Ā 

Veja novamente a animação central sob o tĆ­tulo ā€˜Diante do objeto’ na pĆ”gina

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775-1825

Toda essa operação acontece no Lugar do nascimento do que é empírico, no caminho da Construção de representação nova. A operação vê o fenÓmeno a partir de um ponto de inserção do início de leitura da operação antes da disponibilidade do objeto cuja representação estÔ em desenvolvimento e que, futuramente, poderÔ ser levada ao circuito das trocas.

O Lugar de nascimento do que Ʃ empƭrico compreende dois sub-espaƧos:

  • o Lugar desde onde se fala, no interior do domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua;
  • e o Lugar do falado, no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação.

Ɖ parte da preparação para receber os resultados da articulação do pensamento com o impensado, encaminhando o resultado para o espaƧo das representaƧƵes, no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação.

Ɖ assim que funciona o Princƭpio Dual de trabalho de David Ricardo.

A Forma de produção é o elemento central das operações sob o pensamento moderno. Nessa posição, a forma de produção tem também a natureza de um verbo, mas em um conceito totalmente diferente, que transcrevo abaixo:

ā€œĆ‰ preciso, portanto,Ā 
tratar esse verbo como um ser misto,Ā 
ao mesmo tempoĀ 
palavra entre as palavras,Ā 
preso Ć s mesmas regras,Ā 
obedecendo como elas às leis de regência e de concordância; 
eĀ depois,Ā 
em recuo em relação a elas todas, 
numa região que não é aquela do falado 
mas aquela donde se fala.Ā 
Ele estĆ” na orla do discurso,Ā 
na juntura entre aquilo que Ć© ditoĀ 
e aquilo que se diz,Ā 
exatamente lĆ” onde os signosĀ 
estĆ£o em via de se tomar linguagem.ā€Ā 
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā  A teoria do verbo

Veja agora que esse verbo estĆ” postado na regiĆ£o ‘desde onde se fala’, um sub-espaƧo do ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆ­rico’, e no interior do domĆ­nio do Pensamento e da LĆ­ngua, onde a articulação com o impensado pode ter inĆ­cio para uma representação ainda nĆ£o existente, – e nĆ£o na regiĆ£o do falado, esta no interior do domĆ­nio do Discurso e da Representação. Foucault Ć© preciso a esse respeito: ‘Ele estĆ” na orla do discurso, na juntura…’

Veja a pƔgina

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho: o de Adam Smith e o de David Ricardo, de 1817

Nessa mesma pÔgina, mais embaixo, veja Comparações entre os dois princípios de trabalho, e a importância do princípio de trabalho de David Ricardo, segundo Michel Foucault.

A animação central da pĆ”gina Funcionamento… com o tĆ­tulo ā€˜Diante do objeto’ descreve a operação de construção de uma representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Trata-se daquele objeto ainda indisponĆ­vel em uma operação de troca jĆ” descrito nas duas possibilidades de leitura… etc.

Veja logo acima o item II.8.a.i especialmente o trecho:

  • para o segundo, a quantidade de trabalho permite fixar o valor de uma coisa,
    não apenas porque este seja representÔvel em unidades de trabalho,
    mas primeiro e fundamentalmente
    porque o trabalho como atividade de produção
    Ć© ā€œa fonte de todo valorā€.

Tudo o que estĆ” representado na pĆ”gina Funcionamento… na animação central ā€˜Diante do objeto’ estĆ” completamente fora do pensamento que pensa operaƧƵes no cruzamento do que Ć© dado e o que Ć© recebido.

Toda a operação que acontece no caminho da Construção da representação estÔ fora do modo como operações são vistas como fenÓmeno.

Mesmo quando diante de um modelo descritivo da produção que considere a Construção de representação, o analista supõe que se trata de um modelo que reza pela cartilha anterior, e segue pensando do modo como sempre pensou.

O pensamento clÔssico, aquele que dispunha da História natural, da AnÔlise das riquezas e da GramÔtica geral, fazia a AnÔlise das riquezas.

O pensamento moderno efetua em seu lugar, a AnÔlise da produção, o que implica na inclusão do que acontece no caminho da Construção da representação nova para a empiricidade objeto. Como esse pensamento não é considerado em suas diferenças com relação ao clÔssico, a AnÔlise da produção acaba sendo feita meio que sem consistência no pensamento.

  • modelos com estruturaĀ clĆ”ssica
    • o modelo descritivo de operaƧƵes de produção de Elwood S. Buffa;
    • o Diagrama FEPSC(SIPOC)/Six Sigma;
    • os modelos na visĆ£o contĆ”bil-financeira:
      • de operaƧƵes (DĆ©bito/CrĆ©dito)
      • e de organização (Ativo – Passivo – Resultados) ;

  • modelos com estruturaĀ moderna
    • o modelo descritivo de operaƧƵes de produção do Kanban;
    • o modelo expresso na Figura 7.1 – mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, do livro Reengenharia, de Michael Hammer;

  • modelos com estrutura moderna
    • o triedro dos saberes;
    • o espaƧo interior do triedro;
    • o uso dos pares de modelos constituintes, inclusive fora do domĆ­nio próprio.

Tópico V. PsicanĆ”lise e etnologia, do Cap. 10 – As ciĆŖncias humanas,
do livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas

Um exercĆ­cio de uso do modelo composto caracterĆ­stico das ciĆŖncias humanas,
uma combinação dos pares constituintes das ciências 

  • da Vida (Biologia) [função-norma];Ā 
  • do Trabalho (Economia) [função-norma];Ā 
  • da Linguagem (Filologia) [significação-sistema]

além do conhecimento do papel dessas duas ciências em nossa cultura.

“A psicanĆ”lise e a etnologia ocupam, no nosso saber, um lugar privilegiado.Ā 

NĆ£o certamenteĀ 

  • porque teriam, melhor que qualquer outra ciĆŖncia humana, embasado sua positividade e realizado enfim o velho projeto de serem verdadeiramente cientĆ­ficas;Ā 

antes porque,Ā 

  • nos confins de todos os conhecimentos sobre o homem, elas formam seguramente um tesouro inesgotĆ”vel de experiĆŖncias e de conceitos, mas, sobretudo, um perpĆ©tuo princĆ­pio de inquietude, de questionamento, de crĆ­tica e de contestação daquilo que, por outro lado, pĆ“de parecer adquirido.Ā 

Ora, hÔ para isto uma razão que tem a ver com o objeto que respectivamente cada uma se atribui, mas tem mais ainda a ver com a posição que ocupam e com a função que exercem no espaço geral da epistémê. 

A psicanÔlise, com efeito, mantém-se o mais próximo possível desta função crítica acerca da qual se viu que era interior a todas as ciências humanas.

Dando-se por tarefa fazer falar através da consciência o discurso do inconsciente, 

a psicanÔlise avança na direção desta região fundamental onde se travam as relações entre a representação e a finitude. 

EnquantoĀ todas as ciĆŖncias humanas

  • Ā só se dirigem ao inconsciente virando-lhe as costas, esperando que ele se desvele Ć  medida que se faz, como que por recuos, a anĆ”lise da consciĆŖncia,Ā 

jÔ a psicanÔlise 

  • aponta diretamente para ele, de propósito deliberado –Ā 
    • nĆ£o em direção ao que deve explicitar-se pouco a pouco na iluminação progressiva do implĆ­cito,Ā 
    • mas em direção ao que estĆ” aĆ­ e se furta, que existe com a solidez muda de uma coisa, de um texto fechado sobre si mesmo, ou de uma lacuna branca num texto visĆ­vel e que assim se defende.Ā 

Não hÔ que supor que o empenho freudiano seja o componente de uma interpretação do sentido e de uma dinâmica da resistência ou da barreira; 

  • seguindo o mesmo caminho que as ciĆŖncias humanas,Ā 

mas com o olhar voltado em sentido contrÔrio, 

  • a psicanĆ”lise se encaminhaĀ 

em direção ao momento –inacessĆ­vel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem, a toda apreensĆ£o contĆ­nua em termosĀ 

        • de significação,Ā 
        • de conflitoĀ 
        • ou de função

– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.Ā 

Isto quer dizer que,Ā 

  • ao contrĆ”rio das ciĆŖncias humanas que,Ā 
    • retrocedendo embora em direção ao inconsciente,Ā 
      • permanecem sempre no espaƧo do representĆ”vel,Ā 
  • a psicanĆ”liseĀ 
    • avanƧa para transpor a representação,Ā extravasĆ”-la do lado da finitude
    • e fazer assim surgir, lĆ” onde se esperavamĀ 
      • as funƧƵes portadoras de suas normas,Ā 
      • os conflitos carregados de regrasĀ 
      • e as significaƧƵes formando sistema,Ā 
    • o fato nu de que pode haverĀ 
      • sistema (portanto, significação),Ā 
      • regra (portanto, oposição),Ā 
      • norma (portanto, função).Ā 

E, nessa região onde a representação fica em suspenso, à margem dela mesma, aberta, de certo modo ao fechamento da finitude, desenham-se as três figuras pelas quais 

  • a vida, com suas funƧƵes e suas normas, vem fundar-se na repetição muda da Morte,Ā 
  • os conflitos e as regras, na abertura desnudada do Desejo,Ā 
  • as significaƧƵes e os sistemas, numa linguagem que Ć© ao mesmo tempo Lei. “

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. X – As ciĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise, etnologia 

A figura da VisĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica parte de duas ideias:

  • a ideia de que cada objeto demanda operação especĆ­fica para ele;
  • a ideia de que nĆ£o Ć© possĆ­vel a obtenção de um objeto (produto) sem dispor de um instrumento (laboratório, Ć”rea de desenvolvimento, fĆ”brica). Claramente nĆ£o temos acesso Ć  Varinha MĆ”gica de condĆ£o de Merlin, o Mago, instrumento habil para instanciar qualquer objeto.
    • pensar na obtenção do objeto sem o respectivo instrumento Ć© semelhante a pensar magicamente;
    • o pensamento conjunto dos dois objetos, o produto e a fĆ”brica, reduz a qualidade dos modelos de operaƧƵes;
    • a VisĆ£o SSS permite a modelagem do Nexo da produção.

Essa ideia estƔ embutida na Figura 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, basta analisar tendo em mente as condiƧƵes de possibilidade no pensamento daquela figura.

Veja tambƩm



  • Sistema Formulador – uma alteração no modelo de dados clĆ”ssico de um SDGP – Sistema Dedicado Ć  GestĆ£o de Projetos  – como o MS Project 4.0 por exemplo, fazendo com que ele passe a funcionar a partir de banco de dados 9com a linguagem de uso) e com um modelo sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto que se pretende concretizar.

Partindo dos dois obstĆ”culos, ou as duas pedras de tropeƧo que Foucault declara ter encontrado em seu trabalho, traƧamos – usando apenas interpretação de texto – um espectro de produƧƵes do pensamento, teorias, modelos e sistemas, com trĆŖs segmentos: AQUƉM, DIANTE e para ALƉM do objeto.

Da forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura no depois da descontinuidade epistemológica, vemos que o pensamento funciona organizado em torno do par sujeito-objeto. Mudando o objeto, muda a operação que pode ou não ser conduzida por um sujeito diferente, mas com um sujeito a conduzi-la.

Aplicando esse elemento organizador par sujeito-objeto às operações em organizações, vê-se que jÔ existem operações e organizações organizadas com esse critério: o modelo descritivo da produção do Kanban, e a Fig. 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, do livro Reengenharia, são exemplos.

Se examinamos mais de perto este Ćŗltimo exemplo, veremos que hĆ” dois pares sujeito-objeto incluĆ­dos nesse mapa – segundo Hammer, de ‘processos’ (ele nĆ£o conseguiu se livrar dessa unanimidade mesmo mapeando claramente Formas de produção e nĆ£o processos.

A VisĆ£o SSS resume-se a respeitar a relação um objeto – um modelo de operaƧƵes. E isso leva a uma organização SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica que torna evidente o nexo da produção.

  • a) Canal Inconsciente Coletivo, vĆ­deo Jorge Forbes: estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos, de 28/07/2020;

  • b) Canal Falando Nisso, vĆ­deo 150 – Signo, significação e significado de 08/10/2017;

  • c) Canal Falando, Nisso vĆ­deo 254 – Neoliberalismo e sofrimento, de 31/08/2019;

  • d) Canal Quem Somos Nós? – vĆ­deo Desigualdade: Concentração de renda com Eduardo Moreira;

  • e) Canal Monica de Bolle, vĆ­deo 31 – Imaginando o “Novo Normal”;

  • f) Canal Monica de Bolle, vĆ­deo 32 – O “Novo Normal”: Bens PĆŗblicos”;

  • g) Canal Inconsciente Coletivo – vĆ­deo Ivaldo Bertazzo, que testou positivo para o Covid-19: “o grande problema do corpo Ć© o medo”, de 12/08/2020.

Os pontos comentados são os seguintes:

  • Introdução do vĆ­deo: ‘O mundo de hoje Ć© parecido com o de ontem, apenas na fotografia!’
  • Direcionamento do pensamento: ao intangĆ­vel, ou ao impensado?Ā 
  • Relação com o intangĆ­vel
  • Jorge Forbes: Entrevista ao canal Inconsciente coletivo em 28/07/2020: “estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos”
  • O incĆ“modo de Jorge Forbes com a noção de ‘norma’ e o modelo composto padrĆ£o e genĆ©rico, constituinte das ciĆŖncias humanas em geral, todas elas, proposto por Michel Foucault.Ā 
  • Sobre as qualidades de terra1 e terra2 (rótulos dispensĆ”veis se significar pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775, e pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825, segundo Michel Foucault.Ā 
  • Freud explica ⇒ Freud implica: uma frase de efeito que depende de qual seja a configuração do pensamento sob a qual Ć© proferida;Ā 

Meus comentƔrios usando o pensamento de Michel Foucault:

Veja também 

ReflexƵes imaginativas >

O fenÓmeno das operações; o tempo, uma Anatomia ou Cartografia dos modelos; MetÔforas adequadas para modelos de operações; Propriedades emergentes em função das configurações do pensamento >

As paletas de ideias, e respectivos elementos de imagem, necessƔrias para cada operacionalidade

Claramente a determinação ou não dessa parecença depende do modo como você olha para a fotografia, ou seja, com que recursos de pensamento faz isso. E o que procura na fotografia, com o seu olhar.

Ivaldo Bertazzo ensina que a gente olha e ouve o que nos chega do mundo sempre de acordo com o mesmo padrão.

E hÔ mais do que um padrão que pode ser usado para absorver o que nos chega do mundo.

Michel Foucault, olhando para o estado em que ele percebia encontrar-se a nossa cultura, e adotando a estratégia de questionar não diretamente as teorias, modelos e sistemas mas as condições de possibilidade destes no pensamento, viu modelos com e modelos sem a possibilidade de fundar as sínteses (da empiricidade objeto do pensamento) no espaço da representação. Ele estava questionando as condições de possibilidade do pensamento, evidentemente.

E ele foi alĆ©m disso: viu o imperativo de que todo o campo das ciĆŖncias humanas fosse configurado tendo como pressuposto a constituição do que ele chama de os ‘quase-transcendentais’ Vida, Trabalho e Linguagem, podendo entĆ£o identificar um modelo composto padrĆ£o e genĆ©rico para todas as ciĆŖncias humanas nesse espaƧo, a partir de modelos constituintes das trĆŖs ciĆŖncias do eixo epistemológico fundamental, as ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma], do Trabalho (Economia polĆ­tica) [conflito-regra] e da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].Ā 

Vê-se que dessa percepção de Foucault é possível vislumbrar um espectro de modelos em nossa cultura. Esse espectro tem três segmentos:

AQUƉM, DIANTE e para ALƉM do objeto (e do sujeito)

Pouca gente vĆŖ isso, mas vocĆŖ pode ver adiante neste trabalho.

Mas, olhando para a fotografia de hoje com os padrões que usamos ontem e desde sempre, fica estabelecida uma semelhança pela intermediação do padrão utilizado. Se é o padrão de sempre, as diferenças porventura existentes, causadoras de diferenciações, mas aparentes somente sob outro padrão, não aparecem.

Sempre é necessÔrio percebermos quais são os critérios dos quais se compõe o modo como olhamos para o mundo. Dependendo do que surge dessa procura daquilo que integra nossos padrões, pode ser que percebamos que ocorreram, sim, mudanças que nos passaram despercebidas; e mudanças de tal monta que sim, foram revoluções, mas localizadas no passado, e hoje jÔ distante.

Mas que a gente possa manter um savoir faire – um saber fazer, numa relação da harmonia do homem agora nĆ£o mais com a natureza, nĆ£o mais com os deuses, nĆ£o mais com a razĆ£o, mas com o intangĆ­vel. EntĆ£o, nesse intangĆ­vel, isso me leva a pensar numa Ć©tica – em dois tempos para cada um – de inventar uma surresposta singular da sua intangibilidade, e de colocĆ”-la no mundo (que Ć© o que faz o artista); nĆ£o Ć©? um Van Gogh vĆŖ um girassol que só ele viu – ele inventou um girassol – e inscreveu esse girassol no mundo.

