Funcionamento das operaƧƵes, as de produção e outras, em função do entendimento (episteme) adotado em cada segmento do espectro de modelos identificados pela posição do par sujeito-objeto nos modelos em cada segmento. Cada segmento Ć© entĆ£o uma coleção de modelos com as seguintes caracterĆsticas principais:
Vamos aqui aplicar a recomendação de VilĆ©m Flusser quanto ao uso de nossas funƧƵes humanas, reversĆveis, Imaginação e Conceituação (veja detalhes em Imagens tradicionais) implementando a relação
[OcorrĆŖncias no espaƧo-tempo] ā [Imagens] ā [Textos]
onde OcorrĆŖncias no espaƧo-tempo sĆ£o as operaƧƵes de produção e outras, Imagens sĆ£o os modelos que fazemos para elas, e Textos carregam os conceitos com as ideias que temos durante a modelagem, e vamos entĆ£o queremos mostrar esse funcionamento das operaƧƵesĀ utilizando imagens que permitam reconstituir o sentido e a intenção dos conceitos usados na modelagem da maneira como vemos as operaƧƵes em cada caso.Ā
Veja as duas tabelas ao lado: o modo de ver o que sejam as operaƧƵes, de produção, – as de produção, de ensino, ou de pensamento, entre outras, difere substancialmente dependendo do entendimento (episteme) adotado o que faz muita diferenƧa, como poderemos ver.
Veja no item 1.1 Posicionamento as figurasĀ
construĆdas sobre dois capĆtulos do livro Filosofia da caixa preta, de VilĆ©m Flusser, que servem de base para essa explicação do funcionamento de operaƧƵes usando Imaginação e Conceitualização.
Dez (10) pontos selecionados no texto do livro para contextualização entre o PrefĆ”cio e o restante do texto do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas”.
Vamos aplicar a esses pontos selecionados a recomendação de Vilém Flusser e estabelecer a relação
OcorrĆŖncias no espaƧo-tempo ā Imagens ā Textos
identificando as imagens que relacionam os conceitos com nossos modelos e com isso, pelo uso da nossa Imaginação e da nossa Conceituação, a dificuldade de melhor compreensão desses conceitos diminui.
Ā
Continuamos a usar aqui o pensamento de VilĆ©m Flusser em Imagens tradicionais, um capĆtulo do livro Filosofia da caixa preta.
Veja a animação a que a figura ao lado dÔ acesso. à feita sobre um capitulo do livro de Flusser. Veja se ela faz sentido para você.
Em todos os 10 (dez) pontos escolhidos para contextualizar o PrefĆ”cio com o texto do livro ‘As palavras e as coisas’, usamos essa percepção de Flusser para como que erguer os conceitos do grau de abstração em que estĆ£o, e construĆ-los usando uma figura com as ideias, ou elementos de imagem que estĆ£o neles.
Para entender como e por que essa percepção de flusser ajuda na compreensĆ£o, veja ‘Classes de abstraƧƵes usadas pelo Pensamento‘Ā
Uma história do nascimento do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas”, tal como contada pelo próprio Michel Foucault no PrefĆ”cio do livro; procuramos relacionar essa história do PrefĆ”cio – o mais que nos foi possĆvel – com o próprio escopo do livro, seu objeto, e a razĆ£o de ser dessa obra: com a explicitação do caminho percorrido e dos achados do autor sobre os modos como configuramos nosso pensamento em nossa cultura, ao efetuar sua arqueologia das ciĆŖncias humanas.
Partindo de modelos que expressam o funcionamento de operaƧƵes:Ā
associamos ideias expressas por Foucault nessa história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’ a elementos de imagem que fazem parte desses modelos de operaƧƵes em distintos entendimentos (epistemes), tendo como suporte os dez pontos selecionados no texto do livro para os quais fechamos o circuito
usando nossas funƧƵes reversĆveis Imaginação e Conceituação. Isso torna mais possĆvel entender por exemplo o que sejam:
entre outras coisas.
Entre os modelos que apresentamos para operações, que podem ser as do próprio pensamento, da produção, de ensino, entre muitas outras, muito possivelmente estarÔ aquela configuração de pensamento com a qual você pensa.
Usualmente pensamos com a configuração de pensamento que adquirimos meio que sem perceber o que estÔ acontecendo, a partir do ambiente em que surgimos e iniciamos a viver.
Mas configuraƧƵes do pensamento nĆ£o sĆ£o coisas que aparecem realmente novas, distintas, todos os anos. Michel Foucault, no ‘As palavras e as coisas’ nos dĆ” conta de apenas duas de raiz, e mais uma que aparece a partir de uma delas. E isso no espaƧo de sĆ©culos.
O que se segue pode ser entendido comoĀ
Descubra do que se trata e a força que essas distinções têm.
O mago Merlin, aquele que na lenda satisfazia a todos os desejos de Arthur em um Ć”timo, sem consumir absolutamente nada, – nenhum recurso, nem mesmo energia – e de maneira reversĆvel, possuĆa o instrumento dos instrumentos: a varinha de condĆ£o.Ā
Esse instrumento dos instrumentos – pena que mĆ”gico – quebra vĆ”rias leis da fĆsica e isso justifica a impossibilidade de utilizĆ”-lo em operaƧƵes reais.Ā A varinha mĆ”gica sugere uma organização do mundo – e um rebaixamento de entropia – sem qualquer custo e dispĆŖndio de energia, por exemplo.
A visĆ£o SSS das organizaƧƵes modela o objeto esperado (produto) que interessa ao grupo Clientes, e o instrumento (fĆ”brica) capaz de obtĆŖ-lo no ambiente de realidade.Ā
Fica destacado nesse arranjo de como ver uma organização, o Nexo da produção de ondeĀ surgirĆ” o objeto que interessa aos acionistas: o lucro, ou benefĆcios de qualquer outra natureza.Ā Ā
Essa estrutura SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica nada mais Ć© do que a aplicação com critĆ©rio da modelagem organizada pelo par sujeito-objeto. Como nĆ£o Ć© muito comum a organização deĀ modelos de operaƧƵes organizados pelo objeto, essa estrutura pode parecer algo estranha.
Mas veja no livro Reengenharia o que Hammer diz sobre esse retĆ¢ngulo:Ā
“O processo de ‘Desenvolvimento da capacidade de fabricação’ toma uma estratĆ©gia como entrada e produz uma FĆ”brica como saĆda.”
Reengenharia: revolucionando a empresa em função dos clientes, da concorrĆŖncia e das grandes mudanƧas da gerĆŖncia; cap. 7 – A caƧa Ć s oportunidades de reengenharia, pg. 98.
Ora como o retante do mapa todo, a partir do tĆtulo refere-se a produção de semicondutores, e esse Ćŗltimo retĆ¢ngulo produz uma fĆ”brica a partir de certas estratĆ©gias, entĆ£o temos dois objetos nesse mesmo mapa. E muito diferentes. Podemos ter mais de um objeto em um mesmo mapa de operaƧƵes, mas cada qual terĆ” o seu modelo de operaƧƵes, organizado pelos respectivos pares sujeito-objeto.
Como Hammer ainda fala em processos, e pensa em entradas que produzem saĆdas, ele nĆ£o deve ter achado conveniente simetrizar esse mapa. A estrutura SSS Ć© exatamente essa simetrização.
Esse instrumento mƔgico era indiferente quanto ao objeto de desejo do rei. Concretizava instantaneamente qualquer coisa. Pena que era um instrumento mƔgico.
Para a varinha mƔgica o objeto de desejo de Arthur era indiferente.
NinguĆ©m hoje imagina que um objeto esperado como resultado de uma operação de produção, por exemplo, possa concretizar-se no sentido de tornar-se disponĆvel em ambiente de realidade, sem um instrumento capaz de fazer isso. E esse instrumento Ć© especĆfico com relação ao objeto esperado das operaƧƵes, e pode receber o nome de Unidade de produção, FĆ”brica, e quando ainda em desenvolvimento, Laboratório ou Ćrea de projeto piloto.Ā Ā
VisĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica:Ā a organização na realidade do ambiente em que suas operaƧƵes ocorrem, composta simultaneamente por:
Por detrÔs dessa visão SSS da organização estÔ:
evitando o pensamento mĆ”gico – sem instrumento -, das operaƧƵes, de produção e outras, e tambĆ©m a confusĆ£o de objetos diferentes, rebaixando a qualidade da informação no modelo de operaƧƵes.Ā
Se modelamos operaƧƵes sem especificar explicitamente o instrumento, e esse objeto, o instrumento, Ć© imprescindĆvel, acaba acontecendo que o modelo de operaƧƵes para o objeto esperado fica contaminado pela realidade de que o instrumento precisa ser providenciado.
VilĆ©m Flusser e Michel Foucault apontam formas de reflexĆ£o que se instauram (em adição, ou em substituição a outras existentes anteriormente.Ā
e observe quais são as ideias, ou elementos de imagem requeridos para formular modelos sob essa forma de reflexão.
Literalmente hĆ” uma unanimidade, atualmente,Ā quanto ao uso (e abuso) do conceito de ‘Processo’; igualmente, o mesmo ocorre com o modo de ver operaƧƵes: estas sĆ£o vistas praticamente sempre, como uma transformação de Entradas em SaĆdas, ou como um processamento de informaƧƵes.Ā
Mostramos aqui que adotando as formas de reflexão apontadas por Flusser e Foucault, operações adquirem uma aparência totalmente diferente dessa. Veja e compare:
Nota: as animações a que os links acima dão acesso foram feitas sem Ôudio de narração.
No PrefĆ”cio do livro ‘As palavras e as coisas’, Michel Foucault refere-se a dois tipos de sintaxe envolvidos no funcionamento de operaƧƵes. Podem ser operaƧƵes de produção, de pensamento, de ensino, do que quer que seja. Veja quais sĆ£o esses tipos de sintaxe:
A figura que serve de fundo para essas animaƧƵes que os links acima acessam Ć© a Figura 2 – Diagrama ontológico que estĆ” no capĆtulo ‘ReflexƵes epistemológicas’ do livro ‘Cognição e Vida cotidiana’; ou ainda Ć© tambĆ©m a Figura 2 agora com o tĆtulo ‘O explicar e a experiĆŖncia’, no capĆtulo ‘Linguagem emoƧƵes e Ć©tica nos afazeres polĆticos’ do livro ‘EmoƧƵes e linguagem na educação e na politica’, ambos os livros de Humberto Maturana.
Menciono essa figura e sua origem neste ponto, porque a visão comparativa entre os lados esquerdo e direito, respectivamente o pensamento clÔssico e o moderno, permitem identificar o que o LD tem a mais em relação ao LE, para a instauração da linguagem via a formulação das operações.
HĆ” dois conceitos, ou pode ser que um conceito e dois tratamentos para o que seja um verbo.Ā
“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes; por exemplo, a do verdeĀ e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte; Ć© por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.”
“Ć preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, ao mesmo tempoĀ palavra entre as palavras, preso Ć s mesmas regras, obedecendo como elas Ć s leis de regĆŖncia e de concordĆ¢ncia; e depois, em recuo em relação a elas todas, numa regiĆ£o que nĆ£o Ć© aquela do falado mas aquela donde se fala. Ele estĆ” na orla do discurso, na juntura entre aquilo que Ć© dito e aquilo que se diz, exatamente lĆ” onde os signos estĆ£o em via de se tomar linguagem.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IV – Falar; tópico III – A teoria do verbo
Podemos ver claramente, com a ajuda de imagens, figuras, que tornem possĆvel entender conceitos geomĆ©tricos como esse ‘em recuo em relação a elas todas’ especificando regiƵes espaciais que podem e devem ser identificadas, o que sugere um desnivelamento de algumas coisas em relação a outras, como e por que um conceito estĆ” para o pensamento clĆ”ssico e seu sistema input-output e o outro para o pensamento moderno, com operaƧƵes formuladas em coerĆŖncia com o PrincĆpio dual de trabalho de David Ricardo.
Ā
Conceito chave para entender o tempo em função do lugar onde a operação ocorre Ć© o que Foucault chama de ‘modo de ser fundamental das empiricidades’.
Quanto ao lugar onde ocorrem, uma operação pode ocorrer no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico‘ e no ‘Circuito das trocas‘.
 Dentro do acima, é necessÔrio estudar o tempo nas seguintes situações:
um tempo relativo, tempo calendĆ”rio, dado por uma operação reversĆvel durante sua formulação, e irreversĆvel na etapa de instanciamento que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente Fluxo.
um tempo absoluto, e portanto nĆ£o-calendĆ”rio,Ā dado por uma operação irreversĆvel jĆ” na sua formulação em virtude da alteração (irreversĆvel) do ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação. Ocorre no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’, lugar onde, com o sucesso das operaƧƵes, o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação Ć© alterado nesse domĆnio e nesse ambiente em que a operação ocorre. Propriedade emergente PermanĆŖncia.
o tempo volta a ser relativo, tempo novamente calendĆ”rio,Ā dado por uma operação reversĆvel durante sua formulação, e irreversĆvel na etapa de instanciamento propriamente dita que ocorre no interior do Circuito das trocas. Propriedade emergente volta a ser Fluxo.
Bem, no que se refere ao que seja ‘Classificar’ Foucault Ć© muito claro.
E pensando em modelar operaƧƵes, construir modelos para elas seguindo o modo como as vemos, ‘Classificar’ Ć© um conceito muito importante.
Veja o que diz Michel Foucault:
“Classificar, portanto,
nĆ£o serĆ” mais referir o visĆvel a si mesmo, encarregando um de seus elementos de representar os outros;Ā
serĆ”, num movimento que faz revolver a anĆ”lise, reportar o visĆvel ao invisĆvel, como Ć sua razĆ£o profunda, depois alƧar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que sĆ£o dados Ć superfĆcie dos corpos.”
Ā As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres
ComentÔrios abaixo fazem referência:
estabelecidas por Michel Foucault:
“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papĆ©is:Ā
comentĆ”rio: esse papel do homem corresponde ao seu engajamento em uma atividade de produção e ‘trabalho como atividade de produção Ć© a fonte de todo valor ‘;
nessa posição o trabalho que o homem oferece e o empresĆ”rio compra Ć© representĆ”vel em unidades de trabalho por ser do tipo analisĆ”vel em jornadas de subsistĆŖncia, e que por isso pode ser expresso em unidades comuns de valor entre todas as mercadorias.Ā
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico I. O triedro dos saberes
Esta animação mostra as ideias, ou elementos de imagem, necessÔrios para a formulação de operações em modelos que levem em conta essa duplicidade de papéis. Sem essa paleta de elementos de imagem, a formulação de modelos de operações em que o homem estÔ presente é pouco mais que retórica.
Ā
Modelos de operaƧƵes – em cada caso concreto de cada dado modelo – ocupam um segmento de um espectro de modelos organizado pela posição do par sujeito-objeto no projeto do dado modelo:
A anĆ”lise/projeto de modelos em qualquer um desses segmentos exige do analista/projetista que consiga descobrir em que segmento estĆ” trabalhando. E para isso, Ć© necessĆ”rio ter em mente os entendimentos possĆveis, ou as caracterĆsticas das epistemes.
Modelos em economia polĆtica, em sociologia, em psicologia, em polĆtica, de maneira geral, modelos no domĆnio das ciĆŖncias humanas, tĆŖm modelo constituinte bastante complexo porque Ć© uma combinação, ponderada, dos pares de modelos constituintes das ciĆŖncias que compƵem a regiĆ£o epistemológica fundamental.
EntĆ£o, claramente, modelos no domĆnio das ciĆŖncias humanas sĆ£o função dos modelos das ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem, cada um destes com modelo constituinte formado por um par constituinte apenas, diferente para cada uma dessas ciĆŖncias.
Parece sensato, em vista disso, compreender a fundo como funcionam os pares constituintes das ciências da Vida (Biologia), do Trabalho (Economia) e da Linguagem (Filologia) levando esse conhecimento prévio para a anÔlise de ciências com modelos muito mais exigentes do pensamento.
A PrevidĆŖncia social trata da subsistĆŖncia após perĆodo Ćŗtil para o trabalho, daquelas pessoas, daqueles homens quem se envolveram em operaƧƵes de produção oferecendo sua forƧa, seu esforƧo, seu tempo, que venderam a quem se dispĆ“s a comprar.
E quem comprou essa força, o esforço, o tempo de quem tinha para vender foram os controladores das operações de produção.
Os empresÔrios, os controladores das operações de produção, estão fora da reforma da Previdência.
Referências sobre fundamentos filosóficos do Liberalismo
Acompanhando a anĆ”lise feita por Foucault do que ele chama de ‘vento fundador da nossa modernidade no pensamento’, a descontinuidade epistemológica de 1775-1825, vĆŖ-se sem dificuldade que ‘o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo, e com o qual queiramos ou nĆ£o, pensamos’ tem, sim a capacidade de fundar as sĆnteses [da representação] no domĆnio da Representação.
Assim sendo (e entendido) hÔ algo de errado na fundamentação filosófica do Liberalismo tal como é apresentado na maioria das vezes.
Causa um certo desconforto a indicação de referências que listam conjuntamente Adam Smith e David Ricardo. Tal aproximação não convém, jÔ que os entendimentos de um e de outro são substancialmente distintos.
Os modelos de operações e de organizações comumente usados em demonstrativos econÓmico-financeiros são:
Esses modelos são consistentes com a maneira de entendimento do pensamento filosófico de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, o pensamento clÔssico, portanto.
Não hÔ sinal neles do homem em sua duplicidade de papéis, e do objeto especialmente durante a operação de construção de representação nova.
AnĆ”lises econĆ“mico-financeiras tratam de trocas. NĆ£o descrevem alteraƧƵes no modo de ser fundamental do objeto das operaƧƵes e escopo das organizaƧƵes, especificamente no modo como esses objetos podem ser afirmados, postos, dispostos e repartidos no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis.
NĆ£o hĆ” sinal nessa configuração de pensamento para o Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico.
Seu lugar de transcorrĆŖncia Ć© o Circuito das trocas.
Estes são os pensadores inspiradores deste trabalho e estes são dois dos seus textos maravilhosos:
Ā
As trĆŖs figuras abaixo servem para demonstrar que o Filosofia da caixa preta de Flusser tem muitĆssimo a ver com as caixas pretas distribuĆdas generosamente em meio Ć s abstraƧƵes que usamos atualmente no diaĀ a dia, nossos modelos de operaƧƵes, nossos modelos de sistemas, o modo como interpretamos tais modelos, e os decodificamos para compreender as imagens que geram, se Ć© que chegamos a isso.
E o ‘As palavras e as coisas’ de Foucault descreve em riqueza de detalhes os entendimentos a partir da filosofia, para esses mesmos modelos referidos a pontos de mudanƧa no nosso entendimento (episteme) na história recente do pensamento em nossa cultura.
Se vocĆŖ quiser testar se o que virĆ” vale ou nĆ£o a pena de ser visto, veja a seguir uma História do nascimento do livro ‘As palavras e as coisas’, com imagens essencialmente, aplicando a sugestĆ£o de VilĆ©m Flusser que estĆ” expressa no esquema Ć direita, e nas trĆŖs figuras abaixo.
Este trabalho encontra razĆ£o de ser na percepção de que esses ciclos entre abstraƧƵes de diferentes dimensƵes e graus de abstração, criados por funƧƵes humanas – que todos temos ou deverĆamos ter –Ā sĆ£o (devem ser) reversĆveis tais como descritos por Flusser nas animaƧƵes abaixo, muito mais frequentemente do que supomos, nĆ£o se fecham, quando examinamos mais de perto modelos largamente utilizados em nosso ambiente.
Imagens que não mais nos servem de orientação para o mundo, e mesmo assim continuarem em uso configuram idolatria. E Textos que decodificados não mais nos levam a imagens que nos servem de orientaçção para o mundo, se ainda assim continuarem em uso, configuram textolatria.
Especificamente no caso das imagens tradicionais, nossas funƧƵes como humanos Imaginação e Conceituação muito frequentemente nĆ£o funcionam do modo reversĆvel como seria de se esperar.
No caso das imagens tĆ©cnicas a questĆ£o Ć© mais exigente do pensamento analĆtico. Veja a animação na figura da direita acima.Ā
Um dos tópicos em nossa pĆ”gina de entrada tem o tĆtulo
do livro “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas”, de Michel Foucault.
Passando seu mouse sobre as figuras você vera a capa de cada uma das animações que compõem esse tópico, com o respectivo assunto.
DÔ para ver imediatamente conceitos geométricos porque fortemente dependentes de uma visão da disposição espacial das ideias, ou dos elementos de imagem requeridos. A bem dizer, isso acontece em todos os 10 pontos, mas alguns exemplos:
Vamos explorar o que Foucault estÔ pensando em operações do pensamento sob diferentes configurações nesse seu PrefÔcio; tendo em mente todo o conteúdo do livro. No tópico:
contamos essa história com a intenção de recompor onde necessÔrio, e mostrar a falta onde estÔ ausente, dessas estruturas que reúnem as paletas de ideias ou elementos de imagem.
Veja primeiro, nesse tópico da história do nascimento do livro,
Essa linha de tempo mostra alguns descompassos, intervalos de tempo Ć s vezes muito grandes, entre conquistas do campo pensamento e aplicaƧƵes desse conhecimento no domĆnio das tĆ©cnicas.
Mostra também trabalhos apresentados como inovadores, mudanças radicais no entendimento, quando em vez, a partir de um alinhamento filosófico prévio, seriam considerados aplicações de entendimentos obtidos em conquistas anteriores. Temos dois exemplos que poderiam demonstrar isso, a nosso ver:
que podem ser comparadas com a visĆ£o de operaƧƵes consistentes com o PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo mostrando maneiras idĆŖnticas de entender o mundo e as coisas.
No inĆcio do sĆ©culo XX entre outras conquistas surgiu o management. HĆ” quem diga que o management foi uma das maiores invenƧƵes do sĆ©culo passado. E surgiu apresentando como fundamentação filosófica Adam Smith, e adotando modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes consistentes com Adam Smith. Mas desde 1817 com a publicação do Principles of political economy and taxation de David Ricardo jĆ” havia na filosofia como visualizar operaƧƵes e organizaƧƵes de um modo muito mais conectado com o fenĆ“meno operaƧƵes em organizaƧƵes. A defasagem nesse ponto Ć© de aproximadamente um sĆ©culo.
Mas foi necessĆ”rio um intervalo de mais 25 a 30 anos para que surgisse um sistema de produção cujo entendimento de operaƧƵes e organizaƧƵes osse consistente com o PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo.
No final do sĆ©culo XX o mundo do management foi abalado por uma revolução denominada ‘Reengenharia’.
Isso ocorreu na década de 90 e não durou muito, reduzindo-se a um modismo hoje esquecido, a julgar pelos modelos hooje em dia recomendados.
Pois visto de perto, o modelo da reengenharia é consistente com o modelo de operações do Kanban, e os dois são consistentes com o entendimento filosófico da configuração de pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.
Se assim for, a Reengenharia não deveria ter sido esquecida. Veja por você mesmo, no que se segue, se as coisas são assim mesmo ou são de outro modo.
Veja o exemplo ao lado encontrado no livro The Unified Software Development Process, de Ivar Jacobson e outros, na Fig. 1.1 – o processo de construção de um software em poucas palavras.
A intenção do autor parece ser a de representar de um e de outro lado das operaƧƵes de construção do software o próprio Sistema de software em dois estados sucessivos. Essa intenção exige um sistema absoluto no qual haja mudanƧa no modo de ser fundamental especificamente da empiricidade objeto ‘Sistema de Software’.
Mas a figura escolhida para representar essa ideia Ć© a de
construĆda sobre um sistema Input-Output, um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.
O exemplo é ilustrativo da falta que faz um alinhamento filosófico para o projeto de modelos em qualquer Ôrea. Esse modo de ver operações acaba condicionando a forma como os usuÔrios usam todo o conhecimento contido no livro.
Para compreender a verdade existente na afirmação que acabo de fazer é necessÔrio ter um critério de comparação de modelos para poder descobrir com que entendimento foram feitos.
Logo na pÔgina de entrada você encontra as paletas de ideias, ou elementos de imagem para a configuração do pensamento clÔssico, o de antes de 1775, e o moderno, segundo Foucault, a configuração de pensamento que se consolidou depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.
VerÔ que os modelos de operações como a proposta no The Unified Software Development Process tratam com propriedades sim-originais e sim-constitutivas do sistema de software, e que para que esse tratamento possa ter lugar é necessÔria a noção de objeto.
Veja a Fig. 7.1 – Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, original do livro Reengenharia de Michael Hammer (a figura abaixo).
Ć visĆvel que todo o mapa, desde o tĆtulo, Ć© organizado em torno do objeto. A modelagem organizada pelo objeto (e pelo sujeito, em realidade pelo par sujeito-objeto) Ć© bastante distinta da modelagem atĆ© entĆ£o utilizada, na qual o objeto no sentido no qual ele Ć© usado nesse mapa de Hammer, era simplesmente inexistente.
Examinando mais de perto esse mapa vĆŖ-se que todos os módulos referem-se ao objeto que Ć© esperado das operaƧƵes modeladas – refiro-me ao objeto semicondutores – exceto um.
Esse bloco relacionado a objeto distinto de semicondutores Ć© o ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação.
Sobre esse bloco,Hammer diz que nele um conjunto de estratégias são transformado em uma FÔbrica.
Do mesmo modo como as operaƧƵes das quais resulta o objeto semicondutores exige o conjunto de blocos mostrado no mapa, o objeto FƔbrica igualmente exige um conjunto semelhante.
E esse conjunto de blocos que modelam operaƧƵes que resultam em objetos esperados tem muito pouco de especĆficos em relação a semicondutores, mas ante, Ć© apropriado para objetos esperados, quaisquer que sejam.
o detalhamento do bloco ‘Desenvolvimento de capacidade de fabricação simetriza o mapa da reengenharia e evidencia o Nexo da produção.
AlĆ©m disso, acrescentamos nesse mapa todas as ideias ou elementos de imagem que tornam possĆvel a formulação das proposiƧƵes implĆcitas em cada um dos blocos.
Clique na figura ao lado e verĆ” a organização SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica na qual:
abrindo espaƧo e lugar para o objeto de interesse do grupo Acionistas, Lucro ou benefĆcios de qualquer natureza.
Para tratar esse tipo de questƵes Ʃ necessƔrio que baixemos os nossos pressupostos.
Este Ć© um alerta e um conviteĀ para que nos coloquemos em uma posição receptiva a possĆveis ideias novas que poderĆ£o se apresentar a seguir neste trabalho
Essa figura ao lado dĆ” acesso a uma versĆ£o nossa da história de nascimento do ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ tal como contada por Foucault no PrefĆ”cio do livro.
Nessa animação propomos uma relação entre um excerto do texto do PrefÔcio, com as visões aplicÔveis em cada ponto da narrativa, e assim destacamos as estruturas que reúnem as ideias (ou os elementos de imagem) necessÔrios em cada composição da imagem respectiva.
No texto destacado do PrefÔcio, Foucault discorre sobre Utopias e Heterotopias, entendendo estas últimas, as heterotopias, do modo mais próximo de sua etimologia como o lugar onde
Neste trabalho associamos o conceito de heterotopia – especialmente levando em conta esse significado acima transcrito, dessa palavra, ao Sistema de categorias ou o Quadro, do pensamento clĆ”ssico e ao uso simultĆ¢neo de diferentes ordens desse tipo, que ocorre em modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes que usamos atualmente.
O modo como contamos aqui a história do nascimento do ‘As palavras e as coisas’, cujo texto estĆ” no PrefĆ”cio do livro, depende da contextualização entre o PrefĆ”cio e o restante do livro, usando para essa contextualização fragmentos de textos do próprio livro.
Por favor veja antes o tópico 10 pontos de contextualização, o primeiro no slider maior na nossa pÔgina de entrada.
Nossa intenção é mostrar que essa conceituação de heterotopia coincide bastante bem com o sistema de categorias, ou o Quadro no pensamento clÔssico e com o conjunto desses sistemas usados simultaneamente em modelos que usamos hoje. Enfatizamos os problemas criados por esse entendimento do pensamento, como a possibilidade de uso simultâneo de múltiplas ordens com as consequências referidas pelo pequeno trecho PrefÔcio que destacamos.
E procuramos esclarecer o papel das Utopias na articulação do pensamento com o impensado em um modelo de operações para o pensamento moderno, no caminho da Construção de representações.
E mostramos como abrigar as entidades mencionadas por Foucault no PrefĆ”cio como as Utopias, os dois tipos de sintaxe envolvidos, os dois conceitos para ‘Classificar’ e para o que seja um ‘Verbo’, etc. sempre em uma estrutura consistente com o princĆpio dual de trabalho de David Ricardo, e tambĆ©m, olhando para o lado da prĆ”tica,Ā com o modelo descritivo de operaƧƵes do Kanban e da Reengenharia.
Temos a clara impressĆ£o de que ao escrever o PrefĆ”cio do “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas” Michel Foucault tinha em mente todo o estudo em estilo de arqueologiadas ciĆŖncias humanas que desenvolveu. Por isso provavelmente o texto do PrefĆ”cio foi escrito depois de o livro estar pronto.
Esse texto permite uma imagem composta com as ideias, ou elementos de imagem que o compƵem.
Esta animação faz a proposta dessa imagem, ou de uma imagem que seja ema recodificação desse texto.
A figura abaixo dÔ acesso a uma paleta de ideias ou elementos de imagem para o modelo de operação no caminho da Construção da representação sob o pensamento filosófico moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.
Na nossa pÔgina de entrada encontram-se também as paletas do pensamento clÔssico, e para o moderno, no caminho do Instanciamento da representação.
Clicando na figura abre-se um popup.
Passando o mouse por sobre os elementos de imagem são apresentados os significados de cada um, o papel de cada um na imagem de conjunto.
Uma lista de 10 pontos, de autoria de Michel Foucault, encontrados no livro
para ajudar na contextualização do que ele diz no PrefÔcio com o restante do livro, e entender melhor o próprio escopo do trabalho do autor, nesse livro.
Para cada um desses pontos incluĆmos uma animação que estabelece a ligação do conceito embutido no texto com a imagem respectiva em função do entendimento utilizado, apresentando a paleta de ideias – ou elementos de imagem, e seus relacionamentos.
Exemplos antológicos, muito usados atualmente, construĆdos com modos de entendimento de operaƧƵes diferentes:
ā Modelo descritivo de operaƧƵes de produção devido a Elwood S. Buffa, organizado por uma (ou mais de uma como alerta Foucault) ordem arbitrĆ”riamente escolhida(s)
ā Modelo de operaƧƵes no sistema contĆ”bil-financeiro. (DĆ©bito/CrĆ©dito)
ambos organizados a partir de ordem(ns) arbitrariamente selecionadas tendo portanto como referencial a ordem pela ordem, princĆpios organizadores CarĆ”ter e Similitude
ā ModeloĀ para uma organização tĆpica, adaptado de MĆ”rio Zilbovicius conforme referĆŖncia,Ā
ā Modelo para uma organização no sistema contĆ”bil Financeiro: (Ativo, Passivo e PatrimĆ“nio LĆquido ou Resultado)Ā
nos quais podemos ver claramente mĆŗltiplas ordens “ligeiramente diferentes” como sobre isso diz Foucault.
ā Modelo descritivo de operaƧƵes de produção do Kanban (formulação das operaƧƵes neste modelo como uma proposição com sujeito das operaƧƵes e predicado do sujeito, este composto por uma Forma de produção claramente indicada na figura, e com o atributo do sujeito, a empiricidade objeto da operação.Ā
ā Modelo de operaƧƵes da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.
ā Modelo descritivo de operaƧƵes de produção do Kanban: tambĆ©m organizado no formato de uma proposição, coisa que nĆ£o Ć© tĆ£o evidente Ć primeira vista, mas que pode ser vista em animação especĆfica neste trabalho.
ā Modelo de operaƧƵes da Reengenharia, com o Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, encontrado no livro Reengenharia.
Nesse fragmento de texto do inĆcio do Cap. VII – Os limites da representação; tópico I – As novas empiricidades, Foucault descreve quais tinham sido as duas maiores dificuldades em seu trabalho nesseĀ livro. Diz ele que acaba de identificar, jĆ” entrando no final do seu trabalho, dois óbices:
uma dominação do pensamento com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos, do nosso pensamento portanto, pela incapacidade de fundar as sĆnteses no espaƧo da representação, esta uma caracterĆstica do pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo em nossa cultura, por uma caracterĆstica tĆpica do pensamento clĆ”ssico;
a obrigação correlata de abrir o campo transcendental da subjetividade e de construir, para além do objeto, os quase-transcendentais da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
Quanto Ć dificuldade apontada, fundar as sĆnteses (entenda-se as sĆnteses da empiricidade objeto obtida pelo princĆpio organizador AnĆ”lise) coloca o objeto em posição central; e se atentarmos para a forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura, junto com o objeto vem o sujeito,Ā Ā
Durante todo o trabalho atĆ© aqui Foucault jĆ” havia lidado com modelos situados quanto a sua estrutura, AQUĆM do objeto, – incapazes de lidar com esse conceito a partir de propriedades sim-originais e sim-constitutivas; e tambĆ©m com modelos situados quanto a sua estrutura DIANTE do objeto, porque capazes de lidar com o objeto pelas suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.
E estĆ” agora indo adiante e percebendo um novo segmento nesse espectro de modelos: o dos modelos para ALĆM do objeto, cujo modelo constituinte Ć© uma composição ponderada dos trĆŖs modelos constituintes das ciĆŖncias que habitam o eixo epistemológico fundamental mostrado no Triedro dos saberes, a saber, as ciĆŖncias
Note que os modelos nessas três Ôreas pertencem ao segmento de modelos DIANTE do objeto; como o modelo constituinte das ciências humanas é uma combinação ponderada desses pares constituintes, vê-se que é necessÔrio compreender como são as operações organizadas pelos pares sujeito-objeto.
Veja isso nas animaƧƵes neste trabalho
Funcionamento da operação sob o entendimento do pensamento clÔssico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.
Este tipo de operaƧƵes consegue tratar somente propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas das coisas, e isso Ć© o mesmo que dizer que as coisas sĆ£o tratadas por “aparĆŖncias”, qualidades, adjetivos, ou por propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, ou por .
O homem – como Ćŗnico ser capaz de desempenhar dois papĆ©is:
não havia surgido ainda no pensamento.
A forma de reflexĆ£o em que estĆ” em questĆ£o o ser do homem nessa dimensĆ£o o pensamento segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula ainda nĆ£o havia surgido. Veja o ponto 11 deste tópico ‘Funcionamento’.Ā
A animação que mostra a Forma de reflexão que se instaura, segundo Michel Foucault depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, com as seguintes palavras:
“Instaura-se uma forma de reflexĆ£o, bastante afastada do cartesianismo e da anĆ”lise kantiana, em que estĆ” em questĆ£o, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensĆ£o segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado, e com ele se articula.”
refletida em um modelo de operação de Construção de representação para empiricidade objeto (uma coisa); veja As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap IX – o homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault
Aplicando a ideia da Forma de reflexĆ£o que se instaura em nosso pensamento a essa figura, vĆŖ-se que o circuito reversĆvel ensinado por VilĆ©m Flusser
se fecha. O que, diga-se de passagem, não acontece quando a imagem corresponde à maioria dos modelos de operações que utilizamos.
A paleta de ideias ou elementos de imagem que compƵem essa figura:
Nesta operação o modo de ser fundamental da empiricidade objeto muda – propriedades sim-originais e sim-constitutivas inexistentes antes da operação tornam-se disponĆveis depois dela. Com isso o modo com essa empiricidade objeto pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆveis Ć© alterado.
Tomando esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, ao final com sucesso dessa operação, – no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico e percorrendo o Caminho da Construção da representaçãoĀ – faz-se história.
No LD da figura, pensamento moderno de depois de 1825, caminho do Instanciamento da representação.
Esse caminho só Ć© percorrido quando para o operar atribuĆdo Ć empiricidade objeto de uma operação, jĆ” exista, no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua, uma representação que ‘sirva’ a esse operar, ou em outras palavras uma representação cuja Forma de produção seja capaz de obter quando desencadeada no ambiente, operar semelhante a esse atribuĆdo a essa empiricidade objeto.
Ao contrĆ”rio do caminho da Construção da representação, no qual o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação muda, no caminho do Instanciamento da representação nĆ£o hĆ” mudanƧa no modo de ser fundamental da empiricidade objeto em instanciamento, que termina a operação no mesmo modo de ser fundamental no qual foi recuperada do repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua.
Entenda como modo de ser fundamental da empiricidade com as palavras que Foucault usa para isso:
O elemento central das operaƧƵes no LE da figura, sob o pensamento clƔssico, Ʃ Processo.
Processo, como conjunto de aƧƵes, atividades, tasks, Ʃ da categoria dos verbos.
“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma Ć© a coexistĆŖncia entre duas representaƧƵes: por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou a morte. Ć por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.”
(…) “Assim Ć© que o verbo ser teria essencialmente por função reportar toda linguagem Ć representação que ele designa. O ser em direção ao qual ele transborda os signos nĆ£o Ć© nem mais nem menos que o ser do pensamento. Comparando a linguagem a um quadro, um gramĆ”tico do fim do sĆ©culo XVIII define os nomes como formas, os adjetivos como cores e o verbo como a própria tela onde elas aparecem.“
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas.
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo. de Michel Foucault.
A operação no LE da figura funciona sobre um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si – o sistema Input-Output, ou Entradas-SaĆdas.
Toda a operação funciona com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas (esse sistema nĆ£o indica ‘aquele em que as coisas existiram no absoluto’ por absoluta falta de possibilidade de tratar as condiƧƵes para que as coisas existam no absoluto.
Com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, e deixando fora do escopo da operação a consideração dessas ‘coisas’ que passam a existir no absoluto, tudo Ć© pre-existente, todas as representaƧƵes sĆ£o prĆ©-existentes Ć operação.
Como prĆ©-existentes, suas propriedades nĆ£o originais e nĆ£o-constitutivas estĆ£o disponĆveis antes da operação, tanto para o inĆcio desta, quanto para o seu final.
Logo, ao tempo da deflagração do evento de processo (i), com a disponibilidade das propriedades antes e depois da operação, Ć© possĆvel calcular a inserção no calendĆ”rio do outro evento, o (f).
E inversamente, para uma inserção calendĆ”rio arbitrĆ”ria do evento (f), com a disponibilidade de todas as propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, Ć© possĆvel calcular a inserção calendĆ”rio do evento (i).
Então, existe um fator K que permite calcular a correspondente inserção calendÔrio de um evento (i), ou (f), a partir da inserção calendÔrio arbitrÔria do outro evento.
A figura ao lado dĆ” acesso a uma animação cuja principal caracterĆstica, em termos de tempo na operação representada, Ć© que ao contrĆ”rio da operação no LE da figura sob o pensamento clĆ”ssico, aqui nĆ£o existe um fator K que permita, a partir de propriedades da representação objeto da operação, e com a inserção calendĆ”rio de um dos eventos (i) ou (f), calcular a inserção do outro evento.
Isso acontece porque a operação de construção da representação transcorre em um tempo em que a representação objeto passa a existir no absoluto, jĆ” que seu modo de ser fundamental nesse ambiente e com o repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua, muda. Em outras palavras, e usando o modo como Foucault se refere a isso, modo de ser fundamental Ć© o que permite que a representação possa ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis.
“O limiar da linguagem estĆ” onde surge o verbo.
Ć preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, ao mesmo tempoĀ palavra entre as palavras, preso Ć s mesmas regras, obedecendo como elasĀ Ć s leis de regĆŖncia e de concordĆ¢ncia;Ā
e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado mas aquela donde se fala. Ele estÔ na orla do discurso, na juntura entre aquilo que é dito e aquilo que se diz, exatamente lÔ onde os signos estão em via de se tomar linguagem.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas.
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo. de Michel Foucault.
Em termos dos tempos na operação de construção da representação:
A figura dĆ” acesso a uma animação para a operação de Instanciamento de uma representação jĆ” existente no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua.
Esse fato de que a operação de instanciamento instancia uma representação prĆ©-existente no repositório Ć© essencial porque durante o instanciamento nĆ£o ocorre mudanƧa no modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação. Ocorre uma mudanƧa de estado, e nĆ£o mudanƧa no modo de ser fundamental dessa empiricidade objeto, isto Ć©, ela continua a poder ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis exatamente do mesmo modo que estava no repositório.
Desse modo, tanto em (i) quanto em (f) pontos iniciais e finais da operação de instanciamento do objeto, existem todas as propriedades originais e constitutivas e também as não-originais e não-constitutivas, o que leva à possibilidade de que dada a inserção arbitrÔria de um evento, (i) ou (f), a inserção calendÔrio do outro evento pode ser calculada por um fator K.
No caminho do Instanciamento da representação da empiricidade objeto não hÔ alteração no modo de ser fundamental nesse ambiente e com esse Repositório.
Entenda modo de ser fundamental como aquilo a partir do que ela pode ser afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis.
Como diz Foucault abaixo, Processo é a própria janela onde as palavras aparecem. Diz ele:
“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes: por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte; Ć© por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si. A coexistĆŖncia, com efeito, nĆ£o Ć© um atributo da própria coisa, mas tambĆ©m nĆ£o Ć© nada mais que uma forma de representação: dizer que o verde e a Ć”rvore coexistem Ć© dizer que estĆ£o ligados em todas ou na maioria das impressƵes que recebo.”
(…) “Assim Ć© que o verbo ser teria essencialmente por função reportar toda linguagem Ć representação que ele designa. O ser em direção ao qual ele transborda os signos nĆ£o Ć© nem mais nem menos que o ser do pensamento. Comparando a linguagem a um quadro, um gramĆ”tico do fim do sĆ©culo XVIII define os nomes como formas, os adjetivos como cores e o verbo como a própria tela onde elas aparecem. Tela invisĆvel, inteiramente recoberta pelo brilho e o desenho das palavras, mas que fornece Ć linguagem o lugar onde fazer valer sua pintura; o que o verbo designa Ć© finalmente o carĆ”ter representativo da linguagem, o fato de que ela tem seu lugar no pensamento e de que a Ćŗnica palavra capaz de transpor o limite dos signos e fundĆ”-Ios na verdade nĆ£o atinge jamais senĆ£o a própria representação.
De sorte que a função do verbo se acha identificada com o modo de existĆŖncia da linguagem, que ela percorre em toda a sua extensĆ£o: falar Ć©, ao mesmo tempo, representar por signos e conferir a signos uma forma sintĆ©tica comandada pelo verbo”
Nos modelos de operaƧƵes sob o entendimento do pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825 as frases, segundo os tipos de proposição possĆveis, sĆ£o:
Nesses tipos de proposições as ideias ou elementos de imagem envolvidos são:
Vale a pena notar que essa formulação estabelece uma sorte de ordem única, que atravessa todo o modelo de operações.
O resultado de uma operação no caminho da Construção da representação é invariavelmente um objeto anÔlogo composto por elementos componentes, outros objetos anÔlogos. Praticamente não existe operação de construção de representação para empiricidade objeto ainda sem suporte na experiência em determinado ambiente e com um repositório existente, que se resolva com um único objeto anÔlogo, e como é sabido, o impensado, o não articulado, a visão nunca é representada ela própria.
A sintaxe que segundo Foucault autoriza a manter juntas ao lado e em frente umas das outras palavras e coisas Ć© aquela que toma os resultados do princĆpio organizador Analogia, (os objetos anĆ”logos tomados como componentes da representação em construção) e estabelece entre eles, usando o princĆpio organizador SucessĆ£o, um sequenciamento estrutural lógico.
O resultado da ação desses dois princĆpios organizadores Analogia e SucessĆ£o, com os mĆ©todos AnĆ”lise e SĆntese, resultam sempre em uma estrutura hierĆ”rquica.
O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ”, ao mesmo tempo,
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico I. O triedro dos saberes
Dada a extrema diferença existente entre esses dois papéis, necessariamente ocupam lugares distintos na estrutura do modelo de operações, e a consideração desses dois papéis para o homem implica nessa mudança de estrutura na configuração do pensamento das operações.
Como dito, estamos utilizando como base a Figura 2 – Diagrama ontológico ou ainda Figura 2 – O Explicar e a ExperiĆŖncia, de autoria de Maturana em dois de seus livros (vide animaƧƵes no Ponto 1 adicional neste trabalho.
O pressuposto no LE da figura, (a existĆŖncia precede a distinção). Todas as representaƧƵes sĆ£o prĆ©-existentes, portanto todas as propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas estĆ£o disponĆveis e nĆ£o estĆ” no escopo desse tipo de operaƧƵes o tratamento de coisas ainda nĆ£o existentes e portanto a preocupação com propriedades sim-originais e sim-constitutivas.
A operação ocorre em uma região do espaço orientada, chamada Volume de controle.
OperaƧƵes formuladas no LE da figura ocorrem totalmente no interior do Circuito das trocas como sendo esse o lugar onde nĆ£o ocorrem mudanƧas no modo de ser fundamental da coisas. A bem dizer, nĆ£o hĆ” mesmo a possibilidade de tratar ‘empiricidades objeto’ por nĆ£o caber isso no escopo desse tipo de operaƧƵes.
São vistas como um processamento de informação, em uma única transformação.
A propriedade emergente Ć© Fluxo
Uma visĆ£o global das operaƧƵes, inicialmente no caminho da Construção da representação, no interior do Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico Ć© a seguinte:
HƔ duas transformaƧƵes de mesmo sinal:
Vendo de um ponto de vista mais alto, essas duas transformaƧƵes podem ser reduzidas a uma ConversĆ£o, de pensamento nĆ£o articulado em representação, estabelecendo uma relação entre os domĆnios do Pensamento e da LĆngua e o do discurso e da Representação.
A propriedade emergente da operação no caminho da Construção da representação Ć© PermanĆŖncia,Ā
Ć permanĆŖncia da representação construĆda no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua. Trata-se de uma permanĆŖncia provisória, temporĆ”ria, atĆ© que novas razƵes determinem a reforma ou reformulação dessa representação.
Como vimos, Permanência como propriedade emergente estabelece o contrÔrio da propriedade emergente no LE da figura, que encontramos ser Fluxo.
Uma visão global das operações, desta feita no caminho do Instanciamento da representação, no interior do Circuito das trocas é a seguinte:
HƔ tambƩm aqui, duas transformaƧƵes, mas desta feita, de sinais contrƔrios:
Vendo de um ponto de vista mais alto, essas duas transformaƧƵes podem ser reduzidas a uma ConversĆ£o, de Disponibilidade de recursos em Disponibilidade de objeto, estabelecendo tudo transcorrendo no interior do domĆnio do Discurso e da Representação.
