9. a proposição: dois tipos diferentes quanto à origem do valor que carregam

9. a proposição: dois tipos diferentes quanto à origem interna ou externa à linguagem, do valor que carregam

O fenômeno ‘operações’ (em qualquer área): visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 

Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’:
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes – duas abrangências muito diferentes

Note-se que as condições para a ocorrência da troca – a existência simultânea dos dois objetos de troca, o que é dado e o que é recebido – são satisfeitas em duas situações:

  • 1. no pensamento clássico pelo posicionamento do ponto de início de leitura sob essa condição, quer dizer, a existência prévia do que é dado e do que é recebido;
  • 2. no pensamento moderno, pela satisfação dessa pré-condição no início do Instanciamento da representação, porém com a condição da execução anterior da Construção da representação, também incluída no escopo da operação. 

Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as pré-condições para a ocorrência da troca são dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clássico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.

O que não muda entre essas duas possibilidades

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel Foucault 

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O que sim muda entre essas duas possibilidades

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações com origens de valor distintas.

“Valer, para o pensamento clássico,
é primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenômeno simples
apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois,
que as coisas permutáveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que não tem necessidade
    é igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possível [permutabilidade]),

isto é, no interior

  1. da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenômeno ‘operação’: no ato mesmo da troca; ou anterior à troca, na criação das condições de troca

“Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. leitura já dadas as condições de troca;
  2. leitura na permutabilidade, isto é na criação de condições de troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra
    • toda a essência da linguagem no interior da proposição;

3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior à troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das
    • designações primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

4 a outra forma de análise, a linguagem está enraizada 

fora de si mesma e como que

    • na natureza, ou nas   
    • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

Esta segunda leitura para ‘operações’
– que orienta a análise de valor
desde antes do momento da troca -,
não é possível sem a presença do homem
na estrutura dos modelos.

Isso fica bastante claro com a descrição da forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
mostrados nos modelos de operações

Colocando o ponto de inserção de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da existência dos objetos envolvidos na troca, ocorre uma portentosa ampliação no escopo da operação – de qualquer natureza -, incorporando toda a etapa de construção de representação nova. Veja isso aqui.

8. Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação

8. Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação em curso

Aquém do objeto

formulação sim reversível
e
instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento clássico, o de antes de 1775
tempo calendário no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada

Diante do objeto

formulação não reversível
e construção da representação nova
deus Kairós 

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação

também Diante do objeto

formulação sim reversível
 e instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

Aquém do objeto

qualquer operação

Nota: a existência precede as distinções feitas na operação.

Tempo na formulação e no instanciamento da representação:

  • formulação reversível durante a formulação;
  • tempo calendário, ou tempo relativo no sentido de que
    • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f),
    • a posição calendário do outro evento (f) ou (i) pode ser calculada com as propriedades aparentes disponíveis antes e depois da operação;
  • irreversibilidades somente na etapa de instanciamento da representação

Não há nada que possa ser afirmado, posto, disposto e repartido no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis e assim não se pode falar em ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja. 

Assim, no pensamento clássico, não é possível adotar esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, que é compreendida como sucessão de fatos assim como se sucedem.

Diante do objeto

caminho da Construção da representação
Nota: a existência se constitui com as distinções feitas na operação

Durante essa operação a empiricidade objeto sim, muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

Tempo no caminho da Construção da representação, durante a formulação da representação:

  • formulação irreversível durante a formulação;
  • tempo absoluto no sentido de que
    • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f)
    • não é possível o cálculo da inserção calendário de outro evento (f) ou (i) a partir da inserção calendário do evento anterior em virtude da não disponibilidade das propriedades antes/depois da operação;
  •  irreversibilidades tanto na formulação da operação quanto no seu instanciamento da representação.

A empiricidade objeto da operação tem um novo ‘modo de ser fundamental’, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operações sim, faz-se história.

 também Diante do objeto

caminho do Instanciamento da representação
Nota: a existência volta a preceder as distinções feitas na operação.
 

Durante essa operação a empiricidade objeto não muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

Tempo  no caminho do Instanciamento da representação na formulação da operação de instanciamento e na própria operação de instanciamento de representação anteriormente existente:

  • formulação volta a ser reversível;
  • tempo volta a ser tempo calendário, ou tempo relativo;
  • irreversibilidades no caminho do Instanciamento da representação ocorrem em decorrência do desencadeamento dos elementos de suporte na experiência à Forma de produção.

A empiricidade objeto da operação tem exatamente o mesmo ‘modo de ser fundamental’ com que foi recuperada do repositório, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’ exatamente da mesma forma como havia sido acrescentada ao repositório.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operações não se faz história.

Inspiração e roteiro, e um pouco de história deste trabalho

Inspiração e roteiro, e um pouco de história deste trabalho

Influências e inspirações:

  • a influência de Vilém Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’: uso das funções reversíveis Imaginação e Conceituação para navegar entre textos – imagens – e ocorrências espacio-temporais; as imagens tradicionais e as imagens técnicas, classes de abstrações que usamos cotidianamente;
  • a sugestão de Humberto Maturana no livro ‘De máquinas e de seres vivos’: objeções e propostas de mudança no fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, e aparentemente uma alteração de rota;
  • a influência especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’:
    a descoberta de duas pedras de tropeço durante seu trabalho nesse livro, a saber:
    • uma impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação ainda presente no nosso pensamento cotidiano;
    • e uma obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, os quase-transcendentais Vida(Biologia), Trabalho(Economia) e Linguagem(Filologia).

a plataforma adotada para dar suporte às figuras ou imagens correspondentes aos conceitos encontrados no livro ‘As palavras e as coisas’ será

  • a Figura 2 – Diagrama ontológico; do tópico Reflexões epistemológicas, do livro Cognição, Ciência e Vida cotidiana; 

ou ainda essencialmente a mesma figura, com as observações sobre diferenças

  • a Figura 2 – O Explicar e a Experiência; do Cap. Linguagem, Emoções e Ética nos Afazeres Políticos, do livro Emoções e Linguagem na Educação e na Política;

ambos esses dois livros de Humberto Maturana, 

Vamos utilizar essa figura como plataforma para o trânsito Texto – Imagem – e Ocorrências espacio-temporais seguindo a orientação de Flusser. E fizemos alterações e complementações nela, o que pode ser visto em outra animação neste trabalho.

0.0. As duas leituras do fenômeno ‘operações’ e respectivas possibilidades de análise de valor

 

O mapa de opções para leitura do fenômeno ‘operações’ (em qualquer área):
duas visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

  • As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 
  • As alterações na linguagem em decorrência da incorporação das origens externas de valor atribuído à proposição em cada etapa das operações.  
Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’:
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes – duas abrangências muito diferentes

As duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ em função da disponibilidade dos objetos intervenientes em uma operação de troca.

Os pontos amarelos 1 e 2 marcam o posicionamento do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ justamente no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca.

  • o elemento central destas operações é ‘Processo’
  • o ponto amarelo 1, no lado esquerdo da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento clássico, que ocorre no interior do domínio do Discurso e da Representação, e no Circuito das trocas;
    • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento clássico tudo existe desde sempre e para sempre compondo o Universo;
    • a operação funciona com propriedades não-originais e não-constitutivas (a construção de representações novas está fora do escopo dessas operações) e por isso não são consideradas propriedades originais e constitutivas, o que coloca a noção de objeto fora desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.
  • o ponto amarelo 2, no lado direito da figura, marca a inserção do ponto de início de leitura no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido, porém, em um pensamento configurado com o perfil de características do pensamento moderno
    • o elemento central desta operação é ‘Forma de produção’;
    • o ponto amarelo 2, no lado direito da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento moderno, que também ocorre no interior do domínio do Discurso e da Representação, e no Circuito das trocas;
      • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento moderno a articulação do pensamento com o impensado característica da forma de reflexão que orienta o pensamento, incorpora no próprio escopo do pensamento, a criação de novas representações;
      • a operação transcorre na etapa de instanciamento de representação anteriormente construída, e pode funcionar tanto com propriedades não-originais e não-constitutivas (a construção de representações novas está fora do escopo dessas operações) como com propriedades sim-originais e sim-constitutivas), o que coloca a noção de objeto opcionalmente dentro ou fora desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.

O ponto vermelho marcado com 1 no lado direito da figura marca o posicionamento do ponto de início de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da disponibilidade do objeto da operação – a de construção de representações novas – tratando portanto da permutabilidade futura desse objeto em uma eventual operação de troca.

