9. a proposição: dois tipos diferentes quanto à origem do valor que carregam

9. a proposição: dois tipos diferentes quanto à origem interna ou externa à linguagem, do valor que carregam

O fenômeno ‘operações’ (em qualquer área): visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 

Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’:
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes – duas abrangências muito diferentes

Note-se que as condições para a ocorrência da troca – a existência simultânea dos dois objetos de troca, o que é dado e o que é recebido – são satisfeitas em duas situações:

  • 1. no pensamento clássico pelo posicionamento do ponto de início de leitura sob essa condição, quer dizer, a existência prévia do que é dado e do que é recebido;
  • 2. no pensamento moderno, pela satisfação dessa pré-condição no início do Instanciamento da representação, porém com a condição da execução anterior da Construção da representação, também incluída no escopo da operação. 

Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as pré-condições para a ocorrência da troca são dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clássico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.

O que não muda entre essas duas possibilidades

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel Foucault 

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O que sim muda entre essas duas possibilidades

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações com origens de valor distintas.

“Valer, para o pensamento clássico,
é primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenômeno simples
apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois,
que as coisas permutáveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que não tem necessidade
    é igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possível [permutabilidade]),

isto é, no interior

  1. da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenômeno ‘operação’: no ato mesmo da troca; ou anterior à troca, na criação das condições de troca

“Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. leitura já dadas as condições de troca;
  2. leitura na permutabilidade, isto é na criação de condições de troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra
    • toda a essência da linguagem no interior da proposição;

3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior à troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das
    • designações primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

4 a outra forma de análise, a linguagem está enraizada 

fora de si mesma e como que

    • na natureza, ou nas   
    • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

Esta segunda leitura para ‘operações’
– que orienta a análise de valor
desde antes do momento da troca -,
não é possível sem a presença do homem
na estrutura dos modelos.

Isso fica bastante claro com a descrição da forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
mostrados nos modelos de operações

Colocando o ponto de inserção de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da existência dos objetos envolvidos na troca, ocorre uma portentosa ampliação no escopo da operação – de qualquer natureza -, incorporando toda a etapa de construção de representação nova. Veja isso aqui.

8. Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação

8. Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação em curso

Aquém do objeto

formulação sim reversível
e
instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento clássico, o de antes de 1775
tempo calendário no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada

Diante do objeto

formulação não reversível
e construção da representação nova
deus Kairós 

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação

também Diante do objeto

formulação sim reversível
 e instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

Aquém do objeto

qualquer operação

Nota: a existência precede as distinções feitas na operação.

Tempo na formulação e no instanciamento da representação:

  • formulação reversível durante a formulação;
  • tempo calendário, ou tempo relativo no sentido de que
    • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f),
    • a posição calendário do outro evento (f) ou (i) pode ser calculada com as propriedades aparentes disponíveis antes e depois da operação;
  • irreversibilidades somente na etapa de instanciamento da representação

Não há nada que possa ser afirmado, posto, disposto e repartido no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis e assim não se pode falar em ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja. 

Assim, no pensamento clássico, não é possível adotar esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, que é compreendida como sucessão de fatos assim como se sucedem.

Diante do objeto

caminho da Construção da representação
Nota: a existência se constitui com as distinções feitas na operação

Durante essa operação a empiricidade objeto sim, muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

Tempo no caminho da Construção da representação, durante a formulação da representação:

  • formulação irreversível durante a formulação;
  • tempo absoluto no sentido de que
    • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f)
    • não é possível o cálculo da inserção calendário de outro evento (f) ou (i) a partir da inserção calendário do evento anterior em virtude da não disponibilidade das propriedades antes/depois da operação;
  •  irreversibilidades tanto na formulação da operação quanto no seu instanciamento da representação.

A empiricidade objeto da operação tem um novo ‘modo de ser fundamental’, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operações sim, faz-se história.

 também Diante do objeto

caminho do Instanciamento da representação
Nota: a existência volta a preceder as distinções feitas na operação.
 

Durante essa operação a empiricidade objeto não muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

Tempo  no caminho do Instanciamento da representação na formulação da operação de instanciamento e na própria operação de instanciamento de representação anteriormente existente:

  • formulação volta a ser reversível;
  • tempo volta a ser tempo calendário, ou tempo relativo;
  • irreversibilidades no caminho do Instanciamento da representação ocorrem em decorrência do desencadeamento dos elementos de suporte na experiência à Forma de produção.

A empiricidade objeto da operação tem exatamente o mesmo ‘modo de ser fundamental’ com que foi recuperada do repositório, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’ exatamente da mesma forma como havia sido acrescentada ao repositório.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operações não se faz história.

Inspiração e roteiro, e um pouco de história deste trabalho

Inspiração e roteiro, e um pouco de história deste trabalho

Influências e inspirações:

  • a influência de Vilém Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’: uso das funções reversíveis Imaginação e Conceituação para navegar entre textos – imagens – e ocorrências espacio-temporais; as imagens tradicionais e as imagens técnicas, classes de abstrações que usamos cotidianamente;
  • a sugestão de Humberto Maturana no livro ‘De máquinas e de seres vivos’: objeções e propostas de mudança no fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, e aparentemente uma alteração de rota;
  • a influência especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’:
    a descoberta de duas pedras de tropeço durante seu trabalho nesse livro, a saber:
    • uma impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação ainda presente no nosso pensamento cotidiano;
    • e uma obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, os quase-transcendentais Vida(Biologia), Trabalho(Economia) e Linguagem(Filologia).