A propriedade emergente da operação no caminho do Instanciamento da representação Ć© novamente Fluxo.Ā
HĆ” dois fluxos:
Como vimos, Fluxo como propriedade emergente na operação de instanciamento no LD da figura é a mesma propriedade emergente no LE da figura, que encontramos ser Fluxo.
HĆ” no ‘As palavras e as coisas’ dois conceitos para o que seja ‘Classificar’ que se ajustam perfeitamente bem um deles para o pensamento clĆ”ssico, e o outro para o pensamento moderno, a um tempo para o caminho da Construção da representação, e a segunda parte, para o caminho do Instanciamento da representação.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas, Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres, de Michel Foucault
CaracterĆsticas do entendimento de operaƧƵes no pensamento clĆ”ssico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775 a 1825:
CaracterĆsticas do entendimento de operaƧƵes no pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775 a 1825:
“De sorte que se vĆŖem surgir, como princĆpios organizadores desse espaƧo de empiricidades, a Analogia e a SucessĆ£o: de uma organização a outra, o liame, com efeito, nĆ£o pode mais ser a identidade de um ou vĆ”rios elementos, mas a identidade da relação entre os elementos (onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel) e da função que asseguram; ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas num espaƧo de classificação, mas sim porque foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra no devir das sucessƵes.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap.Ā VII – Os limites da representação; tópico: I – A idade da história
Segmento do espectro de modelos situados AQUĆM do objeto pela colocação fora do escopo dessa formulação clĆ”ssica a ideia de objeto descrito por suas propriedades originais e constitutivas.
Restam propriedades que estĆ£o Ć superfĆcie dos corpos, as nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas somente, as “aparĆŖncias” nome que a elas dĆ” Maturana.
As duas figuras abaixo mostram objeções e propostas que Maturana fazia para melhorar corrigindo, o que considerava um erro na modelagem de fenÓmenos biológicos.
A animação que descreve as operações no LD da figura, no caminho da Construção da representação, destaca a intenção dessa formulação: a construção da nova representação para a empiricidade objeto.
Esse tipo de modelos que abrange a etapa da construção de representaƧƵes sĆ£o construĆdos, por óbvio, diante do objeto.
Modelos nesse segmento do espectro têm modelos constituintes conforme a Ôrea da região epistemológica fundamental:
Modelos nesse segmento para além do objeto habitam o interior do Triedro do saber delineado por Miche Foucault, onde estão as ciências humanas.
Modelos nesse segmento do espectro têm modelos constituintes que são uma combinação ponderada dos modelos das ciências da região epistemológica fundamental:
Note que no interior do Triedro dos saberes o modelo constituinte é uma composição dos três pares constituintes; a predominância de um deles sobre os outros acompanha o projetista de modelos em cada caso.
A percepção feita por Michel Foucault de uma forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica por ele situada entre 1775 e 1825.
Trata-se de uma forma de reflexĆ£o ‘bastante afastada do cartesianismo e da anĆ”lise kantiana’ e que exatamente por isso configura uma descontinuidade epistemológica, ou seja, uma alteração profunda no entendimento neste caso, das operaƧƵes, mas muito mais amplo que isso.
à uma forma de reflexão organizada pelo par sujeito-objeto.
Veja a animação para certificar-se disso
Proposição, é o bloco padrão fundamental genérico oferecido pela linguagem, para a construção de representações.
Diz Foucault sobre a proposição:
‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo
Michel Foucault
Referencial, princĆpios organizadores e mĆ©todos no entendimento vigente no pelsamento de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825:
Referencial, princĆpios organizadores e mĆ©todos no entendimento vigente no pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825:
Veja esta conceituação de verbo feita por Foucault, indicando suas limitações, e apontando claramente para um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, quer dizer, apontando para o sistema Input-Output.
Esse trecho indica com muita clareza que esse tipo de verbo funciona no sistema Entradas ā SaĆdas.
E indica que o tempo assinalado por esse tipo de verbo Ć© um tempo calendĆ”rio, um tempo relativo no qual dado um evento (i) ou (f), Ć© possĆvel calcular correspondentemente o evento (f) ou (i) fazendo isso com propriedades existentes da representação.
E além disso, aponta para um outro tipo de tempo, um tempo absoluto, um tempo que assinala coisas que passaram a existir. Veja sobre isso o próximo tópico.
As operaƧƵes que tenham esse tipo de verbo como elemento central sĆ£o sempre reversĆveis na etapa de formulação; todas as irreversibilidades aparecem durante o instanciamento que transcorre no interior do Circuito das trocas.
O tempo com esse tipo de verbo Ć© relativo, um tempo calendĆ”rio. Existe um fator K tal que para uma dada inserção do evento (i), Ć© possĆvel calcular com propriedades da representação a inserção do evento (f) e vice-versa.
A propriedade emergente na operação que em esse tipo de verbo como elemento central é Fluxo; e toda a operação transcorre no interior do Circuito das trocas.
Veja nesta citação de Foucault o conceito de verbo completamente distinto do anterior, agora nĆ£o mais concebido em um sistema relativo com tempo relativo (calendĆ”rio) como no anterior, mas com um tempo absoluto ligado Ć mudanƧas no modo de ser fundamental das empiricidades, isto Ć©, aquilo que permite que elas sejam afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber para conhecimentos, e eventuais ciĆŖncias possĆveis.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo
Michel Foucault
Veja a animação a que a figura ao lado dÔ acesso.
Ela propƵe um sentido para vƔrias coisas nesse trecho de Foucault:
A sintaxe que autoriza a construção das frases no formato de proposições formuladas de acordo com as regras da linguagem em uso.
Na modelagem das operações temos três tipos de proposições
Ć© aquela proposição que inicia a operação de busca pela possibilidade de representar um certo operar atribuĆdo Ć empiricidade objeto da operação. Ć formulada quanto após uma consulta ao Repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆngua, a resposta a essa consulta Ć© negativa – o Repositório nĆ£o tem condiƧƵes de dar sustentação na experiĆŖncia a esse operar.
Ć© toda proposição cuja Forma de produção jĆ” tem elementos de suporte na experiĆŖncia ao operar atribuĆdo Ć empiricidade objeto. Neste caso, a representação a esse nĆvel, se nova for, Ć© acrescentada ao Repositório.
Ć© toda proposição que jĆ” existe no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua. Se o operar caracterĆstico da Forma de produção dessa proposição for exigido em uma operação de obtenção de uma empiricidade objeto, serĆ” parte da etapa de Instanciamento da empiricidade objeto. Durante essa etapa, o modo de ser fundamental da empiricidade objeto nĆ£o muda.
Esta é a sintaxe que orienta a organização do objeto anÔlogo composto, uma composição organizada e logicamente ordenada de objetos anÔlogos que funcionam como elementos componentes na representação em construção.
A decisĆ£o de desencadear operação como essa implica em enfrentar as impossibilidades de representação de um ‘operar’ qualquer dentre os atribuĆdos Ć empiricidade objeto. Essas impossibilidades sĆ£o encaradas de frente.
A impossibilidade de representação de um qualquer desses atributos Ć© submetida Ć anĆ”lise e com auxĆlio das operaƧƵes de busca por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites para cada um dos objetos anĆ”logos criados pela anĆ”lise, sĆ£o procurados e identificados,ou desenvolvidos os elementos de suporte na experiĆŖncia respectivos.
O mĆ©todo SĆntese relaciona logicamente os objetos anĆ”logos compondo com eles a SucessĆ£o de analogias que constituio objeto anĆ”logo composto que resulta, via de regra, de toda operação de construção de representação.
O PrincĆpio (monolĆtico) de trabalho de Adam Smith foi cunhado em 1776 sob a preocupação de medir a equivalĆŖncia das mercadorias que passam pelo Circuito das trocas.
Toda a operação no pensamento clÔssico transcorre no interior do que Foucault chama de Circuito das trocas uma vez que a construção de representações novas para empiricidades objeto, ainda não representadas ou objeto de reformulação, estÔ fora do escopo do pensamento clÔssico.
Para Adam Smith o trabalho é analisÔvel em jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias necessÔrias à subsistência.
Mas Adam Smith deixa de considerar aquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisas, a construção de novas empiricidades objeto com especĆficos ‘operar’. Isso só acontece em 1817, com David Ricardo e seu princĆpio dual de trabalho. (veja o ponto seguinte)
Usando Foucault para entender melhor isso, ele atribui ao homem a possibilidade de desempenhar dois papƩis:
o princĆpio monolĆtico de Adam Smith, ainda que nĆ£o considere o homem nessa noção com que dele fala Foucault, que a seu tempo nĆ£o havia sido inventado, mas cobre apenas o primeiro desses dois papĆ©is.
O PrincĆpio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817, cunhado sob a dupla preocupação de:
As operaƧƵes no pensamento moderno transcorrem:
Para Adam Smith o trabalho é analisÔvel em jornadas de subsistência e pode servir de unidade comum a todas as outras mercadorias necessÔrias à subsistência.
Mas Adam Smith deixa de considerar aquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisas, a construção de novas empiricidades objeto com especĆficos ‘operar’.
Isso só acontece com David Ricardo. Veja a figura ao lado.
Usando Foucault para entender melhor isso, ele atribui ao homem a possibilidade de desempenhar dois papƩis:
o princĆpio monolĆtico de Adam Smith, ainda que nĆ£o considere o homem nessa noção com que dele fala Foucault, mas cobre apenas aspecto associĆ”vel ao primeiro desses dois papĆ©is.
Considere os dois papĆ©is atribuĆdos ao homem:
e agora as duas acepƧƵes para trabalho:
O princĆpio de trabalho de David Ricardo permite construir um modelo de operaƧƵes de todos os tipos que dĆ” conta:
Estas são as duas acepções para trabalho:
A diferenƧa entre o PrincĆpio Dual de trabalho de David Ricardo e o de Adam Smith Ć© que
Tratando-se de modelagem de operações, nada mais fundamental e decisivo no resultado, o modelo, do que a função classificar utilizada.
Veja as diferenƧas:
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres; ponto 3
Segmento do espectro de modelos construĆdos AQUĆM do objeto.
São modelos de operações que funcionam com propriedades não-originais e não-constitutivas do que se aproxima, atravessa uma região orientada do espaço onde ocorrem as operações ou permanece fora dessa região, mas sem a noção de objeto definido por propriedades originais constitutivas; ou ainda permanece dentro dessa região orientada, e finalmente sai dela voltando novamente para seu entorno
Na falta da noção de objeto, falta tambĆ©m a da empiricidade objeto de uma possĆvel operação.
OperaƧƵes monitoram o fluxo de pacotes de coisas caracterizados por ‘aparĆŖncias’ ou uma propriedade nĆ£o-original e nĆ£o-constitutiva que regula a formação do pacote.
Nesse segmento a propriedade emergente das operaƧƵes Ʃ Fluxo.
Nesse segmento modelos sĆ£o construĆdos de modo a dar tratamento a propriedades sim-originais e sim-constitutivas, o que implica na organização do modelo pela noção de objeto e empiricidade objeto das operaƧƵes, e do sujeito da operação.
A propriedade emergente Ć© permanĆŖncia (da representação nova construĆda) no Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua.
Toda a operação transcorre:
à o segmento de modelos que têm como modelo constituinte uma combinação dos modelos constituintes da região epistemológica fundamental:
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncis humanas; Cap. VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades,
de Michel Foucault
Estes modelos habitam o interior do Triedro dos saberes, onde estĆ£o as ciĆŖncias humanas – vide animação a respeito; e exigem a constituição, para ALĆM do objeto, dos quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem habitantes da regiĆ£o epistemológica fundamental.
HÔ vÔrios aspectos relacionados à modelagem de operações em organizações:
Aqui a modelagem Ć© orientada pelo par sujeito-objeto.
Para esse par corresponde um modelo de operação, especialmente com alteração do objeto. Podemos ter um grande modelo com modelos de operações para objetos diferentes, mas um mesmo modelo tem apenas um objeto.
A construção da estrutura SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica envolvendo objeto esperado das operaƧƵes, o instrumento capaz de obtĆŖ-lo na realidade do ambiente em que as operaƧƵes acontecem, e o Nexo da produção, que permite avaliar o resultado da simbiose e da sinergia delineando o Nexo da produção, com o objeto esperado pelo grupo de Acionistas.
Mapa geral das operaƧƵes que consideram simultaneamente o objeto esperado pelo grupo Clientes e o objeto esperado pelo grupo Acionistas.
Essa estrutura abre espaƧos especĆficos e bem determinados para Clientes e Acionistas.
Toda essa estrutura é organizada sob uma única ordem, a da Proposição, considerada por Michel Foucault como o elemento padrão elementar bÔsico e geral para a construção de representações.
Pensar na obtenção de qualquer coisa como resultado de operações incluindo o instrumento necessÔrio para a concretização no ambiente desse resultado corresponde a retirar um viés mÔgico de operações de obtenção do que quer que seja, sem pensar o instrumento.
No pensamento de Flusser, CiĆŖncia e Tecnologia sĆ£o funƧƵes do estado da arte na ReflexĆ£o, ou na Filosofia. Havendo mudanƧa no entendimento com relação a algo devida Ć reflexĆ£o (alteração filosófica) que altere a episteme, ou as caracterĆsticas de caracterĆsticas do modo como o pensamento Ć© configurado, alterando portanto a paleta de ideias ou de elementos de imagem necessĆ”rias para a configuração, muda a ciĆŖncia e mudam as tecnologias relacionadas Ć s ciĆŖncias.
Sendo a Tecnologia texto cientĆfico aplicado, e a CiĆŖncia, texto filosófico aplicado, em face de uma descontinuidade epistemológica, uma alteração profunda no modo como nos dispomos a entender e tratar as coisas do mundo, ciĆŖncia e tecnologia precisam acompanhar essas mudanƧas.
Vilém Flusser descreve no cartesianismo sujeito e objeto em situação de oposição um em relação ao outro.
Veja na animação seguinte, no que VilĆ©m Flusser descreve como um ‘Salto para fora do cartesianismo’, a composição do par sujeito-objeto nĆ£o mais em situação de oposição mas em concurso.
A animação ao lado apresenta o que VilĆ©m Flusser chama de ‘um salto para fora do cartesianismo’.
Colocando as ideias ou elementos de imagem na figura construĆda com os conceitos de Flusser, vĆŖ-se que o que ele chama de ‘salto para fora do cartesianismo combina perfeitamente bem com a forma de reflexĆ£o cujo surgimento Michel Foucault anuncia no ‘As palavras e as coisas’, dizendo:
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault
Fazendo a correspondĆŖncia entre o ‘impensado’ de Foucault e o ‘duvidoso’ de Flusser vĆŖ-se que a correspondĆŖncia das ideias nas duas paletas Ć© completa, e destas, com o PrincĆpio Dual de trabalho de David Ricardo, de 1817.
Veja em nossa pƔgina inicial a paleta de ideias ou elementos de imagem para o pensamento moderno para conferir cada uma dessas ideias postadas na figura e participando da estrutura de operaƧƵes.
Visão global de operações sob o pensamento clÔssico, o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
Visão global de operações sob o pensamento moderno nos dois caminhos: o da Construção da representação, LD da figura, e o do Instanciamento da representação; e diferenças entre essas operações
a que autoriza a construção das frases;
Essa sintaxe funciona com as ideias ou elementos de imagem envolvidos na formulação da proposição ao longo das operações, sempre sob o pensamento moderno, LD da figura.
No pensamento de Foucault a proposição é o elemento fundamental genérico padrão fundamental para a construção de representações.
Diz Foucault:
“A proposição Ć© para a linguagem o que a representação Ć© para o pensamento: sua forma, ao mesmo tempo mais geral e mais elementar, porquanto, desde que a decomponhamos, nĆ£o reencontraremos mais o discurso, mas seus elementos como tantos materiais dispersos”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo
HÔ três momentos diferentes para as proposições:
(acesse a animação com a figura da esquerda, para ver as ideias e respectivos elementos de imagem controlados por essa sintaxe, todas no domĆnio do Pensamento e da LĆngua.)
a que autoriza a “manter juntos”, ao lado e em frente umas das outras, as palavras e as coisas.
(acesse a animação com a figura da direita para ver as ideias e respectivs elementos de imagem controlados por essa sintaxe, todas no domĆnio do Discurso e da Representação.)
Nota: esta sintaxe tem como resultado a organização em sua estrutura, do objeto anĆ”logo composto no qual se constitui uma representação construĆda para uma empiricidade objeto nova. A estrutura desse objeto anĆ”logo composto, formado por objetos anĆ”logos componentes logicamente relacionados, Ć© hierĆ”rquica.
Se o funcionamento desta segunda sintaxe fizer sentido para você, então, você concluirÔ necessariamente que estruturas hierÔrquicas são inerentes ao modo como operações no caminho da Construção de representações para empiricidades objeto novas funcionam.
⦠Os dois conceitos para o que seja um verbo, um para o pensamento de antes de 1775 e outro para o pensamento de depois de 1825
“A Ćŗnica coisa que o verboĀ afirma
é a coexistência de duas representações: por exemplo,
a do verdeĀ
e da Ɣrvore,
a do homem
e da existĆŖncia ou da morte;
Ć© por isso que oĀ tempo dos verbos
nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto,Ā
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade das coisasĀ entre si.”
As palavras e a coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo
Verbo com essa funcionalidade Ć© o elemento central do sistema de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si, em outras palavras, do Sistema Input-Output, o mais usado atualmente.
“Ć preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso Ć s mesmas regras, obedecendo como elasĀ Ć s leis
de regência e de concordância;
e depois, em recuo em relação a elas todas,
numa região que não é aquela do falado
mas aquela donde se fala.
EleĀ estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que Ć© dito
e aquilo que seĀ diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tomar linguagem.”
As palavras e a coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo
Veja tambĆ©m o Principio dual de trabalho de David Ricardo, para comparação das estruturas: a sugerida pela citação acima, e a do princĆpio de trabalho de Ricardo.
à muito claro que o uso de um ou de outro desses dois conceitos para o que seja um verbo durante o projeto e construção de um modelo de operações de qualquer natureza terÔ como resultado modelos completamente diferentes.
Operação sob o pensamento clÔssico,o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
Veja a figura no LE (lado esquerdo): a existência precede a distinção.
Pressuposto: todas as coisas existem desde sempre e para sempre compondo o Universo, obra de Deus. A busca por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites estĆ” fora do escopo das operaƧƵes neste segmento que tem o rótulo ‘AQUĆM’ do objeto porque a noção de objeto descrito por esse tipo de propriedades estĆ” fora do escopo destas operaƧƵes.
Restam entĆ£o propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas,as “aparĆŖncias”.
Pelo pressuposto adotado todas as representações existem desde sempre, e assim, existem antes, e depois de toda operação.
Dessa forma, dada a inserção calendĆ”rio de um dos eventos (i) ou (f), com as propriedades existentes das representaƧƵes selecionadas para a operação Ć© possĆvel calcular a inserção calendĆ”rio do outro evento (f) ou (i).
Esse Ʃ um tempo calendƔrio, um tempo dado por um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, cujo elemento central Ʃ Processo.
Operação sob o pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825Ā
Veja o LD (lado direito) da figura: a existência se constitui com a distinção, ou em outras palavras, a existência sucede a distinção.
A existência das coisas decorre de uma busca, empreendida pelo homem, raiz e fundamento de toda positividade, por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, para um pensamento não articulado, para o impensado, etc. etc. tomado como empiricidade objeto da operação.
O pensamento somente percorre o caminho da Construção da representação – veja a animação a que a figura dĆ” acesso – quando um certo ‘operar’ Ć© atribuĆdo a essa empiricidade objeto da operação, e uma representação capaz de explicar na experiĆŖncia esse ‘operar’, esse modo de ser da empiricidade objeto escolhida, ainda nĆ£o existe em um Repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da linguagem em uso no ambiente e domĆnio em que a operação ocorre.
Caso a consulta ao Repositório tenha resposta negativa (ainda nĆ£o existe representação para empiricidade objeto com o ‘operar’ atribuĆdo) entĆ£o o pensamento desencadeia uma operação de Analogia que procura um objeto anĆ”logo Ć empiricidade objeto com o ‘operar’ atribuĆdo eĀ prepara para a possĆvel representação uma arquitetura padrĆ£o e inteiramente vazia. NĆ£o existem propriedades originais e constitutivas, ou nĆ£o originais e nĆ£o constitutivas alĆ©m das próprias Ć arquitetura.
SĆ£o desencadeadas operaƧƵes de busca por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites estabelecidos pelo domĆnio e ambiente.Essas buscas lanƧam mĆ£o de todo o conhecimento disponĆvel em todas as Ć”reas, filosofia, ciĆŖncias, tecnologias.
Pode acontecer que o objeto anĆ”logo construĆdo nĆ£o seja ainda representĆ”vel; mas a julgamento do sujeito da operação, esse objeto anĆ”logo pode ser considerado um caminho para uma possĆvel representação.
Via de regra isso sempre acontece. Muito raramente uma representação Ć© encontrada logo para o primeiro objeto anĆ”logo construĆdo.
EntĆ£o, o pensamento aplica a esse objeto anĆ”logo considerado como ‘caminho’ – resultado da aplicação do princĆpio organizador Analogia- o mĆ©todo AnĆ”lise que substitui esse objeto anĆ”logo nĆ£o representĆ”vel por um conjunto logicamente organizado de outros objetos anĆ”logos. Esse conjunto de objetos anĆ”logos formam um objeto anĆ”logo composto substitutivo ao objeto anĆ”logo inicial.
A aplicação do mĆ©todo SĆntese garante o mesmo ‘operar’ entre o objeto anĆ”logo inicial e o objeto anĆ”logo composto.
A construção do objeto anĆ”logo composto Ć© orientada pelo princĆpio organizador SucessĆ£o.
Com o sucesso da operação são encontrados os elementos de suporte na experiência à Forma de produção, o elemento central deste modelo de operações.
Essa determinação (seleção e ou desenvolvimento) de elementos de suporte na experiência da Forma de produção é feita para todos os objetos componentes do objeto anÔlogo composto.
Quando todos os objetos anĆ”logos componentes do objeto anĆ”logo composto forem identificados e selecionados, a representação para a empiricidade objeto com ‘operar’ aceitĆ”vel como sendo o ‘operar’ atribuĆdo inicialmente, dentro de um critĆ©rio de aceitação, estĆ” pronta e Ć© incluĆda no Repositório onde permanece a tĆtulo precĆ”rio, atĆ© que uma outra representação para a mesma empiricidade objeto seja desenvolvida.
Ā
A operação de Instanciamento da representação acontece em duas situações:
Nesses dois casos a consulta ao repositório foi positiva no sentido de que jĆ” existe uma representação com ‘operar’ aceitĆ”vel tendo em vista o operar atribuĆdo Ć empiricidade objeto e um critĆ©rio de aceitação.
EntĆ£o, com essa resposta do repositório, o primeiro passo Ć© recuperar dele a representação nele existente cujo ‘operar’ serve ao ser comparado com o ‘operar’ atribuĆdo.
DĆ”-se a recuperação desde o repositório, da representação completa que ‘serve’ para a operação de Instanciamento em curso.
Na posição estrutural do ponto (i) depois da recuperação da representação que ‘serve’, tempos todas as propriedades dessa representação. E isso vale tambĆ©m para a posição estrutural do evento (f). A representação jĆ” existia no repositório.
A operação se desenvolve desencadeando os elementos de suporte na experiência da(s) Forma(s) de produção necessÔrias à representação recuperada do repositório.
Toda a operação transcorre no interior do Circuito das trocas, uma vez que durante toda a operação de Instanciamento da representação nĆ£o acontecem alteraƧƵes no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto, mas tĆ£o somente alteraƧƵes no estado em que a empiricidade objeto se encontra.
Ā
Nessa situação nĆ£o existe a possibilidade de cĆ”lculo, com propriedades da representação, da inserção calendĆ”rio do evento (f) a partir da inserção calendĆ”rio do evento (i). NĆ£o existe um fator K que permita esse cĆ”lculo – com propriedades da representação.
Toda a operação de Construção da representação transcorre no interior do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’, o espaƧo compreendido pelos dois retĆ¢ngulos um vermelho e outro amarelo. Ć nesse espaƧo do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’ que ocorrem as mudanƧas no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto cuja representação estĆ” em construção.
Ao final da operação de Construção da representação, na posição estrutural do evento (f), e com o sucesso da operação, passaram a existir, como consequĆŖncia da operação, as propriedades originais e constitutivas da representação que acaba de ser construĆda, e tambĆ©m as outras propriedades, as nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas, ou as “aparĆŖncias”.
Veja que a inserção calendĆ”rio do evento (f) que assinala o final da operação de Construção da representação nĆ£o depende dos tempos de desencadeamento dos elementos de suporte na experiĆŖncia da Forma de produção, porque esses elementos foram identificados, selecionados e quando necessĆ”rio desenvolvidos, mas somente atribuĆdos Ć Forma de produção e nĆ£o desencadeados.
O intervalo de tempo entre (i) e (f) nessa operação de construção da representação depende das operações de busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites; e essas operações não fazem parte da representação em construção, mas da operação de Construção da representação.
Assim, com propriedades da representação em construção, essas que acabam de ser obtidas com o sucesso da operação, nĆ£o Ć© possĆvel calcular a inserção calendĆ”rio do evento (i) a partir da inserção calendĆ”rio do evento (f) (ao contrĆ”rio do que ocorria sob o pensamento clĆ”ssico.
Esse tempo dos eventos (i) e (f) Ć© um tempo absoluto, aquele tempo em que as coisas existiram no absoluto como diz Foucault.
Não existe, então, um fator K que permita o cÔlculo da inserção calendÔrio de um evento a partir da inserção calendÔrio do outro, novamente ao contrÔrio do que acontecia sob o pensamento clÔssico.
A propriedade emergente para esta operação de Construção da representação Ć© PermanĆŖncia da representação construĆda no repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas em conformidade com as regras da lĆngua. Uma permanĆŖncia precĆ”ria e temporĆ”ria, mas permanĆŖncia.
Na operação de Construção da representação nĆ£o hĆ” Fluxos.Ā
Ā
Durante uma operação sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, ‘operar'(es) sĆ£o atribuĆdos a empiricidades objeto ou objetos anĆ”logos componentes de representaƧƵes em construção para empiricidades objeto.
Uma consulta Ć© feita ao repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua em uso.
A operação só deriva para o caminho do Instanciamento da representação caso essa consulta tenha resposta afirmativa: sim, jÔ existe no repositório representação (com suporte na experiência, portanto) para o operar em questão em dado ponto da operação.
A representação com suporte na experiência é então recuperada do repositório jÔ completa, com todas as suas propriedades sejam ou não originais e constitutivas.
Nessa situação, na posição estrutural do evento (i) de inicio da operação de Instanciamento, existem todas as propriedades da representação em instanciamento; essas propriedades quando na posição de (i) também existem na posição de (f).
EntĆ£o, dada a inserção calendĆ”rio do evento (i), Ć© possĆvel calcular, com propriedades da representação, a inserção calendĆ”rio do evento (f).
E com o sucesso da operação de instanciamento, na posição calendĆ”rio do evento (f), e com propriedades da representação em instanciamento, e possĆvel calcular a posição calendĆ”rio do evento (i).
Logo, existe um fator K tal que dada a inserção calendĆ”rio de um evento (i) ou (f), Ć© possĆvel calcular a posição calendĆ”rio do outro evento (f) ou (i).
Toda a operação de instanciamento transcorre no Circuito das trocas no interior do qual nĆ£o hĆ” alteração no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação.
Note que o intervalo de tempo entre (I) e (f) no caminho do Instanciamento da representação é função direta dos tempos dos elementos de suporte na experiência da Forma de produção.
⦠Os dois conceitos para o que seja ‘Classificar’, um para o pensamento de antes de 1775 e outro para o pensamento de depois de 1825
“Classificar, portanto,
nĆ£o serĆ” mais referir o visĆvel a si mesmo, encarregando
um de seus elementos de representar os outros;
serĆ”, num movimento que faz revolver a anĆ”lise, reportar o visĆvel ao invisĆvel, como Ć sua razĆ£o profunda, depois alƧar de novo dessa secreta arquitetura em direção aos seus sinais manifestos, que sĆ£o dados Ć superfĆcie dos corpos.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres
à muito claro que o uso de um ou de outro desses dois conceitos para Classificar durante o projeto e construção de um modelo de operações de qualquer natureza terÔ como resultado modelos completamente diferentes.
“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papĆ©is: estĆ”, ao mesmo tempo,
Esse fato – e nĆ£o se trata aĆ da essĆŖncia em geral do homem, mas pura e simplesmente desse a priori histórico que, desde o sĆ©culo XIX, serve de solo quase evidente ao nosso pensamento – esse fato Ć©, sem dĆŗvida, decisivo para o estatuto a ser dado Ć s āciĆŖncias humanasā, a esse corpo de conhecimentos (mas mesmo esta palavra Ć© talvez demasiado forte: digamos, para sermos mais neutros ainda, a esse conjunto de discursos) que toma por objeto o homem no que ele tem de empĆrico.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico: I. O Triedro dos saberes
A figura ao lado dÔ acesso a uma animação que mostra a ideia desses dois papéis na estrutura da operação, com os respectivos elementos de imagem.
A relação entre os modelos constituintes das ciências que compõem o eixo epistemológico fundamental e o modelo constituinte composto de qualquer Ciência humana
A referĆŖncia Ć© “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas;
tópico I – O Triedro dos saberes.”
Nesse capĆtulo estĆ” uma orientação sobre como pensar as coisas a partir dos pares constituintes das ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
Ć evidente que Ć© muito mais fĆ”cil pensar um modelo do segmento DIANTE do objeto em que esteja em questĆ£o, por exemplo, o trabalho, no domĆnio da Economia, pensando a partir do respectivo par constituinte (conflito-regra); ou mesmo um modelo no domĆnio da Biologia pelo respectivo par constituinte (função-norma).
E a familiaridade do pensamento com tais pares constituintes abre o caminho para pensar modelos em que o modelo constituinte é uma combinação dos três pares constituintes.
Para Michel Foucault os modelos constituintes de modelos que integram esses pares constituintes sĆ£o como que “categorias” para as ciĆŖncias humanas
A referĆŖncia Ć© “As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. X – As ciĆŖncias humanas; tópico III – os trĆŖs modelos.”
Nesse capĆtulo estĆ” uma orientação sobre como pensar as coisas a partir dos pares constituintes das ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
Ć evidente que Ć© muito mais fĆ”cil pensar um modelo do segmento DIANTE do objeto em que esteja em questĆ£o, por exemplo, o trabalho, no domĆnio da Economia, pensando a partir do respectivo par constituinte (conflito-regra); ou mesmo um modelo no domĆnio da Biologia pelo respectivo par constituinte (função-norma).
E a familiaridade do pensamento com tais pares constituintes abre o caminho para pensar modelos em que o modelo constituinte é uma combinação dos três pares constituintes.
Para Michel Foucault os modelos constituintes de modelos que integram esses pares constituintes sĆ£o como que “categorias” para as ciĆŖncias humanas
O espectro de modelos com os segmentos
AQUĆM, DIANTE e para ALĆM do objeto
em função da relação modelo X objeto
– espectro esse depreendido do pensamento de Michel Foucault,
relação modelos constituintesĀ
das CH X modelos constituinte das ciências da região epistemológica fundamental
modelos sem espaƧo para o par sujeito-objeto,Ā
modelos com espaƧo para o par sujeito-objeto
Indo da esquerda para a direita nas quatro figuras acima,
modelos sem espaƧo para o objeto, e tambƩm para o sujeito
modelos com espaƧo para o objeto, e para o sujeito
operaƧƵes ocorrem no interior do
lugar onde o modo de ser fundamental do que quer que seja objeto da operação, não muda.
operaƧƵes ocorrem no interior do
lugar onde o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação muda.
operaƧƵes ocorrem no interior do
uma vez que o modo de ser fundamental da empiricidade objeto da operação não se altera.
Note que a organização de todo o espectro de modelos de operaƧƵes Ć© tambĆ©m função do conceito ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto’, ou história, se entendido com o sentido de elemento organizador da história que Michel Foucault dĆ” a ele.
Isso porque Ć© a possibilidade ou nĆ£o de mudanƧa no ‘modo de ser fundamental da empiricidade objeto o que define o lugar onde a operação ocorre:
Veja o que Foucault diz sobre esse conceito:
“Mas vĆŖ-se bem que a História nĆ£o deve ser aqui entendidaĀ como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆram; ela Ć© o
modo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elasĀ sĆ£o afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber paraĀ eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis. Assim como a Ordem noĀ pensamento clĆ”ssico nĆ£o era a harmonia visĆvel das coisas, seu ajustamento,Ā sua regularidade ou sua simetria constatados, mas o espaƧo próprio deĀ seu ser e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabeleciaĀ no saber, assim tambĆ©m a História, a partir do sĆ©culo XIX, define o lugar de nascimento do que Ć© empĆrico, lugar onde, aquĆ©m de toda cronologiaĀ estabelecida, ele assume o ser que lhe Ć© próprio.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VII – Os limites da representação; tópico I. A idade da história;Ā
Modelos altamente complexos como sĆ£o os habitantes do espaƧo interior do Triedro dos saberes como os da Sociologia, da Psicologia, da PolĆtica, ou da AnĆ”lise da produção tĆŖm sido analisados sem antes ter a familiaridade com modelos no segmento DIANTE do objeto pertencentes aos domĆnios das ciĆŖncias da regiĆ£o epistemológica fundamental, levando em conta os pares de modelos constituintes das ciĆŖncias:
E podemos mostrar que, em muitos casos, essa anĆ”lise tem sido feita tendo como paradigma para o que sejam operaƧƵes o paradigma de modelos do segmento AQUĆM do objeto. Ć que quando o alinhamento filosófico Ć© deixado de lado, o nosso pensamento funciona com o entendimento com o qual estĆ” configurado desde sempre e de modo pouco consciente.
Isso quando acontece, corresponde a um evidente desalinhamento epistemológico e certamente não produz bons resultados.
A forma de reflexão adotada na anÔlise desses modelos das ciências humanas precisa ser:
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V – O “cogito” e o impensado, de Michel Foucault
Note que essa forma de reflexão só se sustenta pelo par sujeito-objeto; note ainda que uma grande parte dos modelos de operações atualmente em uso não têm espaço em suas estruturas para essas duas ideias, ou elementos de imagem. Isso tem como resultado que o projetista de modelos usando a forma de reflexão do pensamento clÔssico, acaba por introduzir outras ordens além da ordem arbitrÔria selecionada, o que diminui a qualidade de informação que o modelo sendo projetado pode oferecer.
Em resumo, o conceito do que seja ‘trabalho’:
isto Ć©, o conceito somente contempla o primeiro dos componentes incluĆdos no conceito de Ricardo.
A reforma de previdĆŖncia trata:
A figura ao lado mostra alguns modelos para operaƧƵes, e para organizaƧƵes, inclusive:
mostrando que nos modelos consistentes com o pensamento moderno os dois componentes do PrincĆpio dual de trabalho de David Ricardo estĆ£o imbricados.
Referências sobre fundamentos filosóficos do Liberalismo
As obras de Locke como filósofo são da segunda metade do século XVII, e entre elas e o Riqueza das Nações de Adam Smith hÔ algo como um século.
Falando sobre a descontinuidade epistemológica em nossa cultura, situada por ele entre 1775 e 1825, Michel Foucault diz o seguinte:
“Os Ćŗltimos anos do sĆ©culo XVIII sĆ£o rompidos por uma descontinuidade simĆ©trica Ć quela que, no comeƧo do sĆ©culo XVII, cindira o pensamento do Renascimento; entĆ£o, as grandes figuras circulares em que se encerrava a similitude tinham-se deslocado e aberto para que o quadro das identidades pudesse desdobrar-se; e esse quadro agora vai por sua vez desfazer-se, alojando-se o saber num espaƧo novo.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; cap. VII – Os limites da representação; tópico I. AĀ idade da história
Discorrendo sobre os achados e as dificuldades que enfrentou ao longo do trabalho nesse livro, Foucault diz o seguinte:
“Eis que nos adiantamosĀ bem para alĆ©m do acontecimento histórico que se impunha situar – bem para alĆ©m das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade, a epistĆ©mĆŖ do mundo ocidentalĀ e isola para nós o comeƧo de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.Ā
à que o pensamento que nos é contemporâneo e com o qual, queiramos ou não, pensamos, se acha ainda muito dominado
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. VII – As novas empiricidades; tópico I – A idade da história
Examinando a cronologia bĆ”sica da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, vĆŖ-se que Adam Smith e David Ricardo estĆ£o de lados opostos da fase de ruptura dessa descontinuidade no entendimento do mundo e das coisas.Ā
HĆ”, entre esses dois autores, diferenƧas profundas no entendimento, por exemplo, do que seja trabalho.Ā
Vendo agora o perĆodo de vida de Locke, todo ele durante o sĆ©culo XVII com publicaƧƵes concentradas na segunda metade, vĆŖ-se a distĆ¢ncia em tempo existente entre o pensamento dele e o de Ricardo.Ā
A principal diferenƧa especificamente entre Adam Smith e David Ricardo – no pensamento de Michel Foucault – Ć© a capacidade de Ricardo em seu princĆpio dual de trabalho, de dar conta daquela atividade que estĆ” na origem do valor das coisas. VocĆŖ pode ver a importĆ¢ncia de David Ricardo e pode ver tambĆ©m as diferenƧas entre os pensamentos dele e de Adam Smith, nas palavras de Michel Foucault.
Mas no que respeita aos entendimentos de antes e de depois desse evento, Foucault descreve vƔrias outras diferenƧas entre as quais destaco:
Usando o pensamento de Foucault, e entendendo essas caracterĆsticas dos dois pensamentos, quem cita Adam Smith e David Ricardo como referĆŖncias do Liberalismo certamente nĆ£o fez um alinhamento filosófico do modo como pensa. E uma doutrinaĀ econĆ“mica que tome como base um e outro desses autores, com certeza resultarĆ” em ‘ismos’ essencialmente diferentes.
Discursos de economistas – anĆ”lises conjunturais, tendĆŖncias, tĆŖm como objeto operaƧƵes no campo da economia.
Ć possĆvel dizer coisa semelhante para o que dizem cientistas polĆticos.
Mas com que modelo de operações esses discursos são proferidos. E nesses modelos, em que espaço exatamente estão as operações objeto desses discursos.
Esse modelo relacional tem como elemento central Projeto, (atividade, tasks), o mesmo modelo central dos sistemas baseados na estrutura Input-Output.
Processo, nessa posição estrutural, é um verbo do tipo clÔssico. Veja a funcionalidade desse tipo de verbo aqui.
Usando a função de ler e escrever de e para um banco de dados, criamos em um banco de dados:
O aplicativo permite construir a operação de instanciamento de um objeto anteriormente projetado. O operador seleciona o elemento componente da estrutura analĆtica, e associa a ele a Forma de produção capaz de executĆ”-lo naquele ambiente, e a autonomia gerencial que terĆ” isso a seu cargo.
A geração do modelo de operaƧƵes Ć© automĆ”tico e rigorosamente construĆdo levando em conta as regras gramaticais que tĆŖm a Forma de produção como elemento central. Veja a funcionalidade desse tipo de verbo aqui.
Proposição
COMO
Exemplo de Forma de produção presente no repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua. HĆ” uma Forma de produção semelhante para cada uma das linhas da EAN – Estrutura AnalĆtica cujo modelo de operação se deseja gerar.

Ambiente de onde sĆ£o importadosĀ
os recursos e insumos de todos os tipos,
consumidos durante o Instanciamento
Circuito das trocasĀ
operação inteiramente no interior do
DomĆnio do Discurso e da Representação
Circuito das trocasĀ
operação inteiramente no interior do
DomĆnio do Discurso e da Representação
Representação da empiricidadeĀ
objeto da operação de Instanciamento
recuperada do Repositório, antes da operação
Representação da empiricidadeĀ Ā
objeto da operação de Instanciamento
recuperada do Repositório, depois da operação
Propriedades da empiricidadeĀ
objeto da operação de Instanciamento
idênticas às da representação recuperada do Repositório,
antes da operação
Propriedades da empiricidadeĀ Ā
objeto da operação de Instanciamento
idênticas às da representação recuperada do Repositório,
depois da operação
Operação de instanciamento de representação
de empiricidade objeto pré-existente no Repositório
(sem alteração no modo de ser fundamental da empiricidade)
Processos, atividades, tasks
suporte da Forma de produção
desencadeados durante a operação de instanciamento
Operação de instanciamento ocorre
sem alteração no modo de ser fundamental
da empiricidade objeto

Propriedades da empiricidade objeto
sim e não originais constitutivas
(inexistentes antes da operação)
Propriedades da empiricidade objeto
sim e não originais constitutivas
(existentes depois da operação)Ā
Exemplos de modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes sem a possibilidade de fundar as sĆnteses (do objeto das operaƧƵes) no espaƧo da representação e com ponto de inserção da anĆ”lise de operaƧƵes no cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca
Exemplos de modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes no pensamento moderno, e assimĀ Ā com a possibilidade de fundar as sĆnteses (do objeto das operaƧƵes) no espaƧo da representação e com ponto de inserção da anĆ”lise de operaƧƵes antes do cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca
O espaƧo interior do Triedro dos saberes – habitat das ciĆŖncias humanas, com modelos situados no espectro de modelos no segmento para alĆ©m do objeto
Assim, estes trĆŖs pares,
cobrem, por completo, o domĆnio inteiro do conhecimento do homem.Ā
Mas, qualquer que seja a natureza da anĆ”lise e o domĆnio a que ela se aplica, tem-se um critĆ©rio formal para saber o que Ć©
é a escolha do modelo fundamental e a posição dos modelos secundÔrios que permitem saber em que momento
Mas essa superposição de modelos nĆ£o Ć© um defeito de mĆ©todo.Ā
Só hÔ defeito se os modelos não forem ordenados e explicitamente articulados uns com os outros.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo XĀ ā As ciĆŖncias humanas;
Ā III. Os trĆŖs modelos
Michel FoucaultĀ
NĆ£o hĆ” modelos constituintes nesta faixa do espectro,Ā jĆ” que nada Ć© constituĆdo na existĆŖnciaĀ durante as operaƧƵes;
Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
existem desde sempre e para sempre,
e integram o Universo em uma visão única.
Existem mĆŗltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inĆŗmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possĆveis de serem selecionadas.
Nada Ć© constituĆdo na existĆŖncia como resultado das distinƧƵes feitas durante as operaƧƵes nesta faixa do espectro.
No eixo epistemológico fundamental – ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem, a modelagem em cada Ć”rea do saber pode ser feita com um modelo constituinte especĆfico e próprio de cada uma delas:
No que Foucault chama de ‘RegiĆ£o epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes sĆ£o compostos por pares constituintes, próprios a cada regiĆ£o do saber ou Ć”rea do conhecimento em que o modelo Ć© feito:
função-norma;
conflito-regra;
CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
significação-sistema.
No campo das ciĆŖncias humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica.Ā
Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências
O Modelo constituinteĀ de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© uma combinação – ponderada pelo projetista de modelos.
O modelo composto Ć© uma combinação dos trĆŖs pares de modelos constituintes:Ā
+
CiĆŖncias do trabalho (Economia):
conflito-regra;
+
CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
significação-sistema.
Sob ciĆŖncias humanas como:
estão modelos compostos, que são combinações ponderadas dos três pares de modelos constituintes das ciências integrantes do eixo epistemológico fundamental.
Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.
Encontra-seĀ
Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.
Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆvel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆram;
ela Ć©
o modo de ser fundamental
das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
[veja citação 2 à esquerda]
A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.
Qual serÔ a explicação para isso?
Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’?
Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?
3assim também a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o
lugar de nascimento
do que Ć© empĆrico,
lugar onde,
aquƩm
de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VII ā Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ
Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.
Encontra-seĀ
Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.
Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆvel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆram;
ela Ć©
o modo de ser fundamental
das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
[veja citação 2 à esquerda]
assim também a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o
lugar de nascimento
do que Ć© empĆrico,
lugar onde,
aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.
A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.
Qual serÔ a explicação para isso?
Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’?
Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VII ā Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ
A intenção com este estudo é buscar no pensamento de Michel Foucault,
Ā – com foco no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ – subsĆdios para responder ao seguinte tipo de questƵes:
Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.
Encontra-seĀ
Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.
Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆvel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆram;
ela Ć©
o modo de ser fundamental
das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
[veja citação 2 à esquerda]
A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.
Qual serÔ a explicação para isso?
Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’?
Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?
3assim também a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o
lugar de nascimento
do que Ć© empĆrico,
lugar onde,
aquƩm
de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VII ā Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ
A intenção com este estudo Ć© buscar no pensamento de Michel Foucault, Ā – com foco no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’ – subsĆdios para responder ao seguinte tipo de questƵes:
Os dois obstƔculos, as duas pedras de tropeƧo no caminho,
encontradas por Foucault durante seu trabalho no livro
‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’
exemplos de modelos de operações e de organizações muito usados ainda hoje, mostrando esses dois obstÔculos presentes entre nós atualmente.
“Eis que nos adiantamos
bem para além do acontecimento histórico
que se impunhaĀ situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas dessa ruptura
que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo de certa
maneira moderna deĀ conhecer as empiricidades.
à que o pensamento que nos é contemporâneo
e com o qual, queiramos ou não, pensamos,
se acha ainda muito dominado
1 pelaĀ impossibilidade,Ā
trazida Ć luz por voltaĀ
do fim do sĆ©culo XVIII,Ā
deĀ fundar as sĆnteses
no espaço da representação:
2 e pela obrigaçãoĀ
correlativa, simultĆ¢nea,Ā
mas logo dividida contra si mesma,Ā
deĀ abrir o campo transcendental da subjetividadeĀ e de constituir inversamente,Ā
para alĆ©m do objeto,Ā
esses āquase-transcendentaisāĀ
que sĆ£o para nósĀ
aĀ Vida, oĀ Trabalho, aĀ Linguagem.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VIII – Trabalho, vida e linguagem;
tópico I – As novas empiricidades
no pensamento clƔssico
aquƩm do objeto
antes de 1775
no pensamento moderno
diante do objeto
depois de 1825
espaƧo interior
Triedro dos saberes
para alƩm do objeto
reservado Ć s
CiĆŖncias humanas
Os obstĆ”culos no caminho de FoucaultĀ
aquƩm do objeto
diante do objeto
para alƩm do objeto
0 Foucault havia anteriormente identificado o perfil do pensamento no perĆodo clĆ”ssico, com uma configuração tal que a capacidade (ou a possibilidade – e mesmo a intenção) de fundar as sĆnteses – dos objetos de operaƧƵes cujas representaƧƵes resultassem dessas operaƧƵes – no espaƧo da representação nĆ£o era sequer cogitada:
e principalmente, em razĆ£oĀ
1 Michel Foucault relata a seguinte situação:
para conseguir fundar as sĆnteses no espaƧo da representação,
e a leitura feita do que seja uma operação e a anÔlise de valor, exigiram:
incorporando Ć anĆ”lise, a operação de construção da representação nova.Ā
E ele havia percebido que esse pensamento com o qual queiramos ou não pensamos
2 Ele percebia ainda uma obrigação a cumprir:
Ele descobre que operaƧƵes nos domĆnios das ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem podem ser expressos completamente em cada domĆnio, por pares de modelos constituintes:
e que os modelos constituintes das Ciências humanas são sempre compostos por uma combinação desses três pares de modelos constituintes.