  • o ponto vermelho 1, no lado direito da figura, representa o início de uma operação sob o pensamento moderno, que ocorre agora no interior de dois domínios: no domínio do Pensamento e da Língua e no domínio do Discurso e da Representação, porém fora do Circuito das trocas;
    • com o pensamento formulado com o perfil de características do pensamento moderno a articulação do pensamento com o impensado característica da forma de reflexão que orienta o pensamento, incorpora no próprio escopo do pensamento, a criação de novas representações;
    • a operação transcorre na etapa de construção de representação nova, e  tem como escopo a descoberta das propriedades sim-originais e sim-constitutivas do objeto da operação, o que coloca a noção de objeto obrigatoriamente dentro desse espaço de empiricidades, junto com a noção de homem como sujeito dessas últimas operações de construção de representações novas.

As duas possibilidades carregamento de valor pela proposição formulada na(s) linguagem(ns) em função desses pontos de inserção do início de leitura de operações.

Quando nos pontos amarelos 1 e 2  no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca.

O pressuposto no LE da figura ‘a existência precede a distinção’ feita na operação vale também para a linguagem.

  • ‘Processo’, o elemento central das operações no LE da figura sob o pensamento clássico é formulado com atividades, tasks encontrados no interior da categoria selecionada no Sistema de categorias, ou Quadro de simultaneidades escolhido, e o valor carregado à proposição formulada na linguagem é proveniente dessa origem interna à linguagem previamente existente nesse ambiente.

Quando no ponto vermelho 1 antes da disponibilidade de um dos objeto que possivelmente será levado a uma futura operação de troca.

  • Esse ponto vermelho 1 marca o início da operação de construção de representação nova. Feita a consulta ao repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da linguagem, a resposta foi negativa quanto à capacidade do repositório no estado em que se encontra de dar suporte ao ‘impensado’;
  • Disso decorre que a linguagem de ação ou de uso não pode fornecer representação que sirva ao objeto vislumbrado.
  • Nesse caso, a origem de valor para as proposições formuladas pela linguagem deve necessariamente provir de fonte externa à linguagem: as designações primitivas.

O que não muda entre essas duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

a proposição
como veículo portador de valor

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel Foucault 

a representação:
como o destino final do valor atribuído

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O que sim muda entre essas duas possibilidades de inserção do ponto de início de leitura 

A origem do valor atribuído ao veículo de carregamento de valor para a representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes até representações com origens de valor distintas.

o que muda é a origem – interna ou externa à linguagem –
do valor atribuído à proposição e por ela carregado para a representação

o destino final do valor atribuído à proposição, a representação,  pode ser 

  • representação já existente, a operação de construção da representação já foi realizada, o objeto já está disponível para uma troca,   
    (e a operação de troca imediata é possível) 
  • ou representação possível, pode ser construída, e o que a operação investiga é a permutabilidade futura do objeto
    (a operação de troca imediata não é possível)

Sobre isso, a explicação de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. 6 – Trocar; tópico V. A formação do valor, é a seguinte

“Valer, para o pensamento clássico,
é primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenômeno simples
apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois,
que as coisas permutáveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que não tem necessidade
    é igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possível [permutabilidade]),

isto é, 

  1. no interior da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

… e prossegue Michel Foucault, indo diretamente ao ponto:

“Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. leitura já dadas as condições de troca;
  2. leitura investiga a permutabilidade, isto é a criação de condições de possibilidade da troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra

toda a essência da linguagem
no interior da proposição;

no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior à troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das

    • designações primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

[no segundo caso] a outra forma de análise,  

a linguagem está enraizada
fora de si mesma e como que

      • na natureza, ou nas   
      • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor,

      • antes da troca
      • e das medidas recíprocas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

Lugares onde ocorrem as operações em função do segmento do espectro de modelos

Lugares onde ocorrem as operações em função do segmento ocupado pelo modelo de operações no espectro de modelos

No ‘As palavras e as coisas’ Michel Foucault fala sobre:

  • Lugar de nascimento do que é empírico;
  • Circuito das trocas.

O conceito que permite fazer a diferença entre esses dois lugares nos quais podem ocorrer operações é dada pelo conceito

  • ‘modo de ser fundamental das empiricidades’

entendido como aquilo que permite que elas (as empiricidades) possam ser afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis.

A diferença está no ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades:

  • no Lugar de nascimento do que é empírico o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades objeto da operação sim muda;
  • no Circuito das trocas o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação ou do pacote de coisas selecionado não muda.

E o Lugar de nascimento do que é empírico só surge na modelagem das operações quando o fenômeno operação é visto a partir de um ponto antes do momento da troca, isto é, em um ponto em que a construção da representação para um dos objetos da troca – por exemplo aquele que é dado em troca – em cujo interior estará o valor se inicia.

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
operação sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
operação sob o pensamento moderno, o de depois de 1825
(seta vermelha)

A visão das operações no interior do retângulo vermelho corresponde a uma análise do valor desde um ponto anterior à troca; o ponto de inserção “1” vermelho está posto  no instante mesmo em que a representação possível no interior da qual estará o valor ainda não existe e nela será posto valor efetuadas as designações primitivas, usando a linguagem de ação ou raiz.

Tais designações primitivas darão origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites à empiricidade objeto da operação cuja representação será construída nessa operação.

E isso exige uma formulação do modelo de operações no qual estará em questão o ser do homem nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula tendo como resultado essa representação possível. Para isso esse homem terá de desempenhar uma duplicidade de papéis: 

  • raiz e fundamento de toda a positividade; 
  • e elemento do que é empírico.

Isso coloca os modelos feitos com essa possibilidade de leitura e análise respectiva de valor  no segmento do espectro de modelos diante do objeto, e organizados pelo par sujeito-objeto, no perfil de pensamento característico de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Pensamento clássico
antes de 1775
Circuito das trocas
(Mercado)

Pensamento moderno
depois de 1825
Lugar de nascimento
do que é empírico

Pensamento moderno
depois de 1825
Circuito das trocas
(Mercado)

Circuito das trocas (Mercado)
no interior do qual ocorrem as operações sob o pensamento clássico, o de antes de 1775
Lugar do nascimento do que é empírico no caminho da Construção da representação:
o domínio do Pensamento e da Língua e o domínio do Discurso e da Representação
Circuito das trocas quando no caminho do Instanciamento da representação no domínio do Discurso e da representação

Espectro de modelos

aquém do objeto

diante do objeto

diante do objeto

A operação transcorre inteiramente no interior do espaço denominado Circuito das trocas.

segmento no espectro de modelos

AQUÉM do objeto

Circuito das trocas é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’, para o popular Mercado.

O pressuposto no LE da figura é:

“A existência precede a distinção”

com esse pressuposto tudo é considerado pré-existente e não há a preocupação de construção de representações novas.

A análise de valor neste caso é feita sob a primeira possibilidade de leitura acima mencionada por Foucault.

Durante este tipo de operações o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades objetos da operação – que neste caso não são descritas por suas propriedades originais e constitutivas mas apenas por suas “aparências”,  – não se altera.

Neste caso é preciso que as coisas permutáveis, com seu valor próprio (respectivas representações) existam antecipadamente nas mãos dos parceiros na troca, para que a dupla cessão e a dupla aquisição se produzam.

O princípio de trabalho aqui é o Princípio Monolítico de Trabalho de Adam Smith, de 1776, com um pensamento todo configurado antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Na figura acima ‘Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’ o início destas operações pode ocorrer nos dois pontos “1” amarelos.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto

Lugar de nascimento do que é empírico é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’ para o espaço em que o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação em curso, se altera.

O pressuposto na figura é:

“A existência se constitui na distinção”

com esse pressuposto a preocupação com a construção de representações para novas empiricidades objeto da operação é implícita.

A análise de valor neste caso é feita sob a segunda possibilidade de leitura acima mencionada por Foucault.

Durante as operações no caminho da construção da representação o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação – que neste caso é descrita por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas resultantes das designações primitivas – linguagem de ação ou raiz.

Neste caso uma das coisas permutáveis (pelo menos) passará a existir no caso do sucesso na operação em curso.

Caso a operação tenha sucesso na construção da representação para a empiricidade objeto então ela poderá ser levada ao Circuito das trocas, ou ao Mercado, no caso de que isso seja conveniente ou desejado, situação na qual passará pelo caminho do Instanciamento da representação, desta feita, fora do Lugar de nascimento do que é empírico.

Na figura acima “Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações'” a operação de construção da representação tem seu ponto de inicio assinalado pelo “1” vermelho.

A operação acontece em um espaço situado fora do Circuito das trocas pela inexistência de pelo menos uma das coisas permutáveis (vide acima)

A operação passa novamente a ocupar o espaço do Circuito das trocas – Mercado. Toda a alteração de ‘modo de ser fundamental’ que precisava ser feita já foi anteriormente feita, mesmo sob o pensamento moderno.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto
mas pode ser tratado como
AQUÉM do objeto

Caso o instanciamento da representação anteriormente construída e incluída no Repositório existente no domínio e ambiente em que as operações ocorrem seja decidido, então:

  • a representação é recuperada do Repositório;
  • a operação de Instanciamento é desencadeada percorrendo o caminho do Instanciamento da representação.