a plataforma adotada para dar suporte às figuras ou imagens correspondentes aos conceitos encontrados no livro ‘As palavras e as coisas’ será

  • a Figura 2 – Diagrama ontológico; do tópico Reflexões epistemológicas, do livro Cognição, Ciência e Vida cotidiana; 

ou ainda essencialmente a mesma figura, com as observações sobre diferenças

  • a Figura 2 – O Explicar e a Experiência; do Cap. Linguagem, Emoções e Ética nos Afazeres Políticos, do livro Emoções e Linguagem na Educação e na Política;

ambos esses dois livros de Humberto Maturana, 

Vamos utilizar essa figura como plataforma para o trânsito Texto – Imagem – e Ocorrências espacio-temporais seguindo a orientação de Flusser. E fizemos alterações e complementações nela, o que pode ser visto em outra animação neste trabalho.

0.0. As duas leituras do fenômeno ‘operações’ e respectivas possibilidades de análise de valor

O fenômeno ‘operações’ (em qualquer área): visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - duas abrangências muito diferentes

Note-se que as condições para a ocorrência da troca – a existência simultânea dos dois objetos de troca, o que é dado e o que é recebido – são satisfeitas em duas situações:

  • 1. no pensamento clássico pelo posicionamento do ponto de início de leitura sob essa condição, quer dizer, a existência prévia do que é dado e do que é recebido;
  • 2. no pensamento moderno, pela satisfação dessa pré-condição no início do Instanciamento da representação, porém com a condição da execução anterior da Construção da representação, também incluída no escopo da operação. 

Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as pré-condições para a ocorrência da troca são dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clássico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.

O que não muda entre essas duas possibilidades

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel Foucault 

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O que sim muda entre essas duas possibilidades

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações com origens de valor distintas.

“Valer, para o pensamento clássico,
é primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenômeno simples
apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois,
que as coisas permutáveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que não tem necessidade
    é igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possível [permutabilidade]),

isto é, no interior

  1. da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

“Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. leitura já dadas as condições de troca;
  2. leitura na permutabilidade, isto é na criação de condições de troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra
    • toda a essência da linguagem no interior da proposição;

3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior à troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das
    • designações primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

4 a outra forma de análise, a linguagem está enraizada 

fora de si mesma e como que

    • na natureza, ou nas   
    • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
mostrados nos modelos de operações

Colocando o ponto de inserção de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da existência dos objetos envolvidos na troca, ocorre uma portentosa ampliação no escopo da operação – de qualquer natureza -, incorporando toda a etapa de construção de representação nova. Veja isso aqui.

Lugares onde ocorrem as operações em função do segmento do espectro de modelos

Lugares onde ocorrem as operações em função do segmento ocupado pelo modelo de operações no espectro de modelos

No ‘As palavras e as coisas’ Michel Foucault fala sobre:

  • Lugar de nascimento do que é empírico;
  • Circuito das trocas.

O conceito que permite fazer a diferença entre esses dois lugares nos quais podem ocorrer operações é dada pelo conceito

  • ‘modo de ser fundamental das empiricidades’

entendido como aquilo que permite que elas (as empiricidades) possam ser afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis.

A diferença está no ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades:

  • no Lugar de nascimento do que é empírico o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades objeto da operação sim muda;
  • no Circuito das trocas o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação ou do pacote de coisas selecionado não muda.

E o Lugar de nascimento do que é empírico só surge na modelagem das operações quando o fenômeno operação é visto a partir de um ponto antes do momento da troca, isto é, em um ponto em que a construção da representação para um dos objetos da troca – por exemplo aquele que é dado em troca – em cujo interior estará o valor se inicia.

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
operação sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
operação sob o pensamento moderno, o de depois de 1825
(seta vermelha)

A visão das operações no interior do retângulo vermelho corresponde a uma análise do valor desde um ponto anterior à troca; o ponto de inserção “1” vermelho está posto  no instante mesmo em que a representação possível no interior da qual estará o valor ainda não existe e nela será posto valor efetuadas as designações primitivas, usando a linguagem de ação ou raiz.

Tais designações primitivas darão origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites à empiricidade objeto da operação cuja representação será construída nessa operação.

E isso exige uma formulação do modelo de operações no qual estará em questão o ser do homem nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula tendo como resultado essa representação possível. Para isso esse homem terá de desempenhar uma duplicidade de papéis: 

  • raiz e fundamento de toda a positividade; 
  • e elemento do que é empírico.

Isso coloca os modelos feitos com essa possibilidade de leitura e análise respectiva de valor  no segmento do espectro de modelos diante do objeto, e organizados pelo par sujeito-objeto, no perfil de pensamento característico de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Pensamento clássico
antes de 1775
Circuito das trocas
(Mercado)

Pensamento moderno
depois de 1825
Lugar de nascimento
do que é empírico

Pensamento moderno
depois de 1825
Circuito das trocas
(Mercado)

Circuito das trocas (Mercado)
no interior do qual ocorrem as operações sob o pensamento clássico, o de antes de 1775
Lugar do nascimento do que é empírico no caminho da Construção da representação:
o domínio do Pensamento e da Língua e o domínio do Discurso e da Representação
Circuito das trocas quando no caminho do Instanciamento da representação no domínio do Discurso e da representação

Espectro de modelos

aquém do objeto

diante do objeto

diante do objeto

A operação transcorre inteiramente no interior do espaço denominado Circuito das trocas.

segmento no espectro de modelos

AQUÉM do objeto

Circuito das trocas é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’, para o popular Mercado.