O Modelo constituinteĀ de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© sempre uma combinação dos modelos constituintes das:
+
CiĆŖncias do trabalho (Economia):
[conflito-regra];
+
CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
[significação-sistema].
Podemos ver a atualidade dessa percepção de Foucault
com Exemplos de modelos para operaƧƵes e organizaƧƵes
construĆdos sobre estruturas de conceitos
uns que não permitem, e outros que ao contrÔrio sim permitem
a fundação das sĆnteses (do objeto das operaƧƵes) no espaƧo da representação.
Veja isso aqui.
Os tratamentos dados ao homem em nossa cultura, no pensamento clĆ”ssico e no moderno, segundo Michel Foucault;Ā
e as ideias – ou elementos de imagem – requeridos para compor estruturalmente modelos de operaƧƵes e modelos de organizaƧƵes
com os respectivos tratamentos dados ao homem
“Instaura-se
uma forma de reflexão
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão
segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado,
e com ele se articula.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IXĀ ā O homem e seus duplos;
V. O cogito e o impensado
Michel FoucaultĀ
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
“No pensamento clĆ”ssico,
aquele para quem
a representação existe,
e que nela se representa a si mesmo,
aĆ se reconhecendo
por imagem ou reflexo,
aquele que trama
todos os fios entrecruzados
da ārepresentação em quadroā -,
esse [o ser do homem]
jamais se encontra lĆ” presente.
Antes do fim do século XVIII,
o homem não existia.
Sem dĆŗvida,
as ciĆŖncias naturais
trataram do homem comoĀ
a discussão
sobre o problema das raƧas,
no sƩculo XVIII, o testemunha.
A gramƔtica e a economia,
por outro lado, utilizavam noƧƵes como as de necessidade,
de desejo,
ou de memória
e de imaginação.”
Mas não havia
consciência epistemológica
do homem como tal.
“Antes do fim do sĆ©culo XVIII,
o homem nĆ£o existia.”
“O modo de ser do homem,
tal como se constituiu
no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ”, ao mesmo tempo,
Esse fato
– e nĆ£o se trata aĆ
da essĆŖncia em geral do homem,
mas pura e simplesmente
desse a priori histórico que,
desde o sƩculo XIX,
serve de solo quase evidente
ao nosso pensamento –
esse fato Ć©, sem dĆŗvida, decisivo
para o estatuto a ser dado
Ć s āciĆŖncias humanasā,
a esse corpo de conhecimentos
(mas mesmo esta palavra
Ć© talvez demasiado forte:
digamos,
para sermos mais neutros ainda,
a esse conjunto de discursos)
que toma por objeto o homem
no que ele tem de empĆrico.”
Ć possĆvel pensar as condiƧƵes em que se dĆ” a subjetividade de um ‘homem’ tratado como espĆ©cie, ou gĆŖnero?
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IX ā O homem e seus duplos;
II. O lugar do rei
Michel FoucaultĀ
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo XĀ ā As ciĆŖncias humanas;
Ā I. O triedro dos saberes
Michel FoucaultĀ
Veja o ponto “2. as possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes de troca’ e respectivas possibilidades de anĆ”lise de valor que elas nos permitem fazer”
Parece ser a opção de leitura da ‘operação de troca’ deslocada para um ponto antes das existĆŖncia dos objetos da troca o que arrasta o ser do homem e cada objeto da troca para a Forma de reflexĆ£o que se instaura em nossa cultura.
As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆcio da leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ – de qualquer tipo – e a anĆ”lise das diferentes origens do valor carregado pelas proposiƧƵes para as representaƧƵes em função da inserção do ponto de inĆcio de leitura de ‘operaƧƵes’;Ā
Note-se que as condiƧƵes para a ocorrĆŖncia da troca – a existĆŖncia simultĆ¢nea dos dois objetos de troca, o que Ć© dado e o que Ć© recebido – sĆ£o satisfeitas em duas situaƧƵes:
Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as prĆ©-condiƧƵes para a ocorrĆŖncia da troca sĆ£o dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clĆ”ssico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.
A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IVĀ ā Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel FoucaultĀ
(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam
jĆ” carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VI ā Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ
A origem do valor carregado pelo veĆculo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porĆ©m em linguagens essencialmente diferentes e representaƧƵes com origens de valor distintas.
“Valer, para o pensamento clĆ”ssico,
Ć© primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.
A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.
Ora, a troca Ʃ um fenƓmeno simples
apenas na aparĆŖncia.
Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.
Num sentido, Ć© preciso, pois,
que as coisas permutƔveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.
Mas, por outro lado,
Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam
jĆ” carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação
isto Ć©, no interior
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VI ā Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ
O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operação’: no ato mesmo da troca; ou anterior Ć troca, na criação das condiƧƵes de troca
“DaĆ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:
1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;
3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto Ć©, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas Ć s outras; o verbo, tornando possĆveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde Ć troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preƧo pelo qual sĆ£o cedidas;
2 outra analisa-o
como anterior Ć troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.
4 a outra forma de anĆ”lise, a linguagem estĆ” enraizadaĀ
fora de si mesma e como que
a raiz, o primeiro grito que dera nascimento Ć s palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde Ć formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recĆprocas da necessidade.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VI ā Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ
Esta segunda leitura para ‘operaƧƵes’
– que orienta a anĆ”lise de valor
desde antes do momento da troca -,
nĆ£o Ć© possĆvel sem a presenƧa do homem
na estrutura dos modelos.
Isso fica bastante claro com a descrição da forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
mostrados nos modelos de operaƧƵes
As caracterĆsticas das duas configuraƧƵes do pensamento:
caracterĆsticas de caracterĆsticas, ou caracterĆsticas de segunda ordem,
das configuraƧƵes do pensamento em cada caso.
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
“Instaura-se
uma forma de reflexão
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão
segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado,
e com ele se articula.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IXĀ ā O homem e seus duplos;
V. O cogito e o impensado
Michel FoucaultĀ
“Assim o cĆrculo se fecha.
VĆŖ-se, porĆ©m, atravĆ©s de qual sistema de desdobramentos.Ā
As semelhanƧas exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se nĆ£o fosse legivelmente marcada.Ā
Mas que sĆ£o esses sinais?Ā
Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,Ā
no qual convĆ©m se deter, porque ele indica uma secreta e essencial semelhanƧa?Ā
Que forma constitui o signo no seu singular valor de signo?Ā
Ele significa na medida em que tem semelhanƧa com o que indica (isto Ʃ, com uma similitude).
Contudo, nĆ£o Ć© a homologia que ele assinala, pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que Ć© signo; trata-se de outra semelhanƧa, uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, Ć© patenteada por uma terceira.Ā
Toda semelhanƧa recebe uma assinalação; essa assinalação, porĆ©m, Ć© apenas uma forma intermediĆ”ria da mesma semelhanƧa. De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o cĆrculo das similitudes, um segundo cĆrculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se nĆ£o fosse esse pequeno desnĆvel que faz com queĀ
que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ
A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”
De sorte que se vĆŖem surgir,
como princĆpios organizadores
desse espaƧo de empiricidades,Ā
de uma organização a outra,
o liame, com efeito,
não pode mais ser
a identidade de um
ou vƔrios elementos,
mas a identidade
da relação entre os elementos
(onde a visibilidade
não tem mais papel)
e da função que asseguram;
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham
por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, não é porque ocupem
localizações próximas
num espaço de classificação,
mas sim porque
foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra
no devir das sucessƵes.
Enquanto, no pensamento clƔssico,
a seqüência das cronologias
não fazia mais que percorrer
o espaƧo prƩvio e mais fundamental
de um quadro
que de antemão apresentava
todas as suas possibilidades,
doravante
as semelhanças contemporâneas
e observƔveis simultaneamente
no espaço não serão mais que
as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede
de analogia em analogia.
A ordem clƔssica
distribuĆa num espaƧo permanente
as identidades
e as diferenças não-quantitativas
que separavam e uniam as coisas:
era essa a ordem
que reinava soberanamente,
mas a cada vez
segundo formas e leis
ligeiramente diferentes,
sobre o discurso dos homens,
o quadro dos seres naturais
e a troca das riquezas.
A partir do sƩculo XIX,
a História
vai desenrolar
numa sƩrie temporal
as analogias
que aproximam umas das outras
as organizaƧƵes distintas.
à essa História que,
progressivamente,
imporĆ” suas leis
A História dÔ lugar
às organizações analógicas,
assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades
e das diferenƧas sucessivas.
Essa forma de reflexão surgida serÔ decorrência da segunda leitura do que seja uma operação de troca e portanto não pode prescindir do homem e do objeto?
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo II ā A prosa do mundo;
II. As assinalaƧƵes
Michel FoucaultĀ
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ
os lugares onde ocorrem as operaƧƵes:Ā
Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades nĆ£o muda.
Encontra-seĀ
Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico: lugar onde ocorrem operaƧƵes nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.
Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, e apenas no caminho da Construção da representação
‘modo de ser fundamental das empiricidades’ Ć© o conceito chave aqui.
No pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775, pelos pressupostos adotados, Ć© impossĆvel definir o que seja ‘modo de ser fundamental’ de empiricidades cuja definição escapa ao escopo destas operaƧƵes.
Estas operações transcorrem no interior do Circuito das trocas, a chave amarela horizontal, lugar onde não hÔ alteração no modo como as coisas se apresentam à operação.
No pensamento moderno, o de depois de 1825, pelos pressupostos adotados Ć© sim possĆvel definir o que seja ‘modo de ser fundamental’ de empiricidades objeto da operação de Construção da representação que, se nova nesse domĆnio e ambiente, Ć© o próprio escopo destas operaƧƵes.
OperaƧƵes no caminho da Construção da representação transcorrem no interior do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’, as chaves coloridas verticais, em um espaƧo que engloba os lugaresĀ desde onde se fala e do falado. O sucesso dessas operaƧƵes altera ‘o modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto, e com isso, faz-se História.
No pensamento moderno, o de depois de 1825, em uma operação de Instanciamento de representação objeto cuja construção da representação foi anteriormente feita e incorporada ao Repositório, a representação objeto de Instanciamento é recuperada do Repositório.
Assim, a operação de Instanciamento nĆ£o altera o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto de instanciamento.
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
2Assim como a Ordem
no pensamento clƔssico
não era
a harmonia visĆvel
das coisas,
seu ajustamento,
sua regularidade
ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que,
antes de todo
conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
1″Mas vĆŖ-se bem
que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆram;
ela Ć©
o modo de ser fundamental
das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
para eventuais conhecimentos
e para ciĆŖncias possĆveis.
3 assim tambƩm
a História,
a partir do sƩculo XIX,
define o
lugar de nascimento
do que Ć© empĆrico,
lugar onde,
aquƩm
de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser
que lhe é próprio.
A referĆŖncia ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado Ć© uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou tĆ©cnica.
Qual serÔ a explicação para isso?
Por que praticamente ninguĆ©m fala no ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’?
Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VII ā Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ
os princĆpios organizadores dos modelos de operaƧƵes que fazemos
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
“Assim o cĆrculo se fecha.
VĆŖ-se, porĆ©m, atravĆ©s de qual sistema de desdobramentos.Ā
As semelhanƧas exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se nĆ£o fosse legivelmente marcada.Ā
Mas que sĆ£o esses sinais?Ā
Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,Ā
no qual convĆ©m se deter, porque ele indica uma secreta e essencial semelhanƧa?Ā
Que forma constitui o signo no seu singular valor de signo?Ā
Ele significa na medida em que tem semelhanƧa com o que indica (isto Ʃ, com uma similitude).
Contudo, nĆ£o Ć© a homologia que ele assinala, pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que Ć© signo; trata-se de outra semelhanƧa, uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, Ć© patenteada por uma terceira.Ā
Toda semelhanƧa recebe uma assinalação; essa assinalação, porĆ©m, Ć© apenas uma forma intermediĆ”ria da mesma semelhanƧa. De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o cĆrculo das similitudes, um segundo cĆrculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se nĆ£o fosse esse pequeno desnĆvel que faz com queĀ
que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ
A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”
De sorte que se vĆŖem surgir,
como princĆpios organizadores
desse espaƧo de empiricidades,Ā
de uma organização a outra,
o liame, com efeito,
não pode mais ser
a identidade de um
ou vƔrios elementos,
mas a identidade
da relação entre os elementos
(onde a visibilidade
não tem mais papel)
e da função que asseguram;
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham
por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, não é porque ocupem
localizações próximas
num espaço de classificação,
mas sim porque
foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra
no devir das sucessƵes.
Enquanto, no pensamento clƔssico,
a seqüência das cronologias
não fazia mais que percorrer
o espaƧo prƩvio e mais fundamental
de um quadro
que de antemão apresentava
todas as suas possibilidades,
doravante
as semelhanças contemporâneas
e observƔveis simultaneamente
no espaço não serão mais que
as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede
de analogia em analogia.
A ordem clƔssica
distribuĆa num espaƧo permanente
as identidades
e as diferenças não-quantitativas
que separavam e uniam as coisas:
era essa a ordem
que reinava soberanamente,
mas a cada vez
segundo formas e leis
ligeiramente diferentes,
sobre o discurso dos homens,
o quadro dos seres naturais
e a troca das riquezas.
A partir do sƩculo XIX,
a História
vai desenrolar
numa sƩrie temporal
as analogias
que aproximam umas das outras
as organizaƧƵes distintas.
à essa História que,
progressivamente,
imporĆ” suas leis
A História dÔ lugar
às organizações analógicas,
assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades
e das diferenƧas sucessivas.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo II ā A prosa do mundo;
II. As assinalaƧƵes
Michel FoucaultĀ
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VII – Os limites da representação;
I. A idade da história
Michel FoucaultĀ
os lugares contidos dentro do ‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico’:
consistentes com os blocos do ‘operar‘ e do ‘suporte ao operar‘ de Humberto Maturana
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
Lugar desde onde se fala
Lugar do falado
sĆ£o sub-espaƧos do Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico o que implica que o pensamento estĆ” funcionando com o entendimento do pensamento moderno, o de depois de 1825, a coluna ao lado, portanto.
todo o espaƧoĀ corresponde, no LE da figura, ao domĆnio todo em que ocorrem as operaƧƵes sob o pensamento clĆ”ssico, a saber, o domĆnio do Discurso e da Representação.
A leitura do que sejam Operações sob o entendimento no pensamento clÔssico pressupõe o ponto de inserção para anÔlise no exato cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca, cuja condição de possibilidade estÔ, desse modo, dada.
Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico: espaƧo ocupado por:
O Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico, como o nome sugere, estĆ” situado antes do circuito das trocas, e em seu interior ocorre a construção de representação nova.
Essa visão do que sejam operações corresponde à leitura de operações, ou visão desse fenÓmeno como desde um ponto de inserção anterior à troca
Lugar desde onde se fala
As ideias ou elementos de imagem que estão envolvidas na formulação da proposição estão contidas no espaço chamado de Lugar desde onde se fala:
Esse espaƧo coincide com o espaƧo chamado por Humberto Maturana de ‘operar’, o retĆ¢ngulo vermelho na figura ao lado, parte do Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico, mas no interior do domĆnio do Pensamento e da LĆngua.
Lugar do falado
As ideias ou elementos de imagem que estão envolvidos na sustentação da Forma de produção na experiência estão no lugar do falado:
A operação de construção da representação escolhe os elementos de suporte na experiĆŖncia Ć Forma de produção, que deve ser capaz de produzir quando implementada, uma instĆ¢ncia da representação com o operar vislumbrado – ou o mais próximo disso possĆvel. Humberto Maturana chama esse espaƧo de ‘suporte ao operar’, o retĆ¢ngulo amarelo na figura ao lado.Ā
O Lugar do falado Ć© parte do Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico, mas suas ideias – ou elementos de imagem – fazem parte do domĆnio do Discurso e da Representação.
“Ć preciso, portanto,
tratar esse verbo
como um ser misto,
ao mesmo tempo
palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
Ć s leis de regĆŖncia
e de concordância;
e depois,
em recuo em relação a elas todas,
numa região que
não é
aquela do falado
mas aquelaĀ
donde se fala.
Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que Ć© dito
e aquilo que se diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault
HĆ” correspondĆŖncias que precisam ser anotadas, entre elas:
Processo e Mercado são os conceitos largamente utilizados;
e ao mesmo tempo nĆ£o se ouve falarĀ
como ideias – ou elementos de imagem – em modelos de operaƧƵes e organizaƧƵes
no pensamento clƔssico
aquƩm do objeto
antes de 1775
no pensamento moderno
diante do objeto
depois de 1825
espaƧo interior Triedro dos saberes
para alƩm do objeto
reservado Ć s CiĆŖncias humanas
entendido sob o primeiro conceito de verbo explicado por Michel Foucault, como elemento gerador de um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, que o mais que faz é indicar a coexistência de duas representações.
entendida sob o segundo conceito de verbo explicado por Michel Foucault, tratado como um ser misto, inicialmente palavra entre palavras, preso às mesmas regras às mesmas regras, obedecendo como elas às mesmas leis de regência e concordância, e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado, mas aquela donde se fala.
a formulação para alĆ©m do objeto associa o sistema cujo resultado Ć© o produto, aquilo que se quer obter, com o instrumento imprescindĆvel para obtĆŖ-lo.
Em um pensamento mĆ”gico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mĆ”gica de condĆ£o’ –Ā Ā Ć© possĆvel desejar algo e, sem mais nada, vĆŖ-lo surgir Ć nossa frente depois do Plin!!!Ā
Num ambiente de produção real, porĆ©m, nada Ć© produzido sem um instrumento com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS Ć© isso: a modelagem das operaƧƵes de produção do objeto desejado juntamente com as operaƧƵes de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fĆ”brica, subindo um nĆvel estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção
o significado/tratamento atribuĆdo ao que seja um ‘Verbo’;
para o antes e para o depois da descontinuidade epistemológica
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
AquƩm do objeto
Verbo como
Processo
“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā
a do verde
e da Ɣrvore,
a do homem
e da existĆŖncia
ou da morte;Ā
Ć© por isso que
o tempo dos verbos
não indica
aquele [tempo]
em que as coisas existiram
no absoluto,
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.”
Diante e AlƩm do objeto
Verbo como
Forma de produção
“Ć preciso, portanto,
tratar esse verbo
como um ser misto,
ao mesmo tempo
palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
Ć s leis de regĆŖncia
e de concordância;
e depois,
em recuo em relação a elas todas,
numa região que não é
aquela do falado
mas aquela
donde se fala.
Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que Ć© dito
e aquilo que se diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.”
Dadas as grandes diferenƧas entre esses dois conceitos e tratamentos consequentes, para o que seja um ‘Verbo’, e a total consistĆŖncia entre o segundo conceito/tratamento e ‘Forma de produção’
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault
o significado/tratamento atribuĆdo ao que seja um ‘Classificar’;
para o antes e para o depois da descontinuidade epistemológica
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
AquƩm
do objeto
‘Classificar’
no pensamento clƔssico
AquƩm do objeto,
isto Ć©,
no pensamento filosófico Classico
o de antes de 1775
nessa faixa do espectro de modelos
que o pensamento de Michel Foucault permite desenhar
“Classificar
Ć© referir
encarregando um dos elementos
de representar os outros.”
Diante e AlƩm
do objeto
‘Classificar’
no pensamento moderno
Diante, e AlĆ©m do objeto,Ā
isto Ć©,Ā
no pesamento filosófico moderno,
o de depois de 1825
nessa faixa do espectro de modelosĀ
que o pensamento de Michel Foucault permite desenhar
“Em um movimento
que faz revolver a anĆ”lise –
Classificar
Ć© referir
– como a sua razĆ£o profunda -,Ā
e depois,
alƧar de novo
dessa secreta arquitetura,
em direção aos seus
sinais manifestos,
que são dados
Ć superfĆcie dos corpos.”
Dadas as grandes diferenƧas entre esses dois conceitos e tratamentos consequentes, por que serĆ” que ‘Processo’ seja uma unanimidade nos textos sobre o assunto?
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres
pares de modelos constituintes das ciências do eixo epistemológico fundamental
e o modelo constituinte padrão, comum a todas das ciências humanas; um modelo composto por uma combinação entre esses três pares de modelos constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem
no pensamento clƔssico
antes de 1775
aquƩm do objeto
no pensamento moderno
depois de 1825
diante do objeto
no pensamento moderno
tambƩm depois de 1825
para alƩm do objeto
NĆ£o hĆ” modelos constituintes nesta faixa do espectro,Ā jĆ” que nada Ć© constituĆdo na existĆŖnciaĀ durante as operaƧƵes;
Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
existem desde sempre e para sempre,
e integram o Universo em uma visão única.
Existem mĆŗltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inĆŗmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possĆveis de serem selecionadas.
Nada Ć© constituĆdo na existĆŖncia como resultado das distinƧƵes feitas durante as operaƧƵes nesta faixa do espectro.
A modelagem em cada Ć”rea do saber Ć© feita com um modelo constituinte especĆfico e próprio de cada uma delas:
No que Foucault chama de ‘RegiĆ£o epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes sĆ£o compostos por pares constituintes, próprios a cada regiĆ£o do saber ou Ć”rea do conhecimento em que o modelo Ć© feito:
[função-norma];
[conflito-regra];
CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
[significação-sistema].
No campo das ciências humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica. Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências
da Vida-(Biologia), do Trabalho-(Economia) e da Linguagem-(Filologia).
O Modelo constituinte de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© sempre uma combinação dos modelos constituintes das:
+
CiĆŖncias do trabalho (Economia):
[conflito-regra];
+
CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
[significação-sistema].
Proposição: o bloco construtivo
oferecido pela gramĆ”tica da lĆngua para construção de representaƧƵes.
Esse bloco construtivo ‘proposição’ carrega valor para as representaƧƵes, mas faz isso de ao menos dois modos diferentes e com duas visƵes distintas para o que sejam ‘operaƧƵes’.
“Valer, para o pensamento clĆ”ssico, Ć© primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preƧos só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.
Ora, a troca é um fenÓmeno simples apenas na aparência.
Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.
Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutÔveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que
finalmente se produzam.
Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.
Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra,
“A proposição Ć©
para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento
sua forma,
ao mesmo tempo
mais geral
e mais elementar
porquanto,
desde que a decomponhamos,
não encontremos mais o discurso
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VI ā Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IV – Falar;
tópico: III – A teoria do verbo
Michel Foucault
no pensamento clƔssico
antes de 1775
no pensamento moderno
depois de 1825
questão/pergunta
a toda a essĆŖncia da linguagem encerrada – diretamente – na própria proposição;
junto com esse ‘encerramento’ vĆ£o as ideias – ou elementos de imagem – necessĆ”rios para a formulação da proposição, que assim, nĆ£o participam do modelo de operaƧƵes.
a descoberta da essência da linguagem fora dela mesma, linguagem; a proposição formulada no modelo por suas ideias ou elementos de imagem presentes; inicialmente vazia, apenas um enunciado, é preenchida de valor a partir de duas fontes:
ambas assinaladas na figura.
“DaĆ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:
1 uma analisa o valor
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;
3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto Ć©, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas Ć s outras; o verbo, tornando possĆveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde Ć troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preƧo pelo qual sĆ£o cedidas;
2 outra analisa-o
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.
4 a outra forma de anĆ”lise, a linguagem estĆ” enraizadaĀ
a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor,
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VI ā Trocar;
V. A formação do valor
Michel FoucaultĀ
Ideias – ou elementos de imagem – requeridos para a
Formulação da proposição, e valor carregadoĀ
Ideias – ou elementos de imagem requeridos para formulação da proposição ausentes da estrutura do modelo de operação.
Valor carregado diretamente na proposição.
impossibilidade de formulação da proposição com ideias – ou elementos de imagem – requeridos, pela ausĆŖncia do homem em sua duplicidade de papĆ©is, e pela noção de objeto descrito por suas propriedades originais e constitutivas.
Proposição formulada com ideias ou elementos de imagem pertencentes à estrutura interna do modelo de operações;
Valor carregado pela proposição com origem fora da linguagem
a busca por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites, para a representação da empiricidade objeto no domĆnio e ambiente em que a operação acontece.Ā
todo o conteĆŗdo do Repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆngua, Ć disposição da construção de novas representaƧƵes.
Os tipos de sistemas que dão suporte a operações,
em função da configuração do pensamento:
no pensamento clƔssico
antes de 1775
verbo ‘Processo‘
no pensamento moderno
depois de 1825
verbo ‘Forma de produção‘
questão/pergunta
“A Ćŗnica coisa
que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā
a do verde
e da Ɣrvore,
a do homem
e da existĆŖncia
ou da morte;Ā
Ć© por isso
que o tempo dos verbos
não indica
aquele [tempo]
em que as coisas existiram
no absoluto,
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.”
“Ć preciso, portanto,
tratar esse verbo
como um ser misto,
ao mesmo tempo
palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
Ć s leis de regĆŖncia
e de concordância;
e depois,
em recuo em relação a elas todas,
numa região que não é
aquela do falado
mas aquela
donde se fala.
Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que Ć© dito
e aquilo que se diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV – Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault
O tipo de sistema
O conceito acima Ć© explĆcito em fornecer uma descrição do tipo de sistema para operaƧƵes sob o pensamento clĆ”ssico.
Trata-se deĀ
uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.
asdf
Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.
O tipo de leitura
asdf
Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.
asdf
Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.
o tempo nas operações, em função dos sistemas
em cada segmento do espectro de modelos
no pensamento clƔssico
antes de 1775
aquƩm do objeto
no pensamento moderno
depois de 1825
diante e para alƩm do objeto
no pensamento moderno
tambƩm depois de 1825
diante e para alƩm do objeto
formulação reversĆvel
e somenteĀ instanciamento
da representação;
deus Chronos
formulação irreversĆvel
e operação de construção
da representaçãoĀ
deus Kairós
formulação reversĆvel
 e operação instanciamento
da representação
deus Chronos
AquƩm do objeto
Diante ou para além do objeto
Nota: a existência precede as distinções feitas na operação.
Tempo na formulação e no instanciamento da representação:
NĆ£o hĆ” nada que possa ser afirmado, posto, disposto e repartido no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆveis e assim nĆ£o se pode falar em ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja.Ā
Assim, no pensamento clĆ”ssico, nĆ£o Ć© possĆvel adotar esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, que Ć© compreendida como sucessĆ£o de fatos assim como se sucedem.
Durante essa operação, a empiricidade objeto da operação, sim, muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domĆnio e ambiente em decorrĆŖncia da operação.
Tempo no caminho da Construção da representação, durante a formulação da representação:
A empiricidade objeto da operação tem um novo ‘modo de ser fundamental’, isto Ć©, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆveis’.
Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operaƧƵes,Ā sim, faz-se história.
Ā caminho do
Instanciamento da representação
Durante essa operação a empiricidade objeto nĆ£o muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domĆnio e ambiente em decorrĆŖncia da operação.
Tempo no caminho do Instanciamento da representação previamente existente no Repositório e dele recuperada para a posição de empiricidade objeto na presente operação de instanciamento:
A empiricidade objeto da operação tem exatamente o mesmo ‘modo de ser fundamental’ com que foi recuperada do repositório, isto Ć©, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e ciĆŖncias possĆveis’ exatamente da mesma forma como havia sido acrescentada ao repositório.
Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da História, durante esse tipo de operaƧƵes nĆ£o se faz história.
Modelagem de operaƧƵes e organizaƧƵes organizadas pelo par sujeito-objeto, com operaƧƵes especĆficas e separadas para cada um desses pares, porĆ©m relacionadas:
Ā
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Cronologia bÔsica da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura ocidental entre os anos 1775-1825 segundo Michel Foucault.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VII – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
Ā “Ć somente na segunda fase que as palavras, as classes e as riquezas adquirirĆ£o um modo de ser que nĆ£o Ć© mais compatĆvel com o da representação.
Em contra partida, o que se modifica muito cedo, desde as anĆ”lises de Adam Smith, de A.-L. de Jussieu ou de Viq dāAzyr, na Ć©poca de Jones ou de Anquetil-Duperron,
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap.VII – Os limites da representação
tópico I. A idade da história
Michel Foucault ao delinear sua arqueologia das ciĆŖncias humanas, propósito do ‘As palavras e as coisas’, com certeza tomou conhecimento do trabalho desses autores.
Michel Foucault menciona ainda em destaque, como artĆfices do pensamento moderno e fontes para o seu próprio pensamento:
Exemplos de modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes sem a possibilidade de fundar as sĆnteses (do objeto das operaƧƵes) no espaƧo da representação e com ponto de inserção da anĆ”lise de operaƧƵes no cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca
Exemplos de modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes no pensamento moderno, e assimĀ Ā com a possibilidade de fundar as sĆnteses (do objeto das operaƧƵes) no espaƧo da representação e com ponto de inserção da anĆ”lise de operaƧƵes antes do cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca
O espaƧo interior do Triedro dos saberes – habitat das ciĆŖncias humanas, com modelos situados no espectro de modelos no segmento para alĆ©m do objeto
Assim, estes trĆŖs pares,
cobrem, por completo, o domĆnio inteiro do conhecimento do homem.Ā
Mas, qualquer que seja a natureza da anĆ”lise e o domĆnio a que ela se aplica, tem-se um critĆ©rio formal para saber o que Ć©
é a escolha do modelo fundamental e a posição dos modelos secundÔrios que permitem saber em que momento
Mas essa superposição de modelos nĆ£o Ć© um defeito de mĆ©todo.Ā
Só hÔ defeito se os modelos não forem ordenados e explicitamente articulados uns com os outros.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo XĀ ā As ciĆŖncias humanas;
Ā III. Os trĆŖs modelos
Michel FoucaultĀ
NĆ£o hĆ” modelos constituintes nesta faixa do espectro,Ā jĆ” que nada Ć© constituĆdo na existĆŖnciaĀ durante as operaƧƵes;
Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
existem desde sempre e para sempre,
e integram o Universo em uma visão única.
Existem mĆŗltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inĆŗmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possĆveis de serem selecionadas.
Nada Ć© constituĆdo na existĆŖncia como resultado das distinƧƵes feitas durante as operaƧƵes nesta faixa do espectro.
No eixo epistemológico fundamental – ciĆŖncias da Vida, do Trabalho e da Linguagem, a modelagem em cada Ć”rea do saber pode ser feita com um modelo constituinte especĆfico e próprio de cada uma delas:
No que Foucault chama de ‘RegiĆ£o epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes sĆ£o compostos por pares constituintes, próprios a cada regiĆ£o do saber ou Ć”rea do conhecimento em que o modelo Ć© feito:
função-norma;
conflito-regra;
CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
significação-sistema.
No campo das ciĆŖncias humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica.Ā
Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências
O Modelo constituinteĀ de cada uma das CiĆŖncias Humanas – Ć© uma combinação – ponderada pelo projetista de modelos.
O modelo composto Ć© uma combinação dos trĆŖs pares de modelos constituintes:Ā
+
CiĆŖncias do trabalho (Economia):
conflito-regra;
+
CiĆŖncias da Linguagem (Filologia):
significação-sistema.
Sob ciĆŖncias humanas como:
estão modelos compostos, que são combinações ponderadas dos três pares de modelos constituintes das ciências integrantes do eixo epistemológico fundamental.
“Valor, para o pensamento clĆ”ssico, Ć© primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preƧos só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.
Ora, a troca é um fenÓmeno simples apenas na aparência.
Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.
Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutÔveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que a dupla cessão e a dupla aquisição finalmente se produzam.
Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.
Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra, Ć© preciso que elas existam jĆ” carregadas de valor; e, contudo, o valor só existe no interior da representação (atual ou possĆvel), isto Ć©, no interior da troca ou da permutabilidade.
Daà duas possibilidades simultâneas de leitura:
A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anÔlise que coloca e encerra toda a essência da linguagem no interior da proposição;
a outra, [corresponde] a uma anĆ”lise que descobre essa mesma essĆŖncia da linguagem do lado das designaƧƵes primitivas – linguagem de ação ou raiz(*);

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Focus on creating a responsive user interface that adapts to various devices and screen sizes. Employ scalable graphics and adjustable layouts. Test across multiple platforms to ensure a consistent experience. Consider using a modular UI design approach to simplify updates and iterations based on player feedback.
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"Elvis Frog in Vegas" is a video slot game that pays tribute to the legendary singer Elvis Presley. The game features vibrant graphics, music inspired by Elvis's hits, and engaging bonus features that enhance the gaming experience. Players spin the reels with the goal of matching symbols associated with Elvis's life and career while enjoying entertaining animations and soundtracks.
The design process for "Elvis Frog in Vegas" involved multiple stages, including concept development, artwork creation, and sound design. The development team commenced with brainstorming ideas that could capture the essence of Elvis's persona and appeal to fans. Artists crafted detailed visuals of Elvis, his iconic attire, and scenes from Vegas. Sound designers integrated classic Elvis songs and sound effects to create an immersive environment. All these elements were tested and refined to ensure the game delivers an enjoyable experience for players.
The development of "Elvis Frog in Vegas" involved the use of modern game development technologies and programming languages, including HTML5 for web compatibility. The game's engine allows for animations and interactions that bring the storyline to life. Additionally, graphic design software played a critical role in crafting the visual elements while sound editing tools ensured high-quality audio effects. The successful integration of these technologies allows for a smooth gaming experience across various platforms.
Future updates for "Elvis Frog in Vegas" may include new bonus features, additional soundtrack options, or seasonal themes to celebrate events related to Elvis or Las Vegas. Developers express a commitment to keeping the game fresh and exciting by adding content that resonates with players. The feedback from the community plays a vital role in shaping these updates, as the team actively monitors player preferences to enhance their experience further.
The game "Elvis Frog in Vegas" was inspired by the iconic figure of Elvis Presley and his immense influence on music and popular culture. The development team wanted to combine elements of Elvis's persona, such as his flashy style and love for Las Vegas, into an engaging gameplay experience. By incorporating familiar symbols, themes, and music associated with Elvis, the game aimed to capture the essence of his legacy while offering players a fun and entertaining slot experience.
The development process for "Elvis Frog in Vegas" involved several stages, beginning with conceptualization where the team brainstormed key features and themes that would resonate with fans of Elvis. After solidifying the concept, artists created visual assets that reflected Elvis's style, including various themed symbols and vibrant backgrounds. Sound designers worked to incorporate Elvis's music and audio effects to enhance the gameplay experience. Throughout the process, extensive playtesting was conducted to ensure the game mechanics were enjoyable and balanced. The end result was a slot game that not only entertained users but also paid homage to one of music's biggest legends.
Olivia Brown
Ah, the whimsical world of a frog in shades crooning his way through slot machines! Who knew that the King would reincarnate with a green twist? The merger of Elvis lore and amphibious charm is like peanut butter and picklesāunexpected yet oddly delightful. The development saga feels like a Vegas show itself, full of dazzling lights and a dash of chaos. If only those developers had the charisma of their crooning protagonist! One can only imagine the board meetings, where ideas hopped from one brain to another, until we landed on this hilarious tribute. Now, letās hope this froggy venture doesnāt get lost in a pile of poker chips!
Mia
Wow, what a fantastic ride itās been exploring the quirky world where Elvis meets a frog! The creativity behind bringing such a wild concept to life is simply mind-blowing! Those characters and their adventures really pack a punch. It's all about fun and imagination, and I canāt get enough of that fabulous energy! Who knew a frog could be so entertaining?
Alex Johnson
What a fascinating tale of froggy fame and the neon lights of Las Vegas! The journey of a certain amphibian making its way from obscurity to glitzy slot machines is nothing short of a whimsical ride. Can you imagine a frog crooning Elvis hits while spinning reels? Itās hard to think of a more amusing mashup! The creativity involved in bringing this idea to life is a testament to how quirky concepts can flourish in the gaming industry. I mean, who thought beloved rock ānā roll and amphibians had so much in common? The developers deserve a round of applauseāafter all, they dared to hop where others wouldnāt! This blend of nostalgia and humor is sure to tickle the fancy of players looking for something out of the ordinary. Hereās to innovative minds who can turn a simple notion into a hopping success. Canāt wait to see what they think of next!
StealthWolf
Elvis Frogās journey in gaming reflects a creative spark that captures the essence of fun in Vegas! The quirky design and entertaining features make every spin a celebration. It's a delightful blend of nostalgia and innovation that keeps players engaged.
Emma
It's disheartening to think about how much time and effort went into creating something that feels so far removed from true artistry. It's as if the charm and authenticity of classic entertainment have been diluted into a mere commercial venture. The flashy graphics and gimmicks might attract attention, but there's a hollow sensation that often accompanies games like this. They seem to cater more to trends and clichĆ©s rather than offering real substance or creativity. I canāt help but wonder if anyone involved in the design even had a genuine passion for the project, or if it was simply about cashing in on nostalgia. The focus appears to be on superficial features rather than crafting an experience that resonates on a deeper level. As a player, I find myself longing for something more fulfilling, a chance to connect with the characters and story, rather than just clicking through mindless distractions. It's a bit discouraging to see potential masterpieces reduced to mere shadows of what they could have been, all in the name of profit.

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Another day, another update for the digital roulette wheel. Iām sure the new features are as thrilling as they are necessary to keep the whole operation spinning. Fresh bonuses, probably, to make the house edge feel a little less obvious for a few more minutes. Itās all very modern and sleek, I donāt doubt it. A perfect, shiny system designed to separate a man from his money with a smile. Progress, I suppose. Theyāll keep polishing the interface until the whole experience of losing feels like a win. How innovative.
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Another week, another press release disguised as news. The real update is always what they *don't* print. Whereās the data on actual payout speeds for different methods? Not the advertised "instant" claims, but the real user wait times. I want to see a breakdown of the new slot's RTP, not just its flashy graphics. This industry runs on smoke and mirrors, and these "updates" are just adding more fog. Stop telling me about new "loyalty bonuses" and start showing the revised terms that make them impossible to cash out. The only thing that changes here is the marketing angle. Prove me wrong. Show the math, show the real numbers, then we can talk. Until then, it's just noise.
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Letās be real, the only constant with anything connected to that name is motion. Itās not about waiting for a finished picture; itās about watching the paint fly while the canvas is still moving. Thatās the thrill, isnāt it? Youāre not just reading updates, youāre getting a front-row seat to a live experiment. Some see chaos, but I see pure, unfiltered momentum. Itās a reminder that building somethingāanythingāis a series of bold moves and quick adjustments. So take this information not as a final verdict, but as a snapshot of raw potential in motion. Let it fuel your own nerve to push forward, to iterate faster, and to ignore the noise. This is how the future gets built: one unpredictable, fascinating update at a time. Now, go channel that energy into your own big idea.
Samuel
Another late notification from a betting app flashes on the screen, a small, insistent ghost in the dim room. The name is different, but the mechanics are a tired constant. Itās all just new paint on the same old machine, one that grinds hope into a fine, monetizable dust. The promise of a quick fortune feels less like innovation and more like a particularly efficient form of melancholy, digitized for a wider, more desperate audience. We build rockets to Mars while perfecting systems that keep people anchored to their most vulnerable impulses. The real update isn't in the software or the bonus structure; it's in the quiet, accumulating data of lost wages and fractured resolve. Progress, it seems, has a very narrow definition.
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Elon Musk buying a casino is the most on-brand thing Iāve heard all week. Finally, a place where you can lose your life savings with the same thrilling unpredictability as a Tesla stock swing. I assume the high-stakes tables are just you betting on which crypto tweet sends the market into a tailspin next. The VIP lounge is probably just a Hyperloop tube with a mini-bar. And the loyalty program? Instead of free drinks, you get a faint promise of a verified blue checkmark. Honestly, the house edge is nothing compared to the emotional rollercoaster of being a fanboy. Just remember, what happens in Elon Casino stays on the blockchain forever. All in!
com a licenƧa de Augusto de Franco pelo enxerto (quase parĆ”frase) feito sobre o tĆtulo de um de seus trabalhos.
O espĆrito com que estou escrevendo e pistas sugestivas de espaƧo para mudanƧas
Influências e inspirações
1 a influĆŖncia de VilĆ©m Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’:Ā
uso das funƧƵes reversĆveis Imaginação e Conceituação para navegar, ida e volta, entreĀ
textos ā imagens ā e ocorrĆŖncias espacio-temporais;Ā
e ainda, não menos importante
2 as sugestƵes de Humberto Maturana nos livros: Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆtica; ‘De mĆ”quinas e de seres vivos’:
objeƧƵes e propostas de mudanƧa feitas por Maturana ao fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, aceitação de algumas das crĆticas feitas, e aparentemente, uma alteração de rota;
3 a influĆŖncia especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’:
a descoberta de duas pedras de tropeƧo durante seu trabalho nesse livro, a saber:
Veja aqui os seguintes pontos:
Veja esses pontos a seguir:
“Ora, esta investigação arqueológica mostrou duas grandes descontinuidades na epistĆ©mĆŖ da cultura ocidental:
Por muito forte que seja a impressão que temos de um movimento quase ininterrupto da ratio européia desde o Renascimento até nossos dias,
– toda esta quase-continuidade ao nĆvel das idĆ©ias e dos temas nĆ£o passa, certamente, de um efeito de superfĆcie; no nĆvel arqueológico, vĆŖ-se que o sistema das positividades mudou de maneira maciƧa na curva dos sĆ©culos XVIII e XIX.
Não que a razão tenha feito progressos;
Se a história natural de Tournefort, de Lineu e de Buffon tem relação com alguma coisa que não ela mesma,
Os conhecimentos chegam talvez a se engendrar; as ideias a se transformar e a agir umas sobre as outras (mas como? até o presente os historiadores não no-lo disseram);
Assim, a anÔlise pÓde mostrar a coerência que existiu, durante toda a idade clÔssica, entre
à esta configuração que, a partir do século XIX, muda inteiramente;
Impõe-lhes formas de ordem que são implicadas pela continuidade do tempo;
Na medida, porƩm, em que as coisas giram sobre si mesmas,
Estranhamente, o homem – cujo conhecimento passa, a olhos ingĆŖnuos, como a mais velha busca desde Sócrates – nĆ£o Ć©, sem dĆŗvida, nada mais que uma certa brecha na ordem das coisas, uma configuração, em todo o caso, desenhada pela disposição nova que ele assumiu recentemente no saber:
DaĆ nasceram todas as quimeras dos novos humanismos, todas as facilidades de uma “antropologia “, entendida como reflexĆ£o geral, meio positiva, meio filosófica, sobre o homem.
Contudo, Ć© um reconforto e um profundo apaziguamento pensar que
“VĆŖ-se que esta investigação responde um pouco, como em eco, ao projeto de escrever uma história da loucura na idade clĆ”ssica; ela tem, em relação ao tempo, as mesmas articulaƧƵes, tomando como seu ponto de partida o fim do Renascimento e encontrando, tambĆ©m ela, na virada do sĆ©culo XIX; o limiar de uma modernidade de que ainda nĆ£o saĆmos.
Enquanto, na história da loucura,
trata-se aquiĀ Ā
Trata-se, em suma, de uma história da semelhança:
– daquilo que, para uma culturaĀ Ā
Ć© ao mesmo tempo
interior e estranho,
a ser portanto excluĆdo
(para conjurar-lhe o perigo interior),
encerrando-o porƩm
(para reduzir-lhe a alteridade);
– daquilo que, para uma cultura,
Ć© ao mesmo tempo
disperso e aparentado,
a ser portanto distinguido por marcas
e recolhido em identidades.
E se se pensar que a doenƧa Ć©, ao mesmo tempo,Ā
mas tambĆ©mĀ
vê-se que lugar poderia ter uma arqueologia do olhar médico.
Da experiĆŖncia-limite do Outro Ć s formas constitutivas do saber mĆ©dico e, destas, Ć ordem das coisas e ao pensamento do Mesmo, o que se oferece Ć anĆ”lise arqueológicaĀ
Nesse limiar apareceu pela primeira vez esta estranha figura do saber que se chama homem e que abriu um espaço próprio às ciências humanas.
Tentando trazer Ć luz esse profundo desnĆvel da cultura ocidental, Ć© a nosso solo silencioso e ingenuamente imóvel que restituĆmos suas rupturas, sua instabilidade, suas falhas; e Ć© ele que se inquieta novamente sob nossos passos.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
PrefƔcio
Veja essa história em uma animação abaixo. Esta animação relaciona o texto de Foucault com as estruturas de operações sob as duas configurações do pensamento, a do clÔssico, de antes de 1775, e a do moderno, depois de 1825.
Provavelmente você vai se sentir mais confortÔvel se antes de ver esta figura, visualizar o funcionamento das operações nesses dois casos.
que pode ser vista junto com outras animações mais, nesta pÔgina:
Se quiser ver o funcionamento das operações no pensamento clÔssico e no moderno (usando os critérios de Foucault para essa identificação, veja a pÔgina seguinte:
Essa história estĆ” contada por Foucault no PrefĆ”cio do ‘As palavras e as coisas’, e estĆ” aquiĀ no inĆcio desta apresentação pela ideia de sobrepor o texto dessa historinha a uma imagem em que estĆ£o representadas as duas estruturas exigidas pelos modelos de operaƧƵes em dois perfis que podem ser associados Ć s configuraƧƵes do pensamentoĀ nos perĆodos de antes e de depois de um evento ao qual Foucault dĆ” o status de ‘evento fundador da nossa modernidade’ – uma descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825 -, tendo o pensamento clĆ”ssico, antes de 1775, e o moderno, depois de 1825:
Este estudo em estilo de arqueologia feito por Michel Foucault no
‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’,
tem como tema:
- nĆ£o propriamente produƧƵes de pensamento formuladas e configuradas,Ā
- e ainda menos, produƧƵes do pensamento jĆ” em funcionamento – com seus sucessos e insucessos, e submetidas a possĆveis desvirtuamentos;Ā
- mas o tema inerente a esse estilo em arqueologia Ć© quais sĆ£oĀ
- as condiƧƵes de possibilidade no pensamento nas quais esta ou aquela produção do pensamento – teoria, modelo ou sistema – pode ser formulada.Ā
Enquanto com inventividade e laivos de criatividade conseguimos criar infinidades de formulaƧƵes sobre um mesmo perfil de condiƧƵes de possibilidade do pensamento, que acabam muitas vezes sendo combinaƧƵes lineares de formulaƧƵes anteriores, mesmo com muita criatividade e toda a inventividade possĆvel os conjuntos determinantes de condiƧƵes de possibilidade nĆ£o proliferam do mesmo modo.