A operação de instanciamento de representação objeto é feita no interior do Circuito das trocas – ou Mercado, em virtude de que nesse tipo de operação não há alteração no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto.

Toda a operação de instanciamento tem lugar no interior do domínio do Discurso e da Representação.

Na figura acima ‘Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações'” o início destas operações pode ocorrer nos dois pontos “1” amarelos.

Domínios onde ocorrem operações em função do segmento do espectro de modelos

Domínios onde ocorrem as operações em função do segmento do espectro de modelos ao qual pertence um modelo de operações

Pensamento clássico: domínio do Discurso e da Representação

Domínio do Discurso e da Representação
no interior do qual ocorrem as operações
sob o pensamento clássico

O pressuposto no LE da figura é:

“A existência precede a distinção”

com esse pressuposto tudo é considerado pré-existente e não há a preocupação de construção de representações novas.

A operação acontece inteiramente dentro do domínio do Discurso e da Representação uma vez que o ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja, não se altera durante estas operações.

Veja o funcionamento deste tipo de operações sob o pensamento filosófico clássico, o de antes de 1775.

segmento no espectro de modelos

AQUÉM do objeto

Circuito das trocas é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’, para o popular Mercado, o lugar onde o ‘modo de ser fundamental’ das coisas não se altera.

A essência da linguagem é encontrada no interior dela mesma, a linguagem. Todo o valor é carregado diretamente pela proposição. Veja essa discussão feita por Foucault.

A visão de operações neste caso é condicionada à existência prévia do objeto da troca e a análise de valor é posta no ponto de cruzamento entre o que é dado e o que é recebido de volta na troca.

Pensamento moderno, caminho da Construção da representação

esta operação ocorre em dois domínios:

  • domínio do Pensamento e da língua;
  • domínio do Discurso e da Representação.

e em um lugar composto de duas partes, uma de cada um desses domínios, denominado

  • ‘Lugar de nascimento do que é empírico’
Os dois domínios onde ocorrem as operações
sob o pensamento moderno
quando no caminho da Construção da representação:
- o domínio do Pensamento e da Língua
e o domínio do Discurso e da Representação

A operação de construção de representação nova transcorre em dois domínios:

  • o domínio do Pensamento e da Língua
  • e o domínio do Discurso e da Representação

Com o sucesso da operação no caminho da Construção da representação a nova representação construída para a empiricidade objeto desta operação – se aceita pelos envolvidos – será adicionada ao Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua.

Com essa operação que ocorre no caminho da Construção da representação para a empiricidade objeto, o pensamento como que dá um salto para fora da representação, atingindo um espaço em que ela não tem mais domínio.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto

O ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ compõe-se de dos blocos cada um em um dos dois domínios o do Pensamento e da Língua e o do Discurso e da Representação. Esse lugar está fora e antes do Circuito das trocas, este último, inteiramente no interior do domínio do Discurso e da Representação.

A essência da linguagem no caminho da Construção da Representação é encontrada fora da própria linguagem, através de:

  • designações primitivas;
  • linguagem de ação ou de uso.

Todo o valor é carregado para a proposição que vai sendo formulada ‘sistemicamente’ obedecendo as regras gramaticais da linguagem que permeia todo o ambiente.

A utilização desses elementos externos à linguagem impõe a visão das operações que englobe toda a operação de construção da nova representação.

A visão das operações no interior do retângulo vermelho corresponde a uma análise do valor desde um ponto anterior à troca; o ponto de inserção “1” vermelho está posto  no instante mesmo em que a representação possível no interior da qual estará o valor ainda não existe e nela será posto valor efetuadas as designações primitivas, usando a linguagem de ação ou raiz.

E isso exige uma formulação do modelo de operações no qual estará em questão o ser do homem nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula tendo como resultado essa representação possível. Para isso esse homem terá de desempenhar uma duplicidade de papéis: raiz e fundamento de toda a positividade; e elemento do que é empírico.

Pensamento moderno, caminho do Instanciamento da representação

volta a transcorrer no interior do domínio do Discurso e da Representação
depois da operação de construção da representação.

Domínio do Discurso e da Representação
onde ocorrem as operações quando no caminho do Instanciamento da representação
sob o pensamento moderno

A operação de Instanciamento de representação previamente existente no Repositório onde está a linguagem de ação ou de uso (repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua) transcorre em um único domínio:

  • o domínio do Discurso e da Representação.

A operação de instanciamento tem como objeto representação anteriormente desenvolvida e incluída no Repositório. Essa representação anteriormente existente é recuperada do repositório e é o objeto da operação de instanciamento.

Durante essa operação, o modo de ser fundamental dessa empiricidade objeto não muda e permanece aquele que tinha quando a representação foi incluída no Repositório.

Mesmo sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, e portanto após a descontinuidade epistemológica atribuída por Foucault ao período entre os anos de 1775 e 1825, a operação de instanciamento da representação objeto volta a acontecer no Circuito das trocas  já que na operação de instanciamento não ocorrem alterações no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto.

A operação de instanciamento de representação existente no Repositório acontece fora do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ e depois de qualquer operação ou parte, que ocorra nesse espaço.

Segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto
mas pode ser tratado como
AQUÉM do objeto

As ‘designações primitivas’ já foram feitas – todas as que foram necessárias – e durante o instanciamento essa fonte externa da essência da linguagem não precisa ser acionada.

7. Os dois espaços gerais do saber em cada segmento do espectro de modelos

Os dois espaços gerais do saber em cada segmento do espectro de modelos

Aquém do objeto

espaço geral do saber sob o pensamento filosófico clássico

Diante do objeto

o Triedro dos saberes
exceto as ciências humanas

 Além do objeto

o espaço interno do Triedro dos saberes
- o habitat das ciências humanas -
mostrando o modelo constituinte composto e comum a todas as Ciências Humanas

os saberes são desenvolvidos a partir de um par de representações pré-existentes: propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas (as aparências); e uma das categorias  – escolhida por identidade e semelhança com ‘aparências’ – de um quadro – um sistema de categorias, que dá de antemão todas as possibilidades .

os saberes ocupam qualquer eixo e qualquer face do triedro, chamado por Foucault de Triedro dos saberes – sob a orientação de um dos pares constituintes das ciências que ocupam a região epistemológica fundamental, eixo no qual estão as ciências 

  • da Vida, 
  • do Trabalho 
  • e da Linguagem.

com o respectivo par de modelos constituintes

as Ciências humanas ocupam o espaço interior do Triedro dos saberes, onde todas as ciências humanas têm modelo constituinte comum, que é uma composição dos modelos constituintes das ciências

  • da Vida (Biologia)
    •  função-norma;
  • do Trabalho (Economia)
    • conflito-regra;
  • e da Linguagem (Filologia)
    • significação-sistema
Comentários

    6. Os dois conceitos para História

    Os dois conceitos ordenadores para História

    • História como a coleta das sucessões de fatos tais como se constituíram; e
    • História como o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades, aquilo a partir de que elas são afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis.

    O conceito 'modo de ser fundamental' de uma empiricidade objeto e o conceito de História

    “Mas vê-se bem que a História não deve ser aqui entendida como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;
    ela [
    a História] é

    o modo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elas são 

    • afirmadas, 
    • postas, 
    • dispostas 
    • e repartidas no espaço do saber 
    • para eventuais conhecimentos 
    • e para ciências possíveis.”

    As palavras e as coisas:
    uma arqueologia das ciências humanas;
    Cap. VII – Os limites da representação;
    tópico I – A idade da História

    Os fundamentos do conceito como o elemento ordenador da História

    “Assim como a Ordem no pensamento clássico 

    não era 

    • a harmonia visível das coisas, 
    • seu ajustamento, 
    • sua regularidade 
    • ou sua simetria constatados, 

    mas 

    • o espaço próprio de seu ser 
    • e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabelecia no saber, 

    assim também a História,
    [no pensamento moderno] a partir do século XIX, define o 

    lugar de nascimento
    do que é empírico,

    lugar onde, 

    • aquém de toda cronologia estabelecida, 
    • ele [o objeto – o que é empírico] assume o ser que lhe é próprio.”

