Insistindo com 4 citações de Foucault e comentários

Insistindo com Christian, com 4 citações de Foucault

Insisto em que leia o comentário que fiz sobre os objetos dos temas abordados nos vídeos Falando nisso 150 e 254, buscando estabelecer entre eles um paralelo. Faço isso antes de tudo pelo seu trabalho, pela sua capacidade de comunicação com as pessoas, pela seriedade que todo esse seu comportamento me transmite. 

Eu vejo o ‘As palavras e as coisas’ um livro seminal. Quem lê esse livro e entende o que nele é dito, não volta mais a ser o mesmo depois disso.

Isso significa entre outras coisas o seguinte:

Há uma unanimidade na utilização frequente de certas ideias quando se trata de modelos sócio-econômico-políticos: Mercado, Processo, Riquezas são largamente usados.

Mas ‘em Foucault’ como dizem os acadêmicos, 

  • Mercado nos remete imediatamente ao ‘Circuito das trocas’; 
  • Processo nos remete a um tipo de verbo que atua sobre um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade  das coisas entre si – a famosa estrutura Input-Output; 
  • e Riquezas nos remete não a um conceito mas a um domínio confuso que abrange uma quantidade de conceitos todos sob o pensamento clássico, o de antes de 1775.

E há uma outra unanimidade, agora da não utilização de outros conceitos: Lugar de nascimento do que é empírico, Forma de produção, a estrutura de conceitos do pensamento moderno, o de depois de 1825 que integram a Análise da produção.

Lugar de nascimento do que é empírico; Forma de produção; Análise da produção 

Dou a palavra a Michel Foucault em quatro passagens desse grande livro e depois comento rapidamente:

  1. “Antes do fim do século XVIII, o homem não existia. Não mais que a potência da vida, a fecundidade do trabalho ou a espessura histórica da linguagem. (…) Certamente poder-se-ia dizer que a gramática geral, a história natural, a análise das riquezas eram, num certo sentido, maneiras de reconhecer o homem, mas é preciso discernir. Sem dúvida, as ciências naturais trataram do homem como de uma espécie ou de um gênero: a discussão sobre o problema das raças, no século XVIII, o testemunha.” IX – O homem e seus duplos; tópico II – O lugar do rei
  2. “Nem vida, nem ciência da vida na época clássica; tampouco filologia. Mas sim uma história natural, uma gramática geral. Do mesmo modo, não há economia política porque, na ordem do saber, a produção não existe. Em contrapartida, existe, nos séculos XVII e XVIII, uma noção que nos permaneceu familiar, embora tenha perdido para nós sua precisão essencial. Nem é de “noção” que se deveria falar a seu respeito, pois não tem lugar no interior de um jogo de conceitos econômicos que ela deslocaria levemente, confiscando um pouco de seu sentido ou corroendo sua extensão. Trata-se antes de um domínio geral: de uma camada bastante coerente e muito bem estratificada, que compreende e aloja, como tantos objetos parciais, as noções de valor, de preço, de comércio, de circulação, de renda, de interesse. Esse domínio, solo e objeto da “economia” na idade clássica, é o da riqueza. Inútil colocar-lhe questões vindas de uma economia de tipo diferente, organizada, por exemplo, em torno da produção ou do trabalho; inútil igualmente analisar seus diversos conceitos (mesmo e sobretudo se seus nomes em seguida se perpetuaram, com alguma analogia de sentido), sem levar em conta o sistema em que assumem sua positividade. Cap. 6 – Trocar; tópico I – A análise das riquezas
  3. “Instaura-se uma forma de reflexão bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula.” Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado
  4. “A partir de Ricardo, o trabalho, desnivelado em relação à representação, e instalando-se em uma região onde ela não tem mais domínio, organiza-se segundo uma causalidade que lhe é própria.” Cap. VIII. Trabalho, Vida e Linguagem; tópico II. Ricardo
  5. “Classificar, portanto, não será mais referir o visível a si mesmo, encarregando um de seus elementos de representar os outros; será, num movimento que faz revolver a análise, reportar o visível ao invisível, como à sua razão profunda, depois alçar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que são dados à superfície dos corpos.” Cap. VII – Os limites da representação; Tópico III – A organização dos seres

Sobre as citações (A), (B) e (C)

Não consigo vislumbrar como é possível falar de subjetividade ou de subjetivação hoje, nos mesmos termos de autores imersos em uma cultura em que o homem era tratado como uma espécie, ou um gênero.

E Foucault é claríssimo em posicionar Adam Smith, Locke, Hume, Bentham, Rousseau, como autores clássicos tendo como critério o tratamento dado ao homem nos respectivos trabalhos todos antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825. Nenhum deles utilizava esta forma de reflexão da citação (C).

Sobre as citações (C) e (D).

Eu associo – usando o pensamento de Foucault– o pensamento de Lacan em sua psicanálise fora da representação ao que dizem as citações (B) e (C):

  1. a essa forma de reflexão que se instaura (B) é também construída em região em que a representação não tem mais domínio; e
  2. E esse locus e esse tipo de organização do trabalho atribuídas a David Ricardo, cuja formulação assim como a de Lacan, instala-se em uma região onde a representação não tem mais domínio e organiza-se segundo uma causalidade que lhe é própria.

“A partir de Lacan, a psicanálise, desnivelada em relação à representação, e instalando-se em uma região onde ela não tem mais domínio, organiza-se segundo uma causalidade que lhe é própria”

Aí Michel Foucault ajuda muito: ele posiciona Adam Smith, 1776 e David Ricardo, 1817 de lados opostos de uma descontinuidade epistemológica descrita por ele como tendo ocorrido entre 1775 e 1825. Daí que a pretensão e o objetivo do vídeo 254, citando Michel Foucault como referência, não deveriam permitir o tratamento de Adam Smith e David Ricardo no mesmo bloco.

de um lado, e os autores chamados de pais do liberalismo Locke, Hume, etc. como imersos em uma cultura de antes do século XVIII,   

Discussão relacionada aos vídeos Falando nisso 150 e 254

Discussão relacionada aos vídeos Falando nisso 150 e 254

Michel Foucault em ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ posiciona produções de pensamento baseadas na representação e desde fora dela de lados opostos com relação a uma descontinuidade epistemológica descrita por ele como tendo ocorrido entre os anos de 1775 e 1825 em nossa cultura. E identifica já no trabalho de David Ricardo, em 1817, exatamente movimento como esse percebido por Lacan, entre 1953 e 1960: abandono do primado concedido à representação e formulação a partir de uma região em que ela não tem mais domínio. Veja isso aqui.