A anÔlise, compreensão e utilização
de produƧƵes do pensamento
– teorias, modelos e sistemas –
tomadas quando jĆ” formuladas e configuradas,
Ć© extremamente (mais) difĆcil;
e ainda tanto mais o serĆ”,
se o conhecimento consciente
das respectivas condiƧƵes de possibilidade
no pensamento não se verificar.
Essas dificuldades se agravarão
se a produção do pensamento objeto de anÔlise
estiver em pleno uso em um ambiente,
influindo sobre ele – e dele recebendo influĆŖncias
– que certamente incidirĆ£o sobre a anĆ”lise.
O excertoĀ da Cartilha, o ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, –Ā abaixo selecionadoĀ descreve o que Ć© esse estudo em estilo de arqueologia realizado por Foucault, e como sĆ£o as operaƧƵes no antes e no depois desse evento fundador da nossa modernidade no pensamento, a descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825, descrita por ele.
Você pode ver agora a nossa interpretação do que conseguimos apreender desse texto, ou primeiro ler o texto original e depois ver esta animação:
o que tambƩm pode ser visto na pƔgina seguinte:
PoderÔ ser útil ver também o funcionamento das operações
AVISO: tudo o que se segue neste trabalho depende da distinção estabelecida entre os dois modos de ver ‘operaƧƵes’ correspondentes Ć s duas configuraƧƵes do pensamento, expressas nas animaƧƵes acima
a partir do texto de Foucault abaixo.
Diz Foucault:Ā
“A arqueologia, essa,
deve percorrer o acontecimento
segundo sua disposição manifesta;
ela dirÔ como as configurações próprias a cada positividade se modificaram
(ela analisa por exemplo,Ā
para a gramĆ”tica, o desaparecimento do papel maior atribuĆdo ao nome
e a importĆ¢ncia nova dos sistemas de flexĆ£o;Ā
ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do carĆ”ter Ć função);Ā
ela analisarĆ” a alteração dos seres empĆricos que povoam as positividadesĀ
(a substituição do discurso pelas lĆnguas,Ā
das riquezas pela produção);Ā
estudarÔ o deslocamento das positividades umas em relação às outras
(por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciĆŖncias da linguagem e a economia);Ā
enfim e sobretudo, mostrarƔ que o espaƧo geral do saber
nĆ£o Ć© mais o das identidades e das diferenƧas, o das ordens nĆ£o-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mĆ”thĆŖsis do nĆ£o-mensurĆ”vel,Ā
mas um espaƧo feito de organizaƧƵes, isto Ʃ,
de relações internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função;
mostrarĆ” que essas organizaƧƵes sĆ£o descontĆnuas,
que não formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas,
mas que algumas sĆ£o do mesmo nĆvel
enquanto outras traƧam sĆ©ries ou sequĆŖncias lineares.Ā
De sorte que se vĆŖem surgir,
como princĆpios organizadores desse espaƧo de empiricidades,
a Analogia e a Sucessão:
de uma organização a outra,
o liame, com efeito,
ā¢Ā Ā nĆ£o pode mais ser
a identidade de um ou vƔrios elementos,
ā¢Ā Ā mas a identidade da relação entre os elementos
(onde a visibilidade não tem mais papel)
e da função que asseguram;
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham
por efeito de uma densidade
singularmente grande
de analogias,
ā nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas
num espaço de classificação,
ā mas sim porque foram formadas
uma ao mesmo tempo que a outra
e uma logo após a outra
no devir das sucessƵes.Ā
Enquanto, no pensamento clĆ”ssico,Ā
a sequĆŖncia das cronologias nĆ£o fazia mais que percorrer o espaƧo prĆ©vio e mais fundamental de um quadro que de antemĆ£o apresentava todas as suas possibilidades,Ā
doravanteĀ
as semelhanças contemporâneas
e observƔveis simultaneamente no espaƧo
não serão mais que as formas depositadas e fixadas
de uma sucessão que procede
de analogia em analogia.Ā
A ordem clĆ”ssica distribuĆa num espaƧo permanente as identidades e as diferenƧas nĆ£o-quantitativas que separavam e uniam as coisas: era essa a ordem que reinava soberanamente, mas a cada vez segundo formas e leis ligeiramente diferentes, sobre o discurso dos homens, o quadro dos seres naturais e a troca das riquezas.Ā
A partir do sƩculo XIX,
a História vai desenrolar numa série temporal
as analogias que aproximam umas das outras as organizaƧƵes distintas.Ā
à essa História que, progressivamente, imporÔ suas leis
Ā Ć anĆ”lise da produção,Ā
Ć dos seres organizados, enfim,Ā
Ć dos grupos linguĆsticos.Ā
A História
dÔ lugar às organizações analógicas,
assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades
e das diferenƧas sucessivas.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault
Veja isto emĀ
ou ainda na seguinte pƔgina
Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825
segundo Michel Foucault
De um lado e de outro dessa descontinuidade epistemológica temos:
Note que Adam Smith e David Ricardo estão posicionados em lados opostos com relação à fase de ruptura desse evento ao qual Foucault dÔ o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento.
Note ainda que todos os autores que formam a base do liberalismo clÔssico também estão posicionados por Foucault antes desse evento, em plena idade clÔssica.
Michel Foucault vĆŖ o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo – e com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos – muito dominado por: e aparentemente ele imputa a esse domĆnio do nosso pensamento por essas questƵes, o tempo e dificuldades em acrĆ©scimo que precisou enfrentar em seu trabalho no ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’. Veja o que ele diz, o mesmo texto colocado em duas animaƧƵes e no excerto abaixo em seu original, que tĆŖm a finalidade de reunir as ideias em elementos de imagem que compƵem duas estruturas diferentes, nos dois lados de uma mesma imagem: As palavras e as coisas:
Impossibilidade X Possibilidade
de fundar as sĆnteses (da empiricidade objeto)
no espaço da representação
A obrigação cumprida:
os quase-transcendentais
Vida, Trabalho e Linguagem constituĆdos
āEis que nos adiantamos
bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas
dessa ruptura
que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo
de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.Ā Ć que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neoĀ
e com o qual, queiramos ou nĆ£o, pensamos,Ā
se acha ainda muito dominadoĀ
pelaĀ impossibilidade,
trazida à luz por volta do fim do século XVIII,
de fundar as sĆnteses
no espaço da representação.
e pelaĀ obrigaçãoĀ
correlativa, simultânea,
mas logo dividida contra si mesma,
de abrir oĀ campoĀ transcendental
da subjetividadeĀ e deĀ constituir, inversamente,Ā para alĆ©m do objeto,Ā
esses quase-transcendentais que são para nós a Vida, o Trabalho, a Linguagem.
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas (Cartilha);
CapĆtulo 7 – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades
de Michel Foucault
as animaƧƵes acima tambƩm podem ser vistas nesta pƔgina
Os dois obstƔculos, as duas pedras de tropeƧo, encontrados por Michel Foucault em seu caminho,
com especial destaque para o segundo obstÔculo, a saber, o cumprimento da obrigação de abertura do campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, o espaço em que habitam os modelos das ciências humanas.
E o funcionamento das operaƧƵes tanto no pensamento clƔssico, o de antes de 1775, como no moderno, depois de 1825, usando o critƩrio de Foucault, pode ser visto na seguinte pƔgina:
Ā
Em nenhum momento Foucault solicita ao seu leitor que faƧa um ato de fƩ no que ele diz.
Foucault argumenta sempre, a partir de dados levantados quanto ao modo de ser do pensamento em uma vasta plĆŖiade de autores contemporĆ¢neos Ć s mudanƧas.Ā
Foucault via no conjunto de teorias, modelos e sistemas em nossa cultura, um espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que decorre dessa visĆ£o, e que aponta para o futuro; e que lhe sugeria a necessidade de distinƧƵes entre esses diferentes modos de ser do pensamento, e todo o trabalho com a arqueologia feita no ‘As palavras e as coisas’:Ā
Como se vĆŖ pelo ponto em que se insere na ‘Cartilha’ essa citação, o capĆtulo 7 de um trabalho em dez capĆtulos, quando escreveu esse trecho Foucault jĆ” tinha bem adiantado seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’; nesse momento ele aponta dois obstĆ”culos, duas pedras de tropeƧo que precisou enfrentar e que tiveram o poder de dilatar em muito o tempo necessĆ”rio para fazer esse livro; ele via:Ā Ā
Ā O espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o sĆ©culo XVII atĆ© o sĆ©culo XXI, usando essa anĆ”lise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.Ā Ā
Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes
āInstaura-se uma forma de reflexĆ£o,Ā
bastante afastada do cartesianismo e da anĆ”lise kantiana,Ā
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,Ā
o ser do homem,
nessa dimensĆ£o segundo a qualĀ
o pensamento se dirige ao impensadoĀ
e com ele se articula.āĀCartilha; Cap. 9. O homem e seus duplos; V ā O ācogitoā e o impensado
Veja isso associado a uma figuraĀ na qual os elementos de imagem escolhidos compƵem uma estrutura que pode ser comparada com por exemplo, o PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo, de 1817Ā
Veja também o funcionamento das operações, especificamente no segmento DIANTE do objeto e na etapa da Construção da representação.
Nesse excerto da Cartilha, Foucault modela dinamicamente uma proposição que se ajusta a cada etapa da operação, coloca em cada proposição:
Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura, ‘o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆvel, mas ao impensado! (que pode ser tambĆ©m intangĆvel, sem problemas)Ā Muitas vezes o intangĆvel continua exatamente assim, intangĆvel, mesmo depois que o pensamento tenha dado um jeito no seu aspecto impensado.Ā Ā
IntangĆvel Ć© uma qualidade de algo e nĆ£o faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.
Essa forma de reflexĆ£o sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e nĆ£o adjetivas, aparĆŖncias, como Ć© o intangĆvel.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)
Ao contrĆ”rio do impensado, que mediante articulação no pensamento patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaƧo da representação, o intangĆvel na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangĆvel.Ā Ā
Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexĆ£o emĀ Ā
Essa forma de reflexĆ£o Ć© consistente e estĆ” na base do PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo.
Veja em imagensĀ
que ilustram essa forma de reflexĆ£o no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexĆ£o no perĆodo anterior.
Ā O espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o sĆ©culo XVII atĆ© o sĆ©culo XXI, usando essa anĆ”lise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.Ā Ā
Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes
O carregamento de valor na proposição em cada caso:
As diferenƧas nas visƵes de ‘operaƧƵes’ decorrentes de diferenƧas no posicionamento do ponto de inĆcio de leitura do fenĆ“meno, podem ser vistas nas animaƧƵes que descrevem o funcionamento das operaƧƵes em cada caso:
Se a figura ainda lhe parecer confusa, e achar que vale a pena esclarece-la, veja novamente o Funcionamento das operaƧƵes.
Veja uma coleção de conceitos chamados pelos mesmos nomes, mas consignificados muito distintos, sob o pensamento clĆ”ssico e sob o moderno.Ā
Uma lista de alguns conceitos distintos no significado mas chamados pelos mesmos nomes:
Ā
āA Ćŗnica coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā
a do verde
e da Ɣrvore,
a do homem
e da existĆŖncia
ou da morte;Ā
Ć© por isso que o tempo dos verbos
não indica aquele [tempo]
em que as coisas existiram no absoluto,
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.ā
āĆ preciso, portanto,
tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
às leis de regência e de concordância;
e depois,
em recuo em relação a elas todas,
numa região que
não é aquela do falado
mas aquela donde se fala.
Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que Ć© dito
e aquilo que se diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV ā Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault
Classificar, portanto,
não serÔ mais
referir o visĆvel
a si mesmo,
encarregando um de seus elementos
de representar todos os outros;
SerĆ”
num movimento que faz revolver a anƔlise,
reportar o visĆvel,
ao invisĆvel,
como a sua razão profunda;
depois,
alƧar de novo dessa secreta arquitetura,
em direção aos seus sinais manifestos
[as “aparĆŖncias”]que sĆ£o dados Ć superfĆcie dos corpos.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’;
CapĆtulo VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres
por Michel Foucault
pensamento clƔssico, antes de 1775
segmento AQUĆM do objeto
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cao. 10. As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes
“Assim o cĆrculo se fecha.
VĆŖ-se, porĆ©m, atravĆ©s de qual sistema de desdobramentos.Ā
As semelhanƧas exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se nĆ£o fosse legivelmente marcada.Ā
Mas que sĆ£o esses sinais?Ā
Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,
que hƔ aqui um carƔter
no qual convƩm se deter,
porque ele indica uma secreta
e essencial semelhanƧa?Ā
Que forma constitui o signo
no seu singular valor de signo?Ā
– Ć a semelhanƧa.
Ele significa na medida
em que tem semelhanƧa com o que indica (isto Ć©, com uma similitude).Ā
Contudo,Ā
pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que Ć© signo;Ā
uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, Ć© patenteada por uma terceira.Ā
Toda semelhanƧa recebe uma assinalação; essa assinalação, porĆ©m, Ć© apenas uma forma intermediĆ”ria da mesma semelhanƧa.Ā
De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o cĆrculo das similitudes, um segundo cĆrculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se nĆ£o fosse esse pequeno desnĆvel que faz com queĀ
que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ
A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”
“A arqueologia, essa, deve percorrer o acontecimento segundo sua disposição manifesta; ela dirĆ” como as configuraƧƵes próprias a cada positividade se modificaramĀ
ela analisarĆ” a alteração dos seres empĆricos que povoam as positividadesĀ
estudarĆ” o deslocamento das positividades umas em relação Ć s outrasĀ
enfim e sobretudo, mostrarĆ” que o espaƧo geral do saber nĆ£o Ć© mais o das identidades e das diferenƧas, o das ordens nĆ£o-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mĆ”thĆŖsis do nĆ£o-mensurĆ”vel,Ā
Ā De sorte que se vĆŖem surgir,Ā
como princĆpios organizadores
desse espaƧo de empiricidades,Āa Analogia
e a Sucessão:
de uma organização a outra, o liame, com efeito,Ā
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias,
Enquanto, no pensamento clƔssico,
a seqüência das cronologias não fazia mais que percorrer o espaço prévio e mais fundamental de um quadro que de antemão apresentava todas as suas possibilidades,
doravante
as semelhanças contemporâneas e observÔveis simultaneamente no espaço não serão mais que as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede de analogia em analogia. (*)
Ā
Ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – II. A prosa do mundo;
tópico II. As assinalações
de Michel Foucault
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – VII. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault
pensamento clƔssico,
de antes de 1775
pensamento moderno,
de depois de 1825
Ā
aquilo a partir de que elas são
Mas vê-se bem que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆram;
ela Ć© o modo de ser fundamental das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber
para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis.
Assim como a Ordem no pensamento clƔssico
nĆ£o era a harmonia visĆvel das coisas,
seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆrico,
lugar onde,
aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe é próprio.
As palavras as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
A anÔlise das riquezas, junto com a gramÔtica geral e a história natural, no pensamento clÔssico- o de antes de 1775, são contrapostas à anÔlise da produção, filologia e biologia no pensamento de depois de 1825.
“Nem vida,
nem ciĆŖncia da vida
na Ʃpoca clƔssica;
tampouco filologia.
Mas sim
uma história natural,
uma gramƔtica geral.
Do mesmo modo,
nĆ£o hĆ” economia polĆtica
porque, na ordem do saber,
a produção não existe.
Em contrapartida,
existe, nos sƩculos XVII e XVIII,
uma noção que nos permaneceu familiar,
embora tenha perdido para nós sua precisão essencial.
Nem Ć© de ānoçãoā que se deveria falar a seu respeito,
pois não tem lugar no interior
de um jogo de conceitos econƓmicos
que ela deslocaria levemente,
confiscando um pouco de seu sentido
ou corroendo sua extensĆ£o.Trata-se antes de um domĆnio geral:
de uma camada bastante coerente
e muito bem estratificada,
que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,
as noções de valor, de preço, de comércio, de circulação,
de renda, de interesse.
Esse domĆnio,
solo e objeto da āeconomiaā na idade clĆ”ssica,
Ć© o da riqueza.
Inútil colocar-lhe questões
vindas de uma economia de tipo diferente,
organizada, por exemplo,
em torno da produção ou do trabalho;
inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitos
(mesmo e sobretudo se seus nomes
em seguida se perpetuaram,
com alguma analogia de sentido),
sem levar em conta
o sistema em que assumem sua positividade.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas
Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noƧƵes, para respectivamente cada perĆodo histórico em nossa cultura, o padrĆ£o Ć© ficar com a anĆ”lise de riquezas do pensamento filosófico clĆ”ssico. (o que nem Ć© difĆcil de perceber que Ć© feito, em nosso meio)
O mĆnimo que somos chamados a fazer Ć© esclarecer as razƵes pelas quais o conceito ‘riquezas’ Ć© tĆ£o largamente utilizado; e as razƵes pelas quais Michel Foucault escreve “economia” assim, entre aspas, quando se refere ao perĆodo clĆ”ssico.
Veja a seguir os pontos:
Veja a relação entre cada formulação de operaƧƵes e o respectivo perfil de caracterĆsticas da configuração do pensamento adotada em cada formulação, na pĆ”gina:Ā
veja também tópico seguinte, o tempo respectivamente para cada operação levando em conta, no pensamento moderno, as operações de Construção de representação nova, e as de Instanciamento de representação previamente existente.
Note que a amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© muito maior no pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Neste caso a visĆ£o do fenĆ“meno abrange a construção da representação para a empiricidade objeto, e tambĆ©m o instanciamento de representação previamente existente em um repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆngua; enquanto que sob o pensamento clĆ”ssico o fenĆ“meno Ć© visto apenas a partir da fase de instanciamento.
Veja que hĆ” uma correspondĆŖncia entre as visƵes de operaƧƵes no pensamento clĆ”ssico e no princĆpio monolĆtico de trabalho de Adam Smith, de 1776, e pensamento moderno e o princĆpio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817.
Certifique-se dessa correspondĆŖncia visualizando as figuras feitas para os dois princĆpios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo.
a pĆ”gina que o link acima dĆ” acesso mostra tambĆ©m as diferenƧas entre esses dois princĆpios de trabalho nas palavras de Michel Foucault. Mas por favor certifique-se de que essas diferenƧas apontadas por Foucault entre os dois princĆpios de trabalho correspondem tambĆ©m, e sĆ£o consistentes, com
āO modo de ser do homem,
tal como se constituiu
no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ” ao mesmo tempo,
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo X ā As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes
Michel FoucaultĀ
āNa medida, porĆ©m,Ā
em que as coisas
giramĀ sobre si mesmas,
reclamando para seu devir
não mais que
o princĆpio deĀ sua inteligibilidade
e abandonando o espaço da representação,
o homem,
por seu turno,
entra,
e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental.ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
PrefƔcio
Michel FoucaultĀ
Uma Anatomia ou uma Cartografia para modelos de operações segundo a configuração do pensamento:
Veja isso tambƩm na seguinte pƔgina:
um lugar composto por dois blocos em dois domĆnios diferentes:
Ā
Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes
A metĆ”fora da transformação de Entradas Ā ā SaĆdas, sobre a estrutura Input-Output, que dĆ” lugar a um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si Ć© vĆ”lida aqui, e Ć© a famosa caixa preta.Ā
Seu elemento central é Processo, um verbo, que a única coisa que afirma é a coexistência de duas representações indicando a coexistência
Com a opção pela leitura do fenĆ“meno āoperaƧƵesā desde um ponto de vista posicionado no cruzamento do que Ć© dado com o que Ć© recebido na troca, essa metĆ”fora representa apelas a operação de instanciamento de representação anteriormente feita e jĆ” carregada de valor diretamente atribuĆdo Ć proposição.
Toda a etapa da construção de representação nova estÔ fora desse escopo e por isso, a transformação pode ser única.
Veja aqui em Conceitos homƓnimos mas com significados diferentes, os conceitos para o que seja um verbo.
Veja novamente pĆ”gina MetĆ”foras adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operaƧƵes em cada segmento do espectro de modelos sob o tĆtulo ConversĆ£o ou um par de transformaƧƵes de mesmos sinais no caminho da Construção da representação.
Toda a operação pode ser reduzida a uma
Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:
Ā
Veja novamente pĆ”gina MetĆ”foras adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operaƧƵes em cada segmento do espectro de modelos agora sob o tĆtulo ConversĆ£o ou um par de transformaƧƵes de sinais trocados no caminho do Instanciamento da representação.
Toda a operação pode ser reduzida a uma
Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:
Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes
Veja em Funcionamento das operaƧƵes… a animação sob o tĆtulo AquĆ©m do objeto. Essa Ć© uma operação de instanciamento de representação formulada anteriormente como uma composição de representaƧƵes existentes. O apontador de inĆcio da operação estĆ” no cruzamento entre o dado e o recebido, ou na disponibilidade dos dois objetos envolvidos em uma eventual operação de troca.
Sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1725 e anterior à descontinuidade epistemológica temos:
Veja agora emĀ Funcionamento das operaƧƵes…Ā a animação sob o tĆtulo Diante do objeto. A operação modelada Ć© de formulação da representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Ao final dessa operação passa a existir a representação, ou o projeto, do objeto antes indisponĆvel para eventual operação de troca. E esse objeto, com o fim dessa operação com sucesso, estĆ” resolvido (seu projeto foi executado) mas ainda estĆ” indisponĆvel. Para que ele esteja disponĆvel serĆ” necessĆ”rio o desencadeamento da etapa de instanciamento dessa representação recĆ©m criada. EntĆ£o, a aposta Ć© que essa representação permaneƧa em um repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua, de onde serĆ” selecionado para essa ulterior operação de instanciamento.
A propriedade emergente volta a ser Fluxo, no caminho do Instanciamento da representação.
A representação objeto da operação de instanciamento é recuperada do Repositório no estado em que ela se encontrava quando foi adicionada a ele.
A empiricidade objeto serĆ” instanciada nesse estado em que foi recuperada; assim, o ‘modo de ser fundamental’ dessa empiricidade objeto da operação de instanciamento nĆ£o muda.
Processos, atividades, etc. que compõem os elementos de suporte na experiência da Forma de produção são desencadeados, e hÔ fluxos vÔrios, que são mostrados na pÔgina indicada.
Veja a seguir os pontos:
‘Mercado‘, ‘Processo‘, ‘Riquezas‘;
‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico‘, ‘Forma de produção‘ e ‘AnĆ”lise da produção‘;
As unanimidades nos conceitos, pelo seu uso, e pelo não uso:
“Assim como a Ordem no pensamento clĆ”ssico
nĆ£o era a harmonia visĆvel das coisas, seu ajustamento,
sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆrico,
lugar onde, aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe Ć© próprio.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
Mercado é o lugar onde ocorrem as trocas; Foucault chama isso de Circuito das trocas, e nós chamamos de Mercado.
Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico Ć© o lugar onde, “aquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele [as coisas empĆricas] assume o ser que lhe Ć© próprio”.
Veja o modelo de operaƧƵes – de produção e outras – sob o pensamento moderno, e note que ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico‘ Ć© um lugar, mesmo, e nĆ£o o uso de ‘lugar’ como um cacoete retórico.
Ć um lugar onde as empiricidades objeto de operaƧƵes tĆŖm alterado o seu ‘modo de ser fundamental‘, definido por Michel Foucault como o elemento ordenador da história sob o pensamento filosófico moderno.
modo de ser fundamental de uma empiricidade Ć© aquilo a partir do que ela pode ser “afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis.” Cartilha; Cap. 7 – Os limites da representação; tópico I. A idade da história.
Os detalhes estão a seguir:
āCertamente, para Ricardo como para Smith,Ā
o trabalho pode realmenteĀ
medir a equivalĆŖncia das mercadorias que passam pelo circuito das trocas:ā
āNa infĆ¢ncia das sociedades,Ā
o valor permutĆ”vel das coisasĀ
ou a regra que fixa a quantidade que se deve darĀ
de um objeto por outroĀ
só depende da quantidade comparativa de trabalhoĀ
que foi empregada na produção de cada um deles.āĀ
A diferenƧa, porƩm, entre Smith e Ricardo estƔ no seguinte:
JĆ” nĆ£o pode este ser definido, como na idade clĆ”ssica,Ā partir do sistema total de equivalĆŖnciasĀ e da capacidade que podem ter as mercadorias de se representarem umas Ć s outras.Ā
O valor deixou de ser signo, tomou-se um produto.Ā
Se as coisas valem tanto quanto o trabalho que a elas se consagrou,Ā
ou se, pelo menos, seu valor estĆ” em proporção a esse trabalho,Ā
nĆ£o Ć© porque o trabalho seja um valor fixo, constanteĀ
e permutĆ”vel sob todos os cĆ©us e em todos os tempos,Ā
mas sim porque todo valor, qualquer que seja, extrai sua origem do trabalho.Ā
E a melhor prova disso estĆ” em que o valor das coisasĀ
aumenta com a quantidade de trabalho que lhes temos de consagrar se as quisermos produzir; porĆ©m nĆ£o muda com o aumento ou baixa dos salĆ”riosĀ
pelos quais o trabalho se troca como qualquer outra mercadoria.ā
Circulando nos mercados, trocando-se uns por outros,Ā
os valores realmente tĆŖm ainda um poder de representação.Ā
Extraem esse poder, porĆ©m, de outra parte –Ā
desse trabalho mais primitivo e radical do que toda representaçãoĀ
e que, portanto, não pode definir-se pela troca.
Enquanto no pensamento clĆ”ssicoĀ
o comĆ©rcio e a trocaĀ
servem de base insuperĆ”vel para a anĆ”lise das riquezasĀ
(e isso mesmo ainda em Adam Smith,Ā
para quem a divisão do trabalho é comandada pelos critérios da permuta),
desde Ricardo,Ā
a possibilidade da troca estĆ” assentada no trabalho;Ā
e a teoria da produção, doravante,Ā
deverÔ sempre preceder a da circulação.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā
Cap. 8 Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo
Processo é o elemento central daquele tipo de operações que o mais que fazem é assinalar a coexistência de duas representações aceitando sua existência prévia, e tomando como bons os valores a elas carregados pelas proposições em uma linguagem que lê operações como fenÓmeno, a partir da disponibilidade dos dois objetos envolvidos na troca.
Para modelar esse tipo de operação a estrutura Input-Output é mais do que suficiente; e a natureza das operações é uma contabilidade focalizada na região do espaço onde a operação transcorre, tomando conta do que entra, do que sai, do que permanece dentro ou nem entra nem sai. Nada a ver com o homem, ou com qualquer objeto definido por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.
Qualquer coisa para a qual for possĆvel estabelecer uma relação de anterioridade ou simultaneidade com relação Ć regiĆ£o onde ocorre a operação serve como Entrada, ou como SaĆda. E essa relação pode ser estabelecida por meio de uma propriedade nĆ£o-original e nĆ£o-constitutiva, ou uma āaparĆŖnciaā. Propriedades sim-originais e sim-constitutivas nĆ£o sĆ£o utilizadas.
Veja aqui duas coisas:
āA Ćŗnica coisa que o verbo afirmaĀ
Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes:Ā
por exemplo, a do verde e da Ć”rvore,Ā
a do homem e da existĆŖncia ou da morte;Ā
Ć© por isso que o tempo dos verbosĀ
nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto,Ā
mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.āĀ As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā A teoria do verbo
para certificar-se de que esse conceito acima corresponde realmente ao pensamento na idade clĆ”ssica, veja na pĆ”gina sobre o funcionamento das operaƧƵes, as animaƧƵes sobre o tempo nos dois perĆodos, e associe o tempo ‘calendĆ”rio’ Ć parte do excerto acima sobre o tempo dos verbos.Ā
“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;Ā
tampouco filologia.Ā
Mas sim uma história natural, uma gramĆ”tica geral.Ā
Do mesmo modo, nĆ£o hĆ” economia polĆticaĀ
porque, na ordem do saber,Ā
a produção nĆ£o existe.Ā
Em contrapartida, existe, nos sĆ©culos XVII e XVIII,Ā
uma noção que nos permaneceu familiar,Ā
embora tenha perdido para nós sua precisĆ£o essencial.Ā
Nem Ć© de ānoçãoā que se deveria falar a seu respeito,Ā
pois nĆ£o tem lugar no interior de um jogo de conceitos econĆ“micosĀ
que ela deslocaria levemente, confiscando um pouco de seu sentido ou corroendo sua extensĆ£o. Trata-se antes de um domĆnio geral:Ā
de uma camada bastante coerente e muito bem estratificada,Ā
que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,Ā
as noƧƵes de valor, de preƧo, de comĆ©rcio, de circulação, de renda, de interesse.Esse domĆnio,Ā
solo e objeto da āeconomiaā na idade clĆ”ssica,Ā
Ć© o daĀ riqueza.InĆŗtil colocar-lhe questƵes vindas de uma economia de tipo diferente,Ā
organizada, por exemplo, em torno da produção ou do trabalho;
inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitosĀ
(mesmo e sobretudo se seus nomes em seguida se perpetuaram,Ā
com alguma analogia de sentido),Ā
sem levar em conta o sistema em que assumem sua positividade.”Ā
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas
Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noƧƵes, para respectivamente cada perĆodo histórico em nossa cultura, o padrĆ£o Ć© ficar com a anĆ”lise de valor do pensamento filosófico anterior, o clĆ”ssico, de antes de 1775.
Ā
Veja novamente a animação central sob o tĆtulo āDiante do objetoā na pĆ”gina
Toda essa operação acontece no Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico, no caminho da Construção de representação nova. A operação vĆŖ o fenĆ“meno a partir de um ponto de inserção do inĆcio de leitura da operação antes da disponibilidade do objeto cuja representação estĆ” em desenvolvimento e que, futuramente, poderĆ” ser levada ao circuito das trocas.
O Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico compreende dois sub-espaƧos:
Ć parte da preparação para receber os resultados da articulação do pensamento com o impensado, encaminhando o resultado para o espaƧo das representaƧƵes, no interior do domĆnio do Discurso e da Representação.
Ć assim que funciona o PrincĆpio Dual de trabalho de David Ricardo.
A Forma de produção é o elemento central das operações sob o pensamento moderno. Nessa posição, a forma de produção tem também a natureza de um verbo, mas em um conceito totalmente diferente, que transcrevo abaixo:
āĆ preciso, portanto,Ā
tratar esse verbo como um ser misto,Ā
ao mesmo tempoĀ
palavra entre as palavras,Ā
preso Ć s mesmas regras,Ā
obedecendo como elas Ć s leis de regĆŖncia e de concordĆ¢ncia;Ā
eĀ depois,Ā
em recuo em relação a elas todas,Ā
numa regiĆ£o que nĆ£o Ć© aquela do faladoĀ
mas aquela donde se fala.Ā
Ele estĆ” na orla do discurso,Ā
na juntura entre aquilo que Ć© ditoĀ
e aquilo que se diz,Ā
exatamente lĆ” onde os signosĀ
estĆ£o em via de se tomar linguagem.āĀ
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā A teoria do verbo
Veja agora que esse verbo estĆ” postado na regiĆ£o ‘desde onde se fala’, um sub-espaƧo do ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico’, e no interior do domĆnio do Pensamento e da LĆngua, onde a articulação com o impensado pode ter inĆcio para uma representação ainda nĆ£o existente, – e nĆ£o na regiĆ£o do falado, esta no interior do domĆnio do Discurso e da Representação. Foucault Ć© preciso a esse respeito: ‘Ele estĆ” na orla do discurso, na juntura…’
Veja a pƔgina
Nessa mesma pĆ”gina, mais embaixo, veja ComparaƧƵes entre os dois princĆpios de trabalho, e a importĆ¢ncia do princĆpio de trabalho de David Ricardo, segundo Michel Foucault.
A animação central da pĆ”gina Funcionamento… com o tĆtulo āDiante do objetoā descreve a operação de construção de uma representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Trata-se daquele objeto ainda indisponĆvel em uma operação de troca jĆ” descrito nas duas possibilidades de leitura… etc.
Veja logo acima o item II.8.a.i especialmente o trecho:
Tudo o que estĆ” representado na pĆ”gina Funcionamento… na animação central āDiante do objetoā estĆ” completamente fora do pensamento que pensa operaƧƵes no cruzamento do que Ć© dado e o que Ć© recebido.
Toda a operação que acontece no caminho da Construção da representação estÔ fora do modo como operações são vistas como fenÓmeno.
Mesmo quando diante de um modelo descritivo da produção que considere a Construção de representação, o analista supõe que se trata de um modelo que reza pela cartilha anterior, e segue pensando do modo como sempre pensou.
O pensamento clÔssico, aquele que dispunha da História natural, da AnÔlise das riquezas e da GramÔtica geral, fazia a AnÔlise das riquezas.
O pensamento moderno efetua em seu lugar, a AnÔlise da produção, o que implica na inclusão do que acontece no caminho da Construção da representação nova para a empiricidade objeto. Como esse pensamento não é considerado em suas diferenças com relação ao clÔssico, a AnÔlise da produção acaba sendo feita meio que sem consistência no pensamento.
Um exercĆcio de uso do modelo composto caracterĆstico das ciĆŖncias humanas,
uma combinação dos pares constituintes das ciĆŖnciasĀ
além do conhecimento do papel dessas duas ciências em nossa cultura.
“A psicanĆ”lise e a etnologia ocupam, no nosso saber, um lugar privilegiado.Ā
NĆ£o certamenteĀ
antes porque,Ā
Ora, hĆ” para isto uma razĆ£o que tem a ver com o objeto que respectivamente cada uma se atribui, mas tem mais ainda a ver com a posição que ocupam e com a função que exercem no espaƧo geral da epistĆ©mĆŖ.Ā
A psicanĆ”lise, com efeito, mantĆ©m-se o mais próximo possĆvel desta função crĆtica acerca da qual se viu que era interior a todas as ciĆŖncias humanas.
Dando-se por tarefa fazer falar atravĆ©s da consciĆŖncia o discurso do inconsciente,Ā
a psicanĆ”lise avanƧa na direção desta regiĆ£o fundamental onde se travam as relaƧƵes entre a representação e a finitude.Ā
EnquantoĀ todas as ciĆŖncias humanas
jÔ a psicanĆ”liseĀ
NĆ£o hĆ” que supor que o empenho freudiano seja o componente de uma interpretação do sentido e de uma dinĆ¢mica da resistĆŖncia ou da barreira;Ā
mas com o olhar voltado em sentido contrĆ”rio,Ā
em direção ao momento –inacessĆvel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem, a toda apreensĆ£o contĆnua em termosĀ
– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.Ā
Isto quer dizer que,Ā
E, nessa regiĆ£o onde a representação fica em suspenso, Ć margem dela mesma, aberta, de certo modo ao fechamento da finitude, desenham-se as trĆŖs figuras pelas quaisĀ
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. X – As ciĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise, etnologia
A figura da VisĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica parte de duas ideias:
Essa ideia estƔ embutida na Figura 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, basta analisar tendo em mente as condiƧƵes de possibilidade no pensamento daquela figura.
Veja tambƩm
Partindo dos dois obstĆ”culos, ou as duas pedras de tropeƧo que Foucault declara ter encontrado em seu trabalho, traƧamos – usando apenas interpretação de texto – um espectro de produƧƵes do pensamento, teorias, modelos e sistemas, com trĆŖs segmentos: AQUĆM, DIANTE e para ALĆM do objeto.
Da forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura no depois da descontinuidade epistemológica, vemos que o pensamento funciona organizado em torno do par sujeito-objeto. Mudando o objeto, muda a operação que pode ou não ser conduzida por um sujeito diferente, mas com um sujeito a conduzi-la.
Aplicando esse elemento organizador par sujeito-objeto às operações em organizações, vê-se que jÔ existem operações e organizações organizadas com esse critério: o modelo descritivo da produção do Kanban, e a Fig. 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, do livro Reengenharia, são exemplos.
Se examinamos mais de perto este Ćŗltimo exemplo, veremos que hĆ” dois pares sujeito-objeto incluĆdos nesse mapa – segundo Hammer, de ‘processos’ (ele nĆ£o conseguiu se livrar dessa unanimidade mesmo mapeando claramente Formas de produção e nĆ£o processos.
A VisĆ£o SSS resume-se a respeitar a relação um objeto – um modelo de operaƧƵes. E isso leva a uma organização SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica que torna evidente o nexo da produção.
a) Canal Inconsciente Coletivo, vĆdeo Jorge Forbes: estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos, de 28/07/2020;
b) Canal Falando Nisso, vĆdeo 150 – Signo, significação e significado de 08/10/2017;
c) Canal Falando, Nisso vĆdeo 254 – Neoliberalismo e sofrimento, de 31/08/2019;
d) Canal Quem Somos Nós? – vĆdeo Desigualdade: Concentração de renda com Eduardo Moreira;
e) Canal Monica de Bolle, vĆdeo 31 – Imaginando o “Novo Normal”;
f) Canal Monica de Bolle, vĆdeo 32 – O “Novo Normal”: Bens PĆŗblicos”;
g) Canal Inconsciente Coletivo – vĆdeo Ivaldo Bertazzo, que testou positivo para o Covid-19: “o grande problema do corpo Ć© o medo”, de 12/08/2020.
Os pontos comentados são os seguintes:
Meus comentƔrios usando o pensamento de Michel Foucault:
Veja tambĆ©mĀ
ReflexƵes imaginativas >
O fenÓmeno das operações; o tempo, uma Anatomia ou Cartografia dos modelos; MetÔforas adequadas para modelos de operações; Propriedades emergentes em função das configurações do pensamento >
As paletas de ideias, e respectivos elementos de imagem, necessƔrias para cada operacionalidade
Claramente a determinação ou não dessa parecença depende do modo como você olha para a fotografia, ou seja, com que recursos de pensamento faz isso. E o que procura na fotografia, com o seu olhar.
Ivaldo Bertazzo ensina que a gente olha e ouve o que nos chega do mundo sempre de acordo com o mesmo padrão.
E hÔ mais do que um padrão que pode ser usado para absorver o que nos chega do mundo.
Michel Foucault, olhando para o estado em que ele percebia encontrar-se a nossa cultura, e adotando a estratĆ©gia de questionar nĆ£o diretamente as teorias, modelos e sistemas mas as condiƧƵes de possibilidade destes no pensamento, viu modelos com e modelos sem a possibilidade de fundar as sĆnteses (da empiricidade objeto do pensamento) no espaƧo da representação. Ele estava questionando as condiƧƵes de possibilidade do pensamento, evidentemente.
E ele foi alĆ©m disso: viu o imperativo de que todo o campo das ciĆŖncias humanas fosse configurado tendo como pressuposto a constituição do que ele chama de os ‘quase-transcendentais’ Vida, Trabalho e Linguagem, podendo entĆ£o identificar um modelo composto padrĆ£o e genĆ©rico para todas as ciĆŖncias humanas nesse espaƧo, a partir de modelos constituintes das trĆŖs ciĆŖncias do eixo epistemológico fundamental, as ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma], do Trabalho (Economia polĆtica) [conflito-regra] e da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].Ā
VĆŖ-se que dessa percepção de Foucault Ć© possĆvel vislumbrar um espectro de modelos em nossa cultura. Esse espectro tem trĆŖs segmentos:
AQUĆM, DIANTE e para ALĆM do objeto (e do sujeito)
Pouca gente vĆŖ isso, mas vocĆŖ pode ver adiante neste trabalho.
Mas, olhando para a fotografia de hoje com os padrões que usamos ontem e desde sempre, fica estabelecida uma semelhança pela intermediação do padrão utilizado. Se é o padrão de sempre, as diferenças porventura existentes, causadoras de diferenciações, mas aparentes somente sob outro padrão, não aparecem.
Sempre é necessÔrio percebermos quais são os critérios dos quais se compõe o modo como olhamos para o mundo. Dependendo do que surge dessa procura daquilo que integra nossos padrões, pode ser que percebamos que ocorreram, sim, mudanças que nos passaram despercebidas; e mudanças de tal monta que sim, foram revoluções, mas localizadas no passado, e hoje jÔ distante.
Mas que a gente possa manter um savoir faire – um saber fazer, numa relação da harmonia do homem agora nĆ£o mais com a natureza, nĆ£o mais com os deuses, nĆ£o mais com a razĆ£o, mas com o intangĆvel. EntĆ£o, nesse intangĆvel, isso me leva a pensar numa Ć©tica – em dois tempos para cada um – de inventar uma surresposta singular da sua intangibilidade, e de colocĆ”-la no mundo (que Ć© o que faz o artista); nĆ£o Ć©? um Van Gogh vĆŖ um girassol que só ele viu – ele inventou um girassol – e inscreveu esse girassol no mundo.
Desde logo esse ‘savoir faire‘ Ć© interessante porque me dĆ” a oportunidade de, ao invĆ©s da tradução óbvia ‘saber fazer‘, optar por traduzir essa ideia como ‘forma de produção‘ como a maneira encontrada para fazer aquilo que sei fazer; e se fizer isso guiado pela ideia por trĆ”s do nome, estarei usando justamente o nome dado por David Ricardo, em 1817, para o elemento central do seu modelo de operaƧƵes que, segundo Foucault, ele publicou com o nome de PrincĆpio Dual de Trabalho (e Ć© interessante descobrir por que esse ‘dual’ no nome do principio.
O pensamento bem frequentemente consegue dar conta do ‘impensado’, mas ao contrĆ”rio, o ‘intangĆvel’ permanece tal e qual na maioria das vezes.
Desde logo, estabelecer um saber fazer voltado ao intangĆvel – o que quer que essa palavra signifique neste contexto – Ć© organizar “a relação da harmonia do homem nĆ£o mais com a natureza, os deuses, a razĆ£o”, mas levando em conta, agora, o objeto, um objeto definido como ‘intangĆvel’, aquela coisa que nĆ£o se pode tocar, parece que seja um grande passo adiante.
Veja que toda a mecĆ¢nica celeste funciona perfeitamente e artefatos sĆ£o colocados em órbita e chegam sem acidentes a outros planetas, e em sua grande maioria todos permanecem intangĆveis – no sentido original da palavra ‘intocĆ”veis’ – depois de estudados. Mas todos deixam de ser impensados. E graƧas a um pensamento organizado pelo par sujeito-objeto.
Pensando em um buraco negro, e nas teorias da relatividade que ajudam a compreendĆŖ-los, nĆ£o se pode dizer que eles, buracos negros – e outros entes cósmicos – de alguma forma possam tornar-se tangĆveis. Mas a ciĆŖncia os converte de ‘impensados’ cada vez mais em ‘pensados’. E essa conversĆ£o faz mais sentido do que a proposta por Forbes de intangĆveis para tangĆveis. AtĆ© mesmo no caso do Sars Cov-2.
Mas, porĆ©m, todavia, contudo, o direcionamento do pensamento para o que seja ‘intangĆvel’ jĆ” requer uma alteração radical na configuração do próprio pensamento: para um pensamento definido com relação a um determinado objeto, – embora um objeto genĆ©rico; isso porque exige um pensamento sim-discriminativo com relação ao objeto escolhido e seus elementos componentes, em contraposição a um pensamento indefinido porque nĆ£o-discriminativo com relação a qualquer objeto como Ć© (sim, Ć©, porque ainda agora, muito usado entre nós) o pensamento terra1 – como diz Forbes, voltado aos transcendentais natureza, deuses, razĆ£o.
Na filosofia de Michel Foucault, pensando em David Ricardo na economia polĆtica, Franz Bopp na Filologia, Georges Cuvier na Biologia, o pensamento volta-se para o impensado em vez de para o intangĆvel.
“Instaura-se
uma forma de reflexão,
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.Isso tem duas conseqüências.”
(…)
“A outra consequĆŖncia Ć© positiva.
Concerne à relação
do homem
com o impensado,
ou mais exatamente,
ao seu aparecimento gĆŖmeo
na cultura ocidental.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 9 – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado
Veja a forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura quando mudança como essa foi realizada:
A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault
Essa mudança no modo de organização do pensamento aconteceu, segundo Foucault, entre 1775 e 1825, nos cinquenta anos centrados na virada dos séculos XVIII para o XIX (vinte e cinto anos para cada lado). Grosso modo hÔ dois séculos; mudança bem mais recente do que os 28 séculos atrÔs em que Forbes posiciona o evento marcador antecedente da revolução que aponta também nos laços sociais.
Trata-se de uma mudanƧa com a seguinte natureza:
A primeira consequĆŖncia evidente Ć© que nĆ£o Ć© mais possĆvel modelar operaƧƵes, empresariais ou outras, usando a metĆ”fora da transformação Ćŗnica de Entradas ā SaĆdas ou do processamento de informaƧƵes sobre a estrutura Input-Output cujo sistema Ć© relativo, de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si. Veja que o elemento central desse modelo, Processo, tem a natureza de um verbo, e note que hĆ” dois conceitos para o que seja um verbo, e esse de um sistema relativo, etc. etc. Ć© o primeiro que transcrevo a seguir.
“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma, Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes; por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte. Ć por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. 4 – Falar; tópico III. A teoria do verbo
A segunda consequência é que partindo do conhecimento de que usualmente operações são modeladas sobre a estrutura Input-Output, e isso não é mais adequado, é preciso encontrar um outro padrão, um outro modelo. Isso é necessÔrio para que operações em organizações reais sejam modeladas convenientemente.
E esse outro modelo Ć© consistente nĆ£o mais com o pensamento de Adam Smith (Processo, estrutura Input-Output) mas sobre o pensamento de David Ricardo e seu Principio Dual de Trabalho, cujo elemento central Ć© o ‘savoir faire’ ou a forma de fazer, com o nome de Forma de produção.
Veja as seguintes pƔginas, comparando:
Modelos construĆdos dentro desse padrĆ£o:
Veja, o que gera uma vacina para o Sars-Cov-2 Ć© uma operação na qual o pensamento do cientista que, tendo em vista os aspectos ainda impensados, porque nĆ£o pensados, desse vĆrus, desencadeia uma operação no seguinte formato:
Essa operação cientĆfica considera entre outras coisas o que a ciĆŖncia sabe sobre vĆrus em geral e o Sars-Cov-2 em particular.
Tangibilidade ou intangibilidade sĆ£o qualidades, aparĆŖncias, ou propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas desse vĆrus. O impensado, ao contrĆ”rio, toma o objeto dessa operação de conhecimento por inteiro, mesmo que de inĆcio, nĆ£o haja qualquer propriedade sejam as nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas sejam as sim-originais e sim-constitutivas.