    As palavras e as coisas:
    uma arqueologia das ciências humanas;
    Cap. VII – Os limites da representação;
    tópico I – A idade da História

    Comentários

      Modelos com a estrutura clássica e a moderna de conceitos, por segmento do espectro de modelos

      Modelos construídos com as estruturas clássica e moderna de conceitos,
      por faixa do espectro de modelos com relação ao par sujeito-objeto como elemento organizador

      Abrangência dos diferentes modelos do fenômeno a modelar,
      os possíveis pontos de inserção para o início das operações
      e as duas alternativas de leitura para o que seja trabalho e valor

      Modelos de operações e de organizações originalmente para produção
      construídos sob o perfil de conceitos do pensamento clássico

      Características do pensamento clássico, o de antes de 1775

      Visão do fenômeno 'operações' no modo da Primeira leitura na figura acima, com ponto de inicio de leitura no cruzamento da disponibilidade dos dois objetos envolvidos em uma operação de troca, e abrangendo o (1) no retângulo amarelo.

      segmento do espectro de modelos
      Aquém do objeto

      Funcionamento
      do pensamento
      funcionamento das operações no pensamento clássico
      Modelo de
      Operação de produção
      relação do modelo de operações de produção de E. S. Buffa e o sistema Input-Output
      do LE da figura.
      Modelo da 
      Organização de produção
      Um modelo de organização sob o pensamento clássico, destacando a utilização de múltiplas ordens, ou
      múltiplos sistemas de categorias

      O modelo FEPSC(SIPOC)/Six Sigma e uma comparação visual de estruturas com o modelo de operações sob a estrutura moderna de pensamento.

      Modelo FEPSC(SIPOC), Six Sigma
      A visão Top-Down e Botton-Up

      Aqui, nestes modelos, o elemento central no modelo de operações é Processo, um verbo com o seguinte tratamento:

      “A única coisa que o verbo afirma é a coexistência de duas representações: por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele [tempo] em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Cap. IV – Falar;
      tópico III. A teoria do verbo

      É a estrutura do sistema Input-Output que apresenta essa funcionalidade.

      Modelos de operações e de organizações
      originalmente para sistema contábil-financeiro

      funcionamento das operações no pensamento clássico
      funcionamento das operações
      no pensamento clássico
      Modelo de  Operação
      contábil-financeira
      O modelo de operação
      no sistema contábil-financeiro
      Modelo da  Organização
      ponto de vista financeiro
      a organização no sistema contábil-financeiro

      Visão SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica para operações e organizações

      A Visão SSS - Simétrica, Simbiótica e Sinérgica, para operações e organizações composta simultaneamente por:

      a) operações e organização respectiva, que resultam no objeto esperado pelo grupo de interessados na produção 'Clientes', e separadamente, em outro modelo relacionado

      b) operações e organização respectiva, que resultam no instrumento - laboratório, projeto piloto, fábrica - capaz de obter o objeto esperado pelos interessados na produção 'Acionistas'

      na realidade do ambiente em que essas operações ocorrem.

      Modelagem da organização incluindo simultaneamente e estabelecendo relações:

      • a obtenção do objeto esperado como resultado das operações de produção;
        • normalmente o objeto esperado pelo Cliente – ‘produto’.
      • e a obtenção dos instrumentos (laboratório, projeto piloto
        – e depois a unidade de fabricação ou Fábrica)
        • normalmente produzindo o objeto esperado pelo Acionista – ‘lucros’. 

      usando como organizadores os diferentes pares sujeito-objeto. 

      De outro modo, deixando o instrumento de lado, há um toque de magia, ou pelo menos baixa qualidade de informação, no modo como a produção é modelada. 

      Modelagem das operações organizadas pelos pares “sujeito-objeto” sob uma ordem única, a das regras da linguagem, específica para cada objeto no respectivo modelo, tendo como:

      • referencial: a Utopia do objeto ainda inarticulado;
      • princípios organizadores: Analogia e Sucessão;
      • métodos: Análise e Síntese.

      em substituição às modelagens organizadas por ordens escolhidas arbitrariamente – frequentemente mais de uma ordem em um mesmo modelo, que apresentavam:

      • referencial: ordem(ns) aleatoriamente selecionada(s) (sistemas de categorias); 
      • princípios organizadores: Caráter e Similitude; 
      • métodos: Identidade e Semelhança

      Mapa geral das operações na disposição SSS

      Argumento: a modelagem de operações
      organizada pelo par sujeito-objeto

      Construção da estrutura de operações na disposição SSS - Simétrica, Simbiótica e Sinérgica

      Posicionamento do acima descrito no espectro de modelos descrito por Michel Foucault
      no livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      Todos esses modelos de operações estão no segmento “diante do objeto”.

      Cumpre, então, desenvolver os modelos para o próximo segmento, descrito por Michel Foucault, em que habitam os modelos para além do objeto, para os quais Foucault delineia o modelo constituinte.

      Veja isso em outra animação neste trabalho.

      Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments: o mapa da reengenharia; exemplo de modelo existente, e bastante referido na década de 90, em que essa disposição SSS está mencionada, embora não desenvolvida.

      Os dois objetos diferentes, presentes no Mapa da Reengenharia de Michael Hammer
      A simetrização do Mapa da Reengenharia, apenas detalhando elementos já existentes no mapa original de Michael Hammer

      O modelo de operações, ou modelo descritivo da produção do Kanban

      Modelo descritivo da produção do Kanban, mostrando a Proposição formulada
      com ideias ou elementos de imagem integrantes da estrutura do modelo

      Visão das operações no interior de uma organização para o objeto respectivamente de cada operação e o instrumento capaz de obtê-lo, em uma modelagem de operações organizada pelo par sujeito-objeto

       

      Especificidade (ou não) na relação [objeto esperado]/[instrumento]
      nas operações de produção e outras, conduzidas em ambiente de realidade

      Modelos que comumente utilizamos não contemplam a concepção e obtenção do instrumento capaz de obter o objeto esperado das operações modeladas.

      A falta de preocupações específicas e tempestivas com o instrumento requerido para a final obtenção do que queremos – o projeto-piloto ou laboratório, e a fábrica para instanciamento do objeto desenvolvido, definitivamente  objetos diferentes do objeto esperado das operações em foco – confere a tais modelos características de um pensamento mágico.

      A modelagem organizada pelo par sujeito-objeto exige a consideração de um objeto determinado. E o tratamento conjunto desses dois objetos em um mesmo modelo desestrutura o projeto do modelo de operações e degrada a qualidade da informação.

      Esta é uma modelagem de:

      • objeto esperado pelo Cliente:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Produto – no qual o Cliente está interessado, em todas as suas etapas;

      • objeto esperado pelo Acionista:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Lucros ou benefícios de qualquer natureza – no qual o Acionista está interessado, objeto este gerado pelo instrumento requerido para obter o objeto Produto de interesse do Cliente, abrangendo igualmente aqui todas as suas etapas.

      A modelagem de operações de produção de uma coisa sem a preocupação simultânea com o instrumento requerido para instanciar no ambiente essa coisa tem muito de um pensamento mágico.

      A operação simétrica à operação de obtenção do objeto esperado Produto, refiro-me à operação de obtenção do instrumento capaz de obter esse objeto no ambiente em que ocorre a produção, pode ser vista como um sucedâneo prático da varinha mágica de condão de Merlin.

      O mago Merlin empunhando a varinha mágica de condão

      Vemos acima Merlin e seu instrumento absolutamente versátil, indiferente quanto a qual seja o objeto de desejo do rei Arthur, que instancia qualquer coisa em qualquer ambiente instantaneamente sem gastar nada, e de modo sempre reversível. Organizador do mundo pela redução de entropia sem gastar energia e por isso, mágico.

      Elementos de diferença entre operações não e sim discriminativas em relação ao objeto,
      segundo Michel Foucault

      “Instaura-se uma forma de reflexão, bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.” Michel Foucault

      Uma forma de reflexão que coloca em cena o sujeito da operação de pensamento – o ser do homem; e o objeto do pensamento – o impensado, com o propósito de estabelecer articulação com ele, isto é, de representá-lo.

      Princípios organizadores desse espaço de empiricidades: Analogia e Sucessão.

      Analogia entre quê e o quê?

      E Sucessão? Entre quais elementos? E no interior de alguma totalidade? E com qual estrutura?

      Esses tais princípios organizadores funcionam com que métodos? A organização hierárquica do objeto análogo composto Sucessão de analogias é intrínseca à operacionalidade desses princípios organizadores?

      É isso que estas animações tornam aparente.

      Ao apontar para a coexistência de duas representações ambas pré-existentes, a funcionalidade do verbo não consegue dar conta do tempo em que o modo de ser fundamental das empiricidades objeto muda em um ambiente, e com isso, deixa de apontar o tempo em que isso aconteceu, um tempo absoluto, mas indica apenas o tempo em um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si – o sistema baseado na estrutura Input-Output.

      O tratamento do verbo como um ser misto, ao mesmo tempo palavra entre palavras, e com um recuo em relação a elas todas, abandonando a região do falado e ganhando a região desde onde se fala, abre espaço para a formulação de operações que tem como elemento básico padrão fundamental a Proposição.

      O ganho para nossos modelos de operações – avaliado tão grandiosamente por Millor Fernandes (veja a barra lateral) é a incorporação a eles, operacionalmente, do bloco padrão fundamental genérico para a construção de representações. E através da proposição, a Língua.

      Parece mais do que claro que sem uma função Classificar fica-se fora de qualquer possibilidade de modelar o que quer que seja.