Dado que a linguagem está presente tanto na psicanálise de Freud como na de Lacan, o movimento de pensamento de Lacan, para fazer sentido precisava formular sua psicanálise sobre uma linguagem transformada quanto às origens do valor carregado em suas proposições obtido agora desde fora da representação. 

Isso corresponde a uma alteração profunda na linguagem, que exige a instauração de uma nova forma de reflexão, e implica em uma grande extensão na visão que temos do que sejam operações no sentido amplo, e pode ser entendido como duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno operações em função da operação de troca

  • no instante da troca, no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido; 
  • ou na prospecção da permutabilidade agora tendo como origem de valor
    • as designações primitivas 
    • e a linguagem de ação.

Quero insistir na conveniência de uma verificação da existência – entre essas teorias, modelos e sistemas relacionadas ao liberalismo e variantes -, de produções do pensamento: 

  • fundadas na representação, como o trabalho em Adam Smith, segundo Foucault e a psicanálise de Freud segundo Lacan, 
  • e também de outras fundadas fora da representação, como o trabalho em David Ricardo, segundo Foucault e a psicanálise na visão de Lacan, 

verificação esta feita em todo o extenso período de tempo abrangido pela discussão no vídeo 254. 

Como dito, ao fazer essa referência tenho em mente o livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ de Michel Foucault, que também tenho estudado, e ainda um desenvolvimento com o título ‘Projeto Formulador’. Com esses elementos  e com esse escopo, faço um resumo do que poderia ser um cotejo  entre as ideias expostas nesses dois vídeos ‘Falando nisso’ 150 e 254 com esses critérios.  

Sumariamente, uma verificação como essa consistiria em fazer o seguinte:

  • partindo da arqueologia das ciências humanas feita por Foucault no ‘As palavras e as coisas’, e identificar as diferentes configurações do pensamento em nossa cultura descritas nesse livro, fazendo comparações e identificação de cada uma delas por meio de características de características (características de segunda ordem) explicitamente mencionadas no texto de Foucault.
  • tomar em seguida uma coleção de modelos práticos existentes, alguns antológicos e muito utilizados atualmente, outros nem tanto, no domínio da produção/economia principalmente, e também no campo econômico-financeiro; no Projeto Formulador procuro entender como esses modelos funcionam – do ponto de vista da origem condições de possibilidade e generalidade dentro de limites, do pensamento utilizado em cada um -, para a seguir relacioná-los a uma daquelas configurações de pensamento extraídas do texto de Foucault, e que integram a arqueologia feita por ele.

Trata-se de fazer algo bastante semelhante ao que Lacan certamente fez ao perceber problemas na psicanálise de Freud ao identificar que  esta estava baseada na representação; e seguir esse mesmo caminho só que para modelos no domínio da produção/economia ao longo do tempo .

Com esse trabalho ‘Projeto Formulador’, e o apoio de Michel Foucault com o ‘As palavras e as coisas’, encontro em nosso meio – muito claramente identificados -, 

Uns e outros com diferentes visões do que seja uma operação, mas tomados sem distinção e utilizados no mesmo ambiente e até simultaneamente embora fundados em bases tão distintas.

Noto, porém, que a utilização desses modelos tão diversos é feita sem discernimento, por parte de seus usuários, sobre qual seja a forma de reflexão filosófica com a qual foram feitos e a estrutura de conceitos que está em suas bases. 

Não é feito um alinhamento filosófico entre eles e como diz Foucault, seu uso se dá sem ‘consciência epistemológica do homem’ (o que fica evidenciado pelo uso de modelos em cuja estrutura essa entidade homem não tem lugar).

Teorias, modelos e sistemas econômicos, sociais, políticos são formidavelmente complexos, muito exigentes do analista e cada um deles admite, para uma mesma formulação mantendo determinada fundamentação, uma grande quantidade de configurações diferentes. O livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ a meu ver funciona como uma cartilha de inestimável utilidade no entendimento deles. 

Pode ser que os questionamentos feitos no vídeo 254 sobre o liberalismo e neoliberalismo tomem como objeto instâncias prontas desses modelos, vistos formulados, já configurados e em efetiva utilização em determinadas épocas, sem entrar nas condições de possibilidade sobre as quais foram formulados.

Nesse vídeo no ponto 11:20 vejo a afirmativa de que a teoria liberal não é só uma teoria econômica: ela é o que a gente poderia chamar de uma psicologia. Um pouco adiante desse ponto, o áudio afirma que a alteração influi em nossas trocas.

Há hoje em dia, algumas unanimidades quanto aos conceitos utilizados:

O movimento do pensamento de Lacan com a mudança de base desde a representação para a linguagem usando conceitos atinentes à fala arrasta para o centro da cena, em vez de ‘Processo’, a ‘Forma de produção’ como elemento central de uma operação. Estamos na etapa da Construção de representação nova, parte da visão expandida que temos do que sejam operações, as de pensamento ou outras de qualquer tipo.

Agora a operação ‘na linguagem’, pensada com ideias atinentes à fala, abrange a construção de representações novas (David Ricardo foi o pioneiro em fazer isso, no que é consistente com Lacan); essas operações transcorrem no interior do espaço referido por Foucault como o ‘Lugar de nascimento do que é empírico’, surgido ao tempo da prospecção da permutabilidade possível, antes portanto da existência dos objetos envolvidos em uma operação de troca. (nunca vi ninguém falar nesse espaço ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ o substituto de ‘Mercado’ em uma visão de Lacan generalizada, a menos de Foucault)

O Circuito onde ocorrem as trocas, ou ‘Mercado’, virá somente na etapa seguinte das operações, a do Instanciamento de representações já existentes.