O pressuposto no LE da figura é:

“A existência precede a distinção”

com esse pressuposto tudo é considerado pré-existente e não há a preocupação de construção de representações novas.

A análise de valor neste caso é feita sob a primeira possibilidade de leitura acima mencionada por Foucault.

Durante este tipo de operações o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades objetos da operação – que neste caso não são descritas por suas propriedades originais e constitutivas mas apenas por suas “aparências”,  – não se altera.

Neste caso é preciso que as coisas permutáveis, com seu valor próprio (respectivas representações) existam antecipadamente nas mãos dos parceiros na troca, para que a dupla cessão e a dupla aquisição se produzam.

O princípio de trabalho aqui é o Princípio Monolítico de Trabalho de Adam Smith, de 1776, com um pensamento todo configurado antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Na figura acima ‘Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’ o início destas operações pode ocorrer nos dois pontos “1” amarelos.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto

Lugar de nascimento do que é empírico é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’ para o espaço em que o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação em curso, se altera.

O pressuposto na figura é:

“A existência se constitui na distinção”

com esse pressuposto a preocupação com a construção de representações para novas empiricidades objeto da operação é implícita.

A análise de valor neste caso é feita sob a segunda possibilidade de leitura acima mencionada por Foucault.

Durante as operações no caminho da construção da representação o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação – que neste caso é descrita por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas resultantes das designações primitivas – linguagem de ação ou raiz.

Neste caso uma das coisas permutáveis (pelo menos) passará a existir no caso do sucesso na operação em curso.

Caso a operação tenha sucesso na construção da representação para a empiricidade objeto então ela poderá ser levada ao Circuito das trocas, ou ao Mercado, no caso de que isso seja conveniente ou desejado, situação na qual passará pelo caminho do Instanciamento da representação, desta feita, fora do Lugar de nascimento do que é empírico.

Na figura acima “Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações'” a operação de construção da representação tem seu ponto de inicio assinalado pelo “1” vermelho.

A operação acontece em um espaço situado fora do Circuito das trocas pela inexistência de pelo menos uma das coisas permutáveis (vide acima)

A operação passa novamente a ocupar o espaço do Circuito das trocas – Mercado. Toda a alteração de ‘modo de ser fundamental’ que precisava ser feita já foi anteriormente feita, mesmo sob o pensamento moderno.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto
mas pode ser tratado como
AQUÉM do objeto

Caso o instanciamento da representação anteriormente construída e incluída no Repositório existente no domínio e ambiente em que as operações ocorrem seja decidido, então:

  • a representação é recuperada do Repositório;
  • a operação de Instanciamento é desencadeada percorrendo o caminho do Instanciamento da representação.

A operação de instanciamento de representação objeto é feita no interior do Circuito das trocas – ou Mercado, em virtude de que nesse tipo de operação não há alteração no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto.

Toda a operação de instanciamento tem lugar no interior do domínio do Discurso e da Representação.

Na figura acima ‘Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações'” o início destas operações pode ocorrer nos dois pontos “1” amarelos.

Domínios onde ocorrem operações em função do segmento do espectro de modelos

Domínios onde ocorrem as operações em função do segmento do espectro de modelos ao qual pertence um modelo de operações

Pensamento clássico: domínio do Discurso e da Representação

Domínio do Discurso e da Representação
no interior do qual ocorrem as operações
sob o pensamento clássico

O pressuposto no LE da figura é:

“A existência precede a distinção”

com esse pressuposto tudo é considerado pré-existente e não há a preocupação de construção de representações novas.

A operação acontece inteiramente dentro do domínio do Discurso e da Representação uma vez que o ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja, não se altera durante estas operações.

Veja o funcionamento deste tipo de operações sob o pensamento filosófico clássico, o de antes de 1775.

segmento no espectro de modelos

AQUÉM do objeto

Circuito das trocas é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’, para o popular Mercado, o lugar onde o ‘modo de ser fundamental’ das coisas não se altera.

A essência da linguagem é encontrada no interior dela mesma, a linguagem. Todo o valor é carregado diretamente pela proposição. Veja essa discussão feita por Foucault.

A visão de operações neste caso é condicionada à existência prévia do objeto da troca e a análise de valor é posta no ponto de cruzamento entre o que é dado e o que é recebido de volta na troca.

Pensamento moderno, caminho da Construção da representação

esta operação ocorre em dois domínios:

  • domínio do Pensamento e da língua;
  • domínio do Discurso e da Representação.

e em um lugar composto de duas partes, uma de cada um desses domínios, denominado

  • ‘Lugar de nascimento do que é empírico’
Os dois domínios onde ocorrem as operações
sob o pensamento moderno
quando no caminho da Construção da representação:
- o domínio do Pensamento e da Língua
e o domínio do Discurso e da Representação

A operação de construção de representação nova transcorre em dois domínios:

  • o domínio do Pensamento e da Língua
  • e o domínio do Discurso e da Representação

Com o sucesso da operação no caminho da Construção da representação a nova representação construída para a empiricidade objeto desta operação – se aceita pelos envolvidos – será adicionada ao Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua.

Com essa operação que ocorre no caminho da Construção da representação para a empiricidade objeto, o pensamento como que dá um salto para fora da representação, atingindo um espaço em que ela não tem mais domínio.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto

O ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ compõe-se de dos blocos cada um em um dos dois domínios o do Pensamento e da Língua e o do Discurso e da Representação. Esse lugar está fora e antes do Circuito das trocas, este último, inteiramente no interior do domínio do Discurso e da Representação.