      E examinando os dois conceitos para o que seja Classificar, vem a quase certeza de que a aplicação de cada um desses conceitos leva a modelos completamente diferentes.

      Posicionamento do acima descrito no espectro de modelos descrito por Michel Foucault
      no livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      Todos esses modelos de operações estão no segmento “diante do objeto”.

      Cumpre, então, desenvolver os modelos para o próximo segmento, descrito por Michel Foucault, em que habitam os modelos para além do objeto, para os quais Foucault delineia o modelo constituinte.

       

      Especificidade (ou não) na relação [objeto esperado]/[instrumento]
      nas operações de produção e outras, conduzidas em ambiente de realidade

      Modelos que comumente utilizamos não contemplam a concepção e obtenção do instrumento capaz de obter o objeto esperado das operações modeladas.

      A falta de preocupações específicas e tempestivas com o instrumento requerido para a final obtenção do que queremos – o projeto-piloto ou laboratório, e a fábrica para instanciamento do objeto desenvolvido, definitivamente  objetos diferentes do objeto esperado das operações em foco – confere a tais modelos características de um pensamento mágico.

      A modelagem organizada pelo par sujeito-objeto exige a consideração de um objeto determinado. E o tratamento conjunto desses dois objetos em um mesmo modelo desestrutura o projeto do modelo de operações e degrada a qualidade da informação.

      Esta é uma modelagem de:

      • objeto esperado pelo Cliente:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Produto – no qual o Cliente está interessado, em todas as suas etapas;

      • objeto esperado pelo Acionista:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Lucros ou benefícios de qualquer natureza – no qual o Acionista está interessado, objeto este gerado pelo instrumento requerido para obter o objeto Produto de interesse do Cliente, abrangendo igualmente aqui todas as suas etapas.

      A modelagem de operações de produção de uma coisa sem a preocupação simultânea com o instrumento requerido para instanciar no ambiente essa coisa tem muito de um pensamento mágico.

      A operação simétrica à operação de obtenção do objeto esperado Produto, refiro-me à operação de obtenção do instrumento capaz de obter esse objeto no ambiente em que ocorre a produção, pode ser vista como um sucedâneo prático da varinha mágica de condão de Merlin.

      O mago Merlin empunhando a varinha mágica de condão

      Vemos acima Merlin e seu instrumento absolutamente versátil, indiferente quanto a qual seja o objeto de desejo do rei Arthur, que instancia qualquer coisa em qualquer ambiente instantaneamente sem gastar nada, e de modo sempre reversível. Organizador do mundo pela redução de entropia sem gastar energia e por isso, mágico.

      Elementos de diferença entre operações não e sim discriminativas em relação ao objeto,
      segundo Michel Foucault

      “Instaura-se uma forma de reflexão, bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.” Michel Foucault

      Uma forma de reflexão que coloca em cena o sujeito da operação de pensamento – o ser do homem; e o objeto do pensamento – o impensado, com o propósito de estabelecer articulação com ele, isto é, de representá-lo.

      Princípios organizadores desse espaço de empiricidades: Analogia e Sucessão.

      Analogia entre quê e o quê?

      E Sucessão? Entre quais elementos? E no interior de alguma totalidade? E com qual estrutura?

      Esses tais princípios organizadores funcionam com que métodos? A organização hierárquica do objeto análogo composto Sucessão de analogias é intrínseca à operacionalidade desses princípios organizadores?

      É isso que estas animações tornam aparente.

      Ao apontar para a coexistência de duas representações ambas pré-existentes, a funcionalidade do verbo não consegue dar conta do tempo em que o modo de ser fundamental das empiricidades objeto muda em um ambiente, e com isso, deixa de apontar o tempo em que isso aconteceu, um tempo absoluto, mas indica apenas o tempo em um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si – o sistema baseado na estrutura Input-Output.

      O tratamento do verbo como um ser misto, ao mesmo tempo palavra entre palavras, e com um recuo em relação a elas todas, abandonando a região do falado e ganhando a região desde onde se fala, abre espaço para a formulação de operações que tem como elemento básico padrão fundamental a Proposição.

      O ganho para nossos modelos de operações – avaliado tão grandiosamente por Millor Fernandes (veja a barra lateral) é a incorporação a eles, operacionalmente, do bloco padrão fundamental genérico para a construção de representações. E através da proposição, a Língua.

      Parece mais do que claro que sem uma função Classificar fica-se fora de qualquer possibilidade de modelar o que quer que seja.

      E examinando os dois conceitos para o que seja Classificar, vem a quase certeza de que a aplicação de cada um desses conceitos leva a modelos completamente diferentes.

      Posicionamento do acima descrito no espectro de modelos descrito por Michel Foucault
      no livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      Todos esses modelos de operações estão no segmento “diante do objeto”.

      Cumpre, então, desenvolver os modelos para o próximo segmento, descrito por Michel Foucault, em que habitam os modelos para além do objeto, para os quais Foucault delineia o modelo constituinte.

      Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
      sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
      sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
      com duas amplitudes - abrangências muito diferentes

      - A pedra de tropeço no caminho de Michel Foucault e
      - Os caminhos (e alterações de rota) de Maturana

      Michel Foucault
      1926-1984

      “É que o pensamento que nos é contemporâneo e com o qual, queiramos ou não, pensamos, se acha ainda muito dominado 

      • pela impossibilidade, trazida à luz por volta do fim do século XVIII, de fundar as sínteses [da empiricidade objeto do pensamento] no espaço da representação;
      • e pela obrigação correlativa, simultânea, mas logo dividida contra si mesma,
        de abrir o 
        campo transcendental da subjetividade e de constituir inversamente, para além do objeto, esses “quase-transcendentais” que são para nós a Vida, o Trabalho, e a Linguagem.”  (*)
      Humberto Maturana
      1928-

      “Substituir 

      • a noção de input-output 
      • pela de acoplamento estrutural 

      foi um passo importante na boa direção por evitar a armadilha da linguagem clássica de fazer do organismo um sistema de processamento de informação.
      (…) Contudo é uma formulação fraca por não propor uma alternativa construtiva e deixar a interação na bruma de uma simples perturbação. (…) Frequentemente se tem feito a crítica de que a autopoiese leva a uma posição solipsista. (**)

      (*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico: I. As novas empiricidades
      (**) De máquinas e de seres vivos: autopoiese – a organização do vivo; Prefácio à segunda edição; tópico Além da autopoiese; sub-tópico: Enacção e cognição, de Francisco José Garcia Varela

      O espectro de modelos, segundo essa possibilidade de sim-fundar, ou não-fundar, as sínteses no espaço da representação: Aquém, Diante e para Além do objeto - os segmentos do espectro de modelos de visões de ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t

      O modo como Foucault descreve o problema que encontrou em seu trabalho pode ser mapeado em um espectro de modelos agrupados segundo os dois fatores por ele percebidos:  fator 1, com duas regiões quanto à fundação das sínteses na representação e com três regiões quanto à posição relativa ao objeto e ao sujeito: 
      Aquém, Diante e para Além do objeto. 

      Fundação das sínteses no espaço da representação

      Impossibilidade

      Possibilidade

      Aquém

      do objeto
      (e do sujeito)

      Diante

      do objeto
      (e do sujeito)

      para Além

      do objeto
      (e do sujeito)

      Fator 1 – o domínio/contaminação do pensamento com o uso simultâneo de configurações de pensamento 

      • com a  impossibilidade 
      • e também com a possibilidade,

      de fundar as sínteses da representação da empiricidade objeto, no espaço da representação’; com duas regiões em um espectro de modelos:

      Fator 2 – dar conta da obrigação correlativa (…) de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, os “quase-transcendentais”

      com as seguintes regiões no espectro de modelos:

       1. região do espectro: ‘Aquém do objeto’ (na impossibilidade);

       2. região do espectro: ‘Diante do objeto’ (na possibilidade)

        • da Vida, (Biologia) par constituinte função-norma
        • do Trabalho, (Economia) par conflito-regra
        • e da Linguagem. (Filologia) par significação-sistema

       3. região do espectro: ‘para Além do objeto’, (na possibilidade) e no campo das ciências humanas, no espaço interior do triedro dos saberes.

      outra região no espectro de modelos, com modelo constituinte único composto dos três pares constituintes das três regiões epistemológicas fundamentais

      Modelos constituintes de modelos
      em cada uma das faixas desse espectro

      Posição relativa modelo de operações - sujeito-objeto

      Aquém

      não há modelos constituintes nesse segmento do espectro, já que, pelos pressupostos adotados (Universo, realidade única) nada é constituído na existência em decorrência das operações feitas

      Diante

      modelo constituinte composto pelo par constituinte correspondente ao campo em que o modelo é formulado, tomados isoladamente em cada área: 