Ressalto aqui a visão de subjetividade como instância capaz de representação das coisas; imagino que essa visão seja original de Lacan, acho que é.

Essa visão combina à perfeição com a visão de operações em qualquer campo, como um processamento de informação no qual Entradas são transformadas em Saídas e a estrutura do sistema é a Input-Output. Esse modelo é consistente com o pensamento clássico, está baseado na representação, e o abandono dele, indica o abandono do pensamento clássico por parte de Lacan.

De uma configuração de pensamento para outra as mudanças são muito grandes.  O caminho que o pensamento deve percorrer é mais extenso do que parece ser à primeira vista.

As mudanças podem ser avaliadas mais de perto vendo as ideias, ou elementos de imagem, colocados em figuras representativas das operações, de suas propriedades emergentes, etc. b) 

Links para algumas páginas do ‘Projeto Formulador’

Carta aos Professores Christian Dunker e Vladimir Safatle

Links para algumas páginas do ‘Projeto Formulador’

Sobre o estudo denominado ‘Projeto Formulador

Carta ao Professor Christian Dunker

Carta aos Professores Christian Dunker e Vladimir Safatle

coordenadores do Latesfip – Laboratório de Teorias sociais, Filosofia e Psicanálise da USP

Prezados Professores 

Com a intenção de contribuir para o debate da forma o mais fundamentada que posso, coloco em foco dois pontos tomados em dois vídeos do canal Falando nisso:

  • no vídeo Falando nisso – 150: Signo, significante e significado de 08/10/2017, vejo em destaque um movimento no pensamento de Lacan:
    • que parte do incômodo dele com a base fundamental da psicanálise de Freud, que ele via sediada na representação
    • e vai até a decisão por ele tomada de criar uma nova psicanálise, no campo da linguagem usando conceitos atinentes à fala, e agora desde fora da representação
  • no vídeo Falando nisso – 254: Neoliberalismo e sofrimento de 31/08/2019, noto que não são feitos questionamentos desse mesmo teor do movimento de pensamento feito por Lacan, porque faltam verificações sobre quais sejam as bases em que se sustentam cada uma das teorias, modelos e sistemas relacionados ao liberalismo e neoliberalismo (com variantes), em todo o período abrangido na discussão, quanto a estarem na representação ou fora dela. 

Usando um critério muito amplo para identificação e comparação de modelos inclusive quanto às suas bases, definido com a ajuda de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’, é possível afirmar que sim, existem, no período histórico coberto pelo vídeo 254, teorias, modelos e sistemas construídos sobre essas duas opções de embasamento – na e desde fora da representação; e há ocorrências de modelos assim em todas as áreas do conhecimento atingindo todo o espaço do saber em nossa cultura.

Os links abaixo mostram exemplos de teorias, modelos e sistemas – na chamada área técnica e na filosofia – e em cada uma, modelos com esses dois embasamentos: base na representação e base fora da representação, cujas ocorrências estão nesse período histórico de tempo, 

“Assim esses três pares, função e norma,, conflito e regra, significação e sistema, cobrem, por completo, o domínio inteiro do conhecimento do homem.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos 

No vídeo 150 estão em destaque os dois conceitos para inconsciente, nas psicanálises de Freud e de Lacan.

  • para a psicanálise de Freud o inconsciente é uma instância capaz de representação das coisas; (veja exemplos desse tipo de modelo nos itens 1.a e 2.a )
    • essa visão do que seja o inconsciente em Freud combina perfeitamente bem com a visão de operações metaforicamente imaginadas como um processamento de informações, construídas sobre a estrutura input-output com elemento central Processo – um verbo, ladeado por Entradas que se transformam em Saídas.  Sobre esse tipo de verbo Foucault diz o seguinte:

“A única coisa que o verbo [esse tipo de verbo] afirma é a coexistência de duas representações: por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo  

  • em Lacan o inconsciente é estruturado como uma linguagem e é uma forma social, o efeito das trocas sociais, estas, simbólicas. (veja exemplos desse tipo de modelo nos itens 1.b e 2.b)
    • essa visão do inconsciente em Lacan combina perfeitamente bem com a nova forma de reflexão assinalada por Foucault como tendo surgido na virada dos séculos XVIII para o XIX:

“Instaura-se uma forma de reflexão bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado.

Esta forma de reflexão tem como elemento central também um verbo, mas de um novo tipo, que figura como elemento central do princípio dual de trabalho de David ricardo  chamado por ele de Forma de produção. 

“É preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, [Forma de produção, este, um tipo de verbo mais ao agrado de Lacan] ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso às mesmas regras, obedecendo como elas às leis de regência e de concordância; e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado mas aquela donde se fala. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

A propósito da grande importância das ‘operações de troca’ e da própria ‘troca’ como conceito, há no texto de Foucault, (veja ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Cap. VI – Trocar; tópico V. A formação de valor), esclarecimento importante sobre a operação de troca em sua complexidade bem como sua relação com a linguagem em duas diferentes configurações:

Dependendo da visão que temos do fenômeno como um todo, podemos posicionar o início da operação de troca:

  1. no ato mesmo da troca, isto é, ‘no ponto de cruzamento entre o que é dado e o que é recebido, no exato momento da disponibilidade simultânea dos dois objetos da troca;
    • neste caso a operação transcorre no Circuito das trocas’, ou ‘Mercado‘ contido no domínio do Discurso e da Representação
    • toda a essência da linguagem está colocada e encerrada na proposição;
  2. ou em um ponto anterior ao momento da troca, numa prospecção da possibilidade futura dessa operação, investigando não propriamente a troca, mas a permutabilidade, ou a ocorrência de uma condição primeira para que a troca, possa vir a ocorrer;
    •  neste caso a operação transcorre no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ espaço integrado por dois sub-espaços, cada um deles em um domínio distinto:
      • o ‘Lugar desde onde se fala’, no interior do domínio do Pensamento e da língua;
      • e o ‘Lugar do falado’, no interior do domínio do ‘Discurso e da Representação’.
    • e a essência da linguagem, o valor carregado na proposição, terá origem desde fora da linguagem:
      • a) através das designações primitivas; 
      • b) e da linguagem de ação ou raiz
    • e toda a etapa de Construção da representação sob o pensamento moderno, está incluída na visão de operações ampliando sobremaneira o seu escopo.