Esse ‘savoir faire’ parece-me que seja a boa e antiga de dois sĆ©culos ‘Forma de produção’ de David Ricardo

Desde logo esse ‘savoir faire‘ Ć© interessante porque me dĆ” a oportunidade de, ao invĆ©s da tradução óbvia ‘saber fazer‘, optar por traduzir essa ideia como ‘forma de produção‘ como a maneira encontrada para fazer aquilo que sei fazer; e se fizer isso guiado pela ideia por trĆ”s do nome, estarei usando justamente o nome dado por David Ricardo, em 1817, para o elemento central do seu modelo de operaƧƵes que, segundo Foucault, ele publicou com o nome de PrincĆ­pio Dual de Trabalho (e Ć© interessante descobrir por que esse ‘dual’ no nome do principio.

O pensamento bem frequentemente consegue dar conta do ‘impensado’, mas ao contrĆ”rio, o ‘intangĆ­vel’ permanece tal e qual na maioria das vezes.

Desde logo, estabelecer um saber fazer voltado ao intangĆ­vel – o que quer que essa palavra signifique neste contexto – Ć© organizar “a relação da harmonia do homem nĆ£o mais com a natureza, os deuses, a razĆ£o”, mas levando em conta, agora, o objeto, um objeto definido como ‘intangĆ­vel’, aquela coisa que nĆ£o se pode tocar, parece que seja um grande passo adiante. 

Veja que toda a mecĆ¢nica celeste funciona perfeitamente e artefatos sĆ£o colocados em órbita e chegam sem acidentes a outros planetas, e em sua grande maioria todos permanecem intangĆ­veis – no sentido original da palavra ‘intocĆ”veis’ – depois de estudados. Mas todos deixam de ser impensados. E graƧas a um pensamento organizado pelo par sujeito-objeto.

Pensando em um buraco negro, e nas teorias da relatividade que ajudam a compreendĆŖ-los, nĆ£o se pode dizer que eles, buracos negros – e outros entes cósmicos – de alguma forma possam tornar-se tangĆ­veis. Mas a ciĆŖncia os converte de ‘impensados’ cada vez mais em ‘pensados’. E essa conversĆ£o faz mais sentido do que a proposta por Forbes de intangĆ­veis para tangĆ­veis. AtĆ© mesmo no caso do Sars Cov-2.

Seja com ‘intangĆ­vel’ seja com ‘impensado’, mas o pensamento proposto Ć© voltado para o objeto, o que jĆ” Ć© um grande passo”

Mas, porĆ©m, todavia, contudo, o direcionamento do pensamento para o que seja ‘intangĆ­vel’ jĆ” requer uma alteração radical na configuração do próprio pensamento: para um pensamento definido com relação a um determinado objeto, – embora um objeto genĆ©rico; isso porque exige um pensamento sim-discriminativo com relação ao objeto escolhido e seus elementos componentes, em contraposição a um pensamento indefinido porque nĆ£o-discriminativo com relação a qualquer objeto como Ć© (sim, Ć©, porque ainda agora, muito usado entre nós) o pensamento terra1 – como diz Forbes, voltado aos transcendentais natureza, deuses, razĆ£o.

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura desde o início do século XIX

Na filosofia de Michel Foucault, pensando em David Ricardo na economia polĆ­tica, Franz Bopp na Filologia, Georges Cuvier na Biologia, o pensamento volta-se para o impensado em vez de para o intangĆ­vel.

Instaura-se
uma forma de reflexĆ£o, 

bastante afastada 
do cartesianismo 
e da anĆ”lise kantiana, 
em que estĆ” em questĆ£o, 
pela primeira vez, 
o ser do homem, 
nessa dimensĆ£o segundo a qual 
o pensamento 
se dirige ao impensado 
e com ele se articula. 

Isso tem duas conseqüências.”

 (…) 

“A outra consequĆŖncia Ć© positiva. 
Concerne Ć  relação 
do homem 
com o impensado, 
ou mais exatamente, 
ao seu aparecimento gĆŖmeo 
na cultura ocidental.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 9 – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado

Veja a forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura quando mudança como essa foi realizada:

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault

Essa mudanƧa no modo de organização do pensamento aconteceu, segundo Foucault, entre 1775 e 1825, nos cinquenta anos centrados na virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX (vinte e cinto anos para cada lado). Grosso modo hĆ” dois sĆ©culos; mudanƧa bem mais recente do que os 28 sĆ©culos atrĆ”s em que  Forbes posiciona o evento marcador antecedente da revolução que aponta tambĆ©m nos laƧos sociais.

A mudança em decorrência dessa forma de reflexão

Trata-se de uma mudanƧa com a seguinte natureza:

  • de operaƧƵes organizadas por uma (ou pode ser mais de uma) Ordem(ns) arbitrariamente escolhida(s) nas quais o homem era tratado como um gĆŖnero, ou uma espĆ©cie integrando uma das categorias do sistema de categorias clĆ”ssico; 
  • para operaƧƵes organizadas pelo par sujeito-objeto em uma ordem Ćŗnica dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆ­ngua, usando o bloco padrĆ£o construtivo genĆ©rico para construção de representaƧƵes proposição. 

A primeira consequĆŖncia evidente Ć© que nĆ£o Ć© mais possĆ­vel modelar operaƧƵes, empresariais ou outras, usando a metĆ”fora da transformação Ćŗnica de Entradas ā‡’ SaĆ­das ou do processamento de informaƧƵes sobre a estrutura Input-Output cujo sistema Ć© relativo, de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si. Veja que o elemento central desse modelo, Processo, tem a natureza de um verbo, e note que hĆ” dois conceitos para o que seja um verbo, e esse de um sistema relativo, etc. etc. Ć© o primeiro que transcrevo a seguir.

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma, Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes; por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte. Ɖ por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias  humanas; Cap. 4 – Falar; tópico III. A teoria do verbo 

A segunda consequência é que partindo do conhecimento de que usualmente operações são modeladas sobre a estrutura Input-Output, e isso não é mais adequado, é preciso encontrar um outro padrão, um outro modelo. Isso é necessÔrio para que operações em organizações reais sejam modeladas convenientemente.

E esse outro modelo Ć© consistente nĆ£o mais com o pensamento de Adam Smith (Processo, estrutura Input-Output) mas sobre o pensamento de David Ricardo e seu Principio Dual de Trabalho, cujo elemento central Ć© o ‘savoir faire’ ou a forma de fazer, com o nome de Forma de produção.

Veja as seguintes pƔginas, comparando:

Modelos construĆ­dos dentro desse padrĆ£o: 

Veja, o que gera uma vacina para o Sars-Cov-2 é uma operação na qual o pensamento do cientista que, tendo em vista os aspectos ainda impensados, porque não pensados, desse vírus, desencadeia uma operação no seguinte formato:

  • coloca-se como sujeito de uma operação cientĆ­fica na qual
  • o vĆ­rus Ć© o atributo do predicado do cientista sujeito dessa operação, e assim Ć© o objeto da operação da ciĆŖncia,
    • que funciona Ć  luz do que se sabe sobre vacinas
    • e sobre sistema imunológico humano, entre outros saberes.

Essa operação cientĆ­fica considera entre outras coisas o que a ciĆŖncia sabe sobre vĆ­rus em geral e o Sars-Cov-2 em particular. 

Tangibilidade ou intangibilidade são qualidades, aparências, ou propriedades não-originais e não-constitutivas desse vírus. O impensado, ao contrÔrio, toma o objeto dessa operação de conhecimento por inteiro, mesmo que de início, não haja qualquer propriedade sejam as não-originais e não-constitutivas sejam as sim-originais e sim-constitutivas.

O interesse da ciĆŖncia Ć© pelas propriedades sim-originais e sim-constitutivas desse vĆ­rus, que sĆ£o essas que podem levar a conquistas como por exemplo, uma vacina. E encontrar esse conjunto de propriedades Ć© o que converte o impensado em representação. 

Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura no pensamento filosófico de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825,’ o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆ­vel!  

Intangível é uma qualidade de algo e não faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.

Essa forma de reflexão sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e não adjetivas, aparências, como é o intangível.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)

Ao contrÔrio do impensado, que mediante articulação feita pelo pensamento e patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaço da representação (e a vacina!), o intangível na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangível.

HĆ” uma confusĆ£o entre os vocĆ”bulos intangĆ­vel e impensado. 

Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexĆ£o em   

Os  perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo o pensamento de Michel Foucault:
e Os dois tipos de reflexão assumidos pelo pensamento

Essa forma de reflexão é consistente e estÔ na base do Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo.

Veja em imagens 

Os dois conceitos filosóficos para o que seja Trabalho, o de Adam Smith, de 1776 e o de David Ricardo, de 1817; veja também as diferenças entre esses dois conceitos, nas palavras de Michel Foucault

que ilustram essa forma de reflexão no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexão no período anterior.

Esse tĆ­tulo faz alusĆ£o a uma revolução nos laƧos sociais Ćŗnica – pelo seu tamanho, porque a maior – nos Ćŗltimos 2800 anos. E nos laƧos sociais.

Volto ao redirecionamento da ‘harmonia do homem’ desde os transcendentais natureza, deuses, razĆ£o, para o intangĆ­vel como diz Forbes. Se o argumento que fiz acima, a substituição do ‘intangĆ­vel‘ pelo ‘impensado‘ for aceito – ao menos para efeito deste texto, essa revolução a que o tĆ­tulo alude jĆ” ocorreu, e hĆ” exatos 203 anos. E teve exatamente a mesma intenção, atingiu ‘os laƧos sociais’ e todas as Ć”reas do conhecimento humano. E mais, marcou a entrada de nada mais nada menos do que o homem em nossa cultura.

NĆ£o foi pouca coisa.

Esse título, com a afirmativa nele expressa, parece conter em seu significado, um descarte histórico desse evento que tem, na avaliação de Michel Foucault, o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento; e um desconhecimento do modo como se alterou ao longo do tempo o modo de ser fundamental do pensamento e suas condições de possibilidade, em nossa cultura em tempo muito mais próximo de nós que os 28 séculos. 

Gostaria que Jorge Forbes relesse sobre isso na minha Cartilha – o livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, desse autor.Ā 

Forbes alude a um movimento do pensamento que parte dos transcendentais natureza, deuses, razão e chega ao intangível.

Foucault fala de um outro movimento que identifica modelos feitos por um pensamento postado AQUƉM do objeto – referido Ć  Ordem arbitrariamente escolhida em que vige um sistema de categorias, para por um pensamento DIANTE do objeto no qual a ordem Ć© dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆ­ngua usada, e chega a um pensamento para ALƉM do objeto em que encontramos constituĆ­dos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, e nĆ£o mĆŗltiplas categorias mas trĆŖs somente: função-norma; conflito-regra, significação-sistema.Ā 

Tendo em mente especificamente a mudanƧa proposta por Forbes para um pensamento voltado a um objeto ‘intangĆ­vel’, e tendo consciĆŖncia de que isso resulta em um certo esforƧo do pensamento e alĆ©m disso, um pensamento organizado por esse objeto ‘intangĆ­vel’ escolhido, exatamente essa alteração – modelos organizados pelo objeto – aconteceu em nossa cultura em um espaƧo de tempo muito menor, pouco mais de dois sĆ©culos atrĆ”s em vez dos 28 sĆ©culos mencionados por Forbes.

Nesse meio tempo, e por falar não em revoluções mas em descontinuidades epistemológicas em nossa cultura, podemos ver esse evento em nossa cultura na pÔgina seguinte.

Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825, 

Essa mudança no pensamento exigiu uma forma de reflexão também nova. Segundo Michel Foucault, essa mudança ocorreu em um movimento do pensamento muito mais recente e importante que surgiu em momento muito mais próximo do nosso tempo. Veja essa forma de reflexão associada a uma imagem para o conceito, que torna aparentes os elementos de imagem utilizados, a estrutura que ocupam e os relacionamentos que estabelecem.

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault

E os efeitos de tal movimentação das positividades umas em relação às outras pode ser constatado nas produções do pensamento efetivamente feitas e utilizadas em teorias, modelos e sistemas existentes e muito utilizados. Essa mudança não ficou apenas no pensamento teórico mas atingiu a prÔtica, embora não tenha sido avaliada de maneira alinhada com o pensamento filosófico.

A pƔgina a seguir mostra:

  • os dois perfis do pensamento antes e depois desse evento segundo Foucault fundador da nossa modernidade no pensamentoĀ  expressos por suas caracterĆ­sticas de caracterĆ­sticas, ou pelos respectivos referenciais, princĆ­pios organizadores e mĆ©todos;
  • esses elementos nas palavras de Foucault;
  • os modelos de operaƧƵes possĆ­veis com um e outro desses perfis;
  • as grandes Ć”reas do pensamento possĆ­veis antes e depois desse evento;
  • e a Forma de reflexĆ£o que se instaura depois desse evento

Os perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo Michel Foucault; (…) Os dois tipos de reflexĆ£o assumidos pelo pensamento (…) a Forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura

Esse tĆ­tulo do vĆ­deo da entrevista de Jorge Forbes imediatamente me lembra do movimento Reengenharia, e da capa do livro de mesmo nome de Michael Hammer ā€œā€“ EsqueƧa o que vocĆŖ sabe sobre como as empresas devem funcionar: quase tudo estĆ” erradoā€ trombeteava ele. Seja em Hammer, ou em Forbes, nos dois casos havia e hĆ”, a denĆŗncia, como se atual fosse, de uma revolução jĆ” ocorrida em passado nem tĆ£o remoto. Em termos históricos, foi ontem.

A Cartilha mostra como e por que isso Ć© verdade.

Se estou entendendo o que ele chama de ā€˜Ć©poca anterior’, ou terra1 isso jĆ” tem um nome: idade clĆ”ssica ou pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo a Cartilha. E chamado por esse nome, suficiente, podemos prescindir do nome fantasia terra1.Ā 

Usando ā€˜pensamento filosófico clĆ”ssico’ podemos fazer o relacionamento com o modo de ser do pensamento de autores importantes desse perĆ­odo – a virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX, como Adam Smith, John Locke, Jeremy Bentham, etc. Ā E usando a contraparte ā€˜pensamento moderno’ – que possivelmente Forbes chamarĆ” de terra2 igualmente sem necessidade e com desvantagens – podemos estabelecer relaƧƵes com pensadores como David Ricardo, Franz Bopp, Georges Cuvier, Sigmund Freud, John Maynard Keynes, entre muitos outros.

ā€œMe incomoda a noção de norma no sentido de que vocĆŖ sai de um laƧo socialĀ 

estandardizado, padronizado, rígido, hierÔrquico, linear, focado, 

que são algumas das características que eu entendo da época anterior que eu chamo de terra1. 

Eu chamo de terra1 toda organização, todo laƧo social vertical – independente do que esteja, na verticalidade, no ponto da transcendĆŖncia, esteja (como esteve durante muitos sĆ©culos) primeiro a natureza, depoisĀ  os deuses, depois a razĆ£o. As transcendĆŖncias mudam mas a estrutura arquitetĆ“nica arquitetural vertical se manteve. EntĆ£o eu entendo que hĆ” uma revolução monumental neste momento, sobre 2800 anos de história, em que nós saĆ­mos de uma forma de nos comportarmos verticalmente e temos a chance de nos comportarmos horizontalmente; o que implica em que nós temos a chance de viver num laƧo social flexĆ­vel, criativo, mĆŗltiplo, responsĆ”vel, – responsĆ”vel antepƵe responsabilidade e disciplina – (…) EntĆ£o vocĆŖ tem um laƧo social de caracterĆ­sticas, como eu disse,Ā 

colaborativo, múltiplo, reticular, flexível, criativo, [responsÔvel]; 

e eu acho que o interessante quando nós sairmos dessa pandemia, é nós guardarmos um aspecto dela, que é a relação do homem com o intangível.

ā€Ā Ref. Jorge Forbes, em Estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos do canal Inconsciente coletivo.

Neste comentÔrio, faço uso, claro, do meu particular e pessoal entendimento do pensamento de Michel Foucault, e afirmo: 

1. que no que Forbes chama terra2 – (entendido como a configuração moderna do pensamento, o de depois de 1825, como aquilo que sucede e substitui, se opondo, ao pensamento ‘anterior’),Ā ‘hierarquia’ Ć© uma estrutura intrĆ­nseca e inseparĆ”vel do resultado de uma operação de construção de representação nova, porque Ć© uma estrutura ligada ao resultado (uma representação) dessa operação sempre organizada pelo par sujeito-objeto, com princĆ­pios organizadores Analogia e SucessĆ£o e com os mĆ©todos AnĆ”lise e SĆ­ntese;

e no entanto a qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆ­da ao pensamento emĀ terra1 (entendido agora como o pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775, o que Forbes chama de ‘anterior’).Ā 

Dado que no pensamento clÔssico não existem as noções de objeto (noção à qual a ideia de hierarquia estÔ ligada em um modelo de operações) e de sujeito (homem), essa qualidade atribuída a terra1 deve estar referida a outra coisa que mereça esse atributo, mas que não estÔ clara no texto, e valeria a pena esclarecer o que seja que tem essa qualidade. 

2. que o incĆ“modo de Forbes com a ‘norma’ – se aplicada a terra2 com o entendimento acima, e usando aquilo que consigo apreender do pensamento de Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’, – sugere uma simplificação em dose dupla.
Ā 
  • A primeira simplificação:Ā 

norma Ć© um dos modelo constituintes das ciĆŖncias humanas que juntamente com função, compƵe o par constituinte da ciĆŖncia da Vida, a Biologia no perĆ­odo moderno do pensamento e no segmento do espectro de modelos para ALƉM do objeto.