A essência da linguagem no caminho da Construção da Representação é encontrada fora da própria linguagem, através de:

  • designações primitivas;
  • linguagem de ação ou de uso.

Todo o valor é carregado para a proposição que vai sendo formulada ‘sistemicamente’ obedecendo as regras gramaticais da linguagem que permeia todo o ambiente.

A utilização desses elementos externos à linguagem impõe a visão das operações que englobe toda a operação de construção da nova representação.

A visão das operações no interior do retângulo vermelho corresponde a uma análise do valor desde um ponto anterior à troca; o ponto de inserção “1” vermelho está posto  no instante mesmo em que a representação possível no interior da qual estará o valor ainda não existe e nela será posto valor efetuadas as designações primitivas, usando a linguagem de ação ou raiz.

E isso exige uma formulação do modelo de operações no qual estará em questão o ser do homem nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula tendo como resultado essa representação possível. Para isso esse homem terá de desempenhar uma duplicidade de papéis: raiz e fundamento de toda a positividade; e elemento do que é empírico.

Pensamento moderno, caminho do Instanciamento da representação

volta a transcorrer no interior do domínio do Discurso e da Representação
depois da operação de construção da representação.

Domínio do Discurso e da Representação
onde ocorrem as operações quando no caminho do Instanciamento da representação
sob o pensamento moderno

A operação de Instanciamento de representação previamente existente no Repositório onde está a linguagem de ação ou de uso (repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua) transcorre em um único domínio:

  • o domínio do Discurso e da Representação.

A operação de instanciamento tem como objeto representação anteriormente desenvolvida e incluída no Repositório. Essa representação anteriormente existente é recuperada do repositório e é o objeto da operação de instanciamento.

Durante essa operação, o modo de ser fundamental dessa empiricidade objeto não muda e permanece aquele que tinha quando a representação foi incluída no Repositório.

Mesmo sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, e portanto após a descontinuidade epistemológica atribuída por Foucault ao período entre os anos de 1775 e 1825, a operação de instanciamento da representação objeto volta a acontecer no Circuito das trocas  já que na operação de instanciamento não ocorrem alterações no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto.

A operação de instanciamento de representação existente no Repositório acontece fora do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ e depois de qualquer operação ou parte, que ocorra nesse espaço.

Segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto
mas pode ser tratado como
AQUÉM do objeto

As ‘designações primitivas’ já foram feitas – todas as que foram necessárias – e durante o instanciamento essa fonte externa da essência da linguagem não precisa ser acionada.

7. Os dois espaços gerais do saber em cada segmento do espectro de modelos

Os dois espaços gerais do saber em cada segmento do espectro de modelos

Aquém do objeto

espaço geral do saber sob o pensamento filosófico clássico

Diante do objeto

o Triedro dos saberes
exceto as ciências humanas

 Além do objeto

o espaço interno do Triedro dos saberes
- o habitat das ciências humanas -
mostrando o modelo constituinte composto e comum a todas as Ciências Humanas

os saberes são desenvolvidos a partir de um par de representações pré-existentes: propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas (as aparências); e uma das categorias  – escolhida por identidade e semelhança com ‘aparências’ – de um quadro – um sistema de categorias, que dá de antemão todas as possibilidades .

os saberes ocupam qualquer eixo e qualquer face do triedro, chamado por Foucault de Triedro dos saberes – sob a orientação de um dos pares constituintes das ciências que ocupam a região epistemológica fundamental, eixo no qual estão as ciências 

  • da Vida, 
  • do Trabalho 
  • e da Linguagem.

com o respectivo par de modelos constituintes

as Ciências humanas ocupam o espaço interior do Triedro dos saberes, onde todas as ciências humanas têm modelo constituinte comum, que é uma composição dos modelos constituintes das ciências

  • da Vida (Biologia)
    •  função-norma;
  • do Trabalho (Economia)
    • conflito-regra;
  • e da Linguagem (Filologia)
    • significação-sistema
Comentários

    6. Os dois conceitos para História

    Os dois conceitos ordenadores para História

    • História como a coleta das sucessões de fatos tais como se constituíram; e
    • História como o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades, aquilo a partir de que elas são afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis.

    O conceito 'modo de ser fundamental' de uma empiricidade objeto e o conceito de História

    “Mas vê-se bem que a História não deve ser aqui entendida como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;
    ela [
    a História] é

    o modo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elas são 

    • afirmadas, 
    • postas, 
    • dispostas 
    • e repartidas no espaço do saber 
    • para eventuais conhecimentos 
    • e para ciências possíveis.”

    As palavras e as coisas:
    uma arqueologia das ciências humanas;
    Cap. VII – Os limites da representação;
    tópico I – A idade da História

    Os fundamentos do conceito como o elemento ordenador da História

    “Assim como a Ordem no pensamento clássico 

    não era 

    • a harmonia visível das coisas, 
    • seu ajustamento, 
    • sua regularidade 
    • ou sua simetria constatados, 

    mas 

    • o espaço próprio de seu ser 
    • e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabelecia no saber, 

    assim também a História,
    [no pensamento moderno] a partir do século XIX, define o 

    lugar de nascimento
    do que é empírico,

    lugar onde, 

    • aquém de toda cronologia estabelecida, 
    • ele [o objeto – o que é empírico] assume o ser que lhe é próprio.”