      • Vida (Biologia) –
        [função-norma]; 
      • Trabalho (Economia) –
        [conflito-regra]; 
      • Linguagem (Filologia)- [significação-sistema]

      para Além

      campo das Ciências Humanas com modelos constituintes formados por uma combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, tomados todos em conjunto em cada modelo, dada ênfase a uma das áreas das ciências da região epistemológica fundamental

      (*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos

       

      Imaginação e Conceituação - funções humanas reversíveis:
      Imagens tradicionais e Técnicas

      Imagens tradicionais

      Imagens técnicas

      Classes de abstrações

      As imagens tradicionais
      Imagens técnicas, as imagens produzidas por aparelhos (computadores)
      Classes de abstrações
      • Imaginação e Conceituação, funções humanas reversíveis que todos temos para codificar e decodificar imagens tradicionais e textos;
        • idolatria é o uso continuado de imagens que, quando decodificadas, não mais nos levam à visão da ocorrência no espaço-tempo x, y, z e t, isto é, imagens que não mais nos servem de guias para o mundo, mas de biombos;
        • textolatria é o uso continuado de textos que, quando decodificados, não mais nos levam às imagens que fizemos para as ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t
      • e as Imagens técnicas, especiais, aquelas imagens produzidas por aparelhos (computadores em destaque); as Imagens técnicas exigem, para seu entendimento, uma Conceituação especial.(*)

      (*) Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia;
      Capítulos I – A imagem; e II – A imagem técnica,
      de Vilém Flusser 

      Estruturas de conceitos em cada ambiente de formulação identificado pela possibilidade ou pela impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação

      Posição em relação ao par sujeito-objeto

      Estrutura conceitual
      para o pensamento clássico
      Estrutura conceitual
      para o pensamento moderno

      Referencial:

      • Ordem pela ordem;

      Princípios organizadores: 

      • Caráter e similitude;

      Métodos:

      • Identidade e semelhança

      Referencial:

      • Utopia;

      Princípios organizadores: 

      • Analogia e Sucessão;

      Métodos:

      • Análise e Síntese

      ‘Assim, estes três pares,
      função-norma,
      conflito-regra,
      significação-sistema,

      cobrem, por completo,
      o domínio inteiro
      do conhecimento do homem.'(*)

      São essas as ferramentas de que se arma o pensamento – em cada segmento do espectro de modelos, para produzir as imagens que servem de mapas, para orientação na construção das representações.

      (*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos

      Funcionamento do pensamento
      em cada um dos segmentos desse espectro

      Antes do objeto

      Diante do objeto

      Além do objeto

      Operação no sistema Input-Output
      sobre representações pré-existentes
      Operação de construção de representação não existente no repositório
      Operação de instanciamento de representação pré-existente no repositório

      Paletas com o conjunto completo de ideias ou elementos de imagem necessários para a formulação das respectivas imagens das ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t ; incluindo relacionamentos entre esses elementos de imagem.(*)

      (*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;
      tópico I. As novas empiricidades, de Michel Foucault

      Desenvolvimento das operações
      por segmento do espectro de modelos

      Aquém do objeto

      Diante do objeto

      Além do objeto

      • no sistema Input-Output; usando uma ordem arbitrariamente escolhida;
      • e com propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, as chamadas ‘aparências’;
      • No sistema correspondente ao que Foucault chama de ‘essa maneira moderna de conhecer empiricidades’, que tem como elemento construtivo padrão fundamental a proposição, da qual herda as categorias de ideias ou elementos de imagem de primeiro nível;
      • e com propriedades sim-originais e sim-constitutivas daquilo que se constitui na existência em decorrência das operações.
      • No sistema formulado no campo das ciências humanas, com modelos constituintes compostos por uma combinação dos modelos constituintes das ciências que integram a região epistemológica fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
      • Nexo da operação.

      Veja mais detalhes nas animações que podem ser encontradas nas páginas de detalhe deste tópico.

      O espaço dado ao homem - 'naquilo que ele tem de empírico' -
      na estrutura dos modelos

      Aquém do objeto

      Diante e Além do objeto

      Sistema clássico de pensamento:
      sem espaço em sua estrutura
      para os dois papéis do homem.
      Os dois papéis do homem
      presentes e operativos na estrutura
      d'essa maneira moderna de conhecer empiricidades'

      Antes do fim do século XVIII,
      o homem não existia. (…)
      Sem dúvida,
      as ciências naturais trataram do homem
      como de uma espécie ou de um gênero.”

      As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
      Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico II. O lugar do rei

      ‘Na medida, porém, em que as coisas giram sobre si mesmas, reclamando para seu devir não mais que o princípio de sua inteligibilidade e abandonando o espaço da representação, o homem, por seu turno, entra e pela primeira vez,
      no campo do saber ocidental’ (*)

      “O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papéis: está, ao mesmo tempo, 

      • no fundamento de todas as positividades,
      • presente, de uma forma
        que não se pode sequer dizer privilegiada,
        no elemento das coisas empíricas.” (**)

       (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas; 
      Prefácio

      (**) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;  
      Capítulo X – As ciências humanas;
      I. O triedro dos saberes

      O tempo em cada uma das faixas do espectro;
      e para as diferentes etapas das operações indicadas

      Aquém
      do objeto
      qualquer operação

      Diante 
      do objeto
      caminho da Construção 

      Diante 
      do objeto
      caminho da Instanciamento

      Tempo no LE, em qualquer operação no sistema Input-Output, sob o deus Chronos
      Tempo LD, operação no caminho da Construção da representação,
      sob o deus Kairós
      Tempo LD, operação no caminho do Instanciamento da representação,
      novamente sob o deus Chronos

      Tempo, em cada um dos segmentos do espectro, muda:

      • aquém do objeto, na estrutura input-output sob o pensamento clássico, temos um tempo relativo, ou um tempo calendário, cujo deus é Chronos;
      • diante do objeto mas no caminho da Construção da representação, sob o pensamento filosófico moderno, temos um tempo absoluto, um tempo não-calendário, cujo deus é Kairós;
      • e ainda diante, e também além do objeto, tempos um tempo que volta a ser relativo, calendário, e a soberania volta a ser a de Chronos.

      Espaços Gerais do Saber
      em cada segmento do espectro

      Aquém do objeto

      Diante do objeto

      Além do objeto

      Espaço Geral do Saber Clássico
      Espaço Geral do Saber no pensamento Moderno
      Espaço interior do Triedro do Saber

      As mudanças nas configurações do pensamento promoveram reposicionamentos das positividades umas em relação às outras, resultando em três espaços gerais do saber.(*)

      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo III – Representar; tópico VI. Mathésis e Taxinomia;
      Capítulo X – As ciências humanas; tópico I – O triedro dos saberes; 
      de Michel Foucault

      Elementos centrais em cada formulação por segmento do espectro

      Aquém do objeto
      PROCESSO

      Diante do objeto
      Forma de produção

      Além do objeto
      NEXO DA PRODUÇÃO

      Processo: elemento central
      no modelo de operação clássico
      Forma de produção: elemento central
      no modelo de operações moderno
      Nexo da produção: resultante da visão
      SSS da organização

      Em um pensamento mágico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mágica de condão’ –  é possível desejar algo e, sem mais qualquer providência, vê-lo surgir à nossa frente depois do Plin!!! 

      Num ambiente de produção real, porém, nada é produzido sem um instrumento (laboratório piloto, fábrica) com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS é isso: a modelagem das operações de produção do objeto desejado juntamente com as operações de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fábrica, subindo um nível estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção

      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar; tópico II. Gramática geral
      Capítulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; I. As novas empiricidades

      Os dois princípios filosóficos para o que seja de trabalho

      Aquém do objeto
      Adam Smith, de 1776(*)

      Princípio monolítico de trabalho
      de Adam Smith, de 1776

      Diante e Além do objeto
      David Ricardo, de 1817(**)

      Princípio dual de trabalho
      de David Ricardo, de 1817


      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas; 
      (*) Capítulo VII – Os limites da representação;
      tópico II. A medida do trabalho;


      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      (**) Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem;
      tópico II. Ricardo

      Os dois conceitos para o que seja 'Classificar'

      Aquém do objeto

      Classificar como uma referência
      do visível a si mesmo

      Diante e Além do objeto

      Classificar como uma referência
      do visível ao invisível

      Classificar é referir
      o visível a si mesmo,
      encarregando um dos elementos
      de representar os outros.(*)

      Classificar é referir
      o visível ao invisível
      – como a sua razão profunda –
      e depois, alçar de novo dessa secreta arquitetura, em direção aos seus sinais manifestos, que são dados
      à superfície dos corpos.
      (*)


      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      cap. VII – Os limites da representação;
      tópico III. A organização dos seres; sub-item 3

      Os dois conceitos para o que seja um verbo:
      verbo Processo, e verbo Forma de produção

      Aquém do objeto
      verbo ‘Processo

      Verbo tratado como Processo

      Diante e Além do objeto
      verbo ‘Forma de produção’

      Verbo tratado como Forma de produção

      “A única coisa que o verbo afirma
      é a coexistência de duas representações; 
      por exemplo
      a do verde e da árvore,
      a do homem e da existência ou da morte. 