Para um paralelo rápido entre esse movimento do pensamento feito por Lacan e a filosofia de Foucault:

em As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; 
Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico II – Ricardo

“A atividade dos homens
e o valor das coisas 
comunicavam-se
no elemento transparente
da representação. 

este, o espaço onde Lacan via a psicanálise de Freud: ponto de início de operações no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca

É aí que a análise de Ricardo
encontra seu lugar
e a razão de sua importância decisiva. 
Ela não é a primeira
a organizar um lugar importante
para o trabalho no jogo da economia;
mas faz explodir a unidade da noção,
e distingue, pela primeira vez,
de uma forma radical,

a disposição de Lacan com relação à psicanálise de Freud prognosticando uma outra psicanálise modelada em outras bases que não a representação pode ser comparada à disposição pioneira de David Ricardo, em 1817, que segundo Michel Foucault deu origem à economia política

  • essa força, esse esforço, esse tempo do operário que se compram e se vendem, 

homem no papel de
elemento do que é empírico
viabilizando a Forma de produção como mão de obra nos elementos de suporte na experiência, nas atividades;

  • e essa atividade que está
    na origem do valor das coisas.

homem no papel de
raiz e fundamento de toda positividade
como sujeito de operações de construção de representações novas para empiricidades objeto.

Ter-se-á pois, 

  • (1) por um lado,
    o trabalho que os operários oferecem,
    que os empresários aceitam ou demandam e que é retribuído pelos salários; 
  • (2) por outro, ter-se-á
    o trabalho que extrai os metais,
    produz os bens, fabrica os objetos,
    transporta as mercadorias
    e forma assim valores permutáveis
    que antes dele não existiam
    e sem ele não teriam aparecido. 

A visão completa expandida de operações agora preparadas para abranger:

  • (1) a etapa do Instanciamento de representações anteriormente construídas;
  • (2) a etapa de Construção da representação;

“A partir de Ricardo,
o trabalho, 

desnivelado em relação à representação, 
e instalando-se em uma região
onde ela não tem mais domínio, 
organiza-se
segundo uma causalidade que lhe é própria.”

Parafraseando Foucault

A partir de Lacan,
a psicanálise,
desnivelada em relação à representação,
e instalando-se em uma região
onde ela não tem mais domínio,
organiza-se segundo uma causalidade
que lhe é própria.

A percepção de Lacan, em 1953-1960 sobre a psicanálise de Freud, que ele via baseada na representação, consistente com a visão de David Ricardo, de 1817, este em alteração do modo como Adam Smith, de 1776, via trabalho, vislumbrando esse conceito também desde fora da representação.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; 
Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico II – Ricardo

Veja também os seguintes links:

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - abrangências muito diferentes

O sistema SIPOC/FEPSC

Nosso roteiro (Michel Foucault) e nossa inspiração (Humberto Maturana)

Imaginação e Conceituação - funções humanas reversíveis:
Imagens tradicionais e Técnicas

Imagens tradicionais

Imagens técnicas

Classes de abstrações

As imagens tradicionais
Imagens técnicas, as imagens produzidas por aparelhos (computadores)
Classes de abstrações
  • Imaginação e Conceituação, funções humanas reversíveis que todos temos para codificar e decodificar imagens tradicionais e textos;
    • idolatria é o uso continuado de imagens que, quando decodificadas, não mais nos levam à visão da ocorrência no espaço-tempo x, y, z e t, isto é, imagens que não mais nos servem de guias para o mundo, mas de biombos;
    • textolatria é o uso continuado de textos que, quando decodificados, não mais nos levam às imagens que fizemos para as ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t
  • e as Imagens técnicas, especiais, aquelas imagens produzidas por aparelhos (computadores em destaque); as Imagens técnicas exigem, para seu entendimento, uma Conceituação especial.(*)

(*) Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia;
Capítulos I – A imagem; e II – A imagem técnica,
de Vilém Flusser 

O mapa de operações de produção do Kanban;
e o mapa da organização segundo a Reengenharia

Diante do objeto

Modelo de operações
do Kanban

Modelo de operações do Kanban

Mapa da organização
segundo a Reengenharia

Mapa da Reengenharia (modificado) e comentado

Temos à esquerda, o modelo do Kanban com a referência (*) abaixo. e á direita, a Figura 7.1 do livro Reengenharia, referência (**) abaixo. São organizados sobre a proposição, e pertencem à configuração do pensamento moderno.  Você pode certificar-se  da veracidade dessas duas afirmativas neste ponto (17).

(*) Artigo ‘A comparison of Kanban and MRP concepts for the control of Repetitive Manufacturing Systems’ de:
James W. Rice da Western Kentucky University e Takeo Yoshikawa da Yolohama National University
(**) Reengenharia – revolucionando a empresa: em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência 
de Michael Hammer e James Champy

Exemplos de modelos existentes, e muito usados,
nas diferentes estruturas conceituais

Aquém do objeto

Diante do objeto

Modelos de: operação de produção; e organização típica
Modelos de: operação contábil/financeira e modelo de organização
Modelos de: operação de produção do Kanban; e modelo de organização da Reengenharia

Exemplos de modelos muito conhecidos para operações e para as organizações

  • operação: Operações de produção, de Elwood S. Buffa;
  • organização: adaptação de Organização típica.
  • operação: operação contábil financeira débito e crédito;
  • organização: Ativo, Passivo e Resultados.
  • operação: modelo do Kanban;
  • organização: mapa da reengenharia.