  • A segunda simplificação:Ā 

hÔ outros dois pares de modelos constituintes no modelo constituinte padrão, genérico para todas as ciências humanas, a saber

        • conflitoregra, o par constituinte da ciĆŖncia do Trabalho (Economia polĆ­tica); e
        • significaçãosistema, o par constituinte da ciĆŖncia da Linguagem, (Filologia).Ā 

A descrição feita por Michel Foucault desse  modelo constituinte padrão e genérico, composto dos pares constituintes das ciências que habitam a região epistemológica fundamental, e o eixo vertical do Triedro dos saberes:

        • ciĆŖncia da Vida (Biologia), par constituinte [funçãonorma];
        • ciĆŖncia do Trabalho (Economia polĆ­tica), par constituinte [conflitoregra];
        • e ciĆŖncia da Linguagem (Filologia), par constituinte [significaçãosistema],

acaba sendo quase que um manual para formulação de teorias, modelos e sistemas nesse campo, e por isso faço este comentÔrio.

Portanto este comentƔrio vai a seguir em dois pontos:

  • 1. Quanto Ć s qualidades atribuĆ­das a terra1 e terra2;Ā 

  • e 2. Quanto ao incĆ“modo com a ‘norma’

  • e ao final, o que eu chamo de um Manual (em uma animação ilustrada) para o projeto e uso de modelos no campo das ciĆŖncias humanas, usando diretamente as palavras de Michel Foucault

1. Quanto Ć s qualidades atribuĆ­das a terra1 e terra2

Note que as características tanto em terra1 quanto em terra2 são dadas no excerto acima, e nos dois casos, por qualidades dos laços sociais.

Tomando terra1 como sendo a configuração do pensamento filosófico no período clÔssico, nesse período o pensamento funciona com propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, as aparências, estas, qualidades. Para o pensamento assim configurado não existem a noção de homem como ser capaz de desempenhar uma duplicidade de papéis, e a noção de objeto.

O elenco de qualidades atribuĆ­das ao laƧo social – estandardizado, padronizado, rĆ­gido, hierĆ”rquico, linear, focado – pode ser objeto de reflexĆ£o interessante.Ā 

A qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆ­da ao pensamento terra1 que eu, aqui, presumo que se refira ao pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo Foucault.Ā 

Tomando posição em terra2, que eu presumo referir-se ao pensamento moderno, o de depois de 1825 segundo Foucault, essa qualidade ‘hierĆ”rquico’ seria dada por uma estrutura de conformação definida no objeto, uma hierarquia.

Enfatizando, no pensamento moderno os princípios organizadores de uma operação no caminho da Construção de representação nova são Analogia e Sucessão com os métodos AnÔlise e Síntese. 

Ā “De sorte que se vĆŖem surgir,Ā 
como princípios organizadores desse espaço de empiricidades, 
a Analogia e a Sucessão: 
de uma organização a outra, 
o liame, com efeito, não pode ser mais a identidade de um ou vÔrios elementos, 
mas a identidade da relação entre os elementos 
(onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel) e da função que asseguram; (…)Ā 

Cartilha; Cap. 7. Os limites da representação; tópico I. A idade da história

TomemosĀ (ainda posicionados emĀ terra2!)Ā um ‘impensado’ em Foucault ou um ‘intangĆ­vel’ em Forbes; nĆ£o existe representação para isso – ou nĆ£o seria um impensado ou um intangĆ­vel no domĆ­nio de trabalho. Por isso, se for feita a decisĆ£o de resolver essa situação de intangibilidade ou nĆ£o representatividade, esse ‘impensado’ serĆ” objeto em uma operação de construção de uma representação.Ā 

O pensamento converte o impensado em representação.

Aquilo que antes dessa operação era o ‘impensado‘ de Foucault,Ā depois dessa operação de construção de representação nova – conduzida em cada etapa pelo sujeito – nada mais serĆ” do que um pacote logicamente organizado de objetos anĆ”logos ao impensado e seus aspectos, objetos esses adotados em seu conjunto como substitutivos – dentro de certos critĆ©rios de aceitação – daquele ‘impensado’ para o qual nĆ£o havia representação no espaƧo no qual a operação acontece.Ā 

O princĆ­pio organizador do pensamento Analogia estabelece relaƧƵes de analogia das quais surgem objetos anĆ”logos ao impensado mais representĆ”veis. Usando como diz Foucault ‘a sintaxe que autoriza a construção das frases’, esse objeto anĆ”logo Ć© arrastado para o modelo de operaƧƵes construĆ­do segundo as regras da linguagem por meio de uma proposição na qual o homem Ć© sujeito, e o predicado do sujeito Ć© composto por um verbo – a forma de produção, e um atributo, o objeto anĆ”logo que acaba de ser criado na relação de analogia. Agora cada um desses objetos anĆ”logos sĆ£o testados quanto Ć s respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo em que a operação acontece. Caso necessĆ”rio, o mĆ©todo AnĆ”lise entra em cena e quebra cada objeto anĆ”logo eventualmente ainda nĆ£o representĆ”vel em outros objetos anĆ”logos mais próximos de suas respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo; e o mĆ©todo SĆ­ntese garante que o objeto anĆ”logo inicial ainda pode ser composto pelo conjunto de objetos anĆ”logos resultantes da AnĆ”lise.

AĆ­ entra o princĆ­pio organizador SucessĆ£o. Usando como diz Foucault ‘aquela sintaxe, menos manifesta, que autoriza manter juntas ao lado e em frente umas das outra, as palavras e as coisas‘, a SucessĆ£o posiciona ao lado, ou em frente uns dos outros, os objetos anĆ”logos criados em substituição ao objeto anĆ”logo nĆ£o representĆ”vel, estabelecendo entre eles relaƧƵes lógicas – de sucessĆ£o.Ā 

Você pode ver isso em uma animação nesta pÔgina, sob DIANTE do objeto. Se necessÔrio, posso dar mais detalhes sobre como isso funciona.

Nota: essa descrição do funcionamento de uma operação de construção de representação para algo antes impensado nĆ£o explica suficientemente o ‘laƧo social’, mas podemos chegar lĆ”.

Continuando. Assim, supondo que terra2 seja de fato o que eu estou pensando que Ć©, o pensamento filosófico moderno – o de depois de 1825, como diz Foucault ‘aquele [pensamento] com o qual queiramos ou nĆ£o, pensamos‘, entĆ£o, hierĆ”rquico Ć© uma qualidade intrĆ­nseca a esse tipo de pensamento, terra2, desde que entendido como referente ao objeto. Como humanos nĆ£o nos Ć© possĆ­vel construir representação para qualquer ‘impensado’ sem que o resultado seja um objeto expresso por uma representação com uma estrutura em hierarquia.

Fechando o longo parĆŖnteses, e voltando ao ponto, supondo que terra1 seja de fato o que penso que Ć©, – o pensamento filosófico clĆ”ssico.

Em assim sendo, a noção de impensado cuja representação Ć© construĆ­da pelo pensamento, nesse tipo de pensamento, nĆ£o existe. Porque nĆ£o existe a noção de objeto e tambĆ©m nĆ£o existe a noção de sujeito da operação, como o homem, que seria capaz de construir representação nova. O homem estĆ” fora da paleta de ideias no pensamento clĆ”ssico. ‘Antes do final do sĆ©culo XVIII o homem nĆ£o existe em nossa cultura. NĆ£o mais do que um gĆŖnero, ou uma espĆ©cie’ Ć© o que nos alerta Foucault.

Logo, nesse tipo de pensamento, sem a noção de objeto prima irmĆ£ da noção de hierarquia, a qualidade ‘hierĆ”rquico’ deve referir-se a outra coisa que nĆ£o o objeto. EntĆ£o o que Ć© danoso, prejudicial, e justifica mudanƧas Ć© essa outra coisa que estĆ” associada a essa qualidade ‘hierĆ”rquico’, e que vista mais de perto, nĆ£o pertence a esse pensamento.Ā 

E essa coisa não é declarada por Forbes, o que poderia gerar confusão.

Mas a palavra hierarquia é muito usada, e mesmo em terra1; as organizações foram bem ou mal se organizando e apresentando problemas. Sem atentar para que tipo de pensamento estavam usando. E aí, por diferentes razões, alguns autores passaram a demonizar a organização hierÔrquica sem dizer especificamente o que estavam demonizando. Isso sem noção de que a estrutura hierÔrquica é inerente, indissociÔvel, ao pensamento moderno, e às operações que transcorrem organizadas sob essa configuração do pensamento.

EntĆ£o, se estou sendo entendido, hierĆ”rquico em terra1, nada tem, nem pode ter, a ver com o objeto de operaƧƵes sob o pensamento moderno que terminam construindo representaƧƵes novas. E o pensamento voltado para o ‘intangĆ­vel’ de Forbes ou ‘impensado’ de Foucault nĆ£o pĆ”ra de pĆ© sem o objeto e sem o sujeito; e portanto necessariamente com a qualidade ‘hierĆ”rquico’ que em Forbes estĆ” posta em terra1.

Pode haver confusão aí, demonizando a hierarquia, o que, em se tratando de pensamento moderno (terra2) em qualquer caso, é na verdade é uma missão impossível. 

Obviamente não sei como essa qualidade afeta o laço social descrito por Forbes, mas posso ver com alguma clareza como essa qualidade afeta a estrutura do pensamento nas operações sob o pensamento filosófico moderno, no depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825. E a hierarquia é característica integrante e indissociÔvel do resultado nessa configuração do pensamento, arrastada para a representação (projeto) decorrente do referencial, dos princípios organizadores e dos métodos utilizados em um pensamento orientado pelo par sujeito-objeto.

Veja isso na seguinte pƔgina

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

Não se ganha nada ao retirar a qualidade hierÔrquica da estrutura inerente à construção de representação nova (projeto); ao contrÔrio perde-se muito, essa tentativa empobrece a visão da operação, oblitera o funcionamento das duas sintaxes da língua usada para modelar operações; por essas razões, mas acima de tudo, essa parece ser uma missão impossível. A estrutura hierÔrquica da operação da qual resulta uma representação nova é resultado do perfil de configuração do pensamento.

2. Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a ‘norma’

Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a noção de ‘norma’, isso me remete imediatamente de novo Ć  Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’, que me permite uma visĆ£o de conjunto muito mais completa e Ćŗtil para quem pensa em formular e configurar, e depois operar com sucesso, modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas.

A ‘norma‘ que incomoda Forbes, Ć© a expressĆ£o de uma convenção, um acordo feito para atender Ć s condiƧƵes requeridas por uma ‘função‘; esse acordo, essa convenção, visa a estabilidade temporal, em mais de um aspecto, e o compartilhamento dessa ‘norma‘ isto Ć©, da solução conseguida e convencionada para a obtenção prĆ”tica dessa ‘função’.

Vale a pena examinar, usando o pensamento de Michel Foucault, o que se configura quase comoĀ 

Um ‘manual’ para projeto e construção de modelos no domĆ­nio das ciĆŖncias humanas

em trĆŖs tempos:

  • o espaƧo geral dos saberes sob o pensamento moderno chamado por Foucault de Triedro dos saberes; com as faces e eixos do Triedro dos saberes;
  • a classe de modelos das ciĆŖncias humanas;
  • o uso dos pares de modelos constituintes fora do domĆ­nio próprio em que foram formados.

examinando o modelo constituinte padrão das ciências humanas composto de uma combinação ponderada dos pares constituintes das ciências do eixo epistemológico fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem:

ā€œAssim, estes trĆŖs pares, função e norma, conflito e regra, significação e sistema, cobrem, por completo, o domĆ­nio inteiro do conhecimento do homem.ā€Ā Cartilha; Cap. 10 – As ciĆŖncias humanas; tópico I – O triedro dos saberes

Esse excerto da Cartilha dĆ”-nos conta de que esses trĆŖs pares de modelos constituintes, das ciĆŖnciasĀ 

  • daĀ VidaĀ (Biologia) par constituinteĀ Ā [função-norma]Ā 
  • doĀ TrabalhoĀ (Economia)Ā Ā par constituinteĀ [conflito-regra]Ā eĀ 
  • daĀ LinguagemĀ (Filologia)Ā par constituinteĀ Ā [significação-sistema]Ā 

estão na base de toda e qualquer ciência humana, incluindo a economia política, e a biopolítica, e também a anÔlise da produção. Essas três ciências compõem, segundo Foucault, a região epistemológica fundamental.

Forbes supostamente estÔ analisando o que acontece nas, e com as organizações empresariais e, portanto, estÔ elaborando bem no campo de uma ciência humana. Essa ciência humana que segundo Foucault, tem esse modelo constituinte padrão no qual 

  • o par constituinte dominante Ć© escolhido, em cada caso especĆ­fico, por quem formula o modelo,Ā 
  • e os coeficientes que determinam o mix da composição no modelo especĆ­fico, que estabelecem a proporção em que entram no modelo os trĆŖs pares constituintes – e a predominĆ¢ncia de um deles sobre os outros – sĆ£o tambĆ©m escolhidos pelo analista formulador.Ā 

Isso evidencia que esse incĆ“modo de Forbes com a ‘norma‘ precisa ser bastante ampliado quando se fala de laƧos sociais porque estes estĆ£o afetos,Ā 

  • desde logo Ć s ‘funƧƵes’ normatizadas pela ‘norma’ (o par constituinte do quase-transcendental Vida),Ā 

mas também estão regidos pelos pares constituintes dos outros dois quase-transcendentais: 

  • [conflito-regra] da Economia,Ā 
  • e [significação-sistema] da Filologia.

Ɖ claro que podemos desconsiderar esse mapeamento admirĆ”vel do espaƧo dos saberes moderno feito por Foucault e pensar de modo compartimentado e muito mais incompleto.Ā 

Mas por que exatamente farĆ­amos isso?

Um

Manual para uso e projeto de modelos no campo das ciĆŖncias humanas, jĆ” constituĆ­dos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem

A frase citada por Forbes:

“Freud explica ⇒ Freud implica:

  • no ‘explica’ vocĆŖ tem um saber anterior ao ato; 

  • no ‘implica’ vocĆŖ tem um ato anterior ao saber.”

Significado da palavra ‘Implica’ no DicionĆ”rio Online de portuguĆŖs

Implica vem do verbo implicar. O mesmo que: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde.

Significado de implicar

Expressar desdém, deboche, zombaria; hostilizar: ele implica com seu irmão constantemente; implicava-se com o vizinho.

Obter como resultado, efeito ou consequência; originar: a devolução do imóvel implica multa.

Fazer com que algo se torne necessÔrio; requerer: o trabalho não implica sua participação.

SinƓnimos de Implica

Implica Ʃ sinƓnimo de: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde

AntƓnimos de Implica

Implica Ć© antĆ“nimo de: desimplica

Significado da palavra ‘Explica’ no DicionĆ”rio Online de portuguĆŖs

verbo transitivo diretoFazer com que fique claro e compreensĆ­vel; descomplicar uma ambiguidade: explicar um mistĆ©rio.Ser a causa de: a desgraƧa explica sua amargura.Conseguir interpretar o significado de: explicar um texto irĆ“nico.verbo transitivo direto e bitransitivoFazer com que alguma coisa seja entendida; explanar: explicar uma teoria; explicar a matĆ©ria aos alunos.verbo transitivo direto e pronominalProvidenciar uma justificativa ou desculpa; desculpar-se: preciso explicar meu comportamento; o presidente explicou-se ao povo.Manifestar-se atravĆ©s das palavras; exprimir-se: explicar uma paixĆ£o; explicou-se numa linguagem bem popular.Etimologia (origem da palavra explicar). Do latim explicare.

SinƓnimos de Explicar

Explicar Ć© sinĆ“nimo de: lecionarpontificaradestraramestrardoutrinareducarensinarformarinstruir

AntƓnimos de Explicar

Explicar Ć© o contrĆ”rio de: obscurecercomplicar

Ɖ bem implicante o leque de significados das palavras ‘explica’ e ‘implica’. Implica pode significar atĆ© confunde! mas Ć© tambĆ©m ‘origina’.

Implica Ć© origina, requer. Explicar Ć© formar, instruir. Complicar, Ć© antĆ“nimo de explicar. 

Etimologicamente complicar é dobrar junto; implicar é entrelaçar, juntar, reunir. Muito próximos os significados, não?

Pensando o ‘Explicar’, em uma operação, como a procura de elementos que deem sustentação na experiĆŖncia para o que se  afirma com respeito ao objeto da operação – inclusive indicando sua origem no pensamento, Explica‘ e ‘Implica‘ sĆ£o palavras com dois conjuntos de significados diferentes mas cuja intersecção Ć© nĆ£o vazia; hĆ” significados em comum; veja a etimologia das duas palavras. 

Essa relação de sucessĆ£o ou de precedĆŖncia entre ato e conhecimento tem bastante mais a ver com:

  • o modo como o pensamento Ć© configurado
  • com a natureza – construção de representação nova ou instanciamento de representação existente – da operação envolvida em cada especĆ­fico movimento do pensamento, 

do que propriamente com o significado escolhido para essas duas palavras. 

Se assim for, Ć© melhor declarar explicitamente quais sĆ£o as condiƧƵes de possibilidade do pensamento selecionadas, e qual a natureza da operação em que estamos pensando, se de construção de representação nova, se de instanciamento de representação anteriormente existente.  

AlĆ©m disso, dependendo dessa natureza da operação, a operação pode acomodar-se, desde logo, a uma configuração do pensamento clĆ”ssico, anterior a 1775, ou a uma configuração do pensamento moderno, o de depois de 1825. 