      É por isso que o tempo dos verbos
      não indica aquele em que
      as coisas aconteceram no absoluto, 
      mas um sistema relativo  
      de anterioridade
      ou simultaneidade 
      das coisas entre si.”
      (*)

      “O limiar da linguagem
      está onde surge o verbo.
      É preciso portanto 
      tratar esse verbo como um ser misto, 
      ao mesmo tempo palavra entre palavras,
      preso às mesmas regras 
      de regência
      e de concordância;
      e depois, em recuo em relação a elas todas, 
      numa região que não é aquela do falado 
      mas aquela donde se fala.
      Ele está na orla do discurso, na juntura entre 
      aquilo que é dito e aquilo que se diz; 
      exatamente lá onde os signos 
      estão em via de se tornar linguagem.
      (*)

      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

      A proposição como o bloco construtivo padrão  (Lego)
      fundamental para a construção de representações

      Aquém do objeto

      Proposição ausente
      do sistema Input-Output

      Diante do objeto

      A proposição no caminho
      da Construção da representação

      Além do objeto

      A proposição no caminho
      do Instanciamento da Representação

      ‘A proposição é, para a linguagem,
      o que a representação é para o pensamento:
      sua forma ao mesmo tempo mais geral e mais elementar porquanto, desde que a decomponhamos, não encontraremos mais o discurso, mas seus elementos como tantos materiais dispersos.’(*)

      “A língua é
      a mais complexa,
      a mais milagrosa,
      a mais estranha,
      a mais gigantesca e variada
      invenção humana.” (**)

      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

       


      (**) Frases de Millor Fernandes

      Exemplos de modelos existentes, e muito usados,
      nas diferentes estruturas conceituais

      Aquém do objeto

      Diante do objeto

      Modelos de: operação de produção; e organização típica
      Modelos de: operação contábil/financeira e modelo de organização
      Modelos de: operação de produção do Kanban; e modelo de organização da Reengenharia

      Exemplos de modelos muito conhecidos para operações e para as organizações

      • operação: Operações de produção, de Elwood S. Buffa;
      • organização: adaptação de Organização típica.
      • operação: operação contábil financeira débito e crédito;
      • organização: Ativo, Passivo e Resultados.
      • operação: modelo do Kanban;
      • organização: mapa da reengenharia.

      O mapa de operações de produção do Kanban;
      e o mapa da organização segundo a Reengenharia

      Diante do objeto

      Modelo de operações
      do Kanban

      Modelo de operações do Kanban

      Mapa da organização
      segundo a Reengenharia

      Mapa da Reengenharia (modificado) e comentado

      Temos à esquerda, o modelo do Kanban com a referência (*) abaixo. e á direita, a Figura 7.1 do livro Reengenharia, referência (**) abaixo. São organizados sobre a proposição, e pertencem à configuração do pensamento moderno.  Você pode certificar-se  da veracidade dessas duas afirmativas neste ponto (17).

      (*) Artigo ‘A comparison of Kanban and MRP concepts for the control of Repetitive Manufacturing Systems’ de:
      James W. Rice da Western Kentucky University e Takeo Yoshikawa da Yolohama National University
      (**) Reengenharia – revolucionando a empresa: em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência 
      de Michael Hammer e James Champy

      Destaque para dois modelos existentes:
      1) LE, o SIPOC (FEPSC) do SixSigma; 2) LD e o Visão da PHD, da PHD Brasil
      e no centro, as diferenças entre eles

      Aquém do objeto

      O diagrama FEPSC (SIPOC) mostrando a estrutura

      diferenças

      Comparação

      Diante do objeto

      A Visão da PHD

      Comparação do modelo SIPOC ou FEPSC – SixSigma(*) com o modelo Visão da PHD(**) do ponto de vista das estruturas respectivas.
      A animação central mostra o que falta – estruturalmente – ao SixSigma para ter a estrutura do modelo da direita.

      (*) Gestão integrada de processos e da tecnologia da informação; capítulo Identificação, análise e melhoria de processos críticos Figura 3.1 Representação da FEPSC, de Roberto Gilioli Rotondaro
      Coordenadores: Fernando José Barbin Laurindo e Roberto Gilioli Rotondaro, Editora Atlas, jan/2006
      (**) A Visão da PHD, da empresa PHD Brasil

      Sistema Formulador

      Aquém do objeto

      Modelo relacional de dados do Microsoft Project 4.0

      Diante do objeto

      Módulo central do Sistema Formulador

      O Sistema Formulador:

      É um ante-projeto de um sistema para gestão de projetos com estrutura conceitual consistente com o pensamento moderno. 
      O módulo principal do sistema é uma unidade lógica que relaciona entidades envolvidas na proposição enunciadora de operações, mantidas em banco de dados, e gera sistematicamente o modelo de operações. O Microsoft Project, então, importa o modelo gerado como se fosse próprio, e a gestão continua, agora com um modelo gramaticalmente correto e criteriosamente estruturado.

      Este é um ante-projeto de um sistema de gestão COM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação; esse sistema pode evoluir para um sistema visual de gestão e outros aplicativos.

      O pensamento de outros grandes pensadores:
      John Dewey e seus dois modos de ver o mundo;
      Ilya Prigogine e o conceito de caos para a ciência moderna

      Diante do objeto

      Ver [homem e experiência] e [natureza] vistos juntos
      Os conceitos de caos, na ciência moderna;
      e de Arte como a formulação com leis e eventos

      As duas animações acima – a nosso ver – apenas mostram que tanto John Dewey na sua visão [homem] [experiência] e [natureza] juntos; quanto Ilya Prigogine  na sua visão do que seja caos na ciência moderna, estão pensando com uma configuração de pensamento COM a possibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação, o que não era comum para a ciência clássica, toda reversível.

      O modelo 5W2H, de um lado, e de outro, o modelo de operações do Kanban
      e o modelo proposto no LD da Figura 2: usos diferentes para as mesmas ideias
      ou elementos de imagem envolvidos na formulação da proposição

      Aquém do objeto

      Diante e Além do objeto

      Modelo Provision Workbench, da Proforma
      Modelo de operações de produção do Kanban
      Modelo proposto para 'uma certa maneira de conhecer empiricidades'

      O exame dessas três figuras mostra que ideias, elementos de imagem, homônimos, podem ser usados de modo diferente em modelos feitos sob estruturas conceituais diferentes.

      No modelo 5W e 2H no lado esquerdo acima, o destaque dado pelo losango em vermelho é nosso. Não estava na figura original. A figura é organizada por um sistema de categorias composto pelas 7 perguntas 5W2H. 

      O modelo da produção do Kanban é sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto da operação de produção, e é formulado como uma proposição instanciativa de um objeto previamente projetado, e portanto cuja representação foi anteriormente construída

      O modelo de operações de construção de representação para empiricidade objeto (LD da figura) é feito calcado no Princípio Dual de Trabalho de David Ricardo; está evidenciada a formulação no formato de uma proposição. A origem de valor adotada está nas designações primitivas ( conjunto de operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites) e da linguagem de uso (o Repositório)

      Estruturas dos modelos, resultantes da utilização do referencial,dos princípios organizadores e dos métodos usados pelo pensamento, por segmento de modelos 

      Aquém do objeto

      Modelo de operações de Buffa e modelo de uma organização adaptado de Mauro Zilbovicius

      Diante do objeto

      Modelo de operações do Kanban e modelo de organização da Reengenharia

      Além do objeto

      Modelo de uma ciência humana Análise da produção como exemplo de qualquer outro modelo de ciência humana
      Estrutura matricial – Quadro de categorias clássico. Utilização de várias ordens ligeiramente diferentes em um mesmo modelo de operações.
      Estrutura hierárquica característica do objeto análogo composto substitutivo ao vislumbrado. Utilização de uma única ordem ao longo do modelo.
      Mesmas características dos modelos para o segmento Diante do objeto, mas aqui, com um modelo constituinte combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.

      Playground para projetistas de modelos: uma coleção de modelos de diversos tipos, para aplicação dos conceitos apresentados

      Uma coleção com mais de duas dúzias de modelos, (*) para descobrir com que tipo de pensamento foram feitos:

      • se COM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação; ou
      • ou se SEM a possibilidade de fundar as sínteses do pensamento no espaço da representação

      (*) Proposta de metodologia para o planejamento e implantação de manufatura integrada por computador
      de Bremer, C. F. USP SC fev 1995; entre outras fontes

      Acoplamentos estruturais do sistema descrito no LD - o Explicar com Reformular: os internos e aqueles com o ambiente externo

      Diante e para Além do objeto

      Acoplamento estrutural interno:
      condições de possibilidade
      Acoplamento estrutural interno:
      pontos de acoplamento
      Acoplamento estrutural externo:
      parcial quando há diferenças nas estruturas
      • os domínios do Operar – retângulo vermelho; e do Suporte ao operar – domínio amarelo, que compõem o ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ parte do ‘Explicar com ‘Reformular’ a empiricidade objeto, durante o caminho da Construção da representação, são exemplo do primeiro acoplamento interno. Acoplamento semelhante ocorre durante o caminho do Instanciamento da representação.(*)

         

      • há ainda acoplamentos externos ‘por cima’, lateralmente, e por baixo da estrutura no LD da figura nos dois caminhos o da Construção e o do Instanciamento. O acoplamento externo ‘por cima’ depende da estrutura com a qual se dará acopamento, e pode ser parcial.