A proposição como o bloco construtivo padrão  (Lego)
fundamental para a construção de representações

Aquém do objeto

Proposição ausente
do sistema Input-Output

Diante do objeto

A proposição no caminho
da Construção da representação

Além do objeto

A proposição no caminho
do Instanciamento da Representação

‘A proposição é, para a linguagem,
o que a representação é para o pensamento:
sua forma ao mesmo tempo mais geral e mais elementar porquanto, desde que a decomponhamos, não encontraremos mais o discurso, mas seus elementos como tantos materiais dispersos.’(*)

“A língua é
a mais complexa,
a mais milagrosa,
a mais estranha,
a mais gigantesca e variada
invenção humana.” (**)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

 


(**) Frases de Millor Fernandes

Os dois conceitos para o que seja um verbo:
verbo Processo, e verbo Forma de produção

Aquém do objeto
verbo ‘Processo

Verbo tratado como Processo

Diante e Além do objeto
verbo ‘Forma de produção’

Verbo tratado como Forma de produção

“A única coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações; 
por exemplo
a do verde e da árvore,
a do homem e da existência ou da morte. 

É por isso que o tempo dos verbos
não indica aquele em que
as coisas aconteceram no absoluto, 
mas um sistema relativo  
de anterioridade
ou simultaneidade 
das coisas entre si.”
(*)

“O limiar da linguagem
está onde surge o verbo.
É preciso portanto 
tratar esse verbo como um ser misto, 
ao mesmo tempo palavra entre palavras,
preso às mesmas regras 
de regência
e de concordância;
e depois, em recuo em relação a elas todas, 
numa região que não é aquela do falado 
mas aquela donde se fala.
Ele está na orla do discurso, na juntura entre 
aquilo que é dito e aquilo que se diz; 
exatamente lá onde os signos 
estão em via de se tornar linguagem.
(*)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

Os dois conceitos para o que seja 'Classificar'

Aquém do objeto

Classificar como uma referência
do visível a si mesmo

Diante e Além do objeto

Classificar como uma referência
do visível ao invisível

Classificar é referir
o visível a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.(*)

Classificar é referir
o visível ao invisível
– como a sua razão profunda –
e depois, alçar de novo dessa secreta arquitetura, em direção aos seus sinais manifestos, que são dados
à superfície dos corpos.
(*)


(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
cap. VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres; sub-item 3

Os dois princípios filosóficos para o que seja de trabalho

Aquém do objeto
Adam Smith, de 1776(*)

Princípio monolítico de trabalho
de Adam Smith, de 1776

Diante e Além do objeto
David Ricardo, de 1817(**)

Princípio dual de trabalho
de David Ricardo, de 1817


As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas; 
(*) Capítulo VII – Os limites da representação;
tópico II. A medida do trabalho;


As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
(**) Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico II. Ricardo

Elementos centrais em cada formulação por segmento do espectro

Aquém do objeto
PROCESSO

Diante do objeto
Forma de produção

Além do objeto
NEXO DA PRODUÇÃO

Processo: elemento central
no modelo de operação clássico
Forma de produção: elemento central
no modelo de operações moderno
Nexo da produção: resultante da visão
SSS da organização

Em um pensamento mágico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mágica de condão’ –  é possível desejar algo e, sem mais qualquer providência, vê-lo surgir à nossa frente depois do Plin!!! 

Num ambiente de produção real, porém, nada é produzido sem um instrumento (laboratório piloto, fábrica) com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS é isso: a modelagem das operações de produção do objeto desejado juntamente com as operações de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fábrica, subindo um nível estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV – Falar; tópico II. Gramática geral
Capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; I. As novas empiricidades

Espaços Gerais do Saber
em cada segmento do espectro

Aquém do objeto

Diante do objeto

Além do objeto

Espaço Geral do Saber Clássico
Espaço Geral do Saber no pensamento Moderno
Espaço interior do Triedro do Saber

As mudanças nas configurações do pensamento promoveram reposicionamentos das positividades umas em relação às outras, resultando em três espaços gerais do saber.(*)

(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo III – Representar; tópico VI. Mathésis e Taxinomia;
Capítulo X – As ciências humanas; tópico I – O triedro dos saberes; 
de Michel Foucault

O tempo em cada uma das faixas do espectro;
e para as diferentes etapas das operações indicadas

Aquém
do objeto
qualquer operação

Diante 
do objeto
caminho da Construção 

Diante 
do objeto
caminho da Instanciamento

Tempo no LE, em qualquer operação no sistema Input-Output, sob o deus Chronos
Tempo LD, operação no caminho da Construção da representação,
sob o deus Kairós
Tempo LD, operação no caminho do Instanciamento da representação,
novamente sob o deus Chronos

Tempo, em cada um dos segmentos do espectro, muda:

  • aquém do objeto, na estrutura input-output sob o pensamento clássico, temos um tempo relativo, ou um tempo calendário, cujo deus é Chronos;
  • diante do objeto mas no caminho da Construção da representação, sob o pensamento filosófico moderno, temos um tempo absoluto, um tempo não-calendário, cujo deus é Kairós;
  • e ainda diante, e também além do objeto, tempos um tempo que volta a ser relativo, calendário, e a soberania volta a ser a de Chronos.

O espaço dado ao homem - 'naquilo que ele tem de empírico' -
na estrutura dos modelos

Aquém do objeto

Diante e Além do objeto

Sistema clássico de pensamento:
sem espaço em sua estrutura
para os dois papéis do homem.
Os dois papéis do homem
presentes e operativos na estrutura
d'essa maneira moderna de conhecer empiricidades'

Antes do fim do século XVIII,
o homem não existia. (…)
Sem dúvida,
as ciências naturais trataram do homem
como de uma espécie ou de um gênero.”

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico II. O lugar do rei

‘Na medida, porém, em que as coisas giram sobre si mesmas, reclamando para seu devir não mais que o princípio de sua inteligibilidade e abandonando o espaço da representação, o homem, por seu turno, entra e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental’ (*)

“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis: está, ao mesmo tempo, 

  • no fundamento de todas as positividades,
  • presente, de uma forma
    que não se pode sequer dizer privilegiada,
    no elemento das coisas empíricas.” (**)

 (*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas; 
Prefácio

(**) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;  
Capítulo X – As ciências humanas;
I. O triedro dos saberes

Desenvolvimento das operações
por segmento do espectro de modelos

Aquém do objeto

Diante do objeto

Além do objeto

  • no sistema Input-Output; usando uma ordem arbitrariamente escolhida;
  • e com propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, as chamadas ‘aparências’;
  • No sistema correspondente ao que Foucault chama de ‘essa maneira moderna de conhecer empiricidades’, que tem como elemento construtivo padrão fundamental a proposição, da qual herda as categorias de ideias ou elementos de imagem de primeiro nível;
  • e com propriedades sim-originais e sim-constitutivas daquilo que se constitui na existência em decorrência das operações.
  • No sistema formulado no campo das ciências humanas, com modelos constituintes compostos por uma combinação dos modelos constituintes das ciências que integram a região epistemológica fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
  • Nexo da operação.