    As palavras e as coisas:
    uma arqueologia das ciências humanas;
    Cap. VII – Os limites da representação;
    tópico I – A idade da História

    Comentários

      Modelos com a estrutura clássica e a moderna de conceitos, por segmento do espectro de modelos

      Modelos construídos com as estruturas clássica e moderna de conceitos,
      por faixa do espectro de modelos com relação ao par sujeito-objeto como elemento organizador

      Abrangência dos diferentes modelos do fenômeno a modelar,
      os possíveis pontos de inserção para o início das operações
      e as duas alternativas de leitura para o que seja trabalho e valor

      Modelos de operações e de organizações originalmente para produção
      construídos sob o perfil de conceitos do pensamento clássico

      Características do pensamento clássico, o de antes de 1775

      Visão do fenômeno 'operações' no modo da Primeira leitura na figura acima, com ponto de inicio de leitura no cruzamento da disponibilidade dos dois objetos envolvidos em uma operação de troca, e abrangendo o (1) no retângulo amarelo.

      segmento do espectro de modelos
      Aquém do objeto

      Funcionamento
      do pensamento
      funcionamento das operações no pensamento clássico
      Modelo de
      Operação de produção
      relação do modelo de operações de produção de E. S. Buffa e o sistema Input-Output
      do LE da figura.
      Modelo da 
      Organização de produção
      Um modelo de organização sob o pensamento clássico, destacando a utilização de múltiplas ordens, ou
      múltiplos sistemas de categorias

      O modelo FEPSC(SIPOC)/Six Sigma e uma comparação visual de estruturas com o modelo de operações sob a estrutura moderna de pensamento.

      Modelo FEPSC(SIPOC), Six Sigma
      A visão Top-Down e Botton-Up

      Aqui, nestes modelos, o elemento central no modelo de operações é Processo, um verbo com o seguinte tratamento:

      “A única coisa que o verbo afirma é a coexistência de duas representações: por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele [tempo] em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Cap. IV – Falar;
      tópico III. A teoria do verbo

      É a estrutura do sistema Input-Output que apresenta essa funcionalidade.

      Modelos de operações e de organizações
      originalmente para sistema contábil-financeiro

      funcionamento das operações no pensamento clássico
      funcionamento das operações
      no pensamento clássico
      Modelo de  Operação
      contábil-financeira
      O modelo de operação
      no sistema contábil-financeiro
      Modelo da  Organização
      ponto de vista financeiro
      a organização no sistema contábil-financeiro

      Visão SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica para operações e organizações

      A Visão SSS - Simétrica, Simbiótica e Sinérgica, para operações e organizações composta simultaneamente por:

      a) operações e organização respectiva, que resultam no objeto esperado pelo grupo de interessados na produção 'Clientes', e separadamente, em outro modelo relacionado

      b) operações e organização respectiva, que resultam no instrumento - laboratório, projeto piloto, fábrica - capaz de obter o objeto esperado pelos interessados na produção 'Acionistas'

      na realidade do ambiente em que essas operações ocorrem.

      Modelagem da organização incluindo simultaneamente e estabelecendo relações:

      • a obtenção do objeto esperado como resultado das operações de produção;
        • normalmente o objeto esperado pelo Cliente – ‘produto’.
      • e a obtenção dos instrumentos (laboratório, projeto piloto
        – e depois a unidade de fabricação ou Fábrica)
        • normalmente produzindo o objeto esperado pelo Acionista – ‘lucros’. 

      usando como organizadores os diferentes pares sujeito-objeto. 

      De outro modo, deixando o instrumento de lado, há um toque de magia, ou pelo menos baixa qualidade de informação, no modo como a produção é modelada. 

      Modelagem das operações organizadas pelos pares “sujeito-objeto” sob uma ordem única, a das regras da linguagem, específica para cada objeto no respectivo modelo, tendo como:

      • referencial: a Utopia do objeto ainda inarticulado;
      • princípios organizadores: Analogia e Sucessão;
      • métodos: Análise e Síntese.

      em substituição às modelagens organizadas por ordens escolhidas arbitrariamente – frequentemente mais de uma ordem em um mesmo modelo, que apresentavam:

      • referencial: ordem(ns) aleatoriamente selecionada(s) (sistemas de categorias); 
      • princípios organizadores: Caráter e Similitude; 
      • métodos: Identidade e Semelhança

      Mapa geral das operações na disposição SSS

      Argumento: a modelagem de operações
      organizada pelo par sujeito-objeto

      Construção da estrutura de operações na disposição SSS - Simétrica, Simbiótica e Sinérgica

      Posicionamento do acima descrito no espectro de modelos descrito por Michel Foucault
      no livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      Todos esses modelos de operações estão no segmento “diante do objeto”.

      Cumpre, então, desenvolver os modelos para o próximo segmento, descrito por Michel Foucault, em que habitam os modelos para além do objeto, para os quais Foucault delineia o modelo constituinte.

      Veja isso em outra animação neste trabalho.

      Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments: o mapa da reengenharia; exemplo de modelo existente, e bastante referido na década de 90, em que essa disposição SSS está mencionada, embora não desenvolvida.

      Os dois objetos diferentes, presentes no Mapa da Reengenharia de Michael Hammer
      A simetrização do Mapa da Reengenharia, apenas detalhando elementos já existentes no mapa original de Michael Hammer

      O modelo de operações, ou modelo descritivo da produção do Kanban

      Modelo descritivo da produção do Kanban, mostrando a Proposição formulada
      com ideias ou elementos de imagem integrantes da estrutura do modelo

      Visão das operações no interior de uma organização para o objeto respectivamente de cada operação e o instrumento capaz de obtê-lo, em uma modelagem de operações organizada pelo par sujeito-objeto

       

      Especificidade (ou não) na relação [objeto esperado]/[instrumento]
      nas operações de produção e outras, conduzidas em ambiente de realidade

      Modelos que comumente utilizamos não contemplam a concepção e obtenção do instrumento capaz de obter o objeto esperado das operações modeladas.