      Cronologia do evento fundador da nossa modernidade no pensamento;
      linha de tempo com os períodos de contaminação do pensamento
      por configurações diferentes.

      uma cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
      o evento fundador da nossa modernidade no pensamento
      Linha de tempo das conquistas humanas no pensamento e respectiva utilização prática

      Panorama visto desde meu posto de observação

      É real hoje, aqui, agora, e entre nós, a percepção – feita por Foucault – do domínio/contaminação do pensamento – ‘com o qual queiramos ou não pensamos‘ – pela impossibilidade de fundar as sínteses (do pensamento sobre a empiricidade objeto da operação) no espaço da representação(*).

      Esse tipo de pensamento dominante, aquele com a impossibilidade de fundar as sínteses, é ao mesmo tempo o tipo de pensamento que não inclui a operação de construção de novas representações. E a estrutura das operações sem essa etapa reforça essa impossibilidade. Nesse contexto modelos com e modelos sem essa impossibilidade são tratados como se variações sobre o mesmo tema fossem, e não produções do pensamento completamente diferentes.

      Estamos projetando e usando hoje, modelos para operações e organizações, de produção e outras, com o pensamento de exatos dois séculos atrás.

      Para que isso possa ser percebido pelo projetista de modelos em diversas áreas é necessário o rompimento das condições em que se dá essa contaminação e esse domínio de uma das configurações de pensamento sobre a outra, obliterando justamente aquela que corresponde a uma conquista humana no pensamento. Para que isso aconteça é necessário que seja atendido um requisito: a construção de um critério para identificação e comparação de modelos, e sua aplicação no caso presente.

      Daqui de onde vejo as coisas, é unânime a visão das coisas em termos de processo. Ninguém fala de nada além de processos: mapeia-se processos, otimiza-se processos, etc. etc. o que quer que seja, mas sempre processos. Sem que nos demos conta de como sejam as diferentes estruturas das operações em que tais ‘processos’ ocupam posição operacional. 

      Michel Foucault pode fornecer os elementos necessários para a construção desse critério. Nossa intenção aqui é destacar em Foucault o que pode ser usado para o estabelecimento de uma relação pensamento – e sua aplicação na modelagem de operações em organizações. 

      (*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

      Pensamento conservador e progressista

      Acompanhando o trabalho arqueológico de Michel Foucault em direção a essa classe especial de saberes, a esse conjunto de discursos chamado de ciências humanas, vê-se que em certo período consolidou-se um tipo de pensamento em cuja configuração a etapa de construção de novas representações foi incorporada. Antes disso, essa etapa de construção da representação nova ficava fora do escopo do pensamento, e depois disso essa etapa permaneceu definitivamente incorporada.

      Para a configuração de pensamento que deixa fora do seu escopo a etapa de construção de novas representações a alternativa é conviver com tudo o que existe desde sempre e para sempre, tomando as coisas como pré-existentes e pertencentes ao Universo. Esse modo de pensar tem características de conservadorismo, enquanto aquela outra configuração do pensamento que inclui em seu escopo a geração de novas representações, as características de progressismo.

      Neste trabalho algumas – bastantes – características de uma e de outra dessas duas características de configurações do pensamento foram apresentadas o que de certa forma pode ser usado para qualificar com algo mais do que a qualidade ‘conservador’ um pensamento de direita; e com a qualidade ‘progressista’ um pensamento de esquerda, delineando com mais precisão uma e outra dessas configurações.

      (*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades

      Ciência e Tecnologia dependem da Filosofia e são funções das ferramentas de pensamento de que dispõe a configuração do pensamento utilizada em sua geração.

      Os três movimentos do pensamento segundo Vilém Flusser

      Usando o pensamento de Vilém Flusser:

      • Pensamento é um transformador do duvidoso em língua;
      • Filosofia, ou Reflexão, é texto produzido pelo pensamento ao voltar-se contra si mesmo para corrigir-se e renovar-se.
      • ciência, como o resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo, para compreendê-lo, é texto filosófico aplicado. 
      • e tecnologia, como resultado de um movimento do pensamento em direção ao mundo para modificá-lo, é texto científico aplicado; 

      Descontinuidades epistemológicas refletem conquistas humanas no pensamento e são aprimoramentos na maneira que usamos para conhecer.  Há portanto uma relação entre, de um lado, o modo como colocamos em marcha nosso desejo de transformar o duvidoso em língua a cada nível, e de outro lado, a filosofia que temos, e a Ciência que temos, ou a tecnologia de que dispomos. Filosofia, Ciência e Tecnologia são funções do como como vemos o mundo e as coisas.

      Michel Foucault (*) descreve uma descontinuidade epistemológica (uma alteração no modo como nos voltamos para o mundo para conhecer o que dizemos que conhecemos), e aponta com toda clareza diferentes jogos de ferramentas de pensamento ou estruturas conceituais, características de uma e de outra dessas epistemologias, de um e de outro lado desse evento. E aponta um período em nossa cultura ocidental, em que o pensamento esteve dominado por uma característica do período anterior.

      A solução de questões trazidas à luz por essa nova maneira de conhecer (a nova epistemologia) não poderão ser resolvidas se correspondentes ciência e tecnologia não forem desenvolvidas também.

      Duas possibilidades de leitura de operações;
      duas origens de valor (interna e externa na linguagem) para representações

      Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
      sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
      sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
      com duas amplitudes - duas abrangências muito diferentes

      - História, modo de ser fundamental das empiricidades,
      . o Circuito das trocas e o Lugar de nascimento do que é empírico
      . Pensamento conservador e pensamento progressista

      Posição relativa do par sujeito-objeto e o modelo de operações

      Aquém 

      história como sucessão de fatos
      tais como se sucederam

      História como sucessão de fatos tais como se sucederam

      Diante e Além

      história como alterações no ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades

      História como mudança no 'modo de ser fundamental'

      A descrição feita por Michel Foucault de duas possibilidades
      de posicionamento do pensamento com relação a valor

      “Valor, para o pensamento clássico, é primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preços só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.

      Ora, a troca é um fenômeno simples apenas na aparência.

      Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.

      Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutáveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que a dupla cessão e a dupla aquisição finalmente se produzam.

      Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.

      Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra, é preciso que elas existam já carregadas de valor; e, contudo, o valor só existe no interior da representação (atual ou possível), isto é, no interior da troca ou da permutabilidade.

      Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

      1. uma analisa o valor no ato mesmo da troca, no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
      2. outra analisa-o como anterior à troca e como condição primeira para que esta ossa ocorrer.

      Os dois pontos de partida distintos adotados pelo pensamento para análise de valor

      1. a primeira possibilidade de leitura

      A análise de valor no ato mesmo da troca,
      no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido

      2. a segunda possibilidade de leitura

      A análise de valor como anterior à troca
      e como condição primeira para que esta possa ocorrer.

      A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra toda a essência da linguagem no interior da proposição;

      • no [neste] primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tomando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

      a outra, [corresponde] a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das designações primitivas – linguagem de ação ou raiz(*);

      • na outra [nesta] forma de análise, a linguagem está enraizada fora de si mesma e como que na natureza ou nas analogias das coisas; a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.

      Mapa resumo das operações SSS na organização
      centrada no par sujeito-objeto

      A organização das operações na estrutura SSS

      Mapeamento da disposição SSS das operações em uma organização

      dez (10) pontos para contextualização entre Prefácio e texto do livro
      'As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas'

      1. A Forma de Reflexão que se instaura em nossa cultura
      2. Proposição: o bloco padrão genérico e fundamental
      para construção de representações
      3. Princípios organizadores do pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
      4. O Conceito de verbo no pensamento clássico,
      o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
      5. O conceito de verbo no pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
      6. As duas sintaxes mencionadas por Foucault no Prefácio
      6.1 A sintaxe que autoriza a construção das frases
      6.2 A sintaxe que autoriza manter juntas
      as palavras e as coisas
      7. O princípio monolítico de trabalho de Adam Smith,
      de 1776
      8. O princípio dual de trabalho de David Ricardo,
      de 1817
      8.1 A importância de David Ricardo,
      icone-MFoucault-01
      Michel Foucault 1926-1984