O interesse da ciĆŖncia Ć© pelas propriedades sim-originais e sim-constitutivas desse vĆrus, que sĆ£o essas que podem levar a conquistas como por exemplo, uma vacina. E encontrar esse conjunto de propriedades Ć© o que converte o impensado em representação.
Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura no pensamento filosófico de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825,’ o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆvel!
IntangĆvel Ć© uma qualidade de algo e nĆ£o faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.
Essa forma de reflexĆ£o sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e nĆ£o adjetivas, aparĆŖncias, como Ć© o intangĆvel.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)
Ao contrĆ”rio do impensado, que mediante articulação feita pelo pensamento e patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaƧo da representação (e a vacina!), o intangĆvel na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangĆvel.
HĆ” uma confusĆ£o entre os vocĆ”bulos intangĆvel e impensado.
Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexão em
Essa forma de reflexĆ£o Ć© consistente e estĆ” na base do PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo.
Veja em imagens
que ilustram essa forma de reflexĆ£o no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexĆ£o no perĆodo anterior.
Esse tĆtulo faz alusĆ£o a uma revolução nos laƧos sociais Ćŗnica – pelo seu tamanho, porque a maior – nos Ćŗltimos 2800 anos. E nos laƧos sociais.
Volto ao redirecionamento da ‘harmonia do homem’ desde os transcendentais natureza, deuses, razĆ£o, para o intangĆvel como diz Forbes. Se o argumento que fiz acima, a substituição do ‘intangĆvel‘ pelo ‘impensado‘ for aceito – ao menos para efeito deste texto, essa revolução a que o tĆtulo alude jĆ” ocorreu, e hĆ” exatos 203 anos. E teve exatamente a mesma intenção, atingiu ‘os laƧos sociais’ e todas as Ć”reas do conhecimento humano. E mais, marcou a entrada de nada mais nada menos do que o homem em nossa cultura.
NĆ£o foi pouca coisa.
Esse tĆtulo, com a afirmativa nele expressa, parece conter em seu significado, um descarte histórico desse evento que tem, na avaliação de Michel Foucault, o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento; e um desconhecimento do modo como se alterou ao longo do tempo o modo de ser fundamental do pensamento e suas condiƧƵes de possibilidade, em nossa cultura em tempo muito mais próximo de nós que os 28 sĆ©culos.Ā
Gostaria que Jorge Forbes relesse sobre isso na minha Cartilha – o livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, desse autor.Ā
Forbes alude a um movimento do pensamento que parte dos transcendentais natureza, deuses, razĆ£o e chega ao intangĆvel.
Foucault fala de um outro movimento que identifica modelos feitos por um pensamento postado AQUĆM do objeto – referido Ć Ordem arbitrariamente escolhida em que vige um sistema de categorias, para por um pensamento DIANTE do objeto no qual a ordem Ć© dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆngua usada, e chega a um pensamento para ALĆM do objeto em que encontramos constituĆdos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, e nĆ£o mĆŗltiplas categorias mas trĆŖs somente: função-norma; conflito-regra, significação-sistema.Ā
Tendo em mente especificamente a mudanƧa proposta por Forbes para um pensamento voltado a um objeto ‘intangĆvel’, e tendo consciĆŖncia de que isso resulta em um certo esforƧo do pensamento e alĆ©m disso, um pensamento organizado por esse objeto ‘intangĆvel’ escolhido, exatamente essa alteração – modelos organizados pelo objeto – aconteceu em nossa cultura em um espaƧo de tempo muito menor, pouco mais de dois sĆ©culos atrĆ”s em vez dos 28 sĆ©culos mencionados por Forbes.
Nesse meio tempo, e por falar não em revoluções mas em descontinuidades epistemológicas em nossa cultura, podemos ver esse evento em nossa cultura na pÔgina seguinte.
Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825,Ā
Essa mudança no pensamento exigiu uma forma de reflexão também nova. Segundo Michel Foucault, essa mudança ocorreu em um movimento do pensamento muito mais recente e importante que surgiu em momento muito mais próximo do nosso tempo. Veja essa forma de reflexão associada a uma imagem para o conceito, que torna aparentes os elementos de imagem utilizados, a estrutura que ocupam e os relacionamentos que estabelecem.
A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault
E os efeitos de tal movimentação das positividades umas em relação às outras pode ser constatado nas produções do pensamento efetivamente feitas e utilizadas em teorias, modelos e sistemas existentes e muito utilizados. Essa mudança não ficou apenas no pensamento teórico mas atingiu a prÔtica, embora não tenha sido avaliada de maneira alinhada com o pensamento filosófico.
A pƔgina a seguir mostra:
Esse tĆtulo do vĆdeo da entrevista de Jorge Forbes imediatamente me lembra do movimento Reengenharia, e da capa do livro de mesmo nome de Michael Hammer āā EsqueƧa o que vocĆŖ sabe sobre como as empresas devem funcionar: quase tudo estĆ” erradoā trombeteava ele. Seja em Hammer, ou em Forbes, nos dois casos havia e hĆ”, a denĆŗncia, como se atual fosse, de uma revolução jĆ” ocorrida em passado nem tĆ£o remoto. Em termos históricos, foi ontem.
A Cartilha mostra como e por que isso Ć© verdade.
Se estou entendendo o que ele chama de āĆ©poca anteriorā, ou terra1 isso jĆ” tem um nome: idade clĆ”ssica ou pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo a Cartilha. E chamado por esse nome, suficiente, podemos prescindir do nome fantasia terra1.Ā
Usando āpensamento filosófico clĆ”ssicoā podemos fazer o relacionamento com o modo de ser do pensamento de autores importantes desse perĆodo – a virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX, como Adam Smith, John Locke, Jeremy Bentham, etc. Ā E usando a contraparte āpensamento modernoā ā que possivelmente Forbes chamarĆ” de terra2 igualmente sem necessidade e com desvantagens ā podemos estabelecer relaƧƵes com pensadores como David Ricardo, Franz Bopp, Georges Cuvier, Sigmund Freud, John Maynard Keynes, entre muitos outros.
āMe incomoda a noção de norma no sentido de que vocĆŖ sai de um laƧo socialĀ
estandardizado, padronizado, rĆgido, hierĆ”rquico, linear, focado,Ā
que sĆ£o algumas das caracterĆsticas que eu entendo da Ć©poca anterior que eu chamo de terra1.Ā
Eu chamo de terra1 toda organização, todo laƧo social vertical – independente do que esteja, na verticalidade, no ponto da transcendĆŖncia, esteja (como esteve durante muitos sĆ©culos) primeiro a natureza, depoisĀ os deuses, depois a razĆ£o. As transcendĆŖncias mudam mas a estrutura arquitetĆ“nica arquitetural vertical se manteve. EntĆ£o eu entendo que hĆ” uma revolução monumental neste momento, sobre 2800 anos de história, em que nós saĆmos de uma forma de nos comportarmos verticalmente e temos a chance de nos comportarmos horizontalmente; o que implica em que nós temos a chance de viver num laƧo social flexĆvel, criativo, mĆŗltiplo, responsĆ”vel, – responsĆ”vel antepƵe responsabilidade e disciplina – (…) EntĆ£o vocĆŖ tem um laƧo social de caracterĆsticas, como eu disse,Ā
colaborativo, mĆŗltiplo, reticular, flexĆvel, criativo, [responsĆ”vel];Ā
e eu acho que o interessante quando nós sairmos dessa pandemia, Ć© nós guardarmos um aspecto dela, que Ć© a relação do homem com o intangĆvel.
āĀ Ref. Jorge Forbes, em Estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos do canal Inconsciente coletivo.
Neste comentĆ”rio, faƧo uso, claro, do meu particular e pessoal entendimento do pensamento de Michel Foucault, e afirmo:Ā
1. que no que Forbes chama terra2 – (entendido como a configuração moderna do pensamento, o de depois de 1825, como aquilo que sucede e substitui, se opondo, ao pensamento ‘anterior’),Ā ‘hierarquia’ Ć© uma estrutura intrĆnseca e inseparĆ”vel do resultado de uma operação de construção de representação nova, porque Ć© uma estrutura ligada ao resultado (uma representação) dessa operação sempre organizada pelo par sujeito-objeto, com princĆpios organizadores Analogia e SucessĆ£o e com os mĆ©todos AnĆ”lise e SĆntese;
e no entanto a qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆda ao pensamento emĀ terra1 (entendido agora como o pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775, o que Forbes chama de ‘anterior’).Ā
Dado que no pensamento clĆ”ssico nĆ£o existem as noƧƵes de objeto (noção Ć qual a ideia de hierarquia estĆ” ligada em um modelo de operaƧƵes) e de sujeito (homem), essa qualidade atribuĆda a terra1 deve estar referida a outra coisa que mereƧa esse atributo, mas que nĆ£o estĆ” clara no texto, e valeria a pena esclarecer o que seja que tem essa qualidade.Ā
norma Ć© um dos modelo constituintes das ciĆŖncias humanas que juntamente com função, compƵe o par constituinte da ciĆŖncia da Vida, a Biologia no perĆodo moderno do pensamento e no segmento do espectro de modelos para ALĆM do objeto.
hÔ outros dois pares de modelos constituintes no modelo constituinte padrão, genérico para todas as ciências humanas, a saber
A descrição feita por Michel Foucault desse modelo constituinte padrão e genérico, composto dos pares constituintes das ciências que habitam a região epistemológica fundamental, e o eixo vertical do Triedro dos saberes:
acaba sendo quase que um manual para formulação de teorias, modelos e sistemas nesse campo, e por isso faço este comentÔrio.
Portanto este comentƔrio vai a seguir em dois pontos:
1. Quanto Ć s qualidades atribuĆdas a terra1 e terra2;Ā
e 2. Quanto ao incĆ“modo com a ‘norma’
1. Quanto Ć s qualidades atribuĆdas a terra1 e terra2
Note que as caracterĆsticas tanto em terra1 quanto em terra2 sĆ£o dadas no excerto acima, e nos dois casos, por qualidades dos laƧos sociais.
Tomando terra1 como sendo a configuração do pensamento filosófico no perĆodo clĆ”ssico, nesse perĆodo o pensamento funciona com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas das coisas, as aparĆŖncias, estas, qualidades. Para o pensamento assim configurado nĆ£o existem a noção de homem como ser capaz de desempenhar uma duplicidade de papĆ©is, e a noção de objeto.
O elenco de qualidades atribuĆdas ao laƧo social – estandardizado, padronizado, rĆgido, hierĆ”rquico, linear, focado – pode ser objeto de reflexĆ£o interessante.Ā
A qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆda ao pensamento terra1 que eu, aqui, presumo que se refira ao pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo Foucault.Ā
Tomando posição em terra2, que eu presumo referir-se ao pensamento moderno, o de depois de 1825 segundo Foucault, essa qualidade ‘hierĆ”rquico’ seria dada por uma estrutura de conformação definida no objeto, uma hierarquia.
Enfatizando, no pensamento moderno os princĆpios organizadores de uma operação no caminho da Construção de representação nova sĆ£o Analogia e SucessĆ£o com os mĆ©todos AnĆ”lise e SĆntese.Ā
Ā “De sorte que se vĆŖem surgir,Ā
como princĆpios organizadores desse espaƧo de empiricidades,Ā
aĀ AnalogiaĀ e aĀ SucessĆ£o:Ā
de uma organização a outra,Ā
o liame, com efeito, nĆ£o pode ser mais a identidade de um ou vĆ”rios elementos,Ā
mas a identidade da relação entre os elementosĀ
(onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel) e da função que asseguram; (…)Ā
Cartilha; Cap. 7. Os limites da representação; tópico I. A idade da história
TomemosĀ (ainda posicionados emĀ terra2!)Ā um ‘impensado’ em Foucault ou um ‘intangĆvel’ em Forbes; nĆ£o existe representação para isso – ou nĆ£o seria um impensado ou um intangĆvel no domĆnio de trabalho. Por isso, se for feita a decisĆ£o de resolver essa situação de intangibilidade ou nĆ£o representatividade, esse ‘impensado’ serĆ” objeto em uma operação de construção de uma representação.Ā
O pensamento converte o impensado em representação.
Aquilo que antes dessa operação era o ‘impensado‘ de Foucault,Ā depois dessa operação de construção de representação nova – conduzida em cada etapa pelo sujeito – nada mais serĆ” do que um pacote logicamente organizado de objetos anĆ”logos ao impensado e seus aspectos, objetos esses adotados em seu conjunto como substitutivos – dentro de certos critĆ©rios de aceitação – daquele ‘impensado’ para o qual nĆ£o havia representação no espaƧo no qual a operação acontece.Ā
O princĆpio organizador do pensamento Analogia estabelece relaƧƵes de analogia das quais surgem objetos anĆ”logos ao impensado mais representĆ”veis. Usando como diz Foucault ‘a sintaxe que autoriza a construção das frases’, esse objeto anĆ”logo Ć© arrastado para o modelo de operaƧƵes construĆdo segundo as regras da linguagem por meio de uma proposição na qual o homem Ć© sujeito, e o predicado do sujeito Ć© composto por um verbo – a forma de produção, e um atributo, o objeto anĆ”logo que acaba de ser criado na relação de analogia. Agora cada um desses objetos anĆ”logos sĆ£o testados quanto Ć s respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo em que a operação acontece. Caso necessĆ”rio, o mĆ©todo AnĆ”lise entra em cena e quebra cada objeto anĆ”logo eventualmente ainda nĆ£o representĆ”vel em outros objetos anĆ”logos mais próximos de suas respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo; e o mĆ©todo SĆntese garante que o objeto anĆ”logo inicial ainda pode ser composto pelo conjunto de objetos anĆ”logos resultantes da AnĆ”lise.
AĆ entra o princĆpio organizador SucessĆ£o. Usando como diz Foucault ‘aquela sintaxe, menos manifesta, que autoriza manter juntas ao lado e em frente umas das outra, as palavras e as coisas‘, a SucessĆ£o posiciona ao lado, ou em frente uns dos outros, os objetos anĆ”logos criados em substituição ao objeto anĆ”logo nĆ£o representĆ”vel, estabelecendo entre eles relaƧƵes lógicas – de sucessĆ£o.Ā
Você pode ver isso em uma animação nesta pÔgina, sob DIANTE do objeto. Se necessÔrio, posso dar mais detalhes sobre como isso funciona.
Nota: essa descrição do funcionamento de uma operação de construção de representação para algo antes impensado nĆ£o explica suficientemente o ‘laƧo social’, mas podemos chegar lĆ”.
Continuando. Assim, supondo que terra2 seja de fato o que eu estou pensando que Ć©, o pensamento filosófico moderno – o de depois de 1825, como diz Foucault ‘aquele [pensamento] com o qual queiramos ou nĆ£o, pensamos‘, entĆ£o, hierĆ”rquico Ć© uma qualidade intrĆnseca a esse tipo de pensamento, terra2, desde que entendido como referente ao objeto. Como humanos nĆ£o nos Ć© possĆvel construir representação para qualquer ‘impensado’ sem que o resultado seja um objeto expresso por uma representação com uma estrutura em hierarquia.
Fechando o longo parĆŖnteses, e voltando ao ponto, supondo que terra1 seja de fato o que penso que Ć©, – o pensamento filosófico clĆ”ssico.
Em assim sendo, a noção de impensado cuja representação Ć© construĆda pelo pensamento, nesse tipo de pensamento, nĆ£o existe. Porque nĆ£o existe a noção de objeto e tambĆ©m nĆ£o existe a noção de sujeito da operação, como o homem, que seria capaz de construir representação nova. O homem estĆ” fora da paleta de ideias no pensamento clĆ”ssico. ‘Antes do final do sĆ©culo XVIII o homem nĆ£o existe em nossa cultura. NĆ£o mais do que um gĆŖnero, ou uma espĆ©cie’ Ć© o que nos alerta Foucault.
Logo, nesse tipo de pensamento, sem a noção de objeto prima irmĆ£ da noção de hierarquia, a qualidade ‘hierĆ”rquico’ deve referir-se a outra coisa que nĆ£o o objeto. EntĆ£o o que Ć© danoso, prejudicial, e justifica mudanƧas Ć© essa outra coisa que estĆ” associada a essa qualidade ‘hierĆ”rquico’, e que vista mais de perto, nĆ£o pertence a esse pensamento.Ā
E essa coisa não é declarada por Forbes, o que poderia gerar confusão.
Mas a palavra hierarquia Ć© muito usada, e mesmo em terra1; as organizaƧƵes foram bem ou mal se organizando e apresentando problemas. Sem atentar para que tipo de pensamento estavam usando. E aĆ, por diferentes razƵes, alguns autores passaram a demonizar a organização hierĆ”rquica sem dizer especificamente o que estavam demonizando. Isso sem noção de que a estrutura hierĆ”rquica Ć© inerente, indissociĆ”vel, ao pensamento moderno, e Ć s operaƧƵes que transcorrem organizadas sob essa configuração do pensamento.
EntĆ£o, se estou sendo entendido, hierĆ”rquico em terra1, nada tem, nem pode ter, a ver com o objeto de operaƧƵes sob o pensamento moderno que terminam construindo representaƧƵes novas. E o pensamento voltado para o ‘intangĆvel’ de Forbes ou ‘impensado’ de Foucault nĆ£o pĆ”ra de pĆ© sem o objeto e sem o sujeito; e portanto necessariamente com a qualidade ‘hierĆ”rquico’ que em Forbes estĆ” posta em terra1.
Pode haver confusĆ£o aĆ, demonizando a hierarquia, o que, em se tratando de pensamento moderno (terra2) em qualquer caso, Ć© na verdade Ć© uma missĆ£o impossĆvel.Ā
Obviamente nĆ£o sei como essa qualidade afeta o laƧo social descrito por Forbes, mas posso ver com alguma clareza como essa qualidade afeta a estrutura do pensamento nas operaƧƵes sob o pensamento filosófico moderno, no depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825. E a hierarquia Ć© caracterĆstica integrante e indissociĆ”vel do resultado nessa configuração do pensamento, arrastada para a representação (projeto) decorrente do referencial, dos princĆpios organizadores e dos mĆ©todos utilizados em um pensamento orientado pelo par sujeito-objeto.
Veja isso na seguinte pƔgina
NĆ£o se ganha nada ao retirar a qualidade hierĆ”rquica da estrutura inerente Ć construção de representação nova (projeto); ao contrĆ”rio perde-se muito, essa tentativa empobrece a visĆ£o da operação, oblitera o funcionamento das duas sintaxes da lĆngua usada para modelar operaƧƵes; por essas razƵes, mas acima de tudo, essa parece ser uma missĆ£o impossĆvel. A estrutura hierĆ”rquica da operação da qual resulta uma representação nova Ć© resultado do perfil de configuração do pensamento.
2. Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a ‘norma’
Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a noção de ‘norma’, isso me remete imediatamente de novo Ć Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’, que me permite uma visĆ£o de conjunto muito mais completa e Ćŗtil para quem pensa em formular e configurar, e depois operar com sucesso, modelos no domĆnio das ciĆŖncias humanas.
A ‘norma‘ que incomoda Forbes, Ć© a expressĆ£o de uma convenção, um acordo feito para atender Ć s condiƧƵes requeridas por uma ‘função‘; esse acordo, essa convenção, visa a estabilidade temporal, em mais de um aspecto, e o compartilhamento dessa ‘norma‘ isto Ć©, da solução conseguida e convencionada para a obtenção prĆ”tica dessa ‘função’.
Vale a pena examinar, usando o pensamento de Michel Foucault, o que se configura quase comoĀ
Um ‘manual’ para projeto e construção de modelos no domĆnio das ciĆŖncias humanas
em trĆŖs tempos:
examinando o modelo constituinte padrão das ciências humanas composto de uma combinação ponderada dos pares constituintes das ciências do eixo epistemológico fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem:
āAssim, estes trĆŖs pares, função e norma, conflito e regra, significação e sistema, cobrem, por completo, o domĆnio inteiro do conhecimento do homem.āĀ Cartilha; Cap. 10 ā As ciĆŖncias humanas; tópico I ā O triedro dos saberes
Esse excerto da Cartilha dĆ”-nos conta de que esses trĆŖs pares de modelos constituintes, das ciĆŖnciasĀ
estĆ£o na base de toda e qualquer ciĆŖncia humana, incluindo a economia polĆtica, e a biopolĆtica, e tambĆ©m a anĆ”lise da produção. Essas trĆŖs ciĆŖncias compƵem, segundo Foucault, a regiĆ£o epistemológica fundamental.
Forbes supostamente estĆ” analisando o que aconteceĀ nas,Ā eĀ com asĀ organizaƧƵes empresariais e, portanto, estĆ” elaborando bem no campo de uma ciĆŖncia humana. Essa ciĆŖncia humana que segundo Foucault, tem esse modelo constituinte padrĆ£o no qualĀ
Isso evidencia que esse incĆ“modo de Forbes com a ‘norma‘ precisa ser bastante ampliado quando se fala de laƧos sociais porque estes estĆ£o afetos,Ā
mas tambĆ©m estĆ£o regidos pelos pares constituintes dos outros dois quase-transcendentais:Ā
Ć claro que podemos desconsiderar esse mapeamento admirĆ”vel do espaƧo dos saberes moderno feito por Foucault e pensar de modo compartimentado e muito mais incompleto.Ā
Mas por que exatamente farĆamos isso?
Um
A frase citada por Forbes:
“Freud explica ā Freud implica:
no ‘explica’ vocĆŖ tem um saber anterior ao ato;
no ‘implica’ vocĆŖ tem um ato anterior ao saber.”
Implica vem do verbo implicar. O mesmo que: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde.
Expressar desdém, deboche, zombaria; hostilizar: ele implica com seu irmão constantemente; implicava-se com o vizinho.
Obter como resultado, efeito ou consequência; originar: a devolução do imóvel implica multa.
Fazer com que algo se torne necessÔrio; requerer: o trabalho não implica sua participação.
Implica Ʃ sinƓnimo de: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde
Implica Ʃ antƓnimo de: desimplica
verbo transitivo diretoFazer com que fique claro e compreensĆvel; descomplicar uma ambiguidade: explicar um mistĆ©rio.Ser a causa de: a desgraƧa explica sua amargura.Conseguir interpretar o significado de: explicar um texto irĆ“nico.verbo transitivo direto e bitransitivoFazer com que alguma coisa seja entendida; explanar: explicar uma teoria; explicar a matĆ©ria aos alunos.verbo transitivo direto e pronominalProvidenciar uma justificativa ou desculpa; desculpar-se: preciso explicar meu comportamento; o presidente explicou-se ao povo.Manifestar-se atravĆ©s das palavras; exprimir-se: explicar uma paixĆ£o; explicou-se numa linguagem bem popular.Etimologia (origem da palavra explicar). Do latim explicare.
Explicar Ʃ sinƓnimo de: lecionar, pontificar, adestrar, amestrar, doutrinar, educar, ensinar, formar, instruir
Explicar Ʃ o contrƔrio de: obscurecer, complicar
Ć bem implicante o leque de significados das palavras ‘explica’ e ‘implica’. Implica pode significar atĆ© confunde! mas Ć© tambĆ©m ‘origina’.
Implica Ʃ origina, requer. Explicar Ʃ formar, instruir. Complicar, Ʃ antƓnimo de explicar.
Etimologicamente complicar é dobrar junto; implicar é entrelaçar, juntar, reunir. Muito próximos os significados, não?
Essa relação de sucessão ou de precedência entre ato e conhecimento tem bastante mais a ver com:
do que propriamente com o significado escolhido para essas duas palavras.
Se assim for, é melhor declarar explicitamente quais são as condições de possibilidade do pensamento selecionadas, e qual a natureza da operação em que estamos pensando, se de construção de representação nova, se de instanciamento de representação anteriormente existente.
Além disso, dependendo dessa natureza da operação, a operação pode acomodar-se, desde logo, a uma configuração do pensamento clÔssico, anterior a 1775, ou a uma configuração do pensamento moderno, o de depois de 1825.
Os perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo o pensamento de Foucault: OperaƧƵes possĆveis sob as condiƧƵes de pensamento dadas pelos respectivos perfĆs do pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 e pelo moderno, de depois de 1825. saber anterior ao ato ato anterior ao saberĀ saber anterior ao ato
os pensamentos clƔssico (de antes de 1775); e moderno( de depois de 1825)
Muito diferentes, uma da outra, se atentarmos ao pensamento de Foucault. Você pode ver essas diferenças aqui. Isso, se o modo de ser do pensamento não for explicitado onde e quando devido.
Esta argumentação tem como pano de fundo o pensamento de Foucault. E a frase acima Ć© a expressĆ£o de um pensamento atual tal como ele aflora. Vale, portanto, rever como Foucault avaliava o pensamento em geral, tal como aflorava durante o seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’, em 1966, o que, pelo que vejo, nĆ£o mudou.
Veja Os dois obstƔculos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho.
usando essa citação de modo mais restrito, Foucault via um pensamento contaminado, nas palavras dele, ‘dominado’ por um pensamento de idade anterior. Ele via um pensamento ‘dominado pela impossibilidade de fundar as sĆnteses (da empiricidade objeto) no espaƧo da representação’.
Nessa frase acima, eu vejo esse mesmo tipo de contaminação, que gera uma dubiedade, que queremos levantar com a ajuda do mestre, Michel Foucault.
Para a situação sugerida no caso do ‘implica’ no lado direito da frase – um ato anterior ao saber -, a configuração do pensamento deve, necessariamente, permitir a geração de saber novo (ser capaz de fundar as sĆnteses no espaƧo da representação); deve portanto permitir a construção de representação nova para o objeto do ato, ou da operação.
Essa possibilidade – inerente ao proposto no lado direito da frase -, Ć© privativa do pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Mas só ocorre quando o ‘Freud’ da frase estiver com um pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno, e na etapa da Construção da representação. O mesmo ‘Freud’, no pensamento moderno, mas na etapa de Instanciamento de representação relativa a saber anteriormente obtido, estarĆ” diante de um saber anterior ao ato.
O pensamento clĆ”ssico, em suas teorias, modelos e sistemas, nĆ£o permite construção de representação nova (porque era marcado pela impossibilidade de fundar as sĆnteses …, esse o obstĆ”culo vislumbrado por Foucault); no pensamento clĆ”ssico tudo o que existe estĆ” lĆ” desde sempre e para sempre, e por obra de Deus compondo o Universo.
Para a situação sugerida no ‘Explica”, o lado direito da frase – saber anterior ao ato – nessa perspectiva do pensamento de Foucault, gera uma dubiedade que só pode ser resolvida tendo presentes, em detalhe, como sĆ£o as operaƧƵes as que sim, podem, e as que nĆ£o podem ‘fundar as sĆnteses no espaƧo da representação’. Sem discernimento, o pensamento fica ‘dominado’ porque pode estar imerso no perfil do pensamento clĆ”ssico, ou no perfil do pensamento moderno, mas no caminho do Instanciamento da representação.
Pensando nessas relaƧƵes de precedĆŖncia ou sucessĆ£o entre ato e saber, e nas operaƧƵes em suas possĆveis etapas, suas configuraƧƵes e perfis ou estruturas de conceitos sobre os quais sĆ£o concebidas, nĆ£o hĆ” razĆ£o para que essa frase se restrinja a Freud. Poderia ser qualquer outro sujeito. Mas se levarmos em conta a menção especificamente a Freud, ela arrasta para a frase o modo de ser do pensamento desse grande autor, classificado por Michel Foucault como um pensador moderno, com estrutura de pensamento daquela configuração de pensamento de depois de 1825.
Dado esse conjunto de significados em comum, esses dois conceitos ‘Explica‘ e ‘Implica‘ e essas relaƧƵes de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre ato e saber me fazem lembrar do pensamento de Humberto Maturana, que pode ser visto em uma animação de menos de 4 minutos, na seguinte pĆ”gina;
Essa Figura 2 Ć© original de Maturana (apenas a arte foi editada – os elementos grĆ”ficos que representam as ideias foram modificados) mas em vez de usar dois rótulos como explica e implica, Maturana usa um pensamento no qual emprega duas formas para o mesmo rótulo ‘Explicar’, com diferentes significados correspondentes Ć” mudanƧa que estĆ” discutindo:
(saber anterior ao ato, ou o ‘Explica’ no lado esquerdo da frase)
(saber posterior ao ato, ou o ‘Implica’ do lado direito da frase)
Nesse pensamento, no original de Maturana, ele atribui pressupostos para o tipo de pensamento desenvolvido em cada lado da figura:
e reflete o saber anterior ao ato (operação)
e reflete o saber posterior ao ato (operação)
Usando agora o pensamento de Michel Foucault. Veja, por favor, e novamente, as pƔginas seguintes com animaƧƵes que colocam palavras de Foucault sobre paletas de elementos de imagem e respectivas estruturas:
primeiro, a operação de construção de representação nova (projeto) sob o pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno:
Funcionamento das operaƧƵes (…) operação Diante do objeto
e depois, veja a pƔgina
Resumidamente – e para facilitar – os dois perfis ou estruturas de conceitos, sĆ£o:
Examinando os dois perfis caracterĆsticos das duas configuraƧƵes do pensamento, vĆŖ-se que:
(Aviso: Ʃ melhor examinar primeiro o perfil do pensamento moderno, com suas capacidades de tratar propriedades originais e constitutivas e depois o perfil do pensamento clƔssico)
Nota: não se trata de afirmar que na idade clÔssica não se produzia representações novas; mas dizer que as teorias, modelos e sistemas sob essa configuração do pensamento não abrangiam a etapa de construção de representações novas.
Acabamos de ver o funcionamento da operação de construção de uma representação nova (projeto) para uma empiricidade objeto, com um pensamento configurado de acordo com o pensamento moderno, o de depois de 1825 – uma vez que a configuração do pensamento anterior, o clĆ”ssico, nĆ£o pode construir novas representaƧƵes.
Fica claro – entendida essa sistemĆ”tica de funcionamento – que no pensamento moderno, e na etapa de construção de saber novo, (caminho da Construção da representação)
Como reza a frase no lado direito, sim, tem-se um ato anterior ao saber, mas… somente no caso do pensamento moderno, e no caminho da Construção da representação. PorĆ©m, estando no mesmo lado direito, e tambĆ©m no pensamento moderno, se estivermos no caminho do Instanciamento de representação previamente existente – o que mais acontece em situaƧƵes de realidade – a situação se inverte, e teremos um saber anterior ao ato, como no caso anterior do pensamento clĆ”ssico.
Dado que a possibilidade de saber novo só acontece com um pensamento configurado com o perfil caracterĆstico do pensamento moderno, essa frase (de efeito) depende de quais sejam as visƵes de operaƧƵes adotadas (o ato) em qual etapa da operação e de qual configuração do pensamento.
A relação de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre o ato e o saber Ć© essencial nessa frase e podemos deixar de lado, e em segundo plano, os nomes ‘explica‘ e ‘implica‘.
Essa relação de sucessão corresponde ao que ocorre nas operações sob as configurações do pensamento clÔssico e moderno da seguinte forma:
Então, para que a frase faça algum sentido, é necessÔrio atentar qual seja o perfil de configuração do pensamento diferente, e em qualquer caso, uma visão clara do que sejam operações, em cada lado da seta que estÔ no meio dessa frase:
AtƩ agora Freud entrou nessa frase como Pilatos no credo.
E essa referência a Freud nessa frase também cria mais problemas, desde que usemos o pensamento de Michel Foucault.
Segundo Foucault, Freud Ć© um pensador moderno.
Logo, ele teria noção dos modelos de operações no pensamento moderno; e também os do pensamento clÔssico, se não, não teria escolhido pensar com o missal do pensamento moderno.
E assim, todas as opƧƵes condicionadas ao pensamento clƔssico acima deixam de valer no caso de Freud.
Então, o pensador moderno Freud
O comportamento do pensador moderno Freud nĆ£o Ć© função do nome dado Ć operação, se ‘explica’ ou se ‘implica’, mas o que a operação pretende com respeito ao seu objeto e o estado em que se encontra esse objeto no ambiente em que a operação acontece – jĆ” existe ou ainda nĆ£o existe representação para ele nesse ambiente.
EntĆ£o um ato de ‘explicar’ de Freud pode nĆ£o ter um saber anterior; o que contradiz a frase no lado esquerdo. E tambĆ©m o estabelecimento de uma implicação dele pode ter um saber anterior, o que contraditaria o lado direito da frase.
Mostramos isso no Funcionamento de operaƧƵes, e um ato (operação) desse tipo preenche a etapa de Instanciamento de representaƧƵes anteriormente construĆdas.
Os pontos comentados são os seguintes:
e as duas correspondentes origens da essência da linguagem e do valor carregado pela proposição para a representação.
ComentƔrios
1. Tendo como referĆŖncia o pensamento de Michel Foucault, nĆ£o hĆ” dĆŗvida de que Freud foi um pensador moderno; assim, o movimento que teria sido feito por Lacan desde uma psicanĆ”lise de Freud, com base na representação para uma outra, de Lacan, fora da representação pode nĆ£o ter sido possĆvel uma vez que a psicanĆ”lise de Freud jĆ” tinha sua base fora da representação.
2. Teorias, modelos e sistemas, como produƧƵes do pensamento, transcorrem sempre com a presenƧa de uma linguagem; o veĆculo de carregamento de valor Ć© sempre a proposição e o destino do valor carregado Ć© sempre a representação. A questĆ£o parece ser, entĆ£o, a origem – se interna ou externa Ć linguagem – do valor atribuĆdo Ć proposição.Ā
3. A alteração de uma origem de valor interna Ć linguagem para uma externa Ć linguagem implica em uma mudanƧa no modo de conhecer o que dizemos que conhecemos, uma mudanƧa epistemológica.Ā
Seguem comentÔrios em tópicos:
A descrição feita por Michel Foucault da psicanÔlise de Freud dÔ-nos conta ser Freud um pensador moderno.
Em nossa Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’) Foucault nĆ£o hesita em classificar Freud como um autor moderno, e caracteriza o pensamento clĆ”ssico como āaquele para o qual a representação existeā.
No livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. 10 ā As CiĆŖncias humanas; tópico V ā PsicanĆ”lise e etnologia, de Michel Foucault, encontramos subsĆdios para afirmar que o autor discorda frontalmente dessa afirmativa de que a psicanĆ”lise de Freud tivesse suas bases na representação; nesse texto Foucault mostra que, ao contrĆ”rio, o pensamento de Freud jĆ” tem suas bases fora da representação; e expƵe como e por que ele faz esse juĆzo mostrando o funcionamento da psicanĆ”lise – tendo como elemento organizador dessa argumentação o modelo constituinte padrĆ£o, comum a todas ciĆŖncias humanas por ele desenvolvido nesse livro, um modelo composto pelos pares de modelos constituintes das ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma]; do Trabalho (Economia) [conflito-regra]; da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].
“NĆ£o hĆ” que supor que o empenho freudiano
seja o componente de uma interpretação do sentido
e de uma dinâmica da resistência ou da barreira;
seguindo o mesmo caminho que as ciĆŖncias humanas,
mas com o olhar voltado em sentido contrƔrio,
a psicanÔlise se encaminha em direção ao momento
– inacessĆvel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem,
a toda apreensĆ£o contĆnua em termos de significação, de conflito ou de função
– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.
Isto quer dizer que,
ao contrÔrio das ciências humanas que, retrocedendo embora em direção ao inconsciente,
permanecem sempre no espaƧo do representƔvel,
a psicanÔlise avança para transpor a representação,
extravasĆ”-la do lado da finitude e fazer assim surgir, lĆ” onde se esperavam
- as funƧƵes portadoras de suas normas,
- os conflitos carregados de regras
- e as significaƧƵes formando sistema,
o fato nu de que
- pode haver sistema (portanto, significação),
- regra (portanto, oposição),
- norma (portanto, função).
E, nessa região onde a representação fica em suspenso,
Ć margem dela mesma,
aberta, de certo modo ao fechamento da finitude,
desenham-se as trĆŖs figuras pelas quais
- a vida, com suas funƧƵes e suas normas,
vem fundar-se na repetição muda da Morte,
- os conflitos e as regras,
na abertura desnudada do Desejo,
- as significaƧƵes e os sistemas,
numa linguagem que Ć© ao mesmo tempo Lei.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 10 ā As CiĆŖncias humanas;
tópico V ā PsicanĆ”lise e etnologia
e especial destaque para o modo como Foucault vĆŖ que isso Ć© interpretado:
Sabe-se como psicólogos e filósofos
denominaram tudo isso:mitologia freudiana.
Era realmente necessƔrio
que este empenho de Freud
assim lhes parecesse;para um saber que se aloja no representƔvel,
aquilo que margeia e define, em direção ao exterior,
a possibilidade mesma da representação
nĆ£o pode ser senĆ£o mitologia.ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 10 ā As CiĆŖncias humanas;
tópico V ā PsicanĆ”lise e etnologia
Isso permite pensar que a razão de ser da psicanÔlise de Lacan, encontre seu fundamento em outro movimento de pensamento feito por ele, porque a psicanÔlise de Freud jÔ estava formulada desde fora da representação.
Em que consiste, então, a contribuição feita por Lacan?
Lembrando os obstĆ”culos percebidos por Foucault em seu trabalho, uma impossibilidade de fundar as sĆnteses [da empiricidade objeto no espaƧo da representação] e a obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, arriscaria dizer que a contribuição de Lacan foi formular uma psicanĆ”lise para alĆ©m do objeto.Ā Ā
Ā
Essas duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ situam-se de lados opostos em relação Ć descontinuidade epistemológica posicionada por Michel Foucault como tendo ocorrido entre 1775 e 1825. Isso colocaria uma produção do pensamento baseada na representação do lado oposto a uma outra, baseada desde fora da representação. (O movimento de pensamento que o vĆdeo informa ter sido feito por Lacan com relação a Freud.
Podemos ver isso sob o ponto de vista das alteraƧƵes na própria linguagem em decorrĆŖncia da visĆ£o que temos do fenĆ“meno āoperaƧƵesā de pensamento ou outra, e de acordo com as explicaƧƵes de Michel Foucault:
Esse link mostra uma figura com a visĆ£o ampla do que entendemos como o fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ com representaƧƵes, incluindo as operaƧƵes de troca, mostrando os dois pontos nos quais podemos inserir o inĆcio da leitura que fazemos desse fenĆ“meno:
A pƔgina mostra:
A proposição é o bloco construtivo padrão fundamental para construção de representações.
āA proposição Ć© para a linguagem
o que a representação é para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo mais geral e mais elementar
porquanto, desde que a decomponhamos,
não encontraremos mais o discurso,
mas seus elementos como tantos materiais dispersos.ā
As palavras e as coisas; Cap. 4 ā Falar; tópico III ā Teoria do verbo
A representação carregada de valor como condição para que uma coisa possa representar outra em uma operação de troca.
(…) āEm outras palavras, para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam jĆ” carregadas de valor;
e, contudo, o valor só existe no interior da representação.ā
As palavras e as coisas; Cap. 6 ā Trocar; tópico V. A formação de valor
Antes de mais nada, muda a abrangĆŖncia da visĆ£o que temos do que seja uma operação, em decorrĆŖncia do ponto de inserção do inĆcio de leitura que fazemos desse fenĆ“meno. HĆ” duas possibilidades de inserção desse ponto de inĆcio de leitura de operaƧƵes:
A origem do valor carregado pelo veĆculo de carregamento de valor na representação Ć© nos dois casos, a proposição, sempre, porĆ©m em linguagens essencialmente diferentes e representaƧƵesĀ com origens de valor distintas.
No primeiro caso o valor é carregado na proposição diretamente. AliÔs, a proposição jÔ chega carregada de valor.
No segundo caso, o valor chega Ć proposição no bojo de uma operação de construção da representação para o objeto ainda nĆ£o disponĆvel. Isso em outras palavras quer dizer durante o projeto desse objeto. E as fontes de valor neste caso sĆ£o
A citação acima prossegue da seguinte forma:
(…) āo valor só existe no interior da representação
atual [representação do objeto envolvido na troca jÔ existente]
ou possĆvel [objeto cuja representação foi construĆda quando no teste de permutabilidade]
Ā isto Ć©, no interior
da troca [objetos envolvidos na operação de troca jÔ existentes]
ou da permutabilidade [a prospecção da possibilidade da troca com a construção da representação do objeto a ser levado ao circuito das trocas, se possĆvel]ā
As palavras e as coisas; Cap. 6 ā Trocar; tópico V. A formação de valor
āDaĆ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:
A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anƔlise que coloca e encerra
toda a essência da linguagem no interior da proposição;
e a outra, a uma anÔlise que descobre essa mesma essência da linguagem
Veja, por favor, o funcionamento das operaƧƵes sob o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775 e o moderno, depois de 1825 emĀ
Podemos ver, do entendimento de como se desenvolvem as operações em um caso e em outro, a correspondência bastante estreita entre as explicações dadas por Foucault na citação acima.
Veja tambĆ©m os dois conceitos para o que seja um verbo, e identifique o verbo envolvido no primeiro caso em que a atribuição de valor Ć© assegurada diretamente por ele; e o verbo no segundo caso, em outra configuração da linguagem na qual o valor atribuĆdo Ć representação via a proposição, tem origem fora da linguagem nas designaƧƵes primitivas e na linguagem de ação ou de uso.Ā
HĆ”, aparentemente, uma contradição entre os dois vĆdeos do Canal Falando nisso, os de nĆŗmeros 150 e 254.
No vĆdeo 150 hĆ” a percepção de que efetivamente existem produƧƵes do pensamento – teorias, modelos e sistemas, baseados na representação, e outras, baseadas fora da representação; e esse Ć© um movimento de pensamento importante – nada mais nada menos do que uma descontinuidade epistemológica segundo o pensamento de Foucault,
Embora segundo o pensamento de Michel Foucault a psicanÔlise de Freud jÔ tivesse suas bases fora da representação, mas uma mudança de bases como essa sem dúvida significaria uma alteração epistemológica.
Evento dessa mesma natureza, uma descontinuidade epistemológica, tambĆ©m aconteceu para as produƧƵes do pensamento associadas ao liberalismo e neoliberalismo, no perĆodo histórico abrangido pelo vĆdeo 254 . Isso estĆ” relatado em bastantes detalhes por Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’, e Ć© inerente ao estilo de arqueologia adotado nesse livro.
Mas esse movimento do pensamento deixa de ser considerado para as teorias, modelos e sistemas ligados ao Liberalismo e Neoliberalismo nos questionamentos feitos no vĆdeo 254 – ‘Neoliberalismo e sofrimento’. Isso leva a crer que a natureza dessa mudanƧa de embasamento desde na representação para fora dela foi tratada, no vĆdeo 150, nĆ£o como uma questĆ£o constituinte, mas como uma
Enquanto no vĆdeo 150 os modelos estĆ£o predominantemente no domĆnio da Linguagem, no liberalismo e variaƧƵes, estĆ£o no domĆnio das ciĆŖncias do Trabalho (Economia).qualidade apenas.
Veja nesta pƔgina
exatamente essa mudanƧa de bases.
Entre esses dois pensadores hĆ” uma diferenƧa na visĆ£o do que sejam operaƧƵes avaliĆ”vel pela amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno āoperaçãoā entre esses dois princĆpios para trabalho. Na parte inferior da pĆ”gina que o link acima dĆ” acesso, a explicação dada por Foucault deixa bem clara essa diferenƧa de amplitude na visĆ£o de ‘operaƧƵes’.
David Ricardo inclui, em seu PrincĆpio Dual de Trabalho, de 1817, tambĆ©m a etapa da construção de representação nova enquanto que Adam Smith nĆ£o faz isso.
Essa alteração na inserção do ponto de inĆcio do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ altera o modo como uma operação Ć© vista e implica em uma reconfiguração da linguagem no que ela tem de essencial: o modo como a proposição Ć© formada, e como o valor carregado na proposição Ć© levado por esta para a representação.
Isso pode ser visto em
As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆcio da leitura do fenĆ“meno āoperaƧƵesā
e também na argumentação abaixo.
Havia uma confusão em Adam Smith, que consistia em estabelecer uma assimilação entre:
Essa assimilação, feita em Adam Smith, passa a ser em Ricardo uma distinção entre:
distinção essa que, segundo Foucault, foi feita, pela primeira vez, e de forma radical, pelo pensamento de David Ricardo, em nossa cultura; e isso implica em uma expansĆ£o da visĆ£o do fenĆ“meno āoperaƧƵesā.
Vista desse modo,
pode ficar difĆcil perceber que essa mesma alteração feita em Ricardo na economia, Ć© a mesma que Lacan teria feito na sua psicanĆ”lise;
Seria necessĆ”rio perceber que com o termo āatividade de produçãoā compreende-se a produção de algo ainda inexistente o que alarga a visĆ£o de operaƧƵes para o caminho da Construção de representação nova; mas encaixando essas duas coisas em uma visĆ£o ampla do que sejam operaƧƵes, de todos os tipos, obtida entre outros lugares na descrição de Foucault sobre as duas configuraƧƵes da linguagem,
vĆŖ-se que os dois movimentos ā o de Ricardo em relação a Smith e o de Lacan em relação supostamente a Freud, sĆ£o idĆŖnticos quanto a suas bases no pensamento, porque:
E dessa forma
Os pontos comentados são os seguintes:
Ā
Clips do vĆdeo Falando nisso 254 – Neoliberalismo e sofrimento, para comentĆ”rio
ComentĆ”riosĀ
O livro āNascimento da biopolĆticaā, de 1978-1979, sim, figura na lista de referĆŖncias do vĆdeo 254;
A importĆ¢ncia disso – se atentarmos para o pensamento de Michel FoucaultĀ no ‘As palavras e as coisas’ pode ser avaliada sob dois aspectos:
Ć que nesse livro o autor identifica as condiƧƵes de possibilidade no pensamento de produƧƵes do pensamento ao longo do tempo e distingue dois perĆodos separados justamente por uma mudanƧa epistemológica, ou uma alteração nessas condiƧƵes de possibilidade do pensamento usado.
E teorias, modelos e sistemas, como construƧƵes do pensamento, foram construĆdas por autores imersos nos dois perĆodos históricos, no antes,Ā e no depois desse evento; e as mudanƧas enquanto estavam sendo feitas,Ā no durante.
Por favor vejaĀ
Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825
e depois, vejaĀ
A forma dos modelos em cada configuração do pensamento
Ā
e por favor veja ainda
Na descrição desse evento, ao qual Foucault atribui o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento, temos
Como última atenção ao que Foucault tem a dizer nesse grande livro, veja
Condições de possibilidade das ciências humanas: consciência epistemológica do homem
“Antes do fim do sĆ©culo XVIII,
o homem não existia.