      A falta de preocupações específicas e tempestivas com o instrumento requerido para a final obtenção do que queremos – o projeto-piloto ou laboratório, e a fábrica para instanciamento do objeto desenvolvido, definitivamente  objetos diferentes do objeto esperado das operações em foco – confere a tais modelos características de um pensamento mágico.

      A modelagem organizada pelo par sujeito-objeto exige a consideração de um objeto determinado. E o tratamento conjunto desses dois objetos em um mesmo modelo desestrutura o projeto do modelo de operações e degrada a qualidade da informação.

      Esta é uma modelagem de:

      • objeto esperado pelo Cliente:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Produto – no qual o Cliente está interessado, em todas as suas etapas;

      • objeto esperado pelo Acionista:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Lucros ou benefícios de qualquer natureza – no qual o Acionista está interessado, objeto este gerado pelo instrumento requerido para obter o objeto Produto de interesse do Cliente, abrangendo igualmente aqui todas as suas etapas.

      A modelagem de operações de produção de uma coisa sem a preocupação simultânea com o instrumento requerido para instanciar no ambiente essa coisa tem muito de um pensamento mágico.

      A operação simétrica à operação de obtenção do objeto esperado Produto, refiro-me à operação de obtenção do instrumento capaz de obter esse objeto no ambiente em que ocorre a produção, pode ser vista como um sucedâneo prático da varinha mágica de condão de Merlin.

      O mago Merlin empunhando a varinha mágica de condão

      Vemos acima Merlin e seu instrumento absolutamente versátil, indiferente quanto a qual seja o objeto de desejo do rei Arthur, que instancia qualquer coisa em qualquer ambiente instantaneamente sem gastar nada, e de modo sempre reversível. Organizador do mundo pela redução de entropia sem gastar energia e por isso, mágico.

      Elementos de diferença entre operações não e sim discriminativas em relação ao objeto,
      segundo Michel Foucault

      “Instaura-se uma forma de reflexão, bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.” Michel Foucault

      Uma forma de reflexão que coloca em cena o sujeito da operação de pensamento – o ser do homem; e o objeto do pensamento – o impensado, com o propósito de estabelecer articulação com ele, isto é, de representá-lo.

      Princípios organizadores desse espaço de empiricidades: Analogia e Sucessão.

      Analogia entre quê e o quê?

      E Sucessão? Entre quais elementos? E no interior de alguma totalidade? E com qual estrutura?

      Esses tais princípios organizadores funcionam com que métodos? A organização hierárquica do objeto análogo composto Sucessão de analogias é intrínseca à operacionalidade desses princípios organizadores?

      É isso que estas animações tornam aparente.

      Ao apontar para a coexistência de duas representações ambas pré-existentes, a funcionalidade do verbo não consegue dar conta do tempo em que o modo de ser fundamental das empiricidades objeto muda em um ambiente, e com isso, deixa de apontar o tempo em que isso aconteceu, um tempo absoluto, mas indica apenas o tempo em um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si – o sistema baseado na estrutura Input-Output.

      O tratamento do verbo como um ser misto, ao mesmo tempo palavra entre palavras, e com um recuo em relação a elas todas, abandonando a região do falado e ganhando a região desde onde se fala, abre espaço para a formulação de operações que tem como elemento básico padrão fundamental a Proposição.

      O ganho para nossos modelos de operações – avaliado tão grandiosamente por Millor Fernandes (veja a barra lateral) é a incorporação a eles, operacionalmente, do bloco padrão fundamental genérico para a construção de representações. E através da proposição, a Língua.

      Parece mais do que claro que sem uma função Classificar fica-se fora de qualquer possibilidade de modelar o que quer que seja.

      E examinando os dois conceitos para o que seja Classificar, vem a quase certeza de que a aplicação de cada um desses conceitos leva a modelos completamente diferentes.

      Posicionamento do acima descrito no espectro de modelos descrito por Michel Foucault
      no livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      Todos esses modelos de operações estão no segmento “diante do objeto”.

      Cumpre, então, desenvolver os modelos para o próximo segmento, descrito por Michel Foucault, em que habitam os modelos para além do objeto, para os quais Foucault delineia o modelo constituinte.

       

      Especificidade (ou não) na relação [objeto esperado]/[instrumento]
      nas operações de produção e outras, conduzidas em ambiente de realidade

      Modelos que comumente utilizamos não contemplam a concepção e obtenção do instrumento capaz de obter o objeto esperado das operações modeladas.

      A falta de preocupações específicas e tempestivas com o instrumento requerido para a final obtenção do que queremos – o projeto-piloto ou laboratório, e a fábrica para instanciamento do objeto desenvolvido, definitivamente  objetos diferentes do objeto esperado das operações em foco – confere a tais modelos características de um pensamento mágico.

      A modelagem organizada pelo par sujeito-objeto exige a consideração de um objeto determinado. E o tratamento conjunto desses dois objetos em um mesmo modelo desestrutura o projeto do modelo de operações e degrada a qualidade da informação.