Veja mais detalhes nas animações que podem ser encontradas nas páginas de detalhe deste tópico.

Funcionamento do pensamento
em cada um dos segmentos desse espectro

Antes do objeto

Diante do objeto

Além do objeto

Operação no sistema Input-Output
sobre representações pré-existentes
Operação de construção de representação não existente no repositório
Operação de instanciamento de representação pré-existente no repositório

Paletas com o conjunto completo de ideias ou elementos de imagem necessários para a formulação das respectivas imagens das ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t ; incluindo relacionamentos entre esses elementos de imagem.(*)

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades, de Michel Foucault

Estruturas de conceitos em cada ambiente de formulação identificado pela possibilidade ou pela impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação

Posição em relação ao par sujeito-objeto

Estrutura conceitual
para o pensamento clássico
Estrutura conceitual
para o pensamento moderno

Referencial:

  • Ordem pela ordem;

Princípios organizadores: 

  • Caráter e similitude;

Métodos:

  • Identidade e semelhança

Referencial:

  • Utopia;

Princípios organizadores: 

  • Analogia e Sucessão;

Métodos:

  • Análise e Síntese

‘Assim, estes três pares,
função-norma,
conflito-regra,
significação-sistema,

cobrem, por completo,
o domínio inteiro
do conhecimento do homem.'(*)

São essas as ferramentas de que se arma o pensamento – em cada segmento do espectro de modelos, para produzir as imagens que servem de mapas, para orientação na construção das representações.

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos

Modelos constituintes de modelos
em cada uma das faixas desse espectro

Posição relativa modelo de operações - sujeito-objeto

Aquém

não há modelos constituintes nesse segmento do espectro, já que, pelos pressupostos adotados (Universo, realidade única) nada é constituído na existência em decorrência das operações feitas

Diante

modelo constituinte composto pelo par constituinte correspondente ao campo em que o modelo é formulado, tomados isoladamente em cada área: 

  • Vida (Biologia) –
    [função-norma]; 
  • Trabalho (Economia) –
    [conflito-regra]; 
  • Linguagem (Filologia)- [significação-sistema]

para Além

campo das Ciências Humanas com modelos constituintes formados por uma combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, tomados todos em conjunto em cada modelo, dada ênfase a uma das áreas das ciências da região epistemológica fundamental

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos

 

Sistema Formulador

Aquém do objeto

Modelo relacional de dados do Microsoft Project 4.0

Diante do objeto

Módulo central do Sistema Formulador

O Sistema Formulador:

É um ante-projeto de um sistema para gestão de projetos com estrutura conceitual consistente com o pensamento moderno. 
O módulo principal do sistema é uma unidade lógica que relaciona entidades envolvidas na proposição enunciadora de operações, mantidas em banco de dados, e gera sistematicamente o modelo de operações. O Microsoft Project, então, importa o modelo gerado como se fosse próprio, e a gestão continua, agora com um modelo gramaticalmente correto e criteriosamente estruturado.

Este é um ante-projeto de um sistema de gestão COM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação; esse sistema pode evoluir para um sistema visual de gestão e outros aplicativos.

O espectro de modelos, segundo essa possibilidade de sim-fundar, ou não-fundar, as sínteses no espaço da representação: Aquém, Diante e para Além do objeto - os segmentos do espectro de modelos de visões de ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t

O modo como Foucault descreve o problema que encontrou em seu trabalho pode ser mapeado em um espectro de modelos agrupados segundo os dois fatores por ele percebidos:  fator 1, com duas regiões quanto à fundação das sínteses na representação e com três regiões quanto à posição relativa ao objeto e ao sujeito: 
Aquém, Diante e para Além do objeto. 

Fundação das sínteses no espaço da representação

Impossibilidade

Possibilidade

Aquém

do objeto
(e do sujeito)

Diante

do objeto
(e do sujeito)

para Além

do objeto
(e do sujeito)

Fator 1 – o domínio/contaminação do pensamento com o uso simultâneo de configurações de pensamento 

  • com a  impossibilidade 
  • e também com a possibilidade,

de fundar as sínteses da representação da empiricidade objeto, no espaço da representação’; com duas regiões em um espectro de modelos:

Fator 2 – dar conta da obrigação correlativa (…) de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, os “quase-transcendentais”

com as seguintes regiões no espectro de modelos:

 1. região do espectro: ‘Aquém do objeto’ (na impossibilidade);

 2. região do espectro: ‘Diante do objeto’ (na possibilidade)

    • da Vida, (Biologia) par constituinte função-norma
    • do Trabalho, (Economia) par conflito-regra
    • e da Linguagem. (Filologia) par significação-sistema

 3. região do espectro: ‘para Além do objeto’, (na possibilidade) e no campo das ciências humanas, no espaço interior do triedro dos saberes.

outra região no espectro de modelos, com modelo constituinte único composto dos três pares constituintes das três regiões epistemológicas fundamentais

- A pedra de tropeço no caminho de Michel Foucault e
- Os caminhos (e alterações de rota) de Maturana

Michel Foucault
1926-1984

“É que o pensamento que nos é contemporâneo e com o qual, queiramos ou não, pensamos, se acha ainda muito dominado 

  • pela impossibilidade, trazida à luz por volta do fim do século XVIII, de fundar as sínteses [da empiricidade objeto do pensamento] no espaço da representação;
  • e pela obrigação correlativa, simultânea, mas logo dividida contra si mesma,
    de abrir o 
    campo transcendental da subjetividade e de constituir inversamente, para além do objeto, esses “quase-transcendentais” que são para nós a Vida, o Trabalho, e a Linguagem.”  (*)
Humberto Maturana
1928-