NĆ£o mais que a potĆŖncia da vida,
a fecundidade do trabalho
ou a espessura histórica da linguagem. (…)Certamente poder-se-ia dizer que
a gramÔtica geral, a história natural, a anÔlise das riquezas
eram, num certo sentido, maneiras de reconhecer o homem,
mas Ć© preciso discernir.Sem dĆŗvida, as ciĆŖncias naturais –
trataram do homem
como de uma espécie ou de um gênero:
a discussão sobre o problema das raças, no século XVIII, a testemunha.
A gramÔtica e a economia, por outro lado, utilizavam noções como as de necessidade, de desejo, ou de memória e de imaginação.Mas não havia consciência epistemológica do homem como tal.
A episteme clƔssica se articula segundo linhas que
de modo algum isolam
o domĆnio próprio e especĆfico do homem.”
Cartilha; Cap. 9 – O homem e seus duplos; II. O lugar do rei“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;
tampouco filologia.
Mas sim
uma história natural,
uma gramƔtica geral.
Do mesmo modo,
nĆ£o hĆ” economia polĆtica
porque,
na ordem do saber,
a produção nĆ£o existe. ā
Cartilha; Cap. 6 ā Trocar; tópico I ā A anĆ”lise das riquezas
Isso Ć© o que nos ensina a Cartilha.
Como seria uma noção denominada ‘sujeito’ cunhada por pensadores clĆ”ssicos e que, portanto trataram do homem como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero.
Como seria um sujeito na modernidade, visto como uma espécie ou um gênero?
E como seria uma psicologia sustentada por um pensamento que leve o homem nessa conta?
No pensamento de Foucault, vê-se claramente duas rupturas duas descontinuidades epistemológicas em nossa cultura:
Essa última ruptura é situada por Foucault na virada dos séculos XVIII para o XIX, e pode ser vista por este link:
A cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
em uma animação que coloca em uma imagem, o texto de Michel Foucault em āAs palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanasā.
Mas Adam Smith e David Ricardo pensavam de maneira bastante distinta. Podemos ver isso em
E as diferenƧas, explicitadas com palavras de Foucault, sĆ£o muito grandes. O modo de ver o que sejam ‘operaƧƵes’ Ć© muito mais amplo em Ricardo do que em Smith, com as consequĆŖncias que isso acarreta.
E existem atualmente, e entre nós, teorias, modelos e sistemas utilizados, que modelam operações dos dois modos, sem consciência epistemológica do que estÔ envolvido nisso.
Veja isso nos links abaixo:
Essa cronologia posiciona Adam Smith e David Ricardo em lados opostos desse evento, ao qual Foucault atribui o papel de āevento fundador da nossa modernidadeā no pensamento.
āA partir de Ricardo, o trabalho,
desnivelado em relação à representação,
e instalando-se em uma região
onde ela nĆ£o tem mais domĆnio,
organiza-se segundo uma causalidade que lhe Ć© própria.ā
Cartilha; Ā Cap. 8 ā Trabalho, Vida e Linguagem; tópico II. Ricardo
Esse movimento do pensamento que Foucault percebe em Ricardo é o mesmo movimento feito por um autor que construa sua teoria, modelo ou sistema baseado na representação.
āA diferenƧa, porĆ©m, entre Smith e Ricardo estĆ” no seguinte:Ā
āEnquanto no pensamento clĆ”ssico
o comƩrcio e a troca servem
de base insuperƔvel para a anƔlise das riquezas
(e isso mesmo ainda em Adam Smith, para quem
a divisĆ£o do trabalho Ć© comandada pelos critĆ©rios da permuta),Ādesde Ricardo,
a possibilidade da troca
estĆ” assentada no trabalho;Ā
e a teoria da produção, doravante,
deverĆ” sempre preceder a da circulação.āĀ
Cartilha, Cap. 8. Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo
VĆŖ-se que a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, em David Ricardo, Ć© muito maior se comparada Ć amplitude da visĆ£o de Adam Smith. Para Ricardo toda āaquela atividade que estĆ” na raiz do valor das coisasā, a produção, estĆ” incluĆda, juntamente e ao lado de trabalho como mercadoria, o que nĆ£o acontece em Adam Smith.
Veja novamenteĀ
Note que as diferenƧas nas operaƧƵes, inclusive as de troca, sĆ£o muito grandes no pensamento de Adam Smith e no pensamento de David Ricardo. Se consideramos os dois modelos de operaƧƵes, essas diferenƧas sĆ£o fĆsicas. O pensamento de David Ricardo amplia sobremaneira a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, incluindo a fase de ‘projeto’ ou de construção de representação nova.
Além disso, decorrentes das diferenças nas operações, altera-se a configuração da linguagem no antes e no depois desse evento. Muda, nas palavras de Foucault, a origem da essência da linguagem. Veja isso na pÔgina
Mesmo assim, no vĆdeo Falando nisso 254, e no contexto da anĆ”lise da incidĆŖncia do trabalho na formação da subjetividade, Adam Smith e Ricardo sĆ£o tomados juntos e indiferenciados, como pertencentes ao mesmo bloco āmatrizā que permitiria a construção da noção de sujeito na modernidade!
ComentƔrios
Ā Complexity:Ā
Ā the emerging science at the edge
of order and chaos,Ā
de M. Mitchell Waldrop
1992
Os vĆdeos e animaƧƵes (parciais) a seguir mostram duas maneiras de ver o que seja Complexidade:
A coleção de animações que se segue a esta mostra os modelos de operações:
Esses modelos de operaƧƵes tĆŖm entre eles uma descontinuidade epistemológica que segundo Foucault, ocorreu em nossa cultura entre os anos de 1775 e 1825 – os 50 anos centrados na virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX.
Se depois da compreensĆ£o dos modelos de operaƧƵes mostrados for possĆvel concluir que
são ao fim e ao cabo a mesma ordem, teremos ajudado. E se isso acontecer, teremos um modelo de pensamento que pode substituir o modelo mecanicista ao qual MÓnica se refere.
Clips desse vĆdeo para comentar
ComentĆ”riosĀ
para comparar o que dizem os filósofos de diferentes Ć”reas, – e tambĆ©m os economistas – uns mais e outros menos voltados aos fenĆ“menos que acontecem ao seu redor, veja os seguintes modelos de operaƧƵes:
NOTA: clicando na figura da origem do valor, vocĆŖ tem acesso ao pensamento de Michel Foucault sobre isso.
Sobre origem do valor carregado pela proposição para a representação, nas palavras de Michel Foucault, veja a seguinte pĆ”gina:Ā Ā
com as seguintes origens de valor atribuĆdo Ć proposição:
Veja ainda sobre as duas opções de atribuição de valor à proposição:
Monica de Bolle identifica entre os economistas, não ela, mas economistas como categoria, quem pense em um modelo mecanicista.
ComentƔrios
com a licenƧa de Augusto de Franco pelo enxerto (quase parĆ”frase) feito sobre o tĆtulo de um de seus trabalhos.
O espĆrito com que estou escrevendo e pistas sugestivas de espaƧo para mudanƧas
Influências e inspirações
1 a influĆŖncia de VilĆ©m Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’:Ā
uso das funƧƵes reversĆveis Imaginação e Conceituação para navegar, ida e volta, entreĀ
textos ā imagens ā e ocorrĆŖncias espacio-temporais;Ā
e ainda, não menos importante
2 as sugestƵes de Humberto Maturana nos livros: Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆtica; ‘De mĆ”quinas e de seres vivos’:
objeƧƵes e propostas de mudanƧa feitas por Maturana ao fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, aceitação de algumas das crĆticas feitas, e aparentemente, uma alteração de rota;
3 a influĆŖncia especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’:
a descoberta de duas pedras de tropeƧo durante seu trabalho nesse livro, a saber:
Veja aqui os seguintes pontos:
Veja esses pontos a seguir:
“Ora, esta investigação arqueológica mostrou duas grandes descontinuidades na epistĆ©mĆŖ da cultura ocidental:
Por muito forte que seja a impressão que temos de um movimento quase ininterrupto da ratio européia desde o Renascimento até nossos dias,
– toda esta quase-continuidade ao nĆvel das idĆ©ias e dos temas nĆ£o passa, certamente, de um efeito de superfĆcie; no nĆvel arqueológico, vĆŖ-se que o sistema das positividades mudou de maneira maciƧa na curva dos sĆ©culos XVIII e XIX.
Não que a razão tenha feito progressos;
Se a história natural de Tournefort, de Lineu e de Buffon tem relação com alguma coisa que não ela mesma,
Os conhecimentos chegam talvez a se engendrar; as ideias a se transformar e a agir umas sobre as outras (mas como? até o presente os historiadores não no-lo disseram);
Assim, a anÔlise pÓde mostrar a coerência que existiu, durante toda a idade clÔssica, entre
à esta configuração que, a partir do século XIX, muda inteiramente;
Impõe-lhes formas de ordem que são implicadas pela continuidade do tempo;
Na medida, porƩm, em que as coisas giram sobre si mesmas,
Estranhamente, o homem – cujo conhecimento passa, a olhos ingĆŖnuos, como a mais velha busca desde Sócrates – nĆ£o Ć©, sem dĆŗvida, nada mais que uma certa brecha na ordem das coisas, uma configuração, em todo o caso, desenhada pela disposição nova que ele assumiu recentemente no saber:
DaĆ nasceram todas as quimeras dos novos humanismos, todas as facilidades de uma “antropologia “, entendida como reflexĆ£o geral, meio positiva, meio filosófica, sobre o homem.
Contudo, Ć© um reconforto e um profundo apaziguamento pensar que
“VĆŖ-se que esta investigação responde um pouco, como em eco, ao projeto de escrever uma história da loucura na idade clĆ”ssica; ela tem, em relação ao tempo, as mesmas articulaƧƵes, tomando como seu ponto de partida o fim do Renascimento e encontrando, tambĆ©m ela, na virada do sĆ©culo XIX; o limiar de uma modernidade de que ainda nĆ£o saĆmos.
Enquanto, na história da loucura,
trata-se aquiĀ Ā
Trata-se, em suma, de uma história da semelhança:
– daquilo que, para uma culturaĀ Ā
Ć© ao mesmo tempo
interior e estranho,
a ser portanto excluĆdo
(para conjurar-lhe o perigo interior),
encerrando-o porƩm
(para reduzir-lhe a alteridade);
– daquilo que, para uma cultura,
Ć© ao mesmo tempo
disperso e aparentado,
a ser portanto distinguido por marcas
e recolhido em identidades.
E se se pensar que a doenƧa Ć©, ao mesmo tempo,Ā
mas tambĆ©mĀ
vê-se que lugar poderia ter uma arqueologia do olhar médico.
Da experiĆŖncia-limite do Outro Ć s formas constitutivas do saber mĆ©dico e, destas, Ć ordem das coisas e ao pensamento do Mesmo, o que se oferece Ć anĆ”lise arqueológicaĀ
Nesse limiar apareceu pela primeira vez esta estranha figura do saber que se chama homem e que abriu um espaço próprio às ciências humanas.
Tentando trazer Ć luz esse profundo desnĆvel da cultura ocidental, Ć© a nosso solo silencioso e ingenuamente imóvel que restituĆmos suas rupturas, sua instabilidade, suas falhas; e Ć© ele que se inquieta novamente sob nossos passos.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
PrefƔcio
Veja essa história em uma animação abaixo. Esta animação relaciona o texto de Foucault com as estruturas de operações sob as duas configurações do pensamento, a do clÔssico, de antes de 1775, e a do moderno, depois de 1825.
Provavelmente você vai se sentir mais confortÔvel se antes de ver esta figura, visualizar o funcionamento das operações nesses dois casos.
que pode ser vista junto com outras animações mais, nesta pÔgina:
Se quiser ver o funcionamento das operações no pensamento clÔssico e no moderno (usando os critérios de Foucault para essa identificação, veja a pÔgina seguinte:
Essa história estĆ” contada por Foucault no PrefĆ”cio do ‘As palavras e as coisas’, e estĆ” aquiĀ no inĆcio desta apresentação pela ideia de sobrepor o texto dessa historinha a uma imagem em que estĆ£o representadas as duas estruturas exigidas pelos modelos de operaƧƵes em dois perfis que podem ser associados Ć s configuraƧƵes do pensamentoĀ nos perĆodos de antes e de depois de um evento ao qual Foucault dĆ” o status de ‘evento fundador da nossa modernidade’ – uma descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825 -, tendo o pensamento clĆ”ssico, antes de 1775, e o moderno, depois de 1825:
Este estudo em estilo de arqueologia feito por Michel Foucault no
‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’,
tem como tema:
- nĆ£o propriamente produƧƵes de pensamento formuladas e configuradas,Ā
- e ainda menos, produƧƵes do pensamento jĆ” em funcionamento – com seus sucessos e insucessos, e submetidas a possĆveis desvirtuamentos;Ā
- mas o tema inerente a esse estilo em arqueologia Ć© quais sĆ£oĀ
- as condiƧƵes de possibilidade no pensamento nas quais esta ou aquela produção do pensamento – teoria, modelo ou sistema – pode ser formulada.Ā
Enquanto com inventividade e laivos de criatividade conseguimos criar infinidades de formulaƧƵes sobre um mesmo perfil de condiƧƵes de possibilidade do pensamento, que acabam muitas vezes sendo combinaƧƵes lineares de formulaƧƵes anteriores, mesmo com muita criatividade e toda a inventividade possĆvel os conjuntos determinantes de condiƧƵes de possibilidade nĆ£o proliferam do mesmo modo.
A anÔlise, compreensão e utilização
de produƧƵes do pensamento
– teorias, modelos e sistemas –
tomadas quando jĆ” formuladas e configuradas,
Ć© extremamente (mais) difĆcil;
e ainda tanto mais o serĆ”,
se o conhecimento consciente
das respectivas condiƧƵes de possibilidade
no pensamento não se verificar.
Essas dificuldades se agravarão
se a produção do pensamento objeto de anÔlise
estiver em pleno uso em um ambiente,
influindo sobre ele – e dele recebendo influĆŖncias
– que certamente incidirĆ£o sobre a anĆ”lise.
O excertoĀ da Cartilha, o ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, –Ā abaixo selecionadoĀ descreve o que Ć© esse estudo em estilo de arqueologia realizado por Foucault, e como sĆ£o as operaƧƵes no antes e no depois desse evento fundador da nossa modernidade no pensamento, a descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825, descrita por ele.
Você pode ver agora a nossa interpretação do que conseguimos apreender desse texto, ou primeiro ler o texto original e depois ver esta animação:
o que tambƩm pode ser visto na pƔgina seguinte:
PoderÔ ser útil ver também o funcionamento das operações
AVISO: tudo o que se segue neste trabalho depende da distinção estabelecida entre os dois modos de ver ‘operaƧƵes’ correspondentes Ć s duas configuraƧƵes do pensamento, expressas nas animaƧƵes acima
a partir do texto de Foucault abaixo.
Diz Foucault:Ā
“A arqueologia, essa,
deve percorrer o acontecimento
segundo sua disposição manifesta;
ela dirÔ como as configurações próprias a cada positividade se modificaram
(ela analisa por exemplo,Ā
para a gramĆ”tica, o desaparecimento do papel maior atribuĆdo ao nome
e a importĆ¢ncia nova dos sistemas de flexĆ£o;Ā
ou ainda, a subordinação, no ser vivo, do carĆ”ter Ć função);Ā
ela analisarĆ” a alteração dos seres empĆricos que povoam as positividadesĀ
(a substituição do discurso pelas lĆnguas,Ā
das riquezas pela produção);Ā
estudarÔ o deslocamento das positividades umas em relação às outras
(por exemplo, a relação nova entre a biologia, as ciĆŖncias da linguagem e a economia);Ā
enfim e sobretudo, mostrarƔ que o espaƧo geral do saber
nĆ£o Ć© mais o das identidades e das diferenƧas, o das ordens nĆ£o-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mĆ”thĆŖsis do nĆ£o-mensurĆ”vel,Ā
mas um espaƧo feito de organizaƧƵes, isto Ʃ,
de relações internas entre elementos, cujo conjunto assegura uma função;
mostrarĆ” que essas organizaƧƵes sĆ£o descontĆnuas,
que não formam, pois, um quadro de simultaneidades sem rupturas,
mas que algumas sĆ£o do mesmo nĆvel
enquanto outras traƧam sĆ©ries ou sequĆŖncias lineares.Ā
De sorte que se vĆŖem surgir,
como princĆpios organizadores desse espaƧo de empiricidades,
a Analogia e a Sucessão:
de uma organização a outra,
o liame, com efeito,
ā¢Ā Ā nĆ£o pode mais ser
a identidade de um ou vƔrios elementos,
ā¢Ā Ā mas a identidade da relação entre os elementos
(onde a visibilidade não tem mais papel)
e da função que asseguram;
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham
por efeito de uma densidade
singularmente grande
de analogias,
ā nĆ£o Ć© porque ocupem localizaƧƵes próximas
num espaço de classificação,
ā mas sim porque foram formadas
uma ao mesmo tempo que a outra
e uma logo após a outra
no devir das sucessƵes.Ā
Enquanto, no pensamento clĆ”ssico,Ā
a sequĆŖncia das cronologias nĆ£o fazia mais que percorrer o espaƧo prĆ©vio e mais fundamental de um quadro que de antemĆ£o apresentava todas as suas possibilidades,Ā
doravanteĀ
as semelhanças contemporâneas
e observƔveis simultaneamente no espaƧo
não serão mais que as formas depositadas e fixadas
de uma sucessão que procede
de analogia em analogia.Ā
A ordem clĆ”ssica distribuĆa num espaƧo permanente as identidades e as diferenƧas nĆ£o-quantitativas que separavam e uniam as coisas: era essa a ordem que reinava soberanamente, mas a cada vez segundo formas e leis ligeiramente diferentes, sobre o discurso dos homens, o quadro dos seres naturais e a troca das riquezas.Ā
A partir do sƩculo XIX,
a História vai desenrolar numa série temporal
as analogias que aproximam umas das outras as organizaƧƵes distintas.Ā
à essa História que, progressivamente, imporÔ suas leis
Ā Ć anĆ”lise da produção,Ā
Ć dos seres organizados, enfim,Ā
Ć dos grupos linguĆsticos.Ā
A História
dÔ lugar às organizações analógicas,
assim como a Ordem
abria o caminho
das identidades
e das diferenƧas sucessivas.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault
Veja isto emĀ
ou ainda na seguinte pƔgina
Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825
segundo Michel Foucault
De um lado e de outro dessa descontinuidade epistemológica temos:
Note que Adam Smith e David Ricardo estão posicionados em lados opostos com relação à fase de ruptura desse evento ao qual Foucault dÔ o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento.
Note ainda que todos os autores que formam a base do liberalismo clÔssico também estão posicionados por Foucault antes desse evento, em plena idade clÔssica.
Michel Foucault vĆŖ o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo – e com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos – muito dominado por: e aparentemente ele imputa a esse domĆnio do nosso pensamento por essas questƵes, o tempo e dificuldades em acrĆ©scimo que precisou enfrentar em seu trabalho no ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’. Veja o que ele diz, o mesmo texto colocado em duas animaƧƵes e no excerto abaixo em seu original, que tĆŖm a finalidade de reunir as ideias em elementos de imagem que compƵem duas estruturas diferentes, nos dois lados de uma mesma imagem: As palavras e as coisas:
Impossibilidade X Possibilidade
de fundar as sĆnteses (da empiricidade objeto)
no espaço da representação
A obrigação cumprida:
os quase-transcendentais
Vida, Trabalho e Linguagem constituĆdos
āEis que nos adiantamos
bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas
dessa ruptura
que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo
de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.Ā Ć que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neoĀ
e com o qual, queiramos ou nĆ£o, pensamos,Ā
se acha ainda muito dominadoĀ
pelaĀ impossibilidade,
trazida à luz por volta do fim do século XVIII,
de fundar as sĆnteses
no espaço da representação.
e pelaĀ obrigaçãoĀ
correlativa, simultânea,
mas logo dividida contra si mesma,
de abrir oĀ campoĀ transcendental
da subjetividadeĀ e deĀ constituir, inversamente,Ā para alĆ©m do objeto,Ā
esses quase-transcendentais que são para nós a Vida, o Trabalho, a Linguagem.
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas (Cartilha);
CapĆtulo 7 – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades
de Michel Foucault
as animaƧƵes acima tambƩm podem ser vistas nesta pƔgina
Os dois obstƔculos, as duas pedras de tropeƧo, encontrados por Michel Foucault em seu caminho,
com especial destaque para o segundo obstÔculo, a saber, o cumprimento da obrigação de abertura do campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, o espaço em que habitam os modelos das ciências humanas.
E o funcionamento das operaƧƵes tanto no pensamento clƔssico, o de antes de 1775, como no moderno, depois de 1825, usando o critƩrio de Foucault, pode ser visto na seguinte pƔgina:
Ā
Em nenhum momento Foucault solicita ao seu leitor que faƧa um ato de fƩ no que ele diz.
Foucault argumenta sempre, a partir de dados levantados quanto ao modo de ser do pensamento em uma vasta plĆŖiade de autores contemporĆ¢neos Ć s mudanƧas.Ā
Foucault via no conjunto de teorias, modelos e sistemas em nossa cultura, um espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que decorre dessa visĆ£o, e que aponta para o futuro; e que lhe sugeria a necessidade de distinƧƵes entre esses diferentes modos de ser do pensamento, e todo o trabalho com a arqueologia feita no ‘As palavras e as coisas’:Ā
Como se vĆŖ pelo ponto em que se insere na ‘Cartilha’ essa citação, o capĆtulo 7 de um trabalho em dez capĆtulos, quando escreveu esse trecho Foucault jĆ” tinha bem adiantado seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’; nesse momento ele aponta dois obstĆ”culos, duas pedras de tropeƧo que precisou enfrentar e que tiveram o poder de dilatar em muito o tempo necessĆ”rio para fazer esse livro; ele via:Ā Ā
Ā O espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o sĆ©culo XVII atĆ© o sĆ©culo XXI, usando essa anĆ”lise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.Ā Ā
Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes
āInstaura-se uma forma de reflexĆ£o,Ā
bastante afastada do cartesianismo e da anĆ”lise kantiana,Ā
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,Ā
o ser do homem,
nessa dimensĆ£o segundo a qualĀ
o pensamento se dirige ao impensadoĀ
e com ele se articula.āĀCartilha; Cap. 9. O homem e seus duplos; V ā O ācogitoā e o impensado
Veja isso associado a uma figuraĀ na qual os elementos de imagem escolhidos compƵem uma estrutura que pode ser comparada com por exemplo, o PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo, de 1817Ā
Veja também o funcionamento das operações, especificamente no segmento DIANTE do objeto e na etapa da Construção da representação.
Nesse excerto da Cartilha, Foucault modela dinamicamente uma proposição que se ajusta a cada etapa da operação, coloca em cada proposição:
Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura, ‘o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆvel, mas ao impensado! (que pode ser tambĆ©m intangĆvel, sem problemas)Ā Muitas vezes o intangĆvel continua exatamente assim, intangĆvel, mesmo depois que o pensamento tenha dado um jeito no seu aspecto impensado.Ā Ā
IntangĆvel Ć© uma qualidade de algo e nĆ£o faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.
Essa forma de reflexĆ£o sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e nĆ£o adjetivas, aparĆŖncias, como Ć© o intangĆvel.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)
Ao contrĆ”rio do impensado, que mediante articulação no pensamento patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaƧo da representação, o intangĆvel na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangĆvel.Ā Ā
Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexĆ£o emĀ Ā
Essa forma de reflexĆ£o Ć© consistente e estĆ” na base do PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo.
Veja em imagensĀ
que ilustram essa forma de reflexĆ£o no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexĆ£o no perĆodo anterior.
Ā O espectro de modelos com trĆŖs segmentos, que abriga teorias, modelos e sistemas desde o sĆ©culo XVII atĆ© o sĆ©culo XXI, usando essa anĆ”lise de Michel Foucault decorre desse momento intenso de Foucault.Ā Ā
Os segmentos do espectro de modelos compostos com os critérios acima são os seguintes
O carregamento de valor na proposição em cada caso:
As diferenƧas nas visƵes de ‘operaƧƵes’ decorrentes de diferenƧas no posicionamento do ponto de inĆcio de leitura do fenĆ“meno, podem ser vistas nas animaƧƵes que descrevem o funcionamento das operaƧƵes em cada caso:
Se a figura ainda lhe parecer confusa, e achar que vale a pena esclarece-la, veja novamente o Funcionamento das operaƧƵes.
Veja uma coleção de conceitos chamados pelos mesmos nomes, mas consignificados muito distintos, sob o pensamento clĆ”ssico e sob o moderno.Ā
Uma lista de alguns conceitos distintos no significado mas chamados pelos mesmos nomes:
Ā
āA Ćŗnica coisa que o verbo afirma
é a coexistência de duas representações:
por exemplo,Ā
a do verde
e da Ɣrvore,
a do homem
e da existĆŖncia
ou da morte;Ā
Ć© por isso que o tempo dos verbos
não indica aquele [tempo]
em que as coisas existiram no absoluto,
mas um sistema relativo
de anterioridade ou de simultaneidade
das coisas entre si.ā
āĆ preciso, portanto,
tratar esse verbo como um ser misto,
ao mesmo tempo palavra entre as palavras,
preso Ć s mesmas regras,
obedecendo como elas
às leis de regência e de concordância;
e depois,
em recuo em relação a elas todas,
numa região que
não é aquela do falado
mas aquela donde se fala.
Ele estĆ” na orla do discurso,
na juntura entre
aquilo que Ć© dito
e aquilo que se diz,
exatamente lĆ” onde os signos
estĆ£o em via de se tornar linguagem.ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV ā Falar;
tópico III. A teoria do verbo
por Michel Foucault
Classificar, portanto,
não serÔ mais
referir o visĆvel
a si mesmo,
encarregando um de seus elementos
de representar todos os outros;
SerĆ”
num movimento que faz revolver a anƔlise,
reportar o visĆvel,
ao invisĆvel,
como a sua razão profunda;
depois,
alƧar de novo dessa secreta arquitetura,
em direção aos seus sinais manifestos
[as “aparĆŖncias”]que sĆ£o dados Ć superfĆcie dos corpos.
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’;
CapĆtulo VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres
por Michel Foucault
pensamento clƔssico, antes de 1775
segmento AQUĆM do objeto
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cao. 10. As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes
“Assim o cĆrculo se fecha.
VĆŖ-se, porĆ©m, atravĆ©s de qual sistema de desdobramentos.Ā
As semelhanƧas exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se nĆ£o fosse legivelmente marcada.Ā
Mas que sĆ£o esses sinais?Ā
Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam,
que hƔ aqui um carƔter
no qual convƩm se deter,
porque ele indica uma secreta
e essencial semelhanƧa?Ā
Que forma constitui o signo
no seu singular valor de signo?Ā
– Ć a semelhanƧa.
Ele significa na medida
em que tem semelhanƧa com o que indica (isto Ć©, com uma similitude).Ā
Contudo,Ā
pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que Ć© signo;Ā
uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, Ć© patenteada por uma terceira.Ā
Toda semelhanƧa recebe uma assinalação; essa assinalação, porĆ©m, Ć© apenas uma forma intermediĆ”ria da mesma semelhanƧa.Ā
De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o cĆrculo das similitudes, um segundo cĆrculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se nĆ£o fosse esse pequeno desnĆvel que faz com queĀ
que, por sua vez, para ser reconhecida, requerĀ
A assinalação e o que ela designa sĆ£o exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem Ć© diferente; a repartição Ć© a mesma.”
“A arqueologia, essa, deve percorrer o acontecimento segundo sua disposição manifesta; ela dirĆ” como as configuraƧƵes próprias a cada positividade se modificaramĀ
ela analisarĆ” a alteração dos seres empĆricos que povoam as positividadesĀ
estudarĆ” o deslocamento das positividades umas em relação Ć s outrasĀ
enfim e sobretudo, mostrarĆ” que o espaƧo geral do saber nĆ£o Ć© mais o das identidades e das diferenƧas, o das ordens nĆ£o-quantitativas, o de uma caracterização universal, de uma taxinomia geral, de uma mĆ”thĆŖsis do nĆ£o-mensurĆ”vel,Ā
Ā De sorte que se vĆŖem surgir,Ā
como princĆpios organizadores
desse espaƧo de empiricidades,Āa Analogia
e a Sucessão:
de uma organização a outra, o liame, com efeito,Ā
ademais, se porventura essas organizaƧƵes se avizinham por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias,
Enquanto, no pensamento clƔssico,
a seqüência das cronologias não fazia mais que percorrer o espaço prévio e mais fundamental de um quadro que de antemão apresentava todas as suas possibilidades,
doravante
as semelhanças contemporâneas e observÔveis simultaneamente no espaço não serão mais que as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede de analogia em analogia. (*)
Ā
Ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – II. A prosa do mundo;
tópico II. As assinalações
de Michel Foucault
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas
Cap. – VII. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
de Michel Foucault
pensamento clƔssico,
de antes de 1775
pensamento moderno,
de depois de 1825
Ā
aquilo a partir de que elas são
Mas vê-se bem que a História
não deve ser aqui entendida
como a coleta das sucessƵes de fatos, tais como se constituĆram;
ela Ć© o modo de ser fundamental das empiricidades,
aquilo a partir de que elas são
afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaƧo do saber
para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis.
Assim como a Ordem no pensamento clƔssico
nĆ£o era a harmonia visĆvel das coisas,
seu ajustamento, sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆrico,
lugar onde,
aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe é próprio.
As palavras as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7. Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
A anÔlise das riquezas, junto com a gramÔtica geral e a história natural, no pensamento clÔssico- o de antes de 1775, são contrapostas à anÔlise da produção, filologia e biologia no pensamento de depois de 1825.
“Nem vida,
nem ciĆŖncia da vida
na Ʃpoca clƔssica;
tampouco filologia.
Mas sim
uma história natural,
uma gramƔtica geral.
Do mesmo modo,
nĆ£o hĆ” economia polĆtica
porque, na ordem do saber,
a produção não existe.
Em contrapartida,
existe, nos sƩculos XVII e XVIII,
uma noção que nos permaneceu familiar,
embora tenha perdido para nós sua precisão essencial.
Nem Ć© de ānoçãoā que se deveria falar a seu respeito,
pois não tem lugar no interior
de um jogo de conceitos econƓmicos
que ela deslocaria levemente,
confiscando um pouco de seu sentido
ou corroendo sua extensĆ£o.Trata-se antes de um domĆnio geral:
de uma camada bastante coerente
e muito bem estratificada,
que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,
as noções de valor, de preço, de comércio, de circulação,
de renda, de interesse.
Esse domĆnio,
solo e objeto da āeconomiaā na idade clĆ”ssica,
Ć© o da riqueza.
Inútil colocar-lhe questões
vindas de uma economia de tipo diferente,
organizada, por exemplo,
em torno da produção ou do trabalho;
inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitos
(mesmo e sobretudo se seus nomes
em seguida se perpetuaram,
com alguma analogia de sentido),
sem levar em conta
o sistema em que assumem sua positividade.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas
Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noƧƵes, para respectivamente cada perĆodo histórico em nossa cultura, o padrĆ£o Ć© ficar com a anĆ”lise de riquezas do pensamento filosófico clĆ”ssico. (o que nem Ć© difĆcil de perceber que Ć© feito, em nosso meio)
O mĆnimo que somos chamados a fazer Ć© esclarecer as razƵes pelas quais o conceito ‘riquezas’ Ć© tĆ£o largamente utilizado; e as razƵes pelas quais Michel Foucault escreve “economia” assim, entre aspas, quando se refere ao perĆodo clĆ”ssico.
Veja a seguir os pontos:
Veja a relação entre cada formulação de operaƧƵes e o respectivo perfil de caracterĆsticas da configuração do pensamento adotada em cada formulação, na pĆ”gina:Ā
veja também tópico seguinte, o tempo respectivamente para cada operação levando em conta, no pensamento moderno, as operações de Construção de representação nova, e as de Instanciamento de representação previamente existente.
Note que a amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ Ć© muito maior no pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Neste caso a visĆ£o do fenĆ“meno abrange a construção da representação para a empiricidade objeto, e tambĆ©m o instanciamento de representação previamente existente em um repositório de proposiƧƵes explicativas da experiĆŖncia formuladas de acordo com as regras da lĆngua; enquanto que sob o pensamento clĆ”ssico o fenĆ“meno Ć© visto apenas a partir da fase de instanciamento.
Veja que hĆ” uma correspondĆŖncia entre as visƵes de operaƧƵes no pensamento clĆ”ssico e no princĆpio monolĆtico de trabalho de Adam Smith, de 1776, e pensamento moderno e o princĆpio dual de trabalho de David Ricardo, de 1817.
Certifique-se dessa correspondĆŖncia visualizando as figuras feitas para os dois princĆpios de trabalho, o de Adam Smith e o de David Ricardo.
a pĆ”gina que o link acima dĆ” acesso mostra tambĆ©m as diferenƧas entre esses dois princĆpios de trabalho nas palavras de Michel Foucault. Mas por favor certifique-se de que essas diferenƧas apontadas por Foucault entre os dois princĆpios de trabalho correspondem tambĆ©m, e sĆ£o consistentes, com
āO modo de ser do homem,
tal como se constituiu
no pensamento moderno,
permite-lhe desempenhar dois papƩis:
estĆ” ao mesmo tempo,
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo X ā As ciĆŖncias humanas;
tópico I. O triedro dos saberes
Michel FoucaultĀ
āNa medida, porĆ©m,Ā
em que as coisas
giramĀ sobre si mesmas,
reclamando para seu devir
não mais que
o princĆpio deĀ sua inteligibilidade
e abandonando o espaço da representação,
o homem,
por seu turno,
entra,
e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental.ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
PrefƔcio
Michel FoucaultĀ
Uma Anatomia ou uma Cartografia para modelos de operações segundo a configuração do pensamento:
Veja isso tambƩm na seguinte pƔgina:
um lugar composto por dois blocos em dois domĆnios diferentes:
Ā
Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes
A metĆ”fora da transformação de Entradas Ā ā SaĆdas, sobre a estrutura Input-Output, que dĆ” lugar a um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si Ć© vĆ”lida aqui, e Ć© a famosa caixa preta.Ā
Seu elemento central é Processo, um verbo, que a única coisa que afirma é a coexistência de duas representações indicando a coexistência
Com a opção pela leitura do fenĆ“meno āoperaƧƵesā desde um ponto de vista posicionado no cruzamento do que Ć© dado com o que Ć© recebido na troca, essa metĆ”fora representa apelas a operação de instanciamento de representação anteriormente feita e jĆ” carregada de valor diretamente atribuĆdo Ć proposição.
Toda a etapa da construção de representação nova estÔ fora desse escopo e por isso, a transformação pode ser única.
Veja aqui em Conceitos homƓnimos mas com significados diferentes, os conceitos para o que seja um verbo.
Veja novamente pĆ”gina MetĆ”foras adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operaƧƵes em cada segmento do espectro de modelos sob o tĆtulo ConversĆ£o ou um par de transformaƧƵes de mesmos sinais no caminho da Construção da representação.
Toda a operação pode ser reduzida a uma
Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:
Ā
Veja novamente pĆ”gina MetĆ”foras adequadas e propriedades emergentes dos modelos de operaƧƵes em cada segmento do espectro de modelos agora sob o tĆtulo ConversĆ£o ou um par de transformaƧƵes de sinais trocados no caminho do Instanciamento da representação.
Toda a operação pode ser reduzida a uma
Essa conversão pode ser desdobrada em um par de transformações de mesmos sinais:
Resumo MetƔfora adequada para operaƧƵes e Propriedades emergentes
Veja em Funcionamento das operaƧƵes… a animação sob o tĆtulo AquĆ©m do objeto. Essa Ć© uma operação de instanciamento de representação formulada anteriormente como uma composição de representaƧƵes existentes. O apontador de inĆcio da operação estĆ” no cruzamento entre o dado e o recebido, ou na disponibilidade dos dois objetos envolvidos em uma eventual operação de troca.
Sob o pensamento clÔssico, o de antes de 1725 e anterior à descontinuidade epistemológica temos:
Veja agora emĀ Funcionamento das operaƧƵes…Ā a animação sob o tĆtulo Diante do objeto. A operação modelada Ć© de formulação da representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Ao final dessa operação passa a existir a representação, ou o projeto, do objeto antes indisponĆvel para eventual operação de troca. E esse objeto, com o fim dessa operação com sucesso, estĆ” resolvido (seu projeto foi executado) mas ainda estĆ” indisponĆvel. Para que ele esteja disponĆvel serĆ” necessĆ”rio o desencadeamento da etapa de instanciamento dessa representação recĆ©m criada. EntĆ£o, a aposta Ć© que essa representação permaneƧa em um repositório de proposiƧƵes explicativas formuladas de acordo com as regras da lĆngua, de onde serĆ” selecionado para essa ulterior operação de instanciamento.
A propriedade emergente volta a ser Fluxo, no caminho do Instanciamento da representação.
A representação objeto da operação de instanciamento é recuperada do Repositório no estado em que ela se encontrava quando foi adicionada a ele.
A empiricidade objeto serĆ” instanciada nesse estado em que foi recuperada; assim, o ‘modo de ser fundamental’ dessa empiricidade objeto da operação de instanciamento nĆ£o muda.
Processos, atividades, etc. que compõem os elementos de suporte na experiência da Forma de produção são desencadeados, e hÔ fluxos vÔrios, que são mostrados na pÔgina indicada.
Veja a seguir os pontos:
‘Mercado‘, ‘Processo‘, ‘Riquezas‘;
‘Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico‘, ‘Forma de produção‘ e ‘AnĆ”lise da produção‘;
As unanimidades nos conceitos, pelo seu uso, e pelo não uso:
“Assim como a Ordem no pensamento clĆ”ssico
nĆ£o era a harmonia visĆvel das coisas, seu ajustamento,
sua regularidade ou sua simetria constatados,
mas o espaço próprio de seu ser
e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo,
as estabelecia no saber,
assim também a História, a partir do século XIX,
define o lugar de nascimento do que Ć© empĆrico,
lugar onde, aquƩm de toda cronologia estabelecida,
ele assume o ser que lhe Ć© próprio.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 7 – Os limites da representação;
tópico I. A idade da história
Mercado é o lugar onde ocorrem as trocas; Foucault chama isso de Circuito das trocas, e nós chamamos de Mercado.
Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico Ć© o lugar onde, “aquĆ©m de toda cronologia estabelecida, ele [as coisas empĆricas] assume o ser que lhe Ć© próprio”.
Veja o modelo de operaƧƵes – de produção e outras – sob o pensamento moderno, e note que ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico‘ Ć© um lugar, mesmo, e nĆ£o o uso de ‘lugar’ como um cacoete retórico.
Ć um lugar onde as empiricidades objeto de operaƧƵes tĆŖm alterado o seu ‘modo de ser fundamental‘, definido por Michel Foucault como o elemento ordenador da história sob o pensamento filosófico moderno.
modo de ser fundamental de uma empiricidade Ć© aquilo a partir do que ela pode ser “afirmada, posta, disposta e repartida no espaƧo do saber para eventuais conhecimentos e para ciĆŖncias possĆveis.” Cartilha; Cap. 7 – Os limites da representação; tópico I. A idade da história.
Os detalhes estão a seguir:
āCertamente, para Ricardo como para Smith,Ā
o trabalho pode realmenteĀ
medir a equivalĆŖncia das mercadorias que passam pelo circuito das trocas:ā
āNa infĆ¢ncia das sociedades,Ā
o valor permutĆ”vel das coisasĀ
ou a regra que fixa a quantidade que se deve darĀ
de um objeto por outroĀ
só depende da quantidade comparativa de trabalhoĀ
que foi empregada na produção de cada um deles.āĀ
A diferenƧa, porƩm, entre Smith e Ricardo estƔ no seguinte:
JĆ” nĆ£o pode este ser definido, como na idade clĆ”ssica,Ā partir do sistema total de equivalĆŖnciasĀ e da capacidade que podem ter as mercadorias de se representarem umas Ć s outras.Ā
O valor deixou de ser signo, tomou-se um produto.Ā
Se as coisas valem tanto quanto o trabalho que a elas se consagrou,Ā
ou se, pelo menos, seu valor estĆ” em proporção a esse trabalho,Ā
nĆ£o Ć© porque o trabalho seja um valor fixo, constanteĀ
e permutĆ”vel sob todos os cĆ©us e em todos os tempos,Ā
mas sim porque todo valor, qualquer que seja, extrai sua origem do trabalho.Ā
E a melhor prova disso estĆ” em que o valor das coisasĀ
aumenta com a quantidade de trabalho que lhes temos de consagrar se as quisermos produzir; porĆ©m nĆ£o muda com o aumento ou baixa dos salĆ”riosĀ
pelos quais o trabalho se troca como qualquer outra mercadoria.ā
Circulando nos mercados, trocando-se uns por outros,Ā
os valores realmente tĆŖm ainda um poder de representação.Ā
Extraem esse poder, porĆ©m, de outra parte –Ā
desse trabalho mais primitivo e radical do que toda representaçãoĀ
e que, portanto, não pode definir-se pela troca.
Enquanto no pensamento clĆ”ssicoĀ
o comĆ©rcio e a trocaĀ
servem de base insuperĆ”vel para a anĆ”lise das riquezasĀ
(e isso mesmo ainda em Adam Smith,Ā
para quem a divisão do trabalho é comandada pelos critérios da permuta),
desde Ricardo,Ā
a possibilidade da troca estĆ” assentada no trabalho;Ā
e a teoria da produção, doravante,Ā
deverÔ sempre preceder a da circulação.
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā
Cap. 8 Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo
Processo é o elemento central daquele tipo de operações que o mais que fazem é assinalar a coexistência de duas representações aceitando sua existência prévia, e tomando como bons os valores a elas carregados pelas proposições em uma linguagem que lê operações como fenÓmeno, a partir da disponibilidade dos dois objetos envolvidos na troca.
Para modelar esse tipo de operação a estrutura Input-Output é mais do que suficiente; e a natureza das operações é uma contabilidade focalizada na região do espaço onde a operação transcorre, tomando conta do que entra, do que sai, do que permanece dentro ou nem entra nem sai. Nada a ver com o homem, ou com qualquer objeto definido por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.
Qualquer coisa para a qual for possĆvel estabelecer uma relação de anterioridade ou simultaneidade com relação Ć regiĆ£o onde ocorre a operação serve como Entrada, ou como SaĆda. E essa relação pode ser estabelecida por meio de uma propriedade nĆ£o-original e nĆ£o-constitutiva, ou uma āaparĆŖnciaā. Propriedades sim-originais e sim-constitutivas nĆ£o sĆ£o utilizadas.
Veja aqui duas coisas:
āA Ćŗnica coisa que o verbo afirmaĀ
Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes:Ā
por exemplo, a do verde e da Ć”rvore,Ā
a do homem e da existĆŖncia ou da morte;Ā
Ć© por isso que o tempo dos verbosĀ
nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto,Ā
mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.āĀ As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā A teoria do verbo
para certificar-se de que esse conceito acima corresponde realmente ao pensamento na idade clĆ”ssica, veja na pĆ”gina sobre o funcionamento das operaƧƵes, as animaƧƵes sobre o tempo nos dois perĆodos, e associe o tempo ‘calendĆ”rio’ Ć parte do excerto acima sobre o tempo dos verbos.Ā
“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;Ā
tampouco filologia.Ā
Mas sim uma história natural, uma gramĆ”tica geral.Ā
Do mesmo modo, nĆ£o hĆ” economia polĆticaĀ
porque, na ordem do saber,Ā
a produção nĆ£o existe.Ā
Em contrapartida, existe, nos sĆ©culos XVII e XVIII,Ā
uma noção que nos permaneceu familiar,Ā
embora tenha perdido para nós sua precisĆ£o essencial.Ā
Nem Ć© de ānoçãoā que se deveria falar a seu respeito,Ā
pois nĆ£o tem lugar no interior de um jogo de conceitos econĆ“micosĀ
que ela deslocaria levemente, confiscando um pouco de seu sentido ou corroendo sua extensĆ£o. Trata-se antes de um domĆnio geral:Ā
de uma camada bastante coerente e muito bem estratificada,Ā
que compreende e aloja, como tantos objetos parciais,Ā
as noƧƵes de valor, de preƧo, de comĆ©rcio, de circulação, de renda, de interesse.Esse domĆnio,Ā
solo e objeto da āeconomiaā na idade clĆ”ssica,Ā
Ć© o daĀ riqueza.InĆŗtil colocar-lhe questƵes vindas de uma economia de tipo diferente,Ā
organizada, por exemplo, em torno da produção ou do trabalho;
inĆŗtil igualmente analisar seus diversos conceitosĀ
(mesmo e sobretudo se seus nomes em seguida se perpetuaram,Ā
com alguma analogia de sentido),Ā
sem levar em conta o sistema em que assumem sua positividade.”Ā
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā
Cap. 6 – Trocar; tópico I. A anĆ”lise das riquezas
Sem fazer um alinhamento filosófico das ideias, das noƧƵes, para respectivamente cada perĆodo histórico em nossa cultura, o padrĆ£o Ć© ficar com a anĆ”lise de valor do pensamento filosófico anterior, o clĆ”ssico, de antes de 1775.
Ā
Veja novamente a animação central sob o tĆtulo āDiante do objetoā na pĆ”gina
Toda essa operação acontece no Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico, no caminho da Construção de representação nova. A operação vĆŖ o fenĆ“meno a partir de um ponto de inserção do inĆcio de leitura da operação antes da disponibilidade do objeto cuja representação estĆ” em desenvolvimento e que, futuramente, poderĆ” ser levada ao circuito das trocas.
O Lugar de nascimento do que Ć© empĆrico compreende dois sub-espaƧos:
Ć parte da preparação para receber os resultados da articulação do pensamento com o impensado, encaminhando o resultado para o espaƧo das representaƧƵes, no interior do domĆnio do Discurso e da Representação.
Ć assim que funciona o PrincĆpio Dual de trabalho de David Ricardo.