      Esta é uma modelagem de:

      • objeto esperado pelo Cliente:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Produto – no qual o Cliente está interessado, em todas as suas etapas;

      • objeto esperado pelo Acionista:

        modelagem da operação da qual resultará, no caso de sucesso, o objeto – Lucros ou benefícios de qualquer natureza – no qual o Acionista está interessado, objeto este gerado pelo instrumento requerido para obter o objeto Produto de interesse do Cliente, abrangendo igualmente aqui todas as suas etapas.

      A modelagem de operações de produção de uma coisa sem a preocupação simultânea com o instrumento requerido para instanciar no ambiente essa coisa tem muito de um pensamento mágico.

      A operação simétrica à operação de obtenção do objeto esperado Produto, refiro-me à operação de obtenção do instrumento capaz de obter esse objeto no ambiente em que ocorre a produção, pode ser vista como um sucedâneo prático da varinha mágica de condão de Merlin.

      O mago Merlin empunhando a varinha mágica de condão

      Vemos acima Merlin e seu instrumento absolutamente versátil, indiferente quanto a qual seja o objeto de desejo do rei Arthur, que instancia qualquer coisa em qualquer ambiente instantaneamente sem gastar nada, e de modo sempre reversível. Organizador do mundo pela redução de entropia sem gastar energia e por isso, mágico.

      Elementos de diferença entre operações não e sim discriminativas em relação ao objeto,
      segundo Michel Foucault

      “Instaura-se uma forma de reflexão, bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.” Michel Foucault

      Uma forma de reflexão que coloca em cena o sujeito da operação de pensamento – o ser do homem; e o objeto do pensamento – o impensado, com o propósito de estabelecer articulação com ele, isto é, de representá-lo.

      Princípios organizadores desse espaço de empiricidades: Analogia e Sucessão.

      Analogia entre quê e o quê?

      E Sucessão? Entre quais elementos? E no interior de alguma totalidade? E com qual estrutura?

      Esses tais princípios organizadores funcionam com que métodos? A organização hierárquica do objeto análogo composto Sucessão de analogias é intrínseca à operacionalidade desses princípios organizadores?

      É isso que estas animações tornam aparente.

      Ao apontar para a coexistência de duas representações ambas pré-existentes, a funcionalidade do verbo não consegue dar conta do tempo em que o modo de ser fundamental das empiricidades objeto muda em um ambiente, e com isso, deixa de apontar o tempo em que isso aconteceu, um tempo absoluto, mas indica apenas o tempo em um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si – o sistema baseado na estrutura Input-Output.

      O tratamento do verbo como um ser misto, ao mesmo tempo palavra entre palavras, e com um recuo em relação a elas todas, abandonando a região do falado e ganhando a região desde onde se fala, abre espaço para a formulação de operações que tem como elemento básico padrão fundamental a Proposição.

      O ganho para nossos modelos de operações – avaliado tão grandiosamente por Millor Fernandes (veja a barra lateral) é a incorporação a eles, operacionalmente, do bloco padrão fundamental genérico para a construção de representações. E através da proposição, a Língua.

      Parece mais do que claro que sem uma função Classificar fica-se fora de qualquer possibilidade de modelar o que quer que seja.

      E examinando os dois conceitos para o que seja Classificar, vem a quase certeza de que a aplicação de cada um desses conceitos leva a modelos completamente diferentes.

      Posicionamento do acima descrito no espectro de modelos descrito por Michel Foucault
      no livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      Todos esses modelos de operações estão no segmento “diante do objeto”.

      Cumpre, então, desenvolver os modelos para o próximo segmento, descrito por Michel Foucault, em que habitam os modelos para além do objeto, para os quais Foucault delineia o modelo constituinte.

      Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
      sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
      sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
      com duas amplitudes - abrangências muito diferentes

      A descrição feita por Michel Foucault de duas possibilidades
      de posicionamento do pensamento com relação a valor

      “Valor, para o pensamento clássico, é primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preços só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.

      Ora, a troca é um fenômeno simples apenas na aparência.

      Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.

      Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutáveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que a dupla cessão e a dupla aquisição finalmente se produzam.

      Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.

      Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra, é preciso que elas existam já carregadas de valor; e, contudo, o valor só existe no interior da representação (atual ou possível), isto é, no interior da troca ou da permutabilidade.

      Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

      1. uma analisa o valor no ato mesmo da troca, no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
      2. outra analisa-o como anterior à troca e como condição primeira para que esta ossa ocorrer.

      Os dois pontos de partida distintos adotados pelo pensamento para análise de valor

      1. a primeira possibilidade de leitura

      A análise de valor no ato mesmo da troca,
      no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido

      2. a segunda possibilidade de leitura

      A análise de valor como anterior à troca
      e como condição primeira para que esta possa ocorrer.

      A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra toda a essência da linguagem no interior da proposição;

      • no [neste] primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tomando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

      a outra, [corresponde] a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das designações primitivas – linguagem de ação ou raiz(*);

      • na outra [nesta] forma de análise, a linguagem está enraizada fora de si mesma e como que na natureza ou nas analogias das coisas; a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.