“Substituir 

  • a noção de input-output 
  • pela de acoplamento estrutural 

foi um passo importante na boa direção por evitar a armadilha da linguagem clássica de fazer do organismo um sistema de processamento de informação.
(…) Contudo é uma formulação fraca por não propor uma alternativa construtiva e deixar a interação na bruma de uma simples perturbação. (…) Frequentemente se tem feito a crítica de que a autopoiese leva a uma posição solipsista. (**)

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico: I. As novas empiricidades
(**) De máquinas e de seres vivos: autopoiese – a organização do vivo; Prefácio à segunda edição; tópico Além da autopoiese; sub-tópico: Enacção e cognição, de Francisco José Garcia Varela

Rua Dona Inácia Uchôa, 365
04110-021 São Paulo SP
Fone: 11 5573-2312
Cel: 11 97512-6317

Fale conosco

Rua Dona Inácia Uchôa, 365
04110-021 São Paulo SP
Fone: (11) 5573-2312 Cel: (11) 97512-6317
e-mail: [email protected]

Modelo 5W2H, sob um sistema de categorias

Modelo descritivo da produção clássico

Paleta de ideias ou elementos de imagem presentes na
configuração de pensamento moderno caminho Instanciamento

Paleta de ideias ou elementos de imagem
presentes na configuração de pensamento clássico

Destaque para dois modelos existentes:
1) LE, o SIPOC (FEPSC) do SixSigma; 2) LD e o Visão da PHD, da PHD Brasil
e no centro, as diferenças entre eles

Aquém do objeto

O diagrama FEPSC (SIPOC) mostrando a estrutura

diferenças

Comparação

Diante do objeto

A Visão da PHD

Comparação do modelo SIPOC ou FEPSC – SixSigma(*) com o modelo Visão da PHD(**) do ponto de vista das estruturas respectivas.
A animação central mostra o que falta – estruturalmente – ao SixSigma para ter a estrutura do modelo da direita.

(*) Gestão integrada de processos e da tecnologia da informação; capítulo Identificação, análise e melhoria de processos críticos Figura 3.1 Representação da FEPSC, de Roberto Gilioli Rotondaro
Coordenadores: Fernando José Barbin Laurindo e Roberto Gilioli Rotondaro, Editora Atlas, jan/2006
(**) A Visão da PHD, da empresa PHD Brasil

O pensamento de outros grandes pensadores:
John Dewey e seus dois modos de ver o mundo;
Ilya Prigogine e o conceito de caos para a ciência moderna

Diante do objeto

Ver [homem e experiência] e [natureza] vistos juntos
Os conceitos de caos, na ciência moderna;
e de Arte como a formulação com leis e eventos

As duas animações acima – a nosso ver – apenas mostram que tanto John Dewey na sua visão [homem] [experiência] e [natureza] juntos; quanto Ilya Prigogine  na sua visão do que seja caos na ciência moderna, estão pensando com uma configuração de pensamento COM a possibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação, o que não era comum para a ciência clássica, toda reversível.

O modelo 5W2H, de um lado, e de outro, o modelo de operações do Kanban
e o modelo proposto no LD da Figura 2: usos diferentes para as mesmas ideias
ou elementos de imagem envolvidos na formulação da proposição

Aquém do objeto

Diante e Além do objeto

Modelo Provision Workbench, da Proforma
Modelo de operações de produção do Kanban
Modelo proposto para 'uma certa maneira de conhecer empiricidades'

O exame dessas três figuras mostra que ideias, elementos de imagem, homônimos, podem ser usados de modo diferente em modelos feitos sob estruturas conceituais diferentes.

No modelo 5W e 2H no lado esquerdo acima, o destaque dado pelo losango em vermelho é nosso. Não estava na figura original. A figura é organizada por um sistema de categorias composto pelas 7 perguntas 5W2H. 

O modelo da produção do Kanban é sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto da operação de produção, e é formulado como uma proposição instanciativa de um objeto previamente projetado, e portanto cuja representação foi anteriormente construída

O modelo de operações de construção de representação para empiricidade objeto (LD da figura) é feito calcado no Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo; está evidenciada a formulação no formato de uma proposição. A origem de valor adotada está nas designações primitivas ( conjunto de operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites) e da linguagem de uso (o Repositório)

O ontologia do sistema SIPOC/FEPSC

- História, modo de ser fundamental das empiricidades,
. o Circuito das trocas e o Lugar de nascimento do que é empírico
. Pensamento conservador e pensamento progressista

Posição relativa do par sujeito-objeto e o modelo de operações

Aquém 

história como sucessão de fatos
tais como se sucederam

História como sucessão de fatos tais como se sucederam

Diante e Além

história como alterações no ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades

História como mudança no 'modo de ser fundamental'

Duas possibilidades de leitura de operações;
duas origens de valor (interna e externa na linguagem) para representações

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - duas abrangências muito diferentes

Ciência e Tecnologia dependem da Filosofia e são funções das ferramentas de pensamento de que dispõe a configuração do pensamento utilizada em sua geração.

Os três movimentos do pensamento segundo Vilém Flusser

Usando o pensamento de Vilém Flusser:

  • Pensamento é um transformador do duvidoso em língua;
  • Filosofia, ou Reflexão, é texto produzido pelo pensamento ao voltar-se contra si mesmo para corrigir-se e renovar-se.
  • ciência, como o resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo, para compreendê-lo, é texto filosófico aplicado. 
  • e tecnologia, como resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo para modificá-lo, é texto científico aplicado; 

Descontinuidades epistemológicas refletem conquistas humanas no pensamento e são aprimoramentos na maneira que usamos para conhecer.  Há portanto uma relação entre, de um lado, o modo como colocamos em marcha nosso desejo de transformar o duvidoso em língua a cada nível, e de outro lado, a filosofia que temos, e a Ciência que temos, ou a tecnologia de que dispomos. Filosofia, Ciência e Tecnologia são funções do como como vemos o mundo e as coisas.