Os perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo o pensamento de Foucault:
os pensamentos clƔssico (de antes de 1775); e moderno( de depois de 1825)

pensamento clƔssico,
antes de 1775

perfil do pensamento clƔssico,
o de antes de 1775

pensamento moderno,
depois de 1775

perfil do pensamento moderno,
o de depois de 1825

Operações possíveis sob as condições de pensamento dadas pelos respectivos perfís do pensamento filosófico clÔssico, o de antes de 1775 e pelo moderno, de depois de 1825.

AquƩm do objeto

Operação de pensamento no período clÔssico, antes de 1775
operação de instanciamento de representação formulada
modo de ser fundamental não muda
Ordem arbitrƔria ou Quadro de simultaneidades

Diante do objeto

Operação de pensamento no período moderno, depois de 1825,
no caminho da Construção da representação:
‘modo de ser fundamental’ sim, muda.
Ordem dada pela gramƔtica da lƭngua

 Além do objeto

Operação de pensamento no período moderno, depois de 1825, no caminho
do Instanciamento da representação:
‘modo de ser fundamental’ nĆ£o muda.

saber anterior ao ato

ato anterior ao saberĀ 

saber anterior ao ato

Muito diferentes, uma da outra, se atentarmos ao pensamento de Foucault. Você pode ver essas diferenças aqui. Isso, se o modo de ser do pensamento não for explicitado onde e quando devido.

Esta argumentação tem como pano de fundo o pensamento de Foucault. E a frase acima Ć© a expressĆ£o de um pensamento atual tal como ele aflora. Vale, portanto, rever como Foucault avaliava o pensamento em geral, tal como aflorava durante o seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’, em 1966, o que, pelo que vejo, nĆ£o mudou.

Veja Os dois obstĆ”culos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho.

usando essa citação de modo mais restrito, Foucault via um pensamento contaminado, nas palavras dele, ‘dominado’ por um pensamento de idade anterior. Ele via um pensamento ‘dominado pela impossibilidade de fundar as sĆ­nteses (da empiricidade objeto) no espaƧo da representação’. 

Nessa frase acima, eu vejo esse mesmo tipo de contaminação, que gera uma dubiedade, que queremos levantar com a ajuda do mestre, Michel Foucault.

Para a situação sugerida no caso do ‘implica’ no lado direito da frase – um ato anterior ao saber -, a configuração do pensamento deve, necessariamente, permitir a geração de saber novo (ser capaz de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação); deve portanto permitir a construção de representação nova para o objeto do ato, ou da operação. 

Essa possibilidade – inerente ao proposto no lado direito da frase -, Ć© privativa do pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Mas só ocorre quando o ‘Freud’ da frase estiver com um pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno, e na etapa da Construção da representação. O mesmo ‘Freud’, no pensamento moderno, mas na etapa de Instanciamento de representação relativa a saber anteriormente obtido, estarĆ” diante de um saber anterior ao ato.

O pensamento clĆ”ssico, em suas teorias, modelos e sistemas, nĆ£o permite construção de representação nova (porque era marcado pela impossibilidade de fundar as sĆ­nteses …, esse o obstĆ”culo vislumbrado por Foucault); no pensamento clĆ”ssico tudo o que existe estĆ” lĆ” desde sempre e para sempre, e por obra de Deus compondo o Universo.

Para a situação sugerida no ‘Explica”, o lado direito da frase – saber anterior ao ato – nessa perspectiva do pensamento de Foucault, gera uma dubiedade que só pode ser resolvida tendo presentes, em detalhe, como sĆ£o as operaƧƵes as que sim, podem, e as que nĆ£o podem ‘fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação’. Sem discernimento, o pensamento fica ‘dominado’ porque pode estar imerso no perfil do pensamento clĆ”ssico, ou no perfil do pensamento moderno, mas no caminho do Instanciamento da representação.

Pensando nessas relações de precedência ou sucessão entre ato e saber, e nas operações em suas possíveis etapas, suas configurações e perfis ou estruturas de conceitos sobre os quais são concebidas, não hÔ razão para que essa frase se restrinja a Freud. Poderia ser qualquer outro sujeito. Mas se levarmos em conta a menção especificamente a Freud, ela arrasta para a frase o modo de ser do pensamento desse grande autor, classificado por Michel Foucault como um pensador moderno, com estrutura de pensamento daquela configuração de pensamento de depois de 1825.

Dado esse conjunto de significados em comum, esses dois conceitos ‘Explica‘ e ‘Implica‘ e essas relaƧƵes de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre ato e saber me fazem lembrar do pensamento de Humberto Maturana, que pode ser visto em uma animação de menos de 4 minutos, na seguinte pĆ”gina; 

Figura 2 – Diagrama ontológico; capĆ­tulo ReflexƵes epistemológicas, do livro Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; ou ainda a Figura 2 – O explicar e a ExperiĆŖncia; capĆ­tulo Linguagem, EmoƧƵes e Ɖtica nos Afazeres PolĆ­ticos, do livro EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆ­tica, de Humberto Maturana Romesin

Essa Figura 2 Ć© original de Maturana (apenas a arte foi editada – os elementos grĆ”ficos que representam as ideias foram modificados) mas em vez de usar dois rótulos como explica e implica, Maturana usa um pensamento no qual emprega duas formas para o mesmo rótulo ‘Explicar’, com diferentes significados correspondentes Ć” mudanƧa que estĆ” discutindo: 

  • lado esquerdo da figura: ‘Explicar sem reformular’ no que ele chama de Objetividade sem parĆŖnteses: 

(saber anterior ao ato, ou o ‘Explica’ no lado esquerdo da frase)

  • lado direito da figura: ‘Explicar com Reformular’, no que ele chama de Objetividade entre parĆŖnteses.

(saber posterior ao ato, ou o ‘Implica’ do lado direito da frase)

Nesse pensamento, no original de Maturana, ele atribui pressupostos para o tipo de pensamento desenvolvido em cada lado da figura:

  • do lado esquerdo dessa Figura 2, o pressuposto Ć© ‘a existĆŖncia precede a distinção‘ (aquela distinção feita na operação);
    • o que leva a uma Ćŗnica realidade, Universo, transcendĆŖncia.

e reflete o saber anterior ao ato (operação)

  • e no lado direito dessa Figura 2, ‘a existĆŖncia se constitui na distinção‘ ou ‘a existĆŖncia sucede Ć  distinção’
    • o que conduz a mĆŗltiplas realidades.

e reflete o saber posterior ao ato (operação)

Usando agora o pensamento de Michel Foucault. Veja, por favor, e novamente, as pĆ”ginas seguintes com animaƧƵes que  colocam palavras de Foucault sobre paletas de elementos de imagem e respectivas estruturas:

primeiro, a operação de construção de representação nova (projeto) sob o pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno:

Funcionamento das operaƧƵes (…) operação Diante do objeto

e depois, veja a pƔgina

Formas de reflexão que se instauram em nossa cultura, segundo o pensamento de Michel Foucault, e correspondentes perfis de conceitos que permitem identificar cada um deles.

Resumidamente – e para facilitar – os dois perfis ou estruturas de conceitos, sĆ£o:

  • para o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775
    • referencial: Ordem pela ordem;
    • princĆ­pios organizadores: carĆ”ter e similitude;
    • mĆ©todos: identidade e semelhanƧa; 
  • pensamento moderno, o de depois de 1825
    • referencial: Utopia;
    • princĆ­pios organizadores: Analogia e SucessĆ£o;
    • mĆ©todos: AnĆ”lise e SĆ­ntese 

 Examinando os dois perfis caracterĆ­sticos das duas configuraƧƵes do pensamento, vĆŖ-se que: 

(Aviso: Ʃ melhor examinar primeiro o perfil do pensamento moderno, com suas capacidades de tratar propriedades originais e constitutivas e depois o perfil do pensamento clƔssico)

  • com o perfil de caracterĆ­sticas do pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775, realmente a suposição Ć© que tudo o que existe compƵe o Universo que estĆ” lĆ” desde sempre e para sempre como obra de Deus, e que a existĆŖncia precede a distinção;
    • a todo ato, precede todo o saber existente: (sim, sempre temos um saber anterior ao ato) o perfil do pensamento clĆ”ssico nĆ£o comporta a construção de representaƧƵes novas e assim todo saber Ć© anterior a qualquer ato (operação) do qual resulta uma explicação que Ć© uma composição de saberes (representaƧƵes) anteriormente existentes;
  • e com o perfil do pensamento moderno, o de depois de 1825, a suposição Ć© que hĆ” mĆŗltiplas realidades, que o pensamento pode construir representaƧƵes novas como resultado das distinƧƵes que faz, e que a existĆŖncia, portanto, sucede a distinção,
    • a todo ato, sucede saber novo – ato desencadeado pelo sujeito (operação) com um objeto -, desde que o ato seja bem sucedido, e que a natureza da operação seja a construção de saber novo. 

Nota: não se trata de afirmar que na idade clÔssica não se produzia representações novas; mas dizer que as teorias, modelos e sistemas sob essa configuração do pensamento não abrangiam a etapa de construção de representações novas.

Acabamos de ver o funcionamento da operação de construção de uma representação nova (projeto) para uma empiricidade objeto, com um pensamento configurado de acordo com o pensamento moderno, o de depois de 1825 – uma vez que a configuração do pensamento anterior, o clĆ”ssico, nĆ£o pode construir novas representaƧƵes.

Fica claro – entendida essa sistemĆ”tica de funcionamento – que no pensamento moderno, e na etapa de construção de saber novo, (caminho da Construção da representação)

  • a operação tem inĆ­cio sem qualquer conhecimento sobre o que Ć© objeto da operação ou da explicação, ou ainda daquele algo a ser implicado. Salvo a arquitetura do que seja uma representação, como classe de produƧƵes do pensamento; 
  • e termina com esse conhecimento.

Como reza a frase no lado direito, sim, tem-se um ato anterior ao saber, mas… somente no caso do pensamento moderno, e no caminho da Construção da representação. PorĆ©m, estando no mesmo lado direito, e tambĆ©m no pensamento moderno, se estivermos no caminho do Instanciamento de representação previamente existente – o que mais acontece em situaƧƵes de realidade – a situação se inverte, e teremos um saber anterior ao ato, como no caso anterior do pensamento clĆ”ssico.

Dado que a possibilidade de saber novo só acontece com um pensamento configurado com o perfil característico do pensamento moderno, essa frase (de efeito) depende de quais sejam as visões de operações adotadas (o ato) em qual etapa da operação e de qual configuração do pensamento.

A relação de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre o ato e o saber Ć© essencial nessa frase e podemos deixar de lado, e em segundo plano, os nomes ‘explica‘ e ‘implica‘. 

Essa relação de sucessão corresponde ao que ocorre nas operações sob as configurações do pensamento clÔssico e moderno da seguinte forma:

  • pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775:
    • o saber (o conhecimento representado pelas representaƧƵes previamente existentes) 
    • Ć©, sempre, anterior ao ato (a operação); e o resultado, nesse modelo de operaƧƵes, Ć© uma combinação de representaƧƵes anteriormente existentes.
  • no pensamento moderno, o de depois de 1825:
    • no caminho da Construção de representação nova, nĆ£o existente no ambiente em que a operação ocorre,
      • o saber (o conhecimento da representação objeto da operação) 
      • Ć© posterior ao ato (a operação de construção da representação).
    • no caminho do Instanciamento de representação jĆ” existente no domĆ­nio em que a operação ocorre,
      • o saber (o conhecimento da representação objeto da operação)
      • Ć© anterior (volta a ser) ao ato (a operação de Instanciamento da representação objeto da operação) – tal como no lado esquerdo e pensamento clĆ”ssico.

EntĆ£o, para que a frase faƧa algum sentido, Ć© necessĆ”rio atentar qual seja o perfil de configuração do pensamento diferente, e em qualquer caso, uma visĆ£o clara do que sejam operaƧƵes, em cada lado da seta que estĆ” no meio dessa frase: 

  • no lado esquerdo da frase, temos
    • caso a configuração do pensamento seja a do clĆ”ssico, o de antes de 1775
      • sim, o saber precede o ato (tanto em uma explicação quanto em uma implicação)
    • caso a configuração do pensamento seja a do moderno, o de depois de 1825,
      • nĆ£o, o saber nĆ£o precede o ato se a operação estiver no caminho da Construção da representação (seja no explica ou no implica)
      • sim, o saber precede ao ato se o caminho for o do Instanciamento de representação existente
  • no lado direito da frase, temos
    • caso a configuração do pensamento seja a do clĆ”ssico, o de antes de 1775,
      • sempre temos o saber anterior ao ato (a operação)
    • caso a configuração do pensamento seja a do moderno, o de depois de 1825;
      • só teremos ato (operação) anterior ao saber no caso da operação estar no caminho da Construção da representação; 
      • caso a operação esteja no caminho do Instanciamento da representação, o saber Ć© anterior ao ato (a operação).
  • e a seta do meio da frase passarĆ” a indicar entre um lado e outro, dependendo do caso, uma descontinuidade epistemológica.

AtƩ agora Freud entrou nessa frase como Pilatos no credo.

E essa referência a Freud nessa frase também cria mais problemas, desde que usemos o pensamento de Michel Foucault.

Segundo Foucault, Freud Ć© um pensador moderno

Logo, ele teria noção dos modelos de operações no pensamento moderno; e também os do pensamento clÔssico, se não, não teria escolhido pensar com o missal do pensamento moderno.

E assim, todas as opƧƵes condicionadas ao pensamento clƔssico acima deixam de valer no caso de Freud.

Então, o pensador moderno Freud

  • no lado esquerdo da frase
    • se no caminho da Construção de saber novo relacionado a dado objeto;
      • nĆ£o dispƵe de saber antes do ato;
    • se no caminho do uso de saber jĆ” existente relacionado a dado objeto; (instanciamento de representação existente);
      • sim dispƵe de saber antes do ato.
  • no lado direito da frase
    • se no caminho da Construção de saber novo relacionado a dado objeto;
      • nĆ£o dispƵe de saber antes do ato;
    • se no caminho do uso de saber jĆ” existente relacionado a dado objeto; (instanciamento de representação existente);
      • sim dispƵe de saber antes do ato.

O comportamento do pensador moderno Freud nĆ£o Ć© função do nome dado Ć  operação, se ‘explica’ ou se ‘implica’, mas o que a operação pretende com respeito ao seu objeto e o estado em que se encontra esse objeto no ambiente em que a operação acontece – jĆ” existe ou ainda nĆ£o existe representação para ele nesse ambiente.

EntĆ£o um ato de ‘explicar’ de Freud pode nĆ£o ter um saber anterior; o que contradiz a frase no lado esquerdo. E tambĆ©m o estabelecimento de uma implicação dele pode ter um saber anterior, o que contraditaria o lado direito da frase. 

Mostramos isso no Funcionamento de operações, e um ato (operação) desse tipo preenche a etapa de Instanciamento de representações anteriormente construídas.

Os pontos comentados são os seguintes:

  • Aparentemente hĆ” uma inconsistĆŖncia entre o pensamento no vĆ­deo 150 e o pensamento de Michel Foucault: o movimento do pensamento entre a psicanĆ”lise de Freud e a de Lacan: o movimento feito desde uma psicanĆ”lise (pelo menos alegadamente) baseada na representação, em Freud, para uma outra baseada fora da representação, em Lacan
  • as duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ segundo o posicionamento do ponto de inĆ­cio de leitura 
    • no cruzamento das disponibilidades do que Ć© dado e o que Ć© recebido na troca; 
    • ou antes da possibilidade da troca, quando um dos objetos envolvidos nĆ£o estĆ” disponĆ­vel, investigando a permutabilidade;

e as duas correspondentes origens da essência da linguagem e do valor carregado pela proposição para a representação.

  • Uma possĆ­vel contradição:
    • a aparente descontinuidade epistemológica na apresentação das teorias modelos e sistemas relacionados Ć  psicanĆ”lise no vĆ­deo 150, consistente na mudanƧa de bases da psicanĆ”lise na representação para fora dela entre Freud e Lacan;
    • e ao contrĆ”rio, uma continuidade epistemológica na apresentação de teorias, modelos e sistemas do liberalismo e variantes, no vĆ­deo 254: usando o pensamento de Michel Foucault sobre isso, essa alteração certamente aconteceu;

ComentƔrios

1. Tendo como referência o pensamento de Michel Foucault, não hÔ dúvida de que Freud foi um pensador moderno; assim, o movimento que teria sido feito por Lacan desde uma psicanÔlise de Freud, com base na representação para uma outra, de Lacan, fora da representação pode não ter sido possível uma vez que a psicanÔlise de Freud jÔ tinha sua base fora da representação.

2. Teorias, modelos e sistemas, como produƧƵes do pensamento, transcorrem sempre com a presenƧa de uma linguagem; o veĆ­culo de carregamento de valor Ć© sempre a proposição e o destino do valor carregado Ć© sempre a representação. A questĆ£o parece ser, entĆ£o, a origem – se interna ou externa Ć  linguagem – do valor atribuĆ­do Ć  proposição.Ā 

3. A alteração de uma origem de valor interna à linguagem para uma externa à linguagem implica em uma mudança no modo de conhecer o que dizemos que conhecemos, uma mudança epistemológica. 

Seguem comentÔrios em tópicos:

A descrição feita por Michel Foucault da psicanÔlise de Freud dÔ-nos conta ser Freud um pensador moderno.