      Mapa resumo das operações SSS na organização
      centrada no par sujeito-objeto

      A organização das operações na estrutura SSS

      Mapeamento da disposição SSS das operações em uma organização

      O sistema SIPOC/FEPSC

      Nosso roteiro (Michel Foucault) e nossa inspiração (Humberto Maturana)

      Imaginação e Conceituação - funções humanas reversíveis:
      Imagens tradicionais e Técnicas

      Imagens tradicionais

      Imagens técnicas

      Classes de abstrações

      As imagens tradicionais
      Imagens técnicas, as imagens produzidas por aparelhos (computadores)
      Classes de abstrações
      • Imaginação e Conceituação, funções humanas reversíveis que todos temos para codificar e decodificar imagens tradicionais e textos;
        • idolatria é o uso continuado de imagens que, quando decodificadas, não mais nos levam à visão da ocorrência no espaço-tempo x, y, z e t, isto é, imagens que não mais nos servem de guias para o mundo, mas de biombos;
        • textolatria é o uso continuado de textos que, quando decodificados, não mais nos levam às imagens que fizemos para as ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t
      • e as Imagens técnicas, especiais, aquelas imagens produzidas por aparelhos (computadores em destaque); as Imagens técnicas exigem, para seu entendimento, uma Conceituação especial.(*)

      (*) Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia;
      Capítulos I – A imagem; e II – A imagem técnica,
      de Vilém Flusser 

      O mapa de operações de produção do Kanban;
      e o mapa da organização segundo a Reengenharia

      Diante do objeto

      Modelo de operações
      do Kanban

      Modelo de operações do Kanban

      Mapa da organização
      segundo a Reengenharia

      Mapa da Reengenharia (modificado) e comentado

      Temos à esquerda, o modelo do Kanban com a referência (*) abaixo. e á direita, a Figura 7.1 do livro Reengenharia, referência (**) abaixo. São organizados sobre a proposição, e pertencem à configuração do pensamento moderno.  Você pode certificar-se  da veracidade dessas duas afirmativas neste ponto (17).

      (*) Artigo ‘A comparison of Kanban and MRP concepts for the control of Repetitive Manufacturing Systems’ de:
      James W. Rice da Western Kentucky University e Takeo Yoshikawa da Yolohama National University
      (**) Reengenharia – revolucionando a empresa: em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência 
      de Michael Hammer e James Champy

      Exemplos de modelos existentes, e muito usados,
      nas diferentes estruturas conceituais

      Aquém do objeto

      Diante do objeto

      Modelos de: operação de produção; e organização típica
      Modelos de: operação contábil/financeira e modelo de organização
      Modelos de: operação de produção do Kanban; e modelo de organização da Reengenharia

      Exemplos de modelos muito conhecidos para operações e para as organizações

      • operação: Operações de produção, de Elwood S. Buffa;
      • organização: adaptação de Organização típica.
      • operação: operação contábil financeira débito e crédito;
      • organização: Ativo, Passivo e Resultados.
      • operação: modelo do Kanban;
      • organização: mapa da reengenharia.

      A proposição como o bloco construtivo padrão  (Lego)
      fundamental para a construção de representações

      Aquém do objeto

      Proposição ausente
      do sistema Input-Output

      Diante do objeto

      A proposição no caminho
      da Construção da representação

      Além do objeto

      A proposição no caminho
      do Instanciamento da Representação

      ‘A proposição é, para a linguagem,
      o que a representação é para o pensamento:
      sua forma ao mesmo tempo mais geral e mais elementar porquanto, desde que a decomponhamos, não encontraremos mais o discurso, mas seus elementos como tantos materiais dispersos.’(*)

      “A língua é
      a mais complexa,
      a mais milagrosa,
      a mais estranha,
      a mais gigantesca e variada
      invenção humana.” (**)

      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

       


      (**) Frases de Millor Fernandes

      Os dois conceitos para o que seja um verbo:
      verbo Processo, e verbo Forma de produção

      Aquém do objeto
      verbo ‘Processo

      Verbo tratado como Processo

      Diante e Além do objeto
      verbo ‘Forma de produção’

      Verbo tratado como Forma de produção

      “A única coisa que o verbo afirma
      é a coexistência de duas representações; 
      por exemplo
      a do verde e da árvore,
      a do homem e da existência ou da morte. 

      É por isso que o tempo dos verbos
      não indica aquele em que
      as coisas aconteceram no absoluto, 
      mas um sistema relativo  
      de anterioridade
      ou simultaneidade 
      das coisas entre si.”
      (*)

      “O limiar da linguagem
      está onde surge o verbo.
      É preciso portanto 
      tratar esse verbo como um ser misto, 
      ao mesmo tempo palavra entre palavras,
      preso às mesmas regras 
      de regência
      e de concordância;
      e depois, em recuo em relação a elas todas, 
      numa região que não é aquela do falado 
      mas aquela donde se fala.
      Ele está na orla do discurso, na juntura entre 
      aquilo que é dito e aquilo que se diz; 
      exatamente lá onde os signos 
      estão em via de se tornar linguagem.
      (*)

      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo

      Os dois conceitos para o que seja 'Classificar'

      Aquém do objeto

      Classificar como uma referência
      do visível a si mesmo

      Diante e Além do objeto

      Classificar como uma referência
      do visível ao invisível

      Classificar é referir
      o visível a si mesmo,
      encarregando um dos elementos
      de representar os outros.(*)

      Classificar é referir
      o visível ao invisível
      – como a sua razão profunda –
      e depois, alçar de novo dessa secreta arquitetura, em direção aos seus sinais manifestos, que são dados
      à superfície dos corpos.
      (*)


      (*) As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      cap. VII – Os limites da representação;
      tópico III. A organização dos seres; sub-item 3

      Os dois princípios filosóficos para o que seja de trabalho

      Aquém do objeto
      Adam Smith, de 1776(*)

      Princípio monolítico de trabalho
      de Adam Smith, de 1776

      Diante e Além do objeto
      David Ricardo, de 1817(**)