Michel Foucault (*) descreve uma descontinuidade epistemológica (uma alteração no modo como nos voltamos para o mundo para conhecer o que dizemos que conhecemos), e aponta com toda clareza diferentes jogos de ferramentas de pensamento ou estruturas conceituais, características de uma e de outra dessas epistemologias, de um e de outro lado desse evento. E aponta um período em nossa cultura ocidental, em que o pensamento esteve dominado por uma característica do período anterior.

A solução de questões trazidas à luz por essa nova maneira de conhecer (a nova epistemologia) não poderão ser resolvidas se correspondentes ciência e tecnologia não forem desenvolvidas também.

Pensamento conservador e progressista

Acompanhando o trabalho arqueológico de Michel Foucault em direção a essa classe especial de saberes, a esse conjunto de discursos chamado de ciências humanas, vê-se que em certo período consolidou-se um tipo de pensamento em cuja configuração a etapa de construção de novas representações foi incorporada. Antes disso, essa etapa de construção da representação nova ficava fora do escopo do pensamento, e depois disso essa etapa permaneceu definitivamente incorporada.

Para a configuração de pensamento que deixa fora do seu escopo a etapa de construção de novas representações a alternativa é conviver com tudo o que existe desde sempre e para sempre, tomando as coisas como pré-existentes e pertencentes ao Universo. Esse modo de pensar tem características de conservadorismo, enquanto aquela outra configuração do pensamento que inclui em seu escopo a geração de novas representações, as características de progressismo.

Neste trabalho algumas – bastantes – características de uma e de outra dessas duas características de configurações do pensamento foram apresentadas o que de certa forma pode ser usado para qualificar com algo mais do que a qualidade ‘conservador’ um pensamento de direita; e com a qualidade ‘progressista’ um pensamento de esquerda, delineando com mais precisão uma e outra dessas configurações.

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

Panorama visto desde meu posto de observação

É real hoje, aqui, agora, e entre nós, a percepção – feita por Foucault – do domínio/contaminação do pensamento – ‘com o qual queiramos ou não pensamos‘ – pela impossibilidade de fundar as sínteses (do pensamento sobre a empiricidade objeto da operação) no espaço da representação(*).

Esse tipo de pensamento dominante, aquele com a impossibilidade de fundar as sínteses, é ao mesmo tempo o tipo de pensamento que não inclui a operação de construção de novas representações. E a estrutura das operações sem essa etapa reforça essa impossibilidade. Nesse contexto modelos com e modelos sem essa impossibilidade são tratados como se variações sobre o mesmo tema fossem, e não produções do pensamento completamente diferentes.

Estamos projetando e usando hoje, modelos para operações e organizações, de produção e outras, com o pensamento de exatos dois séculos atrás.

Para que isso possa ser percebido pelo projetista de modelos em diversas áreas é necessário o rompimento das condições em que se dá essa contaminação e esse domínio de uma das configurações de pensamento sobre a outra, obliterando justamente aquela que corresponde a uma conquista humana no pensamento. Para que isso aconteça é necessário que seja atendido um requisito: a construção de um critério para identificação e comparação de modelos, e sua aplicação no caso presente.

Daqui de onde vejo as coisas, é unânime a visão das coisas em termos de processo. Ninguém fala de nada além de processos: mapeia-se processos, otimiza-se processos, etc. etc. o que quer que seja, mas sempre processos. Sem que nos demos conta de como sejam as diferentes estruturas das operações em que tais ‘processos’ ocupam posição operacional. 

Michel Foucault pode fornecer os elementos necessários para a construção desse critério. Nossa intenção aqui é destacar em Foucault o que pode ser usado para o estabelecimento de uma relação pensamento – e sua aplicação na modelagem de operações em organizações. 

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

Cronologia do evento fundador da nossa modernidade no pensamento;
linha de tempo com os períodos de contaminação do pensamento
por configurações diferentes.

uma cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
o evento fundador da nossa modernidade no pensamento
Linha de tempo das conquistas humanas no pensamento e respectiva utilização prática

Acoplamentos estruturais do sistema descrito no LD - o Explicar com Reformular: os internos e aqueles com o ambiente externo

Diante e para Além do objeto

Acoplamento estrutural interno:
condições de possibilidade
Acoplamento estrutural interno:
pontos de acoplamento
Acoplamento estrutural externo:
parcial quando há diferenças nas estruturas
  • os domínios do Operar – retângulo vermelho; e do Suporte ao operar – domínio amarelo, que compõem o ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ parte do ‘Explicar com ‘Reformular’ a empiricidade objeto, durante o caminho da Construção da representação, são exemplo do primeiro acoplamento interno. Acoplamento semelhante ocorre durante o caminho do Instanciamento da representação.(*)

     

  • há ainda acoplamentos externos ‘por cima’, lateralmente, e por baixo da estrutura no LD da figura nos dois caminhos o da Construção e o do Instanciamento. O acoplamento externo ‘por cima’ depende da estrutura com a qual se dará acopamento, e pode ser parcial.

Playground para projetistas de modelos: uma coleção de modelos de diversos tipos, para aplicação dos conceitos apresentados

Uma coleção com mais de duas dúzias de modelos, (*) para descobrir com que tipo de pensamento foram feitos:

  • se COM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação; ou
  • ou se SEM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação

(*) Proposta de metodologia para o planejamento e implantação de manufatura integrada por computador
de Bremer, C. F. USP SC fev 1995; entre outras fontes

Estruturas dos modelos, resultantes da utilização do referencial,dos princípios organizadores e dos métodos usados pelo pensamento, por segmento de modelos 

Aquém do objeto

Modelo de operações de Buffa e modelo de uma organização adaptado de Mauro Zilbovicius

Diante do objeto

Modelo de operações do Kanban e modelo de organização da Reengenharia

Além do objeto

Modelo de uma ciência humana Análise da produção como exemplo de qualquer outro modelo de ciência humana
Estrutura matricial – Quadro de categorias clássico. Utilização de várias ordens ligeiramente diferentes em um mesmo modelo de operações.
Estrutura hierárquica característica do objeto análogo composto substitutivo ao vislumbrado. Utilização de uma única ordem ao longo do modelo.