Em nossa Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’) Foucault nĆ£o hesita em classificar Freud como um autor moderno, e caracteriza o pensamento clĆ”ssico como ā€˜aquele para o qual a representação existe’.

No livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. 10 – As CiĆŖncias humanas; tópico V – PsicanĆ”lise e etnologia, de Michel Foucault, encontramos subsĆ­dios para afirmar que o autor discorda frontalmente dessa afirmativa de que a psicanĆ”lise de Freud tivesse suas bases na representação; nesse texto Foucault mostra que, ao contrĆ”rio, o pensamento de Freud jĆ” tem suas bases fora da representação; e expƵe como e por que ele faz esse juĆ­zo mostrando o funcionamento da psicanĆ”lise – tendo como elemento organizador dessa argumentação o modelo constituinte padrĆ£o, comum a todas ciĆŖncias humanas por ele desenvolvido nesse livro, um modelo composto pelos pares de modelos constituintes das ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma]; do Trabalho (Economia) [conflito-regra]; da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].

“NĆ£o hĆ” que supor que o empenho freudiano
seja o componente de uma interpretação do sentido
e de uma dinâmica da resistência ou da barreira;

seguindo o mesmo caminho que as ciĆŖncias humanas,
mas com o olhar voltado em sentido contrƔrio,
a psicanÔlise se encaminha em direção ao momento
– inacessĆ­vel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem,

a toda apreensão contínua em termos de significação, de conflito ou de função
– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.
Isto quer dizer que,
ao contrÔrio das ciências humanas que, retrocedendo embora em direção ao inconsciente,
permanecem sempre no espaƧo do representƔvel,
a psicanÔlise avança para transpor a representação,
extravasĆ”-la do lado da finitude e fazer assim surgir, lĆ” onde se esperavam 

  • as funƧƵes portadoras de suas normas
  • os conflitos carregados de regras 
  • e as significaƧƵes formando sistema

o fato nu de que 

  • pode haver sistema (portanto, significação), 
  • regra (portanto, oposição), 
  • norma (portanto, função). 

E, nessa região onde a representação fica em suspenso,
Ć  margem dela mesma,
aberta, de certo modo ao fechamento da finitude,
desenham-se as trĆŖs figuras pelas quais 

  • a vida, com suas funƧƵes e suas normas,

vem fundar-se na repetição muda da Morte, 

  • os conflitos e as regras,

na abertura desnudada do Desejo, 

  • as significaƧƵes e os sistemas,

numa linguagem que Ć© ao mesmo tempo Lei.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;

Cap. 10 – As CiĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise e etnologia

e especial destaque para o modo como Foucault vĆŖ que isso Ć© interpretado:

Sabe-se como psicólogos e filósofos
denominaram tudo isso:

mitologia freudiana. 

Era realmente necessƔrio
que este empenho de Freud
assim lhes parecesse;

para um saber que se aloja no representƔvel,
aquilo que margeia e define, em direção ao exterior,
a possibilidade mesma da representação
nĆ£o pode ser senĆ£o mitologia.ā€ 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;

Cap. 10 – As CiĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise e etnologia

Isso permite pensar que a razão de ser da psicanÔlise de Lacan, encontre seu fundamento em outro movimento de pensamento feito por ele, porque a psicanÔlise de Freud jÔ estava formulada desde fora da representação.

Em que consiste, então, a contribuição feita por Lacan?

Lembrando os obstÔculos percebidos por Foucault em seu trabalho, uma impossibilidade de fundar as sínteses [da empiricidade objeto no espaço da representação] e a obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir, para além do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, arriscaria dizer que a contribuição de Lacan foi formular uma psicanÔlise para além do objeto.  

Ā 

Essas duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ situam-se de lados opostos em relação Ć  descontinuidade epistemológica posicionada por Michel Foucault como tendo ocorrido entre 1775 e 1825. Isso colocaria uma produção do pensamento baseada na representação do lado oposto a uma outra, baseada desde fora da representação. (O movimento de pensamento que o vĆ­deo informa ter sido feito por Lacan com relação a Freud.

Podemos ver isso sob o ponto de vista das alteraƧƵes na própria linguagem em decorrĆŖncia da visĆ£o que temos do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ de pensamento ou outra, e de acordo com as explicaƧƵes de Michel Foucault:

i)Ā Ā Ā Ā Ā  As diferenƧas de funcionamento da linguagem para modelos baseados na representação e modelos fora da representação, – como o que vai descrito no vĆ­deo 254 teria ocorrido entre as psicanĆ”lises de Freud e de Lacan, – e em geral, no funcionamento da linguagem em qualquer construção do pensamento, tendo em vista quais sejam as bases em que se sustentam essas construƧƵes do pensamento, seĀ na representação ou seĀ fora da representação.

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio de leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função da inserção do ponto de inĆ­cio de leitura de ā€˜operaƧƵes’.

Esse link mostra uma figura com a visĆ£o ampla do que entendemos como o fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ com representaƧƵes, incluindo as operaƧƵes de troca, mostrando os dois pontos nos quais podemos inserir o inĆ­cio da leitura que fazemos desse fenĆ“meno:

  • No ponto de cruzamento entre as disponibilidades do que Ć© dado e o que Ć© recebido na troca: o momento em que os dois objetos envolvidos na operação de troca estĆ£o jĆ” disponĆ­veis; discutindo aĀ 
  • Em um ponto anterior a esse, quando pelo menos um dos objetos ainda nĆ£o estĆ” disponĆ­vel.

A pƔgina mostra:

(1)Ā Ā Ā  O que nĆ£o muda entre as duas possibilidades de inserção do ponto de leitura de ā€˜operaƧƵes’

A proposição é o bloco construtivo padrão fundamental para construção de representações.

ā€œA proposição Ć© para a linguagem
o que a representação é para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo mais geral e mais elementar
porquanto, desde que a decomponhamos,
não encontraremos mais o discurso,
mas seus elementos como tantos materiais dispersos.ā€
As palavras e as coisas; Cap. 4 – Falar; tópico III – Teoria do verbo

A representação carregada de valor como condição para que uma coisa possa representar outra em uma operação de troca.

(…) ā€œEm outras palavras, para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam jĆ” carregadas de valor;
e, contudo, o valor só existe no interior da representação.ā€
As palavras e as coisas; Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação de valor

(2)    O que sim, muda entre essas duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura

Antes de mais nada, muda a abrangência da visão que temos do que seja uma operação, em decorrência do ponto de inserção do início de leitura que fazemos desse fenÓmeno. HÔ duas possibilidades de inserção desse ponto de início de leitura de operações:

  • No ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido, jĆ” disponĆ­veis os dois objetos intervenientes em uma operação de troca;
  • Antes desse ponto, quando ainda um dos objetos nĆ£o estĆ” disponĆ­vel

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação é nos dois casos, a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações  com origens de valor distintas.

No primeiro caso o valor é carregado na proposição diretamente. AliÔs, a proposição jÔ chega carregada de valor.

No segundo caso, o valor chega à proposição no bojo de uma operação de construção da representação para o objeto ainda não disponível. Isso em outras palavras quer dizer durante o projeto desse objeto. E as fontes de valor neste caso são

  • as designaƧƵes primitivas;
  • e a linguagem de ação ou de uso.

ii)Ā Ā Ā  O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ā€˜operação’.

A citação acima prossegue da seguinte forma:

(…) ā€œo valor só existe no interior da representação

  • atual [representação do objeto envolvido na troca jĆ” existente]

  • ou possĆ­vel [objeto cuja representação foi construĆ­da quando no teste de permutabilidade]

Ā isto Ć©, no interior

  1. da troca [objetos envolvidos na operação de troca jÔ existentes]

  2. ou da permutabilidade [a prospecção da possibilidade da troca com a construção da representação do objeto a ser levado ao circuito das trocas, se possĆ­vel]ā€

As palavras e as coisas; Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação de valor

ā€œDaĆ­ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:

  • uma analisa o valor no ato mesmo da troca,
    no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
  • outra analisa-o como anterior Ć  troca
    e como condição primeira para que esta possa ocorrerā€

A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anƔlise que coloca e encerra
toda a essência da linguagem no interior da proposição;
e a outra, a uma anÔlise que descobre essa mesma essência da linguagem

  • do lado das designaƧƵes primitivas
  • e da linguagem de ação ou raizā€
  1. ā€œno primeiro caso, com efeito,
    a linguagem encontra seu lugar de possibilidade
    numa atribuição assegurada pelo verbo
    – isto Ć©, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras
    mas que as reporta umas Ć s outras;
    o verbo, tornando possĆ­veis todas as palavras da linguagem
    a partir de seu liame proposicional,
    corresponde Ć  troca que funda,
    como um ato mais primitivo que os outros,
    o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;
  2. a outra forma de anƔlise,
    a linguagem estĆ” enraizada fora de si mesma
    e como que na natureza, ou nas analogias das coisas;
    a raiz, o primeiro grito que dera nascimento Ć s palavras
    antes mesmo que a linguagem tivesse nascido,
    corresponde à formação imediata do valor,
    antes da troca e das medidas recĆ­procas da necessidade.”

    As palavras e as coisas: Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação de valor

Veja, por favor, o funcionamento das operações sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1775 e o moderno, depois de 1825 em 

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775-1825

Podemos ver, do entendimento de como se desenvolvem as operações em um caso e em outro, a correspondência bastante estreita entre as explicações dadas por Foucault na citação acima.

Veja também os dois conceitos para o que seja um verbo, e identifique o verbo envolvido no primeiro caso em que a atribuição de valor é assegurada diretamente por ele; e o verbo no segundo caso, em outra configuração da linguagem na qual o valor atribuído à representação via a proposição, tem origem fora da linguagem nas designações primitivas e na linguagem de ação ou de uso. 

Conceitos homÓnimos mas com significados diferentes entre a configuração do pensamento na idade clÔssica e no pensamento moderno

HÔ, aparentemente, uma contradição entre os dois vídeos do Canal Falando nisso, os de números 150 e 254.

No vĆ­deo 150 hĆ” a percepção de que efetivamente existem produƧƵes do pensamento – teorias, modelos e sistemas, baseados na representação, e outras, baseadas fora da representação; e esse Ć© um movimento de pensamento importante – nada mais nada menos do que uma descontinuidade epistemológica segundo o pensamento de Foucault,

Embora segundo o pensamento de Michel Foucault a psicanÔlise de Freud jÔ tivesse suas bases fora da representação, mas uma mudança de bases como essa sem dúvida significaria uma alteração epistemológica.

Evento dessa mesma natureza, uma descontinuidade epistemológica, tambĆ©m aconteceu para as produƧƵes do pensamento associadas ao liberalismo e neoliberalismo, no perĆ­odo histórico abrangido pelo vĆ­deo 254 . Isso estĆ” relatado em bastantes detalhes por Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’, e Ć© inerente ao estilo de arqueologia adotado nesse livro.

 Mas esse movimento do pensamento deixa de ser considerado para as teorias, modelos e sistemas ligados ao Liberalismo e Neoliberalismo nos questionamentos feitos no vĆ­deo 254 – ‘Neoliberalismo e sofrimento’. Isso leva a crer que a natureza dessa mudanƧa de embasamento desde na representação para fora dela foi tratada, no vĆ­deo 150, nĆ£o como uma questĆ£o constituinte, mas como uma 

Enquanto no vídeo 150 os modelos estão predominantemente no domínio da Linguagem, no liberalismo e variações, estão no domínio das ciências do Trabalho (Economia).qualidade apenas.

Veja nesta pƔgina

Os dois conceitos filosóficos para o que seja ā€˜Trabalho’: o de Adam Smith, de 1776, e o de David Ricardo, de 1817, e as diferenƧas entre esses dois conceitos segundo Michel Foucault.

exatamente essa mudanƧa de bases.

Entre esses dois pensadores hĆ” uma diferenƧa na visĆ£o do que sejam operaƧƵes avaliĆ”vel pela amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno ā€˜operação’ entre esses dois princĆ­pios para trabalho. Na parte inferior da pĆ”gina que o link acima dĆ” acesso, a explicação dada por Foucault deixa  bem clara essa diferenƧa de amplitude na visĆ£o de ‘operaƧƵes’. 

David Ricardo inclui, em seu Princípio Dual de Trabalho, de 1817, também a etapa da construção de representação nova enquanto que Adam Smith não faz isso.

Essa alteração na inserção do ponto de inĆ­cio do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ altera o modo como uma operação Ć© vista e implica em uma reconfiguração da linguagem no que ela tem de essencial: o modo como a proposição Ć© formada, e como o valor carregado na proposição Ć© levado por esta para a representação.

Isso pode ser visto em 

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ 

e também na argumentação abaixo.

Havia uma confusão em Adam Smith, que consistia em estabelecer uma assimilação entre:

  • o trabalho como atividade de produção;
  • e o trabalho como mercadoria que se pode comprar e vender.

Essa assimilação, feita em Adam Smith, passa a ser em Ricardo uma distinção entre:

  • essa forƧa, esse esforƧo, esse tempo do operĆ”rio que se compram e se vendem, tomados como mercadoria que se pode comprar e vender,
  • e essa atividade que estĆ” na origem do valor das coisas, tomada como atividade de produção.

distinção essa que, segundo Foucault, foi feita, pela primeira vez, e de forma radical, pelo pensamento de David Ricardo, em nossa cultura; e isso implica em uma expansĆ£o da visĆ£o do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’.

Vista desse modo,

  • como uma assimilação, entre ā€˜atividade de produção’ e ā€˜mercadoria que se pode comprar ou vender’ ou ā€˜forƧa, esforƧo, tempo do operĆ”rio, que se compram e se vendem’, em Adam Smith, 
  • ou como uma distinção, entre essas duas coisas, no pensamento de David Ricardo,

pode ficar difícil perceber que essa mesma alteração feita em Ricardo na economia, é a mesma que Lacan teria feito na sua psicanÔlise;

Seria necessĆ”rio perceber que com o termo ā€˜atividade de produção’ compreende-se a produção de algo ainda inexistente o que alarga a visĆ£o de operaƧƵes para o caminho da Construção de representação nova; mas encaixando essas duas coisas em uma visĆ£o ampla do que sejam operaƧƵes, de todos os tipos, obtida entre outros lugares na descrição de Foucault sobre as duas configuraƧƵes da linguagem,

  • e vendo o que acontece nas operaƧƵes, em decorrĆŖncia das duas origens do valor carregado pela proposição para a representação como consequĆŖncia das duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do que seja essa operação – se antes ou se no ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido – e os efeitos em cada opção, (veja o link acima)

vĆŖ-se que os dois movimentos – o de Ricardo em relação a Smith e o de Lacan em relação supostamente a Freud, sĆ£o idĆŖnticos quanto a suas bases no pensamento, porque:

  • O pensamento de Adam Smith leva a um modelo de operaƧƵes com ponto de leitura posicionado no ponto de cruzamento entre o que Ć© dado e o que Ć© recebido, ou o ponto em que os objetos envolvidos em uma operação de troca estĆ£o disponĆ­veis; a operação de processamento de informaƧƵes sob Adam Smith abrange o instanciamento, pelo desencadeamento de Processo anteriormente formulado, de representação anteriormente formulada e configurada dentre alternativas jĆ” existentes. Nesse tipo de operaƧƵes sob o pensamento clĆ”ssico, nĆ£o hĆ” construção de representaƧƵes novas;
  • No pensamento de David Ricardo o modelo de operaƧƵes tem ponto de leitura posicionado antes da disponibilidade dos objetos envolvidos em uma possĆ­vel futura operação de troca. E abrange toda a operação no caminho da Construção de representação nova.

E dessa forma

  • colocar o ponto de inĆ­cio da leitura exatamente no cruzamento entre disponibilidades do que Ć© dado e o que Ć© recebido (com a disponibilidade simultĆ¢nea dos dois objetos envolvidos na operação de troca), coloca o fenĆ“meno ā€˜operação’ na etapa de instanciamento de objeto cuja representação foi anteriormente feita;
    • e o valor carregado pela proposição para a representação Ć© atribuĆ­do diretamente na proposição, determinando a configuração correspondente da linguagem;
  • e colocar o inĆ­cio de leitura antes desse ponto de disponibilidade, (com a indisponibilidade de pelo menos um dos objetos envolvidos na operação de troca) implica em investigar a permutabilidade e obriga a ā€˜operação’ a incluir a etapa de construção da representação do objeto ainda nĆ£o representado, que serĆ” levado ao circuito das trocas depois de instanciado; e tambĆ©m a posterior operação de instanciamento, e o valor carregado pela proposição terĆ” sua origem
    • nas designaƧƵes primitivas
    • e na linguagem de ação.

Os pontos comentados são os seguintes:

  • A lista de referĆŖncias bibliogrĆ”ficas do vĆ­deo 254
  • As possibilidades, segundo Michel Foucault, de sustentação da noção de sujeito na modernidade, atravĆ©s de uma matriz constituĆ­da por autores associados ao liberalismo, todos eles inseridos no pensamento clĆ”ssico.
  • A indicação de Adam Smith e de David Ricardo juntos, como pertencentes ao mesmo bloco de sustentação de uma noção de sujeito na modernidade; Ć” luz do pensamento de Michel Foucault
  • Sobre as possibilidades, segundo Michel Foucault, de sustentação da noção de sujeito na modernidade atravĆ©s de uma matriz constituĆ­da por autores associados ao liberalismo
  • Sobre as possibilidades – usando o pensamento de Michel Foucault – de que as teorias, modelos e sistemas ligados ao liberalismo clĆ”ssico, possam dar sustentação a uma psicologia, mesmo dando ao homem o tratamento como uma espĆ©cie, ou um gĆŖnero.