A Forma de produção é o elemento central das operações sob o pensamento moderno. Nessa posição, a forma de produção tem também a natureza de um verbo, mas em um conceito totalmente diferente, que transcrevo abaixo:
āĆ preciso, portanto,Ā
tratar esse verbo como um ser misto,Ā
ao mesmo tempoĀ
palavra entre as palavras,Ā
preso Ć s mesmas regras,Ā
obedecendo como elas Ć s leis de regĆŖncia e de concordĆ¢ncia;Ā
eĀ depois,Ā
em recuo em relação a elas todas,Ā
numa regiĆ£o que nĆ£o Ć© aquela do faladoĀ
mas aquela donde se fala.Ā
Ele estĆ” na orla do discurso,Ā
na juntura entre aquilo que Ć© ditoĀ
e aquilo que se diz,Ā
exatamente lĆ” onde os signosĀ
estĆ£o em via de se tomar linguagem.āĀ
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Ā Cap. IV – Falar; tópico III.Ā A teoria do verbo
Veja agora que esse verbo estĆ” postado na regiĆ£o ‘desde onde se fala’, um sub-espaƧo do ‘Lugar do nascimento do que Ć© empĆrico’, e no interior do domĆnio do Pensamento e da LĆngua, onde a articulação com o impensado pode ter inĆcio para uma representação ainda nĆ£o existente, – e nĆ£o na regiĆ£o do falado, esta no interior do domĆnio do Discurso e da Representação. Foucault Ć© preciso a esse respeito: ‘Ele estĆ” na orla do discurso, na juntura…’
Veja a pƔgina
Nessa mesma pĆ”gina, mais embaixo, veja ComparaƧƵes entre os dois princĆpios de trabalho, e a importĆ¢ncia do princĆpio de trabalho de David Ricardo, segundo Michel Foucault.
A animação central da pĆ”gina Funcionamento… com o tĆtulo āDiante do objetoā descreve a operação de construção de uma representação para empiricidade objeto ainda nĆ£o representada. Trata-se daquele objeto ainda indisponĆvel em uma operação de troca jĆ” descrito nas duas possibilidades de leitura… etc.
Veja logo acima o item II.8.a.i especialmente o trecho:
Tudo o que estĆ” representado na pĆ”gina Funcionamento… na animação central āDiante do objetoā estĆ” completamente fora do pensamento que pensa operaƧƵes no cruzamento do que Ć© dado e o que Ć© recebido.
Toda a operação que acontece no caminho da Construção da representação estÔ fora do modo como operações são vistas como fenÓmeno.
Mesmo quando diante de um modelo descritivo da produção que considere a Construção de representação, o analista supõe que se trata de um modelo que reza pela cartilha anterior, e segue pensando do modo como sempre pensou.
O pensamento clÔssico, aquele que dispunha da História natural, da AnÔlise das riquezas e da GramÔtica geral, fazia a AnÔlise das riquezas.
O pensamento moderno efetua em seu lugar, a AnÔlise da produção, o que implica na inclusão do que acontece no caminho da Construção da representação nova para a empiricidade objeto. Como esse pensamento não é considerado em suas diferenças com relação ao clÔssico, a AnÔlise da produção acaba sendo feita meio que sem consistência no pensamento.
Um exercĆcio de uso do modelo composto caracterĆstico das ciĆŖncias humanas,
uma combinação dos pares constituintes das ciĆŖnciasĀ
além do conhecimento do papel dessas duas ciências em nossa cultura.
“A psicanĆ”lise e a etnologia ocupam, no nosso saber, um lugar privilegiado.Ā
NĆ£o certamenteĀ
antes porque,Ā
Ora, hĆ” para isto uma razĆ£o que tem a ver com o objeto que respectivamente cada uma se atribui, mas tem mais ainda a ver com a posição que ocupam e com a função que exercem no espaƧo geral da epistĆ©mĆŖ.Ā
A psicanĆ”lise, com efeito, mantĆ©m-se o mais próximo possĆvel desta função crĆtica acerca da qual se viu que era interior a todas as ciĆŖncias humanas.
Dando-se por tarefa fazer falar atravĆ©s da consciĆŖncia o discurso do inconsciente,Ā
a psicanĆ”lise avanƧa na direção desta regiĆ£o fundamental onde se travam as relaƧƵes entre a representação e a finitude.Ā
EnquantoĀ todas as ciĆŖncias humanas
jÔ a psicanĆ”liseĀ
NĆ£o hĆ” que supor que o empenho freudiano seja o componente de uma interpretação do sentido e de uma dinĆ¢mica da resistĆŖncia ou da barreira;Ā
mas com o olhar voltado em sentido contrĆ”rio,Ā
em direção ao momento –inacessĆvel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem, a toda apreensĆ£o contĆnua em termosĀ
– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.Ā
Isto quer dizer que,Ā
E, nessa regiĆ£o onde a representação fica em suspenso, Ć margem dela mesma, aberta, de certo modo ao fechamento da finitude, desenham-se as trĆŖs figuras pelas quaisĀ
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. X – As ciĆŖncias humanas;
tópico V – PsicanĆ”lise, etnologia
A figura da VisĆ£o SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica parte de duas ideias:
Essa ideia estƔ embutida na Figura 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, basta analisar tendo em mente as condiƧƵes de possibilidade no pensamento daquela figura.
Veja tambƩm
Partindo dos dois obstĆ”culos, ou as duas pedras de tropeƧo que Foucault declara ter encontrado em seu trabalho, traƧamos – usando apenas interpretação de texto – um espectro de produƧƵes do pensamento, teorias, modelos e sistemas, com trĆŖs segmentos: AQUĆM, DIANTE e para ALĆM do objeto.
Da forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura no depois da descontinuidade epistemológica, vemos que o pensamento funciona organizado em torno do par sujeito-objeto. Mudando o objeto, muda a operação que pode ou não ser conduzida por um sujeito diferente, mas com um sujeito a conduzi-la.
Aplicando esse elemento organizador par sujeito-objeto às operações em organizações, vê-se que jÔ existem operações e organizações organizadas com esse critério: o modelo descritivo da produção do Kanban, e a Fig. 7.1 Mapa de processos da atividade semicondutores da Texas Instruments, do livro Reengenharia, são exemplos.
Se examinamos mais de perto este Ćŗltimo exemplo, veremos que hĆ” dois pares sujeito-objeto incluĆdos nesse mapa – segundo Hammer, de ‘processos’ (ele nĆ£o conseguiu se livrar dessa unanimidade mesmo mapeando claramente Formas de produção e nĆ£o processos.
A VisĆ£o SSS resume-se a respeitar a relação um objeto – um modelo de operaƧƵes. E isso leva a uma organização SSS – SimĆ©trica, Simbiótica e SinĆ©rgica que torna evidente o nexo da produção.
a) Canal Inconsciente Coletivo, vĆdeo Jorge Forbes: estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos, de 28/07/2020;
b) Canal Falando Nisso, vĆdeo 150 – Signo, significação e significado de 08/10/2017;
c) Canal Falando, Nisso vĆdeo 254 – Neoliberalismo e sofrimento, de 31/08/2019;
d) Canal Quem Somos Nós? – vĆdeo Desigualdade: Concentração de renda com Eduardo Moreira;
e) Canal Monica de Bolle, vĆdeo 31 – Imaginando o “Novo Normal”;
f) Canal Monica de Bolle, vĆdeo 32 – O “Novo Normal”: Bens PĆŗblicos”;
g) Canal Inconsciente Coletivo – vĆdeo Ivaldo Bertazzo, que testou positivo para o Covid-19: “o grande problema do corpo Ć© o medo”, de 12/08/2020.
Os pontos comentados são os seguintes:
Meus comentƔrios usando o pensamento de Michel Foucault:
Veja tambĆ©mĀ
ReflexƵes imaginativas >
O fenÓmeno das operações; o tempo, uma Anatomia ou Cartografia dos modelos; MetÔforas adequadas para modelos de operações; Propriedades emergentes em função das configurações do pensamento >
As paletas de ideias, e respectivos elementos de imagem, necessƔrias para cada operacionalidade
Claramente a determinação ou não dessa parecença depende do modo como você olha para a fotografia, ou seja, com que recursos de pensamento faz isso. E o que procura na fotografia, com o seu olhar.
Ivaldo Bertazzo ensina que a gente olha e ouve o que nos chega do mundo sempre de acordo com o mesmo padrão.
E hÔ mais do que um padrão que pode ser usado para absorver o que nos chega do mundo.
Michel Foucault, olhando para o estado em que ele percebia encontrar-se a nossa cultura, e adotando a estratĆ©gia de questionar nĆ£o diretamente as teorias, modelos e sistemas mas as condiƧƵes de possibilidade destes no pensamento, viu modelos com e modelos sem a possibilidade de fundar as sĆnteses (da empiricidade objeto do pensamento) no espaƧo da representação. Ele estava questionando as condiƧƵes de possibilidade do pensamento, evidentemente.
E ele foi alĆ©m disso: viu o imperativo de que todo o campo das ciĆŖncias humanas fosse configurado tendo como pressuposto a constituição do que ele chama de os ‘quase-transcendentais’ Vida, Trabalho e Linguagem, podendo entĆ£o identificar um modelo composto padrĆ£o e genĆ©rico para todas as ciĆŖncias humanas nesse espaƧo, a partir de modelos constituintes das trĆŖs ciĆŖncias do eixo epistemológico fundamental, as ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma], do Trabalho (Economia polĆtica) [conflito-regra] e da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].Ā
VĆŖ-se que dessa percepção de Foucault Ć© possĆvel vislumbrar um espectro de modelos em nossa cultura. Esse espectro tem trĆŖs segmentos:
AQUĆM, DIANTE e para ALĆM do objeto (e do sujeito)
Pouca gente vĆŖ isso, mas vocĆŖ pode ver adiante neste trabalho.
Mas, olhando para a fotografia de hoje com os padrões que usamos ontem e desde sempre, fica estabelecida uma semelhança pela intermediação do padrão utilizado. Se é o padrão de sempre, as diferenças porventura existentes, causadoras de diferenciações, mas aparentes somente sob outro padrão, não aparecem.
Sempre é necessÔrio percebermos quais são os critérios dos quais se compõe o modo como olhamos para o mundo. Dependendo do que surge dessa procura daquilo que integra nossos padrões, pode ser que percebamos que ocorreram, sim, mudanças que nos passaram despercebidas; e mudanças de tal monta que sim, foram revoluções, mas localizadas no passado, e hoje jÔ distante.
Mas que a gente possa manter um savoir faire – um saber fazer, numa relação da harmonia do homem agora nĆ£o mais com a natureza, nĆ£o mais com os deuses, nĆ£o mais com a razĆ£o, mas com o intangĆvel. EntĆ£o, nesse intangĆvel, isso me leva a pensar numa Ć©tica – em dois tempos para cada um – de inventar uma surresposta singular da sua intangibilidade, e de colocĆ”-la no mundo (que Ć© o que faz o artista); nĆ£o Ć©? um Van Gogh vĆŖ um girassol que só ele viu – ele inventou um girassol – e inscreveu esse girassol no mundo.
Desde logo esse ‘savoir faire‘ Ć© interessante porque me dĆ” a oportunidade de, ao invĆ©s da tradução óbvia ‘saber fazer‘, optar por traduzir essa ideia como ‘forma de produção‘ como a maneira encontrada para fazer aquilo que sei fazer; e se fizer isso guiado pela ideia por trĆ”s do nome, estarei usando justamente o nome dado por David Ricardo, em 1817, para o elemento central do seu modelo de operaƧƵes que, segundo Foucault, ele publicou com o nome de PrincĆpio Dual de Trabalho (e Ć© interessante descobrir por que esse ‘dual’ no nome do principio.
O pensamento bem frequentemente consegue dar conta do ‘impensado’, mas ao contrĆ”rio, o ‘intangĆvel’ permanece tal e qual na maioria das vezes.
Desde logo, estabelecer um saber fazer voltado ao intangĆvel – o que quer que essa palavra signifique neste contexto – Ć© organizar “a relação da harmonia do homem nĆ£o mais com a natureza, os deuses, a razĆ£o”, mas levando em conta, agora, o objeto, um objeto definido como ‘intangĆvel’, aquela coisa que nĆ£o se pode tocar, parece que seja um grande passo adiante.
Veja que toda a mecĆ¢nica celeste funciona perfeitamente e artefatos sĆ£o colocados em órbita e chegam sem acidentes a outros planetas, e em sua grande maioria todos permanecem intangĆveis – no sentido original da palavra ‘intocĆ”veis’ – depois de estudados. Mas todos deixam de ser impensados. E graƧas a um pensamento organizado pelo par sujeito-objeto.
Pensando em um buraco negro, e nas teorias da relatividade que ajudam a compreendĆŖ-los, nĆ£o se pode dizer que eles, buracos negros – e outros entes cósmicos – de alguma forma possam tornar-se tangĆveis. Mas a ciĆŖncia os converte de ‘impensados’ cada vez mais em ‘pensados’. E essa conversĆ£o faz mais sentido do que a proposta por Forbes de intangĆveis para tangĆveis. AtĆ© mesmo no caso do Sars Cov-2.
Mas, porĆ©m, todavia, contudo, o direcionamento do pensamento para o que seja ‘intangĆvel’ jĆ” requer uma alteração radical na configuração do próprio pensamento: para um pensamento definido com relação a um determinado objeto, – embora um objeto genĆ©rico; isso porque exige um pensamento sim-discriminativo com relação ao objeto escolhido e seus elementos componentes, em contraposição a um pensamento indefinido porque nĆ£o-discriminativo com relação a qualquer objeto como Ć© (sim, Ć©, porque ainda agora, muito usado entre nós) o pensamento terra1 – como diz Forbes, voltado aos transcendentais natureza, deuses, razĆ£o.
Na filosofia de Michel Foucault, pensando em David Ricardo na economia polĆtica, Franz Bopp na Filologia, Georges Cuvier na Biologia, o pensamento volta-se para o impensado em vez de para o intangĆvel.
“Instaura-se
uma forma de reflexão,
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.Isso tem duas conseqüências.”
(…)
“A outra consequĆŖncia Ć© positiva.
Concerne à relação
do homem
com o impensado,
ou mais exatamente,
ao seu aparecimento gĆŖmeo
na cultura ocidental.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 9 – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado
Veja a forma de reflexão que se instaura no pensamento em nossa cultura quando mudança como essa foi realizada:
A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault
Essa mudança no modo de organização do pensamento aconteceu, segundo Foucault, entre 1775 e 1825, nos cinquenta anos centrados na virada dos séculos XVIII para o XIX (vinte e cinto anos para cada lado). Grosso modo hÔ dois séculos; mudança bem mais recente do que os 28 séculos atrÔs em que Forbes posiciona o evento marcador antecedente da revolução que aponta também nos laços sociais.
Trata-se de uma mudanƧa com a seguinte natureza:
A primeira consequĆŖncia evidente Ć© que nĆ£o Ć© mais possĆvel modelar operaƧƵes, empresariais ou outras, usando a metĆ”fora da transformação Ćŗnica de Entradas ā SaĆdas ou do processamento de informaƧƵes sobre a estrutura Input-Output cujo sistema Ć© relativo, de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si. Veja que o elemento central desse modelo, Processo, tem a natureza de um verbo, e note que hĆ” dois conceitos para o que seja um verbo, e esse de um sistema relativo, etc. etc. Ć© o primeiro que transcrevo a seguir.
“A Ćŗnica coisa que o verbo afirma, Ć© a coexistĆŖncia de duas representaƧƵes; por exemplo, a do verde e da Ć”rvore, a do homem e da existĆŖncia ou da morte. Ć por isso que o tempo dos verbos nĆ£o indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. 4 – Falar; tópico III. A teoria do verbo
A segunda consequência é que partindo do conhecimento de que usualmente operações são modeladas sobre a estrutura Input-Output, e isso não é mais adequado, é preciso encontrar um outro padrão, um outro modelo. Isso é necessÔrio para que operações em organizações reais sejam modeladas convenientemente.
E esse outro modelo Ć© consistente nĆ£o mais com o pensamento de Adam Smith (Processo, estrutura Input-Output) mas sobre o pensamento de David Ricardo e seu Principio Dual de Trabalho, cujo elemento central Ć© o ‘savoir faire’ ou a forma de fazer, com o nome de Forma de produção.
Veja as seguintes pƔginas, comparando:
Modelos construĆdos dentro desse padrĆ£o:
Veja, o que gera uma vacina para o Sars-Cov-2 Ć© uma operação na qual o pensamento do cientista que, tendo em vista os aspectos ainda impensados, porque nĆ£o pensados, desse vĆrus, desencadeia uma operação no seguinte formato:
Essa operação cientĆfica considera entre outras coisas o que a ciĆŖncia sabe sobre vĆrus em geral e o Sars-Cov-2 em particular.
Tangibilidade ou intangibilidade sĆ£o qualidades, aparĆŖncias, ou propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas desse vĆrus. O impensado, ao contrĆ”rio, toma o objeto dessa operação de conhecimento por inteiro, mesmo que de inĆcio, nĆ£o haja qualquer propriedade sejam as nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas sejam as sim-originais e sim-constitutivas.
O interesse da ciĆŖncia Ć© pelas propriedades sim-originais e sim-constitutivas desse vĆrus, que sĆ£o essas que podem levar a conquistas como por exemplo, uma vacina. E encontrar esse conjunto de propriedades Ć© o que converte o impensado em representação.
Nota: Nessa forma de reflexĆ£o que se instaura no pensamento filosófico de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825,’ o ser do homem’ nĆ£o se dirige ao intangĆvel!
IntangĆvel Ć© uma qualidade de algo e nĆ£o faz parte das propriedades originais e constitutivas desse algo.
Essa forma de reflexĆ£o sim, dirige-se ao impensado, o objeto por inteiro, em relação ao qual o Pensamento pode muito. Pode descobrir suas propriedades originais e constitutivas, propriedades substantivas, e nĆ£o adjetivas, aparĆŖncias, como Ć© o intangĆvel.
(Ref. Entrevista de Jorge Forbes)
Ao contrĆ”rio do impensado, que mediante articulação feita pelo pensamento e patrocinada pelo sujeito, pode ganhar o espaƧo da representação (e a vacina!), o intangĆvel na maioria dos casos, permanece exatamente isso: intangĆvel.
HĆ” uma confusĆ£o entre os vocĆ”bulos intangĆvel e impensado.
Veja as bases de sustentação e essa forma de reflexão em
Essa forma de reflexĆ£o Ć© consistente e estĆ” na base do PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo.
Veja em imagens
que ilustram essa forma de reflexĆ£o no depois da descontinuidade epistemológica, e a reflexĆ£o no perĆodo anterior.
Esse tĆtulo faz alusĆ£o a uma revolução nos laƧos sociais Ćŗnica – pelo seu tamanho, porque a maior – nos Ćŗltimos 2800 anos. E nos laƧos sociais.
Volto ao redirecionamento da ‘harmonia do homem’ desde os transcendentais natureza, deuses, razĆ£o, para o intangĆvel como diz Forbes. Se o argumento que fiz acima, a substituição do ‘intangĆvel‘ pelo ‘impensado‘ for aceito – ao menos para efeito deste texto, essa revolução a que o tĆtulo alude jĆ” ocorreu, e hĆ” exatos 203 anos. E teve exatamente a mesma intenção, atingiu ‘os laƧos sociais’ e todas as Ć”reas do conhecimento humano. E mais, marcou a entrada de nada mais nada menos do que o homem em nossa cultura.
NĆ£o foi pouca coisa.
Esse tĆtulo, com a afirmativa nele expressa, parece conter em seu significado, um descarte histórico desse evento que tem, na avaliação de Michel Foucault, o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento; e um desconhecimento do modo como se alterou ao longo do tempo o modo de ser fundamental do pensamento e suas condiƧƵes de possibilidade, em nossa cultura em tempo muito mais próximo de nós que os 28 sĆ©culos.Ā
Gostaria que Jorge Forbes relesse sobre isso na minha Cartilha – o livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’, desse autor.Ā
Forbes alude a um movimento do pensamento que parte dos transcendentais natureza, deuses, razĆ£o e chega ao intangĆvel.
Foucault fala de um outro movimento que identifica modelos feitos por um pensamento postado AQUĆM do objeto – referido Ć Ordem arbitrariamente escolhida em que vige um sistema de categorias, para por um pensamento DIANTE do objeto no qual a ordem Ć© dada pelas regras da gramĆ”tica da lĆngua usada, e chega a um pensamento para ALĆM do objeto em que encontramos constituĆdos os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, e nĆ£o mĆŗltiplas categorias mas trĆŖs somente: função-norma; conflito-regra, significação-sistema.Ā
Tendo em mente especificamente a mudanƧa proposta por Forbes para um pensamento voltado a um objeto ‘intangĆvel’, e tendo consciĆŖncia de que isso resulta em um certo esforƧo do pensamento e alĆ©m disso, um pensamento organizado por esse objeto ‘intangĆvel’ escolhido, exatamente essa alteração – modelos organizados pelo objeto – aconteceu em nossa cultura em um espaƧo de tempo muito menor, pouco mais de dois sĆ©culos atrĆ”s em vez dos 28 sĆ©culos mencionados por Forbes.
Nesse meio tempo, e por falar não em revoluções mas em descontinuidades epistemológicas em nossa cultura, podemos ver esse evento em nossa cultura na pÔgina seguinte.
Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura entre 1775 e 1825,Ā
Essa mudança no pensamento exigiu uma forma de reflexão também nova. Segundo Michel Foucault, essa mudança ocorreu em um movimento do pensamento muito mais recente e importante que surgiu em momento muito mais próximo do nosso tempo. Veja essa forma de reflexão associada a uma imagem para o conceito, que torna aparentes os elementos de imagem utilizados, a estrutura que ocupam e os relacionamentos que estabelecem.
A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura, segundo Michel Foucault
E os efeitos de tal movimentação das positividades umas em relação às outras pode ser constatado nas produções do pensamento efetivamente feitas e utilizadas em teorias, modelos e sistemas existentes e muito utilizados. Essa mudança não ficou apenas no pensamento teórico mas atingiu a prÔtica, embora não tenha sido avaliada de maneira alinhada com o pensamento filosófico.
A pƔgina a seguir mostra:
Esse tĆtulo do vĆdeo da entrevista de Jorge Forbes imediatamente me lembra do movimento Reengenharia, e da capa do livro de mesmo nome de Michael Hammer āā EsqueƧa o que vocĆŖ sabe sobre como as empresas devem funcionar: quase tudo estĆ” erradoā trombeteava ele. Seja em Hammer, ou em Forbes, nos dois casos havia e hĆ”, a denĆŗncia, como se atual fosse, de uma revolução jĆ” ocorrida em passado nem tĆ£o remoto. Em termos históricos, foi ontem.
A Cartilha mostra como e por que isso Ć© verdade.
Se estou entendendo o que ele chama de āĆ©poca anteriorā, ou terra1 isso jĆ” tem um nome: idade clĆ”ssica ou pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo a Cartilha. E chamado por esse nome, suficiente, podemos prescindir do nome fantasia terra1.Ā
Usando āpensamento filosófico clĆ”ssicoā podemos fazer o relacionamento com o modo de ser do pensamento de autores importantes desse perĆodo – a virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX, como Adam Smith, John Locke, Jeremy Bentham, etc. Ā E usando a contraparte āpensamento modernoā ā que possivelmente Forbes chamarĆ” de terra2 igualmente sem necessidade e com desvantagens ā podemos estabelecer relaƧƵes com pensadores como David Ricardo, Franz Bopp, Georges Cuvier, Sigmund Freud, John Maynard Keynes, entre muitos outros.
āMe incomoda a noção de norma no sentido de que vocĆŖ sai de um laƧo socialĀ
estandardizado, padronizado, rĆgido, hierĆ”rquico, linear, focado,Ā
que sĆ£o algumas das caracterĆsticas que eu entendo da Ć©poca anterior que eu chamo de terra1.Ā
Eu chamo de terra1 toda organização, todo laƧo social vertical – independente do que esteja, na verticalidade, no ponto da transcendĆŖncia, esteja (como esteve durante muitos sĆ©culos) primeiro a natureza, depoisĀ os deuses, depois a razĆ£o. As transcendĆŖncias mudam mas a estrutura arquitetĆ“nica arquitetural vertical se manteve. EntĆ£o eu entendo que hĆ” uma revolução monumental neste momento, sobre 2800 anos de história, em que nós saĆmos de uma forma de nos comportarmos verticalmente e temos a chance de nos comportarmos horizontalmente; o que implica em que nós temos a chance de viver num laƧo social flexĆvel, criativo, mĆŗltiplo, responsĆ”vel, – responsĆ”vel antepƵe responsabilidade e disciplina – (…) EntĆ£o vocĆŖ tem um laƧo social de caracterĆsticas, como eu disse,Ā
colaborativo, mĆŗltiplo, reticular, flexĆvel, criativo, [responsĆ”vel];Ā
e eu acho que o interessante quando nós sairmos dessa pandemia, Ć© nós guardarmos um aspecto dela, que Ć© a relação do homem com o intangĆvel.
āĀ Ref. Jorge Forbes, em Estamos vivendo a maior revolução dos laƧos sociais dos Ćŗltimos 2800 anos do canal Inconsciente coletivo.
Neste comentĆ”rio, faƧo uso, claro, do meu particular e pessoal entendimento do pensamento de Michel Foucault, e afirmo:Ā
1. que no que Forbes chama terra2 – (entendido como a configuração moderna do pensamento, o de depois de 1825, como aquilo que sucede e substitui, se opondo, ao pensamento ‘anterior’),Ā ‘hierarquia’ Ć© uma estrutura intrĆnseca e inseparĆ”vel do resultado de uma operação de construção de representação nova, porque Ć© uma estrutura ligada ao resultado (uma representação) dessa operação sempre organizada pelo par sujeito-objeto, com princĆpios organizadores Analogia e SucessĆ£o e com os mĆ©todos AnĆ”lise e SĆntese;
e no entanto a qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆda ao pensamento emĀ terra1 (entendido agora como o pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775, o que Forbes chama de ‘anterior’).Ā
Dado que no pensamento clĆ”ssico nĆ£o existem as noƧƵes de objeto (noção Ć qual a ideia de hierarquia estĆ” ligada em um modelo de operaƧƵes) e de sujeito (homem), essa qualidade atribuĆda a terra1 deve estar referida a outra coisa que mereƧa esse atributo, mas que nĆ£o estĆ” clara no texto, e valeria a pena esclarecer o que seja que tem essa qualidade.Ā
norma Ć© um dos modelo constituintes das ciĆŖncias humanas que juntamente com função, compƵe o par constituinte da ciĆŖncia da Vida, a Biologia no perĆodo moderno do pensamento e no segmento do espectro de modelos para ALĆM do objeto.
hÔ outros dois pares de modelos constituintes no modelo constituinte padrão, genérico para todas as ciências humanas, a saber
A descrição feita por Michel Foucault desse modelo constituinte padrão e genérico, composto dos pares constituintes das ciências que habitam a região epistemológica fundamental, e o eixo vertical do Triedro dos saberes:
acaba sendo quase que um manual para formulação de teorias, modelos e sistemas nesse campo, e por isso faço este comentÔrio.
Portanto este comentƔrio vai a seguir em dois pontos:
1. Quanto Ć s qualidades atribuĆdas a terra1 e terra2;Ā
e 2. Quanto ao incĆ“modo com a ‘norma’
1. Quanto Ć s qualidades atribuĆdas a terra1 e terra2
Note que as caracterĆsticas tanto em terra1 quanto em terra2 sĆ£o dadas no excerto acima, e nos dois casos, por qualidades dos laƧos sociais.
Tomando terra1 como sendo a configuração do pensamento filosófico no perĆodo clĆ”ssico, nesse perĆodo o pensamento funciona com propriedades nĆ£o-originais e nĆ£o-constitutivas das coisas, as aparĆŖncias, estas, qualidades. Para o pensamento assim configurado nĆ£o existem a noção de homem como ser capaz de desempenhar uma duplicidade de papĆ©is, e a noção de objeto.
O elenco de qualidades atribuĆdas ao laƧo social – estandardizado, padronizado, rĆgido, hierĆ”rquico, linear, focado – pode ser objeto de reflexĆ£o interessante.Ā
A qualidade ‘hierĆ”rquico’ estĆ” atribuĆda ao pensamento terra1 que eu, aqui, presumo que se refira ao pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 segundo Foucault.Ā
Tomando posição em terra2, que eu presumo referir-se ao pensamento moderno, o de depois de 1825 segundo Foucault, essa qualidade ‘hierĆ”rquico’ seria dada por uma estrutura de conformação definida no objeto, uma hierarquia.
Enfatizando, no pensamento moderno os princĆpios organizadores de uma operação no caminho da Construção de representação nova sĆ£o Analogia e SucessĆ£o com os mĆ©todos AnĆ”lise e SĆntese.Ā
Ā “De sorte que se vĆŖem surgir,Ā
como princĆpios organizadores desse espaƧo de empiricidades,Ā
aĀ AnalogiaĀ e aĀ SucessĆ£o:Ā
de uma organização a outra,Ā
o liame, com efeito, nĆ£o pode ser mais a identidade de um ou vĆ”rios elementos,Ā
mas a identidade da relação entre os elementosĀ
(onde a visibilidade nĆ£o tem mais papel) e da função que asseguram; (…)Ā
Cartilha; Cap. 7. Os limites da representação; tópico I. A idade da história
TomemosĀ (ainda posicionados emĀ terra2!)Ā um ‘impensado’ em Foucault ou um ‘intangĆvel’ em Forbes; nĆ£o existe representação para isso – ou nĆ£o seria um impensado ou um intangĆvel no domĆnio de trabalho. Por isso, se for feita a decisĆ£o de resolver essa situação de intangibilidade ou nĆ£o representatividade, esse ‘impensado’ serĆ” objeto em uma operação de construção de uma representação.Ā
O pensamento converte o impensado em representação.
Aquilo que antes dessa operação era o ‘impensado‘ de Foucault,Ā depois dessa operação de construção de representação nova – conduzida em cada etapa pelo sujeito – nada mais serĆ” do que um pacote logicamente organizado de objetos anĆ”logos ao impensado e seus aspectos, objetos esses adotados em seu conjunto como substitutivos – dentro de certos critĆ©rios de aceitação – daquele ‘impensado’ para o qual nĆ£o havia representação no espaƧo no qual a operação acontece.Ā
O princĆpio organizador do pensamento Analogia estabelece relaƧƵes de analogia das quais surgem objetos anĆ”logos ao impensado mais representĆ”veis. Usando como diz Foucault ‘a sintaxe que autoriza a construção das frases’, esse objeto anĆ”logo Ć© arrastado para o modelo de operaƧƵes construĆdo segundo as regras da linguagem por meio de uma proposição na qual o homem Ć© sujeito, e o predicado do sujeito Ć© composto por um verbo – a forma de produção, e um atributo, o objeto anĆ”logo que acaba de ser criado na relação de analogia. Agora cada um desses objetos anĆ”logos sĆ£o testados quanto Ć s respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo em que a operação acontece. Caso necessĆ”rio, o mĆ©todo AnĆ”lise entra em cena e quebra cada objeto anĆ”logo eventualmente ainda nĆ£o representĆ”vel em outros objetos anĆ”logos mais próximos de suas respectivas possibilidades de representação nesse espaƧo; e o mĆ©todo SĆntese garante que o objeto anĆ”logo inicial ainda pode ser composto pelo conjunto de objetos anĆ”logos resultantes da AnĆ”lise.
AĆ entra o princĆpio organizador SucessĆ£o. Usando como diz Foucault ‘aquela sintaxe, menos manifesta, que autoriza manter juntas ao lado e em frente umas das outra, as palavras e as coisas‘, a SucessĆ£o posiciona ao lado, ou em frente uns dos outros, os objetos anĆ”logos criados em substituição ao objeto anĆ”logo nĆ£o representĆ”vel, estabelecendo entre eles relaƧƵes lógicas – de sucessĆ£o.Ā
Você pode ver isso em uma animação nesta pÔgina, sob DIANTE do objeto. Se necessÔrio, posso dar mais detalhes sobre como isso funciona.
Nota: essa descrição do funcionamento de uma operação de construção de representação para algo antes impensado nĆ£o explica suficientemente o ‘laƧo social’, mas podemos chegar lĆ”.
Continuando. Assim, supondo que terra2 seja de fato o que eu estou pensando que Ć©, o pensamento filosófico moderno – o de depois de 1825, como diz Foucault ‘aquele [pensamento] com o qual queiramos ou nĆ£o, pensamos‘, entĆ£o, hierĆ”rquico Ć© uma qualidade intrĆnseca a esse tipo de pensamento, terra2, desde que entendido como referente ao objeto. Como humanos nĆ£o nos Ć© possĆvel construir representação para qualquer ‘impensado’ sem que o resultado seja um objeto expresso por uma representação com uma estrutura em hierarquia.
Fechando o longo parĆŖnteses, e voltando ao ponto, supondo que terra1 seja de fato o que penso que Ć©, – o pensamento filosófico clĆ”ssico.
Em assim sendo, a noção de impensado cuja representação Ć© construĆda pelo pensamento, nesse tipo de pensamento, nĆ£o existe. Porque nĆ£o existe a noção de objeto e tambĆ©m nĆ£o existe a noção de sujeito da operação, como o homem, que seria capaz de construir representação nova. O homem estĆ” fora da paleta de ideias no pensamento clĆ”ssico. ‘Antes do final do sĆ©culo XVIII o homem nĆ£o existe em nossa cultura. NĆ£o mais do que um gĆŖnero, ou uma espĆ©cie’ Ć© o que nos alerta Foucault.
Logo, nesse tipo de pensamento, sem a noção de objeto prima irmĆ£ da noção de hierarquia, a qualidade ‘hierĆ”rquico’ deve referir-se a outra coisa que nĆ£o o objeto. EntĆ£o o que Ć© danoso, prejudicial, e justifica mudanƧas Ć© essa outra coisa que estĆ” associada a essa qualidade ‘hierĆ”rquico’, e que vista mais de perto, nĆ£o pertence a esse pensamento.Ā
E essa coisa não é declarada por Forbes, o que poderia gerar confusão.
Mas a palavra hierarquia Ć© muito usada, e mesmo em terra1; as organizaƧƵes foram bem ou mal se organizando e apresentando problemas. Sem atentar para que tipo de pensamento estavam usando. E aĆ, por diferentes razƵes, alguns autores passaram a demonizar a organização hierĆ”rquica sem dizer especificamente o que estavam demonizando. Isso sem noção de que a estrutura hierĆ”rquica Ć© inerente, indissociĆ”vel, ao pensamento moderno, e Ć s operaƧƵes que transcorrem organizadas sob essa configuração do pensamento.
EntĆ£o, se estou sendo entendido, hierĆ”rquico em terra1, nada tem, nem pode ter, a ver com o objeto de operaƧƵes sob o pensamento moderno que terminam construindo representaƧƵes novas. E o pensamento voltado para o ‘intangĆvel’ de Forbes ou ‘impensado’ de Foucault nĆ£o pĆ”ra de pĆ© sem o objeto e sem o sujeito; e portanto necessariamente com a qualidade ‘hierĆ”rquico’ que em Forbes estĆ” posta em terra1.
Pode haver confusĆ£o aĆ, demonizando a hierarquia, o que, em se tratando de pensamento moderno (terra2) em qualquer caso, Ć© na verdade Ć© uma missĆ£o impossĆvel.Ā
Obviamente nĆ£o sei como essa qualidade afeta o laƧo social descrito por Forbes, mas posso ver com alguma clareza como essa qualidade afeta a estrutura do pensamento nas operaƧƵes sob o pensamento filosófico moderno, no depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825. E a hierarquia Ć© caracterĆstica integrante e indissociĆ”vel do resultado nessa configuração do pensamento, arrastada para a representação (projeto) decorrente do referencial, dos princĆpios organizadores e dos mĆ©todos utilizados em um pensamento orientado pelo par sujeito-objeto.
Veja isso na seguinte pƔgina
NĆ£o se ganha nada ao retirar a qualidade hierĆ”rquica da estrutura inerente Ć construção de representação nova (projeto); ao contrĆ”rio perde-se muito, essa tentativa empobrece a visĆ£o da operação, oblitera o funcionamento das duas sintaxes da lĆngua usada para modelar operaƧƵes; por essas razƵes, mas acima de tudo, essa parece ser uma missĆ£o impossĆvel. A estrutura hierĆ”rquica da operação da qual resulta uma representação nova Ć© resultado do perfil de configuração do pensamento.
2. Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a ‘norma’
Quanto ao incĆ“modo de Forbes com a noção de ‘norma’, isso me remete imediatamente de novo Ć Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’, que me permite uma visĆ£o de conjunto muito mais completa e Ćŗtil para quem pensa em formular e configurar, e depois operar com sucesso, modelos no domĆnio das ciĆŖncias humanas.
A ‘norma‘ que incomoda Forbes, Ć© a expressĆ£o de uma convenção, um acordo feito para atender Ć s condiƧƵes requeridas por uma ‘função‘; esse acordo, essa convenção, visa a estabilidade temporal, em mais de um aspecto, e o compartilhamento dessa ‘norma‘ isto Ć©, da solução conseguida e convencionada para a obtenção prĆ”tica dessa ‘função’.
Vale a pena examinar, usando o pensamento de Michel Foucault, o que se configura quase comoĀ
Um ‘manual’ para projeto e construção de modelos no domĆnio das ciĆŖncias humanas
em trĆŖs tempos:
examinando o modelo constituinte padrão das ciências humanas composto de uma combinação ponderada dos pares constituintes das ciências do eixo epistemológico fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem:
āAssim, estes trĆŖs pares, função e norma, conflito e regra, significação e sistema, cobrem, por completo, o domĆnio inteiro do conhecimento do homem.āĀ Cartilha; Cap. 10 ā As ciĆŖncias humanas; tópico I ā O triedro dos saberes
Esse excerto da Cartilha dĆ”-nos conta de que esses trĆŖs pares de modelos constituintes, das ciĆŖnciasĀ
estĆ£o na base de toda e qualquer ciĆŖncia humana, incluindo a economia polĆtica, e a biopolĆtica, e tambĆ©m a anĆ”lise da produção. Essas trĆŖs ciĆŖncias compƵem, segundo Foucault, a regiĆ£o epistemológica fundamental.
Forbes supostamente estĆ” analisando o que aconteceĀ nas,Ā eĀ com asĀ organizaƧƵes empresariais e, portanto, estĆ” elaborando bem no campo de uma ciĆŖncia humana. Essa ciĆŖncia humana que segundo Foucault, tem esse modelo constituinte padrĆ£o no qualĀ
Isso evidencia que esse incĆ“modo de Forbes com a ‘norma‘ precisa ser bastante ampliado quando se fala de laƧos sociais porque estes estĆ£o afetos,Ā
mas tambĆ©m estĆ£o regidos pelos pares constituintes dos outros dois quase-transcendentais:Ā
Ć claro que podemos desconsiderar esse mapeamento admirĆ”vel do espaƧo dos saberes moderno feito por Foucault e pensar de modo compartimentado e muito mais incompleto.Ā
Mas por que exatamente farĆamos isso?
Um
A frase citada por Forbes:
“Freud explica ā Freud implica:
no ‘explica’ vocĆŖ tem um saber anterior ao ato;
no ‘implica’ vocĆŖ tem um ato anterior ao saber.”
Implica vem do verbo implicar. O mesmo que: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde.
Expressar desdém, deboche, zombaria; hostilizar: ele implica com seu irmão constantemente; implicava-se com o vizinho.
Obter como resultado, efeito ou consequência; originar: a devolução do imóvel implica multa.
Fazer com que algo se torne necessÔrio; requerer: o trabalho não implica sua participação.
Implica Ʃ sinƓnimo de: hostiliza, origina, requer, requere, discorda, compromete, confunde
Implica Ʃ antƓnimo de: desimplica
verbo transitivo diretoFazer com que fique claro e compreensĆvel; descomplicar uma ambiguidade: explicar um mistĆ©rio.Ser a causa de: a desgraƧa explica sua amargura.Conseguir interpretar o significado de: explicar um texto irĆ“nico.verbo transitivo direto e bitransitivoFazer com que alguma coisa seja entendida; explanar: explicar uma teoria; explicar a matĆ©ria aos alunos.verbo transitivo direto e pronominalProvidenciar uma justificativa ou desculpa; desculpar-se: preciso explicar meu comportamento; o presidente explicou-se ao povo.Manifestar-se atravĆ©s das palavras; exprimir-se: explicar uma paixĆ£o; explicou-se numa linguagem bem popular.Etimologia (origem da palavra explicar). Do latim explicare.
Explicar Ʃ sinƓnimo de: lecionar, pontificar, adestrar, amestrar, doutrinar, educar, ensinar, formar, instruir
Explicar Ʃ o contrƔrio de: obscurecer, complicar
Ć bem implicante o leque de significados das palavras ‘explica’ e ‘implica’. Implica pode significar atĆ© confunde! mas Ć© tambĆ©m ‘origina’.
Implica Ʃ origina, requer. Explicar Ʃ formar, instruir. Complicar, Ʃ antƓnimo de explicar.
Etimologicamente complicar é dobrar junto; implicar é entrelaçar, juntar, reunir. Muito próximos os significados, não?
Essa relação de sucessão ou de precedência entre ato e conhecimento tem bastante mais a ver com:
do que propriamente com o significado escolhido para essas duas palavras.
Se assim for, é melhor declarar explicitamente quais são as condições de possibilidade do pensamento selecionadas, e qual a natureza da operação em que estamos pensando, se de construção de representação nova, se de instanciamento de representação anteriormente existente.
Além disso, dependendo dessa natureza da operação, a operação pode acomodar-se, desde logo, a uma configuração do pensamento clÔssico, anterior a 1775, ou a uma configuração do pensamento moderno, o de depois de 1825.
Os perfis das duas configuraƧƵes do pensamento, segundo o pensamento de Foucault: OperaƧƵes possĆveis sob as condiƧƵes de pensamento dadas pelos respectivos perfĆs do pensamento filosófico clĆ”ssico, o de antes de 1775 e pelo moderno, de depois de 1825. saber anterior ao ato ato anterior ao saberĀ saber anterior ao ato
os pensamentos clƔssico (de antes de 1775); e moderno( de depois de 1825)
Muito diferentes, uma da outra, se atentarmos ao pensamento de Foucault. Você pode ver essas diferenças aqui. Isso, se o modo de ser do pensamento não for explicitado onde e quando devido.
Esta argumentação tem como pano de fundo o pensamento de Foucault. E a frase acima Ć© a expressĆ£o de um pensamento atual tal como ele aflora. Vale, portanto, rever como Foucault avaliava o pensamento em geral, tal como aflorava durante o seu trabalho no ‘As palavras e as coisas’, em 1966, o que, pelo que vejo, nĆ£o mudou.
Veja Os dois obstƔculos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho.
usando essa citação de modo mais restrito, Foucault via um pensamento contaminado, nas palavras dele, ‘dominado’ por um pensamento de idade anterior. Ele via um pensamento ‘dominado pela impossibilidade de fundar as sĆnteses (da empiricidade objeto) no espaƧo da representação’.
Nessa frase acima, eu vejo esse mesmo tipo de contaminação, que gera uma dubiedade, que queremos levantar com a ajuda do mestre, Michel Foucault.
Para a situação sugerida no caso do ‘implica’ no lado direito da frase – um ato anterior ao saber -, a configuração do pensamento deve, necessariamente, permitir a geração de saber novo (ser capaz de fundar as sĆnteses no espaƧo da representação); deve portanto permitir a construção de representação nova para o objeto do ato, ou da operação.
Essa possibilidade – inerente ao proposto no lado direito da frase -, Ć© privativa do pensamento filosófico moderno, o de depois de 1825. Mas só ocorre quando o ‘Freud’ da frase estiver com um pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno, e na etapa da Construção da representação. O mesmo ‘Freud’, no pensamento moderno, mas na etapa de Instanciamento de representação relativa a saber anteriormente obtido, estarĆ” diante de um saber anterior ao ato.
O pensamento clĆ”ssico, em suas teorias, modelos e sistemas, nĆ£o permite construção de representação nova (porque era marcado pela impossibilidade de fundar as sĆnteses …, esse o obstĆ”culo vislumbrado por Foucault); no pensamento clĆ”ssico tudo o que existe estĆ” lĆ” desde sempre e para sempre, e por obra de Deus compondo o Universo.
Para a situação sugerida no ‘Explica”, o lado direito da frase – saber anterior ao ato – nessa perspectiva do pensamento de Foucault, gera uma dubiedade que só pode ser resolvida tendo presentes, em detalhe, como sĆ£o as operaƧƵes as que sim, podem, e as que nĆ£o podem ‘fundar as sĆnteses no espaƧo da representação’. Sem discernimento, o pensamento fica ‘dominado’ porque pode estar imerso no perfil do pensamento clĆ”ssico, ou no perfil do pensamento moderno, mas no caminho do Instanciamento da representação.
Pensando nessas relaƧƵes de precedĆŖncia ou sucessĆ£o entre ato e saber, e nas operaƧƵes em suas possĆveis etapas, suas configuraƧƵes e perfis ou estruturas de conceitos sobre os quais sĆ£o concebidas, nĆ£o hĆ” razĆ£o para que essa frase se restrinja a Freud. Poderia ser qualquer outro sujeito. Mas se levarmos em conta a menção especificamente a Freud, ela arrasta para a frase o modo de ser do pensamento desse grande autor, classificado por Michel Foucault como um pensador moderno, com estrutura de pensamento daquela configuração de pensamento de depois de 1825.
Dado esse conjunto de significados em comum, esses dois conceitos ‘Explica‘ e ‘Implica‘ e essas relaƧƵes de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre ato e saber me fazem lembrar do pensamento de Humberto Maturana, que pode ser visto em uma animação de menos de 4 minutos, na seguinte pĆ”gina;
Essa Figura 2 Ć© original de Maturana (apenas a arte foi editada – os elementos grĆ”ficos que representam as ideias foram modificados) mas em vez de usar dois rótulos como explica e implica, Maturana usa um pensamento no qual emprega duas formas para o mesmo rótulo ‘Explicar’, com diferentes significados correspondentes Ć” mudanƧa que estĆ” discutindo:
(saber anterior ao ato, ou o ‘Explica’ no lado esquerdo da frase)
(saber posterior ao ato, ou o ‘Implica’ do lado direito da frase)
Nesse pensamento, no original de Maturana, ele atribui pressupostos para o tipo de pensamento desenvolvido em cada lado da figura:
e reflete o saber anterior ao ato (operação)
e reflete o saber posterior ao ato (operação)
Usando agora o pensamento de Michel Foucault. Veja, por favor, e novamente, as pƔginas seguintes com animaƧƵes que colocam palavras de Foucault sobre paletas de elementos de imagem e respectivas estruturas:
primeiro, a operação de construção de representação nova (projeto) sob o pensamento configurado com o perfil do pensamento moderno:
Funcionamento das operaƧƵes (…) operação Diante do objeto
e depois, veja a pƔgina
Resumidamente – e para facilitar – os dois perfis ou estruturas de conceitos, sĆ£o:
Examinando os dois perfis caracterĆsticos das duas configuraƧƵes do pensamento, vĆŖ-se que:
(Aviso: Ʃ melhor examinar primeiro o perfil do pensamento moderno, com suas capacidades de tratar propriedades originais e constitutivas e depois o perfil do pensamento clƔssico)
Nota: não se trata de afirmar que na idade clÔssica não se produzia representações novas; mas dizer que as teorias, modelos e sistemas sob essa configuração do pensamento não abrangiam a etapa de construção de representações novas.