Ā 

Clips do vĆ­deo Falando nisso 254 – Neoliberalismo e sofrimento, para comentĆ”rio

ComentÔrios 

O livro ā€˜Nascimento da biopolĆ­tica’, de 1978-1979, sim, figura na lista de referĆŖncias do vĆ­deo 254;

  • mas o ā€˜As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, do mesmo autor, publicado em 1966 pela primeira vez, estĆ” fora dessa lista; e Ć© nessa obra que o surgimento da classe especial de saberes que chamamos ā€˜ciĆŖncias humanas’ como a biopolĆ­tica, Ć© descrita, dando conta dos seus modelos constituintes.

A importĆ¢ncia disso – se atentarmos para o pensamento de Michel FoucaultĀ  no ‘As palavras e as coisas’ pode ser avaliada sob dois aspectos:

  • Foucault questiona as produƧƵes do pensamento – teorias, modelos e sistemas –Ā  sob suas condiƧƵes de possibilidade no pensamento;
  • Foucault nĆ£o analisa teorias, modelos e sistemas quando jĆ” formulados e configurados, prontos e em utilização, mas antes, analisa-os sob suas condiƧƵes de possibilidade no pensamento, que ele identifica criteriosamente em cada perĆ­odo.

Ɖ que nesse livro o autor identifica as condiƧƵes de possibilidade no pensamento de produƧƵes do pensamento ao longo do tempo e distingue dois perĆ­odos separados justamente por uma mudanƧa epistemológica, ou uma alteração nessas condiƧƵes de possibilidade do pensamento usado.

E teorias, modelos e sistemas, como construções do pensamento, foram construídas por autores imersos nos dois períodos históricos, no antes,  e no depois desse evento; e as mudanças enquanto estavam sendo feitas, no durante.

Por favor vejaĀ 

Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825

e depois, vejaĀ 

A forma dos modelos em cada configuração do pensamento

Ā 

e por favor veja ainda

Funcionamento das operações, para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775 e 1825

Na descrição desse evento, ao qual Foucault atribui o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento, temos

  • amplitude das alteraƧƵes no modo de ser do pensamento: entre os anos de 1775 e 1825;
  • primeira fase: entre 1775 e 1795;
  • fase de ruptura: os Ćŗltimos 5 anos do sĆ©culo XVIII;
  • Segunda fase: entre 1800 e 1825.
  • idade clĆ”ssica, ou pensamento clĆ”ssico, para o qual ele estabelece o limite superior de tempo como o final do sĆ©culo XVIII com fase de ruptura nos Ćŗltimos 5 anos desse sĆ©culo;
  • idade moderna, ou nossa modernidade no pensamento: depois de 1825.

Como última atenção ao que Foucault tem a dizer nesse grande livro, veja

Condições de possibilidade das ciências humanas: consciência epistemológica do homem

“Antes do fim do sĆ©culo XVIII,
o homem nĆ£o existia. 
NĆ£o mais que a potĆŖncia da vida,
a fecundidade do trabalho 
ou a espessura histórica da linguagem. (…) 

Certamente poder-se-ia dizer que 
a gramĆ”tica geral, a história natural, a anĆ”lise das riquezas 
eram, num certo sentido, maneiras de reconhecer o homem, 
mas Ć© preciso discernir. 

Sem dĆŗvida, as ciĆŖncias naturais – 
trataram do homem 
como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero
a discussão sobre o problema das raças, no século XVIII, a testemunha.
A gramÔtica e a economia, por outro lado, utilizavam noções como as de necessidade, de desejo, ou de memória e de imaginação.

Mas nĆ£o havia consciĆŖncia epistemológica do homem como tal. 

A episteme clƔssica se articula segundo linhas que
de modo algum 
isolam
o domĆ­nio próprio e especĆ­fico do homem.” 

Cartilha; Cap. 9 – O homem e seus duplos; II. O lugar do rei

“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;
tampouco filologia. 
Mas sim
uma história natural,
uma gramĆ”tica geral. 
Do mesmo modo, 
não hÔ economia política
porque, 
na ordem do saber,
a produção nĆ£o existe. ā€œ 
Cartilha; Cap. 6 – Trocar; tópico I – A anĆ”lise das riquezas

Isso Ć© o que nos ensina a Cartilha. 

Como seria uma noção denominada ‘sujeito’ cunhada por pensadores clĆ”ssicos e que, portanto trataram do homem como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero

Como seria um sujeito na modernidade, visto como uma espécie ou um gênero

E como seria uma psicologia sustentada por um pensamento que leve o homem nessa conta?

No pensamento de Foucault, vê-se claramente duas rupturas duas descontinuidades epistemológicas em nossa cultura:

  • aquela que inaugura a idade clĆ”ssica (por volta de meados do sĆ©culo XVII) ,
  • e aquela que no inĆ­cio do sĆ©culo XIX, marca o limiar de nossa modernidade.

Essa última ruptura é situada por Foucault na virada dos séculos XVIII para o XIX, e pode ser vista por este link:

A cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

em uma animação que coloca em uma imagem, o texto de Michel Foucault em ā€˜As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’.

Mas Adam Smith e David Ricardo pensavam de maneira bastante distinta. Podemos ver isso em

Os dois conceitos filosóficos para o que seja trabalho,
as operaƧƵes de troca, e comparaƧƵes entre os dois princƭpios de trabalho, feitas por Foucault

E as diferenƧas, explicitadas com palavras de Foucault, sĆ£o muito grandes. O modo de ver o que sejam ‘operaƧƵes’ Ć© muito mais amplo em Ricardo do que em Smith, com as consequĆŖncias que isso acarreta.

E existem atualmente, e entre nós, teorias, modelos e sistemas utilizados, que modelam operações dos dois modos, sem consciência epistemológica do que estÔ envolvido nisso.

Veja isso nos links abaixo:

Essa cronologia posiciona Adam Smith e David Ricardo em lados opostos desse evento, ao qual Foucault atribui o papel de ā€˜evento fundador da nossa modernidade’ no pensamento.

ā€œA partir de Ricardo, o trabalho,
desnivelado em relação à representação,
e instalando-se em uma região
onde ela não tem mais domínio,
organiza-se segundo uma causalidade que lhe Ć© própria.ā€
Cartilha; Ā Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico II. Ricardo

Esse movimento do pensamento que Foucault percebe em Ricardo é o mesmo movimento feito por um autor que construa sua teoria, modelo ou sistema baseado na representação.

ā€œA diferenƧa, porĆ©m, entre Smith e Ricardo estĆ” no seguinte:Ā 

  • para o primeiro, o trabalho, porque analisĆ”vel em jornadas de subsistĆŖncia, pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias (de que fazem parte os próprios bens necessĆ”rios Ć  subsistĆŖncia);
  • para o segundo, a quantidade de trabalho permite fixar o valor de uma coisa,Ā 
    • nĆ£o apenas porque este seja representĆ”vel em unidades de trabalho,
    • mas primeiro e fundamentalmenteĀ 
      porque o trabalho
      como atividade de produção 
      Ć© ā€œa fonte de todo valorā€.

ā€œEnquanto no pensamento clĆ”ssico
o comƩrcio e a troca servem
de base insuperƔvel para a anƔlise das riquezas
(e isso mesmo ainda em Adam Smith, para quem
a divisão do trabalho é comandada pelos critérios da permuta), 

desde Ricardo,
a possibilidade da troca
estĆ” assentada no trabalho;Ā 
e a teoria da produção, doravante,
deverĆ” sempre preceder a da circulação.ā€
Ā 

Cartilha, Cap. 8. Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo

VĆŖ-se que a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, em David Ricardo, Ć© muito maior se comparada Ć  amplitude da visĆ£o de Adam Smith. Para Ricardo toda ā€˜aquela atividade que estĆ” na raiz do valor das coisas’, a produção, estĆ” incluĆ­da, juntamente e ao lado de trabalho como mercadoria, o que nĆ£o acontece em Adam Smith.

Veja novamenteĀ 

Funcionamento das operações para configurações do pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos 1775-1825

Note que as diferenƧas nas operaƧƵes, inclusive as de troca, sĆ£o muito grandes no pensamento de Adam Smith e no pensamento de David Ricardo. Se consideramos os dois modelos de operaƧƵes, essas diferenƧas sĆ£o fĆ­sicas. O pensamento de David Ricardo amplia sobremaneira a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, incluindo a fase de ‘projeto’ ou de construção de representação nova.

Além disso, decorrentes das diferenças nas operações, altera-se a configuração da linguagem no antes e no depois desse evento. Muda, nas palavras de Foucault, a origem da essência da linguagem. Veja isso na pÔgina

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função dessa inserção do ponto de inĆ­cio de leitura de ‘operaƧƵes’;

Mesmo assim, no vĆ­deo Falando nisso 254, e no contexto da anĆ”lise da incidĆŖncia do trabalho na formação da subjetividade, Adam Smith e Ricardo sĆ£o tomados juntos e indiferenciados, como pertencentes ao mesmo bloco ā€˜matriz’ que permitiria a construção da noção de sujeito na modernidade!

Ā Complexity:Ā 

Ā the emerging science at the edge
of order and chaos,Ā 

de M. Mitchell Waldrop
1992

Os vƭdeos e animaƧƵes (parciais) a seguir mostram duas maneiras de ver o que seja Complexidade:

  • MĆ“nica de Bolle, vĆŖ o conteĆŗdo do livro ‘Complexidade’ como sendo um pouco coisa de nerd, muito embora ela ache o assunto fascinante.
    • no vĆ­deo 32 seguinte,Ā  MĆ“nica tambĆ©m se posiciona fora daquele grupo de economistas que vĆŖ a economia como uma maquininha da qual as pessoas estĆ£o fora; um pensamento mecanicista, ela diz. Mas nĆ£o diz qual seja o seu modo próprio de ver a economia dos nossos dias.
  • Ilya Prigogine, prĆŖmio Nobel de QuĆ­mica de 1977 e pioneiro da ciĆŖncia do nĆ£o equilĆ­brio, diz que a nova ciĆŖncia do caos e da complexidade lida com a própria ciĆŖncia moderna, e com o novo tipo de ordem que lhe Ć© próprio, o caos.

A coleção de animações que se segue a esta mostra os modelos de operações:

  • no pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775;
  • e no pensamento moderno, o de depois de 1825.

Esses modelos de operaƧƵes tĆŖm entre eles uma descontinuidade epistemológica que segundo Foucault, ocorreu em nossa cultura entre os anos de 1775 e 1825 – os 50 anos centrados na virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX.

Se depois da compreensão dos modelos de operações mostrados for possível concluir que

  • o tipo de ordem a que alude PrigogineĀ 
  • o tipo de ordem adotado no pensamento moderno

são ao fim e ao cabo a mesma ordem, teremos ajudado. E se isso acontecer, teremos um modelo de pensamento que pode substituir o modelo mecanicista ao qual MÓnica se refere.

Clips desse vĆ­deo para comentar

ComentÔrios 

para comparar o que dizem os filósofos de diferentes Ć”reas, – e tambĆ©m os economistas – uns mais e outros menos voltados aos fenĆ“menos que acontecem ao seu redor, veja os seguintes modelos de operaƧƵes:

  • pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775,Ā 
  • pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825:
    • caminho da Construção da representação;
    • caminho do Instanciamento da representação.
  • origem de valor carregado pela proposição para a representação no pensamento moderno, caminho da Construção da representação.

NOTA: clicando na figura da origem do valor, vocĆŖ tem acesso ao pensamento de Michel Foucault sobre isso.

Sobre origem do valor carregado pela proposição para a representação, nas palavras de Michel Foucault, veja a seguinte pÔgina:  

As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆ­cio da leitura do fenĆ“meno ā€˜operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função da inserção do ponto de inĆ­cio de leitura de ā€˜operaƧƵes’

com as seguintes origens de valor atribuído à proposição:

  • designaƧƵes primitivas;
  • linguagem de ação ou raiz.

Veja ainda sobre as duas opções de atribuição de valor à proposição:

  • a operação sob o pensamento clĆ”ssico tem o ponto de inĆ­cio na visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ colocado sobre o cruzamento entre os objetos dado e recebido, ainda que nesse tipo de pensamento a noção de objeto seja distinta da que vige no pensamento moderno;
    • o valor Ć© atribuĆ­do diretamente Ć  proposição.
  • a operação sob o pensamento moderno – quando no caminho da Construção da representação, tem o ponto de inĆ­cio na visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ bem antes desse cruzamento, quando ainda o objeto da operação modelada ainda nĆ£o existe;
    • a origem do valor estĆ” em dois elementos externos Ć  linguagem:
      • designaƧƵes primitivas;
      • linguagem de ação ou de uso.
    • a visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© muito ampliada englobando toda a etapa da construção de representação nova (projeto).

Monica de Bolle identifica entre os economistas, não ela, mas economistas como categoria, quem pense em um modelo mecanicista.

ComentƔrios

Manual de uso e projeto de modelos no campo das ciĆŖncias humanas, por Michel Foucault

Manual de uso e projeto de modelos no campo das ciĆŖncias humanas, por Michel Foucault

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura

A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura

A forma de reflexão que se instaura
com esse perfil de conceitos do pensamento moderno, o de depois de 1825

“Instaura-se
uma forma de reflexão,
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.Ā 

Ā 

Isso tem duas conseqüências.

A primeira Ć© negativa
e de ordem puramente histórica.
Pode parecer que a fenomenologia juntou,
um ao outro,
o tema cartesiano do cogito
e o motivo transcendental
que Kant extraĆ­ra de Hume; (…)”

Ā A outra consequĆŖncia Ć© positiva.
Concerne à relação
do homem
com o impensado,
ou mais exatamente,
ao seu aparecimento gĆŖmeo
na cultura ocidental.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 9 – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado
de Michel Foucault

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Michel Foucault 1926-1984

A percepção da contaminação do pensamento com o qual pensamos, pela impossibilidade de fundar as sínteses na representação

“Eis que nos adiantamos bem para alĆ©m
do acontecimento histórico que se impunha situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas
dessa ruptura que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo
de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.

Ɖ que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo
e com o qual, queiramos ou não, pensamos,
se acha ainda muito dominado
pela impossibilidade,
trazida Ơ luz por volta do fim do sƩculo XVIII,
de fundar as sínteses no espaço da representação
e pela obrigação
correlativa, simultânea,

mas logo dividida contra si mesma,
de abrir o campo transcendental da subjetividade
e de constituir inversamente,
para alƩm do objeto,
esses ā€œquase-transcendentaisā€ que sĆ£o para nós
a Vida, o Trabalho, a Linguagem.”

A nova forma de reflexĆ£o se instaura no pensamento em nossa cultura, o motor constituinte “dessa maneira moderna de conhecer empiricidades”

“Instaura-se um tipo de reflexĆ£o
bastante afastado do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos ;
tópico V – O “cogito” e o impensado.

  • a impossibilidade de fundar as sĆ­nteses [da empiricidade objeto da operação] no espaƧo da representação leva o pensamento para a epistemĆ© clĆ”ssica.
  • essa impossibilidade de fundar as sĆ­nteses implica na seleção da visĆ£o de ‘operaƧƵes’ e anĆ”lise de valor no exato ponto de cruzamento entre o dado e o recebido, e para a primeira possibilidade de anĆ”lise de valor.Ā 
  • a possibilidade de fundar as sĆ­nteses [da empiricidade objeto da operação] no espaƧo da representação leva o pensamento para a epistemĆ© moderna.
  • essa possibilidade de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação implica em uma visĆ£o de ‘operaƧƵes’ e anĆ”lise de valor antes do ponto de cruzamento acima, o que leva o modelo para a segunda possibilidade de anĆ”lise de valor.
  • essa forma de reflexĆ£o que se instaura no pensamento em nossa cultura exige duas coisas:Ā 
    • o ‘ser do homem’;
    • o impensado e sua contrapartida no espaƧo da representação

a percepção  dessa contaminação, dominação mesmo,
do pensamentoĀ com o qual ‘queiramos ou nĆ£o‘ pensamos,
– hoje em dia, e aqui e agora –
por configuraƧƵes de pensamento
com a possibilidade, e tambƩm
com aĀ impossibilidade
de fundar as sĆ­nteses – da empiricidade objeto –Ā 
no espaço da representação
muda completamente os domƭnios e os lugares onde ocorrem as operaƧƵes,
Ā as paletas de ideias ou elementos de imagem, assim como as estruturas e os relacionamentos entre eles.

A primeira pedra de tropeƧo
no caminho de Michel Foucault
comparaƧƵes feitas por Foucault de diferentes configuraƧƵes de pensamento
Uma operação, de pensamento, de produção, etc. com a paleta de ideias e a estrutura do pensamento moderno, de depois da descontinuidade epistemológica ocorrida no período 1775-1825, segundo Michel Foucault

HĆ” diferentes modelos
que formulamos paraĀ 
visões de ocorrências 
no espaƧo-tempo x, y, z e t.

Ao suspeitar
da contaminação do pensamento
– do nosso, daquele com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos –
por essa impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação, ele manifesta sua percepção de que de fato isso acontece em volta de nós e conosco.

Esses modelos,
diferentes em seus fundamentos,
são usados juntos
e/ou simultaneamente
no mesmoĀ domĆ­nio e ambienteĀ 
em um pensamento
contaminado
por duas epistemologias,
ou por duas maneiras
de conhecer
aquilo que dizemos
que conhecemos.

Existem modelos,
todos em uso atualmente,
que podem ser agrupados
em duas famĆ­lias:

  • aqueles com aĀ possibilidade
  • e aqueles com aĀ impossibilidadeĀ 

Ā de fundar as sĆ­nteses
Ā – da empiricidade objeto da operação-
no espaço da representação.

Essa a distinção entre modelos
Ā Ā com e modelos sem essa possibilidade
de fundar as sĆ­nteses
[da empiricidade objeto da operação]
no espaço da representação,
que Michel Foucault faz sugere que analisemos os modelos de operações e de organizações existentes, isto é, nos modelos que usamos hoje, em busca de características de características, ou características de segunda ordem, pelas quais podem ser associados com o pensamento antes, depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, oferecendo os necessÔrios elementos para identificação.

A figura na coluna do meio acima mostra a configuração do pensamento (o clÔssico,  de antes de 1775), com a impossibilidade de fundar as sínteses (da(s) empiricidade(s) objeto da operação) no espaço da representação.

Clicando nessa figura, a animação mostrarÔ as alterações em toda a configuração do pensamento, para levantar essa impossibilidade.

A alteração se passa no lado direito da figura. 

A primeira coisa que muda é o tipo de reflexão que se instaura. 

Como decorrĆŖncia, muda toda a paleta de ideias, ou elementos de imagem;Ā 

Muda ainda o perfil do pensamento em cada configuração: 

  • o referencial
      • a ordem pela ordem
      • dĆ” lugar Ć  utopia do nĆ£o articulado;
  • os princĆ­pios organizadores
      • que eram CarĆ”ter e Similitude
      • passam a ser Analogia e SucessĆ£o;
  • e os mĆ©todos,
      • que eram identidade e semelhanƧa
      • passam a ser AnĆ”lise e SĆ­ntese.

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dez (10) pontos para contextualização entre PrefÔcio e texto do livro
'As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas'

1. A Forma de Reflexão que se instaura em nossa cultura
2. Proposição: o bloco padrão genérico e fundamental
para construção de representações
3. Princípios organizadores do pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
4. O Conceito de verbo no pensamento clƔssico,
o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
5. O conceito de verbo no pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
6. As duas sintaxes mencionadas por Foucault no PrefƔcio
6.1 A sintaxe que autoriza a construção das frases
6.2 A sintaxe que autoriza manter juntas
as palavras e as coisas
7. O princĆ­pio monolĆ­tico de trabalho de Adam Smith,
de 1776
8. O princĆ­pio dual de trabalho de David Ricardo,
de 1817
8.1 A importância de David Ricardo,

Nosso roteiro (Michel Foucault) e nossa inspiração (Humberto Maturana)

Influências e inspirações

1 a influĆŖncia de VilĆ©m Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’:Ā 

uso das funções reversíveis Imaginação e Conceituação para navegar, ida e volta, entre 

textos ↔ imagens ↔ e ocorrĆŖncias espacio-temporais;Ā 

e ainda, não menos importante

    • as imagens tradicionais, as imagens tĆ©cnicas, as classes de abstraƧƵes que usamos cotidianamente;
VilƩm-Flusser-Portrait-008
VilƩm Flusser
1920-1991

2 as sugestƵes de Humberto Maturana nos livros: Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆ­tica; ‘De mĆ”quinas e de seres vivos’:

objeƧƵes e propostas de mudanƧa feitas por Maturana ao fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, aceitação de algumas das crĆ­ticas feitas, e aparentemente, uma alteração de rota;

Humberto Maturana
1928-

3 a influĆŖncia especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’:

a descoberta de duas pedras de tropeƧo durante seu trabalho nesse livro, a saber:

    • uma impossibilidade (ainda em nossos dias) de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação, presente no nosso pensamento cotidiano;
    • e uma obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida(Biologia), Trabalho(Economia) e Linguagem(Filologia).
Michel Foucault
1926-1984

Roteiro e inspiração

Fale conosco

O sistema SIPOC/FEPSC

O ontologia do sistema SIPOC/FEPSC

- História, modo de ser fundamental das empiricidades,
. o Circuito das trocas e o Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico
. Pensamento conservador e pensamento progressista

Posição relativa do par sujeito-objeto e o modelo de operações

Aquém 

história como sucessão de fatos
tais como se sucederam

História como sucessão de fatos tais como se sucederam

Diante e AlƩm

história como alteraƧƵes no ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades

História como mudança no 'modo de ser fundamental'

Duas possibilidades de leitura de operaƧƵes;
duas origens de valor (interna e externa na linguagem) para representaƧƵes

Duas visƵes, duas leituras do fenƓmeno 'operaƧƵes':
sob o pensamento clƔssico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - duas abrangĆŖncias muito diferentes

Ciência e Tecnologia dependem da Filosofia e são funções das ferramentas de pensamento de que dispõe a configuração do pensamento utilizada em sua geração.

Os três movimentos do pensamento segundo Vilém Flusser

Usando o pensamento de VilƩm Flusser:

  • Pensamento Ć© um transformador do duvidoso em lĆ­ngua;
  • Filosofia, ou ReflexĆ£o, Ć© texto produzido pelo pensamento ao voltar-se contra si mesmo para corrigir-se e renovar-se.
  • ciĆŖncia, como o resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo, para compreendĆŖ-lo, é texto filosófico aplicado.Ā 
  • e tecnologia, como resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo para modificĆ”-lo, Ć© texto cientĆ­fico aplicado;Ā 

Descontinuidades epistemológicas refletem conquistas humanas no pensamento e são aprimoramentos na maneira que usamos para conhecer.  HÔ portanto uma relação entre, de um lado, o modo como colocamos em marcha nosso desejo de transformar o duvidoso em língua a cada nível, e de outro lado, a filosofia que temos, e a Ciência que temos, ou a tecnologia de que dispomos. Filosofia, Ciência e Tecnologia são funções do como como vemos o mundo e as coisas.

Michel Foucault (*) descreve uma descontinuidade epistemológica (uma alteração no modo como nos voltamos para o mundo para conhecer o que dizemos que conhecemos), e aponta com toda clareza diferentes jogos de ferramentas de pensamento ou estruturas conceituais, características de uma e de outra dessas epistemologias, de um e de outro lado desse evento. E aponta um período em nossa cultura ocidental, em que o pensamento esteve dominado por uma característica do período anterior.

A solução de questões trazidas à luz por essa nova maneira de conhecer (a nova epistemologia) não poderão ser resolvidas se correspondentes ciência e tecnologia não forem desenvolvidas também.

Pensamento conservador e progressista

Acompanhando o trabalho arqueológico de Michel Foucault em direção a essa classe especial de saberes, a esse conjunto de discursos chamado de ciências humanas, vê-se que em certo período consolidou-se um tipo de pensamento em cuja configuração a etapa de construção de novas representações foi incorporada. Antes disso, essa etapa de construção da representação nova ficava fora do escopo do pensamento, e depois disso essa etapa permaneceu definitivamente incorporada.

Para a configuração de pensamento que deixa fora do seu escopo a etapa de construção de novas representações a alternativa é conviver com tudo o que existe desde sempre e para sempre, tomando as coisas como pré-existentes e pertencentes ao Universo. Esse modo de pensar tem características de conservadorismo, enquanto aquela outra configuração do pensamento que inclui em seu escopo a geração de novas representações, as características de progressismo.

Neste trabalho algumas – bastantes – caracterĆ­sticas de uma e de outra dessas duas caracterĆ­sticas de configuraƧƵes do pensamento foram apresentadas o que de certa forma pode ser usado para qualificar com algo mais do que a qualidade ‘conservador’ um pensamento de direita; e com a qualidade ‘progressista’ um pensamento de esquerda, delineando com mais precisĆ£o uma e outra dessas configuraƧƵes.

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

Panorama visto desde meu posto de observação

Ɖ real hoje, aqui, agora, e entre nós, a percepção – feita por Foucault – do domĆ­nio/contaminação do pensamento – ‘com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos‘ – pela impossibilidade de fundar as sĆ­nteses (do pensamento sobre a empiricidade objeto da operação) no espaƧo da representação(*).

Esse tipo de pensamento dominante, aquele com a impossibilidade de fundar as sínteses, é ao mesmo tempo o tipo de pensamento que não inclui a operação de construção de novas representações. E a estrutura das operações sem essa etapa reforça essa impossibilidade. Nesse contexto modelos com e modelos sem essa impossibilidade são tratados como se variações sobre o mesmo tema fossem, e não produções do pensamento completamente diferentes.

Estamos projetando e usando hoje, modelos para operações e organizações, de produção e outras, com o pensamento de exatos dois séculos atrÔs.

Para que isso possa ser percebido pelo projetista de modelos em diversas Ôreas é necessÔrio o rompimento das condições em que se dÔ essa contaminação e esse domínio de uma das configurações de pensamento sobre a outra, obliterando justamente aquela que corresponde a uma conquista humana no pensamento. Para que isso aconteça é necessÔrio que seja atendido um requisito: a construção de um critério para identificação e comparação de modelos, e sua aplicação no caso presente.

Daqui de onde vejo as coisas, Ć© unĆ¢nime a visĆ£o das coisas em termos de processo. NinguĆ©m fala de nada alĆ©m de processos: mapeia-se processos, otimiza-se processos, etc. etc. o que quer que seja, mas sempre processos. Sem que nos demos conta de como sejam as diferentes estruturas das operaƧƵes em que tais ‘processos’ ocupam posição operacional.Ā 

Michel Foucault pode fornecer os elementos necessĆ”rios para a construção desse critĆ©rio. Nossa intenção aqui Ć© destacar em Foucault o que pode ser usado para o estabelecimento de uma relação pensamento – e sua aplicação na modelagem de operaƧƵes em organizaƧƵes.Ā 

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

Cronologia do evento fundador da nossa modernidade no pensamento;
linha de tempo com os períodos de contaminação do pensamento
por configuraƧƵes diferentes.

uma cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
o evento fundador da nossa modernidade no pensamento
Linha de tempo das conquistas humanas no pensamento e respectiva utilização prÔtica

Acoplamentos estruturais do sistema descrito no LD - o Explicar com Reformular: os internos e aqueles com o ambiente externo

Diante e para AlƩm do objeto

Acoplamento estrutural interno:
condiƧƵes de possibilidade
Acoplamento estrutural interno:
pontos de acoplamento
Acoplamento estrutural externo:
parcial quando hƔ diferenƧas nas estruturas
  • os domĆ­nios do Operar – retĆ¢ngulo vermelho; e do Suporte ao operar – domĆ­nio amarelo, que compƵem o ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆ­rico’ parte do ‘Explicar com ‘Reformular’ a empiricidade objeto, durante o caminho da Construção da representação, sĆ£o exemplo do primeiro acoplamento interno. Acoplamento semelhante ocorre durante o caminho do Instanciamento da representação.(*)

    Ā 

  • hĆ” ainda acoplamentos externos ‘por cima’, lateralmente, e por baixo da estrutura no LD da figura nos dois caminhos o da Construção e o do Instanciamento. O acoplamento externo ‘por cima’ depende da estrutura com a qual se darĆ” acopamento, e pode ser parcial.

Playground para projetistas de modelos: uma coleção de modelos de diversos tipos, para aplicação dos conceitos apresentados

Uma coleção com mais de duas dúzias de modelos, (*) para descobrir com que tipo de pensamento foram feitos:

  • se COM a possibilidade de fundar as sĆ­nteses do pensamento no espaƧo da representação; ou
  • ou se SEM a possibilidade de fundar as sĆ­nteses do pensamento no espaƧo da representação

(*) Proposta de metodologia para o planejamento e implantação de manufatura integrada por computador
de Bremer, C. F. USP SC fev 1995;Ā entre outras fontes

Estruturas dos modelos, resultantes da utilização do referencial,dos princípios organizadores e dos métodos usados pelo pensamento, por segmento de modelos 

AquƩm do objeto

Modelo de operações de Buffa e modelo de uma organização adaptado de Mauro Zilbovicius

Diante do objeto

Modelo de operações do Kanban e modelo de organização da Reengenharia

AlƩm do objeto

Modelo de uma ciência humana AnÔlise da produção como exemplo de qualquer outro modelo de ciência humana
Estrutura matricial – Quadro de categorias clĆ”ssico. Utilização de vĆ”rias ordens ligeiramente diferentes em um mesmo modelo de operaƧƵes.
Estrutura hierÔrquica característica do objeto anÔlogo composto substitutivo ao vislumbrado. Utilização de uma única ordem ao longo do modelo.
Mesmas características dos modelos para o segmento Diante do objeto, mas aqui, com um modelo constituinte combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

O modelo 5W2H, de um lado, e de outro, o modelo de operaƧƵes do Kanban
e o modelo proposto no LD da Figura 2: usos diferentes para as mesmas ideias
ou elementos de imagem envolvidos na formulação da proposição

AquƩm do objeto

Diante e Além do objeto

Modelo Provision Workbench, da Proforma
Modelo de operações de produção do Kanban
Modelo proposto para 'uma certa maneira de conhecer empiricidades'

O exame dessas três figuras mostra que ideias, elementos de imagem, homÓnimos, podem ser usados de modo diferente em modelos feitos sob estruturas conceituais diferentes.

No modelo 5W e 2H no lado esquerdo acima, o destaque dado pelo losango em vermelho Ć© nosso. NĆ£o estava na figura original. A figura Ć© organizada por um sistema de categorias composto pelas 7 perguntas 5W2H.Ā 

O modelo da produção do Kanban é sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto da operação de produção, e é formulado como uma proposição instanciativa de um objeto previamente projetado, e portanto cuja representação foi anteriormente construída

O modelo de operações de construção de representação para empiricidade objeto (LD da figura) é feito calcado no Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo; estÔ evidenciada a formulação no formato de uma proposição. A origem de valor adotada estÔ nas designações primitivas ( conjunto de operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites) e da linguagem de uso (o Repositório)

O pensamento de outros grandes pensadores:
John Dewey e seus dois modos de ver o mundo;
Ilya Prigogine e o conceito de caos para a ciĆŖncia moderna

Diante do objeto

Ver [homem e experiĆŖncia] e [natureza] vistos juntos
Os conceitos de caos, na ciĆŖncia moderna;
e de Arte como a formulação com leis e eventos

As duas animaƧƵes acima – a nosso ver – apenas mostram que tanto John Dewey na sua visĆ£o [homem] [experiĆŖncia] e [natureza] juntos; quanto Ilya PrigogineĀ  na sua visĆ£o do que seja caos na ciĆŖncia moderna,Ā estĆ£o pensando com uma configuração de pensamentoĀ COM a possibilidade de fundar as sĆ­nteses no espaƧo da representação, o que nĆ£o era comum para a ciĆŖncia clĆ”ssica, toda reversĆ­vel.

Sistema Formulador

AquƩm do objeto

Modelo relacional de dados do Microsoft Project 4.0

Diante do objeto

Módulo central do Sistema Formulador

O Sistema Formulador:

Ɖ um ante-projeto de um sistema para gestĆ£o de projetos com estrutura conceitual consistente com o pensamento moderno.Ā 
O módulo principal do sistema é uma unidade lógica que relaciona entidades envolvidas na proposição enunciadora de operações, mantidas em banco de dados, e gera sistematicamente o modelo de operações. O Microsoft Project, então, importa o modelo gerado como se fosse próprio, e a gestão continua, agora com um modelo gramaticalmente correto e criteriosamente estruturado.

Este é um ante-projeto de um sistema de gestão COM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação; esse sistema pode evoluir para um sistema visual de gestão e outros aplicativos.

Destaque para dois modelos existentes:
1) LE, o SIPOC (FEPSC) do SixSigma; 2) LD e o Visão da PHD, da PHD Brasil
e no centro, as diferenƧas entre eles

AquƩm do objeto

O diagrama FEPSC (SIPOC) mostrando a estrutura

diferenƧas

Comparação

Diante do objeto

A Visão da PHD

Comparação do modelo SIPOC ou FEPSC – SixSigma(*) com o modelo VisĆ£o da PHD(**) do ponto de vista das estruturas respectivas.
A animação central mostra o que falta – estruturalmente – ao SixSigma para ter a estrutura do modelo da direita.

(*) Gestão integrada de processos e da tecnologia da informação; capítulo Identificação, anÔlise e melhoria de processos críticos Figura 3.1 Representação da FEPSC, de Roberto Gilioli Rotondaro
Coordenadores: Fernando JosƩ Barbin Laurindo e Roberto Gilioli Rotondaro, Editora Atlas, jan/2006
(**) A Visão da PHD, da empresa PHD Brasil

O mapa de operações de produção do Kanban;
e o mapa da organização segundo a Reengenharia

Diante do objeto

Modelo de operaƧƵes
do Kanban

Modelo de operaƧƵes do Kanban

Mapa da organização
segundo a Reengenharia

Mapa da Reengenharia (modificado) e comentado

Temos à esquerda, o modelo do Kanban com a referência (*) abaixo. e Ô direita, a Figura 7.1 do livro Reengenharia, referência (**) abaixo. São organizados sobre a proposição, e pertencem à configuração do pensamento moderno.  Você pode certificar-se  da veracidade dessas duas afirmativas neste ponto (17).