Acabamos de ver o funcionamento da operação de construção de uma representação nova (projeto) para uma empiricidade objeto, com um pensamento configurado de acordo com o pensamento moderno, o de depois de 1825 – uma vez que a configuração do pensamento anterior, o clĆ”ssico, nĆ£o pode construir novas representaƧƵes.
Fica claro – entendida essa sistemĆ”tica de funcionamento – que no pensamento moderno, e na etapa de construção de saber novo, (caminho da Construção da representação)
Como reza a frase no lado direito, sim, tem-se um ato anterior ao saber, mas… somente no caso do pensamento moderno, e no caminho da Construção da representação. PorĆ©m, estando no mesmo lado direito, e tambĆ©m no pensamento moderno, se estivermos no caminho do Instanciamento de representação previamente existente – o que mais acontece em situaƧƵes de realidade – a situação se inverte, e teremos um saber anterior ao ato, como no caso anterior do pensamento clĆ”ssico.
Dado que a possibilidade de saber novo só acontece com um pensamento configurado com o perfil caracterĆstico do pensamento moderno, essa frase (de efeito) depende de quais sejam as visƵes de operaƧƵes adotadas (o ato) em qual etapa da operação e de qual configuração do pensamento.
A relação de precedĆŖncia ou de sucessĆ£o entre o ato e o saber Ć© essencial nessa frase e podemos deixar de lado, e em segundo plano, os nomes ‘explica‘ e ‘implica‘.
Essa relação de sucessão corresponde ao que ocorre nas operações sob as configurações do pensamento clÔssico e moderno da seguinte forma:
Então, para que a frase faça algum sentido, é necessÔrio atentar qual seja o perfil de configuração do pensamento diferente, e em qualquer caso, uma visão clara do que sejam operações, em cada lado da seta que estÔ no meio dessa frase:
AtƩ agora Freud entrou nessa frase como Pilatos no credo.
E essa referência a Freud nessa frase também cria mais problemas, desde que usemos o pensamento de Michel Foucault.
Segundo Foucault, Freud Ć© um pensador moderno.
Logo, ele teria noção dos modelos de operações no pensamento moderno; e também os do pensamento clÔssico, se não, não teria escolhido pensar com o missal do pensamento moderno.
E assim, todas as opƧƵes condicionadas ao pensamento clƔssico acima deixam de valer no caso de Freud.
Então, o pensador moderno Freud
O comportamento do pensador moderno Freud nĆ£o Ć© função do nome dado Ć operação, se ‘explica’ ou se ‘implica’, mas o que a operação pretende com respeito ao seu objeto e o estado em que se encontra esse objeto no ambiente em que a operação acontece – jĆ” existe ou ainda nĆ£o existe representação para ele nesse ambiente.
EntĆ£o um ato de ‘explicar’ de Freud pode nĆ£o ter um saber anterior; o que contradiz a frase no lado esquerdo. E tambĆ©m o estabelecimento de uma implicação dele pode ter um saber anterior, o que contraditaria o lado direito da frase.
Mostramos isso no Funcionamento de operaƧƵes, e um ato (operação) desse tipo preenche a etapa de Instanciamento de representaƧƵes anteriormente construĆdas.
Os pontos comentados são os seguintes:
e as duas correspondentes origens da essência da linguagem e do valor carregado pela proposição para a representação.
ComentƔrios
1. Tendo como referĆŖncia o pensamento de Michel Foucault, nĆ£o hĆ” dĆŗvida de que Freud foi um pensador moderno; assim, o movimento que teria sido feito por Lacan desde uma psicanĆ”lise de Freud, com base na representação para uma outra, de Lacan, fora da representação pode nĆ£o ter sido possĆvel uma vez que a psicanĆ”lise de Freud jĆ” tinha sua base fora da representação.
2. Teorias, modelos e sistemas, como produƧƵes do pensamento, transcorrem sempre com a presenƧa de uma linguagem; o veĆculo de carregamento de valor Ć© sempre a proposição e o destino do valor carregado Ć© sempre a representação. A questĆ£o parece ser, entĆ£o, a origem – se interna ou externa Ć linguagem – do valor atribuĆdo Ć proposição.Ā
3. A alteração de uma origem de valor interna Ć linguagem para uma externa Ć linguagem implica em uma mudanƧa no modo de conhecer o que dizemos que conhecemos, uma mudanƧa epistemológica.Ā
Seguem comentÔrios em tópicos:
A descrição feita por Michel Foucault da psicanÔlise de Freud dÔ-nos conta ser Freud um pensador moderno.
Em nossa Cartilha, (o livro ‘As palavras e as coisas’) Foucault nĆ£o hesita em classificar Freud como um autor moderno, e caracteriza o pensamento clĆ”ssico como āaquele para o qual a representação existeā.
No livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; Cap. 10 ā As CiĆŖncias humanas; tópico V ā PsicanĆ”lise e etnologia, de Michel Foucault, encontramos subsĆdios para afirmar que o autor discorda frontalmente dessa afirmativa de que a psicanĆ”lise de Freud tivesse suas bases na representação; nesse texto Foucault mostra que, ao contrĆ”rio, o pensamento de Freud jĆ” tem suas bases fora da representação; e expƵe como e por que ele faz esse juĆzo mostrando o funcionamento da psicanĆ”lise – tendo como elemento organizador dessa argumentação o modelo constituinte padrĆ£o, comum a todas ciĆŖncias humanas por ele desenvolvido nesse livro, um modelo composto pelos pares de modelos constituintes das ciĆŖncias da Vida (Biologia) [função-norma]; do Trabalho (Economia) [conflito-regra]; da Linguagem (Filologia) [significação-sistema].
“NĆ£o hĆ” que supor que o empenho freudiano
seja o componente de uma interpretação do sentido
e de uma dinâmica da resistência ou da barreira;
seguindo o mesmo caminho que as ciĆŖncias humanas,
mas com o olhar voltado em sentido contrƔrio,
a psicanÔlise se encaminha em direção ao momento
– inacessĆvel, por definição, a todo conhecimento teórico do homem,
a toda apreensĆ£o contĆnua em termos de significação, de conflito ou de função
– em que os conteĆŗdos da consciĆŖncia se articulam com,
ou antes, ficam abertos para a finitude do homem.
Isto quer dizer que,
ao contrÔrio das ciências humanas que, retrocedendo embora em direção ao inconsciente,
permanecem sempre no espaƧo do representƔvel,
a psicanÔlise avança para transpor a representação,
extravasĆ”-la do lado da finitude e fazer assim surgir, lĆ” onde se esperavam
- as funƧƵes portadoras de suas normas,
- os conflitos carregados de regras
- e as significaƧƵes formando sistema,
o fato nu de que
- pode haver sistema (portanto, significação),
- regra (portanto, oposição),
- norma (portanto, função).
E, nessa região onde a representação fica em suspenso,
Ć margem dela mesma,
aberta, de certo modo ao fechamento da finitude,
desenham-se as trĆŖs figuras pelas quais
- a vida, com suas funƧƵes e suas normas,
vem fundar-se na repetição muda da Morte,
- os conflitos e as regras,
na abertura desnudada do Desejo,
- as significaƧƵes e os sistemas,
numa linguagem que Ć© ao mesmo tempo Lei.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 10 ā As CiĆŖncias humanas;
tópico V ā PsicanĆ”lise e etnologia
e especial destaque para o modo como Foucault vĆŖ que isso Ć© interpretado:
Sabe-se como psicólogos e filósofos
denominaram tudo isso:mitologia freudiana.
Era realmente necessƔrio
que este empenho de Freud
assim lhes parecesse;para um saber que se aloja no representƔvel,
aquilo que margeia e define, em direção ao exterior,
a possibilidade mesma da representação
nĆ£o pode ser senĆ£o mitologia.ā
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 10 ā As CiĆŖncias humanas;
tópico V ā PsicanĆ”lise e etnologia
Isso permite pensar que a razão de ser da psicanÔlise de Lacan, encontre seu fundamento em outro movimento de pensamento feito por ele, porque a psicanÔlise de Freud jÔ estava formulada desde fora da representação.
Em que consiste, então, a contribuição feita por Lacan?
Lembrando os obstĆ”culos percebidos por Foucault em seu trabalho, uma impossibilidade de fundar as sĆnteses [da empiricidade objeto no espaƧo da representação] e a obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir, para alĆ©m do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem, arriscaria dizer que a contribuição de Lacan foi formular uma psicanĆ”lise para alĆ©m do objeto.Ā Ā
Ā
Essas duas possibilidades de leitura do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ situam-se de lados opostos em relação Ć descontinuidade epistemológica posicionada por Michel Foucault como tendo ocorrido entre 1775 e 1825. Isso colocaria uma produção do pensamento baseada na representação do lado oposto a uma outra, baseada desde fora da representação. (O movimento de pensamento que o vĆdeo informa ter sido feito por Lacan com relação a Freud.
Podemos ver isso sob o ponto de vista das alteraƧƵes na própria linguagem em decorrĆŖncia da visĆ£o que temos do fenĆ“meno āoperaƧƵesā de pensamento ou outra, e de acordo com as explicaƧƵes de Michel Foucault:
Esse link mostra uma figura com a visĆ£o ampla do que entendemos como o fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ com representaƧƵes, incluindo as operaƧƵes de troca, mostrando os dois pontos nos quais podemos inserir o inĆcio da leitura que fazemos desse fenĆ“meno:
A pƔgina mostra:
A proposição é o bloco construtivo padrão fundamental para construção de representações.
āA proposição Ć© para a linguagem
o que a representação é para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo mais geral e mais elementar
porquanto, desde que a decomponhamos,
não encontraremos mais o discurso,
mas seus elementos como tantos materiais dispersos.ā
As palavras e as coisas; Cap. 4 ā Falar; tópico III ā Teoria do verbo
A representação carregada de valor como condição para que uma coisa possa representar outra em uma operação de troca.
(…) āEm outras palavras, para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
Ć© preciso que elas existam jĆ” carregadas de valor;
e, contudo, o valor só existe no interior da representação.ā
As palavras e as coisas; Cap. 6 ā Trocar; tópico V. A formação de valor
Antes de mais nada, muda a abrangĆŖncia da visĆ£o que temos do que seja uma operação, em decorrĆŖncia do ponto de inserção do inĆcio de leitura que fazemos desse fenĆ“meno. HĆ” duas possibilidades de inserção desse ponto de inĆcio de leitura de operaƧƵes:
A origem do valor carregado pelo veĆculo de carregamento de valor na representação Ć© nos dois casos, a proposição, sempre, porĆ©m em linguagens essencialmente diferentes e representaƧƵesĀ com origens de valor distintas.
No primeiro caso o valor é carregado na proposição diretamente. AliÔs, a proposição jÔ chega carregada de valor.
No segundo caso, o valor chega Ć proposição no bojo de uma operação de construção da representação para o objeto ainda nĆ£o disponĆvel. Isso em outras palavras quer dizer durante o projeto desse objeto. E as fontes de valor neste caso sĆ£o
A citação acima prossegue da seguinte forma:
(…) āo valor só existe no interior da representação
atual [representação do objeto envolvido na troca jÔ existente]
ou possĆvel [objeto cuja representação foi construĆda quando no teste de permutabilidade]
Ā isto Ć©, no interior
da troca [objetos envolvidos na operação de troca jÔ existentes]
ou da permutabilidade [a prospecção da possibilidade da troca com a construção da representação do objeto a ser levado ao circuito das trocas, se possĆvel]ā
As palavras e as coisas; Cap. 6 ā Trocar; tópico V. A formação de valor
āDaĆ duas possibilidades simultĆ¢neas de leitura:
A primeira dessas duas leituras corresponde a uma anƔlise que coloca e encerra
toda a essência da linguagem no interior da proposição;
e a outra, a uma anÔlise que descobre essa mesma essência da linguagem
Veja, por favor, o funcionamento das operaƧƵes sob o pensamento clĆ”ssico, o de antes de 1775 e o moderno, depois de 1825 emĀ
Podemos ver, do entendimento de como se desenvolvem as operações em um caso e em outro, a correspondência bastante estreita entre as explicações dadas por Foucault na citação acima.
Veja tambĆ©m os dois conceitos para o que seja um verbo, e identifique o verbo envolvido no primeiro caso em que a atribuição de valor Ć© assegurada diretamente por ele; e o verbo no segundo caso, em outra configuração da linguagem na qual o valor atribuĆdo Ć representação via a proposição, tem origem fora da linguagem nas designaƧƵes primitivas e na linguagem de ação ou de uso.Ā
HĆ”, aparentemente, uma contradição entre os dois vĆdeos do Canal Falando nisso, os de nĆŗmeros 150 e 254.
No vĆdeo 150 hĆ” a percepção de que efetivamente existem produƧƵes do pensamento – teorias, modelos e sistemas, baseados na representação, e outras, baseadas fora da representação; e esse Ć© um movimento de pensamento importante – nada mais nada menos do que uma descontinuidade epistemológica segundo o pensamento de Foucault,
Embora segundo o pensamento de Michel Foucault a psicanÔlise de Freud jÔ tivesse suas bases fora da representação, mas uma mudança de bases como essa sem dúvida significaria uma alteração epistemológica.
Evento dessa mesma natureza, uma descontinuidade epistemológica, tambĆ©m aconteceu para as produƧƵes do pensamento associadas ao liberalismo e neoliberalismo, no perĆodo histórico abrangido pelo vĆdeo 254 . Isso estĆ” relatado em bastantes detalhes por Michel Foucault no ‘As palavras e as coisas’, e Ć© inerente ao estilo de arqueologia adotado nesse livro.
Mas esse movimento do pensamento deixa de ser considerado para as teorias, modelos e sistemas ligados ao Liberalismo e Neoliberalismo nos questionamentos feitos no vĆdeo 254 – ‘Neoliberalismo e sofrimento’. Isso leva a crer que a natureza dessa mudanƧa de embasamento desde na representação para fora dela foi tratada, no vĆdeo 150, nĆ£o como uma questĆ£o constituinte, mas como uma
Enquanto no vĆdeo 150 os modelos estĆ£o predominantemente no domĆnio da Linguagem, no liberalismo e variaƧƵes, estĆ£o no domĆnio das ciĆŖncias do Trabalho (Economia).qualidade apenas.
Veja nesta pƔgina
exatamente essa mudanƧa de bases.
Entre esses dois pensadores hĆ” uma diferenƧa na visĆ£o do que sejam operaƧƵes avaliĆ”vel pela amplitude da visĆ£o do fenĆ“meno āoperaçãoā entre esses dois princĆpios para trabalho. Na parte inferior da pĆ”gina que o link acima dĆ” acesso, a explicação dada por Foucault deixa bem clara essa diferenƧa de amplitude na visĆ£o de ‘operaƧƵes’.
David Ricardo inclui, em seu PrincĆpio Dual de Trabalho, de 1817, tambĆ©m a etapa da construção de representação nova enquanto que Adam Smith nĆ£o faz isso.
Essa alteração na inserção do ponto de inĆcio do fenĆ“meno ‘operaƧƵes’ altera o modo como uma operação Ć© vista e implica em uma reconfiguração da linguagem no que ela tem de essencial: o modo como a proposição Ć© formada, e como o valor carregado na proposição Ć© levado por esta para a representação.
Isso pode ser visto em
As duas possibilidades de inserção do ponto de inĆcio da leitura do fenĆ“meno āoperaƧƵesā
e também na argumentação abaixo.
Havia uma confusão em Adam Smith, que consistia em estabelecer uma assimilação entre:
Essa assimilação, feita em Adam Smith, passa a ser em Ricardo uma distinção entre:
distinção essa que, segundo Foucault, foi feita, pela primeira vez, e de forma radical, pelo pensamento de David Ricardo, em nossa cultura; e isso implica em uma expansĆ£o da visĆ£o do fenĆ“meno āoperaƧƵesā.
Vista desse modo,
pode ficar difĆcil perceber que essa mesma alteração feita em Ricardo na economia, Ć© a mesma que Lacan teria feito na sua psicanĆ”lise;
Seria necessĆ”rio perceber que com o termo āatividade de produçãoā compreende-se a produção de algo ainda inexistente o que alarga a visĆ£o de operaƧƵes para o caminho da Construção de representação nova; mas encaixando essas duas coisas em uma visĆ£o ampla do que sejam operaƧƵes, de todos os tipos, obtida entre outros lugares na descrição de Foucault sobre as duas configuraƧƵes da linguagem,
vĆŖ-se que os dois movimentos ā o de Ricardo em relação a Smith e o de Lacan em relação supostamente a Freud, sĆ£o idĆŖnticos quanto a suas bases no pensamento, porque:
E dessa forma
Os pontos comentados são os seguintes:
Ā
Clips do vĆdeo Falando nisso 254 – Neoliberalismo e sofrimento, para comentĆ”rio
ComentĆ”riosĀ
O livro āNascimento da biopolĆticaā, de 1978-1979, sim, figura na lista de referĆŖncias do vĆdeo 254;
A importĆ¢ncia disso – se atentarmos para o pensamento de Michel FoucaultĀ no ‘As palavras e as coisas’ pode ser avaliada sob dois aspectos:
Ć que nesse livro o autor identifica as condiƧƵes de possibilidade no pensamento de produƧƵes do pensamento ao longo do tempo e distingue dois perĆodos separados justamente por uma mudanƧa epistemológica, ou uma alteração nessas condiƧƵes de possibilidade do pensamento usado.
E teorias, modelos e sistemas, como construƧƵes do pensamento, foram construĆdas por autores imersos nos dois perĆodos históricos, no antes,Ā e no depois desse evento; e as mudanƧas enquanto estavam sendo feitas,Ā no durante.
Por favor vejaĀ
Cronologia da descontinuidade epistemológica ocorrida entre os anos de 1775 e 1825
e depois, vejaĀ
A forma dos modelos em cada configuração do pensamento
Ā
e por favor veja ainda
Na descrição desse evento, ao qual Foucault atribui o status de evento fundador da nossa modernidade no pensamento, temos
Como última atenção ao que Foucault tem a dizer nesse grande livro, veja
Condições de possibilidade das ciências humanas: consciência epistemológica do homem
“Antes do fim do sĆ©culo XVIII,
o homem não existia.
NĆ£o mais que a potĆŖncia da vida,
a fecundidade do trabalho
ou a espessura histórica da linguagem. (…)Certamente poder-se-ia dizer que
a gramÔtica geral, a história natural, a anÔlise das riquezas
eram, num certo sentido, maneiras de reconhecer o homem,
mas Ć© preciso discernir.Sem dĆŗvida, as ciĆŖncias naturais –
trataram do homem
como de uma espécie ou de um gênero:
a discussão sobre o problema das raças, no século XVIII, a testemunha.
A gramÔtica e a economia, por outro lado, utilizavam noções como as de necessidade, de desejo, ou de memória e de imaginação.Mas não havia consciência epistemológica do homem como tal.
A episteme clƔssica se articula segundo linhas que
de modo algum isolam
o domĆnio próprio e especĆfico do homem.”
Cartilha; Cap. 9 – O homem e seus duplos; II. O lugar do rei“Nem vida, nem ciĆŖncia da vida na Ć©poca clĆ”ssica;
tampouco filologia.
Mas sim
uma história natural,
uma gramƔtica geral.
Do mesmo modo,
nĆ£o hĆ” economia polĆtica
porque,
na ordem do saber,
a produção nĆ£o existe. ā
Cartilha; Cap. 6 ā Trocar; tópico I ā A anĆ”lise das riquezas
Isso Ć© o que nos ensina a Cartilha.
Como seria uma noção denominada ‘sujeito’ cunhada por pensadores clĆ”ssicos e que, portanto trataram do homem como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero.
Como seria um sujeito na modernidade, visto como uma espécie ou um gênero?
E como seria uma psicologia sustentada por um pensamento que leve o homem nessa conta?
No pensamento de Foucault, vê-se claramente duas rupturas duas descontinuidades epistemológicas em nossa cultura:
Essa última ruptura é situada por Foucault na virada dos séculos XVIII para o XIX, e pode ser vista por este link:
A cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
em uma animação que coloca em uma imagem, o texto de Michel Foucault em āAs palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanasā.
Mas Adam Smith e David Ricardo pensavam de maneira bastante distinta. Podemos ver isso em
E as diferenƧas, explicitadas com palavras de Foucault, sĆ£o muito grandes. O modo de ver o que sejam ‘operaƧƵes’ Ć© muito mais amplo em Ricardo do que em Smith, com as consequĆŖncias que isso acarreta.
E existem atualmente, e entre nós, teorias, modelos e sistemas utilizados, que modelam operações dos dois modos, sem consciência epistemológica do que estÔ envolvido nisso.
Veja isso nos links abaixo:
Essa cronologia posiciona Adam Smith e David Ricardo em lados opostos desse evento, ao qual Foucault atribui o papel de āevento fundador da nossa modernidadeā no pensamento.
āA partir de Ricardo, o trabalho,
desnivelado em relação à representação,
e instalando-se em uma região
onde ela nĆ£o tem mais domĆnio,
organiza-se segundo uma causalidade que lhe Ć© própria.ā
Cartilha; Ā Cap. 8 ā Trabalho, Vida e Linguagem; tópico II. Ricardo
Esse movimento do pensamento que Foucault percebe em Ricardo é o mesmo movimento feito por um autor que construa sua teoria, modelo ou sistema baseado na representação.
āA diferenƧa, porĆ©m, entre Smith e Ricardo estĆ” no seguinte:Ā
āEnquanto no pensamento clĆ”ssico
o comƩrcio e a troca servem
de base insuperƔvel para a anƔlise das riquezas
(e isso mesmo ainda em Adam Smith, para quem
a divisĆ£o do trabalho Ć© comandada pelos critĆ©rios da permuta),Ādesde Ricardo,
a possibilidade da troca
estĆ” assentada no trabalho;Ā
e a teoria da produção, doravante,
deverĆ” sempre preceder a da circulação.āĀ
Cartilha, Cap. 8. Trabalho, vida e linguagem; tópico II – Ricardo
VĆŖ-se que a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, em David Ricardo, Ć© muito maior se comparada Ć amplitude da visĆ£o de Adam Smith. Para Ricardo toda āaquela atividade que estĆ” na raiz do valor das coisasā, a produção, estĆ” incluĆda, juntamente e ao lado de trabalho como mercadoria, o que nĆ£o acontece em Adam Smith.
Veja novamenteĀ
Note que as diferenƧas nas operaƧƵes, inclusive as de troca, sĆ£o muito grandes no pensamento de Adam Smith e no pensamento de David Ricardo. Se consideramos os dois modelos de operaƧƵes, essas diferenƧas sĆ£o fĆsicas. O pensamento de David Ricardo amplia sobremaneira a amplitude da visĆ£o do que sejam operaƧƵes, incluindo a fase de ‘projeto’ ou de construção de representação nova.
Além disso, decorrentes das diferenças nas operações, altera-se a configuração da linguagem no antes e no depois desse evento. Muda, nas palavras de Foucault, a origem da essência da linguagem. Veja isso na pÔgina
Mesmo assim, no vĆdeo Falando nisso 254, e no contexto da anĆ”lise da incidĆŖncia do trabalho na formação da subjetividade, Adam Smith e Ricardo sĆ£o tomados juntos e indiferenciados, como pertencentes ao mesmo bloco āmatrizā que permitiria a construção da noção de sujeito na modernidade!
ComentƔrios
Ā Complexity:Ā
Ā the emerging science at the edge
of order and chaos,Ā
de M. Mitchell Waldrop
1992
Os vĆdeos e animaƧƵes (parciais) a seguir mostram duas maneiras de ver o que seja Complexidade:
A coleção de animações que se segue a esta mostra os modelos de operações:
Esses modelos de operaƧƵes tĆŖm entre eles uma descontinuidade epistemológica que segundo Foucault, ocorreu em nossa cultura entre os anos de 1775 e 1825 – os 50 anos centrados na virada dos sĆ©culos XVIII para o XIX.
Se depois da compreensĆ£o dos modelos de operaƧƵes mostrados for possĆvel concluir que
são ao fim e ao cabo a mesma ordem, teremos ajudado. E se isso acontecer, teremos um modelo de pensamento que pode substituir o modelo mecanicista ao qual MÓnica se refere.
Clips desse vĆdeo para comentar
ComentĆ”riosĀ
para comparar o que dizem os filósofos de diferentes Ć”reas, – e tambĆ©m os economistas – uns mais e outros menos voltados aos fenĆ“menos que acontecem ao seu redor, veja os seguintes modelos de operaƧƵes:
NOTA: clicando na figura da origem do valor, vocĆŖ tem acesso ao pensamento de Michel Foucault sobre isso.
Sobre origem do valor carregado pela proposição para a representação, nas palavras de Michel Foucault, veja a seguinte pĆ”gina:Ā Ā
com as seguintes origens de valor atribuĆdo Ć proposição:
Veja ainda sobre as duas opções de atribuição de valor à proposição:
Monica de Bolle identifica entre os economistas, não ela, mas economistas como categoria, quem pense em um modelo mecanicista.
ComentƔrios
“Instaura-se
uma forma de reflexão,
bastante afastada
do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.Ā
Ā
Isso tem duas conseqüências.
A primeira Ć© negativa
e de ordem puramente histórica.
Pode parecer que a fenomenologia juntou,
um ao outro,
o tema cartesiano do cogito
e o motivo transcendental
que Kant extraĆra de Hume; (…)”
Ā A outra consequĆŖncia Ć© positiva.
Concerne à relação
do homem
com o impensado,
ou mais exatamente,
ao seu aparecimento gĆŖmeo
na cultura ocidental.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. 9 – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado
de Michel Foucault
espaço para discussão de conceitos
A percepção da contaminação do pensamento com o qual pensamos, pela impossibilidade de fundar as sĆnteses na representação
“Eis que nos adiantamos bem para alĆ©m
do acontecimento histórico que se impunha situar
– bem para alĆ©m das margens cronológicas
dessa ruptura que divide, em sua profundidade,
a epistémê do mundo ocidental
e isola para nós o começo
de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.
à que o pensamento que nos é contemporâneo
e com o qual, queiramos ou não, pensamos,
se acha ainda muito dominado
pela impossibilidade,
trazida à luz por volta do fim do século XVIII,
de fundar as sĆnteses no espaƧo da representação
e pela obrigação
correlativa, simultânea,
mas logo dividida contra si mesma,
de abrir o campo transcendental da subjetividade
e de constituir inversamente,
para alƩm do objeto,
esses āquase-transcendentaisā que sĆ£o para nós
a Vida, o Trabalho, a Linguagem.”
A nova forma de reflexĆ£o se instaura no pensamento em nossa cultura, o motor constituinte “dessa maneira moderna de conhecer empiricidades”
“Instaura-se um tipo de reflexĆ£o
bastante afastado do cartesianismo
e da anƔlise kantiana,
em que estÔ em questão,
pela primeira vez,
o ser do homem,
nessa dimensão segundo a qual
o pensamento
se dirige ao impensado
e com ele se articula.”
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos ;
tópico V – O “cogito” e o impensado.
a percepção dessa contaminação, dominação mesmo,
do pensamentoĀ com o qual ‘queiramos ou nĆ£o‘ pensamos,
– hoje em dia, e aqui e agora –
por configuraƧƵes de pensamento
com a possibilidade, e tambƩm
com aĀ impossibilidade
de fundar as sĆnteses – da empiricidade objeto –Ā no espaƧo da representação
muda completamente os domĆnios e os lugares onde ocorrem as operaƧƵes,
Ā as paletas de ideias ou elementos de imagem, assim como as estruturas e os relacionamentos entre eles.
HĆ” diferentes modelos
que formulamos paraĀ
visƵes de ocorrĆŖnciasĀ
no espaƧo-tempo x, y, z e t.
Ao suspeitar
da contaminação do pensamento
– do nosso, daquele com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos –
por essa impossibilidade de fundar as sĆnteses no espaƧo da representação, ele manifesta sua percepção de que de fato isso acontece em volta de nós e conosco.
Esses modelos,
diferentes em seus fundamentos,
são usados juntos
e/ou simultaneamente
no mesmoĀ domĆnio e ambienteĀ
em um pensamento
contaminado
por duas epistemologias,
ou por duas maneiras
de conhecer
aquilo que dizemos
que conhecemos.
Existem modelos,
todos em uso atualmente,
que podem ser agrupados
em duas famĆlias:
Ā de fundar as sĆnteses
Ā – da empiricidade objeto da operação-
no espaço da representação.
Essa a distinção entre modelos
Ā Ā com e modelos sem essa possibilidade
de fundar as sĆnteses
[da empiricidade objeto da operação]
no espaço da representação,
que Michel Foucault faz sugere que analisemos os modelos de operaƧƵes e de organizaƧƵes existentes, isto Ć©, nos modelos que usamos hoje, em busca de caracterĆsticas de caracterĆsticas, ou caracterĆsticas de segunda ordem, pelas quais podem ser associados com o pensamento antes, depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825, oferecendo os necessĆ”rios elementos para identificação.
A figura na coluna do meio acima mostra a configuração do pensamento (o clĆ”ssico,Ā de antes de 1775), com a impossibilidade de fundar as sĆnteses (da(s) empiricidade(s) objeto da operação) no espaƧo da representação.
Clicando nessa figura, a animação mostrarÔ as alterações em toda a configuração do pensamento, para levantar essa impossibilidade.
A alteração se passa no lado direito da figura.Ā
A primeira coisa que muda Ć© o tipo de reflexĆ£o que se instaura.Ā
Como decorrĆŖncia, muda toda a paleta de ideias, ou elementos de imagem;Ā
Muda ainda o perfil do pensamento em cada configuração:Ā
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ReflexƵes imaginativas no espaƧo-tempo das PermanĆŖncias e dos Fluxos com a licenƧa de Augusto de Franco pelo enxerto (quase parĆ”frase) feito sobre o tĆtulo de
ReflexƵes imaginativas no espaƧo-tempo das PermanĆŖncias e dos Fluxos com a licenƧa de Augusto de Franco pelo enxerto (quase parĆ”frase) feito sobre o tĆtulo de
Manual de uso e projeto de modelos no campo das ciĆŖncias humanas, por Michel Foucault
A forma de reflexão que se instaura em nossa cultura A forma de reflexão que se instaura com esse perfil de conceitos do pensamento moderno,
Influências e inspirações
1 a influĆŖncia de VilĆ©m Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’:Ā
uso das funƧƵes reversĆveis Imaginação e Conceituação para navegar, ida e volta, entreĀ
textos ā imagens ā e ocorrĆŖncias espacio-temporais;Ā
e ainda, não menos importante
2 as sugestƵes de Humberto Maturana nos livros: Cognição, CiĆŖncia e Vida cotidiana; EmoƧƵes e Linguagem na Educação e na PolĆtica; ‘De mĆ”quinas e de seres vivos’:
objeƧƵes e propostas de mudanƧa feitas por Maturana ao fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, aceitação de algumas das crĆticas feitas, e aparentemente, uma alteração de rota;
3 a influĆŖncia especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas’:
a descoberta de duas pedras de tropeƧo durante seu trabalho nesse livro, a saber:
Posição relativa do par sujeito-objeto e o modelo de operações
Usando o pensamento de VilƩm Flusser:
Descontinuidades epistemológicas refletem conquistas humanas no pensamento e sĆ£o aprimoramentos na maneira que usamos para conhecer.Ā Ā HĆ” portanto uma relação entre, de um lado, o modo como colocamos em marcha nosso desejo de transformar o duvidoso em lĆngua a cada nĆvel, e de outro lado, a filosofia que temos, e a CiĆŖncia que temos, ou a tecnologia de que dispomos. Filosofia, CiĆŖncia e Tecnologia sĆ£o funƧƵes do como como vemos o mundo e as coisas.
Michel Foucault (*) descreve uma descontinuidade epistemológica (uma alteração no modo como nos voltamos para o mundo para conhecer o que dizemos que conhecemos), e aponta com toda clareza diferentes jogos de ferramentas de pensamento ou estruturas conceituais, caracterĆsticas de uma e de outra dessas epistemologias, de um e de outro lado desse evento. E aponta um perĆodo em nossa cultura ocidental, em que o pensamento esteve dominado por uma caracterĆstica do perĆodo anterior.
A solução de questões trazidas à luz por essa nova maneira de conhecer (a nova epistemologia) não poderão ser resolvidas se correspondentes ciência e tecnologia não forem desenvolvidas também.
Acompanhando o trabalho arqueológico de Michel Foucault em direção a essa classe especial de saberes, a esse conjunto de discursos chamado de ciĆŖncias humanas, vĆŖ-se que em certo perĆodo consolidou-se um tipo de pensamento em cuja configuração a etapa de construção de novas representaƧƵes foi incorporada. Antes disso, essa etapa de construção da representação nova ficava fora do escopo do pensamento, e depois disso essa etapa permaneceu definitivamente incorporada.
Para a configuração de pensamento que deixa fora do seu escopo a etapa de construção de novas representaƧƵes a alternativa Ć© conviver com tudo o que existe desde sempre e para sempre, tomando as coisas como prĆ©-existentes e pertencentes ao Universo. Esse modo de pensar tem caracterĆsticas de conservadorismo, enquanto aquela outra configuração do pensamento que inclui em seu escopo a geração de novas representaƧƵes, as caracterĆsticas de progressismo.
Neste trabalho algumas – bastantes – caracterĆsticas de uma e de outra dessas duas caracterĆsticas de configuraƧƵes do pensamento foram apresentadas o que de certa forma pode ser usado para qualificar com algo mais do que a qualidade ‘conservador’ um pensamento de direita; e com a qualidade ‘progressista’ um pensamento de esquerda, delineando com mais precisĆ£o uma e outra dessas configuraƧƵes.
(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades
Ć real hoje, aqui, agora, e entre nós, a percepção – feita por Foucault – do domĆnio/contaminação do pensamento – ‘com o qual queiramos ou nĆ£o pensamos‘ – pela impossibilidade de fundar as sĆnteses (do pensamento sobre a empiricidade objeto da operação) no espaƧo da representação(*).
Esse tipo de pensamento dominante, aquele com a impossibilidade de fundar as sĆnteses, Ć© ao mesmo tempo o tipo de pensamento que nĆ£o inclui a operação de construção de novas representaƧƵes. E a estrutura das operaƧƵes sem essa etapa reforƧa essa impossibilidade. Nesse contexto modelos com e modelos sem essa impossibilidade sĆ£o tratados como se variaƧƵes sobre o mesmo tema fossem, e nĆ£o produƧƵes do pensamento completamente diferentes.
Estamos projetando e usando hoje, modelos para operações e organizações, de produção e outras, com o pensamento de exatos dois séculos atrÔs.
Para que isso possa ser percebido pelo projetista de modelos em diversas Ć”reas Ć© necessĆ”rio o rompimento das condiƧƵes em que se dĆ” essa contaminação e esse domĆnio de uma das configuraƧƵes de pensamento sobre a outra, obliterando justamente aquela que corresponde a uma conquista humana no pensamento. Para que isso aconteƧa Ć© necessĆ”rio que seja atendido um requisito: a construção de um critĆ©rio para identificação e comparaçãoĀ de modelos, e sua aplicação no caso presente.
Daqui de onde vejo as coisas, Ć© unĆ¢nime a visĆ£o das coisas em termos de processo. NinguĆ©m fala de nada alĆ©m de processos: mapeia-se processos, otimiza-se processos, etc. etc. o que quer que seja, mas sempre processos. Sem que nos demos conta de como sejam as diferentes estruturas das operaƧƵes em que tais ‘processos’ ocupam posição operacional.Ā
Michel Foucault pode fornecer os elementos necessĆ”rios para a construção desse critĆ©rio. Nossa intenção aqui Ć© destacar em Foucault o que pode ser usado para o estabelecimento de uma relação pensamento – e sua aplicação na modelagem de operaƧƵes em organizaƧƵes.Ā
(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem; tópico I. As novas empiricidades
Ā
Uma coleção com mais de duas dúzias de modelos, (*) para descobrir com que tipo de pensamento foram feitos:
(*) Proposta de metodologia para o planejamento e implantação de manufatura integrada por computador
de Bremer, C. F. USP SC fev 1995;Ā entre outras fontes
O exame dessas três figuras mostra que ideias, elementos de imagem, homÓnimos, podem ser usados de modo diferente em modelos feitos sob estruturas conceituais diferentes.
No modelo 5W e 2H no lado esquerdo acima, o destaque dado pelo losango em vermelho Ć© nosso. NĆ£o estava na figura original. A figura Ć© organizada por um sistema de categorias composto pelas 7 perguntas 5W2H.Ā
O modelo da produção do Kanban Ć© sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto da operação de produção, e Ć© formulado como uma proposição instanciativa de um objeto previamente projetado, e portanto cuja representação foi anteriormente construĆda
O modelo de operaƧƵes de construção de representação para empiricidade objeto (LD da figura) Ć© feito calcado no PrincĆpio Dual de Trabalho de David Ricardo; estĆ” evidenciada a formulação no formato de uma proposição. A origem de valor adotada estĆ” nas designaƧƵes primitivas ( conjunto de operaƧƵes de busca por origem, condiƧƵes de possibilidade e de generalidade dentro de limites) e da linguagem de uso (o Repositório)
As duas animaƧƵes acima – a nosso ver – apenas mostram que tanto John Dewey na sua visĆ£o [homem] [experiĆŖncia] e [natureza] juntos; quanto Ilya PrigogineĀ na sua visĆ£o do que seja caos na ciĆŖncia moderna,Ā estĆ£o pensando com uma configuração de pensamentoĀ COM a possibilidade de fundar as sĆnteses no espaƧo da representação, o que nĆ£o era comum para a ciĆŖncia clĆ”ssica, toda reversĆvel.
O Sistema Formulador:
Ć um ante-projeto de um sistema para gestĆ£o de projetos com estrutura conceitual consistente com o pensamento moderno.Ā
O módulo principal do sistema é uma unidade lógica que relaciona entidades envolvidas na proposição enunciadora de operações, mantidas em banco de dados, e gera sistematicamente o modelo de operações. O Microsoft Project, então, importa o modelo gerado como se fosse próprio, e a gestão continua, agora com um modelo gramaticalmente correto e criteriosamente estruturado.
Este Ć© um ante-projeto de um sistema de gestĆ£o COM a possibilidade de fundar as sĆnteses do pensamento no espaƧo da representação; esse sistema pode evoluir para um sistema visual de gestĆ£o e outros aplicativos.
Comparação do modelo SIPOC ou FEPSC – SixSigma(*) com o modelo VisĆ£o da PHD(**) do ponto de vista das estruturas respectivas.
A animação central mostra o que falta – estruturalmente – ao SixSigma para ter a estrutura do modelo da direita.
Temos à esquerda, o modelo do Kanban com a referência (*) abaixo. e Ô direita, a Figura 7.1 do livro Reengenharia, referência (**) abaixo. São organizados sobre a proposição, e pertencem à configuração do pensamento moderno. Você pode certificar-se da veracidade dessas duas afirmativas neste ponto (17).
(*) Artigo ‘A comparison of Kanban and MRP concepts for the control of Repetitive Manufacturing Systems’ de:
James W. Rice da Western Kentucky University eĀ Takeo Yoshikawa da Yolohama National University
(**) Reengenharia – revolucionando a empresa: em função dos clientes, da concorrĆŖncia e das grandes mudanƧas da gerĆŖnciaĀ
de Michael Hammer eĀ James Champy
Exemplos de modelos muito conhecidos para operaƧƵes e para as organizaƧƵes
(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo
Ā
(**) Frases de Millor Fernandes
(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV – Falar; tópico III. Teoria do verbo
Classificar Ć© referir
o visĆvel a si mesmo,
encarregando um dos elementos
de representar os outros.(*)
Classificar Ć© referir
o visĆvel ao invisĆvel
– como a sua razĆ£o profunda –
e depois, alçar de novo dessa secreta arquitetura, em direção aos seus sinais manifestos, que são dados
Ć superfĆcie dos corpos.(*)
(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
cap. VII – Os limites da representação;
tópico III. A organização dos seres; sub-item 3
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā
(*) CapĆtulo VII – Os limites da representação;
tópico II. A medida do trabalho;
As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
(**) CapĆtulo VIII- Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico II. Ricardo
Em um pensamento mĆ”gico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mĆ”gica de condĆ£o’ –Ā Ā Ć© possĆvel desejar algo e, sem mais qualquer providĆŖncia, vĆŖ-lo surgir Ć nossa frente depois do Plin!!!Ā
Num ambiente de produção real, porĆ©m, nada Ć© produzido sem um instrumento (laboratório piloto, fĆ”brica)Ā com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS Ć© isso: a modelagem das operaƧƵes de produção do objeto desejado juntamente com as operaƧƵes de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fĆ”brica, subindo um nĆvel estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção
(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo IV – Falar; tópico II. GramĆ”tica geral
CapĆtulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem; I. As novas empiricidades
As mudanças nas configurações do pensamento promoveram reposicionamentos das positividades umas em relação às outras, resultando em três espaços gerais do saber.(*)
(*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo III – Representar; tópico VI. MathĆ©sis e Taxinomia;
CapĆtulo X – As ciĆŖncias humanas; tópico I – O triedro dos saberes;Ā
de Michel Foucault
Tempo, em cada um dos segmentos do espectro, muda:
“Antes do fim do sĆ©culo XVIII,
o homem nĆ£o existia. (…)
Sem dĆŗvida,
as ciĆŖncias naturais trataram do homem
como de uma espĆ©cie ou de um gĆŖnero.”
As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico II. O lugar do rei
‘Na medida, porĆ©m, em que as coisas giram sobre si mesmas, reclamando para seu devir nĆ£o mais que o princĆpio de sua inteligibilidadeĀ e abandonando o espaƧo da representação,Ā o homem, por seu turno, entra e pela primeira vez,
no campo do saber ocidental’ (*)
“O modo de ser do homem, tal como se constituiu no pensamento moderno, permite-lhe desempenhar dois papĆ©is: estĆ”, ao mesmo tempo,
Ā (*) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā
PrefƔcio
(**) As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;Ā Ā
CapĆtulo X – As ciĆŖncias humanas;
I. O triedro dos saberes
Veja mais detalhes nas animações que podem ser encontradas nas pÔginas de detalhe deste tópico.
Paletas com o conjunto completo de ideias ou elementos de imagem necessÔrios para a formulação das respectivas imagens das ocorrências no espaço-tempo x, y, z e t ; incluindo relacionamentos entre esses elementos de imagem.(*)
(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;
tópico I. As novas empiricidades, de Michel Foucault
Posição em relação ao par sujeito-objeto
Referencial:
PrincĆpios organizadores:Ā
MƩtodos:
Referencial:
PrincĆpios organizadores:Ā
MƩtodos:
‘Assim, estes trĆŖs pares,
função-norma,
conflito-regra,
significação-sistema,
cobrem, por completo,
o domĆnio inteiro
do conhecimento do homem.'(*)
SĆ£o essas as ferramentas de que se arma o pensamento – em cada segmento do espectro de modelos, para produzir as imagens que servem de mapas, para orientação na construção das representaƧƵes.
(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo X – As ciĆŖncias humanas; tópico III. Os trĆŖs modelos
(*) Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia;
CapĆtulos I – A imagem; e II – A imagem tĆ©cnica,
de VilĆ©m FlusserĀ
nĆ£o hĆ” modelos constituintes nesse segmento do espectro, jĆ” que, pelos pressupostos adotados (Universo, realidade Ćŗnica) nada Ć© constituĆdo na existĆŖncia em decorrĆŖncia das operaƧƵes feitas
modelo constituinte composto pelo par constituinte correspondente ao campo em que o modelo Ć© formulado, tomados isoladamente em cada Ć”rea:Ā
campo das Ciências Humanas com modelos constituintes formados por uma combinação dos três pares constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, tomados todos em conjunto em cada modelo, dada ênfase a uma das Ôreas das ciências da região epistemológica fundamental
(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas;
CapĆtulo X – As ciĆŖncias humanas; tópico III. Os trĆŖs modelos
Ā
O modo como Foucault descreve o problema que encontrou em seu trabalho pode ser mapeado em um espectro de modelos agrupados segundo os dois fatores por ele percebidos: fator 1, com duas regiƵes quanto Ć fundação das sĆnteses na representação e com trĆŖs regiƵes quanto Ć posição relativa ao objeto e ao sujeito:
AquƩm, Diante e para AlƩm do objeto.
Fator 1 – o domĆnio/contaminação do pensamento com o uso simultĆ¢neo de configuraƧƵes de pensamentoĀ
e também com a possibilidade,
de fundar as sĆnteses da representação da empiricidade objeto, no espaƧo da representação’;Ā com duas regiƵes em um espectro de modelos:
Fator 2Ā – dar conta da obrigação correlativa (…)Ā de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, paraĀ alĆ©mĀ do objeto,Ā os “quase-transcendentais”
com as seguintes regiƵes no espectro de modelos:
Ā 1. regiĆ£o do espectro: ‘AquĆ©m do objeto’Ā (na impossibilidade);
Ā 2. regiĆ£o do espectro: ‘Diante do objeto’Ā (na possibilidade)
Ā 3. regiĆ£o do espectro: ‘para AlĆ©m do objeto’, (na possibilidade) e no campo das ciĆŖncias humanas, no espaƧo interior do triedro dos saberes.
outra região no espectro de modelos, com modelo constituinte único composto dos três pares constituintes das três regiões epistemológicas fundamentais
“Ć que o pensamento que nos Ć© contemporĆ¢neo e com o qual,Ā queiramos ou nĆ£o, pensamos, se acha ainda muito dominadoĀ
“SubstituirĀ
foi um passo importante na boa direção por evitar a armadilha da linguagem clÔssica de fazer do organismo um sistema de processamento de informação.
(…) Contudo Ć© uma formulação fraca por nĆ£o propor uma alternativa construtiva e deixar a interação na bruma de uma simples perturbação.Ā (…) Frequentemente se tem feito a crĆtica de que a autopoiese leva a uma posição solipsista. (**)
(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciĆŖncias humanas; capĆtulo VIII – Trabalho, Vida e Linguagem;Ā tópico: I. As novas empiricidades
(**) De mĆ”quinas e de seres vivos: autopoiese – a organização do vivo; PrefĆ”cio Ć segunda edição; tópico AlĆ©m da autopoiese; sub-tópico: Enacção e cognição, de Francisco JosĆ© Garcia Varela
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