(*) Artigo ‘A comparison of Kanban and MRP concepts for the control of Repetitive Manufacturing Systems’ de:
James W. Rice da Western Kentucky University eĀ Takeo Yoshikawa da Yolohama National University
(**) Reengenharia – revolucionando a empresa: em função dos clientes, da concorrĆŖncia e das grandes mudanƧas da gerĆŖnciaĀ 
de Michael Hammer eĀ James Champy

Exemplos de modelos existentes, e muito usados,
nas diferentes estruturas conceituais

AquƩm do objeto

DianteĀ do objeto

Modelos de: operação de produção; e organização típica
Modelos de: operação contÔbil/financeira e modelo de organização
Modelos de: operação de produção do Kanban; e modelo de organização da Reengenharia

Exemplos de modelos muito conhecidos para operaƧƵes e para as organizaƧƵes

  • operação: OperaƧƵes de produção, de Elwood S. Buffa;
  • organização: adaptação de Organização tĆ­pica.
  • operação: operação contĆ”bil financeira dĆ©bito e crĆ©dito;
  • organização: Ativo, Passivo e Resultados.
  • operação: modelo do Kanban;
  • organização: mapa da reengenharia.

A proposição como o bloco construtivo padrão  (Lego)
fundamental para a construção de representações

AquƩm do objeto

Proposição ausente
do sistema Input-Output

Diante do objeto

A proposição no caminho
da Construção da representação

AlƩm do objeto

A proposição no caminho
do Instanciamento da Representação

‘A proposição Ć©, para a linguagem,
o que a representação é para o pensamento:
sua forma ao mesmo tempo mais geral e mais elementarĀ porquanto, desde que a decomponhamos, nĆ£o encontraremos mais o discurso,Ā mas seus elementos como tantos materiais dispersos.’(*)

“A lĆ­ngua Ć©
a mais complexa,
a mais milagrosa,
a mais estranha,
a mais gigantesca e variada
invenção humana.” (**)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

Ā 


(**) Frases de Millor Fernandes

Os dois conceitos para o que seja um verbo:
verbo Processo, e verbo Forma de produção

AquƩm do objeto
verbo ‘Processo

Verbo tratado como Processo

Diante e AlƩm do objeto
verbo ‘Forma de produção’

Verbo tratado como Forma de produção

“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma
Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes; 
por exemplo
a do verde e da Ɣrvore,
a do homem e da existĆŖncia ou da morte. 

Ɖ por isso que o tempo dos verbos
não indica aquele em que
as coisas aconteceram no absoluto, 
mas um sistema relativo  
de anterioridade
ou simultaneidade 
das coisas entre si.”
(*)

“O limiar da linguagem
estĆ” onde surge o verbo.
Ɖ preciso portanto 
tratar esse verbo como um ser misto, 
ao mesmo tempo palavra entre palavras,
preso Ć s mesmas regras 
de regĆŖncia
e de concordância;
e depois, em recuo em relação a elas todas, 
numa regiĆ£o que nĆ£o Ć© aquela do falado 
mas aquela donde se fala.
Ele estĆ” na orla do discurso, na juntura entre 
aquilo que Ć© dito e aquilo que se diz; 
exatamente lĆ” onde os signos 
estão em via de se tornar linguagem.
(*)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

Os dois conceitos para o que seja 'Classificar'

AquƩm do objeto

Classificar como uma referĆŖncia
do visĆ­vel a si mesmo

Diante e AlƩm do objeto

Classificar como uma referĆŖncia
do visĆ­vel ao invisĆ­vel

Classificar Ć© referir
o visĆ­vel a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.(*)

Classificar Ć© referir
o visĆ­vel ao invisĆ­vel
– como a sua razĆ£o profunda –
e depois, alçar de novo dessa secreta arquitetura, em direção aos seus sinais manifestos, que são dados
Ć  superfĆ­cie dos corpos.
(*)


(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
cap. VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres; sub-item 3

Os dois princípios filosóficos para o que seja de trabalho

AquƩm do objeto
Adam Smith, de 1776(*)

PrincĆ­pio monolĆ­tico de trabalho
de Adam Smith, de 1776

Diante e AlƩm do objeto
David Ricardo, de 1817(**)

PrincĆ­pio dual de trabalho
de David Ricardo, de 1817


As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā 
(*) CapĆ­tulo VII – Os limites da representação;
tópico II. A medida do trabalho;


As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
(**) CapĆ­tulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico II. Ricardo

Elementos centrais em cada formulação por segmento do espectro

AquƩm do objeto
PROCESSO

Diante do objeto
Forma de produção

AlƩm do objeto
NEXO DA PRODUƇƃO

Processo: elemento central
no modelo de operação clÔssico
Forma de produção: elemento central
no modelo de operaƧƵes moderno
Nexo da produção: resultante da visão
SSS da organização

Em um pensamento mĆ”gico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mĆ”gica de condĆ£o’ –Ā Ā Ć© possĆ­vel desejar algo e, sem mais qualquer providĆŖncia, vĆŖ-lo surgir Ć  nossa frente depois do Plin!!!Ā 

Num ambiente de produção real, porĆ©m, nada Ć© produzido sem um instrumento (laboratório piloto, fĆ”brica)Ā com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS Ć© isso: a modelagem das operaƧƵes de produção do objeto desejado juntamente com as operaƧƵes de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fĆ”brica, subindo um nĆ­vel estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo IV – Falar; tópico II. GramĆ”tica geral
CapĆ­tulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; I. As novas empiricidades

EspaƧos Gerais do Saber
em cada segmento do espectro

AquƩm do objeto

DianteĀ do objeto

AlƩm do objeto

EspaƧo Geral do Saber ClƔssico
EspaƧo Geral do Saber no pensamento Moderno
EspaƧo interior do Triedro do Saber

As mudanças nas configurações do pensamento promoveram reposicionamentos das positividades umas em relação às outras, resultando em três espaços gerais do saber.(*)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo III – Representar; tópico VI. MathĆ©sis e Taxinomia;
CapĆ­tulo X – As ciĆŖncias humanas; tópico I – O triedro dos saberes;Ā 
de Michel Foucault

O tempo em cada uma das faixas do espectro;
e para as diferentes etapas das operaƧƵes indicadas

AquƩm
do objeto
qualquer operação

DianteĀ 
do objeto
caminho da Construção 

DianteĀ 
do objeto
caminho da Instanciamento

Tempo no LE, em qualquer operação no sistema Input-Output, sob o deus Chronos
Tempo LD, operação no caminho da Construção da representação,
sob o deus Kairós
Tempo LD, operação no caminho do Instanciamento da representação,
novamente sob o deus Chronos

Tempo, em cada um dos segmentos do espectro, muda:

  • aquĆ©m do objeto, na estrutura input-output sob o pensamento clĆ”ssico, temos um tempo relativo, ou um tempo calendĆ”rio, cujo deus Ć© Chronos;
  • diante do objeto mas no caminho da Construção da representação, sob o pensamento filosófico moderno, temos um tempo absoluto, um tempo nĆ£o-calendĆ”rio, cujo deus Ć© Kairós;
  • e ainda diante, e tambĆ©m alĆ©m do objeto, tempos um tempo que volta a ser relativo, calendĆ”rio, e a soberania volta a ser a de Chronos.

O espaƧo dado ao homem - 'naquilo que ele tem de empƭrico' -
na estrutura dos modelos

AquƩm do objeto

Diante e Além do objeto

Sistema clƔssico de pensamento:
sem espaƧo em sua estrutura
para os dois papƩis do homem.
Os dois papƩis do homem
presentes e operativos na estrutura
d'essa maneira moderna de conhecer empiricidades'

Antes do fim do sƩculo XVIII,
o homem nĆ£o existia. (…)
Sem dĆŗvida,
as ciĆŖncias naturais trataram do homem
como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico II. O lugar do rei

‘Na medida, porĆ©m, em que as coisas giram sobre si mesmas, reclamando para seu devir nĆ£o mais que o princĆ­pio de sua inteligibilidadeĀ e abandonando o espaƧo da representação,Ā o homem, por seu turno, entra e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental’ (*)

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papĆ©is: estĆ”, ao mesmo tempo, 

  • no fundamento de todas as positividades,
  • presente, de uma forma
    que nĆ£o se pode sequer dizer privilegiada,
    no elemento das coisas empĆ­ricas.” (**)

Ā (*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā 
PrefƔcio

(**) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā Ā 
CapĆ­tulo X – As ciĆŖncias humanas;
I. O triedro dos saberes

Desenvolvimento das operaƧƵes
por segmento do espectro de modelos

AquƩm do objeto

Diante do objeto

AlƩm do objeto

  • no sistema Input-Output; usando uma ordem arbitrariamente escolhida;
  • e com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas das coisas, as chamadas ‘aparĆŖncias’;
  • No sistema correspondente ao que Foucault chama de ‘essa maneira moderna de conhecer empiricidades’, que tem como elemento construtivo padrĆ£o fundamental a proposição, da qual herda as categorias de ideias ou elementos de imagem de primeiro nĆ­vel;
  • e com propriedades sim-originais e sim-constitutivas daquilo que se constitui na existĆŖncia em decorrĆŖncia das operaƧƵes.
  • No sistema formulado no campo das ciĆŖncias humanas, com modelos constituintes compostos por uma combinação dos modelos constituintes das ciĆŖncias que integram a regiĆ£o epistemológica fundamental, as ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
  • Nexo da operação.

Veja mais detalhes nas animações que podem ser encontradas nas pÔginas de detalhe deste tópico.

Funcionamento do pensamento
em cada um dos segmentos desse espectro

Antes do objeto

Diante do objeto

AlƩm do objeto

Operação no sistema Input-Output
sobre representaƧƵes prƩ-existentes
Operação de construção de representação não existente no repositório
Operação de instanciamento de representação pré-existente no repositório

Paletas com o conjunto completo de ideias ou elementos de imagem necessÔrios para a formulação das respectivas imagens das ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t ; incluindo relacionamentos entre esses elementos de imagem.(*)

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades, de Michel Foucault

Estruturas de conceitos em cada ambiente de formulação identificado pela possibilidade ou pela impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação

Posição em relação ao par sujeito-objeto

Estrutura conceitual
para o pensamento clƔssico
Estrutura conceitual
para o pensamento moderno

Referencial:

  • Ordem pela ordem;

PrincĆ­pios organizadores:Ā 

  • CarĆ”ter e similitude;

MƩtodos:

  • Identidade e semelhanƧa

Referencial:

  • Utopia;

PrincĆ­pios organizadores:Ā 

  • Analogia e SucessĆ£o;

MƩtodos:

  • AnĆ”lise e SĆ­ntese

‘Assim, estes trĆŖs pares,
função-norma,
conflito-regra,
significação-sistema,

cobrem, por completo,
o domĆ­nio inteiro
do conhecimento do homem.'(*)

SĆ£o essas as ferramentas de que se arma o pensamento – em cada segmento do espectro de modelos, para produzir as imagens que servem de mapas, para orientação na construção das representaƧƵes.

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo X – As ciĆŖncias humanas; tópico III. Os trĆŖs modelos

Imaginação e Conceituação - funções humanas reversíveis:
Imagens tradicionais e TƩcnicas

Imagens tradicionais

Imagens tƩcnicas

Classes de abstraƧƵes

As imagens tradicionais
Imagens tƩcnicas, as imagens produzidas por aparelhos (computadores)
Classes de abstraƧƵes
  • Imaginação e Conceituação, funƧƵes humanas reversĆ­veis que todos temos para codificar e decodificar imagens tradicionais e textos;
    • idolatriaĀ Ć© o uso continuado de imagens que, quando decodificadas, nĆ£o mais nos levam Ć  visĆ£o da ocorrĆŖncia no espaƧo-tempo x, y, z e t, isto Ć©, imagens que nĆ£o mais nos servem de guias para o mundo, mas de biombos;
    • textolatria Ć© o uso continuado de textos que, quando decodificados, nĆ£o mais nos levam Ć s imagens que fizemos para as ocorrĆŖncias no espaƧo-tempo x, y, z e t
  • e as Imagens tĆ©cnicas, especiais, aquelas imagens produzidas por aparelhos (computadores em destaque); as Imagens tĆ©cnicas exigem, para seu entendimento, uma Conceituação especial.(*)

(*) Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia;
CapĆ­tulos I – A imagem; e II – A imagem tĆ©cnica,
de Vilém Flusser 

Modelos constituintes de modelos
em cada uma das faixas desse espectro

Posição relativa modelo de operações - sujeito-objeto

AquƩm

não hÔ modelos constituintes nesse segmento do espectro, jÔ que, pelos pressupostos adotados (Universo, realidade única) nada é constituído na existência em decorrência das operações feitas

Diante

modelo constituinte composto pelo par constituinte correspondente ao campo em que o modelo é formulado, tomados isoladamente em cada Ôrea: 

  • VidaĀ (Biologia) –
    [função-norma]; 
  • TrabalhoĀ (Economia) –
    [conflito-regra];Ā 
  • LinguagemĀ (Filologia)- [significação-sistema]

para AlƩm

campo das Ciências Humanas com modelos constituintes formados por uma combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, tomados todos em conjunto em cada modelo, dada ênfase a uma das Ôreas das ciências da região epistemológica fundamental

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆ­tulo X – As ciĆŖncias humanas; tópico III. Os trĆŖs modelos

Ā 

O espectro de modelos, segundo essa possibilidade de sim-fundar, ou não-fundar, as sínteses no espaço da representação: Aquém, Diante e para Além do objeto - os segmentos do espectro de modelos de visões de ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t

O modo como Foucault descreve o problema que encontrou em seu trabalho pode ser mapeado em um espectro de modelos agrupados segundo os dois fatores por ele percebidos:  fator 1, com duas regiƵes quanto Ć  fundação das sĆ­nteses na representação e com trĆŖs regiƵes quanto Ć  posição relativa ao objeto e ao sujeito: 
AquĆ©m, Diante e para AlĆ©m do objeto. 

Fundação das sínteses no espaço da representação

Impossibilidade

Possibilidade

AquƩm

do objeto
(e do sujeito)

Diante

do objeto
(e do sujeito)

para AlƩm

do objeto
(e do sujeito)

Fator 1 – o domĆ­nio/contaminação do pensamento com o uso simultĆ¢neo de configuraƧƵes de pensamentoĀ 

  • com aĀ Ā impossibilidadeĀ 
  • e tambĆ©m comĀ a possibilidade,

de fundar as sĆ­nteses da representação da empiricidade objeto, no espaƧo da representação’;Ā com duas regiƵes em um espectro de modelos:

Fator 2Ā – dar conta da obrigação correlativa (…)Ā de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, paraĀ alĆ©mĀ do objeto,Ā os “quase-transcendentais”

com as seguintes regiƵes no espectro de modelos:

Ā 1. regiĆ£o do espectro: ‘AquĆ©m do objeto’Ā (na impossibilidade);

Ā 2. regiĆ£o do espectro: ‘Diante do objeto’Ā (na possibilidade)

    • da Vida, (Biologia) par constituinte função-norma
    • do Trabalho, (Economia) par conflito-regra
    • e da Linguagem. (Filologia) par significação-sistema

Ā 3. regiĆ£o do espectro: ‘para AlĆ©m do objeto’, (na possibilidade) e no campo das ciĆŖncias humanas, no espaƧo interior do triedro dos saberes.

outra região no espectro de modelos, com modelo constituinte único composto dos três pares constituintes das três regiões epistemológicas fundamentais

- A pedra de tropeƧo no caminho de Michel Foucault e
- Os caminhos (e alteraƧƵes de rota) de Maturana

Michel Foucault
1926-1984

“Ɖ que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo e com o qual,Ā queiramos ou nĆ£o, pensamos, se acha ainda muito dominadoĀ 

  • pela impossibilidade, trazidaĀ Ć  luz por volta do fim do sĆ©culo XVIII, de fundar as sĆ­ntesesĀ [da empiricidade objeto do pensamento] no espaƧo da representação;
  • e pela obrigação correlativa, simultĆ¢nea, mas logo dividida contra si mesma,
    de abrir oĀ 
    campo transcendental da subjetividade e de constituir inversamente, para alĆ©m do objeto,Ā esses ā€œquase-transcendentaisā€ que sĆ£o para nós a Vida, o Trabalho, e a Linguagem.”Ā  (*)
Humberto Maturana
1928-

“SubstituirĀ 

  • a noção de input-outputĀ 
  • pela de acoplamento estruturalĀ 

foi um passo importante na boa direção por evitar a armadilha da linguagem clÔssica de fazer do organismo um sistema de processamento de informação.
(…) Contudo Ć© uma formulação fraca por nĆ£o propor uma alternativa construtiva e deixar a interação na bruma de uma simples perturbação.Ā (…) Frequentemente se tem feito a crĆ­tica de que a autopoiese leva a uma posição solipsista. (**)

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; capĆ­tulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;Ā tópico: I. As novas empiricidades
(**) De mĆ”quinas e de seres vivos: autopoiese – a organização do vivo; PrefĆ”cio Ć  segunda edição; tópico AlĆ©m da autopoiese; sub-tópico: Enacção e cognição, de Francisco JosĆ© Garcia Varela

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Modelo descritivo da produção clÔssico

Paleta de ideias ou elementos de imagem
presentes na configuração de pensamento clÔssico

Paleta de ideias ou elementos de imagem presentes na
configuração de pensamento moderno caminho Construção

Mapa resumo das operações SSS na organização
centrada no par sujeito-objeto

A organização das operações na estrutura SSS

Mapeamento da disposição SSS das operações em uma organização